{"id":78289,"date":"2023-11-29T02:25:52","date_gmt":"2023-11-29T05:25:52","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78289"},"modified":"2024-03-18T11:16:02","modified_gmt":"2024-03-18T14:16:02","slug":"entrevista-mario-luiz-c-barroso-editor-da-abril-a-epoca-relembra-30-anos-depois-o-lancamento-do-fenomeno-a-morte-do-super-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/29\/entrevista-mario-luiz-c-barroso-editor-da-abril-a-epoca-relembra-30-anos-depois-o-lancamento-do-fenomeno-a-morte-do-super-homem\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mario Luiz C. Barroso, editor da Abril \u00e0 \u00e9poca, relembra 30 anos depois o lan\u00e7amento de \u201cA Morte do Super-Homem\u201d"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, em novembro de 1993, era lan\u00e7ada pela Editora Abril aquela que viria a ser a revista em quadrinhos de super-her\u00f3is que mais vendeu no Brasil. Com 250 mil exemplares, e mais 50 mil unidades de um kit especial, \u201cA Morte do Super-Homem\u201d, fen\u00f4meno midi\u00e1tico que, onze meses antes, havia chacoalhado o mercado estadunidense, se tornou o gibi recorde de aquisi\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rio nacional, algo que, diante dos n\u00fameros apresentados no decorrer dos 30 anos seguintes, e com um tipo de mercado totalmente diferente, nunca voltou a se repetir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para marcar a efem\u00e9ride, o Scream &amp; Yell conversou com um dos respons\u00e1veis pelo lan\u00e7amento do marco da nona arte no pa\u00eds, o editor Mario Luiz C. Barroso, que junto \u00e0 equipe da Editora Abril, trouxe para os leitores brasileiros esse ic\u00f4nico momento da Cultura Pop em um encadernado de 160 p\u00e1ginas que estampava o bras\u00e3o do her\u00f3i kriptoniano em alto relevo e &#8220;sangrando&#8221;. Atuando como editor da revista mensal do Super-Homem desde 1989, cargo que ocupou at\u00e9 1997, Mario se tornou o editor mais longevo \u00e0 frente do t\u00edtulo do Homem de A\u00e7o, que come\u00e7ou a ser publicada em 1984 e teve, em sua primeira s\u00e9rie mensal, 147 edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Durante todos os meses durante o meu per\u00edodo na Editora abril, editei pelo menos uma revista do Super-Homem. Por isso, dessa fase que saiu h\u00e1 30 anos, em 1993, naturalmente \u2018A Morte do Super-Homem\u2019, a miniss\u00e9rie \u2018Funeral para um Amigo\u2019, a edi\u00e7\u00e3o especial \u2018Super-Homem Al\u00e9m da Morte\u2019 e, finalmente, a miniss\u00e9rie em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es \u2018O Retorno do Super-Homem\u2019, tudo isso caiu no meu colo para que eu pudesse editar&#8221;, relembra Mario. O impacto na m\u00eddia dos Estados Unidos, e que acabou reverberando em todo o mundo, justifica a grande responsabilidade que o jovem editor de 24 anos tinha \u00e0 \u00e9poca. Tendo um per\u00edodo de lan\u00e7amentos que, diante de todo processo log\u00edstico, acabava lan\u00e7ando no Brasil os quadrinhos americanos com dois anos de intervalo, Mario relembra que o &#8216;Parem as m\u00e1quinas!&#8217; foi crucial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esses quadrinhos foram feitos com bastante carinho. A gente sabia que era algo importante. Isso porque t\u00ednhamos uma defasagem de tempo com rela\u00e7\u00e3o aos lan\u00e7amentos nos Estados Unidos. Ent\u00e3o, j\u00e1 sab\u00edamos o n\u00famero de vendas de l\u00e1. E s\u00f3 saiu antes da \u00e9poca, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cronologia porque, como sempre acontecia, veio uma ordem da diretoria dizendo: \u2018Olha, isso aqui est\u00e1 vendendo muito l\u00e1 fora. Publiquem o quanto antes!\u2019\u201d, pontua o editor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ordem vertical merece uma contextualiza\u00e7\u00e3o. O lan\u00e7amento nos Estados Unidos, em dezembro de 1992, do exemplar 18 de \u201cMan of Steel\u201d, quando foi apresentado o vil\u00e3o Apocalipse, uma criatura bestial que acaba trucidando toda a Liga da Justi\u00e7a e destruindo v\u00e1rias cidades americanas, incluindo a fict\u00edcia Metr\u00f3poles, lar do Homem de A\u00e7o, bem como o da edi\u00e7\u00e3o de 75 de \u201cSuperman\u201d, outra revista americana focada no personagem, representou o fechamento de uma saga que determinaria a morte do maior de todos os her\u00f3is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O alcance de vendas desta \u00faltima foi de mais de 6 milh\u00f5es de exemplares, se tornando a revista em quadrinhos que mais vendeu naquele ano. Somado a isso, toda a cobertura dos jornais da terra do Tio Sam, programas de entretenimento e juntamente \u00e0 propaganda boca a boca que, em uma fase pr\u00e9-internet, fazia muita diferen\u00e7a, ati\u00e7ou a curiosidade tanto de leitores habituais quanto de novos curiosos por quadrinhos. Assim, se tornava primordial que a Editora Abril acelerasse o processo de importa\u00e7\u00e3o das bobinas (que poderia levar seis meses de navio devido ao peso) com os filmes originais t\u00e3o logo se tornassem dispon\u00edveis para que se pudesse lan\u00e7ar o material em portugu\u00eas para os f\u00e3s brasileiros. Isso s\u00f3 seria poss\u00edvel em novembro de 1993, quando o encadernado de 160 p\u00e1ginas no cl\u00e1ssico &#8220;formatinho&#8221; reunindo as edi\u00e7\u00f5es gringas com toda a saga at\u00e9 o momento do perecimento do her\u00f3i foi lan\u00e7ado como o especial \u201cA Morte do Super-Homem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Saiu em v\u00e1rios canais&#8221;, comenta Mario sobre a cobertura da m\u00eddia no Brasil. &#8220;O SBT fez um funeral simulado com um caix\u00e3o de papel\u00e3o e coisas assim (risos). Ocupou espa\u00e7o importante nos nossos jornais, tamb\u00e9m. Foi para o caderno dois do Estado de SP, para a Folha Ilustrada, e tantos outros jornais em todo o Brasil. Houve uma repercuss\u00e3o grande aqui no Brasil do que a imprensa dos Estados Unidos estava publicando sobre o lan\u00e7amento&#8221;, relembra o editor e tradutor. &#8220;Muitas imagens (repercutidas aqui) foram pegas l\u00e1 fora. Tinha entrevista com o Mike Carlin, que era o editor na DC Comics \u00e0 \u00e9poca, e com os criadores, como Jerry Ordway e Dan Jurgens. A imprensa (brasileira) repercutiu no momento contando o que aconteceu e fazendo o voice over, aquela dublagem em cima dos editores e artistas falando sobre o lan\u00e7amento e as repercuss\u00f5es. E foi justamente essa repercuss\u00e3o midi\u00e1tica no Brasil, associada \u00e0 tremenda vendagem, respons\u00e1vel para que a Abril tomasse a decis\u00e3o de lan\u00e7ar o quanto antes&#8221;, crava o profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, \u00e9 poss\u00edvel se encontrar a saga escrita por Dan Jurgens, Louise Simonson, Jerry Ordway e desenhada por outra gama imensa de talentosos artistas, em variados formatos que v\u00e3o al\u00e9m do formatinho na qual a Editora Abril lan\u00e7ou h\u00e1 exatos 30 anos. S\u00e3o edi\u00e7\u00f5es de luxo, como a que saiu pela Editora Panini em dois volumes h\u00e1 pouco mais de 10 anos, ou a pesad\u00edssima (tanto em gramas quanto financeiramente) edi\u00e7\u00e3o no formato Omnibus, que traz a saga completa, indo al\u00e9m da morte do her\u00f3i, que faleceu ap\u00f3s a sangrenta batalha contra o algoz Apocalipse, e trazendo seu funeral, encontro com o al\u00e9m morte e seu eventual retorno na saga publicada em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es em 1994.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hoje em dia, uma revista que vende 5 mil exemplares \u00e9 considerada sucesso e as que mais vendem, em rela\u00e7\u00e3o a quadrinhos de super-her\u00f3is e que vendiam dezenas de milhares naquela \u00e9poca, hoje vendem de 3 a 5 mil, e o mais bem sucedido, 10 mil exemplares&#8221;, contextualiza Mario ao ser abordado sobre uma compara\u00e7\u00e3o entre o alcance de vendas de uma revista como \u201cA Morte do Super-Homem\u201d, lan\u00e7ada h\u00e1 30 anos em formatinho, e o mercado das HQs hoje em dia. \u00c9 v\u00e1lido frisar, por\u00e9m, que, apesar do citado pre\u00e7o salgado das edi\u00e7\u00f5es em formatos de luxo, como \u00e9 o caso das Omnibus, com centenas de p\u00e1ginas e capa dura, o mercado atual oferece uma variedade de pre\u00e7os atrativo a v\u00e1rios bolsos, sendo que a s\u00e9rie de cole\u00e7\u00f5es &#8220;A Saga de&#8230;&#8221;, que a editora Panini inaugurou h\u00e1 alguns anos, um dos mais vi\u00e1veis economicamente, com diversos personagens e em uma encaderna\u00e7\u00e3o que n\u00e3o encarece tanto o produto. Para M\u00e1rio, &#8220;Essa cole\u00e7\u00e3o &#8216;A Saga de&#8230;&#8217; \u00e9 um tremendo acerto da Panini porque est\u00e3o oferecendo um material que, em formato americano, \u00e9 in\u00e9dito. E se n\u00e3o for in\u00e9dito, ainda assim est\u00e3o oferecendo por um pre\u00e7o muito mais acess\u00edvel, pois tem capa cart\u00e3o&#8221;, complementa o editor da Abril.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Saga do Superman\u201d retorna \u00e0s bancas em janeiro de 2024, ap\u00f3s uma pausa que foi anunciada h\u00e1 dois meses. Uma prova da imortalidade desse personagem cl\u00e1ssico que, em um &#8220;crime&#8221; mercadol\u00f3gico perfeito, ousaram matar h\u00e1 30 anos. No papo abaixo, Mario relembra o processo de lan\u00e7amento de \u201cA Morte do Super-Homem\u201d em 1993 e aprofunda sua experi\u00eancia dentro do mercado dos quadrinhos. Confira!<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78293\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem-Abril.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1061\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem-Abril.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem-Abril-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Mario, qual o per\u00edodo que voc\u00ea atuou como editor da revista mensal do Super-Homem, na primeira fase de publica\u00e7\u00e3o do personagem pela Editora Abril? Pode falar um pouco sobre como foi chegar ainda jovem \u00e0 editora e ter permanecido \u00e0 frente da revista de t\u00e3o emblem\u00e1tico personagem por tanto tempo?<\/strong><br \/>\nEu fui o editor da revista do Super-Homem do primeiro dia em que cheguei na Editora Abril at\u00e9 o \u00faltimo dia em que trabalhei l\u00e1. Quando cheguei, a primeira coisa que me passaram para fazer (isso sob a supervis\u00e3o de uma colega editora para ela ver se eu estava fazendo certo ou n\u00e3o) foi fechar uma revista do Super-Homem. A \u00faltima coisa que fiz antes de sair da Abril, no meu \u00faltimo dia, foi fechar uma revista do Super-Homem. Pelo menos em uma faixa a\u00ed de uns 40 anos, contando a editora Ebal, a Abril e, depois, a Panini, eu tive sorte de ter sido a pessoa que mais tempo trabalhou com um personagem. Fui o editor que passou mais tempo respons\u00e1vel pelo personagem e por ser o editor do Super-Homem. Provavelmente, o primeiro exemplar do Super-Homem que editei foi o 64. Se voc\u00ea chegar ali no m\u00eas de outubro de 1989, eu editei a revista que estava indo para a gr\u00e1fica. Provavelmente, foi a n\u00famero 64 da primeira s\u00e9rie da revista do Super-Homem que estava saindo pela Abril. A s\u00e9rie estreou junto com a revista do Batman, em 1984. A do Batman, infelizmente, foi cancelada no n\u00famero 10. J\u00e1 a do Super-Homem continuou at\u00e9 o n\u00famero 147. S\u00f3 n\u00e3o foi mais longe porque as revistas foram zeradas, mas n\u00e3o ficou nenhum m\u00eas sem sair um novo exemplar nesse per\u00edodo todo entre 1984 e 1996. Ent\u00e3o, quero dizer que durante todos os meses durante o meu per\u00edodo na Editora abril, que foi de 1989 at\u00e9 1997, eu editei pelo menos uma revista do Super-Homem. Por isso, dessa fase que saiu h\u00e1 30 anos, em 1993, naturalmente &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, a miniss\u00e9rie &#8220;Funeral para um Amigo&#8221;, a edi\u00e7\u00e3o especial &#8220;Super-Homem Al\u00e9m da Morte&#8221; e, finalmente, a miniss\u00e9rie em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es &#8220;O Retorno do Super-Homem&#8221;, tudo isso caiu no meu colo para que eu pudesse editar. Foram quadrinhos feitos com bastante carinho. A gente sabia que era algo importante. Isso porque t\u00ednhamos uma defasagem de tempo com rela\u00e7\u00e3o aos lan\u00e7amentos nos Estados Unidos. Ent\u00e3o, j\u00e1 sab\u00edamos o n\u00famero de vendas de l\u00e1. E s\u00f3 saiu antes da \u00e9poca, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cronologia, porque, como sempre acontecia, veio uma ordem da diretoria dizendo: &#8220;Olha, isso aqui est\u00e1 vendendo muito l\u00e1 fora. Publiquem o quanto antes!&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em uma fase pr\u00e9 internet, quando as revistas informativas voltadas para quadrinhos ainda n\u00e3o saiam no Brasil, a se\u00e7\u00e3o de cartas era uma fonte ideal de informa\u00e7\u00e3o para o leitor. Lembro que era voc\u00ea quem assinava as respostas das d\u00favidas dos leitores, inclusive.<\/strong><br \/>\nSim. Todas as se\u00e7\u00f5es de cartas que eu respondia, eu assinava. E, \u00e0s vezes, quando algu\u00e9m saia de f\u00e9rias, eu assinava na se\u00e7\u00e3o tradicional desse outro colega. Mas, dificilmente, quando eu sa\u00eda de f\u00e9rias, algu\u00e9m assinava por mim. Porque sempre fui muito fominha (risos). Eu adorava a se\u00e7\u00e3o de cartas. Ent\u00e3o, eu deixava tudo pronto. O que ia ao encontro e a favor do que o meu editor-chefe pensava. Isso porque ele preferia que n\u00f3s sa\u00edssemos de f\u00e9rias tendo antecipado um m\u00eas de trabalho para n\u00e3o sobrar nada para o outro editor. Pelo menos as se\u00e7\u00f5es de correspond\u00eancia, que foi algo abandonado com as inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, eu respondia. Tanto que ele ficava bravo porque \u00e0s vezes eu fazia quatro p\u00e1ginas de se\u00e7\u00e3o de cartas. Ele falava: &#8220;Pelo amor de Deus! N\u00e3o coloca tudo isso, n\u00e3o. Uma t\u00e1 bom, duas t\u00e1 \u00f3timo. N\u00e3o exagere!&#8221; E eu falava: &#8220;Olha, eu vou oferecer algo para o leitor. Eu n\u00e3o vou colocar, por exemplo, arte do leitor&#8221;. Sempre tive uma birra com a arte do leitor porque eu achava que s\u00f3 duas pessoas iriam gostar da arte do leitor: o leitor que mandou e a m\u00e3e dele. Porque nem o pai gosta (risos). J\u00e1 com uma se\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia, eu posso tirar a d\u00favida de uma pessoa e tirar a d\u00favida de v\u00e1rias. Ent\u00e3o, eu informo. Acho que \u00e9 mais democr\u00e1tico. Por isso sempre fiz se\u00e7\u00f5es de correspond\u00eancia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78296\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Funeral-do-Super-Homem.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Funeral-do-Super-Homem.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Funeral-do-Super-Homem-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Era not\u00f3rio para quem era colecionador naquele per\u00edodo saber da defasagem de tempo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hist\u00f3rias que eram publicadas no Brasil e as que eram publicadas no Estados Unidos. Voc\u00ea editava todo o material da DC e comentou que chegou a editar alguns da Marvel. Como era que funcionava essa quest\u00e3o log\u00edstica de publica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a essa defasagem?<\/strong><br \/>\nEu trabalhei com algumas revistas da Marvel, mas praticamente todos os t\u00edtulos da DC ficavam comigo. As revistas mensais da DC, mais a revista Super Powers, que era trimestral, era eu quem editava. Isso inclu\u00eda a revista em formato americano do Batman, que n\u00e3o era formatinho como todas as outras. Mas essa do Batman, eu comecei a editar a partir da n\u00famero tr\u00eas. Assim que eu cheguei, a revista estava em outras m\u00e3os, mas fizeram um ajuste muito correto. Era metade\/metade. Cada editor ficava respons\u00e1vel por parte das revistas da Marvel e de parte das revistas da DC. A DC tinha uma vantagem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Marvel porque, quando saiu a miniss\u00e9rie &#8220;Crise nas Infinitas Terras&#8221; (1986), as revistas da DC que saiam no Brasil ficaram com uma dist\u00e2ncia s\u00f3 de dois anos das que saiam nos Estados Unidos. As da Marvel estavam a cinco anos de dist\u00e2ncia. Uma defasagem grande. E naquele tempo, sem tecnologia digital, no tempo das m\u00e1quinas de escrever, dos filmes e fotolitos, o material f\u00edsico para produzir uma edi\u00e7\u00e3o demorava muito tempo para chegar at\u00e9 aqui. Porque ele era um material fotogr\u00e1fico. Era como uma foto que voc\u00ea pega na m\u00e3o, s\u00f3 que era uma foto em preto e branco da arte original do quadrinho americano. E aquilo vinha em volumes imensos, em bobinas imensas. E traziam v\u00e1rias revistas juntas naquelas bobinas de material em preto e branco. E era pesad\u00edssimo. Por isso, o jeito mais barato que a editora Abril encontrou era trazer de navio para o Brasil. Por terra era invi\u00e1vel, e de avi\u00e3o at\u00e9 daria, mas seria car\u00edssimo. E o tempo do navio para sair de l\u00e1 e chegar no Brasil era de seis meses. Ent\u00e3o, seria imposs\u00edvel publicar qualquer material com uma dist\u00e2ncia inferior a esses seis meses, a n\u00e3o ser que houvesse um gasto imenso. Com um gasto imenso, voc\u00ea realmente pode colocar em um avi\u00e3o um dia e no outro dia est\u00e1 chegando. S\u00f3 que, tamb\u00e9m, dependendo dessa tecnologia, n\u00e3o era imediatamente ap\u00f3s a impress\u00e3o e a publica\u00e7\u00e3o que os filmes ficavam liberados pelas editoras americanas. O material fotogr\u00e1fico, que tem o nome t\u00e9cnico de bromuro, que \u00e9 um material que traz a foto, para ser mais exato, do quadrinho original, da arte original em preto e branco. Para a editora americana, era t\u00e3o trabalhoso quanto mexer com filme. Isso at\u00e9 mesmo para fazer os contatos. Parece que tinha um tempo de resguardo das editoras para poder fazer isso. N\u00e3o era s\u00f3 acabar de imprimir e liberar em seguida para as editoras gringas, como a Abril, por exemplo. Era um pouco mais demorado. Ent\u00e3o, t\u00ednhamos que respeitar um espa\u00e7o de seis meses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu citei a se\u00e7\u00e3o de cartas como algo importante para os leitores se informarem na fase pr\u00e9-internet sobre o que estava saindo l\u00e1 fora. Imagino que esse acesso dif\u00edcil \u00e0 informa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m gerava um impacto na programa\u00e7\u00e3o de voc\u00eas quanto ao que se pretendia lan\u00e7ar ou n\u00e3o, bem como ao que seria vi\u00e1vel financeiramente se lan\u00e7ar ou n\u00e3o.<\/strong><br \/>\nVerdade. N\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos informados com uma velocidade t\u00e3o grande sobre o que estava acontecendo l\u00e1 fora, mesmo existindo publica\u00e7\u00f5es mensais como \u201cAmazing Heroes\u201d, a \u201cComic Scene\u201d, \u201cComics Buyer&#8217;s Guide\u201d, entre outras, que eram revistas jornal\u00edsticas e informativas sobre quadrinhos, com entrevistas com autores e mat\u00e9rias divulgando o que ia acontecer l\u00e1 fora. E a grande quest\u00e3o \u00e9 que voc\u00ea poderia acabar envolvido em uma s\u00e9rie que parecia promissora e, depois de um tempo, essa s\u00e9rie era cancelada. E n\u00f3s sempre publicamos muito menos t\u00edtulos do que o que sa\u00eda l\u00e1 fora. Porque eu era editor respons\u00e1vel por quatro revistas mensais onde entravam, no m\u00e1ximo, tr\u00eas hist\u00f3rias, tr\u00eas gibis americanos em cada uma dessas revistas. Ent\u00e3o, eu publicava mais ou menos doze t\u00edtulos mensais aqui no Brasil. Se voc\u00ea considerar que a Super Powers vinha com tr\u00eas hist\u00f3rias em m\u00e9dia, e poderia vir mais, mas em m\u00e9dia vinha com tr\u00eas hist\u00f3rias, em uma revista trimestral, digamos que se espalhasse as hist\u00f3rias que eu publicava em 13 t\u00edtulos por m\u00eas, talvez. Mas a gente tem que considerar que s\u00f3 o Super-Homem tinha quatro t\u00edtulos mensais l\u00e1 fora, e ele tinha uma revista pr\u00f3pria aqui que tinha seu p\u00fablico fiel. Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o podia correr o risco de embarcar em uma s\u00e9rie que seria brevemente cancelada no n\u00famero seis ou n\u00famero oito. N\u00e3o pod\u00edamos correr o risco de come\u00e7ar a publicar uma miniss\u00e9rie que, por ventura, teve algum atraso. Por exemplo, tem uma miniss\u00e9rie chamada \u201cBig Numbers\u201d, do Alan Moore, que lembro que saiu com um espa\u00e7amento enorme entre uma edi\u00e7\u00e3o e outra l\u00e1 fora. Tem um do Frank Miller e do Geof Darrow chamada \u201cHard Boiled\u201d, que saiu a n\u00famero 1 e a 2 e depois ficou s\u00e9culos para sair a n\u00famero 3. Ent\u00e3o, as editoras brasileiras n\u00e3o tinham como ficar esperando esse tempo todo para publicar alguma coisa. Vai sair uma miniss\u00e9rie, ela teria que ser mensal ou, no m\u00e1ximo, bimestral. N\u00e3o poderia se dar a esse luxo. Ent\u00e3o, esses seis meses serviam como uma dist\u00e2ncia de seguran\u00e7a para que n\u00e3o vi\u00e9ssemos a repetir as besteiras que os americanos fizeram. Ou seja, embarcar em uma s\u00e9rie que vai ser cancelada, ter um problema de atraso e assim por diante. Essa dist\u00e2ncia era um mal necess\u00e1rio. A gente tinha que fazer uma escolha. E n\u00e3o t\u00ednhamos direito de publicar material ruim. Isso era complicado. Mas nos permitia, inclusive, fazer an\u00e1lises como: &#8220;essa miniss\u00e9rie \u00e9 importante, mas ela n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o boa em termos de roteiro ou desenho. Ent\u00e3o, n\u00e3o compensa sair como miniss\u00e9rie, porque vai ser um fracasso. Vamos lan\u00e7ar dentro da revista mensal.&#8221; Ou ent\u00e3o uma situa\u00e7\u00e3o inversa: &#8220;Nossa, mas tem um arco de hist\u00f3rias aqui na revista mensal que est\u00e1 espetacular. E ele se sustenta como miniss\u00e9rie. Ent\u00e3o, vamos transformar em miniss\u00e9rie.&#8221; Havia tamb\u00e9m o fato de que, no ver\u00e3o americano, as revistas ficavam quinzenais. Ent\u00e3o, durante tr\u00eas meses, ao inv\u00e9s de sair 12 n\u00fameros l\u00e1 fora, saiam 15, porque tem seis edi\u00e7\u00f5es em tr\u00eas meses. E muitas vezes era uma saga de seis edi\u00e7\u00f5es. A Marvel fazia muito isso. Costum\u00e1vamos transformar essas seis edi\u00e7\u00f5es em um anual brasileiro. Isso era algo que n\u00e3o tinha at\u00e9 ent\u00e3o. Foi uma ideia nossa.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78297\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem_Dan-Jurgens.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem_Dan-Jurgens.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/A-Morte-do-Super-Homem_Dan-Jurgens-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curioso voc\u00ea falar sobre esse planejamento em rela\u00e7\u00e3o ao que seria lan\u00e7ado com um risco de n\u00e3o se vender e um eventual cancelamento de uma revista mensal acontecer. Em paralelo ao constante lan\u00e7amento da mensal do Super-Homem, o outro medalh\u00e3o da DC Comics, o Batman, n\u00e3o teve uma revista que durasse tanto tempo.<\/strong><br \/>\nSim. A revista do Super-Homem, na sua primeira s\u00e9rie pela Abril, foi do 1 ao 147, come\u00e7ando no ano de 1984 e indo at\u00e9 1996 com a edi\u00e7\u00e3o 147 (N.E. Naquele ano, houve um reboot e a revista foi relan\u00e7ada do n\u00famero zero). J\u00e1 o Batman teve quatro revistas. Por tr\u00eas vezes, o personagem teve um t\u00edtulo cancelado. Batman era um gibi que n\u00e3o vendia bem aqui no Brasil. Hoje em dia, curiosamente, \u00e9 o que mais vende, somando Marvel e DC. Mas ele n\u00e3o vendia naquela \u00e9poca tanto assim. E era uma revista que chegava em uma linha de corte. Se vendesse menos de 50 mil exemplares por um per\u00edodo de 4 a 6 meses, vinha a ordem da diretoria: esse gibi tinha que ser cancelado. Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o tinha direito de publicar coisa ruim. N\u00e3o t\u00ednhamos o direito de publicar coisa que o leitor n\u00e3o queria. Curioso que o Batman era uma revista que, historicamente, vendia de forma espetacular os n\u00fameros 1 e 2, mas, depois, ela vinha em uma descida muito r\u00e1pida. A primeira s\u00e9rie durou at\u00e9 o n\u00famero 10 (N.E. Lan\u00e7ada em julho de 1984, foi cancelada ap\u00f3s dez n\u00fameros em abril de 1985). A segunda s\u00e9rie foi at\u00e9 o 16 (N.E. Lan\u00e7ada em setembro de 1987, foi cancelada ap\u00f3s dezesseis edi\u00e7\u00f5es em dezembro de 1988). A terceira s\u00e9rie, que foi lan\u00e7ada em formato americano, teve um n\u00famero 0 e foi at\u00e9 o 29 (N.E. Lan\u00e7ada na \u00e9poca do filme do Tim Burton, o exemplar zero chegou \u00e0s bancas em janeiro de 1990 e durou at\u00e9 junho de 1992). Somente em 1995, com \u201cA Queda do Morcego\u201d, que as coisas mais ou menos se consolidaram e a\u00ed o Batman passou a ter n\u00e3o s\u00f3 uma revista, mas um pouco mais pra frente, duas revistas mensais. Em rela\u00e7\u00e3o a outros personagens da DC, me lembro que houve um per\u00edodo de dois a tr\u00eas anos nos quais capas com o Flash e com a Mulher Maravilha ficaram sem sair. A editora n\u00e3o tinha dinheiro para fazer pesquisa. Porque para fazer pesquisa, era necess\u00e1rio mandar um poss\u00edvel encarte nas revistas e pagar o porte dos Correios para o leitor poder mandar de volta aquele formul\u00e1rio com a pesquisa. Ent\u00e3o, a gente descobria que os leitores n\u00e3o gostavam de determinado personagem n\u00e3o pelas cartas, porque muita gente tinha pregui\u00e7a de escrever. Era at\u00e9 representativo, mas n\u00e3o o suficiente. A gente descobria isso quando determinados personagens iam para a capa da revista e as vendas caiam. E o Flash e a Mulher Maravilha, quando iam para a capa de algumas revistas, as vendas caiam. Era assim que a gente descobria que aquele personagem n\u00e3o era querido pelos leitores da \u00e9poca e assim por diante.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78304\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/super-homem-vs.-apocalipse.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"422\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/super-homem-vs.-apocalipse.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/super-homem-vs.-apocalipse-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre essa cronologia ajustada para dois anos de defasagem em rela\u00e7\u00e3o ao que era publicado pela DC Comics nos Estados Unidos. Ap\u00f3s o lan\u00e7amento de &#8220;A Morte do Super-Homem\u201d l\u00e1 fora e toda febre midi\u00e1tica que rolou, como foi lidar com a decis\u00e3o da Editora Abril em publicar por aqui o quanto antes?<\/strong><br \/>\nO pessoal da diretoria tinha a vontade de publicar logo &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, e eles eram bem instru\u00eddos sobre as dificuldades editoriais. Sabiam que, mesmo com o sucesso l\u00e1 fora, antes de seis meses, n\u00e3o seria publicado. Ent\u00e3o, at\u00e9 liberarem esse material, os filmes, como eu expliquei, e que vinham de navio, o momento entre a publica\u00e7\u00e3o l\u00e1 fora e quando saiu aqui, demorou um pouquinho. Ent\u00e3o, eram dois detalhes. Sab\u00edamos que n\u00e3o tinha como publicar t\u00e3o imediatamente. J\u00e1 o outro detalhe era que ia atrapalhar toda a quest\u00e3o da cronologia. Porque, para quem n\u00e3o acompanha os super-her\u00f3is, \u00e9 uma grande novela, pois o que acontece na revista de um personagem pode afetar ou n\u00e3o a vida de outros. Al\u00e9m disso, existem as sagas que envolvem todos os personagens e todo mundo tem que estar mais ou menos ao mesmo tempo para que cada um, na sua pr\u00f3pria revista, participe daquela saga, daquele evento que est\u00e1 abalando a Terra ou o universo naquele momento. S\u00e9rgio Figueiredo, que era o editor-chefe da Abril, sempre teve uma excelente vis\u00e3o de mercado. E \u00e9 aquela coisa, claro, do manda quem pode, obedece quem tem ju\u00edzo, mas ele realmente achava que sim, que compensava fazer aquele planejamento, adiantar o processo e lan\u00e7ar logo &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;. Porque, afinal de contas, o importante \u00e9 voc\u00ea vender, \u00e9 voc\u00ea mostrar servi\u00e7o. \u00c9 voc\u00ea mostrar para a sua editora que as suas publica\u00e7\u00f5es, que aquela reda\u00e7\u00e3o que tinha pelo menos quinze pessoas empregadas, era uma reda\u00e7\u00e3o que dava lucro. Que estava justificando ter quinze sal\u00e1rios sendo pagos ali, com todos os encargos, e assim por diante. Lembro que ele me perguntou o que eu achava. Se voc\u00ea ler <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/02\/16\/entrevista-manoel-de-souza-fala-sobre-o-imperio-dos-gibis-que-conta-a-historia-dos-quadrinhos-da-editora-abril\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o livro do Manoel de Sousa e do Maur\u00edcio Muniz, \u201cO Imp\u00e9rio dos Gibis\u201d<\/a>, ali tem uma coloca\u00e7\u00e3o minha: &#8220;Se depender de mim, sou contra&#8221;. Por que o que vamos fazer? Vamos privar o leitor de todo o material que tem entre o agora e esse salto narrativo? A gente vai para frente e depois volta e publica o que n\u00e3o saiu? Porque isso a\u00ed, na verdade, \u00e9 uma febre do momento. Se gente for publicar seis meses depois, a febre j\u00e1 vai ter passado, porque na imprensa, as coisas duram. Por exemplo, a gente perdeu uma figura important\u00edssima na virada do ano passado que foi o Pel\u00e9. Mas a gente n\u00e3o passa o ano todo dia discutindo na imprensa a aus\u00eancia do Pel\u00e9 ou a import\u00e2ncia que ele teve em vida ou as conquistas dele. N\u00f3s n\u00e3o estamos todo dia fazendo isso, porque chegam outras not\u00edcias. Ent\u00e3o, existem perdas sentidas de pessoas significativas e que contribu\u00edram e muito para uma \u00e1rea da sociedade e da nossa cultura, mas a vida segue. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o via justificativa de publicar algo no m\u00ednimo seis meses depois. Acabou saindo um ano depois por uma febre que era tempor\u00e1ria. Para mim, n\u00e3o fazia o menor sentido. Eu era contra. Com uma cronologia t\u00e3o ajustada com todos os personagens. Naquele momento, a DC estava com dois anos de dist\u00e2ncia. Ent\u00e3o, digamos que em outubro de 1993, estavam saindo todas as revistas de outubro de 1991.Estava tudo alinhado, m\u00eas a m\u00eas. Estava muito bem orquestrado. Falei que era veementemente contra. Mas, como editor, eu n\u00e3o tomo a decis\u00e3o final. Mas, como a gente ia ter que fazer, obviamente, como tudo que fizemos ali, n\u00f3s nos dedicamos a fazer o melhor poss\u00edvel para que o leitor de sempre fosse privilegiado e respeitado, e visando, tamb\u00e9m, o leitor ocasional, que \u00e9 o que t\u00ednhamos que atrair.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78298\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-3-300x212.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-3-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Imagino que a cobertura midi\u00e1tica ajudou a atrair muitos desses novos leitores. Eu fui um deles, inclusive.<\/strong><br \/>\nSim. Afinal, saiu em v\u00e1rios canais. O SBT fez um funeral simulado com um caix\u00e3o de papel\u00e3o e coisas assim (risos). Ocupou espa\u00e7o importante nos nossos jornais. Foi para o caderno dois do Estado de SP, para a Folha Ilustrada, e tantos outros jornais em todo o Brasil. Houve uma repercuss\u00e3o grande aqui no Brasil do que a imprensa dos Estados Unidos estava publicando sobre o lan\u00e7amento. Muitas imagens (repercutidas aqui) foram pegas l\u00e1 fora. Tinha entrevista com o Mike Carlin, que era o editor na DC Comics \u00e0 \u00e9poca, e com os criadores, como Jerry Ordway e Dan Jurgens. A imprensa (brasileira) repercutiu no momento contando o que aconteceu e fazendo o voice over, aquela dublagem em cima dos editores e artistas falando sobre o lan\u00e7amento e as repercuss\u00f5es. E foi justamente essa repercuss\u00e3o midi\u00e1tica no Brasil, associada \u00e0 tremenda vendagem, respons\u00e1vel para que a Abril tomasse a decis\u00e3o de lan\u00e7ar o quanto antes. Certamente v\u00e1rios curiosos iam querer comprar o quadrinho para ler. Outros iam querer comprar para ter e outros que tinham parado de ler quadrinhos do Super-Homem iam querer voltar a ler por gostar do personagem e ficarem curiosos sobre a hist\u00f3ria da morte. E a partir do momento que ia sair de qualquer jeito, come\u00e7amos ali uma opera\u00e7\u00e3o para preparar o terreno para atender a esses dois p\u00fablicos diferentes, que \u00e9 o leitor de sempre e o n\u00e3o leitor, para que ele n\u00e3o sentisse que pegou o bonde andando. A ideia era explicar da melhor forma poss\u00edvel para esses novos leitores como \u00e9 que estava o personagem e assim por diante para que ele n\u00e3o sentisse a necessidade de comprar dezenas de gibis antigos para saber o que estava acontecendo no momento da morte. At\u00e9 o lan\u00e7amento, onde meses depois,ficou aquela contagem regressiva de quando ia chegar, de quando ia ser publicado. O lan\u00e7amento no Brasil teve um impacto nos jornais, mas bem menor em termos de m\u00eddia. Obviamente, claro, tivemos um impacto de vendagem que foi absurdo. Foi o gibi de super-her\u00f3i que mais vendeu at\u00e9 hoje no Brasil. A Abril vendeu 250 mil exemplares de &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; e mais 50 mil exemplares do Kit &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, que vinha com uma s\u00e9rie de mimos. \u00c9 um n\u00famero gigante que n\u00e3o foi alcan\u00e7ado at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A revista \u201cMan of Steel\u201d n\u00famero 18, com o come\u00e7o da hist\u00f3ria com \u201cA Morte do Super-Homem\u201d, saiu nos Estados Unidos em novembro de 1992. Em que momento voc\u00eas tiveram acesso a esse material e come\u00e7aram a planejar, ap\u00f3s o impacto da imprensa, o lan\u00e7amento no Brasil?<\/strong><br \/>\nO gibi impresso que sa\u00eda nos Estados Unidos a gente recebia at\u00e9 mesmo antes que o leitor americano. Porque, pelo contrato, tanto a Marvel quanto a DC, e at\u00e9 mesmo editores que n\u00e3o tinha contrato com a Abril, mas queriam que a Abril publicasse o material dela, sempre mandavam os materiais para a gente assim que saiam da gr\u00e1fica. Mandavam sempre dois exemplares ou mais. Ent\u00e3o, para ler e estarmos informados sobre o que estava acontecendo, a gente recebia no mesmo m\u00eas que o leitor americano. Mas, como eu disse antes, n\u00e3o era o gibi que a gente usava para a impress\u00e3o, era o filme. Era a foto. Ent\u00e3o, o material come\u00e7ou a chegar, mas a grande quest\u00e3o era outra. Como \u00edamos lan\u00e7ar um encadernado com o conte\u00fado completo, n\u00e3o adiantaria ter em dezembro, que eles poderiam mandar se viesse direto, mas, ainda assim, em dezembro havia sa\u00eddo s\u00f3 o come\u00e7o da saga. E para que o leitor, e principalmente o n\u00e3o leitor, tivesse tudo na m\u00e3o, tivesse aquilo que viria a ser um encadernado de 160 p\u00e1ginas com \u201cA Morte do Super-Homem\u201d, a gente precisaria mais ou menos ter umas oito revistas que fariam a composi\u00e7\u00e3o da saga completa. Ent\u00e3o, foi preciso esperar. E para ter um custo melhor em termos de frete, era interessante que a gente recebesse v\u00e1rias revistas ao mesmo tempo. As pessoas que lidam com frete hoje em dia, compram de diversos locais, seja direto de uma editora ou de uma empresa ou de locais de venda m\u00faltipla. Voc\u00ea sabe que se a compra for acima de um valor, tem frete gr\u00e1tis. Do mesmo jeito que se voc\u00ea lida com Correios, voc\u00ea tem que fazer muitas remessas por m\u00eas e assinar um contrato. Assim, se voc\u00ea mandar 1kg, \u00e9 o mesmo pre\u00e7o de 10kg. Ent\u00e3o, compensava mais esperar completar 10kg, ou no caso uns 100kg, porque era muito pesado aquele material. Se por 10kg voc\u00ea paga o mesmo que por 100kg, ent\u00e3o, voc\u00ea espera juntar 100kg. Era o que acabava acontecendo. Ent\u00e3o, a chegada do material n\u00e3o foi t\u00e3o a conta gotas porque n\u00e3o chegava s\u00f3 uma revista. Chegavam as quatro revistas do m\u00eas que tinham o Super-Homem como personagem principal. O que saiu na edi\u00e7\u00e3o de 160 p\u00e1ginas publicada pela Abril h\u00e1 30 anos foi o que havia sido publicado pela DC Comics nos Estados Unidos durante dois meses, no m\u00e1ximo tr\u00eas. Porque s\u00e3o os quatro t\u00edtulos do Super-Homem em um m\u00eas, mais os quatro do m\u00eas seguinte. Eram a as revistas &#8220;Superman&#8221;, a &#8220;Adventures of Superman&#8221;, a &#8220;Action Comics&#8221; e a revista nova \u00e0 \u00e9poca, a &#8220;Man of Steel&#8221;. Ent\u00e3o, o que saiu no encadernado &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; em novembro de 1993 pela Abril foram as oito edi\u00e7\u00f5es que haviam sido publicadas nos Estados Unidos naquele final de 1992 e in\u00edcio de 1993.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78300\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Omnibus-Panini.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1061\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Omnibus-Panini.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Omnibus-Panini-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Relendo a reedi\u00e7\u00e3o recente em formato Omnibus que a Panini publicou, vi alguns momentos que n\u00e3o estavam na edi\u00e7\u00e3o em formatinho lan\u00e7ada h\u00e1 30 anos. Como foi esse processo de edi\u00e7\u00e3o de pontos que poderiam prejudicar a leitura, uma vez que havia uma defasagem de dois anos para o que saia no Brasil?<\/strong><br \/>\nTivemos o cuidado de tirar algumas p\u00e1ginas que seriam spoiler. Refletimos a respeito e acabamos n\u00e3o incluindo. Mas quando digo spoiler, me refiro a fatos corriqueiros, de personagens, da vida particular do Clark Kent ou coadjuvantes, mas coisas que n\u00e3o interferiam de forma alguma na narrativa da saga da morte e que seriam importantes para o leitor de sempre. Ent\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 um leitor ocasional, se voc\u00ea v\u00ea essas p\u00e1ginas perdidas, voc\u00ea se perguntava quem era aquele personagem estranho, o que ele est\u00e1 fazendo, por que ele est\u00e1 reclamando disso. E isso n\u00e3o ia contribuir em nada para o leitor ocasional. Para o leitor de sempre, ia ser um spoiler. O que foi feito com essas p\u00e1ginas? Elas foram devolvidas ao longo dos meses na \u00e9poca certa em que elas poderiam ser publicadas no meio de outras hist\u00f3rias. Assim, a gente n\u00e3o estragava a surpresa para o leitor de sempre, e n\u00e3o entregava o que poderia ser um motivo para o leitor novo n\u00e3o gostar por n\u00e3o estar entendendo quem eram aqueles personagens. Ent\u00e3o, fizemos uma prote\u00e7\u00e3o para os dois lados. Voc\u00ea n\u00e3o estraga as surpresas para o leitor, e voc\u00ea n\u00e3o entrega o que n\u00e3o interessa. O leitor ocasional est\u00e1 ali para ver &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, ent\u00e3o, apenas as circunst\u00e2ncias envolvendo diretamente o acontecimento foram publicadas. Porque as oito edi\u00e7\u00f5es somavam 176 p\u00e1ginas. Eram revistas de 22 p\u00e1ginas cada. Sendo que a revista Superman 75 tinha at\u00e9 mais do que isso. Ent\u00e3o, p\u00e1ginas precisaram ser cortadas, mas, ao contr\u00e1rio de um costume da \u00e9poca, e que as pessoas tanto reclamam hoje, ali foi cortado para poder ser devolvido em um outro momento. E todas essas p\u00e1ginas que n\u00e3o entraram em &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; foram devolvidas ao leitor na revista mensal do personagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E eu me lembro de ter lido um texto explicativo em alguma das edi\u00e7\u00f5es mensais, inclusive.<\/strong><br \/>\nVerdade. Eu redigi um texto em algum momento no qual eu explicava ao leitor na revista mensal o que estava acontecendo para ele poder entender. E tamb\u00e9m h\u00e1 alguns outros detalhes. Do mesmo jeito que eu tirei p\u00e1ginas de &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; que n\u00e3o tinham nada a ver com a hist\u00f3ria e que s\u00f3 iam estragar a vida do leitor e n\u00e3o iam contribuir em nada para o n\u00e3o-leitor, e eu as devolvi mais pra frente, nas revistas americanas que antecedem essas oito hist\u00f3rias, que s\u00e3o a reta final para a hist\u00f3ria da morte, havia p\u00e1ginas que mostravam a chegada do vil\u00e3o Apocalipse. Eram quadros com um punho esmurrando uma parede de metal, que eram o local onde ele estava preso. Essas p\u00e1ginas sa\u00edram nas publica\u00e7\u00f5es anteriores a essas oito revistas da reta final. Decidimos, ent\u00e3o, public\u00e1-las nas revistas do presente. Ent\u00e3o, o leitor que acompanhava a revista mensal do Super-Homem na ordem cronol\u00f3gica normal teve acesso a essas p\u00e1ginas porque elas eram foram sendo colocadas ali para que tivessem a mesma experi\u00eancia do leitor americano sobre estar chegando alguma coisa. Mas, claro, o leitor brasileiro j\u00e1 sabia o que era, porque j\u00e1 estava noticiado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Livro O IMP\u00c9RIO DOS GIBIS\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kg5RmFD_6lo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lendo o livro \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/02\/16\/entrevista-manoel-de-souza-fala-sobre-o-imperio-dos-gibis-que-conta-a-historia-dos-quadrinhos-da-editora-abril\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Imp\u00e9rio dos Gibis<\/a>\u201d, h\u00e1 um trecho sobre um b\u00f4nus pago aos funcion\u00e1rios por conta do sucesso das vendas e que o mesmo ajudou a arrefecer certo clima pesado que aconteceu antes entre funcion\u00e1rios e diretoria. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nDentro n\u00e3o s\u00f3 da minha reda\u00e7\u00e3o, mas das outras reda\u00e7\u00f5es, o clima era bom. O clima ruim era uma oposi\u00e7\u00e3o entre pessoas que ali estavam e as pessoas em cargos superiores que tinham uma quest\u00e3o de defasagem. \u00c9 importante lembrar que, naquele come\u00e7o de 1993, ainda faltava um ano e meio para o Plano Real. Tivemos v\u00e1rios momentos de fa\u00edscas, mas quem resolvia essas quest\u00f5es era o sindicato. Ent\u00e3o, o clima de animosidade era aquele tradicional entre o sindicato que est\u00e1 representando determinada categoria, como o dos jornalistas ou dos gr\u00e1ficos e propriet\u00e1rios ou dire\u00e7\u00e3o, e assim por diante. Mas dentro da reda\u00e7\u00e3o, como era \u00e9poca de infla\u00e7\u00e3o alta, per\u00edodo precede o Plano Real, essas rusgas eram reais e sempre aconteciam pr\u00f3ximas da data do reajuste anual dos sal\u00e1rios, que era quando se buscava resgatar perdas referentes \u00e0 infla\u00e7\u00e3o. Mas o clima na reda\u00e7\u00e3o sempre foi bom, independente do que estivesse acontecendo fora. Porque eram pessoas fazendo o que gostavam muito. Esse b\u00f4nus que acabou vindo depois era algo que nunca foi prometido, na verdade, foi uma surpresa. Ent\u00e3o, ele n\u00e3o teria como ter um impacto na gente se n\u00e3o prometeram. Quando chegou, foi em um fim de ano e foi comentado como algo da produ\u00e7\u00e3o geral. N\u00e3o foi por causa s\u00f3 de uma revista. Pelo que entendemos na \u00e9poca, foi algo que toda a Editora Abril havia recebido. Enfim, est\u00e1vamos felizes ali com o nosso b\u00f4nus. Mas o clima estava bom o tempo todo e a gente realmente se dedicou a fazer o melhor. Mas n\u00e3o por ser uma revista que a gente achava que ia vender muito (e vendeu!), mas porque a gente tentava fazer o melhor, mesmo, para cada revista. A gente tinha um n\u00edvel de perfeccionismo bem dosado, bem focado no trabalho, sem exageros, para tentar oferecer o melhor para o leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na entrevista que fiz em 2021 com o Manoel de Sousa, falamos sobre os cortes que aconteceram na ocasi\u00e3o do lan\u00e7amento de \u201cGuerras Secretas\u201d por conta de personagens ainda in\u00e9ditos no Brasil. \u00c9 um assunto bem pol\u00eamico entre os leitores. Voc\u00ea teve algum problema relacionado \u00e0s escolhas nos cortes que aconteceram em &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s podemos ter v\u00e1rias opini\u00f5es sobre isso e eu respeito muito todas porque s\u00e3o linhas de pensamento. Tem gente que \u00e9 mais purista, que acha que n\u00e3o se mexe de forma alguma, n\u00e3o se toca, n\u00e3o se altera, n\u00e3o se facilita, \u00e9 100% fiel. N\u00e3o se ajuda tanto o leitor e tem que ser exatamente a ideia dos autores originais E tem a linha que \u00e9 pr\u00f3 facilita\u00e7\u00e3o ao leitor, etc. Enfim, eu considero linhas diferentes. N\u00e3o considero nenhuma certa ou errada, mas temos que escolher uma linha e seguir. E ali tivemos que escolher a de facilitar para o leitor. Mas eu respeito muito quem fala sobre n\u00e3o fazer cortes. Eu sempre falo que, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 revista &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, pelo menos, tudo o que foi cortado foi devolvido. Ent\u00e3o, est\u00e1 tudo certo. Tem uns materiais que. infelizmente ali, principalmente antes de eu chegar, foram cortados. Quando eu cheguei, j\u00e1 dei a sorte de as coisas estarem mais encaminhadas e j\u00e1 n\u00e3o tinham tantos cortes. Mas havia a filosofia de cortes. Posso ter tomado a decis\u00e3o certa sob alguns pontos de vista de algumas pessoas, mas respeito muito quem considera errado. Mas, basicamente, eu acho que precisa ter a no\u00e7\u00e3o do momento em que isso aconteceu.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78302\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-1-300x212.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-1-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Super-Homem j\u00e1 era, em 1989, quando voc\u00ea assumiu como editor, um s\u00edmbolo da Cultura Pop que acabara de completar 50 anos. A equipe da Abril e, particularmente voc\u00ea, tinha essa no\u00e7\u00e3o do poder de influ\u00eancia daquele personagem na vida das pessoas? Como isso influenciava no trabalho de voc\u00eas dentro da reda\u00e7\u00e3o? E qual foi o impacto, para al\u00e9m das vendas, claro, do lan\u00e7amento de \u201cA Morte do Super-Homem\u201d \u00e0 \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nFalando do Super-Homem especificamente, j\u00e1 existiam her\u00f3is na cultura pop, seja nos romances pulp, sejam nas novelas de r\u00e1dio, sejam nos pr\u00f3prios quadrinhos. Ent\u00e3o, a gente j\u00e1 tinha Buck Rogers, Tarzan, Fantasma \u2013 O Esp\u00edrito que Anda, e assim por diante. Mas o primeiro super-her\u00f3i, algu\u00e9m com poderes, foi o Super-Homem. E a\u00ed desencadeou uma s\u00e9rie de coisas. O Super-Homem tem um impacto gigante. Um personagem criado em 1938, com mais de 80 anos de exist\u00eancia, e que chegou a todos os meios. Ele rapidamente foi transformado em desenho animado, em novela de r\u00e1dio, e assim por diante. Depois, claro, virou seriado de cinema, virou filme de cinema, virou seriado de TV. E tem os mais diferentes produtos relacionados. S\u00e3o lancheiras, cadernos, jogos de videogame. H\u00e1 um impacto do personagem. Para n\u00f3s, somos pessoas que tivemos a sorte de estar no lugar certo e na hora certa. Porque n\u00e3o foi a gente que teve a ideia de chegar e publicar &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;. N\u00f3s est\u00e1vamos cuidando, o melhor poss\u00edvel, dentro dos nossos limites humanos e profissionais, de cada personagem que est\u00e1vamos fazendo. A sorte de todos, eu acho, \u00e9 que, dentro da minha reda\u00e7\u00e3o, cada pessoa ali j\u00e1 era um agente do outro lado antes de ser contratado. Cada pessoa ali era um f\u00e3, era um leitor, que ia dar o melhor. Ningu\u00e9m estava ali achando que aquilo era apenas um emprego, com pensamentos do tipo: &#8220;Ah, isso aqui \u00e9 apenas tempor\u00e1rio. Eu n\u00e3o quero fazer isso para o resto da vida.&#8221; N\u00e3o! Todo mundo estava ali muito a fim de fazer o que estava fazendo. E com muito amor e muita paix\u00e3o e muita consci\u00eancia de quem era cada um daqueles personagens, por mais obscuros que fossem, ou fossem coadjuvantes, e assim por diante. Ent\u00e3o, era algo feito de leitores com a sorte de estar dentro de uma reda\u00e7\u00e3o, para leitores que estavam do outro lado lendo. E a gente ficava feliz com os resultados, mas ningu\u00e9m ali saiu se achando um pop star porque fez o que fez. Seja o lan\u00e7amento de &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;, que foi, realmente, o maior sucesso de vendagens, seja o lan\u00e7amento de &#8220;A Queda do Morcego&#8221;, seja o lan\u00e7amento da Image Comics, quando teve, depois, a revolu\u00e7\u00e3o dos autores da Image, e assim por diante. Os personagens sempre foram infinitamente maiores do que qualquer pessoa que estivesse ali. E acredito que muito provavelmente deva ser assim. Porque as pessoas compram a revista por causa do Super-Homem, n\u00e3o por causa do Mario. E na verdade, entravam e saiam editores ou revisores ou editores de arte, ou artistas de capa, alguma coisa assim, com alguma frequ\u00eancia. N\u00e3o era uma gigantesca rotatividade, mas existia a rotatividade. E isso n\u00e3o refletia na vendagem da revista. &#8220;Ah, trocou o editor, a revista vai vender mais ou menos.&#8221; N\u00e3o. Nenhum de n\u00f3s nunca brilhou mais que nenhum personagem. E nunca foi o objetivo que nenhum de n\u00f3s brilhasse mais. De todo mundo que lia, alguns leitores na \u00e9poca sabiam quem eram os editores. Isso porque havia pessoas que liam a se\u00e7\u00e3o de cartas. Mas tinha pessoas que preferiam que tivesse mais p\u00e1ginas de quadrinhos ali, ou um p\u00f4ster ou um labirinto para voc\u00ea fazer com um l\u00e1pis para preencher, ou alguma coisa assim. Qualquer coisa que n\u00e3o fosse propaganda, porque a propaganda sempre foi necess\u00e1ria para sustentar as vendas, mas quem est\u00e1 como consumidor n\u00e3o que ficar vendo uma propaganda pela frente. A pessoa quer assistir a um filme sem intervalo comercial, por exemplo. Mas as TVs abertas, por exemplo, n\u00e3o t\u00eam como se sustentar dessa forma. Ent\u00e3o, dos leitores da \u00e9poca, poucos, bem poucos, sabiam quem eram os editores. Quem dir\u00e1 se a pessoa ia se dedicar \u00e0quela letra min\u00fascula em corpo 5 ou 6 que est\u00e1 dizendo quem que \u00e9 o editor de arte, a assistente de arte, o letrista, o respons\u00e1vel pelas correspond\u00eancias. Nesses tempos pr\u00e9 internet, pr\u00e9 digital, era com cartas, mesmo, para colocar nos Correios, e assim por diante. Ent\u00e3o, assim, naquela \u00e9poca, poucos sabiam quem n\u00f3s \u00e9ramos. Em um universo t\u00e3o grande, lembrando que se, com 50 mil para menos, cancelavam uma revista, ent\u00e3o, sempre tinham 50 mil pessoas ou mais te acompanhando. Mas dessas 50 mil pessoas, talvez 500 ou mil soubessem quem voc\u00ea era. N\u00e3o sa\u00edamos em turn\u00ea no Brasil fazendo palestras. N\u00e3o sa\u00edamos em programas de audit\u00f3rio ou de entrevistas como o Programa do J\u00f4. Ningu\u00e9m ficou mais famoso por isso. E ningu\u00e9m ficou mais rico por isso. A gente n\u00e3o tinha participa\u00e7\u00e3o nos lucros. O b\u00f4nus, como eu falei, foi aquela coisa. Legal que veio, mas, para a gente, na \u00e9poca, era uma coisa que nem entend\u00edamos direito porque est\u00e1vamos recebendo. Mas, claro, est\u00e1vamos felizes. Ent\u00e3o, assim, ningu\u00e9m teve uma auto-imagem aumentada por causa disso. Temos a alegria de ter realizado um trabalho bem-feito, e, no nosso caso, com personagens que a gente gosta tanto. S\u00e3o boas hist\u00f3rias para contar em uma roda de amigos, para contar para filhos, netos. Mas, realmente, ningu\u00e9m convida algu\u00e9m que esteve envolvido no lan\u00e7amento de &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; h\u00e1 30 anos para participar de um congresso, de um evento de quadrinhos, para falar sobre isso. Ent\u00e3o, do mesmo jeito que o impacto beira a zero, n\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o esper\u00e1vamos que tivesse um impacto pessoal grande. N\u00e3o teve. E tamb\u00e9m n\u00e3o havia ningu\u00e9m frustrado com isso, porque ningu\u00e9m esperava nada a mais.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78309\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"513\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2-1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2-1-300x205.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Hoje, claro, existe muito da quest\u00e3o sentimental, nost\u00e1lgica e de puro colecionismo em rela\u00e7\u00e3o aos formatinhos. H\u00e1 todo um mercado voltado para isso, inclusive. Mas a Abril inovou durante os anos 1980 imprimindo quadrinhos em formato original (o chamado &#8220;formato americano&#8221;). Como se dava essa decis\u00e3o do que ia sair em formatinho e o que ia sair em formato americano naquele per\u00edodo? Havia uma prefer\u00eancia sobre qual era o melhor ou qual formato o leitor preferia? Por exemplo, revistas como a &#8220;Monstro do P\u00e2ntano&#8221;, ou a terceira s\u00e9rie da revista &#8220;Batman&#8221;, a &#8220;Conflito do Vietn\u00e3&#8221; e a &#8220;Fabulosos X-Men&#8221; passaram por qual crivo para terem formato americano como o escolhido?<\/strong><br \/>\nAs pessoas perdem muito tempo discutindo se formatinho \u00e9 melhor, se o formato americano \u00e9 melhor, e o formato americano \u00e9 melhor porque quanto maior o gibi, melhor. Quanto mais qualidade de impress\u00e3o, melhor. S\u00f3 que o formatinho era o que permitia caber no bolso do maior n\u00famero de brasileiros poss\u00edvel. O formatinho \u00e9 fruto de um total aproveitamento da folha de papel industrial. N\u00e3o havia perda, porque, com o formatinho, pegamos uma folha de papel industrial e utilizamos totalmente. Se voc\u00ea pegar um jornal como o Estado de S\u00e3o Paulo ou o Estado de Minas, por exemplo, a folha de papel industrial \u00e9 do tamanho de duas p\u00e1ginas de jornal abertas. E o formatinho \u00e9 o resultado da dobra daquela p\u00e1gina podendo chegar a blocos de 16 p\u00e1ginas. E por isso as revistas tinha 16, 32, 48, 64 ou 80 p\u00e1ginas. Porque elas eram cadernos de 16 p\u00e1ginas com aproveitamento de 100% do papel. Ent\u00e3o, era o que se permitia \u00e0 \u00e9poca. E isso barateava absurdamente e permitia que fossem impressos uma quantidade de dezenas de milhares de gibis com um pre\u00e7o acess\u00edvel. E \u00e9 por isso que dezenas de milhares, em v\u00e1rios casos, e um pouco mais de uma centena de milhares, como \u00e9 o caso da revista mensal do Homem-Aranha, da revista Espada Selvagem de Conan, e em alguns momentos, da revista dos X-Men, no Brasil inteiro, conseguiam ter acesso. Sendo que hoje em dia, uma revista que vende 5 mil exemplares \u00e9 considerada sucesso e as que mais vendem, em rela\u00e7\u00e3o a quadrinhos de super-her\u00f3is e que vendiam dezenas de milhares naquela \u00e9poca, hoje vendem 3 a 5 mil, e o mais bem sucedido, 10 mil exemplares. Cada revista em formato americano acabava tendo um motivo para ela ser em formato americano. Quando cheguei, tinha a revista do Batman em formato americano. J\u00e1 havia sa\u00eddo a n\u00famero zero, e as n\u00fameros 1, 2. Fizemos da n\u00famero 3 at\u00e9 a n\u00famero 29. Como disse antes, quando cheguei, aquela j\u00e1 era a terceira s\u00e9rie de revistas mensais do Batman. A s\u00e9rie 1, foi lan\u00e7ada em 1984 e cancelada na n\u00famero 10. A segunda s\u00e9rie saiu em 1987 e foi do 1 ao 16, sendo cancelada. A de formato americano era a terceira s\u00e9rie. Saiu na ocasi\u00e3o do cinquenten\u00e1rio do personagem, em 1989, ano em que teve o filme do Tim Burton. O filme, inclusive, fez um tremendo sucesso fora e aqui no Brasil. Mas, assim, qualquer impacto que ele tenha tido, ele ajuda a vender o que? A adapta\u00e7\u00e3o oficial do filme, que saiu junto na \u00e9poca, e ajuda a vender os primeiros n\u00fameros da revista mensal. Mas n\u00e3o \u00e9 uma coisa que dura para sempre. Seis meses depois, a revista est\u00e1 vendendo normal e, no caso, como cancelou na n\u00famero 29, dois anos e meio depois ela foi encerrada pela Abril por causa dos resultados nas vendas. Era um fen\u00f4meno muito pontual. E naquele per\u00edodo, tamb\u00e9m, foram lan\u00e7adas miniss\u00e9ries especiais em formato americano, como a &#8220;Batman &#8211; O Messias&#8221;, &#8220;As Dez Noites da Besta&#8221;, etc. Quando cheguei l\u00e1, imperava o pensamento de que o personagem do Batman s\u00f3 vendia bem se a revista fosse em formato americano. E nessa cren\u00e7a, lan\u00e7aram essa mensal do Batman nesse formato, quando, na verdade, 29 n\u00fameros depois, como eu disse, descobriram que n\u00e3o era esse o caso. Descobriram que o Batman n\u00e3o vende nem em formatinho e nem em formato americano. O problema era o personagem e n\u00e3o o formato do quadrinho. &#8220;Monstro do P\u00e2ntano&#8221; era uma publica\u00e7\u00e3o de uma outra reda\u00e7\u00e3o que era a de materiais adultos. E chegou-se a um consenso entre os editores de que n\u00e3o compensaria lan\u00e7ar em formatinho porque se perdia muito texto dos autores originais. Tinha material do Alan Moore. Ent\u00e3o, lan\u00e7ou-se em um formato maior a partir da n\u00famero 9 (N.E. A revista Monstro do P\u00e2ntano come\u00e7ou a ser publicada em formatinho em janeiro de 1990 e foi encerrada no n\u00famero 19 em julho de 1991). A revista &#8220;Fabulosos X-Men&#8221; saiu em um formato maior para privilegiar os desenhos do Jim Lee. J\u00e1 a &#8220;Conflito do Vietn\u00e3&#8221; era publicada em preto &amp; branco, logo, visava um p\u00fablico maior que n\u00e3o ia comprar formatinho por achar que era coisa de crian\u00e7a. E a\u00ed saia em P&amp;B porque, apesar de maior, tinha menos p\u00e1ginas. E quando eram menos p\u00e1ginas em P&amp;B, dava para conseguir um pre\u00e7o melhor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78312\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/D_NQ_NP_2X_655616-MLB43871807684_102020-F.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/D_NQ_NP_2X_655616-MLB43871807684_102020-F.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/D_NQ_NP_2X_655616-MLB43871807684_102020-F-300x216.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/D_NQ_NP_2X_655616-MLB43871807684_102020-F-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 curioso ver um personagem como o Batman ter tr\u00eas t\u00edtulos cancelados por raz\u00f5es de venda, sendo um deles em formato americano.<\/strong><br \/>\nSim. E uma reclama\u00e7\u00e3o dos leitores que n\u00e3o compravam Batman em formato americano era que a revista tinha apenas duas hist\u00f3rias e o mesmo pre\u00e7o de um formatinho que tinha tr\u00eas hist\u00f3rias e meia, pois cabiam tr\u00eas hist\u00f3rias e mais um conto curto de oito p\u00e1ginas. Ent\u00e3o, os leitores se recusavam a comprar Batman com o argumento: &#8220;por que eu vou pagar mais por duas hist\u00f3rias?&#8221; Para a maioria dos leitores, que \u00e9 quem definia se a publica\u00e7\u00e3o de um gibi vai durar ou n\u00e3o, naquela \u00e9poca, n\u00e3o fazia a menor diferen\u00e7a se era formatinho ou se era formato americano. Ele queria ler mais hist\u00f3rias. E uma revista em formato americano s\u00f3 com duas hist\u00f3rias n\u00e3o atingia a cota de hist\u00f3rias dele. O pensamento era: &#8220;Eu n\u00e3o vou comprar o Batman. Eu vou comprar o Super-Homem porque tem tr\u00eas hist\u00f3rias e meia. Vou comprar o Capit\u00e3o Am\u00e9rica, o X-Men, que \u00e9 t\u00e3o legal quanto o Batman, faz tanto sucesso quanto, e tem tr\u00eas hist\u00f3rias e meia.&#8221; Afinal de contas, tem quase o dobro de hist\u00f3rias pelo mesmo pre\u00e7o. \u00c9 dif\u00edcil pensar com a cabe\u00e7a de hoje. Mas para o leitor da \u00e9poca, sim. E podem at\u00e9 questionar aqui: &#8220;Ah, mas como \u00e9 que voc\u00ea pode entrar na cabe\u00e7a do leitor?&#8221; Eu n\u00e3o estou. Eu s\u00f3 estou dizendo que a revista com o formato maior n\u00e3o vendia. Ent\u00e3o, \u00e9 l\u00f3gico que n\u00e3o existia um n\u00famero suficiente de leitores que gostassem e que comprassem o quadrinho em formato americano. N\u00e3o adianta dizer que o pre\u00e7o era caro. N\u00e3o era. Tinha o mesmo pre\u00e7o que o formatinho, mas com menos hist\u00f3rias. E essa no\u00e7\u00e3o de consumidor sendo lesado tomava conta do pensamento geral. A ideia era ler mais hist\u00f3rias. Ent\u00e3o, era o que acontecia com o formato americano. E para a editora sa\u00eda mais caro porque, como n\u00e3o era formatinho, logo n\u00e3o era utilizado 100% do papel industrial, havendo uma parte da folha que era descartada. Ou mesmo que ele viesse a ser reciclado, uma vez que a Abril j\u00e1 tinha esse direcionamento para a reciclagem no final dos anos 1980. Mas a quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: se voc\u00ea faz um papel que \u00e9 100% aproveitado, voc\u00ea tem um lucro imediato. Se voc\u00ea tem um papel que vai virar resto de papel, ou como era chamado na \u00e9poca, que vai virar &#8220;apara&#8221;, e depois vai ser reciclado, havia um gasto. Sou totalmente a favor da reciclagem, mas ali era uma outra situa\u00e7\u00e3o. A editora n\u00e3o teria, com o uso total da folha industrial, um gasto a mais que seria o do processo de reciclagem. No caso da impress\u00e3o do quadrinho em formato americano, era um papel que era cortado e uma parte ia ser descartado. E isso ia gerar um gasto a mais. A reciclagem era essencial, mas n\u00e3o era de gra\u00e7a. Ent\u00e3o, para uma empresa que visava o lucro, era mais interessante fazer o formatinho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78308\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"584\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-1-2-300x234.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos antes de &#8220;Fabulosos X-Men&#8221;, a revista mensal em formato americano que foi lan\u00e7ada em 1996, e isso me fez lembrar da miniss\u00e9rie em tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es (que chegaram aqui em 1995) desenhadas pelo Jim Lee. Foram um fen\u00f4meno de vendas l\u00e1 fora. Como foi esse impacto em compara\u00e7\u00e3o ao de \u201cA Morte do Super-Homem\u201d?<\/strong><br \/>\nSe n\u00e3o me engano, essa revista dos X-Men pelo Jim Lee vendou mais de 5 milh\u00f5es de exemplares l\u00e1 nos Estados Unidos. Ela, inclusive, teve uma venda bem expressiva no Brasil, tamb\u00e9m, e ajudou a lan\u00e7ar a revista mensal da equipe, a &#8220;Fabulosos X-Men&#8221;, em formato americano, no come\u00e7o de 1996. Lembro que a revista do Homem-Aranha desenhado pelo Todd McFarlane que saiu antes, vendeu quase 3 milh\u00f5es. E depois saiu a X-Force, desenhada pelo Rob Liefeld, que vendeu 5 milh\u00f5es de exemplares. E a\u00ed o Jim Lee veio com a edi\u00e7\u00e3o 1 de X-Men e vendeu mais de 5 milh\u00f5es. Mas por mais que Jim Lee fizesse sucesso (e realmente foi), n\u00e3o chegou a ser o mesmo sucesso aqui do que foi l\u00e1 fora ou do mesmo modo como foi &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221;. Afinal, nenhum personagem estava morrendo, nascendo ou casando naquele momento. Era muito, entre aspas, &#8220;apenas&#8221; um desenhista espetacular e desenhando muito bem os personagens que j\u00e1 era queridos do p\u00fablico h\u00e1 muito tempo. Os quadrinhos do X-Men j\u00e1 era um campe\u00e3o de vendas l\u00e1 fora h\u00e1 um tempo. E se falar de Marvel e DC, \u00e9 bom citar que, apesar de &#8220;A Morte do Super-Homem&#8221; ter sido o gibi de super her\u00f3i mais vendido no Brasil em todos os tempos, por outro lado, a Marvel sempre vendeu mais que a DC. Vendia mais antes de chegar na Abril, vendeu mais durante meu per\u00edodo l\u00e1, e continuou vendendo ap\u00f3s minha sa\u00edda. Tanto que a Marvel tinha seis revistas mensais. A DC tinha quatro. Isso n\u00e3o era por gra\u00e7a, ou porque algu\u00e9m quis ou porque algu\u00e9m se importou mais com &#8220;X&#8221; ou com &#8220;Y&#8221;. Era porque a DC n\u00e3o conseguia vender bem mais do que quatro revistas mensais e um trimestral. E a Marvel vendia seis revistas e uma trimestral. Isso sem contar &#8220;A Espada Selvagem de Conan&#8221;, que era uma campe\u00e3 de vendas e tinha um formato magazine. Era uma revista com um sucesso gigante de vendas na \u00e9poca. Ela nunca vendia menos de 100 mil exemplares. Mas em rela\u00e7\u00e3o a essa concorr\u00eancia entre Marvel e DC, n\u00e3o gerava uma preocupa\u00e7\u00e3o. Essa concorr\u00eancia existe at\u00e9 hoje l\u00e1 fora, claro, ainda mais com a Marvel indo para a Disney e a DC indo para a Warner, e isso acaba se multiplicando pelas empresas propriet\u00e1rias das editoras. Mas, aqui, no Brasil, n\u00e3o existia muito isso. Ainda hoje, as duas est\u00e3o com a mesma editora, que \u00e9 a Panini. Na \u00e9poca, estava com a Abril. Ent\u00e3o, n\u00e3o existia muito essa preocupa\u00e7\u00e3o. Eu era um editor que editava tanto Marvel quanto DC, ent\u00e3o, eu n\u00e3o tinha crise de identidade por causa de uma ou de outra. Eu queria que fosse um material bom independente de ser Marvel ou DC. Ou at\u00e9 mesmo se eu viesse a editar os materiais de outra al\u00e9m dessas duas, como foi o caso com a Image Comics, que eu vim a editar depois. Minha inten\u00e7\u00e3o era que fosse um material bom para o leitor. Eu queria que o leitor se divertisse e eu queria, tamb\u00e9m, al\u00e9m de fazer o melhor trabalho que fosse poss\u00edvel, me divertir com isso. Porque, quando voc\u00ea est\u00e1 trabalhado com o que gosta, \u00e9 \u00f3timo voc\u00ea ter a chance de se divertir fazendo aquilo. Ent\u00e3o, nunca existiu essa competi\u00e7\u00e3o dentro da Abril porque era a mesma editora publicando tanto a DC quanto a Marvel.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78306\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-4-300x212.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-4-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos antes do filme do Tim Burton, fen\u00f4meno de 1989, e que ele teve certa influ\u00eancia no lan\u00e7amento da terceira s\u00e9rie mensal da revista do Batman. No come\u00e7o dos anos 1990, o desenho animado dos X-Men foi um sucesso na TV. Voc\u00ea se lembra se houve algum reflexo nas vendas dos quadrinhos?<\/strong><br \/>\nPara o que j\u00e1 vendia da revista &#8220;X-Men&#8221;, e n\u00e3o vendia pouco, o desenho animando n\u00e3o representou um grande aumento nos n\u00fameros. J\u00e1 vendia muito. Vendeu um pouco mais quando saiu, mas depois tudo se normalizou, como foi o caso da mensal do Batman em formato americano. Mesmo porque os p\u00fablicos s\u00e3o diferentes. O p\u00fablico de cinema, TV, seriado e, hoje ,streaming, sempre \u00e9 muito maior do que o p\u00fablico de leitores de quadrinhos, no caso. Porque tem gente que s\u00f3 acompanha a Marvel em filmes, no cinema e no streaming. E isso \u00e9 normal. E tem gente que s\u00f3 joga v\u00eddeo game da Marvel. E n\u00e3o vai ao cinema porque \u00e9 uma pessoa mais interativa ali e se interessa mais pelo videogame. Tanto faz para ela o que acontece no gibi ou no cinema. Mas \u00e9 preciso ter no\u00e7\u00e3o de que o p\u00fablico do cinema sempre vai ditar o que acontece na vida de um personagem em cima do p\u00fablico dos quadrinhos. Porque muito mais gente vai assistir aquele filme no cinema. Porque \u00e9 o p\u00fablico do cinema e que, por acaso, gosta do personagem e ficou curioso. Mesmo porque n\u00e3o h\u00e1 aquele compromisso de acompanhar todo m\u00eas, afinal, \u00e9 s\u00f3 um filme. Ent\u00e3o, o p\u00fablico \u00e9 sempre maior e mais determinante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Homem de Ferro - Trailer Legendado\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xXAdp_KJ-0A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2008, quando assisti ao primeiro filme do \u201cHomem de Ferro\u201d, notei que a inova\u00e7\u00e3o trazida pelo diretor Jon Favreau em mostrar o rosto do Tony Stark por dentro da m\u00e1scara passou a surgir nas p\u00e1ginas da revista em quadrinhos do personagem, como um claro exemplo do modo como o cinema passou a ditar os quadrinhos. Isso n\u00e3o aconteceu, por exemplo, com o \u201cBatman\u201d de Tim Burton que, apesar de trazer o uniforme preto, o dos quadrinhos continuou cinza e azul. Para voc\u00ea, esse modo como o cinema vem ditando os nortes dos quadrinhos \u00e9 algo que atrapalha?<\/strong><br \/>\nPara o leitor frequente, o cinema ditando o norte dos quadrinhos, atrapalha. Porque ele gera uma obriga\u00e7\u00e3o das editoras em zerarem suas hist\u00f3rias a cada cinco, seis anos. \u00c9 o que chamamos popularmente de &#8220;reebots&#8221;. Isso porque os quadrinhos entraram nessa linha de sempre acompanhar o cinema. Porque a forma\u00e7\u00e3o dos Vingadores, por exemplo, tem que ser a mesma do filme do cinema, para a pessoa sair do cinema e se quiser ver a mesma forma\u00e7\u00e3o dos Vingadores, vai encontrar nos quadrinhos e assim por diante. Para quem gosta de acompanhar, digamos assim, a novela dos personagens por mais tempo, \u00e9 ruim porque toda hora zera os n\u00fameros das revistas e recome\u00e7a. Para quem vem de fora, \u00e9 \u00f3timo. Assistiu os filmes dos Vingadores, o seriado WandaVision, e quer ir para os quadrinhos querendo mais daquilo, vai encontrar. Porque a editora est\u00e1 ali a servi\u00e7o do est\u00fadio de cinema. E \u00e9 quem d\u00e1 bem mais dinheiro pela quantidade de pessoas que alcan\u00e7a. E mesmo porque a entrada para o cinema acaba sendo mais cara do que um gibi mensal, por exemplo. Ent\u00e3o, vai gerar muito mais lucro. Assim, para o leitor ocasional, aquele que est\u00e1 chegando, e para a empresa propriet\u00e1ria, \u00e9 \u00f3timo. Para o leitor que est\u00e1 querendo dar uma continuidade, geralmente acaba sendo ruim porque ele est\u00e1 ali, evoluindo aquela leitura, e volta tudo para come\u00e7o. Quando n\u00e3o do come\u00e7o, mas \u00e9 refeito, tendo uma mudan\u00e7a brusca. Ent\u00e3o, talvez tenha essa utilidade em termos de longevidade, porque se voc\u00ea n\u00e3o se reinventa, voc\u00ea vira algo ultrapassado, mas esses leitores talvez n\u00e3o acompanhem. Meu amigo JP Martins, possivelmente o maior tradutor de quadrinhos do Brasil, pontuava que as editoras precisam lembrar que o leitor, o f\u00e3, nasce, cresce, envelhece e, um dia, morre. E se for ficar fazendo o gibi sempre para o leitor antigo, chega uma hora em que todos os f\u00e3s j\u00e1 partiram e a editora n\u00e3o tem mais para quem vender. Ent\u00e3o, \u00e9 um jeito da editora se reciclar. Se reinventar, se reciclar e atingir as novas gera\u00e7\u00f5es. Existe uma necessidade de voc\u00ea sempre captar novos leitores. E, aparentemente, essa \u00e9 uma das formas que as editoras encontram para fazer isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos sobre os dois formatos principais de lan\u00e7amentos no seu per\u00edodo como editor, a formatinho e a formato americano. Hoje, temos uma s\u00e9rie de op\u00e7\u00f5es para diversos leitores e colecionadores, sendo que uma tend\u00eancia bem percept\u00edvel \u00e9 a de focar na nostalgia, com o relan\u00e7amento de hist\u00f3rias cl\u00e1ssicas, sejam em capa dura e formatos Omnibus (mais caros e luxuosos), ou os formatos em capa cart\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o &#8220;A Saga de&#8230;&#8221;. Para algu\u00e9m que esteve presente nessas mudan\u00e7as de um mercado que se adequou a v\u00e1rios bolsos, como voc\u00ea avalia essa abrang\u00eancia de op\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nEu acho superinteressante que todas as editoras, e n\u00e3o s\u00f3 a Panini, tenham v\u00e1rios formatos para atingir v\u00e1rios bolsos, v\u00e1rios n\u00edveis de exig\u00eancia e v\u00e1rios tipos de leitores. Ent\u00e3o, tem um tipo de leitor que tem mais poder aquisitivo. Ou simplesmente ele n\u00e3o tem poder aquisitivo, mas tem um n\u00edvel de exig\u00eancia maior, e ele s\u00f3 vai usar o dinheiro dele em publica\u00e7\u00f5es que atendem a esse n\u00edvel de exig\u00eancia. Ent\u00e3o, tem aquele leitor que tem poder aquisitivo e pode comprar f\u00e1cil. Tem aquele leitor que n\u00e3o pode comprar f\u00e1cil, pois exige um sacrif\u00edcio, mas ele topa fazer isso porque quer esse padr\u00e3o de publica\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, a gente tem os leitores de Omnibus, que s\u00e3o essas revistas com centenas de p\u00e1ginas, capa dura, um tipo de impress\u00e3o etc. Mas quando a gente fala de &#8220;A Saga de&#8230;&#8221;, que \u00e9 um tremendo sucesso e eu, particularmente, adoro, eu enxergo como algo que est\u00e1 atingindo um tipo de leitor que, por algum detalhe ou outro, ainda n\u00e3o tinha sido atingido. Porque eu acredito que ofere\u00e7a um custo-benef\u00edcio muito grande e um pre\u00e7o muito mais acess\u00edvel. Porque \u00e9 capa cart\u00e3o. Toda vez que se tem algo em capa dura, voc\u00ea paga a mais por isso. Paga mais duas vezes. Porque o gibi custa mais caro, e o frete, pelo fato do gibi ficar mais pesado, vai custar mais caro. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pre\u00e7o do custo de produ\u00e7\u00e3o que encarece o produto. \u00c9 o pre\u00e7o do custo do envio, tamb\u00e9m, que est\u00e1 ali. Quando \u00e9 capa cart\u00e3o, o gibi, claro, \u00e9 mais leve no peso f\u00edsico. Assim, se torna um gibi mais acess\u00edvel, mais barato, e tem uma quantidade boa de hist\u00f3rias. E ele atinge dois p\u00fablicos: um p\u00fablico que leu em formatinho e queria muito ter aquela hist\u00f3ria em formato original, e aquele p\u00fablico que sempre ouviu falar de tal hist\u00f3ria, e ele at\u00e9 teria uma disposi\u00e7\u00e3o para ler em formatinho, mas a grande verdade \u00e9 que o mercado de usados est\u00e1 bem aquecido. Os valores dos quadrinhos em formatinho est\u00e3o elevados. Para voc\u00ea conseguir uma cole\u00e7\u00e3o completa \u00e9 uma dificuldade e \u00e9 mais caro ainda. E porque, tamb\u00e9m, muitas vezes a quantidade dispon\u00edvel \u00e9 pequena. Porque quem tem n\u00e3o quer vender porque tem um valor sentimental. Ent\u00e3o, por isso, sobe o valor do formatinho. E a\u00ed voc\u00ea vai comprar um gibi da cole\u00e7\u00e3o &#8220;A Saga de&#8230;&#8221; por um pre\u00e7o menor do que o cobrado por um formatinho no mercado de usados. Ent\u00e3o, essa cole\u00e7\u00e3o &#8220;A Saga de&#8230;&#8221; \u00e9 um tremendo acerto da Panini porque est\u00e3o oferecendo um material que em formato americano \u00e9 in\u00e9dito. E se n\u00e3o for in\u00e9dito, ainda assim est\u00e3o oferecendo por um pre\u00e7o muito mais acess\u00edvel, com capa cart\u00e3o, um material que, por algum motivo, digamos que alguma saga muito grande que foi publicada no Brasil talvez pela pr\u00f3pria Panini ou pela Eaglemoss, mas ele saiu em capa dura. E ele tem um custo muito alto para o bolso dessa pessoa que est\u00e1 feliz da vida comprando a cole\u00e7\u00e3o &#8220;A Saga de&#8230;&#8221; em capa cart\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 um acerto gigante da Panini.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78307\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Super-Homem-Alem-da-Morte.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1061\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Super-Homem-Alem-da-Morte.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Super-Homem-Alem-da-Morte-212x300.jpg 212w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas, em novembro de 1993, era lan\u00e7ada pela Editora Abril aquela que viria a ser a revista em quadrinhos de super-her\u00f3is que mais vendeu no Brasil &#8211; com 250 mil exemplares, e mais 50 mil unidades de um kit especial,..\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/29\/entrevista-mario-luiz-c-barroso-editor-da-abril-a-epoca-relembra-30-anos-depois-o-lancamento-do-fenomeno-a-morte-do-super-homem\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":78294,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[1092,153],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78289"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78289"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78289\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78317,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78289\/revisions\/78317"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78294"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78289"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78289"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78289"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}