{"id":78263,"date":"2023-11-27T02:25:59","date_gmt":"2023-11-27T05:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=78263"},"modified":"2024-03-01T02:45:14","modified_gmt":"2024-03-01T05:45:14","slug":"entrevista-keith-morris-fala-sobre-a-volta-do-off-ao-brasil-e-sua-historia-com-circle-jerks-e-black-flag","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/27\/entrevista-keith-morris-fala-sobre-a-volta-do-off-ao-brasil-e-sua-historia-com-circle-jerks-e-black-flag\/","title":{"rendered":"Entrevista: Keith Morris fala sobre sua hist\u00f3ria com OFF!, Black Flag e Circle Jerks"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das vozes mais reconhec\u00edveis e essenciais da hist\u00f3ria do punk\/hardcore dos Estados Unidos, Keith Morris sempre se manteve ativo e com o olhar em frente. N\u00e3o bastasse ter cofundado e sido o primeiro vocalista do Black Flag, com quem gravou o definitivo EP \u201cNervous Breakdown\u201d (1979), um marco definitivo do estilo, e depois ter seguido em frente para criar o Circle Jerks, que lan\u00e7ou discos essenciais como \u201cGroup Sex\u201d (1980) e \u201cWild in the Streets\u201d (1982), Keith fundou em 2009 o OFF!, uma das bandas mais interessantes do punk\/hardcore das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de lan\u00e7ar um dos melhores discos de 2022, o intenso e ca\u00f3tico \u201c<a href=\"https:\/\/offofficial.bandcamp.com\/album\/free-lsd\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Free LSD<\/a>\u201d (2022), que traz a banda misturando punk\/hardcore, metal, free jazz e muitas outras influ\u00eancias com uma nova e potente forma\u00e7\u00e3o junto de Keith e do guitarrista Dimitri Coats, Keith fala sobre uma infinidade de temas, do OFF! e o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cFree LSD\u201d, a nova fase do Circle Jerks com Joey Castillo (Queens of the Stone Age, Danzig) na bateria, com quem pretende voltar \u00e0 Am\u00e9rica do Sul em breve, explica por que n\u00e3o fala mais com Greg Ginn, ex-companheiro de Black Flag, conta como acabou virando um dos principais vocalistas do punk\/hardcore totalmente por acaso, e lembra uma noite hist\u00f3rica em que dividiu o palco com Chuck Berry.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Free LSD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_k-4YKupziJhRkG4S8q9oXMbWTNFauVSsA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2022, o OFF! lan\u00e7ou um dos melhores discos do ano, \u201cFree LSD\u201d (2022), e agora mais recentemente soltaram um EP chamado \u201c<a href=\"https:\/\/offofficial.bandcamp.com\/album\/flsd-ep\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FLSD<\/a>\u201d (2023). E sei que tem um filme (intitulado \u201cFree LSD\u201d) que ir\u00e1 ser lan\u00e7ado em algum momento. Como foi o processo criativo para criar n\u00e3o apenas um disco conceitual, mas tamb\u00e9m todos esses projetos a partir do disco, incluindo o EP e o filme, que originalmente seria chamado de \u201cWatermelon\u201d? Voc\u00eas tiveram muitas ideias durante a pandemia?<\/strong><br \/>\nQuando come\u00e7amos a trabalhar nesse projeto, a ideia principal era que ir\u00edamos para um lugar diferente de onde j\u00e1 t\u00ednhamos estado musicalmente. O disco ainda tem muito do que far\u00edamos normalmente, mas adicionamos algumas coisas. A maneira como eu e Dimitri descrevemos o disco \u00e9 que est\u00e1vamos trabalhando em preto e branco e agora era o momento de ir para um mundo em cores (Nota do rep\u00f3rter: a capa do disco reflete isso, inclusive, j\u00e1 que a arte, mais uma vez assinada pela lenda Raymond Petitbon, \u00e9 a primera da banda a sair do padr\u00e3o em P&amp;B). Ele (Dimitri) tinha essa ideia para um filme conectado com a grava\u00e7\u00e3o do disco, duas coisas que caminhariam juntas \u2013 o disco levaria ao filme e o filme ent\u00e3o levaria para a m\u00fasica. Ent\u00e3o n\u00f3s j\u00e1 est\u00e1vamos pensando nisso desde o in\u00edcio quando come\u00e7amos a trabalhar no disco ou escrever as m\u00fasicas para o que n\u00f3s cham\u00e1vamos de trilha sonora. E acabamos de lan\u00e7ar um EP com algumas m\u00fasicas incidentais, ru\u00eddos, free jazz, todas essas coisas doidas (nota: o EP \u00e9 chamado \u201cFSLD\u201d). Eu deveria ter um papel nessa parte mais \u201cdoida\u201d. Mas o Dimitri j\u00e1 tinha muitas coisas de todo o equipamento, pedais e efeitos. Por isso, n\u00e3o pareceu a coisa certa eu fazer algumas das mesmas coisas que ele estava fazendo. A minha ideia&#8230; eu acabei comprando um aparelho para fazer samples e comecei a separar peda\u00e7os de algumas das minhas m\u00fasicas favoritas. O cara com quem eu estava trabalhando \u2013 Randy (Randall), do No Age, uma \u00f3tima banda que j\u00e1 lan\u00e7ou quatro ou cinco discos \u2013 me ensinou como fazer esses samples e adicionar alguns efeitos para torn\u00e1-los irreconhec\u00edveis. Nesse processo, eu estava apenas aprendendo a usar o aparelho, ainda n\u00e3o o tinha dominado de verdade. Ent\u00e3o quando chegou a hora de gravar, eu n\u00e3o estava fazendo todas as coisas que devia estar fazendo nesses trechos, ent\u00e3o tudo acabou ficando no meu canto do est\u00fadio. Eu estava em um corredor e estava com todas as minhas coisas montadas enquanto eles estavam gravando bateria, saxofone e todos esses dispositivos de efeitos do Dimitri, ele tem umas duas maletas desses efeitos. E como sou uma pessoa que aprende as coisas devagar quando estamos falando desses aparelhos, eu apenas n\u00e3o estava com tudo pronto para conseguir fazer o que queria. Consequentemente, quando est\u00e1vamos gravando essas partes, o nosso produtor na cabine de grava\u00e7\u00e3o disse: \u201cAh, eu sei de onde isso veio. Sei quem \u00e9 esse artista. Tamb\u00e9m conhe\u00e7o esse disco. Voc\u00ea n\u00e3o fez a sua li\u00e7\u00e3o de casa\u201d. Ele n\u00e3o disse isso (a \u00faltima frase), mas era o que ele estava sinalizando, algo como: \u201cVoc\u00ea poderia ter feito um trabalho melhor para isso\u201d. Mas eu tamb\u00e9m estava memorizando as letras, e tamb\u00e9m estou em outra banda (Circle Jerks). Acabamos ficando meio ocupados no final da grava\u00e7\u00e3o, assim como quando est\u00e1vamos gravando o filme, quando o Dimitri chegou e falou: \u201cVoc\u00eas v\u00e3o precisar tirar tr\u00eas semanas para a gente fazer o que precisa\u201d. E eu sempre apoiei o Dimitri nisso, j\u00e1 que o OFF! \u00e9 a banda mais importante no meu mundo. Ok, preciso dizer tamb\u00e9m que a minha outra banda est\u00e1 pagando pelo meu aluguel, o seguro do meu carro, me alimentando, pagando pelas minhas roupas, de forma que preciso me dividir entre as duas. Mas est\u00e1 tudo bem. Consegui separar tempo para falar com voc\u00ea, falar com outras pessoas. Quanto \u00e0 minha criatividade para a grava\u00e7\u00e3o, as coisas que eu queria fazer, gostaria de ter contado com um amigo que toque teclado, talvez um \u00f3rg\u00e3o Hammond ou at\u00e9 um Mellotron. Tamb\u00e9m adoraria ter tido algu\u00e9m tocando flauta, obo\u00e9. Mas esse n\u00e3o era o caso. Tipo, tudo soa muito legal, mas n\u00f3s n\u00e3o temos o dinheiro para pagar essas pessoas para virem tocar nas nossas m\u00fasicas. E \u00e9 apenas como as coisas s\u00e3o, isso ter\u00e1 de ficar para outro momento no futuro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OFF! - &quot;Keep Your Mouth Shut&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_jlaK600wH4?list=OLAK5uy_krKDNAjIe7a-jzehPa_5_gtINTlodkxgI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando voc\u00eas decidiram chamar o Justin (Brown), que \u00e9 um baterista incr\u00edvel que tamb\u00e9m toca com o Thundercat, e o Altry (Fulbright II, baixista, do And You Know Us by The Trail of the Ddead), j\u00e1 tinham em mente essa ideia de trazer mais cores, como voc\u00ea disse, para a m\u00fasica? Era esse o plano desde o in\u00edcio quando escolheram a nova se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica da banda?<\/strong><br \/>\nO que aconteceu em nossa evolu\u00e7\u00e3o como uma banda \u00e9 que n\u00f3s chegamos a um impasse com a nossa primeira se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, em que eles estavam cada vez mais ocupados. Eu e Dimitri tiramos dois anos para escrever, para criar o disco. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/19\/entrevista-steven-mcdonald-redd-kross-melvins-off\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E o Steven (McDonald<\/a>, baixista, que tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/21\/entrevista-dale-crover-e-o-novo-disco-acustico-do-melvins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">toca no Melvins<\/a> e no Redd Kross) e o Mario (Rubalcaba, baterista e ex-skatista, que tamb\u00e9m toca no Earthless e Rocket from the Crypt) estavam tipo em seis outras bandas. N\u00f3s pensamos: \u201cSer\u00e1 que eles v\u00e3o conseguir nos dar tr\u00eas ou quatro semanas no est\u00fadio?\u201d. N\u00f3s quer\u00edamos passar mais tempo, ser mais criativos no est\u00fadio e poder criar todas essas coisas extras. No filme, seria como m\u00fasica incidental, que poderia estar tocando quando algu\u00e9m est\u00e1 dirigindo o carro. Mas eles n\u00e3o podiam se comprometer com o que n\u00f3s quer\u00edamos no est\u00fadio, ent\u00e3o as coisas ficaram um pouco estranhas, um pouco feias. Eles s\u00e3o nossos amigos, mas parecia que n\u00e3o estavam agindo como amigos. Era algo como: \u201cTanto faz, o que eu estou fazendo \u00e9 mais importante do que o que voc\u00eas est\u00e3o fazendo. Ent\u00e3o voc\u00eas podem esperar por mim\u201d. E no processo n\u00f3s percebemos que, para eu e Dimitri seguirmos em frente \u2013 precis\u00e1vamos fazer isso. N\u00f3s j\u00e1 hav\u00edamos dado dois anos para os caras sa\u00edrem e tocarem com todas as outras bandas deles, tipo o Melvins, o Rocket from The Crypt e o Earthless. E n\u00e3o estou querendo diminuir essas bandas, porque amo todas elas. Mas ficamos, eu e Dimitri, um pouco chateados porque n\u00f3s basicamente dissemos: \u201cN\u00f3s vamos viver de sopa e salada pelos pr\u00f3ximos dois anos enquanto voc\u00eas est\u00e3o tocando com todas as suas bandas\u201d. O Redd Kross \u00e9 uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, por isso entendo voc\u00ea querer escrever e gravar um disco com o seu irm\u00e3o mais velho (nota: os irm\u00e3os McDonald, Steven e Jeff, s\u00e3o a base da banda desde a sua cria\u00e7\u00e3o, em 1980). Toda a for\u00e7a para voc\u00ea. Ou tipo: \u201cSim, voc\u00ea quer fazer um disco ao vivo com o Earthless, eu vou comprar. N\u00e3o vou te ligar ou escrever para pedir uma c\u00f3pia. Vou comprar o disco. Sabe, vou apoiar o seu trabalho\u201d. Porque at\u00e9 ent\u00e3o eu e Dimitri est\u00e1vamos muito tranquilos com a se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica original, mas as coisas come\u00e7aram a ficar um pouco demais. Tipo, n\u00f3s temos essas m\u00fasicas e as gravamos duas vezes. Uma com o Steven no baixo e o Dale Crover, do Melvins, na bateria. Acho que gravamos 23 m\u00fasicas com essa se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica. E quando estava acontecendo, estava realmente acontecendo. Mas ent\u00e3o houve alguns momentos ruins. Foram momentos em que pensamos: \u201cN\u00f3s n\u00e3o vamos usar isso, n\u00e3o podemos usar. Vamos precisar regravar.\u201d Ent\u00e3o tivemos algumas dificuldades. Mario escutou a grava\u00e7\u00e3o e disse \u201cN\u00e3o, n\u00e3o, n\u00e3o\u201d, porque o Mario nos disse originalmente \u201cSou um baterista, n\u00e3o um ator, n\u00e3o vou participar do filme\u201d. E o Steven sempre falou algo como \u201cBom, voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam o dinheiro para fazer o filme, vou ler o roteiro quando voc\u00eas tiverem o dinheiro\u201d. Para n\u00f3s, isso n\u00e3o foi muito encorajador. Ent\u00e3o chegamos a um impasse com esses caras e foi tipo, tudo bem, chocamos com um muro, nos recompomos e percebemos que precis\u00e1vamos encontrar novos integrantes para o OFF!.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tocamos com o Brian (Evans), que era o baterista original de uma banda chamada Retox (que tamb\u00e9m contava <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/12\/09\/entrevista-michael-crain-retox-fala-sobre-o-novo-disco-do-dead-cross-com-mike-patton-dave-lombardo-e-justin-pearson-e-o-poder-da-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">com Michael Crain, do Dead Cross<\/a>) e ele era \u00f3timo. Depois de ele come\u00e7ar a tocar com a gente, n\u00f3s tamb\u00e9m fizemos testes com uma garota do Jap\u00e3o, que tocava baixo meio que no mesmo estilo do Geezer Butler (Black Sabbath). Ficamos: \u201cUau, isso est\u00e1 acontecendo\u201d. Ela toca com os dedos, o que significa que ela traz um som mais quente, em vez de apenas aquele som mais marcado da palheta. Ent\u00e3o isso foi legal. Mas o nosso baterista naquela \u00e9poca, o Brian, n\u00e3o estava realmente curtindo, e ele nos contou isso. Ent\u00e3o pensamos: \u201cVamos fazer testes com outras pessoas\u201d. N\u00f3s conhecemos o Autry, bem, eu conheci o Autry em Austin, no Texas, em um show do OFF!. O Dimitri conhecia o Autry porque a outra banda do Dimitri, The Burning Brides, tinha feito uma turn\u00ea com o And You Will Know Us by The Trail of the Dead. Ent\u00e3o j\u00e1 existia meio que uma amizade ali, e quando o Dimitri falou com o Autry, ele topou imediatamente. Ele disse \u201cVoc\u00eas s\u00e3o a minha banda favorita, \u00e9 claro que vou tocar com voc\u00eas\u201d. Ent\u00e3o o Brian nos fez bater em outro muro, e foi feio. Foi \u00f3timo ter acontecido quando aconteceu, porque teria sido horr\u00edvel se a gente tivesse gravado o disco e ca\u00edsse na estrada e s\u00f3 ent\u00e3o descobrisse essa quest\u00e3o com o Brian. O lance de estar em uma banda \u00e9 que no come\u00e7o voc\u00ea est\u00e1 totalmente dentro, tipo \u201cVamos nessa, um por todos e todos por um\u201d. E \u00e0 medida que voc\u00ea fica mais pr\u00f3ximo dos seus colegas de banda, muitas vezes acaba descobrindo algumas discrep\u00e2ncias nas personalidades das pessoas, e isso n\u00e3o \u00e9 bom. Da\u00ed que \u00e9 melhor que isso aconte\u00e7a antes do que no meio de uma turn\u00ea, quando voc\u00ea estiver na Europa ou na Am\u00e9rica do Sul, por exemplo. De qualquer forma, est\u00e1vamos n\u00f3s tr\u00eas e em uma conversa com o Autry, o Dimitri pergunta: \u201cVoc\u00ea conhece algum baterista?\u201d Porque o Autry \u00e9 um dos produtores do Thundercat. O Justin Brown toca com o Thundercat \u2013 o Thundercat tem tipo seis bateristas diferentes, mas o Justin \u00e9 sempre a primeira op\u00e7\u00e3o. O Autry mencionou o Justin. Tivemos que dizer para o Brian: \u201cN\u00e3o h\u00e1 motivo para voc\u00ea ficar dirigindo de San Diego at\u00e9 aqui, passar tr\u00eas horas na estrada para ensaiar conosco, porque n\u00f3s n\u00e3o queremos tocar com voc\u00ea\u201d. O Dimitri e o Autry falaram com o Justin algumas vezes e ele nem precisou pensar. O Justin entende a hist\u00f3ria do Thundercat, sendo um baixista com quem ele tocou. E o irm\u00e3o dele (do Justin) j\u00e1 tocou bateria em um determinado momento no Suicidal Tendencies. Ent\u00e3o voc\u00ea tem todas essas coisas, todos esses eventos que aconteceram e que est\u00e3o prestes a acontecer. N\u00f3s come\u00e7amos a tocar com o Justin e foi algo louco. Ele n\u00e3o \u00e9 um baterista que segue, ele n\u00e3o \u00e9 um baterista que toca um padr\u00e3o. Logo no come\u00e7o, ele chegou e disse: \u201cCaras, eu n\u00e3o vou tocar essas m\u00fasicas da mesma maneira todas as vezes que as tocarmos\u201d. Isso criou um desafio para n\u00f3s, porque n\u00f3s est\u00e1vamos acostumados a ter bateristas que criavam e seguiam um certo padr\u00e3o. N\u00e3o era necessariamente sempre a mesma coisa, mas n\u00f3s t\u00ednhamos algo que \u00e9 a funda\u00e7\u00e3o para o que estamos fazendo, essa \u00e9 a parte principal da planta antes de a casa ser constru\u00edda. Ent\u00e3o n\u00f3s temos isso. E a primeira coisa que gravamos com esse lineup foi o cover de \u201cHolier Than Thou\u201d, do Metallica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OFF!  \u2013 \u201cHolier Than Thou\u201d from The Metallica Blacklist (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bI5t6wxUhN4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas foram convidados pelo Metallica? Como acabaram entrando no tributo?<\/strong><br \/>\nAs pessoas que estavam ajudando a fazer o disco (de covers) do Metallica, a reunir todas as bandas e artistas que gravariam, eles procuraram o nosso agente de shows na \u00e9poca, que tamb\u00e9m trabalha com Circle Jerks, GBH, Pennywise e Social Distortion. O Metallica queria que o Social Distortion fizesse um cover deles para o box do \u201cBlack Album\u201d (1991) \u2013 intitulado \u201cThe Metallica Blacklist\u201d. Ent\u00e3o eles entraram em contato com o nosso agente e ele trouxe isso at\u00e9 n\u00f3s e dissemos \u201cClaro!\u201d. Ent\u00e3o escutamos o disco e tentamos escolher a m\u00fasica para a qual ir\u00edamos fazer a nossa vers\u00e3o (nota: a banda escolheu \u201cHolier than Thou\u201d, que tamb\u00e9m teve vers\u00f5es, menos inspiradas, feitas por nomes como Biffy Clyro, Corey Talor, The Chats e PUP). E o resto \u00e9 hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Talvez voc\u00ea j\u00e1 tenha ouvido isso de outras pessoas, mas o \u201cFree LSD\u201d me soa como um disco de metal e stoner com hardcore, consigo escutar bandas como Mastodon, High on Fire, Kyuss, Fu Manchu e at\u00e9 algumas coisas de black metal. Isso foi algo que voc\u00ea, o Dimitri e os caras conversaram antes, de forma intencional, ou foi apenas como as coisas sa\u00edram?<\/strong><br \/>\nSabe, sou um grande f\u00e3 desse&#8230; deixa eu ver se consigo te mostrar. Esse \u00e9 o disco (Nota: Nesse momento, mostra um p\u00f4ster do \u201cVol. 4\u201d, de 1973, do Black Sabbath).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea chegou a v\u00ea-los nessa tour?<\/strong><br \/>\nSempre fui muito f\u00e3 do Black Sabbath. Vi eles no come\u00e7o dos anos 1970, na turn\u00ea do \u201cMaster of Reality\u201d (1972). Os vi ao vivo duas vezes. E ent\u00e3o os vi na pr\u00f3xima vez que eles vieram tocar na cidade, quando eles tocaram no Hollywood Bowl para a tour do \u201cVolume 4\u201d. E o Dimitri tamb\u00e9m \u00e9 um f\u00e3. N\u00f3s j\u00e1 tocamos com o High On Fire. Nossas influ\u00eancias s\u00e3o infinitas. Tamb\u00e9m adoro sentar e ouvir Suicidal Tendencies, poderia fazer uma lista enorme aqui. H\u00e1 muitas bandas desse g\u00eanero que adoramos ouvir e que poder\u00edamos citar como influ\u00eancias. O Dimitri, em um determinado momento, fez muita li\u00e7\u00e3o de casa, quando estava estudando Black Flag e Circle Jerks. Ent\u00e3o escutamos muitas dessas bandas. Adoro stoner rock, adoro o Queens of the Stone Age, que \u00e9 a banda para qual o Josh meio que seguiu depois do Kyuss. Amo todas essas bandas. O que fizemos quando est\u00e1vamos ouvindo m\u00fasica para despertar nossa imagina\u00e7\u00e3o foi ir para muitos lugares diferentes do que as bandas que fazem parte da cena hardcore costumam ir, eles n\u00e3o costumam ir para esses lugares. N\u00f3s est\u00e1vamos ouvindo Ravi Shankar. Em sua primeira viagem para a \u00cdndia, quando se tornou espiritualmente iluminado, o George Harrison encontrou o Ravi Shankar, que o levou para ver essas orquestras indianas com tablas, c\u00edtaras e tudo mais, todas as outras influ\u00eancias do Oriente M\u00e9dio e diferentes instrumentos. N\u00f3s tamb\u00e9m escutamos industrial, agora estou curtindo bandas industriais que j\u00e1 conhecia por termos alguns dos seus discos. O single \u201cZyklon B Movie\u201d (1978), do Throbbing Gristle \u2013 que eu acredito que era o g\u00e1s (Zyklon B) que os nazistas usavam nos campos de concentra\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m gosto do Einst\u00fcrzende Neubauten, porque o cara principal da banda \u00e9 como um her\u00f3i nacional na Alemanha, acho que o nome dele \u00e9 Blixe, Blixa (nota: \u00e9 Blixa Bargeld).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso, ele tocava com o Nick Cave!<\/strong><br \/>\nBom, \u00e9 isso, ele fazia parte dos Bad Seeds. E tenho outro associado, o Kid Congo, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/27\/entrevista-kid-congo-powers-fala-sobre-autobiografia-carreira-solo-e-seus-trabalhos-com-gun-club-the-cramps-e-nick-cave\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que tocou no Gun Club, no Cramps e com o Nick Cave<\/a>. E tamb\u00e9m \u00e9 integrante do Pink Monkey Birds. Mas me familiarizei com a m\u00fasica dessas pessoas porque tenho amigos associados com elas. O Dimitri tamb\u00e9m nos fez sentar e escutar coisas como Albert Ehler, free jazz, Miles Davis. E chegou um momento em que est\u00e1vamos vendo v\u00eddeos do Miles e eu disse: \u201cDimitri, houve um momento em que eu sa\u00eda e ia ver esses mestres do jazz e acabei vendo, nos anos 1970, o Miles Davis com o Herbie Hancock e os Headhunters (banda de Hancock)\u201d. E o Dimitri ficou muito animado porque o Justin Brown j\u00e1 tocou com o Herbie Hancock, o que \u00e9 algo realmente gigante no mundo do jazz. Ent\u00e3o n\u00f3s t\u00ednhamos todas essas linhas acontecendo. Minha vis\u00e3o inicial para o disco \u00e9 que eu queria ter elementos do \u201cSgt. Pepper\u2019s Lonely Hearts Club Band\u201d (1967), dos Beatles. E, \u00e9 claro que, se h\u00e1 algumas refer\u00eancias disso, n\u00e3o \u00e9 o que voc\u00ea escutaria naqueles \u00e1lbuns dos Beatles, como \u201cSgt. Peppers\u201d, \u201cRevolver\u201d ou \u201cMagical Mistery Tour\u201d (1967). Ent\u00e3o n\u00f3s est\u00e1vamos escutando todas essas coisas diferentes, passeando por essas avenidas musicais diferentes, apenas checando de tudo um pouco \u2013 e incorporando muitas dessas coisas no que est\u00e1vamos fazendo, esses estilos diferentes, em vez de soar apenas como m\u00e1quinas hardcore marcadas, militarizadas. N\u00f3s propositalmente pegamos caminhos diferentes.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OFF! Presents - Watermelon: A Sci-Fi Punk Rockumentary (Teaser)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/NG9KyEl0QhE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea acredita que se tornou mais desafiador para voc\u00eas tocarem ao vivo agora?<\/strong><br \/>\nQuando tocamos com o Justin, nos encontramos eu, o Dimitri e o Autry, tentando alcan\u00e7ar o Justin em algumas partes. Ou ficar ao fundo e tentar entender o que ele est\u00e1 fazendo e tentar acompanh\u00e1-lo. Porque a forma como ele toca bateria, ele \u00e9 como Buddy Rich. \u00c9 algo como: \u201cCaras, voc\u00eas est\u00e3o errando. Vou come\u00e7ar a punir voc\u00eas, vou come\u00e7ar a multar voc\u00eas, como o James Brown e a banda dele. Voc\u00ea fez \u2018bup bup\u2019 em vez de \u2018bup bup bup\u2019. Voc\u00ea fez um \u2018bup\u2019 a menos, isso vai te custar 5 d\u00f3lares\u201d. Com o Justin, as coisas s\u00e3o loucas, \u00e9 bizarro, \u00e9 ca\u00f3tico. Em um momento, isso foi antes do Justin, eu e o Dimitri fal\u00e1vamos sobre algumas bandas de hardcore. Havia uma banda de Washington DC chamada Void. Quando voc\u00ea os escuta, parece um trem a 200 quil\u00f4metros por hora e que come\u00e7a a descarrilar. Ent\u00e3o eu e o Dimitri entr\u00e1vamos em conversas sobre a import\u00e2ncia do Justin: \u201cCara, n\u00f3s estamos voltando ao que voc\u00ea falou sobre o Void e como o som deles parecia como que eles estavam um passando na frente do outro. Parecia que eles estavam todos correndo para a linha de chegada para ver quem seria o mais r\u00e1pido. Ent\u00e3o teremos um pouco disso nos shows a\u00ed no Brasil. Onde voc\u00ea vive?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em S\u00e3o Paulo.<\/strong><br \/>\nAh, esse \u00e9 o show do festival, do Primavera (Sound). N\u00f3s vamos tocar com o Mario (na bateria). O Mario voltou porque o Justin est\u00e1 em turn\u00ea com o Thundercat. Porque n\u00f3s n\u00e3o podemos esperar sentados o Justin terminar o que ele estiver fazendo porque a agenda dele \u00e9 t\u00e3o lotada que ele n\u00e3o consegue ler mesmo se tiver escrito ou estiver no telefone dele. E mesmo assim ele n\u00e3o consegue lembrar. Ent\u00e3o em um determinado momento n\u00f3s dissemos: \u201cOlha, n\u00e3o podemos voltar para a mesma situa\u00e7\u00e3o que est\u00e1vamos com a se\u00e7\u00e3o r\u00edtmica original. N\u00f3s temos trabalho a fazer, contas a pagar\u201d. Isso \u00e9 o que fazemos como banda, \u00e9 como promovemos o nosso trabalho. \u00c9 como n\u00f3s ganhamos um pouco de moolah, dinero ou como voc\u00eas chamem o dinheiro a\u00ed no Brasil. N\u00f3s precisamos trabalhar!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E as coisas est\u00e3o bem com o Mario depois de tudo que aconteceu?<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 fizemos alguns shows com o Mario e est\u00e1 tudo bem, legal. Quando o Mario saiu, foi por uma raz\u00e3o rid\u00edcula. E n\u00f3s n\u00e3o temos nada contra ele porque ele estava em um per\u00edodo em que a vida dele estava&#8230; Sabe, eu achava que n\u00f3s \u00e9ramos uma banda, que n\u00f3s quatro ir\u00edamos pegar no telefone e falar sobre o que estava acontecendo. E toda vez que \u00edamos ao Steven, porque ele estava em turn\u00ea com o Melvins, ent\u00e3o tinha uma agenda a seguir. E as folgas dele eram poucas e muito espa\u00e7adas, era algo como \u201cEi, caras, posso falar com voc\u00eas na ter\u00e7a-feira \u00e0s 7h30 da manh\u00e3, mas estarei sentado na banheira, tomando banho, escovando os dentes, arrumando a mala para seguir para o pr\u00f3ximo show\u201d. E n\u00f3s n\u00e3o consegu\u00edamos nenhum tempo com o Steven e t\u00ednhamos coisas a falar. Foi algo como: \u201cEu preciso fazer algo para salvar a banda\u201d. Porque o Dimitri estava travado diante de um muro: \u201cN\u00e3o estou sentindo isso, n\u00e3o quero mais fazer isso\u201d. Isso teria sido desastroso para mim, porque investi tanto tempo (na banda) e n\u00e3o iria permitir que isso acontecesse. Eu iria fazer tudo que estivesse ao meu alcance, dentro das minhas capacidades, sendo o mais velho da banda e a superestrela punk que eu sou (risos). Eu precisava tomar as r\u00e9deas e fazer algo, meio que bater o p\u00e9 e dizer: \u201c\u00c9 assim que as coisas s\u00e3o\u201d. Tive que fazer algo que n\u00e3o queria fazer e o Mario n\u00e3o concordou. Eu e o Dimitri fizemos uma liga\u00e7\u00e3o com o Mario e explicamos para ele o que estava acontecendo e o Mario n\u00e3o concordou, ele n\u00e3o apenas n\u00e3o apoiou isso. Quer dizer, ele entende agora que eu tive de fazer o que tinha de ser feito \u2013 e que eu n\u00e3o queria fazer aquilo. Mas \u00e9 como se estiv\u00e9ssemos encurralados e tivemos que sair mordendo, lutando e chutando.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-78264\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"552\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/Novo-Projeto-2-300x221.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No seu livro (\u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/My-Damage-Story-Punk-Survivor\/dp\/030682406X\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">My Damage: The Story of a Punk Rock Survivor<\/a>\u201d), voc\u00ea fala que o OFF! mudou tudo para voc\u00ea, que voc\u00ea se sentiu mais energizado e criativo com a banda. Quando iniciou a banda como Dimitri, em 2009, imaginava que seria a sua banda mais duradoura, j\u00e1 que voc\u00eas nunca pararam e fizeram tours ao redor do mundo nesse tempo? J\u00e1 tinha ideia de que tinha algo especial acontecendo quando come\u00e7aram a banda?<\/strong><br \/>\nA banda poderia ter acabado quando tive a situa\u00e7\u00e3o com o Steven, isso poderia ter sido o fim do OFF!. Em termos criativos, a banda \u00e9 uma das coisas mais incr\u00edveis de que j\u00e1 pude fazer parte. J\u00e1 toquei com \u00f3timos guitarristas e com bateristas e baixistas incrivelmente brilhantes, mas n\u00e3o poderia estar mais feliz no momento. Temos alguns shows na costa oeste dos EUA, depois voamos para Dublin, na Irlanda, onde vamos fazer cerca de uma semana de shows no Reino Unido. E ent\u00e3o vamos para a Espanha, onde tocaremos em um evento do Primavera. Depois vamos para a Cidade do M\u00e9xico para tocar no Corona Festival, que \u00e9 o maior festival do M\u00e9xico. A\u00ed temos um ou dois dias de folga, vamos para Guadalajara e de l\u00e1 para a Am\u00e9rica do Sul. Acredito que vamos fazer tr\u00eas shows no Brasil. Sei que vamos tocar em&#8230;como se fala, \u00e9 Curitiba?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Isso, voc\u00eas tocam em Curitiba e Porto Alegre.<\/strong><br \/>\nE tamb\u00e9m no festival (Primavera) em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OFF! - Now I&#039;m Pissed @ Hangar110 - S\u00e3o Paulo - 16\/11\/2013\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/8oD2W1sML5c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, sim. Voc\u00ea j\u00e1 tocou duas vezes no Brasil, se n\u00e3o me engano, uma com o Circle Jerks e outra com o OFF! h\u00e1 10 anos exatamente. Por isso, queria saber quais suas mem\u00f3rias dessas visitas ao pa\u00eds. Conseguiram ver algo al\u00e9m das casas e pessoas relacionadas aos shows?<\/strong><br \/>\nO que eu fiz&#8230; Gosto de acordar para ver a luz do sol e n\u00e3o apenas ao meio-dia ou algo assim, n\u00e3o mantenho hor\u00e1rios de vampiro de rockstar. Gosto de acordar e sair para andar por a\u00ed, n\u00e3o procurando por algo espec\u00edfico, apenas sair pela rua e ver o que estiver acontecendo, as pessoas vivendo suas vidas, os mercados, a comida, os restaurantes, os bares, as livrarias. Apenas gosto de coisas assim, procurar por uma loja de discos. Ou posso ir \u00e0 uma loja de departamento e minha desculpa para isso \u00e9 que posso estar precisando de uma cueca nova ou de um par de meias. Porque voc\u00ea nunca pode ter muitos pares de meias ou cuecas. Ou posso comprar uma grande garrafa de \u00e1gua, algumas barras de chocolate ou algo assim. Apenas caminhar por a\u00ed para matar o tempo e dar uma olhada pela cidade. N\u00e3o saio procurando por um museu, mas se tiver um pelo bairro, posso acabar indo. N\u00e3o busco por igrejas, n\u00e3o quero ficar parado em frente \u00e0 delegacia de pol\u00edcia. (Quero) Apenas sair e ver as pessoas vivendo suas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E houve algo em especial que chamou a sua aten\u00e7\u00e3o nessas suas viagens ao Brasil, algo em particular, como uma comida ou algum lugar?<\/strong><br \/>\nO show que n\u00f3s fizemos no Brasil, que aconteceu em S\u00e3o Paulo, foi em uma casa de shows muito, muito boa (Hangar 110). E estava lotada. Devia ter umas 500 pessoas l\u00e1, o que \u00e9 uma boa quantidade de pessoas quando voc\u00ea est\u00e1 em uma banda do nosso n\u00edvel, do nosso nicho, do nosso groove, do nosso g\u00eanero. Mas o que me chamou mais a aten\u00e7\u00e3o foi sair do lugar do show e ver o que estava acontecendo no caminho para o hotel. Acho que era uma segunda ou ter\u00e7a-feira \u00e0 noite, e essas pessoas estavam festejando como se o mundo fosse ser tomado por alien\u00edgenas e n\u00e3o f\u00f4ssemos mais estar aqui no dia seguinte, algo como: \u201cEnt\u00e3o vamos todos nos reunir e vamos fazer isso hoje \u00e0 noite\u201d. E esse parecia ser o consenso entre os caras da banda. Um dos caras da banda descobriu um novo drink e disse: \u201cEu bebi e comecei a alucinar. Ent\u00e3o tomei outros 10\u201d. E ele pode ter desmaiado na cal\u00e7ada e acordado tr\u00eas horas depois para ir aos trancos e barrancos para o hotel. Porque esse era o tipo de personagem que ele era, e possivelmente ainda \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea conhece bandas ou artistas do Brasil?<\/strong><br \/>\nConhe\u00e7o os Mutantes. E tamb\u00e9m, o cara que depois formou o Soulfly?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/11\/02\/entrevista-max-cavalera-fala-sobre-o-album-arise\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Max Cavalera, que era do Sepultura<\/a>.<\/strong><br \/>\nLembro de ver o Sepultura algumas vezes, poderia curtir com eles. E o Sergio Mendes tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah sim, ele \u00e9 \u00f3timo. Acho que vive nos EUA hoje em dia, n\u00e3o.<\/strong><br \/>\nProvavelmente. Bom, ele era da A&amp;M Records e, em um determinado momento, o Circle Jerks teve a A&amp;M Records colocada na nossa frente como os burros que n\u00f3s somos. E est\u00e1vamos extremamente animados porque agora n\u00f3s ter\u00edamos colegas de gravadoras como o Peter Frampton, Procol Harum, Dickies, The Police \u2013 eu n\u00e3o gosto do Police, mas estou apenas tirando um sarro deles porque eles eram uma banda popular entre quem ouvia m\u00fasica mais nova. Mas o acordo com a A&amp;M Records acabou n\u00e3o dando certo. Mas o nosso cara na A&amp;M era o terceiro na linha de comando, ele era importante na gravadora. Mas mesmo tendo essa posi\u00e7\u00e3o de poder, voc\u00ea ainda precisa convencer todas as pessoas que trabalham l\u00e1, as pessoas no departamento de artes, de imprensa, de publicidade, de marketing. Voc\u00ea precisa convencer todas essas pessoas que elas precisam te apoiar nisso. Todo mundo precisa fazer o trabalho delas, do tipo \u201cVamos fazer isso acontecer\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Circle Jerks - Wild In The Streets Live @ Pheonix Theater Petaluma, California 7\/18\/2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7XKrJ-pLo8c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando sobre o Circle Jerks, voc\u00eas t\u00eam feito shows para comemorar os 40 anos do \u201cGroup Sex\u201d (1980), que acabaram sendo adiados por causa da pandemia. Como est\u00e1 sendo voltar \u00e0 estrada com a banda e com o Joey Castillo (Queens of the Stone Age, Danzig)? Ele ainda est\u00e1 tocando bateria com voc\u00eas, certo?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s n\u00e3o seremos mais uma banda quando o Joey disser que n\u00e3o quer tocar mais com a gente. O que deve ainda estar a anos e anos e anos de acontecer. Porque isso foi algo que levou anos para acontecer. N\u00f3s somos a banda favorita dele. Isso \u00e9 legal, porque ele \u00e9 um baterista incr\u00edvel. Ele conhece as nossas m\u00fasicas melhor do que a gente. Quando n\u00f3s estamos ensaiando, o Joey pode perguntar algo como \u201cEnt\u00e3o voc\u00eas querem que eu toque como o Lucky tocava no single de \u201cWild in the Streets\u201d (1982) que voc\u00eas fizeram para \u201cPosh Boy\u201d? Ou voc\u00eas querem que eu toque do jeito que o Kevin tocava no disco ao vivo no House of Blues? Ou como o Chuck Biscuits tocava?\u201d Tipo, ele conhece todos os bateristas e as pequenas diferen\u00e7as na maneira como eles tocavam as nossas m\u00fasicas. \u00c9 apenas um grande prazer trabalhar com ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E h\u00e1 alguma chance de o Circle Jerks voltar ao Brasil?<\/strong><br \/>\nSim, n\u00f3s vamos voltar. \u00c9 apenas uma quest\u00e3o de quando n\u00f3s conseguiremos fazer isso acontecer. N\u00f3s temos agora uma tour com o Descendents com cerca de 50 datas. O que isso significa, no entanto, n\u00e3o \u00e9 que vamos fazer 50 shows seguidos, caso contr\u00e1rio eu morreria. Mas eu adoro isso, adoro tocar para as pessoas. Adoro ir para todos os lugares. Realmente quero voltar para a Am\u00e9rica do Sul e tocar m\u00fasicas do Circle Jerks.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Legal! Agora s\u00e3o as \u00faltimas perguntas. Gostaria que voc\u00ea me dissesse tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.<\/strong><br \/>\nAssim na lata? Hmm, diria o \u201cAre You Experienced?\u201d (1967), do Jimi Hendrix Experience. Esse foi o primeiro disco do Jimi Hendrix que eu tive. Eu amo esse disco. N\u00e3o acho que seja o melhor trabalho dele, acredito que o \u201cElectric Ladyland\u201d (1968) seja o melhor. Mas esse foi o primeiro disco que eu comprei com o meu dinheiro, que segurei nas minhas m\u00e3os&#8230; Acho que essa \u00e9 uma pergunta terr\u00edvel porque h\u00e1 tantas dire\u00e7\u00f5es diferentes que eu posso ir. Eu poderia dizer o primeiro disco do Black Sabbath, o primeiro do Led Zeppelin, ou ainda o primeiro do The Damned. Poderia dizer o \u201cFireball\u201d (1971), do Deep Purple, o \u201cPhenomenon\u201d (1974), do UFO. Ou o Alice Cooper. Tenho todos esses p\u00f4steres aqui na minha sala, estou olhando aqui e vendo coisas como \u201cLove it to Death\u201d (1971), do Alice Cooper, \u201cVol. 4\u201d (1972), do Black Sabbath, Jesus Lizard, Chambers Brothers, The Kinks, The Beatles, muitos discos dos Beatles, o \u201cNever Mind the Bollocks\u201d (1977), do Sex Pistols.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E teve algum disco que te fez querer estar em uma banda?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o. Tem outros aqui, o \u201cGolden Decade\u201d (1972), do Chuck Berry, \u201cLola\u201d (1970), do Kinks, o \u201cTheir Satanic Majesties Request\u201d (1967), dos Stones. E tem um outro deles tamb\u00e9m, que n\u00e3o consigo lembrar o nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cExile\u201d? Ou \u201cLet it Bleed\u201d?<\/strong><br \/>\nOs Rolling Stones lan\u00e7aram dois discos em sequ\u00eancia e os dois s\u00e3o&#8230; Todo mundo considera o \u201cExile on Main Street\u201d (1972) o auge deles e \u00e9 um disco \u00f3timo, mas acredito que h\u00e1 alguns discos anteriores que s\u00e3o t\u00e3o bons quanto ou ainda melhores. O \u201cLet it Bleed\u201d (1969) \u00e9 \u00f3timo. O disco que \u00e9 um convite da rainha, vou lembrar do nome quando estiver indo almo\u00e7ar. A\u00ed vou te ligar de volta para te contar (risos). Mas nunca fui inspirado a ser um vocalista em uma banda, \u00e9 algo que apenas aconteceu para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, no seu livro voc\u00ea menciona que inicialmente deveria ser o baterista do Black Flag e que o Greg Ginn (guitarrista e cofundador da banda junto com Keith) um dia viu voc\u00ea cantando uma m\u00fasica do Stooges \u2013 n\u00e3o me lembro se \u201cRaw Power\u201d ou \u201cSearch and Destroy\u201d \u2013 e decidiu que voc\u00ea seria o vocalista da banda.<\/strong><br \/>\nSim, mas eu estava totalmente fora de mim. Tipo, subindo e descendo de m\u00f3veis, mesas. Em um determinado momento, eu ca\u00ed de cara no ch\u00e3o, pulei imediatamente e continuei gritando a m\u00fasica (Nota: nesse momento, Keith come\u00e7a a cantar a letra de \u201cSearch and Destroy\u201d, do Stooges: \u201cI\u2019m the world\u00b4s forgotten boy, the one who searches to destroy\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ali\u00e1s, voc\u00ea ainda fala com o Greg ocasionalmente?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o mesmo. H\u00e1 um grupo de n\u00f3s que nos recusamos a falar com ele e a ir aonde ele estiver. Ele nos processou. N\u00f3s n\u00e3o fizemos nada para merecer isso. Em um momento, o advogado dele disse para o nosso advogado: \u201cSabe, n\u00f3s ainda n\u00e3o estamos nem na metade disso. Vou fazer isso custar 500 mil d\u00f3lares para os seus clientes\u201d. Tinha sete de n\u00f3s no processo e alguns dos caras, dois ou tr\u00eas, falaram: \u201cN\u00f3s precisamos acabar com isso. N\u00f3s n\u00e3o podemos ficar indo atr\u00e1s dele para receber todos os nossos royalties. N\u00e3o podemos ir atr\u00e1s dele para fazer as coisas da maneira certa e do modo como deveriam ser para os nossos f\u00e3s\u201d. O advogado dele apenas nos disse \u201cN\u00f3s vamos apenas acabar com voc\u00eas\u201d. Ent\u00e3o o nosso advogado falou: \u201cPessoal, essa \u00e9 a hora de dar um passo para tr\u00e1s porque est\u00e1 come\u00e7ando a ficar feio\u201d. J\u00e1 era algo feio desde o in\u00edcio, mas estava ficando pior. E a forma como as coisas s\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 dois de n\u00f3s que s\u00e3o solteiros e que n\u00e3o s\u00e3o donos das propriedades em que vivem. Por exemplo, eu sou apenas um locat\u00e1rio. Nunca serei dono de uma propriedade porque n\u00e3o quero ficar preso em nenhum banco ou lidando com juros do dinheiro que eles me emprestariam. Algo como: \u201cN\u00f3s te emprestamos 100 mil d\u00f3lares e queremos mais 400 mil d\u00f3lares de volta al\u00e9m disso\u201d. Porque \u00e9 como as coisas s\u00e3o agora. E tr\u00eas dos ex-integrantes do Black Flag possuem propriedades, tem filhos. \u00c9 algo como \u201cEu preciso ganhar dinheiro para pagar para o meu filho estudar, ir para a universidade, comprar um carro para ele\u201d. E eles (Greg e o advogado) apenas teriam continuado nos processando at\u00e9 que eu tivesse de vender minha cole\u00e7\u00e3o de discos, todos os meus DVDs, meu aparelho de som que n\u00e3o funciona. Foi apenas o momento de dizer \u201cJ\u00e1 deu, isso precisa acabar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ent\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 mais chances de termos shows do FLAG no futuro por causa disso?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s podemos fazer shows como FLAG. N\u00e3o podemos lan\u00e7ar um disco ao vivo nem criar m\u00fasica nova.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FLAG at Redondo Beach Moose Lodge no. 1873 (black flag) (full set)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tsZt8yiwN-o?start=51&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Voc\u00ea gravou alguns dos principais discos de hardcore da hist\u00f3ria. Voc\u00ea tem tocado com o OFF!, uma das melhores bandas a surgir nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Voc\u00ea j\u00e1 trabalho como produtor de bandas com nomes como The Nymps e The Hangmen, j\u00e1 trabalhou em uma gravadora \u2013 basicamente, voc\u00ea j\u00e1 trabalho em todas as partes da ind\u00fastria musical, em diferentes \u00e9pocas. Por isso, gostaria de saber do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira.<\/strong><br \/>\nBom, eu tive a oportunidade de cantar \u201cRoll Over Beethoven\u201d com o Chuck Berry. Eu e voc\u00ea n\u00e3o estar\u00edamos tendo essa conversa se n\u00e3o fosse pelo Chuck Berry. N\u00e3o ter\u00edamos D.O.A., Sepultura ou Sergio Mendes se n\u00e3o fosse por ele. Bom, talvez o Sergio Mendes, mas n\u00e3o ter\u00edamos os Stones ou os Beatles. O desenho inaugural do rock. E \u00e9 o que todos n\u00f3s estamos tocando. Sempre que algu\u00e9m pega uma guitarra, liga no amplificador e come\u00e7a a tocar, tocar\u00e1 rock, em algum n\u00edvel ou forma diferente. Mesmo que ficar apenas dedilhando, de uma forma meio folk. Ele (Chuck) fez um dos maiores elogios a uma das minhas bandas que qualquer banda poderia receber. Depois de tocar conosco, e isso foi com o Circle Jerks em um local chamado Mississipi Nights em St. Louis, no Rio Mississipi. Quando o Chuck estava saindo, ele chamou o dono da casa de shows e falou \u201cDiga para esses caras que eles s\u00e3o uma das melhores bandas de rock que eu j\u00e1 vi\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"[hate5six] OFF! - July 27, 2019\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wI6xtPRmLro?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Circle Jerks (Full Set) LIVE @ Punk in the Park 11\/4\/23\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P4eXlXRKUrk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CIRCLE JERKS - Live At The House Of Blues.avi\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Uw9uyEVDrhk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"OFF!\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/mF1cOAo7NLU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"FLAG at Redondo Beach Moose Lodge no. 1873 (black flag) (full set)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tsZt8yiwN-o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Prestes a voltar ao pa\u00eds, o lend\u00e1rio vocalista faz uma viagem pela sua carreira de mais de 40 anos na cena punk\/hardcore dos EUA, incluindo o disco do Jimi Hendrix que mudou a sua vida, como gravou um cover do Metallica e como foi dividir o palco com Chuck Berry.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/27\/entrevista-keith-morris-fala-sobre-a-volta-do-off-ao-brasil-e-sua-historia-com-circle-jerks-e-black-flag\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":78265,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4275,6945,5183,93],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78263"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=78263"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78263\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78682,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/78263\/revisions\/78682"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78265"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=78263"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=78263"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=78263"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}