{"id":79232,"date":"2024-01-27T02:07:48","date_gmt":"2024-01-27T05:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=79232"},"modified":"2024-02-22T03:47:46","modified_gmt":"2024-02-22T06:47:46","slug":"27a-mostra-de-cinema-de-tiradentes-divertido-e-enfadonho-macas-no-escuro-pena-para-acompanhar-seu-personagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/01\/27\/27a-mostra-de-cinema-de-tiradentes-divertido-e-enfadonho-macas-no-escuro-pena-para-acompanhar-seu-personagem\/","title":{"rendered":"27\u00aa Mostra de Cinema de Tiradentes: Divertido e enfadonho, &#8220;Ma\u00e7\u00e3s no Escuro&#8221; pena para acompanhar seu personagem"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">\u00a0<img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-79235\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas1.jpg\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas1.jpg 350w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas1-194x300.jpg 194w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leandro Luz<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ma\u00e7\u00e3s no Escuro&#8221; faz um mergulho na vida de Edson Aquino, dramaturgo fundador da companhia de teatro Arrua\u00e7a, sediada em Diadema, no estado de S\u00e3o Paulo. O diretor Tiago A. Neves aborda a sua hist\u00f3ria ora com a acidez de um mockumentary (termo atribu\u00eddo a obras que apresentam eventos ficcionais, mas vestidos de uma abordagem documental), ora com a ternura de um filme-homenagem. Esta fric\u00e7\u00e3o gera momentos divertidos, mas outros por demais enfadonhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocar em quest\u00e3o a ideia de falso document\u00e1rio se mostra pertinente pela insist\u00eancia do pr\u00f3prio filme em jogar com a ideia da par\u00f3dia, algo t\u00edpico do g\u00eanero. Logo na sequ\u00eancia de abertura, assistimos ao personagem principal ser entrevistado por um cineasta estrangeiro, supomos, auxiliado pela tradu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de um dos companheiros de Edson. No di\u00e1logo ca\u00f3tico entre os dois (na verdade, entre os tr\u00eas), entendemos rapidamente que as tradu\u00e7\u00f5es depreendidas n\u00e3o condizem em nada com a realidade. Neste momento ainda incipiente da narrativa, o filme nos faz crer que o problema \u00e9 a falta de conhecimento b\u00e1sico de ingl\u00eas dos personagens. Ao final da proje\u00e7\u00e3o, estamos certos de que havia muito mais sacanagem envolvida do que barreiras idiom\u00e1ticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Sacanagem&#8221;, ali\u00e1s, \u00e9 uma boa palavra para nortear o pensamento sobre &#8220;Ma\u00e7\u00e3s no Escuro&#8221;. Somando-se ao contexto de baixo or\u00e7amento no qual o longa-metragem se insere, temos em m\u00e3os talvez as principais chaves para desvend\u00e1-lo. Rodado aparentemente com equipamentos simples e em situa\u00e7\u00e3o de guerrilha, a obra constantemente apresenta quest\u00f5es de baixa visibilidade e de sons abafados &#8211; nada que abale os realizadores, pois o tom geral \u00e9 de que o objetivo, no entanto, era esse mesmo. Para o espectador que n\u00e3o se disp\u00f5e a entrar de cabe\u00e7a na proposta tanto quanto seu diretor e sua equipe, contudo, sobram ru\u00eddos que, apesar de fazerem algum sentido, em abund\u00e2ncia soam excessivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma das cenas principais, a voca\u00e7\u00e3o c\u00f4mica do filme e os excessos que a tolhem ficam muito evidentes. Edson, um canastr\u00e3o de meia idade mordaz nas palavras e nos gestos (alguns poderiam compar\u00e1-lo \u00e0 figura e \u00e0 personalidade do saudoso produtor musical Carlos Eduardo Miranda, resguardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es), sofre uma tentativa de assalto que jamais o abala. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o assaltante se cansa do falastr\u00e3o (&#8220;Voc\u00ea quer me roubar por qu\u00ea? Eu sou fodido!&#8221;) e o amea\u00e7a para que saia da sua frente. O diretor se mostra muito engajado em fazer essas tiradas jocosas funcionarem no filme, e de fato elas at\u00e9 provocam algumas boas risadas pelo non-sense (como na sequ\u00eancia de uma festa regada a vinhos absurdamente caros, defende-se, e povoada de convidados que n\u00e3o poderiam ser mais diferentes entre si). O problema \u00e9 como o ritmo da narrativa implode qualquer tentativa para que o bom humor prevale\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal percal\u00e7o para a devida frui\u00e7\u00e3o \u00e9 a constante utiliza\u00e7\u00e3o de tela preta entre planos, interrompendo algo que, justamente, deveria transitar com fluidez entre uma mesa de bar e outra, da apresenta\u00e7\u00e3o de um espet\u00e1culo a um assalto no meio da rua, enfim, de uma situa\u00e7\u00e3o inusitada a outra em que Edson se coloca. Este recurso de montagem costumeiramente \u00e9 usado como respiro ou, em alguns casos, para delimitar uma transi\u00e7\u00e3o importante entre um plano e outro (saltos temporais, espaciais ou mesmo dram\u00e1ticos na narrativa). Em &#8220;Ma\u00e7\u00e3s no Escuro&#8221; utiliza-se tanto a tela preta que o seu sentido rapidamente se esvai e, o que \u00e9 pior, n\u00e3o contribui para que os outros elementos do filme ganhem for\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cotidiano de Edson \u00e9 ca\u00f3tico, despretensioso e, por isso, o personagem \u00e9 admirado e exaltado pelo fiapo de trama e pelos seus corriqueiros acontecimentos: Edson ca\u00e7oa do amigo que pede uma cerveja puro malte (&#8220;Me traz uma Skol!&#8221;), demonstra a sua prefer\u00eancia pelas batatinhas chips ao (tanto quanto) industrializado torcida sabor pimenta mexicana, relata como conheceu um famoso dramaturgo vendendo livros numa cal\u00e7ada e defende com unhas e dentes a sua concep\u00e7\u00e3o de teatro (abre-se m\u00e3o de tudo, cen\u00e1rio, diretor, ator, menos do p\u00fablico).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neves dirigiu um curta-metragem chamado &#8220;Remoinho&#8221; em 2020, um melodrama sobre uma mulher que retorna a contragosto \u00e0 casa da m\u00e3e. Vislumbramos, em &#8220;Ma\u00e7\u00e3s no Escuro&#8221;, um interesse semelhante pelas fortes emo\u00e7\u00f5es. Se a cena em que o protagonista visita o t\u00famulo da m\u00e3e, ao final do filme, soa aceit\u00e1vel pela liga\u00e7\u00e3o emocional que tenta estabelecer com o personagem e, consequentemente, com o p\u00fablico, tamb\u00e9m \u00e9 sentida como um artif\u00edcio anticlim\u00e1tico que pouco conversa formalmente ou tematicamente com o que estava sendo constru\u00eddo at\u00e9 ent\u00e3o. Temas como o ostracismo art\u00edstico, as crises criativas, a caretice da &#8220;ind\u00fastria cultural&#8221; brasileira e a iconoclastia de Edson poderiam ser muito melhor explorados pelo document\u00e1rio e mereciam uma melhor amarra\u00e7\u00e3o aqui. Em resumo, o filme nos permite saborear a deliciosa personalidade de seu protagonista, mas pena um bocado para acompanh\u00e1-lo em sua capacidade para a inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\"><em>Mais sobre a Mostre de Cinema de Tiradentes<\/em><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_79233\" aria-describedby=\"caption-attachment-79233\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-79233 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/01\/macas3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-79233\" class=\"wp-caption-text\"><em>Edson Aquino e o diretor Tiago A. Neves \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Leandro Luz (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/leandro_luz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@leandro_luz<\/a>) escreve e pesquisa sobre cinema desde 2010. Coordena os projetos de audiovisual do Sesc RJ desde 2019 e exerce atividades de cr\u00edtica nos podcasts\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plano-Sequ\u00eancia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/podcasters.spotify.com\/pod\/show\/plano-sequencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1 disco, 1 filme<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O diretor Tiago A. 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