{"id":78510,"date":"2023-12-09T00:01:00","date_gmt":"2023-12-09T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78510"},"modified":"2024-02-15T00:18:27","modified_gmt":"2024-02-15T03:18:27","slug":"faixa-a-faixa-i-fell-in-the-sky-de-le-almeida-ou-ensaio-sobre-o-ceu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/09\/faixa-a-faixa-i-fell-in-the-sky-de-le-almeida-ou-ensaio-sobre-o-ceu\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: &#8220;I Fell In The Sky&#8221;, de L\u00ea Almeida, ou um &#8220;Ensaio Sobre o C\u00e9u&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lealmeida_tnr\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u00ea Almeida<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu queria encontrar palavras que definissem o que \u00e9 se sentir no c\u00e9u. Independente de cren\u00e7a e qualquer orienta\u00e7\u00e3o religiosa, apenas o sentimento livre de se sentir leve o suficiente para estar t\u00e3o alto quanto no c\u00e9u. N\u00e3o encontrei essas palavras, mas me surgiu um mundo de pensamentos, anota\u00e7\u00f5es e insights sobre como criar e gravar fora de um ambiente violento influenciaram diretamente a minha musicalidade a criarem novos contornos sociais no meu modo de pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Grava\u00e7\u00f5es \u00e0s vezes se tornam um jogo curioso com a paci\u00eancia, deixar um som amadurecer na cabe\u00e7a em um espa\u00e7o de tempo que se torna coisas diferentes e ainda faz sentido \u00e9 parte da experi\u00eancia. Gastei espa\u00e7osos meses viajando com a (minha banda) Oru\u00e3 e tendo esse material em paralelo fervilhando em grava\u00e7\u00f5es que montavam um esbo\u00e7o de \u00e1lbum. Foi durante a tour de 2022 pelos Estados Unidos que me dei conta de que o \u00fanico t\u00edtulo que eu tinha pensado at\u00e9 ent\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o direta com a estrada e o estado de esp\u00edrito que essa viv\u00eancia t\u00e3o sonhada causava em mim: \u201c<a href=\"https:\/\/nk.nikita.com.br\/IFeelInTheSky_LeAlmeida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I FEEL IN THE SKY<\/a>\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algu\u00e9m tinha comentado em algum momento que eu parecia sempre feliz, isso condizia com a minha empolga\u00e7\u00e3o em estar executando todos as noites essa profiss\u00e3o de m\u00fasico que eu me orgulho muito em seguir, mas para al\u00e9m disso acho que essa felicidade de viver coisas novas me consumia intensamente e me causavam muitas inspira\u00e7\u00f5es que s\u00f3 o tempo me fez notar. Sair da minha realidade no Rio de Janeiro era muito libertador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cresci em um bairro violento, vivi por l\u00e1 boa parte da minha adolesc\u00eancia, trancado no meu quarto gravando m\u00fasica, soltando pipa em cima da minha casa, andando de bicicleta e correndo de violentas brigas na rua. Numa dessas tomei uma pedrada em um dos meus olhos e vi pela primeira e \u00fanica vez na vida meu pai amea\u00e7ar algu\u00e9m de morte. Mesmo sabendo ou acreditando que ele nunca faria aquilo, naquele momento ficou mais claro do que nunca que viv\u00edamos dentro de uma filosofia expl\u00edcita do dente por dente e olho por olho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sai desse bairro em 2018, depois que meu pai morreu. Esse foi um ano de liberta\u00e7\u00f5es. Me entreguei a longas tours com a Oru\u00e3 pelo Brasil e sa\u00ed do pa\u00eds pela primeira vez, tocando com a banda americana Built to Spill e na sequ\u00eancia indo at\u00e9 o Uruguai com o Oru\u00e3. Viver as experi\u00eancias da estrada me fez absorver novos modos de entender e expressar a arte que eu vinha fazendo. Isso me fazia pensar que a m\u00fasica que eu fazia ao mesmo tempo que era uma forma de escapar daquela realidade tamb\u00e9m tinha embutida um certo tom violento e defensivo, mesmo que indiretamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/nk.nikita.com.br\/IFeelInTheSky_LeAlmeida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I FEEL IN THE SKY<\/a>\u201d \u00e9 um disco que foi gravado entre intervalos de tours que eu vinha fazendo, com uma calma e um respiro constante para amadurecimento sem nenhum tipo de press\u00e3o, inclusive a minha comigo mesmo. Como ideia b\u00e1sica, eu queria que soasse visivelmente diferente uma faixa da outra, como se tivessem sido propositalmente feitas e gravadas em ambientes muito distintos. Isso foi se dando espontaneamente uma vez que eu carregava comigo na estrada alguns equipamentos de grava\u00e7\u00e3o e aproveitava qualquer oportunidade que desse pra gravar aleatoriamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O conceito de cria\u00e7\u00e3o foi se desenvolvendo ao longo do caminho, e fui percebendo que a energia de cada lugar afetava diretamente as dire\u00e7\u00f5es das faixas. At\u00e9 o ano de 2019 eu tinha passado um longo tempo gravando em uma sala comercial no centro do Rio de Janeiro, o Escrit\u00f3rio, espa\u00e7o destinado para produ\u00e7\u00e3o e shows que eu e mais alguns amigos ajudamos a manter desde 2013. Nesse espa\u00e7o eu realizei in\u00fameras grava\u00e7\u00f5es, tanto minhas como de v\u00e1rias bandas diferentes. Nesses anos adquiri muitas habilidades, por\u00e9m sempre trabalhando na mesma sala em um computador velho e com fitas cassetes. A partir de 2019, depois de ter sa\u00eddo pela primeira vez do pa\u00eds, eu possu\u00eda uma nova mesa de som port\u00e1til, um notebook e um novo programa de grava\u00e7\u00e3o. Foi esse novo esquema que passei a experimentar na estrada, usando qualquer espa\u00e7o e \u00e0s vezes alguns instrumentos aleat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o per\u00edodo final da pandemia morei em B\u00fazios, no litoral do Rio, junto com dois amigos, Jo\u00e3o Casaes e Big\u00fa Medine. Eles j\u00e1 eram meus parceiros de m\u00fasica a um longo tempo, por\u00e9m morar junto era novo e fez com que troc\u00e1ssemos muitos conhecimentos o tempo todo. Nosso foco inicial nessa casa era mixar e gravar overdubs no disco do Built to Spill que eu Jo\u00e3o t\u00ednhamos come\u00e7ado a gravar em Boise, nos Estados Unidos, e tamb\u00e9m para ensaiar e produzir um novo disco do Oru\u00e3, o \u201c\u00cdngreme\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse per\u00edodo entre 2021 e 2022 alguns rascunhos de melodias mais serenas surgiram espontaneamente em algumas manh\u00e3s dedilhando baixinho acordes calmos e gravando numa mesa tascam 4-track em fita cassete ideias que se tornavam bases para amadurecer futuramente. \u201c<a href=\"https:\/\/nk.nikita.com.br\/IFeelInTheSky_LeAlmeida\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">I FEEL IN THE SKY<\/a>\u201d foi lan\u00e7ado em outubro de 2023, e abaixo falo dele faixa a faixa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"I Feel In The Sky\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vw8QYSFOqj8?list=OLAK5uy_laWwFIt3FgSNGYP7MOqDramSbPV4hRlH8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) I FEEL IN THE SKY &#8211;<\/strong> Durante o momento em que morei em B\u00fazios aprendi muito sobre a magia do sampler com o Jo\u00e3o e o Big\u00fa. Todas as quartas durante a pandemia a gente participava de um programa chamado Loop Sessions, nele a gente trabalhava loops e beats extra\u00eddos de um vinil que o programa ripava e disponibilizava. Essa faixa saiu de um desses programas promovido pelo Beat Brasilis<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) MISS\u00c3O DE OUVIR \u2013<\/strong> Lembro de comprar pela primeira vez em 2019 cordas flat para guitarra, eram cordas lisas, mais suaves para arrastar os acordes e dedilhados, eu nunca tinha encostado nisso antes. Coloquei essas cordas numa guitarra velha tonante que ficava na sala de casa. Eu j\u00e1 tinha adaptado essa guitarra com um captador melhor que o original e mantinha ela pronta para qualquer tipo de ideia espont\u00e2nea que me surgia, mas foi colocando essas cordas flat que passei a dedilhar com uma facilidade que eu nunca tinha experimentado. Foi assistindo algum filme enquanto dedilhava melodias arrastadas aleatoriamente que foi me surgindo essa faixa. Ter ficado um bom tempo fora do Escrit\u00f3rio me fez refletir melhor na posi\u00e7\u00e3o de terapeuta que uma pessoa pode ter sem nenhuma no\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 acontecendo, apenas ouvindo. Trabalhei muitas noites no Escrit\u00f3rio ouvindo e interagindo com todo o tipo de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) BAILE DE CINEMA \u2013<\/strong> Em janeiro de 2023, antes de eu me mudar temporariamente para S\u00e3o Paulo, passei algumas horas improvisando no Escrit\u00f3rio com dois amigos de SP, Vicente e John. Meses depois em Aalborg, na Dinamarca, acabei entrando nessas grava\u00e7\u00f5es pela curiosidade e acabei recortando \u00f3timos trechos que montavam uma faixa facilmente na minha cabe\u00e7a. A minha frase inicial para letra era \u2018baile de cinema\u2019 e me despertava um ensaio filos\u00f3fico sobre a incr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de se mover quando acreditar que est\u00e1 sendo passado para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) TAFET\u00c1 \u2013<\/strong> Inicialmente era um \u00fanico som ambiente feito com arco de violino na guitarra e alguns delays por uns 4 minutos. Em alguma ocasi\u00e3o no Escrit\u00f3rio, fiquei sozinho tocando batidas aleat\u00f3rias em cima desse som, dias ou semanas depois Jo\u00e3o me mostrou o Yellotron, um mellotron constru\u00eddo no pure data, e fiquei um tempo gravando combina\u00e7\u00f5es de acordes nessa mesma base. Jo\u00e3o adicionou baixos pausados que recortavam todos os tempos. Nessa \u00e9poca eu tinha visto nos jornais uma not\u00edcia horr\u00edvel sobre um rapaz congol\u00eas que tinha sido assassinado no Rio de Janeiro depois de ter cobrado seu sal\u00e1rio aos seus patr\u00f5es, que em resposta o executaram em um espancamento brutal. Essa situa\u00e7\u00e3o absurda me fez escrever essa letra e refletir a respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) ARTES C\u00caNICAS e SOLITUDE<\/strong> foram gravadas durante duas sess\u00f5es tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo no Mameloki no fim de 2021. Ambas as sess\u00f5es com Cac\u00e1 Amaral na bateria. Eu amadureci algumas melodias vocais durante um bom tempo antes de p\u00f4r as vozes, era um \u00f3timo exerc\u00edcio tentar encaixar melodias em temas tortos e desconstru\u00eddos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) BICHO SOLTO \u2013<\/strong> Essa saiu antes da tour do Oru\u00e3 em 2023 pelos EUA e Europa, quando passei um tempo vivendo em S\u00e3o Paulo. Depois de algum ensaio de um show solo meu em SP no Mameloki a gente ficou improvisando com alguns amigos (Ana Zumpano, Beeau Gomez, David Beat, Julio St Cecilia) uma base aleat\u00f3ria com algumas percuss\u00f5es e um ritmo descontra\u00eddo. O Otto (Dardenne) gravou s\u00f3 com um mic no centro da sala essa base e depois ficamos picotando alguns loops. Na sequ\u00eancia fiquei rascunhando uma letra com o Otto e t\u00ednhamos uma faixa. Nesses dias tinha alguns amigos circulando pelo est\u00fadio e essa faixa se tornou bem colaborativa na produ\u00e7\u00e3o. Yann foi desenvolvendo o arquivo no pc, que na sequ\u00eancia passou pelas m\u00e3os da Al\u00ea nas mixagens e adicionando alguns vocais. Raphael colocou algumas frases de guitarra e Danilo p\u00f4s alguns arranjos de teclados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) CLAR\u00d5ES DE ON\u00c7A \u2013<\/strong> Essa me levou a outro tipo de experi\u00eancia, dedilhando acordes pela manh\u00e3 no quarto onde morei por um ano em B\u00fazios, pr\u00f3ximo do mar e uma bel\u00edssima natureza. Essa faixa ficou comigo por algumas viagens durante 2022. A letra repete a afirma\u00e7\u00e3o que tudo est\u00e1 normal, mesmo n\u00e3o estando, e deixa um recado direto para as amea\u00e7as se manterem distantes pois as minhas prote\u00e7\u00f5es s\u00e3o invis\u00edveis aos olhos. A minha prote\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00fasica. Gravei a base dessa faixa em Nova Yorke com o Big\u00fa entre um intervalo de grava\u00e7\u00f5es com o Oru\u00e3 em uma casa que ficava a duas horas da grande capital e era cercada de natureza. Gravei outras coisas no por\u00e3o do Jim em Seattle, em um ambiente extremamente tranquilo tamb\u00e9m nos intervalos de grava\u00e7\u00f5es com Oru\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) SOLITUDE &#8211;<\/strong> Era um instrumental que me acompanhou por um tempo como um tema abstrato, meu esbo\u00e7o de letra versava sobre estar sozinho e estar bem. Bem com voc\u00ea mesmo ao ponto de levitar dentro de qualquer poesia desconexa de realidade. Isso fez muito sentido pra mim estando isolado em uma sala apenas gravando e escrevendo enquanto via pela persiana aberta um breve mar do lado de fora em dias ensolarados e muitas pessoas passeando pela orla. Esse era o ambiente que ficava ao entorno da sala que eu estava usando para produzir em Aalborg na Dinamarca em julho de 2023. Durante uns 4\/5 dias minha rotina era ir pra essa sala e fazer qualquer tipo de manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica ligada \u00e0 m\u00fasica e escrita. Essa faixa estava fervilhando na minha cabe\u00e7a com a letra pronta, precisando s\u00f3 de uma boa interpreta\u00e7\u00e3o. Isso aconteceu nessa sala. Amanda foi uma amiga muito importante na colabora\u00e7\u00e3o com essa sala. E foi conversando come ela que me dei conta que eu estava literalmente em uma resid\u00eancia. Eu aprontei essas duas \u00faltimas faixas nessa resid\u00eancia na Dinamarca, mixei na Finl\u00e2ndia enquanto fazia os dois \u00faltimos shows da tour mais longa que j\u00e1 fiz com o Oru\u00e3. Quatro meses e duas semanas fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) SUITE AMOROSO AFROPONTO \u2013<\/strong> Essa faixa vem dos raros momentos que eu passava sozinho tocando guitarra, somente focando em como diferentes arranjos poderiam se entrela\u00e7ar, esse tema me surgiu na sala de casa, improvisando com um loop afro de guitarra. Era inicialmente apenas um estudo de ritmo e som, virou um ponto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) MILHAS E MILHAS \u2013<\/strong> A Mel foi a primeira pessoa que eu mostrei uma primeira vers\u00e3o desse disco montado. Durante o processo continuei enviando algumas faixas pra ela e fomos conversando muito sobre processos de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o. Essa faixa inicialmente era s\u00f3 um dedilhado de viol\u00e3o gravado em B\u00fazios que posteriormente coloquei uma bateria no Escrit\u00f3rio e os vocais no Brooklyn novaiorquino durante alguma estadia r\u00e1pida em um airbnb aleat\u00f3rio pela regi\u00e3o. Mel gravou o baixo no Colorado, em Grand Junction, durante sua tour com o Built to Spill em maio de 2023. No Brasil Lorenzo adicionou algumas linhas de flauta e Ana e o Beeau colocaram guitarras e synths.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11) COSTAS QUENTES \u2013 <\/strong>Junto com \u201cAfroponto\u201d, \u00e9 de uma sess\u00e3o gravada na casa do Archela em S\u00e3o Paulo em alguma data desconhecida antes das Tours de 2019. Foi pensando por localidade que \u201cCostas Quentes\u201d abriu a minha ideia de pesquisa. Foi gravada em S\u00e3o Paulo, na grande capital entre enormes pr\u00e9dios e muitas pessoas e energias diferentes. Enfatiza free jazz, alguma agressividade nos acordes e um certo entusiasmo nos vocais, esses gravados longe da cidade grande, em plena Baixada Fluminense, regi\u00e3o onde resido. S\u00f3 depois de um tempo percebi onde isso ia canalizado em forma de som, qualquer demonstra\u00e7\u00e3o aguda de territorialidade. Demorei alguns anos para finalizar essa faixa entre infinitas audi\u00e7\u00f5es andando de bike pelo meu bairro durante a pandemia atr\u00e1s de algum sentido.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78511\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Le-Almeida-por-Sora-Blu-1-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Le-Almeida-por-Sora-Blu-1-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Le-Almeida-por-Sora-Blu-1-copiar-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">01 I Feel In the Sky 1:13<br \/>\n02 Miss\u00e3o de Ouvir 1:46<br \/>\n03 Baile de Cinema 4:17<br \/>\n04 Tafet\u00e1 4:18<br \/>\n05 Artes C\u00eanicas 5:46<br \/>\n06 Bicho Solto 4:34<br \/>\n07 Clar\u00f5es de On\u00e7a 3:01<br \/>\n08 Solitude 4:01<br \/>\n09 Suite Amoroso Afroponto 5:52<br \/>\n10 Milhas e Milhas 1:05<br \/>\n11 Costas Quentes 10:44<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Ficha T\u00e9cnica<\/strong><\/h2>\n<p>&#8211; L\u00ea &#8211; guitarras em todas as faixas exceto 1, 4 e 6 \/ baterias em 2, 3, 4, 7, 9 (afro) e 10 \/ baixo em 9 (afro) e 6 \/ teclas em 4 e viol\u00e3o em 10<br \/>\n&#8211; Jo\u00e3o Casaes &#8211; baixos em 2, 4 e 11 \/ synths em 2, 3, 4, 5, 7 e 8<br \/>\n&#8211; Big\u00fa Medine &#8211; baixos 5, 7, 8 e 9 (amoroso)<br \/>\n&#8211; Cac\u00e1 Amaral &#8211; baterias em 5, 8, 9 (amoroso) e 11<br \/>\n&#8211; Joab R\u00e9gis &#8211; guitarra em 4<br \/>\n&#8211; Alexander Zhemchuzhnikov &#8211; sax em 3, 5, 8 e 11<br \/>\n&#8211; Leandro Archela &#8211; synths em 9 (amoroso) e 11<br \/>\n&#8211; Melanie Radford &#8211; baixo em 10<br \/>\n&#8211; Zozio &#8211; bateria em 11<br \/>\n&#8211; Vicente Barroso &#8211; baixo em 3<br \/>\n&#8211; John Di Lallo &#8211; synth em 3<br \/>\n&#8211; Henrique Diaz &#8211; guitarra em 9 (amoroso) e 11<br \/>\n&#8211; Julio St Cecilia &#8211; guitarra em 6<br \/>\n&#8211; Raphael Vaz &#8211; guitarra em 6<br \/>\n&#8211; Lorenzo Ciambelli &#8211; flauta em 8 e 10<br \/>\n&#8211; Beeau Gomez &#8211; guitarra em 10<br \/>\n&#8211; Ana Zumpano &#8211; percuss\u00e3o em 6 e synth em 10<br \/>\n&#8211; Danilo Sans\u00e3o &#8211; teclados em 6<br \/>\n&#8211; Otto Dardene &#8211; voz em 6<br \/>\n&#8211; Alejandra Luciani &#8211; &#8211; voz em 6<br \/>\n&#8211; David Beat &#8211; percuss\u00e3o em 6<\/p>\n<p>Todas as letras escritas por L\u00ea Almeida, exceto &#8220;Bicho Solto&#8221; por L\u00ea e Otto Dardenne<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado no Rio de Janeiro (Escrit\u00f3rio), B\u00fazios (Emer\u00eancias), S\u00e3o Paulo (Mameloki e Formigaz Garden), New York e Seattle (USA), Aalborg (Denmark) e finalizado na Baixada Fluminense. Mixado por L\u00ea Almeida. Masterizado por Jo\u00e3o Casaes. Capa por Jo\u00e3o Casaes (L\u00ea paint), Beeau Gomez (background paint). Tipografia por Josimar Freire.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-78513\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/LeAlmeida-I-Feel-In-the-Sky-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/LeAlmeida-I-Feel-In-the-Sky-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/LeAlmeida-I-Feel-In-the-Sky-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/LeAlmeida-I-Feel-In-the-Sky-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Foi durante a tour de 2022 pelos Estados Unidos que me dei conta de que o \u00fanico t\u00edtulo que eu tinha pensado at\u00e9 ent\u00e3o tinha liga\u00e7\u00e3o direta com a estrada e o estado de esp\u00edrito que essa viv\u00eancia t\u00e3o sonhada causava em mim: \u201cI FEEL IN THE SKY\u201d.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/12\/09\/faixa-a-faixa-i-fell-in-the-sky-de-le-almeida-ou-ensaio-sobre-o-ceu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":78512,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1227],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78510"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78510"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78510\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78515,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78510\/revisions\/78515"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78512"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}