{"id":78978,"date":"2024-01-10T01:42:54","date_gmt":"2024-01-10T04:42:54","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78978"},"modified":"2024-01-31T15:48:03","modified_gmt":"2024-01-31T18:48:03","slug":"meu-disco-favorito-de-2023-depeche-mode-por-davi-caro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/01\/10\/meu-disco-favorito-de-2023-depeche-mode-por-davi-caro\/","title":{"rendered":"Meu disco favorito de 2023: Depeche Mode, por Davi Caro"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>MEU DISCO FAVORITO DE 2023 #11<br \/>\n\u201cMemento Mori\u201d, Depeche Mode<br \/>\nescolha de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\">Lan\u00e7amento \u2013 24\/03\/2023<br \/>\nSelo \u2013 Columbia \/ MUTE<br \/>\nOu\u00e7a \u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/3QWc9HhBWgk9dIEwOkJx4q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Spotify<\/a>&nbsp;\/&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=OLAK5uy_mrRBnob7rrQZKQNW6wPYcUZuqlf6loKAk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Youtube<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 invej\u00e1vel perceber a magnitude do legado do Depeche Mode. Ao longo de pouco mais de 40 anos, a banda abriu caminho em meio \u00e0 toda uma infinidade de co-geracionais vidrados em sintetizadores e can\u00e7\u00f5es descart\u00e1veis que hoje s\u00e3o como um pequeno fragmento esquecido de consci\u00eancia coletiva. Despertando tanto fasc\u00ednio \u2013 por meio de seus inovadores usos de instrumentos eletr\u00f4nicos e seu pioneirismo no uso dos samples como ferramenta pop \u2013 quanto intriga \u2013 gra\u00e7as aos cinem\u00e1ticos e ambiciosos v\u00eddeos gravados por Anton Corbjin, postos em alta rota\u00e7\u00e3o na MTV e ainda dignos de nota e rever\u00eancia \u2013 o Depeche conseguiu se estabelecer como refer\u00eancia quase universal no universo pop, referenciado tanto pelo mais alto olimpo do mainstream quanto pelas mais obscuras frentes do underground. Atravessando mudan\u00e7as de forma\u00e7\u00e3o, sempre se ergueram em meio a incont\u00e1veis contempor\u00e2neos e disc\u00edpulos por meio de uma \u00e9tica art\u00edstica que priorizou, atrav\u00e9s de in\u00fameros percal\u00e7os, a unidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que quer dizer que poucos teriam se espantado caso \u201cMemento Mori\u201d (2023) nunca tivesse existido. O disco \u00e9 o primeiro da carreira da banda sem contar com o aporte do tecladista e fundador Andy Fletcher, falecido em maio de 2022 em decorr\u00eancia de problemas card\u00edacos. Qualquer incerteza sobre o futuro do grupo, por\u00e9m, parece ter se dissipado r\u00e1pido: ao inv\u00e9s de interromperem suas atividades (como muitos poderiam ter esperado), Dave Gahan (vocais) e Martin Gore (teclados e guitarras) entraram em est\u00fadio em julho do mesmo ano para registrar o mais delicado conjunto de m\u00fasicas creditados ao Depeche Mode em muito tempo. Ao passo que, nos \u00faltimos anos, as contribui\u00e7\u00f5es de Fletcher tenham se limitado a quest\u00f5es de gerenciamento do grupo (e j\u00e1 n\u00e3o contar com qualquer contribui\u00e7\u00e3o criativa no \u00faltimo trabalho lan\u00e7ado, \u201cSpirit\u201d, de 2017), sua falta permeia todas as can\u00e7\u00f5es encontradas aqui, ao mesmo tempo que seus companheiros de uma vida toda buscam preencher o vazio de sua aus\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois elementos se fazem fundamentais para o resultado obtido nas can\u00e7\u00f5es: o primeiro \u00e9 referente a James Ford, que tamb\u00e9m retorna do disco anterior, e consegue aqui ajudar a canalizar a perda de uma das figuras determinantes para a trajet\u00f3ria da banda com maestria enquanto tamb\u00e9m assume a bateria nas grava\u00e7\u00f5es. O segundo diz respeito \u00e0 Richard Butler, vocalista dos tamb\u00e9m sobreviventes oitentistas do Psychedelic Furs: quatro das doze m\u00fasicas contam com seu aporte \u2013 como \u00e9 o caso do primeiro single, a reflexiva e memor\u00e1vel \u201cGhosts Again\u201d. As outras parcerias tamb\u00e9m rendem bons momentos, com destaque para a balada \u201cDon\u2019t Say You Love Me\u201d e a mais soturna \u201cMy Favorite Stranger\u201d, que poderia estar no essencial \u201cViolator\u201d (1990).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Depeche Mode - Ghosts Again (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iIyrLRixMs8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Martin Gore, por sua vez, se mant\u00e9m como o principal compositor, contribuindo com cinco can\u00e7\u00f5es e sendo parceiro na maioria das outras (as exce\u00e7\u00f5es, no caso, sendo a boa \u201cBefore We Drown\u201d e a mediana \u201cSpeak To Me\u201d no encerramento, onde Gahan colabora com outros compositores). A quase industrial abertura do disco, \u201cMy Cosmos Is Mine\u201d, \u00e9 uma reflex\u00e3o que traz muito, nas palavras do pr\u00f3prio guitarrista, dos eventos que se sucederam \u00e0 invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia pela R\u00fassia, e \u00e9 um negativo fotogr\u00e1fico em compara\u00e7\u00e3o com o que se segue, nos ritmos 4\/4 de \u201cWagging Tongue\u201d. Se h\u00e1 uma ressalva a ser feita em rela\u00e7\u00e3o ao tracklist, talvez seja ao posicionamento de \u201cAlways You\u201d, uma boa j\u00f3ia que fica mais escondida j\u00e1 no final do disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as coisas que fazem de \u201cMemento Mori\u201d uma experi\u00eancia no m\u00ednimo curiosa, n\u00e3o deixa de chamar a aten\u00e7\u00e3o a forma com a qual os dois membros remanescentes parecem refletir a perda de seu companheiro: Gahan parece se referir aos sentimentos de maneira mais visceral (como em \u201cBefore We Drown\u201d), ao mesmo tempo em que Gore soa mais contemplativo (em \u201cMy Cosmos Is Mine\u201d). A tem\u00e1tica evocada aqui se converte em um disco mais confessional, passional e resoluto em sua introspec\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o se fecha no luto ou na dor: o agora duo se mostra determinado a seguir fazendo o que fazem de melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal-comparando, pode-se dizer que \u201cMemento Mori\u201d se assemelha a outro disco lan\u00e7ado em 2023 por uma outra institui\u00e7\u00e3o da chamada \u201cm\u00fasica alternativa\u201d: o mundo viu os Foo Fighters retornarem de um per\u00edodo pr\u00f3prio de incerteza com seu \u201cBut Here We Are&#8230;\u201d, exorcizando o trauma da perda do baterista Taylor Hawkins. Da mesma forma que ocorreu com o grupo de Dave Grohl, Gahan e Gore se viram compelidos a externalizar sua dor em um disco que, por acaso, foi amplamente considerado um de seus melhores em muito tempo. Ao contr\u00e1rio dos Foos, por\u00e9m, o Depeche Mode concebeu um trabalho onde a dor deu lugar a um repert\u00f3rio ao mesmo tempo intenso e delicado, (por vezes) barulhento e (sempre) muito bonito, sempre sutil e nunca abrasivo demais. \u201cMemento Mori\u201d \u00e9 um documento da busca vinda da perda, e da procura pela esperan\u00e7a, esse fator t\u00e3o puro, em meio \u00e0 n\u00e9voa de desilus\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<p><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>&nbsp;\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo.&nbsp;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/davi-caro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia outros textos de Davi aqui.<\/a><\/em><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Memento Mori\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mrRBnob7rrQZKQNW6wPYcUZuqlf6loKAk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/favorito\/\"><strong>CONHE\u00c7A OUTROS DISCOS FAVORITOS<\/strong><\/a><\/h2>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Depeche Mode concebeu um trabalho onde a dor deu lugar a um repert\u00f3rio ao mesmo tempo intenso e delicado, (por vezes) barulhento e (sempre) muito bonito, sempre sutil e nunca abrasivo demais. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2024\/01\/10\/meu-disco-favorito-de-2023-depeche-mode-por-davi-caro\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":78982,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5407,6512],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78978"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78978"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78978\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78983,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78978\/revisions\/78983"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78982"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}