{"id":79276,"date":"2024-01-31T00:36:08","date_gmt":"2024-01-31T03:36:08","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79276"},"modified":"2024-04-11T00:35:06","modified_gmt":"2024-04-11T03:35:06","slug":"entrevista-nicolas-molina-um-dos-fazedores-de-cancoes-mais-interessantes-da-america-latina-lanca-novo-ep","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/01\/31\/entrevista-nicolas-molina-um-dos-fazedores-de-cancoes-mais-interessantes-da-america-latina-lanca-novo-ep\/","title":{"rendered":"Entrevista: Nicolas Molina, um dos fazedores de can\u00e7\u00f5es mais interessantes da Am\u00e9rica Latina, lan\u00e7a novo EP"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicolas Molina \u00e9, talvez, o \u00fanico cantor e compositor capaz de colocar numa mesma faixa um colaborador dos norte-americanos The War On Drugs e um do pernambucano Tagore. \u00c9, tamb\u00e9m, um m\u00fasico multipremiado em seu pa\u00eds natal, mas cujos pr\u00e9-saves de seu \u00faltimo disco foram majorit\u00e1rios no Brasil, onde ele n\u00e3o ocupa nenhuma m\u00eddia mainstream. E \u00e9, acima de tudo, um dos fazedores de can\u00e7\u00f5es mais interessantes da Am\u00e9rica Latina em atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/nicolasmolina.bandcamp.com\/album\/castillos-soho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castillos Soho<\/a>\u201d (2024), seu novo EP, surge quase cinco anos ap\u00f3s seu lan\u00e7amento anterior, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/29\/conexao-latina-a-estreia-solo-de-nicolas-molina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Querencia<\/a>\u201d (2019). Esse \u00faltimo, tamb\u00e9m seu \u00e1lbum de estreia, era um disco denso, que lidava com o suic\u00eddio de seu pai e com fantasmas muito pessoais advindos do fato de ter crescido em um pequeno povoado litor\u00e2neo (Aguas Dulces, no Uruguai), caracterizado tanto pela beleza natural quanto pela solid\u00e3o \u2013 fora da temporada de ver\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o local n\u00e3o chega sequer a 500 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aqui os ares e as ambi\u00eancias s\u00e3o outros: em lugar dos espa\u00e7os ac\u00fasticos cheios de sil\u00eancio e da psicodelia rural \u00e0 uruguaia do disco anterior, o que domina \u00e9 uma esp\u00e9cie de folk inspirado pelo que Adam Granduciel, do The War on Drugs, chama de \u201cbig songs\u201d \u2013 um pop de arranjos ambiciosos e sonoridades amplas, que soam com for\u00e7a tanto nas ondas do r\u00e1dio como ao vivo (e, se voc\u00ea tiver um aparelho decente, v\u00e3o soar bem no seu celular tamb\u00e9m).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/nicolasmolina.bandcamp.com\/album\/castillos-soho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79280\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/nicolas2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/nicolas2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/nicolas2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/nicolas2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O EP abre com \u201cFestejar\u201d, um tour por uma Castillos que se transforma a olhos vistos, e n\u00e3o necessariamente para melhor. Ecos do Nick Cave and The Bad Seeds do come\u00e7o dos anos 2000 ajudam a criar o clima n\u00e3o s\u00f3 para a letra ir\u00f4nica como tamb\u00e9m para um dos melhores vocais que Nicolas Molina j\u00e1 registrou, com uma raiva rouca e rasgada nunca antes registrada em seus discos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, \u201cEl Potro del Palmar\u201d vem mais alt.country, com pedal steel do sessionman Bryan Daste (que j\u00e1 tocou com Joan Osborne e Courtney Marie Andrews), pavimentando o caminho para \u201cAutos y Camiones\u201d, o ponto alto do disco e uma das melhores can\u00e7\u00f5es de Molina. E \u00e9 nela e em sua sucessora, \u201cReina Isabel\u201d, em que a cozinha fica a cargo de Patrick Berkery e Jo\u00e3o Cavalcanti. Berkery \u00e9 um disputado baterista que j\u00e1 gravou com The War On Drugs (s\u00e3o dele as batidas de \u201cRed Eyes\u201d, \u201cHarmonia\u2019s Dream\u201d e outras), Clap You Hands Say Yeah e Satan\u2019s Clutch, entre outros, enquanto Cavalcanti \u00e9 o parceiro de Tagore na banda que leva o nome deste \u00faltimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m deles, ambas as can\u00e7\u00f5es contam com os teclados de Pablo G\u00f3mez \u2013 parceiro musical de Molina desde \u201cQuerencia\u201d \u2013 com as vozes de Emma Ralph, ex-vocalista de Molina y Los C\u00f3smicos que aqui aparece com seu nome de batismo, Viviana Martinez. Ou seja: o uruguaio continua gravando seus discos com uma combina\u00e7\u00e3o de amigos e m\u00fasicos desconhecidos do grande p\u00fablico, mas respeitados pelos nerds de m\u00fasica, aqueles que se interessam tanto pelo que rola dentro do est\u00fadio como por aquilo que soa nas caixas de som. Completa o pacote uma regrava\u00e7\u00e3o de \u201cY. T. C. en El Fin del Mundo\u201d, uma can\u00e7\u00e3o originalmente gravada para o derradeiro \u00e1lbum de Molina y Los C\u00f3smicos, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/14\/conexao-latina-molina-y-los-cosmicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">El Folk de la Frontera<\/a>\u201d (2016).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nicolas Molina abriu a c\u00e2mera para uma videoconfer\u00eancia com o Scream &amp; Yell um dia ap\u00f3s o lan\u00e7amento do \u00e1lbum no come\u00e7o de 2024. Obviamente, \u201cCastillos Soho\u201d ocupou a maior parte da conversa, mas houve bastante espa\u00e7o para falarmos sobre a contradi\u00e7\u00e3o entre o reconhecimento de cr\u00edtica e o alheamento do p\u00fablico, a inviabilidade financeira das turn\u00eas fora do mainstream e as mudan\u00e7as de mentalidade que s\u00e3o inevit\u00e1veis ao longo de alguns anos de carreira.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nicol\u00e1s Molina - Autos y camiones\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mP8Uv7bNd9E?list=OLAK5uy_msYJOs75nnBB2-Dl6N7a7NokKrT91Yzeg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foram quase cinco anos sem lan\u00e7ar nada. O que te levou a sair do isolamento e lan\u00e7ar esse EP?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco clich\u00ea dizer isso, mas a verdade \u00e9 que foram as pr\u00f3prias can\u00e7\u00f5es. Levei um tempo grande trabalhando nelas, mas foi como um amigo jornalista me disse: nem foi um tempo t\u00e3o grande assim, e sim o tempo que me foi necess\u00e1rio. Tenho uma vida, tenho uma filha, ent\u00e3o estou muito focado em outras coisas que n\u00e3o s\u00e3o a m\u00fasica. Essas can\u00e7\u00f5es apareceram, e me dei conta de que eu tinha um material para um EP e me foquei em grav\u00e1-lo, em dedicar um tempo a isso. Continuei tocando ao vivo nesse intervalo, fazendo uns tr\u00eas ou quatro shows por ano, e eu queria, com esse EP, mostrar um pouco do que eu estava fazendo ao vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essas can\u00e7\u00f5es parecem tratar de desencantos variados. Seu primeiro disco, n\u00e3o por coincid\u00eancia, se chama \u201cEl Desencanto\u201d (lan\u00e7ado em 2014 ainda com o projeto Molina y Los C\u00f3smicos). Tem uma n\u00e3o-conformidade com o mundo, especialmente seu mundo mais imediato, que \u00e9 Castillos; ao mesmo tempo, \u00e9 um mundo de quem est\u00e1 ciente de que n\u00e3o pode fazer muito para frear o que est\u00e1 acontecendo.<\/strong><br \/>\nSim, mas tamb\u00e9m \u00e9 um desencanto de algu\u00e9m que sabe que poder\u00edamos estar fazendo melhor. Porque h\u00e1 um fio de esperan\u00e7a [nas can\u00e7\u00f5es], uma cren\u00e7a de que as coisas poderiam ser diferentes. Op\u00e7\u00f5es existem, talvez n\u00e3o as estejamos adotando. E me incluo nessa. \u00c9 muito rom\u00e2ntico dizer que \u201ca mudan\u00e7a est\u00e1 em cada um\u201d, mas se est\u00e1 em cada um, por que caralho n\u00e3o fazemos essa mudan\u00e7a? (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E por onde passa essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nEm \u201cAutos y Camiones\u201d, por exemplo, estou relatando, em primeira pessoa, que estou em Castillos vendo passar carros e caminh\u00f5es por essa cidade que est\u00e1 toda afundada, que tem \u00edndices de suic\u00eddio muito grandes. A mudan\u00e7a, nesse caso, estaria nas pessoas deixarem de olhar os turistas e caminh\u00f5es passarem pela estrada e come\u00e7arem a frequentar elas mesmas esses espa\u00e7os verdes que est\u00e3o pr\u00f3ximos delas, onde h\u00e1 praias, palmares, lagoas. S\u00e3o coisas assim. Em \u201cFestejar\u201d, por exemplo, podemos festejar um anivers\u00e1rio em vez de ficar aplaudindo um desfile c\u00edvico-militar. Cara, que merda \u00e9 essa de ficar aplaudindo militares? Vamos aplaudir os m\u00e9dicos, as professoras. Vamos fazer essas coisas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nicol\u00e1s Molina - Festejar (Video Letra)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dz8NjawZooc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Entrando agora no aspecto musical de \u201cCastillos Soho\u201d: voc\u00ea sempre teve um cuidado muito grande com a produ\u00e7\u00e3o, tentando sempre extrair a melhor sonoridade poss\u00edvel dentro das condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e financeiras dispon\u00edveis. Esse EP tem uma sonoridade mais cheia, que soa melhor em espa\u00e7os grandes, que parece inspirada por gente contempor\u00e2nea, como The War On Drugs ou Kurt Vile, mas que tem um p\u00e9 no passado&#8230;<\/strong><br \/>\n(interrompendo) Sim, mas porque as minhas refer\u00eancias do passado s\u00e3o as mesmas que as dos artistas que voc\u00ea citou: Tom Petty, Bob Dylan&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim. Por\u00e9m, voc\u00ea disse no come\u00e7o da entrevista que o EP nasceu por causa das can\u00e7\u00f5es. Normalmente voc\u00ea comp\u00f5e ao viol\u00e3o, ent\u00e3o queria entender como esse processo mais diretamente ac\u00fastico levou a essa sonoridade ao estilo \u201cbig songs\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\nSabe de uma coisa? Algo que eu s\u00f3 estou me dando conta mais recentemente \u00e9 que a maior parte desse disco foi composta a partir da guitarra el\u00e9trica. Isso \u00e9 uma grande parte desse porqu\u00ea. De resto, n\u00e3o sei se foi uma sonoridade t\u00e3o consciente. Ela foi acontecendo, era um reflexo das coisas que eu andava escutando (nota: Molina veio ao Brasil para ambos os shows do The War On Drugs no C6 Fest. Antes do show carioca, presenteou Adam Granduciel com o vinil de seu primeiro \u00e1lbum solo, \u201cQuerencia\u201d, que veio a ser citado pelo l\u00edder do The War On Drugs no meio do show). E acho que ter o Pablo G\u00f3mez comigo me permite buscar novas paletas sonoras. Ele \u00e9 muito bom no que diz respeito a entender minha cabe\u00e7a: n\u00e3o preciso explicar nada para ele. Nesse disco, fomos ao est\u00fadio Spector, na Argentina, que tem sintetizadores e teclados anal\u00f3gicos. Se voc\u00ea escuta um [\u00f3rg\u00e3o] Hammond no disco, \u00e9 um Hammond de verdade. Os sintetizadores eram todos dos anos 70 e 80, tudo original. N\u00e3o sou contr\u00e1rio aos plugins, mas queria experimentar como seria usar instrumentos de verdade. E o c\u00e2mbio monet\u00e1rio me facilitou muito: gravar nesse lugar era praticamente o mesmo custo do que eu pagaria pra ensaiar aqui em Montevid\u00e9u. Ent\u00e3o teve o Pablo me ajudando a experimentar com esses sons, mas tamb\u00e9m tinha a vontade de n\u00f3s dois de que esse disco soasse maior e um pouco menos cru que os anteriores. O Guillermo Berta, que mixou e masterizou, tamb\u00e9m foi muito importante. Sinto que trabalhei com pessoas com quem n\u00e3o tive que explicar tanto as coisas&#8230; nem tive do que me arrepender depois! (risos \u2013 Molina se refere \u00e0 mixagem de \u201cQuerencia\u201d, que foi feita inicialmente por Craig Schumacher nos Estados Unidos, mas que foi descartada, alguns dias e muitos d\u00f3lares depois, devido ao uruguaio t\u00ea-la considerado insatisfat\u00f3ria).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como voc\u00ea chegou ao Patrick Berkery?<\/strong><br \/>\nEu escrevi pra ele. Ele toca a bateria em uns 33% dos discos do The War on Drugs, tocou em can\u00e7\u00f5es como \u201cRed Eyes\u201d, \u201cOcasional Rain\u201d, e mais um monte de outras. N\u00e3o faz muito tempo, numa publica\u00e7\u00e3o comemorativa do lan\u00e7amento do \u201cLost In The Dream\u201d (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/19\/melhores-discos-internacionais-2014\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disco do ano do Scream &amp; Yell em 2014<\/a>), ele tinha sido marcado. E ele tinha alguma mensagem do tipo \u201cse voc\u00ea quiser gravar comigo, me escreva\u201d (risos). \u00c9 um cara muito simples, foi tranquilo. Ele tem tudo em casa, n\u00e3o precisei contratar um est\u00fadio pra ele gravar. Ele me mandou umas amostras de como soavam as grava\u00e7\u00f5es na casa dele, mostrei-as para o Guillermo Berta e para o Ot\u00e1vio [Bertolo, produtor brasileiro com quem Molina j\u00e1 havia colaborado \u2013 inclusive em projetos para o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/selo_scream_yell\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Selo Scream &amp; Yell)<\/a>, e eles disseram que era perfeitamente poss\u00edvel gravar um disco com aquele som. Tinha o profissionalismo que eu queria para o disco, e dialogava bem com o que eu conseguia gravar no Spector. Ele aceitou meu convite, eu aceitei algumas condi\u00e7\u00f5es que ele colocou, e rolou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quase 50% dos pr\u00e9-saves do disco vieram do Brasil. Voc\u00ea j\u00e1 veio ao pa\u00eds v\u00e1rias vezes, chegou a fazer algumas turn\u00eas longas pelo interior de S\u00e3o Paulo e do Rio Grande do Sul, tocou em Porto Alegre, S\u00e3o Paulo e Bel\u00e9m&#8230; Diante disso, quais os planos para \u201cCastillos Soho\u201d no Brasil?<\/strong><br \/>\nTomara que sejam os melhores! (risos) E que eu possa voltar a fazer turn\u00eas! Eu sei que nunca estive na moda, mesmo assim acho que meu momento no mercado musical j\u00e1 passou, no Brasil inclusive. Mas eu gostaria muito de pelo menos fazer o que j\u00e1 fizemos antes. Acho que vai ser muito dif\u00edcil, mas adoraria ter v\u00e1rias datas nos SESCs ou na Serra Ga\u00facha, que foram os lugares por onde toquei. A \u00fanica possibilidade concreta que vejo hoje de tocar no Brasil \u00e9 pegar o carro e ir. Fica a dica para quem estiver lendo essa entrevista: eu moro muito perto do Brasil! Castillos fica a uns 50 minutos de Barra do Chu\u00ed, que \u00e9 a fronteira, a cidade mais austral do Brasil. O problema \u00e9 que ela est\u00e1 a uns 250 km da primeira cidade grande, que \u00e9 Pelotas (risos), que por sua vez est\u00e1 a 300 km da primeira capital, que \u00e9 Porto Alegre (mais risos). Ent\u00e3o s\u00e3o umas cinco, seis horas para chegar a Porto Alegre \u2013 que \u00e9 o que eu levaria para cruzar o Uruguai. Mas se em algum momento eu ver que h\u00e1 gente esperando que eu toque novamente no Brasil, o jeito vai ser pegar o carro, chamar tr\u00eas m\u00fasicos e sacrificar o som do disco \u2013 se voc\u00ea me perguntar, eu queria mesmo era ir com seis m\u00fasicos e reproduzir a sonoridade do \u00e1lbum. Mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que eu tenha que fazer algo enxuto. Seja como for, estou sempre aberto pra pessoas que me escrevem e me convidam para tocar. Mas s\u00f3 deixando claro para os produtores de festivais do Brasil (risos): d\u00e1 para eu ir at\u00e9 voc\u00eas com um voo dom\u00e9stico, n\u00e3o precisa ser internacional! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/05\/29\/conexao-latina-a-estreia-solo-de-nicolas-molina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Querencia\u201d foi um disco<\/a> que praticamente n\u00e3o foi apresentado ao vivo, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nSim. Quase nada, na verdade. Al\u00e9m do Festival Conex\u00e3o Latina, que foi em 2018 (no Mundo Pensante, em S\u00e3o Paulo) mas j\u00e1 tinha uma parte do repert\u00f3rio, fiz poucas outras coisas. O disco saiu em junho de 2019 e em fevereiro [de 2020] apareceu o coronav\u00edrus, em mar\u00e7o fechou tudo&#8230; Ou seja, seis meses depois do lan\u00e7amento, veio a maior pandemia do mundo. Eu tinha muitos shows agendados no Uruguai, \u00edamos tocar no Teatro de Verano, no Autores en Vivo \u2013 que \u00e9 um programa da televis\u00e3o estatal aqui onde tocam os artistas j\u00e1 \u201cconsagrados\u201d, entre aspas. \u00cdamos tocar na Argentina, no South by Southwest dos Estados Unidos, e em outros eventos nos Estados Unidos \u2013 j\u00e1 estava tudo certo! Eu ia tocar no Brasil, inclusive, eu tinha alguma coisa em Caxias do Sul e em Porto Alegre, embora n\u00e3o me lembre bem se era um festival ou sei l\u00e1 o que&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas o que voc\u00ea est\u00e1 armando para esse EP agora? Como \u00e9 o show que voc\u00ea est\u00e1 montando?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o estou. Hoje em dia, tocar ao vivo \u00e9 sin\u00f4nimo de perder dinheiro. \u00c9 muito complicado. H\u00e1 um tempinho, toquei com os amigos do La Foca, uma banda que fez 30 anos. Tocamos na abertura desse show comemorativo, s\u00f3 com teclados, guitarra e bateria eletr\u00f4nica, mas o som ficou bom! Pode ser esse o futuro. Tocar com banda grande vai ser muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou que seu momento no mercado j\u00e1 passou. Tem uma coisa que me chama aten\u00e7\u00e3o na sua hist\u00f3ria: voc\u00ea j\u00e1 ganhou os Premios Grafitti (a maior premia\u00e7\u00e3o da m\u00fasica uruguaia) mais de uma vez, j\u00e1 ganhou o Premio Nacional de M\u00fasica do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura&#8230; Ou seja, \u00e9 um reconhecimento n\u00e3o s\u00f3 de cr\u00edtica, mas at\u00e9 institucional. Mas seus n\u00fameros no Spotify s\u00e3o c\u00edclicos, muitas vezes ficam baixo, enquanto no Youtube t\u00eam muito mais visualiza\u00e7\u00f5es. Como \u00e9 navegar no meio desses espa\u00e7os contradit\u00f3rios?<\/strong><br \/>\n\u00c9 um pouco perigoso, porque acreditar que a cr\u00edtica \u00e9 tudo \u00e9 uma mentira. Est\u00e1 \u00f3timo, eu gosto muito disso, inclusive acontece de muitos m\u00fasicos me encherem a bola \u2013 inclusive alguns que s\u00e3o her\u00f3is para mim. Mas a verdade \u00e9 que voc\u00ea tem que se ligar com as pessoas que est\u00e3o a\u00ed fora esperando que voc\u00ea lance um disco e toque ao vivo. Ainda ontem eu estava jogando futebol society com uns amigos, trombei com o Pablo G\u00f3mez, e ele estava todo feliz, dizendo que muita gente estava falando do disco nas redes sociais e tal. Eu disse pra ele n\u00e3o dar f\u00e9 demais para isso, porque al\u00e9m de ser moment\u00e2neo, vem de pessoas que conhecemos, n\u00e3o foi como se um medalh\u00e3o tivesse inclu\u00eddo uma m\u00fasica minha numa playlist. E mesmo que fosse algo assim, n\u00e3o muda muita coisa. O que conta \u00e9 que as pessoas escutem o disco, que exista algu\u00e9m do outro lado. \u00c9 mentira quando dizemos que fazemos m\u00fasica para n\u00f3s mesmos e se ningu\u00e9m escuta n\u00e3o d\u00e1 nada. Tem um pouco disso, sim, mas se voc\u00ea faz um disco e s\u00f3 dez pessoas escutam, voc\u00ea come\u00e7a a pensar em gravar s\u00f3 com um viol\u00e3o, ou s\u00f3 continua tocando em casa, sem fazer discos. Ent\u00e3o, voltando \u00e0 pergunta: \u00e9 um terreno perigoso. Quando \u201cQuerencia\u201d saiu, foi um inferno de cr\u00edticas boas: saiu na KEXP, saiu na Radio Tres, da Espanha, no [portal argentino] Indie Hoy, no [jornal] Pagina 12, em todos os meios de massa do Uruguai, e fomos tocar no La Trastienda e s\u00f3 foram 100 pessoas. Muito pouca gente. No meio do show, pensei em jogar umas duas bolas de futebol para o p\u00fablico e pedir pra eles armarem umas partidas (risos). Quando tocamos, anos antes, com Molina y Los C\u00f3smicos, foram 500 pessoas. Por isso digo que, quando me chamam pra tocar, eu perco dinheiro. No passado tocamos com os Supers\u00f3nicos (veterana banda do underground local) porque t\u00ednhamos que faz\u00ea-lo. Quando eu cheguei em Montevid\u00e9u com 18 anos, eu vi todos os shows deles que consegui durante dois anos, e sei que eles apreciam minha m\u00fasica. Eu disse a eles que eu n\u00e3o ia conseguir levar muito p\u00fablico, mas n\u00e3o foi por isso que eles me chamaram. Ent\u00e3o eu gosto da cr\u00edtica, gosto que seja boa, mas a real \u00e9 que \u00e0s vezes cansa fazer algo e ver que o p\u00fablico n\u00e3o apoia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nicolas Molina - Pra Lua Eu Vou Viajar [Video Oficial]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vq77v4u7LDE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Molina y Los Co\u0301smicos - Full Performance (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-5QltWDGEic?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"EPK Querencia, un disco de Nicol\u00e1s Molina\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IswYBHMtASk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Molina est\u00e1 lan\u00e7ando \u201cCastillos Soho\u201d, uma esp\u00e9cie de folk inspirado pelo que Adam Granduciel, do The War on Drugs, chama de \u201cbig songs\u201d \u2013 um pop de arranjos ambiciosos e sonoridades amplas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/01\/31\/entrevista-nicolas-molina-um-dos-fazedores-de-cancoes-mais-interessantes-da-america-latina-lanca-novo-ep\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":79279,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[45,4817,3099],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79276"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79276"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79276\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80205,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/79276\/revisions\/80205"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/79279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=79276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=79276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}