{"id":78617,"date":"2023-12-14T02:08:31","date_gmt":"2023-12-14T05:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78617"},"modified":"2024-02-23T00:09:23","modified_gmt":"2024-02-23T03:09:23","slug":"entrevista-lielson-zeni-e-alexandre-lourenco-contam-detalhes-sobre-a-hq-damasco-uma-das-mais-surpreendentes-do-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/14\/entrevista-lielson-zeni-e-alexandre-lourenco-contam-detalhes-sobre-a-hq-damasco-uma-das-mais-surpreendentes-do-ano\/","title":{"rendered":"Entrevista: Alexandre Louren\u00e7o e Lielson Zeni contam detalhes sobre \u201cDamasco\u201d, uma das HQs mais surpreendentes do ano"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Leonardo Tissot<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia de abandonar tudo que se tem \u2014 dos livros e discos at\u00e9 a namorada e o gato de estima\u00e7\u00e3o \u2014 e recome\u00e7ar a vida do zero tem seus atrativos. Mas ser\u00e1 que funcionaria na pr\u00e1tica? \u00c9 poss\u00edvel continuar sendo quem se \u00e9 sem todas essas coisas? E \u00e9 poss\u00edvel deixar de ser quem se \u00e9 apenas por ter jogado tudo pelos ares?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7amento da <a href=\"https:\/\/www.brasaeditora.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brasa Editora<\/a>, a HQ \u201cDamasco\u201d, da dupla Lielson Zeni (autor do Mojo Book \u201cLado B (ou uma hist\u00f3ria de amor para walkman)\u201d) e Alexandre Louren\u00e7o (criador de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/06\/06\/hqs-excalibur-robo-esmaga-battlefields\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rob\u00f4 Esmaga<\/a>\u201d), \u00e9 um dos mais surpreendentes quadrinhos do ano. Inspirado em uma not\u00edcia real de um homem que colocou sua vida \u00e0 venda no eBay, o livro \u00e9 repleto de interven\u00e7\u00f5es que entrecortam a hist\u00f3ria e d\u00e3o um ritmo estranho, mas ao mesmo tempo fluido \u00e0 leitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na hist\u00f3ria, Saulo demonstra insatisfa\u00e7\u00e3o com o dia a dia no escrit\u00f3rio, a rela\u00e7\u00e3o fria com a namorada Raquel, a tentativa frustrada de ter uma banda e a mediocridade da vida de forma geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto o roteiro de Zeni quanto a arte de Louren\u00e7o apresentam uma complexidade que pode assustar numa primeira folheada em \u201cDamasco\u201d. Ao come\u00e7ar a leitura, por\u00e9m, tudo se encaixa em harmonia, embora a HQ exija aten\u00e7\u00e3o plena para ser apreciada como se deve. A solidez narrativa \u00e9 fruto de um trabalho de nada menos que uma d\u00e9cada para encaixar todos os detalhes no lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conversamos com Zeni e Louren\u00e7o sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cDamasco\u201d, o importante papel da m\u00fasica na narrativa, e por que os autores n\u00e3o acreditam numa adapta\u00e7\u00e3o da HQ para o cinema ou TV.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78622\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Capa-Damasco-quadrinho-HQ-Livro-Zeni-Lourenco-BrasaEditora1300-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1173\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Capa-Damasco-quadrinho-HQ-Livro-Zeni-Lourenco-BrasaEditora1300-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Capa-Damasco-quadrinho-HQ-Livro-Zeni-Lourenco-BrasaEditora1300-copiar-192x300.jpg 192w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8220;Damasco&#8221; tem uma hist\u00f3ria relativamente simples, mas \u00e9 vestida com um roteiro intrincado e uma arte que busca ir al\u00e9m das conven\u00e7\u00f5es dos quadrinhos. Tanto que voc\u00eas levaram 10 anos para concluir o projeto. Podem contar como surgiu a ideia do quadrinho e um pouco do processo de cria\u00e7\u00e3o de voc\u00eas durante a produ\u00e7\u00e3o da HQ?<\/strong><br \/>\nLielson: O roteiro foi pensado para valorizar a narrativa gr\u00e1fica. Com \u201cgr\u00e1fica\u201d, me refiro ao que pode ser expresso por imagem est\u00e1tica em uma superf\u00edcie plana em rela\u00e7\u00e3o a outras imagens da mesma categoria. Nesse sentido, eu acho que o que procuramos \u00e9 justamente explorar as conven\u00e7\u00f5es e modelos narrativos dos quadrinhos. Os 10 anos foram entre a decis\u00e3o \u201ct\u00e1, bora fazer um gibi com essa ideia\u201d e a execu\u00e7\u00e3o mesmo. Meu roteiro levou muito tempo. Fiquei empilhando refer\u00eancias e conceitos, e ent\u00e3o me livrando de refer\u00eancias e conceitos, o que tomou muito tempo. Tudo come\u00e7a com a not\u00edcia que eu li de um cara que queria vender a vida dele. Isso me deixou muito intrigado, porque era fic\u00e7\u00e3o demais acontecendo no mundo. Tamb\u00e9m acho que reativou umas ideias antigas que eu havia trabalhado em um curso de roteiro. Mas l\u00e1 a abordagem era outra, bem mais ing\u00eanua. Era uma coisa de algu\u00e9m se desapegar de tudo que o cerca e que \u00e9 confundido com sua personalidade. Tipo, os discos que voc\u00ea tem v\u00e3o acabar, de alguma forma, ajudando a explicar quem voc\u00ea \u00e9. \u201cDamasco\u201d come\u00e7ou ing\u00eanua tamb\u00e9m nesse sentido, e acho que come\u00e7ou a dar certo quando eu entendi que era preciso dar um passo atr\u00e1s e apresentar isso de outra perspectiva \u2014 que esse desapego era uma ideia meio atravessada do desapego budista. Eu tinha esse conceito e algumas refer\u00eancias, tipo o jogo \u201cShadow of the Colossus\u201d e uns filmes e livros esquisitos. A\u00ed decidi a estrutura do livro: ele come\u00e7aria preto e iria ficando cada vez mais claro, at\u00e9 acabar com v\u00e1rias p\u00e1ginas em branco. Mas essa e mais um monte de ideias acabaram caindo. O processo envolveu muita conversa com o Alexandre, muita mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: Com o roteiro do Lielson pronto, come\u00e7ou uma conversa sobre como transpor esses eventos em forma de narrativa gr\u00e1fica. Foi um processo de muitas idas e vindas. Ele escrevia alguma coisa, mandava pra mim, eu desenhava alguma coisa e mandava de volta. Acho que a gente acabou interferindo no processo criativo do outro. E isso, acredito, deixou o resultado mais alinhado. Lembro que tivemos a ideia de tentar, de alguma forma, representar de forma gr\u00e1fica o objeto que o protagonista estava se desfazendo. Tentar se aproximar disso no papel, tentar converter isso em narrativa, sempre foi interessante pra gente. Essa ideia sempre acompanhou: fazer um quadrinho que seja e saiba que \u00e9 um quadrinho, que sinta como quadrinho e que n\u00e3o possa ser nada al\u00e9m disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como o conceito b\u00edblico de &#8220;Damasco&#8221; entrou na jogada?<\/strong><br \/>\nLielson: Em algum momento da pesquisa, encontrei essa iconografia da estrada para Damasco, em que Saulo se converte em Paulo, de perseguidor de crist\u00e3os ele passa a pregador \u2014 e n\u00e3o um pregador, mas o cara que deu boa parte da cara que as religi\u00f5es crist\u00e3s t\u00eam hoje. Pra mim, isso da estrada, do raio divino e da mudan\u00e7a radical de vida me pareceu uma boa met\u00e1fora pra hist\u00f3ria que eu estava tentando contar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: Lembro de estar em casa um dia e receber uma mensagem do Lielson, puto, porque o Estado Isl\u00e2mico tinha destru\u00eddo uma s\u00e9rie de monumentos e locais hist\u00f3ricos e obras de arte na S\u00edria. Lembro de ir entendendo toda essa parte \u201creligiosa\u201d de Damasco. De fazer o caminho atual da cidade at\u00e9 o caminho que Saulo\/Paulo fez. Acho que a met\u00e1fora da cidade destru\u00edda hoje tamb\u00e9m fala um pouco do personagem. Sobre o que acontece depois da revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A arte de &#8220;Damasco&#8221; prop\u00f5e grandes interven\u00e7\u00f5es na narrativa, sejam p\u00e1ginas em branco, altera\u00e7\u00f5es no andamento, na diagrama\u00e7\u00e3o&#8230; O quanto disso foi roteirizado pelo Lielson e o quanto veio do pr\u00f3prio Alexandre durante a cria\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nLielson: Eu sugeri algumas coisas, o Alexandre outras, mas tudo teve a m\u00e3o do Alexandre para dar um grau. Por exemplo, o cap\u00edtulo do videogame e o da TV, eu propus bastante da forma. O cap\u00edtulo que chamamos de \u201cParalelas\u201d, em que os quadros se afastam, foi ideia do Alexandre. O dos talheres, eu propus ter uma receita no meio, mas o Alexandre mexeu bastante na proposta inicial. Importante falar que tudo que eu escrevi, eu imaginei que seria desenhado pelo Alexandre. Eu escrevi o roteiro falando com ele. \u201cDamasco\u201d n\u00e3o funcionaria na m\u00e3o de nenhum outro artista. Muita coisa foi escrita pensando que eu tinha o Alexandre ao lado resolvendo os problemas. Acho que, no cap\u00edtulo do escrit\u00f3rio, eu s\u00f3 determinei a\u00e7\u00f5es, que ia ter um fluxograma e alguns di\u00e1logos, e deixei na m\u00e3o dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: O roteiro que o Lielson escreveu \u00e9 muito fluido. Ele roteirizou o que acontecia na cena, no cap\u00edtulo. Descrevia a a\u00e7\u00e3o e me indicava a sensa\u00e7\u00e3o. Mas, mesmo assim, deixava tudo muito aberto para que essas a\u00e7\u00f5es tomassem caminhos variados. Fico satisfeito por ele ter escrito desse jeito. N\u00e3o gosto muito da ideia de estruturas t\u00e3o pr\u00e9-definidas. Gosto do texto solto, da sugest\u00e3o e do trabalho que acaba se complementando, justamente por n\u00e3o estar ou se comportar como fechado. N\u00e3o sei dizer ao certo quem fez qual parte, quem teve qual ideia. Gosto de pensar em \u201cDamasco\u201d como um quadrinho feito por duas pessoas, e n\u00e3o roteiro de um, arte de outro. \u201cDamasco\u201d, acho, foi produzida em parceria. Claro, tem momentos em que algu\u00e9m tem que sentar na cadeira e tomar a dire\u00e7\u00e3o. Mas, pra mim, \u201cDamasco\u201d foi sendo constru\u00edda durante a conversa enquanto se caminha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como tem sido a recep\u00e7\u00e3o do p\u00fablico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 HQ? Tiveram alguma rea\u00e7\u00e3o surpreendente? Receberam algum coment\u00e1rio curioso ou inesperado?<\/strong><br \/>\nLielson: At\u00e9 aqui tenho achado o retorno bastante surpreendente. Muita gente aceitando o jogo do livro, que indica a releitura, muita gente topando ler com mais calma. E o que acho mais interessante: pessoas que saem do livro com leituras bastante divergentes. Gente que se identificou demais com o Saulo, gente que repudiou o Saulo. N\u00f3s propusemos um livro que exige do leitor e, acreditamos, entrega uma satisfa\u00e7\u00e3o proporcional ao seu esfor\u00e7o. E as pessoas t\u00eam aceitado essa proposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: Sempre achei \u201cDamasco\u201d um livro esquisito. N\u00e3o \u00e9 muito linear. Constru\u00eddo em peda\u00e7os. Com essas leituras que v\u00e3o se amontoando. Que fazem sentido, mas que podem ser entendidas como alguma coisa sem muitas pretens\u00f5es. Por tudo isso, tive muita d\u00favida como o livro seria recebido. Achei que muita gente n\u00e3o ia gostar, que n\u00e3o ia dar o tempo do livro. Me surpreendi bastante. A gente teve um monte de resposta positiva. Um monte de leituras que nem passaram pela nossa cabe\u00e7a (pela minha pelo menos) e que fazem muito sentido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A m\u00fasica tem um papel coadjuvante, mas essencial em &#8220;Damasco&#8221;. Al\u00e9m de Saulo ter tido uma banda e conhecido Raquel em um de seus shows, men\u00e7\u00f5es a bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/03\/31\/entrevista-ruidomm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ru\u00eddo\/mm<\/a> e can\u00e7\u00f5es de Radiohead, entre outras, ajudam a temperar a narrativa. Falem um pouquinho a respeito de como a m\u00fasica inspirou a HQ e como ela ajuda a contar a hist\u00f3ria.<\/strong><br \/>\nLielson: A m\u00fasica \u00e9 estruturante em \u201cDamasco\u201d. Temos um cap\u00edtulo todo sobre a venda do viol\u00e3o, em que Saulo toca v\u00e1rias m\u00fasicas, montamos uma listinha. Ele saiu na <a href=\"https:\/\/cafeespacial.com\/loja\/cafeespacial-14\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Caf\u00e9 Espacial #14<\/a>, mas acabou fora do livro final porque trazia pouca informa\u00e7\u00e3o nova e dava uma travada no ritmo. Ficamos inseguros de citar tantas m\u00fasicas e acordar com os advogados do ECAD na nossa porta exigindo uma fortuna e apreens\u00e3o do livro (risos). Mas acho que Saulo e Raquel s\u00e3o o tipo de pessoa que vivem nesse universo musical, dos pequenos shows, de se empolgar com lan\u00e7amentos das bandas que amam, de ouvir m\u00fasica na rua, no metr\u00f4, enquanto trabalham. Acho que a m\u00fasica \u00e9 um fator de constitui\u00e7\u00e3o da identidade desses personagens e diz muito sobre eles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: Acho que a m\u00fasica que eles escutam e vivem faz parte desse recorte em que os dois existem. Saulo e Raquel t\u00eam essa vida que muita gente compartilha. Esse gosto por essas bandas que muita gente compartilha. A m\u00fasica parece se esgueirar e entrar em todos os nossos afetos. Ir com a gente em todos os lugares. \u00c9 um jeito de construir personagem e retratar como as coisas s\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em <a href=\"https:\/\/vitralizado.com\/hq\/papo-com-lielson-zeni-e-alexandre-s-lourenco-autores-de-damasco-gosto-de-ver-os-limites-da-linguagem-sendo-esticados\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma entrevista<\/a> para <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/22\/ramon_vitral_hqs_e_o_mundo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o Ramon Vitral<\/a>, voc\u00eas chegam a falar que n\u00e3o queriam que a hist\u00f3ria virasse &#8220;storyboard pra filme&#8221;. Dito isso, acreditam que &#8220;Damasco&#8221; se presta para uma adapta\u00e7\u00e3o para o audiovisual? Topariam uma proposta nesse sentido?<\/strong><br \/>\nLielson: A princ\u00edpio, n\u00e3o vejo como \u201cDamasco\u201d seria filme, porque a gente fez com que a HQ usasse os recursos gr\u00e1ficos mesmo. Se algu\u00e9m quiser tentar, adoraria ouvir a proposta. Mas tenho a impress\u00e3o que poderia descambar pra uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica boc\u00f3, o que \u00e9 bem diferente do esp\u00edrito do quadrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: A gente n\u00e3o fez \u201cDamasco\u201d pensando nisso. Gostaria de ver esse caminho que a gente percorreu em outro terreno. Seria legal ver solu\u00e7\u00f5es para o audiovisual que tentariam transpor o que se faz no papel em filme. Mas concordo com o Lielson. Seria f\u00e1cil descambar para uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica (o que n\u00e3o seria necessariamente ruim).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Planejam trabalhar como dupla em uma nova HQ? Podem adiantar alguma coisa?<\/strong><br \/>\nLielson: Estamos planejando uma publica\u00e7\u00e3o pequena, um zine, para o ano que vem. Mas ainda n\u00e3o consegui atravessar a avalanche de trabalhos como freelancer, que acabaram se acumulando por causa do nascimento do meu filho, e agora estou colocando a casinha em ordem. Essa ideia surgiu com o Alexandre me propondo um formato espec\u00edfico de narrativa. Agora eu preciso arranjar um roteiro que d\u00ea conta disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alexandre: A gente sempre pensa em fazer coisas curtas, r\u00e1pidas. Mas, recentemente, o Lielson tamb\u00e9m me falou de uma outra ideia pra um livro longo que eu fiquei bem interessado em ver se desenvolver. Acho que \u00e9 uma coisa que vai permitir a gente explorar mais a linguagem. Espero s\u00f3 n\u00e3o terminarmos em 2034.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78624\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DAMASCO-MIOLO-DIGITAL74-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1147\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DAMASCO-MIOLO-DIGITAL74-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/DAMASCO-MIOLO-DIGITAL74-copiar-196x300.jpg 196w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Tissot (<a href=\"http:\/\/www.leonardotissot.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">www.leonardotissot.com<\/a>) \u00e9 jornalista e produtor de conte\u00fado.\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/leonardo-tissot\/\">Leia outros textos de Leonardo!<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A ideia de abandonar tudo que se tem \u2014 dos livros e discos at\u00e9 a namorada e o gato de estima\u00e7\u00e3o \u2014 e recome\u00e7ar a vida do zero tem seus atrativos. 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