{"id":78716,"date":"2023-12-20T00:27:02","date_gmt":"2023-12-20T03:27:02","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78716"},"modified":"2024-03-25T02:39:45","modified_gmt":"2024-03-25T05:39:45","slug":"entrevista-kumbia-queers-uma-das-propostas-mais-simples-divertidas-criativas-e-sacanas-do-cenario-latino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/20\/entrevista-kumbia-queers-uma-das-propostas-mais-simples-divertidas-criativas-e-sacanas-do-cenario-latino\/","title":{"rendered":"Entrevista: Kumbia Queers, uma das bandas mais simples, divertidas, criativas e sacanas do cen\u00e1rio latino"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2007, cinco garotas vindas de bandas punk decidiram \u201cpunkificar\u201d a cumbia, ritmo de origem colombiana que encontrou grande popularidade na Argentina. Dessa uni\u00e3o \u201cprofana\u201d, conforme os rigorosos preconce&#8230; ops, padr\u00f5es dos roqueiros e cumbieros de ent\u00e3o, nasceu o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/kumbia_queers\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kumbia Queers<\/a>, uma das propostas mais simples, divertidas, criativas e sacanas do cen\u00e1rio pop latino-americano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana Chang (voz), Pilar Arrese (guitarra), Patricia Pietrafasa (baixo), Ines Laurencena (bateria) e Flor Linyera (teclados) conseguiram pegar dois ritmos b\u00e1sicos, em termos mel\u00f3dicos e harm\u00f4nicos, e encontrar varia\u00e7\u00f5es inusitadas ao combin\u00e1-los. Junto com isso, trouxeram uma postura que deixava clara sua sexualidade \u2013 expl\u00edcita j\u00e1 no nome \u2013 sem, no entanto, transformar suas can\u00e7\u00f5es em manifestos. Ser queer era parte de suas vidas, n\u00e3o sua raz\u00e3o de viver, muito menos pretexto para a sua m\u00fasica. A postura clara, inequ\u00edvoca e desencanada foi mais explosiva que qualquer discurso de confronto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo com o tom festeiro e festivo de suas composi\u00e7\u00f5es e apresenta\u00e7\u00f5es, o Kumbia Queers \u00e9 uma banda diretamente pol\u00edtica, que faz ativismo n\u00e3o a partir de hashtags e discursos, mas a partir das suas a\u00e7\u00f5es. Trouxe a cumbia para o meio roqueiro e para o underground quando ambos eram ambientes ainda mais preconceituosos e imperme\u00e1veis; levantaram a bandeira queer desde o in\u00edcio simplesmente pelo seu modo de ser \u2013 e tamb\u00e9m pelas letras, que tratavam naturalmente de quest\u00f5es homoafetivas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso transparece no show, que, mais que uma celebra\u00e7\u00e3o queer, \u00e9 uma celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e \u00e0 m\u00fasica \u2013 show esse que passou diversas vezes pelos palcos brasileiros. Na \u00faltima dessas ocasi\u00f5es, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/12\/festival-mucho-festeja-sua-melhor-edicao-com-grandes-shows-de-maglore-e-kumbia-queers-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no Festival Mucho!<\/a>, em S\u00e3o Paulo, o Scream &amp; Yell aproveitou para bater um papo com as quatro integrantes \u2013 Flor Linyera estabeleceu-se em Madri h\u00e1 dois anos e deixou a banda. P\u00f3s-show \u00e9 um dos piores momentos para entrevistar um artista \u2013 s\u00f3 perde para os momentos antes do show. Mesmo assim, a conversa fluiu segura e divertida, permitindo abrir um pouco mais do ide\u00e1rio musical e pol\u00edtico da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kumbia Queers, Mula - Descalzas en la pista (Video Lyric)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nWiol8HjOGo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/12\/festival-mucho-festeja-sua-melhor-edicao-com-grandes-shows-de-maglore-e-kumbia-queers-em-sao-paulo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">No show no Festival Mucho!<\/a>, Pilar disse que agora come\u00e7am \u201cquatro anos de merda\u201d para a Argentina (com Javier Milei assumindo como presidente). Como pretendem atravessar esse per\u00edodo, no qual j\u00e1 se antev\u00ea uma demoniza\u00e7\u00e3o da cultura e um retrocesso nos direitos das pessoas LGBTQUIA+?<\/strong><br \/>\nJuana: Protestando. Vamos para as ruas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Vamos para a rua para nos solidarizar com as pessoas que v\u00e3o se dar mal, como n\u00f3s, e tamb\u00e9m com pessoas que v\u00e3o se dar ainda pior. O panorama n\u00e3o \u00e9 muito alentador, mas a vontade \u00e9 de viver isso em comunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas surgiram, eu morava na fronteira com a Argentina e acompanhava essa movimenta\u00e7\u00e3o de perto. Sempre me pareceu que voc\u00eas foram pioneiras nessa quest\u00e3o de trazer uma pegada roqueira para a cumbia, e vice-versa, numa \u00e9poca em que o preconceito em ambos os lados era quase onipresente, e principalmente a cumbia era demonizada. \u00c9 como voc\u00eas se veem?<\/strong><br \/>\nJuana: Bom&#8230; De cara, eu diria que sim. Vemos que houve uma libera\u00e7\u00e3o de preconceitos que existiam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cumbia e \u00e0s sexualidades desde que come\u00e7amos em 2007. N\u00e3o tinha essa coisa de garotas para garotas, e com o ritmo aconteceu a mesma coisa. Nessa \u00e9poca, a ideia de brincar com a cumbia era forte at\u00e9 para n\u00f3s mesmas, porque havia muito preconceito nos anos 1990, a cumbia nessa \u00e9poca parecia algo muito vazio de conte\u00fado e fomos muito cr\u00edticas quanto a isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Era uma cultura que parecia hegem\u00f4nica, com umas letras muito machistas, muito mis\u00f3ginas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>(nota: para se ter uma ideia, alguns dos hits da chamada cumbia villera, a vers\u00e3o mais massiva e vulgar do g\u00eanero, trazia versos como \u201cprimeiro senta no careca que eu estou apaixonado\u201d, \u201cn\u00e3o se fa\u00e7a de boa menina porque esse cheiro que leite que sai da sua boca da vaca \u00e9 que n\u00e3o vem\u201d e&#8230; bem, voc\u00ea j\u00e1 entendeu).<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: E quisemos fazer algo diferente. Mas eu n\u00e3o te diria que as bandas que vieram depois copiaram o nosso estilo, e sim que a ideia nos ocorreu antes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: \u00c9 que em 2007, quando come\u00e7amos a tocar, existiam as bandas de rock e as bandas de cumbia, estava tudo muito setorizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: E quase n\u00e3o existiam bandas de garotas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: O que me parece \u00e9 que esse \u201cdespreconceito\u201d que tivemos de misturar tudo foi algo que depois foi se armando como uma tend\u00eancia. E hoje vemos bandas de trap tocando com guitarra heavy metal, ou metendo uma cumbia. Isso, sim, foi algo que vimos como uma consequ\u00eancia do que fizemos. Os estilos foram se misturando e as pessoas mais jovens hoje j\u00e1 n\u00e3o veem conflito algum em mistur\u00e1-los. Em 2007 era um pecado mortal (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ines Laurencena: Muitas pessoas da cidade onde viv\u00edamos deixaram de falar com a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Sim, se ofenderam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vendo voc\u00eas ao vivo, lembrei dos B-52s. N\u00e3o pelo som, que n\u00e3o tem nada a ver, mas eles diziam que <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/02\/27\/para-entender-b-52s\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estavam apenas tentando ser eles mesmos, e ser gay era apenas uma parte disso<\/a>. Que eles queriam que o mundo fosse assim, com cada um vivendo sua vida e a orienta\u00e7\u00e3o sexual sendo somente uma parte dela.<\/strong><br \/>\nPilar: A gente sempre fala isso, s\u00f3 n\u00e3o sabia que os B-52s tinham dito isso antes (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: Somos assim porque \u00e9 desse jeito que as coisas saem. Claro, aproveitamos que os momentos no palco s\u00e3o momentos de uma libera\u00e7\u00e3o muito grande, e isso foi algo que come\u00e7ou a partir de quando paramos de tocar rock e come\u00e7amos a tocar cumbia, que foi justamente quando come\u00e7ou a acontecer uma intera\u00e7\u00e3o muito mais linda com o p\u00fablico. N\u00e3o era s\u00f3 a raiva. Claro, existe uma f\u00faria que a gente ainda descarrega nos shows, mas o que se gera \u00e9 algo muito mais alegre, com humor, as pessoas dan\u00e7am juntinhas, se conhecem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ines: Todo mundo quer dan\u00e7ar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Por um bom tempo, respond\u00edamos entrevistas e faz\u00edamos materiais para imprensa dizendo que n\u00e3o havia como descrever o que era a banda, para nos conhecer era preciso ver ao vivo. Porque ao vivo voc\u00ea nota quem somos, voc\u00ea vai encontrar tudo o que somos. Est\u00e1 tudo em cima do palco: o quanto dan\u00e7amos mal, n\u00e3o nos penteamos, n\u00e3o usamos maquiagem, estamos sempre com a mesma roupa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Patr\u00edcia: Se quis\u00e9ssemos mudar, n\u00e3o conseguir\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 vieram v\u00e1rias vezes ao Brasil, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPilar: Sim! Fizemos duas turn\u00eas com o Fora do Eixo&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: Tocamos em Patos de Minas, An\u00e1polis \u2013 alguns lugares que nem voc\u00eas mesmos sabem direito onde ficam (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Adoramos o Brasil, e estamos t\u00e3o perto que gostar\u00edamos de vir pelo menos uma vez por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Parece que as pessoas se conectam de imediato com a m\u00fasica de voc\u00eas por aqui, n\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPilar: Aqui rola muita, muita, muita energia! Isso acontece \u00e0s vezes em outros lugares, mas aqui \u00e9 sempre!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: Essa vez em especial est\u00e1vamos com muita vontade de tocar. Foi o \u00faltimo show do ano, e foi um ano muito bom para n\u00f3s!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pilar: Aqui sempre tem bandas que tocam muit\u00edssimo bem e t\u00eam muito ritmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Juana: O que tivemos com o p\u00fablico no Rec-Beat foi incr\u00edvel. Esse festival \u00e9 em pleno carnaval de Recife, e n\u00f3s est\u00e1vamos l\u00e1 tocando cumbia, que \u00e9 um ritmo muito mais simples que essas lindezas musicais que voc\u00eas tocam. Mas tocamos, e quando vimos que nos sa\u00edmos bem, isso pra mim foi demais! Uma roqueira tocando no Carnaval de Recife!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kumbia Queers - Ghosteo (Video Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mlsruqI_z7k?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kumbia Queers - Delivery De Vino (Video Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SGfNwQXv6UA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Kumbia Queers en VIvo- Fiesta de La Chopera- Santa Fe\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rtMzbVWM9Do?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Montecruz Foto \/ Music<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mesmo com o tom festeiro de suas can\u00e7\u00f5es e shows, o Kumbia Queers \u00e9 uma banda diretamente pol\u00edtica, que faz ativismo n\u00e3o a partir de hashtags e discursos, mas a partir das suas a\u00e7\u00f5es.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/20\/entrevista-kumbia-queers-uma-das-propostas-mais-simples-divertidas-criativas-e-sacanas-do-cenario-latino\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":78717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4817,6958],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78716"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78807,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78716\/revisions\/78807"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}