{"id":79358,"date":"2024-02-06T14:30:36","date_gmt":"2024-02-06T17:30:36","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79358"},"modified":"2024-03-26T05:32:27","modified_gmt":"2024-03-26T08:32:27","slug":"critica-wall-of-eyes-segundo-disco-do-the-smile-mostra-que-yorke-greenwood-e-skinner-esbanjam-quimica-e-talento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/06\/critica-wall-of-eyes-segundo-disco-do-the-smile-mostra-que-yorke-greenwood-e-skinner-esbanjam-quimica-e-talento\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: \u201cWall Of Eyes\u201d, segundo disco do The Smile, mostra que Yorke, Greenwood e Skinner esbanjam qu\u00edmica e talento"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79364\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3thesmile1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"1200\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3thesmile1.jpg 1200w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3thesmile1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3thesmile1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o debut do The Smile, \u201cA Light For Attracting Attention\u201d, chegou ao mundo em maio de 2022, suas treze faixas traziam \u2013 al\u00e9m de algumas das melhores passagens musicais registradas nesta d\u00e9cada at\u00e9 agora \u2013 uma desconfort\u00e1vel, por\u00e9m inescap\u00e1vel d\u00favida: com Thom Yorke (vocais, baixo, guitarra e teclados) e Jonny Greenwood (guitarras, baixo, teclados) agora envolvidos em um novo e empolgante projeto ao lado do baterista Tom Skinner, seria este o temido fim do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Radiohead<\/a>? Teria uma das mais importantes e discutidas bandas de todos os tempos chego a seu final de modo silencioso, sufocado em meio a discos solo e coment\u00e1rios pouco reveladores na m\u00eddia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bastaram poucas audi\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o novo \u00e1lbum para que qualquer temor se dissipasse: \u201cA Light For Attracting Attention\u201d apontava para uma dire\u00e7\u00e3o bastante diferente daquela explorada pela banda de Oxford <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/05\/09\/musica-a-moon-shaped-pool-do-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no delicado \u201cA Moon Shaped Pool\u201d (2016)<\/a>, ou mesmo dos trabalhos individuais de Yorke (como \u201cAnima\u201d ou a trilha sonora para o remake de \u201cSuspiria\u201d, ambos de 2018) ou Greenwood (que possui uma folha corrida pra l\u00e1 de extensa), e se voltando para uma jun\u00e7\u00e3o h\u00edbrida entre os momentos mais barulhentos <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/09\/hail-to-the-thief-e-a-volta-das-guitarras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de \u201cHail To The Thief\u201d (2003)<\/a> ou \u201cIn Rainbows\u201d (2007) e as viajantes progress\u00f5es preferidas pelo extinto grupo de jazz de Skinner, Sons of Kemet.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, mesmo sem nem sombra de Ed O\u2019Brien, Colin Greenwood ou Phil Selway, a nova proposta pareceu agradar tanto \u00e0 cr\u00edtica quanto ao p\u00fablico, dividido entre a intriga e a devo\u00e7\u00e3o cega, a empolga\u00e7\u00e3o cautelosa e a entrega apaixonada \u00e0s novas can\u00e7\u00f5es \u2013 que equilibram andamentos r\u00edtmicos menos comuns e as melodias sempre inventivas de Jonny junto ao para sempre singular registro vocal de Thom, e que, se j\u00e1 impressionam em est\u00fadio, s\u00e3o capazes de escandalizar ao vivo, onde se transformam em eletrizantes jam sessions.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Wall Of Eyes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mtXyEIB0kLyTwLSMgaNuqWNQrxOg07vJs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boa not\u00edcia \u00e9 que \u201cWall Of Eyes\u201d, segundo disco do trio (lan\u00e7ado pelo selo XL Recordings, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelos lan\u00e7amentos do Radiohead) ret\u00e9m as caracter\u00edsticas bem estabelecidas no primeiro \u00e1lbum sem se manter no mesmo lugar. Pelo contr\u00e1rio: qualquer estranhamento causado pela estreia se desfaz logo nos primeiros instantes da faixa-t\u00edtulo. O ritmo marcado no viol\u00e3o, somado \u00e0 reverbera\u00e7\u00e3o da voz de Thom, traz vagas lembran\u00e7as dos arranjos esparsos vistos antes em \u201cHouse Of Cards\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/10\/15\/disco-da-semana-in-rainbows-do-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de \u201cIn Rainbows\u201d, 2007<\/a>). O uso de efeitos e orquestra\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, ajuda a definir a identidade do trio mais para longe de seus famosos predecessores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O clima de familiaridade, ainda que n\u00e3o desapare\u00e7a por completo, toma uma posi\u00e7\u00e3o de coadjuvante nos dois n\u00fameros seguintes: \u201cTeleharmonic\u201d faz uso dos j\u00e1 esperados ritmos truncados (embora ainda bastante discretos) de Skinner, ainda que a metade final da can\u00e7\u00e3o ainda tenha espa\u00e7o para intrigantes linhas de baixo e sintetizadores que n\u00e3o soariam fora de lugar em discos como \u201cTomorrow\u2019s Modern Boxes\u201d (2014), segundo solo de Thom Yorke. Arranjos mais \u201ctradicionais\u201d s\u00e3o deixados para a excelente \u201cRead The Room\u201d, que usa tempos mais ortodoxos para deixar que o mais novo dos Greenwood viaje em seus experimentalismos \u2013 algo que acontece em outros momentos do \u00e1lbum. O desempenho do baterista merece destaque, sobretudo, tanto nesta quanto na delirante can\u00e7\u00e3o seguinte, \u201cUnder Your Pillows\u201d, que, segundo registros de performances recentes, j\u00e1 se mostra bem adaptada \u00e0 rotina ao vivo do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFriend Of A Friend\u201d \u00e9 mais serena em seu cerne, com Jonny adicionando belas linhas de piano que, junto ao excelente trabalho de Yorke no contrabaixo (e quem diria que o frontman se revelaria t\u00e3o proficiente nas quatro cordas?), resultam em um dos mais memor\u00e1veis n\u00fameros do repert\u00f3rio registrado pelo The Smile at\u00e9 agora. Menos memor\u00e1vel (mas n\u00e3o ruim) \u00e9 \u201cI Quit\u201d, onde dedilhados ac\u00fasticos trabalhados na mixagem acabam criando um clima on\u00edrico que n\u00e3o deixa impress\u00f5es t\u00e3o marcantes de primeira \u2013 mas que podem se mostrar mais recompensadores ap\u00f3s audi\u00e7\u00f5es sucessivas, sobretudo pelos surpreendentes efeitos de sintetizadores e cordas (e com estas \u00faltimas criando um link direto com os recentes e \u00f3timos trabalhos de Greenwood com trilhas sonoras).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Smile \u2013 Bending Hectic (Live at Montreux Jazz Festival)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jM0MafOVrv8?list=PL3M6mGqCRZBPTEGzm0RD4sLZs87tZ21jq\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cBending Hectic\u201d \u00e9 o momento decisivo do disco, ganhando seu registro em est\u00fadio ap\u00f3s ter aparecido no imperd\u00edvel v\u00eddeo da banda no Montreux Jazz Festival de 2022. Desorientante em sua instrumenta\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 o momento em que Yorke se mostra mais confort\u00e1vel, refletindo inclusive nas letras: \u201cSe voc\u00ea tem algo a dizer, diga agora\/ Ningu\u00e9m vai me derrubar, n\u00e3o\/ De jeito nenhum\/ Estou largando o volante\u201d. O mesmo pode ser dito da excelente \u201cYou Know Me!\u201d, amparada sobretudo nos vibrantes pianos de Jonny e em um dos melhores desempenhos vocais do frontman, encerrando o \u00e1lbum com um n\u00edvel de austeridade ausente no restante do disco \u2013 algo que demostra, simultaneamente, vigor e reconforto, num sentimento provavelmente muito familiar \u00e0 grande maioria dos longevos f\u00e3s do trabalho anterior dos dois membros centrais do The Smile.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob qualquer an\u00e1lise, \u201cWall Of Eyes\u201d se mostra uma experi\u00eancia menos divisiva do que seu antecessor: com oito can\u00e7\u00f5es e pouco mais de 45 minutos de dura\u00e7\u00e3o (quase 10 minutos a menos em compara\u00e7\u00e3o com as treze faixas de \u201cA Light For Attracting Attention\u201d), o disco se mostra menos determinado a se distanciar do trabalho mais c\u00e9lebre de qualquer um dos tr\u00eas membros. Mesmo os momentos mais delicados aqui possuem potencial para se converterem em verdadeiros monolitos em apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, onde inclusive o The Smile <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/07\/27\/ao-vivo-the-smile-mostra-seu-disco-de-estreia-e-varias-ineditas-em-show-perfeito-em-milao\/\">j\u00e1 se mostrou mais do que competente<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A s\u00f3lida, por\u00e9m austera mixagem n\u00e3o se mostra em falta de momentos de respiro, que n\u00e3o apenas enriquecem o repert\u00f3rio da banda como tamb\u00e9m t\u00eam potencial para desafiadores improvisos nos palcos. Com o Radiohead aparentando estar cada dia mais distante no espelho retrovisor \u2013 mesmo que, segundo Phil Selway, a banda n\u00e3o tenha encerrado propriamente suas atividades \u2013 n\u00e3o seria um choque se o The Smile se tornasse o foco principal (exclusivo?) de seus integrantes. N\u00e3o existe raz\u00e3o para o choro dos devotos: \u201cWall Of Eyes\u201d mostra que Yorke, Greenwood e Skinner esbanjam qu\u00edmica e talento, e, mesmo que \u201cA Moon Shaped Pool\u201d se mostre, de fato, o canto de cisne do Radiohead, n\u00e3o existe raz\u00e3o para p\u00e2nico. Basta apertar o play para que a apreens\u00e3o e a d\u00favida se transformem, afinal, em um cr\u00e9dulo e bem-vindo sorriso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79363\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/thesmile1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1074\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/thesmile1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/thesmile1-209x300.jpg 209w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mesmo os momentos mais delicados aqui possuem potencial para se converterem em verdadeiros monolitos em apresenta\u00e7\u00f5es ao vivo, onde inclusive o The Smile j\u00e1 se mostrou competente.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/06\/critica-wall-of-eyes-segundo-disco-do-the-smile-mostra-que-yorke-greenwood-e-skinner-esbanjam-quimica-e-talento\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":79362,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[341,5842,3299],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79358"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79358"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79367,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79358\/revisions\/79367"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}