{"id":78711,"date":"2023-12-19T09:18:45","date_gmt":"2023-12-19T12:18:45","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78711"},"modified":"2024-01-18T01:00:57","modified_gmt":"2024-01-18T04:00:57","slug":"literatura-oracao-para-desaparecer-novo-livro-de-socorro-acioli-e-cartografia-desenhada-pelo-afeto-e-pelo-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/19\/literatura-oracao-para-desaparecer-novo-livro-de-socorro-acioli-e-cartografia-desenhada-pelo-afeto-e-pelo-amor\/","title":{"rendered":"Literatura: \u201cOra\u00e7\u00e3o para desaparecer\u201d, novo livro de Socorro Acioli, \u00e9 cartografia desenhada pelo afeto e pelo amor"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gabriel Pinheiro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma mulher acorda sem mem\u00f3ria. Sem saber quem \u00e9 ou onde est\u00e1. Enterrada, a boca cheia de areia, os olhos grudados de lama, ela se v\u00ea, enfim, reencontrando a luz, retornando a um mundo que, aparentemente, lhe havia sido apartado. A personagem ter\u00e1 mais de um nome ao longo desta trajet\u00f3ria recome\u00e7ada, renascida: h\u00e1 um nome de agora, mas h\u00e1 outro do passado, que insiste em se esconder, enterrado pela areia do esquecimento. De in\u00edcio, vamos cham\u00e1-la de Cida. &#8220;Ora\u00e7\u00e3o para desaparecer&#8221; \u00e9 o novo romance da escritora cearense Socorro Acioli, autora do celebrado \u201cA cabe\u00e7a do santo\u201d, publicado pela Companhia das Letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Cheguei a me convencer de que talvez aquilo fosse uma \u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o, um descanso para o que viria depois. Vida e morte s\u00e3o mist\u00e9rios que ningu\u00e9m alcan\u00e7a. Tudo o que se fala sobre nascer e morrer \u00e9 mera aposta. A morte \u00e9 dolorosa, mas talvez o nascimento seja pior, e minha desgra\u00e7a estava ali, entre uma coisa e outra&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cida desperta do outro lado do Atl\u00e2ntico, numa cidadezinha portuguesa chamada Almofala. Ali, um grupo de estranhos a resgata. Se, para a personagem, esse despertar soa estranho, para aqueles que a resgatam, o seu aparecimento &#8211; ou, digamos, renascimento &#8211; era um acontecimento muito esperado. \u201dOuvia suas vozes apressadas comentando como era pesada, cuidado para o pesco\u00e7o n\u00e3o quebrar e matar de uma vez, puxe o bra\u00e7o com jeito para n\u00e3o arrancar o ombro, que pele fria, ser\u00e1 que a criatura est\u00e1 viva?\u201d S\u00e3o muitos os mist\u00e9rios que rondam, a partir de ent\u00e3o, a trajet\u00f3ria de Cida. Qual o grave acontecimento que me levou at\u00e9 ali? De onde eu vim? Quem s\u00e3o estes que me ajudaram a renascer? Quem sou eu? \u201cMorrer teria sido mais f\u00e1cil que atravessar o t\u00fanel de terra, h\u00e1 um motivo para que esta sua vida prossiga\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Almofala, Cida se v\u00ea obrigada a se reinventar e construir uma nova persona. Neste processo doloroso, a mem\u00f3ria surge com breves e inconclusivos lapsos, sonhos que insistem em entregar pouca ou nenhuma explica\u00e7\u00e3o. \u201cSonhar era como andar sobre uma fuma\u00e7a fr\u00e1gil, eu ca\u00eda sempre\u201d. Sem contar com o passado, resta come\u00e7ar a construir no presente um novo futuro. E este novo futuro passa a ser trilhado ao lado de Jorge, uma paix\u00e3o avassaladora e inesperada. Mas talvez exista um amor que permane\u00e7a aceso no tempo passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cS\u00f3 nos resta aceitar e seguir vivendo porque estamos nessa aventura \u00e0s cegas. Todos n\u00f3s. Quando a gente acha que entendeu tudo, o caos aparece para relembrar que somos coisa nenhuma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Ora\u00e7\u00e3o para desaparecer&#8221; \u00e9 um livro que transborda encantamento. \u00c9 mesmo m\u00e1gica a hist\u00f3ria que temos em m\u00e3os. Numa prosa sedutora, Socorro Acioli nos fisga, construindo uma narrativa que pouco a pouco se revela, nunca entregando tudo, sempre deixando que algo pulse por debaixo da folha, nas entrelinhas. Num texto que desafia a l\u00f3gica do tempo, o romance atravessa gera\u00e7\u00f5es, remontando um Brasil colonial e as feridas que permanecem abertas ap\u00f3s s\u00e9culos de viol\u00eancia e resist\u00eancia. Socorro escreve um texto que \u00e9 uma esp\u00e9cie de cartografia desenhada pelo afeto e pelo amor, olhando para o ex\u00edlio e para a mem\u00f3ria de uma maneira original\u00edssima. Das melhores surpresas que o ano, quase no final, reservou em nossa literatura.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78713\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/oracao2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"464\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/oracao2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/oracao2-300x186.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Gabriel Pinheiro \u00e9 jornalista. Escreve sobre suas leituras tamb\u00e9m no Instagram:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@tgpgabriel<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Ora\u00e7\u00e3o para desaparecer&#8221; \u00e9 um livro que transborda encantamento. 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