{"id":79351,"date":"2024-02-05T13:43:00","date_gmt":"2024-02-05T16:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79351"},"modified":"2024-03-22T17:47:46","modified_gmt":"2024-03-22T20:47:46","slug":"here-to-be-heard-the-story-of-the-slits-um-documentario-essencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/05\/here-to-be-heard-the-story-of-the-slits-um-documentario-essencial\/","title":{"rendered":"\u201cHere To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d, um document\u00e1rio essencial"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1976, nos prim\u00f3rdios da cena punk de Londres, um quarteto formado apenas por garotas adentrou ao movimento provocando alvoro\u00e7o na m\u00eddia e despertando garotas ao redor do mundo para a possibilidade tanto de estarem numa banda de rock quanto de se comportarem da forma que desejassem n\u00e3o atendendo a uma proje\u00e7\u00e3o das expectativas e imposi\u00e7\u00f5es da sociedade. Essa \u00e9 uma tentativa de resumir a for\u00e7a das Slits, uma das primeiras bandas punks femininas, algo que pode ser ainda melhor compreendido no document\u00e1rio \u201cHere To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d (2017), do diretor e roteirista William E. Badgley.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voltemos a esse mesmo 1976, especificamente ao show de Patt Smith na capital inglesa. A primeira vez de Patti na Inglaterra foi emblem\u00e1tica, e n\u00e3o apenas pelo que acontecia sobre o palco: na plateia, a aten\u00e7\u00e3o de Paloma Romero (AKA Palmolive), ent\u00e3o com 22 anos, foi fisgada por Ariane Forster (AKA Ari Up, de 14 anos), que brigava de forma chamativa com sua m\u00e3e. N\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico e tamb\u00e9m inusitado que tenha sido gra\u00e7as ao seu \u201cshow particular\u201d que Ari tenha sido convidada para ser vocalista do grupo, naquele momento completado pela guitarrista Kate Korus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estava formada a The Slits, uma das bandas mais singulares da hist\u00f3ria da m\u00fasica. O trio come\u00e7ava sua jornada de forma chamativa, com um nome amb\u00edguo (slits \u00e9 algo como fenda) e que seria motivo de situa\u00e7\u00f5es absurdas, quase surreais. Como ter a cal\u00e7a cortada com canivete por um homem da plateia (que teria gritado: \u201cAgora tem uma fenda para voc\u00ea!\u201d), precisar subornar o motorista do \u00f4nibus da pr\u00f3pria turn\u00ea para poderem entrar no ve\u00edculo (durante a tour \u201cWhite Riot\u201d com o The Clash, Subway Sect e Buzzcocks) ou serem proibidas de circularem no hotel em que estavam hospedadas.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79355\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/slits2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/slits2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/slits2-300x212.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/slits2-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra tudo e contra todos, as Slits foram adiante, se tornaram uma esp\u00e9cie de gang, uma irmandade. Seguiram em frente fazendo shows e aperfei\u00e7oando sua t\u00e9cnica nos instrumentos. Impulsionadas pelo lema punk \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d, elas foram aprendendo a tocar e abordar seus instrumentos nos ensaios e em cima dos palcos. Evolu\u00edram de can\u00e7\u00f5es com pegada mais crua para uma m\u00fasica que incorporava o groove reggae (um dos g\u00eaneros musicais fortes na periferia londrina na \u00e9poca e com conex\u00f5es fortes com o punk) e, posteriormente, para world music, em seu segundo \u00e1lbum, \u201cReturn of the Giant Slits\u201d (1981).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem querer se prender a r\u00f3tulos, elas insistiam em n\u00e3o permitir serem amarradas a termos ou (pr\u00e9)conceitos: &#8220;We\u2019re just the Slits; we are what we are&#8221;, diziam (\u201cSomos s\u00f3 as Slits; somos o que somos\u201d). Tanto que ap\u00f3s a sa\u00edda de Palmolive, em 1978, permitiram bateristas homens no grupo (Budgie assumiu as baquetas entre 1978 e 1980, deixando a banda para integrar os Banshees de Siouxisie).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Instant Hit\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5G9UoXILFpk?list=OLAK5uy_kJo1drfByUTZ5K__Whg7oJ9Bp_8pETOjg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCut\u201d, o disco de estreia, foi lan\u00e7ado tardiamente pela Island Records, em 1979, e teve produ\u00e7\u00e3o de Dennis Bovell. O \u00e1lbum mostra o grupo com uma sonoridade mais para ambienta\u00e7\u00f5es, texturas de guitarras e grooves de reggae e dub, alcan\u00e7ando aproxima\u00e7\u00e3o com o p\u00f3s-punk, diferente dos primeiros anos. Muitos n\u00e3o acreditavam que foi a banda mesmo que tocou no disco. A capa, com as tr\u00eas integrantes da banda seminuas e sujas de lama, causou furor na imprensa conservadora. Tardiamente o \u00e1lbum veio a ter seu valor reconhecido por p\u00fablico e cr\u00edtica, passando a figurar em listas de melhores \u00e1lbuns tanto do punk quanto do p\u00f3s-punk, um cl\u00e1ssico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHere To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d \u00e9 sobre o in\u00edcio e o fim, as mudan\u00e7as, a amizade e as brigas, a trajet\u00f3ria fulminante e o hiato repentino, o lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum e a dispensa inesperada pela gravadora. \u00c9 sobre as curiosidades, as dificuldades, o preconceito e a luta do trio pela sua arte e seu espa\u00e7o. \u00c9 sobre imagens e grava\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, entrevistas e declara\u00e7\u00f5es, incluindo de convidados (Budgie, Paul Cook, Neneh Cherry, Don Lets, Dennis Bovell, Thurston Moore, Donita Sparks).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De in\u00edcio vertiginoso e final melanc\u00f3lico, mas luminoso, \u201cHere To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d \u00e9 um registro monumental e extremamente rico sobre uma banda que, apesar da for\u00e7a representativa de sua obra e seu posicionamento, raramente \u00e9 citada ao se falar sobre o movimento punk. Por qu\u00ea? Essa \u00e9 uma das perguntas que William E. Badgley n\u00e3o consegue responder nos 86 minutos de seu filme. A produ\u00e7\u00e3o, por sua vez, opta por apresentar os \u201cfatos\u201d ao espectador para que ele tire suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E os fatos surgem na tela atrav\u00e9s, principalmente, das palavras da baixista Tessa Pollitt \u2013 uma das produtoras do document\u00e1rio \u2013, que entrou na banda em 1976 no lugar de Suzy Gutsy, que tamb\u00e9m d\u00e1 as caras no filme junto com suas ex-colegas de banda: Palmolive, Viv Albertine e Kate Korus. Tessa guarda, de forma cuidadosa, um livro de recortes com tudo que saiu na imprensa sobre a banda. Embora n\u00e3o seja uma das fundadoras das Slits, fez parte da forma\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica (junto com Ari Up, Palmolive e Viv Albertine) e, junto com Ari, reformou a banda em 2005 e lan\u00e7ou um terceiro e esquecido \u00e1lbum com novas integrantes em 2009, &#8220;In The Beginning&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Vindictive\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-Hgx52hEAi0?list=OLAK5uy_kfKrxy8svhhkQfZ1vKZdZ7K_cQKjggolg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de um registro essencial sobre a trajet\u00f3ria das Slits, o filme \u00e9 tamb\u00e9m uma homenagem p\u00f3stuma \u00e0 vocalista Ari Up, falecida em 2010, v\u00edtima de c\u00e2ncer. \u00c9 sobre a sua trajet\u00f3ria, p\u00f3s Slits, contada de forma breve, e seu retorno e reforma da banda que se dedica a terceira parte do document\u00e1rio. Era uma realiza\u00e7\u00e3o com a qual sonhava a vocalista, que at\u00e9 chegou a fazer grava\u00e7\u00f5es para um futuro filme com a manager do grupo durante a turn\u00ea americana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rico enquanto registro \u00fanico da banda, &#8220;Here To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d mostra as v\u00e1rias conex\u00f5es das Slits com outras bandas da cena punk inglesa, mas deixa muitas lacunas a serem preenchidas e muitos \u201ccantos\u201d a serem explorados para melhor compreens\u00e3o sobre a hist\u00f3ria da banda e suas liga\u00e7\u00f5es e ramifica\u00e7\u00f5es \u2013 incluindo a banda The Raincoats e a rela\u00e7\u00e3o de Nora (m\u00e3e de Ari) com John Lydon.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como outros document\u00e1rios, \u201cHere To Be Heard\u201d come\u00e7a com um ritmo acelerado e din\u00e2mico para finalizar de forma lenta e melanc\u00f3lica. \u00c9 uma sensa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do filme de Todd Haynes <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/20\/tres-filmes-schumacher-val-the-velvet-underground\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sobre o The Velvet Underground<\/a> e, tamb\u00e9m, \u00e0 de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/23\/entrevista-sini-anderson\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">outra \u00edcone feminista e punk<\/a>: Kathleen Hanna em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/05\/01\/6%C2%BA-in-editbrasil-um-filme-por-dia\/\">The Punk Singer<\/a>\u201d. Isso n\u00e3o diminui a for\u00e7a do material entregue, que \u00e9 essencial para quem deseja se aprofundar na hist\u00f3ria do punk.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Here To Be Heard:  The Story Of The Slits \/\/ DokStation 2018 \/\/ Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/grktG_-StbY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"HERE TO BE HEARD: THE STORY OF THE SLITS Q&amp;A | BFI London Film Festival 2017\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kYMHMZsM24c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Slits - Live Vortex Club, London 1977\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/08IXLRoCbeA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Slits live Concert, Punk Band, Early 1980s, UK | Don Letts | Premium Footage\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zeWIGZfRq7k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Slits - Typical Girl\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j0imgWwNt4A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013<em>\u00a0Luciano Ferreira \u00e9 editor e redator na empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a>\u00a0e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cHere To Be Heard: The Story Of The Slits\u201d \u00e9 sobre o in\u00edcio e o fim, as mudan\u00e7as, a amizade e as brigas, a trajet\u00f3ria fulminante e o hiato repentino, o lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum e a dispensa inesperada pela gravadora\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/02\/05\/here-to-be-heard-the-story-of-the-slits-um-documentario-essencial\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":91,"featured_media":79354,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[4782,4751,7026],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/91"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79351"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":79357,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79351\/revisions\/79357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79354"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}