{"id":78522,"date":"2023-12-11T02:39:40","date_gmt":"2023-12-11T05:39:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78522"},"modified":"2024-02-17T23:49:56","modified_gmt":"2024-02-18T02:49:56","slug":"entrevista-com-sonoridade-renovada-tuatha-de-danann-trata-de-problemas-politicos-do-seculo-xxi-em-the-nameless-cry","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/11\/entrevista-com-sonoridade-renovada-tuatha-de-danann-trata-de-problemas-politicos-do-seculo-xxi-em-the-nameless-cry\/","title":{"rendered":"Entrevista: Com sonoridade renovada, Tuatha de Danann trata dos problemas pol\u00edticos atuais em \u201cThe Nameless Cry&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">entrevista de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><b><span class=\"il\">Bruno<\/span>\u00a0de Sousa\u00a0<span class=\"il\">Moraes<\/span><\/b><\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cFrequentemente nestes dias n\u00e3o consigo dormir, pois pesadelos provocam minha mente\u201d. Com estas palavras carregadas \u2014 traduzidas livremente do original no ingl\u00eas \u2014 a banda mineira <a href=\"https:\/\/newalbum.tuathadedanann.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tuatha de Danann<\/a>, conhecida como pioneira do folk metal no Brasil, abre \u201c<a href=\"https:\/\/tuathadedanann.bandcamp.com\/album\/the-nameless-cry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Nameless Cry<\/a>\u201d (2023). Os versos pesados podem ser uma surpresa para quem tem familiaridade com a obra do Tuatha, povoada por hist\u00f3rias m\u00edticas sobre os chamados \u201cpovos fe\u00e9ricos\u201d e, no geral, por letras mais otimistas sobre adentrar a floresta e se deixar mudar pelo contato com a m\u00e1gica. Em contraste a estes versos, podemos resgatar a atmosfera mais usual da banda: \u201cvamos beber o veneno m\u00e1gico, nosso tesouro \/ sua mente se abrir\u00e1, e voc\u00ea nunca mais ser\u00e1 a mesma pessoa\u201d, eles cantam em \u201cTan Pinga Ra Tan\u201d, balada que figura entre os cl\u00e1ssicos do grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica surpresa que aguarda f\u00e3s de longa data da trupe encabe\u00e7ada por Bruno Maia (vocais, flauta, tin whistle, guitarra e bandolim), Edgard Brito (teclados) e Giovani Gomes (baixo e vocais): frente \u00e0s quest\u00f5es de um Brasil mais polarizado e mostrando as facetas mais assustadoras de sua cultura conservadora, o Tuatha de 2023 constr\u00f3i uma obra voltada a tratar dessas dificuldades e contradi\u00e7\u00f5es, e a resgatar outro passado. \u201cThe Nameless Cry\u201d (\u201cO Lamento dos Sem-Nome\u201d) tem pouco espa\u00e7o para o tal povo fe\u00e9rico composto pelas mais diversas fadas, elfos, duendes, gnomos, gigantes e o povo da floresta de hist\u00f3rias da Europa pr\u00e9-Crist\u00e3, focando-se no resgate da mem\u00f3ria da maior e mais exclu\u00edda parcela da popula\u00e7\u00e3o na realidade brasileira. Entre can\u00e7\u00f5es sobre a import\u00e2ncia de valorizar o passado de luta de trabalhadores n\u00e3o s\u00f3 pela vida di\u00e1ria, mas por uma possibilidade de futuro, o Tuatha tenta tamb\u00e9m homenagear a mem\u00f3ria de pessoas perseguidas e torturadas pelo Regime Militar Brasileiro do S\u00e9culo XX, al\u00e9m de meditar doloridamente sobre a desuni\u00e3o trazida por ideias cada vez mais polarizadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As mudan\u00e7as de tem\u00e1tica, j\u00e1 prenunciadas em seu \u00faltimo LP de in\u00e9ditas, \u201cThe Tribes of Witching Souls\u201d (2019), aqui v\u00eam acompanhadas tamb\u00e9m por uma mudan\u00e7a est\u00e9tica quase t\u00e3o radical quanto as ideias centrais do \u201c<a href=\"https:\/\/tuathadedanann.bandcamp.com\/album\/the-nameless-cry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Nameless Cry<\/a>\u201d: embora a toada de m\u00fasica celta ainda esteja bastante presente, ela aparece em meio a arranjos e escolhas de composi\u00e7\u00e3o muito mais contempor\u00e2neas, junto \u00e0 abordagem de rock e metal progressivos que tamb\u00e9m comp\u00f5em a rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos discos do Tuatha desde os anos 2000 \u2013 assim como uma diversidade de vocais, incluindo o uso pontual de vocais guturais com t\u00e9cnica de death metal.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78524\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste lan\u00e7amento novo amadurecem e ganham mais destaque ideias que come\u00e7am a aparecer em discos mais recentes, como o j\u00e1 mencionado \u201cTribes of the Witching Souls\u201d e \u201cDawn of A New Sun\u201d (\u201cAlvorada de um Novo Sol\u201d): uma sonoridade eletr\u00f4nica aqui e ali, uma presen\u00e7a mais forte de distor\u00e7\u00f5es e melodias sombrias, al\u00e9m de um timbre de theremin que costura diversos momentos do disco, simbolizando \u201co choro da popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda\u201d. Nesse balan\u00e7o entre as marcas inconfund\u00edveis do Tuatha e a abertura para ideias que a banda ainda n\u00e3o havia explorado t\u00e3o a fundo, outros elementos cl\u00e1ssicos, como os ca\u00f3ticos vocais de goblin de Giovani, podem fazer um pouco de falta a alguns f\u00e3s de seu uso em cl\u00e1ssicos como \u201cBrazuzan\u201d e \u201cBelieve, it&#8217;s True\u201d. Mas a menor presen\u00e7a destes personagens fe\u00e9ricos faz sentido no contexto tem\u00e1tico do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lan\u00e7ado pela gravadora <a href=\"https:\/\/hmrock.com.br\/produto\/tuatha-de-danann-the-nameless-cry-cd\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Heavy Metal Rock<\/a>, \u201cThe Nameless Cry\u201d tem um total de 41 minutos de m\u00fasica, a maior parte gravada nos est\u00fadios Braia. Al\u00e9m de Bruno Maia, Edgard Brito e Giovani Gomes, a forma\u00e7\u00e3o atual do Tuatha de Danann conta com as guitarras de Raphael Wagner e a bateria e os vocais de Rafael Delfino. O \u00e1lbum conta ainda com a participa\u00e7\u00e3o not\u00e1vel de artistas como Da\u00edsa Munhoz, Hugo Mariutti, Julie Gon\u00e7alves e Edson Guerra, entre outros nomes, que contribuem em muito para a constru\u00e7\u00e3o da atmosfera variada, por vezes sombria, por outras melanc\u00f3lica, e sempre um \u201cgrito\u201d inspirador que vem de uma necessidade de mudan\u00e7a social. O disco foi produzido por Bruno Maia com mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o de Thiago Okamura e uma bel\u00edssima arte de capa assinada por Paulo Coruja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bruno Maia, fundador e autor da maior parte das letras do Tuatha de Danann, conversou com o Scream &amp; Yell no final de Novembro, antes do show que os levou de volta \u00e0 \u201ccasa\u201d de seu primeiro disco, o Festival Estudantil da Can\u00e7\u00e3o na cidade de Americana (SP). O retorno ao festival que, em 1999, deu ao Tuatha a possibilidade de lan\u00e7ar seu primeiro disco, foi uma excelente oportunidade para tratar sobre o percurso que a banda trilhou das origens em Varginha (MG) at\u00e9 o apote\u00f3tico \u201c<a href=\"https:\/\/tuathadedanann.bandcamp.com\/album\/the-nameless-cry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Nameless Cry<\/a>\u201d. Foi tamb\u00e9m uma chance de conversar sobre a import\u00e2ncia e a dificuldade de encontrar uni\u00e3o em meio ao caos, desinforma\u00e7\u00e3o e degrada\u00e7\u00e3o de direitos. Por mais pol\u00edtica e revolucion\u00e1ria que seja a mensagem do Tuatha em 2023, ela \u00e9 s\u00f3bria o bastante para n\u00e3o pontificar ou se colocar num pedestal moral. H\u00e1 menos julgamento nas ideias que inspiraram o disco do que um convite sincero a refletir e lutar por um mundo melhor. E com uma trilha sonora de bastante peso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Nameless Cry\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mOflVq6Cuu5Sc4ZFzgYnv1zM6zKZ9Y6y0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Tuatha de Danann \u00e9 uma banda que acompanha muita gente desde a juventude, e acho que conversa com um nicho de pessoas que se interessam tanto por heavy metal e m\u00fasica tradicional irlandesa quanto por hist\u00f3rias de fantasia. Eu lembro bem de, com quinze anos, ter descoberto o som de voc\u00eas a partir de um livro de RPG: eu j\u00e1 tinha ouvido falar do Tuatha, mas eu peguei mesmo pra escutar o som de voc\u00eas depois de ler um trecho do livro b\u00e1sico de <a href=\"https:\/\/loja.retropunk.com.br\/index.php?id_product=267&amp;rewrite=castelo-falkenstein&amp;controller=product\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Castelo Falkenstein<\/a> que tamb\u00e9m falava dos Tuatha D\u00e9 Danann (nota: <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tuatha_D%C3%A9_Danann\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um grupo de personagens na mitologia irlandesa e escocesa<\/a>) e lembrar que tinham me recomendado a banda. \u00c9 legal ver como os interesses da nossa juventude levam nossa vida a trilhar certos caminhos, e eu gostaria de saber se esse tipo de trajet\u00f3ria tamb\u00e9m se deu para voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nInteresses da juventude? Cara, na verdade eu comecei a tocar muito cedo&#8230; com sete ou oito anos mais ou menos\u2026 Meu pai tem uma fam\u00edlia que tem uma tradi\u00e7\u00e3o musical. Muita gente toca e \u00e9 interessada por m\u00fasica de muito tempo atr\u00e1s. Eu era um beatleman\u00edaco mirim, louco com Beatles, apaixonado\u2026 Mas, concomitantemente a essa paix\u00e3o pelos Beatles, eu fiquei doido <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Entaku_no_Kishi_Monogatari:_Moero_Arthur\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">num desenho do Rei Arthur<\/a> que tinha no SBT, (canal de TV) do Silvio Santos. Era um mang\u00e1 [anime]. Depois a gente foi saber o que era mang\u00e1, mas na \u00e9poca n\u00e3o sabia. Isso era em 1980 e tantos, eu era pequeno. E fiquei doido com aquilo tamb\u00e9m. Nisso, a m\u00fasica j\u00e1 tinha virado a minha vida. Comecei a tocar e a compor muito novo tamb\u00e9m. E essa outra paix\u00e3o eu fui desenvolvendo, que era essa coisa: atrav\u00e9s do Rei Arthur eu cheguei no povo celta. Ganhei um livro da minha m\u00e3e e no pref\u00e1cio vinha falando que a lenda do Rei Arthur vinha da mitologia celta. E a palavra \u201ccelta\u201d meio que me la\u00e7ou. Comecei a pesquisar. Naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha internet, ent\u00e3o eu tinha que ir em biblioteca, ficar procurando verbete em enciclop\u00e9dia, procurar tudo que tinha. Eu fazia aquelas pastas de papel de carta cheias de coisas sobre celtas, druidas\u2026 E foi indo. E a\u00ed tamb\u00e9m foi quando entrou o metal. Como eu j\u00e1 compunha, eu tamb\u00e9m comecei a compor m\u00fasicas de metal. Mudei pra Varginha (MG) e l\u00e1 eu montei uma banda. Mas de qualquer forma eu j\u00e1 ia montar uma banda. Minha vida ia ser de m\u00fasico mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 de Varginha ent\u00e3o?<\/strong><br \/>\nNasci em Belo Horizonte. S\u00f3 que a minha fam\u00edlia mesmo \u00e9 de outra regi\u00e3o de Minas, que se chama Campo dos Vertentes, regi\u00e3o de Lavras, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, Tiradentes. Minha fam\u00edlia \u00e9 tudo de l\u00e1. Mas voltando \u00e0 hist\u00f3ria, em Varginha eu montei minha primeira banda e come\u00e7amos a tocar death metal, falando desses \u201ctrem\u201d de death metal mesmo. Muito novo, eu tinha treze anos. A\u00ed, j\u00e1 com quatorze, a gente mudou de nome da banda, foi mudando a proposta, e a\u00ed eu alinhei essas duas frentes: a m\u00fasica, que era a minha vida, e a minha paix\u00e3o, que era o trem celta. E a\u00ed foi!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TUATHA DE DANANN - Mini Doc. Tingaralatingadun - 20 anos\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/9bS4kZfwBSs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Assisti recentemente o mini-document\u00e1rio sobre os vinte anos do \u201cTingaralatingadun\u201d (2001), que foi o segundo \u00e1lbum de voc\u00eas. E foi nesse \u00e1lbum que voc\u00eas ganharam proje\u00e7\u00e3o, porque o primeiro disco, \u201cTuatha de Danann\u201d foi feito mais independente mesmo, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nIsso! Foi feito aqui (em Americana)! A gente ganhou um trem aqui nesse Festival Estudantil da Can\u00e7\u00e3o, e o pr\u00eamio era gravar\u2026 N\u00e3o lembro se eram quatro m\u00fasicas, ou se era um fim de semana no est\u00fadio. Ent\u00e3o a gente juntou uma demo que j\u00e1 tinha gravada com essas quatro novas e lan\u00e7amos o primeiro disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse mesmo Festival que est\u00e1 acontecendo hoje!? Isso \u00e9 impressionante! Mas vamos trazer um pouco mais para o presente, para o lan\u00e7amento do \u201cThe Nameless Cry\u201d. Desde o \u201cThe Tribes of the Witching Souls\u201d (\u201cAs Tribos das Almas Feiticeiras\u201d) voc\u00eas est\u00e3o falando de temas contempor\u00e2neos. Isso aparece na faixa-t\u00edtulo, que comenta o fato de que algumas pessoas cobravam voc\u00eas de cantar sobre os problemas do mundo real ao inv\u00e9s de falar de magia. E tamb\u00e9m em outras faixas: \u201cYour Wall Shall Fall\u201d (\u201cSua Muralha vai Cair\u201d) e \u201cThe Outcry\u201d (\u201cO Clamor\u201d ou \u201cO Protesto\u201d) t\u00eam j\u00e1 uma pegada mais de falar de colonialismo, neoliberalismo e a necessidade de um despertar popular para o quanto temos perdido direitos e destru\u00eddo a natureza. Mas o \u201cThe Nameless Cry\u201d \u00e9 porrada do in\u00edcio ao fim! Voc\u00ea consideraria um \u00e1lbum conceitual em torno das quest\u00f5es de pol\u00edtica atuais?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o sei, talvez. N\u00e3o sei se exatamente conceitual, porque quando penso \u201cconceitual\u201d, eu penso que \u00e0s vezes tinha que ter uma hist\u00f3ria desencadeando ali. Mas ele tem esse eixo tem\u00e1tico que \u00e9, com certeza, pol\u00edtico, social, cr\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, de fato n\u00e3o tem uma narrativa central, mas conceitual no sentido em que \u201cThe Dark Side of the Moon\u201d, do Pink Floyd, \u00e9 conceitual. Ele trata de conceitos sem ser necessariamente uma \u00f3pera-rock. Mas o \u201cThe Nameless Cry\u201d parece vir de uma insatisfa\u00e7\u00e3o ainda maior, e acho que tenho uma teoria do porqu\u00ea (risos): por tudo o que passamos recentemente no Brasil. Voc\u00ea pode comentar um pouco esse processo?<\/strong><br \/>\nO processo de virar revolucion\u00e1rio e ir comprar mortadela na esquina? (risos). Na verdade, assim\u2026 Voc\u00ea est\u00e1 certo sobre o contexto atual. Mas no \u201cTrova de Danu\u201d [de 2004] a gente j\u00e1 falava, j\u00e1 tinha m\u00fasica ecol\u00f3gica. Acho que falar de ecologia \u00e9 pol\u00edtico, \u00e9 fazer pol\u00edtica. Querendo ou n\u00e3o, voc\u00ea est\u00e1 criticando, est\u00e1 abordando a quest\u00e3o do capitalismo. A galera chama de \u201ccapitalismo selvagem\u201d, mas o capitalismo \u00e9 uma bosta de qualquer forma. Eu vi uma entrevista ontem em que falaram assim: \u201cO pior capitalismo que tem \u00e9 aquele que est\u00e1 acontecendo agora\u201d (risos). Mas na verdade, a gente j\u00e1 tinha umas m\u00fasicas que tinham essa abordagem mais ecol\u00f3gica, que j\u00e1 era uma pontinha. Mas [o disco novo] tem a ver, porque a gente foi vendo o que foi acontecendo no pa\u00eds. Fora que a gente vai crescendo como sujeito, vai evoluindo. As condi\u00e7\u00f5es materiais e sociais foram mudando no pa\u00eds e tudo foi acontecendo, e a gente achou necess\u00e1rio falar de outra coisa. N\u00e3o dava pra ficar falando s\u00f3 de fada, sendo que tinha um cara que inspirava milh\u00f5es de pessoas, que ia enaltecer torturador. Que falava que oponente pol\u00edtico tem que ser metralhado. N\u00e3o tinha como ficar falando da magia sendo que o discurso que voc\u00ea l\u00ea no jornal \u00e9 esse n\u00e9? \u00c9 o que estava vigente! Ent\u00e3o foi uma forma de comentar, de digressar sobre essas coisas que estavam acontecendo.<\/p>\n<figure id=\"attachment_78526\" aria-describedby=\"caption-attachment-78526\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-78526 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78526\" class=\"wp-caption-text\"><em>Tuatha de Danann ao vivo no Festival Estudantil da Can\u00e7\u00e3o, em Americana, SP (11\/2023)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao mesmo tempo, j\u00e1 na m\u00fasica \u201cTribes of the Witching Souls\u201d voc\u00eas falam justamente como, talvez, em tempos desesperados a gente precise lembrar dessa m\u00e1gica, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nO que me lembra de uma vez que foi legal. Tem um cara que gosta da banda tamb\u00e9m que \u00e9 fil\u00f3sofo. Ele mora no Canad\u00e1, esqueci seu nome, mas \u00e9 um cara muito inteligente, muito articulado. Ele falou: \u201cCara, sempre achei que o \u2018Tingaralatingadun\u2019 e o \u2018The Delirium Has Just Begun\u2019 eram uma forma de propor um mundo melhor nessa merda que \u00e9 o que a gente vive. N\u00e3o era t\u00e3o alienante n\u00e3o!\u201d. Talvez seja uma forma de ver desse jeito que voc\u00ea falou tamb\u00e9m. Se bem que na \u201cTribes\u201d tem uma parte que fala assim: \u201cDesliga o telefone!\u201d. Por conta das fakes no WhatsApp, coisas assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9, j\u00e1 estava embrionando essa coisa que vem \u00e0 tona com for\u00e7a no \u201cThe Nameless Cry\u201d. Outra coisa que me chamou aten\u00e7\u00e3o nesse \u00e1lbum \u00e9 que ele n\u00e3o tem uma faixa-t\u00edtulo. Ele tem duas faixas que t\u00eam metade do t\u00edtulo cada uma: \u201cThe Nameless\u201d (\u201cOs Sem Nome\u201d) e \u201cThe Rabble\u2019s Cry\u201d (\u201cO Grito das Massas\u201d ou \u201cO Grito da Ral\u00e9\u201d). E \u00e9 legal que nessas duas faixas voc\u00eas falam bastante da aliena\u00e7\u00e3o nossa em rela\u00e7\u00e3o aos sistemas nos quais se encaixam o nosso trabalho, com frases como \u201cN\u00f3s sabemos apertar o bot\u00e3o \/ Mas n\u00e3o sabemos porqu\u00ea apertamos\u201d, e fala tamb\u00e9m que uma justi\u00e7a real s\u00f3 pode vir \u201cquando aqueles que ca\u00edram e foram privados tiverem suas mem\u00f3rias e hist\u00f3rias restauradas e sua chance de crescer\u201d. Voc\u00ea poderia comentar essa mensagem?<\/strong><br \/>\nCaralho, isso a\u00ed eu n\u00e3o estava preparado n\u00e3o (risos). (Mas) Isso a\u00ed, na verdade, \u00e9 inspirado em Walter Benjamin, um fil\u00f3sofo e soci\u00f3logo da famigerada, pela direita brasileira, Escola de Frankfurt. Da teoria cr\u00edtica e tal. O Benjamin \u00e9 um cara que funciona em muitos campos do saber. Ele tem textos seminais de literatura, hist\u00f3ria, comunica\u00e7\u00e3o&#8230; Esse de onde a gente se inspirou para a m\u00fasica \u201cThe Nameless\u201d, essa parte mesmo dos bot\u00f5es, essa m\u00fasica inteira \u00e9 benjaminiana, e essa frase do final \u00e9 essa coisa da luta memorial. Eu n\u00e3o sei se voc\u00ea conhece, mas tem um texto do Benjamin chamado \u201c<a href=\"https:\/\/www.proibidao.org\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/Sobre-o-conceito-de-historia_Walter-Benjamin.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Teses sobre o Conceito da Hist\u00f3ria<\/a>\u201d &#8211; que s\u00e3o v\u00e1rias teses. E na m\u00fasica a gente pincela coisa de tr\u00eas ou quatro. Tem cita\u00e7\u00f5es literais ali. No refr\u00e3o, quando fala que \u201cnem os nossos mortos estar\u00e3o a salvo se eles continuarem vencendo\u201d, \u00e9 justamente isso: \u00e9 lutar pelas mem\u00f3rias das pessoas. Porque nem quem j\u00e1 se foi est\u00e1 a salvo. Porque v\u00e3o inventar hist\u00f3rias, fazer fake news, revisionar. A gente fala em uma \u201cHist\u00f3ria contaminada\u201d. Ent\u00e3o, al\u00e9m de ter essa cr\u00edtica a essa coisa tecnicista clara da aliena\u00e7\u00e3o, tem essa parte dessa luta memorial tamb\u00e9m. Tem uma abordagem marxista que \u00e9 material, mas a gente tamb\u00e9m tem de travar essas batalhas pelos bens espirituais. Que v\u00eam a ser, no caso: a hist\u00f3ria, a mem\u00f3ria, a cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 n\u00e3o lutar s\u00f3 por um presente e por uma possibilidade de futuro, mas tamb\u00e9m por um passado sendo preservado, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nSim, \u00e9! E trazer \u00e0 tona essas hist\u00f3rias desses que pereceram, que lutaram. Que s\u00e3o sem nome, que a gente n\u00e3o sabe. E \u00e9 da\u00ed que vem o \u201cThe Nameless\u201d. Essas pessoas, esses homens e mulheres que tanto fizeram, que pereceram. S\u00f3 que esse t\u00edtulo foi o seguinte: a gente estava sem t\u00edtulo pro disco. A\u00ed veio a ideia de \u201cThe Rabble\u2019s Cry\u201d, mas esse termo \u201crabble\u201d pode soar muito pejorativo. Ele pode ser traduzido literalmente como \u201cral\u00e9\u201d. E esse \u201cral\u00e9\u201d, tanto em ingl\u00eas quanto em portugu\u00eas, pode apontar para uma coisa que a gente n\u00e3o queria: aquela ideia de uma coisa baixa, vil. Mas o sentido que a gente quer dar \u00e9 falar de pessoas despossu\u00eddas. Por\u00e9m, num cen\u00e1rio t\u00e3o polarizado, seria dar pano para a manga pra algu\u00e9m falar bosta, n\u00e9? Ent\u00e3o a gente juntou: \u201cThe Nameless Cry\u201d. E na \u201cThe Nameless\u201d o refr\u00e3o tamb\u00e9m fala \u201cthe nameless slaves, they cry\u201d (\u201cescravizados sem nome, eles gritam\u201d), ent\u00e3o combinou.<\/p>\n<figure id=\"attachment_78530\" aria-describedby=\"caption-attachment-78530\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-78530\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thenameless.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thenameless.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thenameless-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/thenameless-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78530\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa<\/em> <em>do single &#8220;The Nameless&#8221;, do Tuatha de Danann<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E na \u201cThe Rabble\u2019s Cry\u201d voc\u00eas voltam a falar, inclusive depois de duas m\u00fasicas que t\u00eam uma mensagem muito legal, pois uma fala sobre uni\u00e3o (\u201cUnited\u201d; \u201cUnidos\u201d) e outra que fala sobre desuni\u00e3o (\u201cA Fragile Whisper to a Raging Roar\u201d; \u201cUm Fr\u00e1gil Suspiro frente a um Rugido Furioso\u201d). E depois dessa dupla de can\u00e7\u00f5es que apresentam essa dualidade, do quanto \u00e9 imprescind\u00edvel se unir e do quanto \u00e9 dif\u00edcil sustentar essa uni\u00e3o num momento polarizado, voc\u00eas v\u00eam com a outra metade do t\u00edtulo do \u00e1lbum. Que \u00e9 inclusive o primeiro momento em que voc\u00eas falam diretamente de um \u201cfalso messias\u201d. E nessa faixa tamb\u00e9m me chamou bastante aten\u00e7\u00e3o que voc\u00eas fazem tamb\u00e9m uma cita\u00e7\u00e3o direta a um lema da luta pelos direitos da classe trabalhadora, tamb\u00e9m muito associado ao movimento anarquista, que \u00e9 \u201cSem deuses, sem mestres\u201d. O anarquismo ainda \u00e9 muito malcompreendido, sobretudo no Brasil, porque a gente teve algumas gera\u00e7\u00f5es durante e ap\u00f3s a ditadura militar que aprenderam a tratar a discuss\u00e3o pol\u00edtica como tabu. Como essas ideias de autogest\u00e3o, da organiza\u00e7\u00e3o vinda do pr\u00f3prio povo, figuram no imagin\u00e1rio do Tuatha?<\/strong><br \/>\nComplicado, hein? Na verdade, quando voc\u00ea falou de cita\u00e7\u00e3o, eu achei que voc\u00ea ia chamar aten\u00e7\u00e3o para a cita\u00e7\u00e3o da internacional socialista: \u201cPaz entre n\u00f3s, guerra aos senhores\u201d. Na \u201cUnited\u201d a gente j\u00e1 comentou dessa coisa da uni\u00e3o, de se organizar. A gente n\u00e3o queria usar o termo \u201corganizar\u201d, politizar demais o termo, mas acaba sendo isso. N\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel, se n\u00f3s veremos alguma coisa, algum tipo de revolu\u00e7\u00e3o verdadeira e n\u00e3o s\u00f3 reformas. Mas acho que seria superimportante a galera se politizar melhor. Estudar, pesquisar, mas n\u00e3o sei dizer qual seria o primeiro passo. Essa situa\u00e7\u00e3o de viver num pa\u00eds perif\u00e9rico&#8230; J\u00e1 \u00e9 muita dor, muita viol\u00eancia no discurso que a gente tem de ficar enfrentando. Voc\u00ea ainda ter de ficar discutindo com irm\u00e3os, n\u00e9? Que n\u00e3o se tocam: o cara \u00e9 latino, pobre e se coloca contra os pr\u00f3prios direitos. Isso \u00e9 uma deprava\u00e7\u00e3o. O cara que vai votar em qualquer candidato de direita sendo latino-americano. A menos que seja uma pessoa muito rica, est\u00e1 se aniquilando de certa forma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apertando bot\u00f5es sem saber por qu\u00ea?<\/strong><br \/>\n\u00c9. Eu acho que \u00e9 superimportante. Como eu disse, n\u00e3o sei qual seria o primeiro passo. N\u00e3o tenho nenhuma pretens\u00e3o pol\u00edtica real, partid\u00e1ria, messi\u00e2nica (risos). Mas o caminho pra isso acontecer, acho que primeiro seria o pessoal estudar mais, pesquisar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez o primeiro passo sejam exatamente obras como esta, que sensibilizam as pessoas e prop\u00f5e uma reflex\u00e3o. Mexer com o afeto das pessoas.<\/strong><br \/>\nAh, isso \u00e9 verdade. At\u00e9 porque \u00e9 isso que a extrema direita vem fazendo: construindo afetos, destruindo outros&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma pergunta mais boba agora (risos): nos comunicados que o Edgard Brito (tecladista da banda, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pelas a\u00e7\u00f5es de divulga\u00e7\u00e3o do disco para apoiadores) enviou sobre o \u00e1lbum, ele citou que voc\u00eas usaram timbres de theremin em alguns pontos, para simbolizar justamente esse \u201clamento das massas\u201d. Eu toco theremin, e fiquei muito feliz com essa escolha est\u00e9tica. Como veio essa ideia de usar esse timbre para simbolizar essa voz?<\/strong><br \/>\nEsse choro da popula\u00e7\u00e3o exclu\u00edda, n\u00e9? Isso \u00e9 coisa do Edgard mesmo. Ele j\u00e1 gosta pra caramba do theremin. J\u00e1 usou antes, s\u00f3 que a\u00ed\u2026 Como esse disco ficou um pouco mais dark, ele acabou usando mais. Mas o Edgard j\u00e1 tem alguns timbres aos quais ele sempre recorre. \u00c9 como se fossem instrumentos dele, que ele usa. Ele usa, claro, som de Moog, som de Hammond, etc. Mas ele tem uns timbres diferentes que ele est\u00e1 sempre usando. E ele sabe muito bem dosar isso quando a m\u00fasica pede. Ele gosta de ler as m\u00fasicas, no sentido de composi\u00e7\u00e3o e clima mesmo, independente das letras. Ele pira com essas coisas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_78529\" aria-describedby=\"caption-attachment-78529\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-78529\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"728\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha5-300x291.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78529\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa do single &#8220;United&#8221;, do Tuatha de Danann<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que voc\u00ea j\u00e1 comentou um pouco da faixa \u201cUnited\u201d, n\u00e9? Que fala do quanto a gente s\u00f3 chegou at\u00e9 aqui como humanidade por sermos uma esp\u00e9cie social, cooperativa.<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Porque a galera fica falando n\u00e9, cara? Vem com esse discurso liberal, neoliberal, do indiv\u00edduo esfor\u00e7ado. Da pessoa sozinha, da exce\u00e7\u00e3o que vence a regra. E justificando, talvez, a livre-concorr\u00eancia em cima disso. Falando que \u00e9 uma coisa natural, sendo que n\u00e3o \u00e9! N\u00f3s s\u00f3 sobrevivemos porque teve essa coletiviza\u00e7\u00e3o de se unir pra poder lutar contra feras, se abrigar. Um salvando o outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se unir at\u00e9 com algumas feras, como no caso dos lobos que a gente domesticou\u2026<\/strong><br \/>\n\u00c9! A gente sempre teve de se unir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mas eu queria mesmo puxar a quest\u00e3o da m\u00fasica que vem logo em seguida, \u201cA Fragile Whisper to a Raging Roar\u201d, que d\u00e1 um contraste bastante forte e um tanto triste. Acho que, por mais que a melodia da m\u00fasica em si n\u00e3o seja exatamente triste, \u00e9 um momento que tem uma tristeza, n\u00e9? Exatamente por isso que voc\u00ea falou: pessoas que se amam partindo pra caminhos separados por uma quest\u00e3o de ideias pol\u00edticas diferentes. Como encontrar uni\u00e3o nesse cen\u00e1rio? Tranquilo se voc\u00ea n\u00e3o tiver resposta, porque eu acho que ningu\u00e9m tem!<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, eu at\u00e9 tenho. Mas n\u00e3o vejo nem que seja pol\u00edtico mais! Acaba sendo uma cutucada pol\u00edtica pra muita gente. Mas acho que quando chega num ponto como o descrito na letra, j\u00e1 passou da esfera da pol\u00edtica. J\u00e1 entra uma coisa de humanidade. Eu n\u00e3o lembro exatamente a frase, mas ela fala de pessoas guiadas por preconceito, \u00f3dios. E isso n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtico mais, j\u00e1 ultrapassou! Mas realmente \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 dif\u00edcil conciliar, entender, aceitar. \u00c0s vezes a gente mesmo exagera nas coisas, vai contra o caminho que a gente quer que seja. Porque \u00e0s vezes\u2026 falando uma coisa bem Brasil, pois teve muita fam\u00edlia, muito casal que passou por isso. Fam\u00edlias que quebraram, amigos que n\u00e3o se falam mais. E gente que j\u00e1 nem era t\u00e3o pr\u00f3xima, mas agora a gente quer dist\u00e2ncia. Mas acho que a gente erra a\u00ed tamb\u00e9m mesmo a gente podendo estar certo no que a gente cr\u00ea. E eu acho que sempre que a gente quer o bem comum, a gente est\u00e1 certo. Mas \u00e0s vezes a gente erra na forma de abordar isso.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78528\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/tuatha4-240x300.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se o objetivo \u00e9 justamente que a gente se una em prol de defender direitos, n\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gico apartar muito as pessoas tamb\u00e9m. E \u00e9 justamente por isso que eu bolei essa pergunta. As duas m\u00fasicas v\u00eam numa sequ\u00eancia falando do quanto \u00e9 importante estar junto para a gente sobreviver e o quanto \u00e9 dif\u00edcil esse estar junto num mundo polarizado.<\/strong><br \/>\nP\u00f4, o cara interpretou de um jeito muito louco a ordem das m\u00fasicas (risos). Legal isso!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 que eu entrei em um per\u00edodo de hiperfoco e j\u00e1 ouvi o \u00e1lbum umas dez vezes, a\u00ed comecei a ir pensando nessas conex\u00f5es. Voc\u00ea poderia comentar a faixa \u201cClown\u201d, ou acha que \u00e9 complicado? Porque a gente acabou de ver um outro \u201cClown\u201d agora na Argentina&#8230;<\/strong><br \/>\nAh! Eles venceram. O cara \u00e9 muito louco (risos). Imagina o grau de desespero daquele povo. Sei l\u00e1 o que est\u00e1 acontecendo. \u201cDesespero\u201d n\u00e3o! Porque assim parece que eu estou defendendo, alguma coisa assim. Mas n\u00e3o. E est\u00e1 acontecendo no mundo inteiro. Essa ascens\u00e3o de gente da extrema-direita que n\u00e3o faz sentido nenhum. Mostra o tanto que o cen\u00e1rio est\u00e1 zoado. Pra algu\u00e9m chegar e eleger um cara que fala que conversa com o cachorro. Aned\u00f3tico daquele tanto, \u00e9 porque\u2026 esse pessoal est\u00e1 construindo alguma coisa a\u00ed pelo mundo que tem funcionado. E a \u201cClown\u201d foi isso. \u00c9 totalmente pro Bolsonaro, o \u201cPalha\u00e7o Bozo\u201d. A letra \u00e9 muito autoexplicativa. A gente precisava dar uma cutucadinha de novo. Essa coisa do messias, o palha\u00e7o. Deu pra fazer uma riminha, eu falei \u201cagora vai\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 realmente uma m\u00fasica bastante direta. Assim como a dupla, que acabou sendo dividida depois, que \u00e9 \u201cSpark\u201d (\u201cCentelha\u201d) e \u201cThe Virgin\u2019s Tower\u201d (\u201cA Torre da Virgem\u201d), que contam essa hist\u00f3ria terr\u00edvel que o Brasil viveu, em que cidad\u00e3os e cidad\u00e3s brasileiras estavam sendo perseguidas durante a Ditadura Militar do s\u00e9culo passado. Por causa de ideias e convic\u00e7\u00f5es. E a m\u00fasica especificamente traz a figura de uma parente distante sua. Voc\u00ea poderia contar um pouco para o p\u00fablico do Scream &amp; Yell essa hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica na verdade acabou sendo pra todas as mulheres\u2026 e todas as pessoas torturadas. Homens e mulheres, mas no caso foi mais espec\u00edfico sobre as mulheres torturadas. \u00c9 uma parente que n\u00e3o conheci e morreu em 2017. A fam\u00edlia \u00e9 muito grande. Ela era uma prima de terceiro grau\u2026 \u00c9 uma loucura, porque o meu bisav\u00f4 e o irm\u00e3o dele se casaram com duas irm\u00e3s. E o meu av\u00f4 era o que eles chamam de \u201cprimo-irm\u00e3o\u201d. Ele era primo-irm\u00e3o da Dulce Maia e do irm\u00e3o dela, o Carlito Maia, que era tamb\u00e9m militante. Ele foi um dos fundadores do PT. Ent\u00e3o, ela era minha prima de terceiro grau. E eu soube da hist\u00f3ria dela pela m\u00eddia. Do Carlito eu j\u00e1 sabia, mas n\u00e3o falavam muito dela. Eu soube depois. E foi isso: parece que ela foi a primeira mulher presa pela Ditadura Militar. Ela foi torturada, foi estuprada, e uma coisa que chocou: eu estava falando com o Martin Walkyier (da banda Skyclad), que foi o cara que fez a letra, e ele viu que eu fiz um post na internet em homenagem a ela, e o Martin ficou espantado. E a\u00ed eu fui procurar mais coisa dela pra conversar com ele, e vi ela falando que o torturador falava assim pra ela, enquanto se preparava para dar choques el\u00e9tricos na vagina: \u201cVoc\u00ea vai parir eletricidade\u201d. Acabou que ela ficou est\u00e9ril. E o Martin falou: \u201cNossa, n\u00f3s vamos ter de fazer uma m\u00fasica pra essa mulher!\u201d, e ele escreveu. Eu j\u00e1 tinha a m\u00fasica, eu mandei pra ele um tanto de vocais sem letra, e ele escreveu na m\u00e9trica que precisava. Ela foi uma mulher muito forte, e a\u00ed trocaram ela quando sequestraram um daqueles embaixadores, ela foi uma das presas pol\u00edticas que foram libertas. Depois ela morou em Angola, no Chile, na B\u00e9lgica, na China, em Cuba, um tanto de lugar. Mais tarde ela foi a primeira anistiada tamb\u00e9m, e a\u00ed veio pro interior de S\u00e3o Paulo. Sofreu pra caramba como v\u00e1rias outras. E a\u00ed a gente trouxe esse mote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E que, como a gente teve uma Comiss\u00e3o da Verdade que foi parada, passa um pouco por essa coisa das pessoas que ficaram sem nome e sem hist\u00f3ria, n\u00e9?<\/strong><br \/>\nExatamente! Tem tudo a ver: essa hist\u00f3ria que n\u00e3o foi passada a limpo. Essa quest\u00e3o da Ditadura mesmo, o que aconteceu no militarismo aqui. O que eles fizeram, o que foi encontrado. N\u00e3o foi resolvida essa hist\u00f3ria, n\u00e3o cicatrizou. E \u00e9 uma luta. Vai sempre ser. A hist\u00f3ria \u00e9 uma luta, um campo de batalha. A mem\u00f3ria tamb\u00e9m. E a gente quis fazer essa m\u00fasica em homenagem, e trazer esse assunto mesmo pra pessoa questionar, pesquisar e ver como que \u00e9.<\/p>\n<figure id=\"attachment_78527\" aria-describedby=\"caption-attachment-78527\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-78527 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/IMG_20231125_193627full-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/IMG_20231125_193627full-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/IMG_20231125_193627full-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-78527\" class=\"wp-caption-text\"><em>Flagra da bate papo entre Bruno Moraes (Scream &amp; Yell) e Bruno Maia (Tuatha de Danann)<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma coisa que me deixou bastante triste pensando na letra dessa m\u00fasica \u00e9 que a Da\u00edsa Munhoz (vocalista convidada, dos projetos Dama Gaia, Iron Ladies, Vandroya, Soulspell e Twilight Aura) canta \u201cDescanse com a certeza de que vir\u00e1 alguma retribui\u00e7\u00e3o\u201d, e a gente nunca viu essa retribui\u00e7\u00e3o rolando. Inclusive, at\u00e9 o ano passado, um dos caras da linha dura da Ditadura Militar era chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional. Na \u00e9poca em que as nossas institui\u00e7\u00f5es estiveram em uma inseguran\u00e7a gigante. Ent\u00e3o, o quanto perdemos essa oportunidade de dar uma retribui\u00e7\u00e3o a exemplo do que o Chile e a Argentina fizeram com oficiais dos respectivos regimes de exce\u00e7\u00e3o? E o quanto a gente talvez ainda esteja perdendo essa oportunidade se n\u00e3o julgarmos as pessoas respons\u00e1veis pelas trag\u00e9dias humanit\u00e1rias dos \u00faltimos quatro anos?<\/strong><br \/>\nConcordo que perdemos essa oportunidade at\u00e9 aqui. Mas acho que historicamente \u00e9 um tempo muito curto disso que aconteceu. A gente que \u00e9 contempor\u00e2neo, pelo menos agora, fica puto. Quem passou tamb\u00e9m n\u00e3o viu essa vit\u00f3ria, essa retribui\u00e7\u00e3o. Isso d\u00e1 uma frustrada, mas acho que isso a\u00ed pode vir ainda. \u00c9 um tempo hist\u00f3rico muito curto. E acho que o caminho, querendo ou n\u00e3o\u2026 embora a internet tenha suas milh\u00f5es de contradi\u00e7\u00f5es, e seja muito perigosa, porque muita coisa \u00e9 comprada, as palavras s\u00e3o compradas, assim como a dire\u00e7\u00e3o pra qual as pessoas s\u00e3o levadas quando procuram por um determinado assunto tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 comprada. Mas eu acho que ela (a internet) pode iluminar muita gente. E acho que as pessoas v\u00e3o (se conscientizar), e eu vejo isso: vejo muita gente que est\u00e1 se conscientizando. Que est\u00e1 at\u00e9 se organizando, dando voz, dando coro. E eu acho que uma hora vai dar uma melhoradinha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agora, s\u00f3 pra encerrar: a gente falou muito de conceito, mas eu queria ouvir um pouco sobre a est\u00e9tica sonora do disco. \u00c9 interessante que ele tem uma sonoridade que voc\u00ea acabou de descrever como meio dark, e que \u00e9 um pouco diferente do c\u00e2none do Tuatha at\u00e9 ent\u00e3o. Tem os timbres do folk ainda bem presentes, com flautas, bandolins, violinos e algumas melodias, mas tem uma pegada tamb\u00e9m bastante contempor\u00e2nea, e que pega pra outros subg\u00eaneros dentro do metal que s\u00e3o um pouco novidade. Voc\u00ea acha que isso tem a ver com se tratar tamb\u00e9m de quest\u00f5es contempor\u00e2neas essa est\u00e9tica musical?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o sei dizer. Eu sei assim: a gente est\u00e1 h\u00e1 muito tempo tocando, temos muitos discos. J\u00e1 fizemos muitas m\u00fasicas, e elas sempre estiveram dentro do mesmo arcabou\u00e7o. Bem ali, dentro de casa. Com o tempo, acho que voc\u00ea sente a necessidade de\u2026 n\u00e3o \u00e9 dizer abertamente assim: \u201cAh, vamos fazer um trem diferente!\u201d Voc\u00ea s\u00f3 come\u00e7a a fazer o trem diferente mesmo e fala depois: \u201cPutz, que massa!\u201d E ela funciona ali, conversa com o que a gente faz. Ent\u00e3o foi super salutar, at\u00e9 por conta da tem\u00e1tica. A\u00ed sim, foi um caminho diferente. N\u00e3o foi planejado, mas acho que, por conta da idade e de v\u00e1rias novas influ\u00eancias tamb\u00e9m, mais contempor\u00e2neas, isso veio naturalmente. E a gente gostou demais. Porque, se n\u00e3o, chega um ponto no qual a gente pode come\u00e7ar a se repetir. E isso n\u00e3o \u00e9 bom. Ent\u00e3o acho que trouxe um frescor novo pra banda. Pode ser que seja um caminho aberto, pelo menos abre mais possibilidades pra gente continuar tocando, fazendo m\u00fasica!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como ouvinte, fiquei bastante feliz. E voc\u00ea acha que v\u00e3o ficar felizes tamb\u00e9m as pessoas que cobravam que voc\u00eas falassem dos problemas do mundo real agora?<\/strong><br \/>\nAh! Tomara, mas voc\u00ea j\u00e1 viu, n\u00e9? A\u00ed aparece o pessoal do \u201cAh, voc\u00eas n\u00e3o falam mais de fada!\u201d (risos)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tuatha de Danann - Live Hellcife 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DGT-mD5jmEU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tuatha de Danann live in Bras\u00edlia, 11 de mar\u00e7o de 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Britb6hZlcE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Tuatha de Danann - Building a Ruin( feat. Elodie Buchonnet)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rc-Sn96tW-8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BrunoPinguim47\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno de Sousa Moraes<\/a>\u00a0migrou das ci\u00eancias biol\u00f3gicas para a comunica\u00e7\u00e3o depois de um curso de jornalismo cient\u00edfico. Desde ent\u00e3o, publica mat\u00e9rias sobre ecologia e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, e est\u00e1 se arriscando pelo jornalismo musical.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Por mais pol\u00edtica e revolucion\u00e1ria que seja a mensagem do Tuatha em 2023, ela \u00e9 s\u00f3bria o bastante para n\u00e3o pontificar ou se colocar num pedestal moral.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/11\/entrevista-com-sonoridade-renovada-tuatha-de-danann-trata-de-problemas-politicos-do-seculo-xxi-em-the-nameless-cry\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":136,"featured_media":78525,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6954],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78522"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/136"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78522"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78522\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78536,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78522\/revisions\/78536"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78525"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78522"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78522"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78522"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}