{"id":782,"date":"2009-02-11T22:29:10","date_gmt":"2009-02-12T00:29:10","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=782"},"modified":"2023-06-19T12:08:53","modified_gmt":"2023-06-19T15:08:53","slug":"ok-computer-um-disco-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/11\/ok-computer-um-disco-fundamental\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: &#8220;Ok Computer&#8221;, do Radiohead, um disco fundamental"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-784\" title=\"okcomputer1\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/okcomputer1.jpg\" alt=\"\"><br \/>\n<strong>Por Tiago Agostini<\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Direto ao ponto: &#8220;Ok Computer&#8221; \u00e9 o disco fundamental na trajet\u00f3ria e discografia do Radiohead. \u00c9 o rito de passagem de uma banda de relativo sucesso e boas composi\u00e7\u00f5es para a banda mais influente e importante do mundo desde ent\u00e3o. \u00c9 o disco que inicia o culto ao quinteto e d\u00e1 uma imensa carta branca nas m\u00e3os de Thom Yorke e seus companheiros para fazer o que bem entenderem com a ind\u00fastria. Porque, por mais que &#8220;Pablo Honey&#8221; tivesse uma grande m\u00fasica (&#8220;Creep&#8221;) e &#8220;The Bends&#8221; fosse um apanhado de lindas can\u00e7\u00f5es dolorosamente mel\u00f3dicas, a banda at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha ousado e colocado uma assinatura pr\u00f3pria em seu som. E, \u00f3bvio, foi a evolu\u00e7\u00e3o de &#8220;Ok Computer&#8221; que conquistou a devo\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de f\u00e3s e al\u00e7ou a banda ao posto de salva\u00e7\u00e3o do rock, transformando Yorke (a contra-gosto) em l\u00edder e porta-voz de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sonoramente o disco faz uma releitura tanto do psicodelismo quanto do progressivo, limando os excessos de cada g\u00eanero e acrescentando as doses de melancolia t\u00e3o presentes nos discos anteriores da banda. Mas, ao contr\u00e1rio dos antecessores, mais calcados na harmonia das m\u00fasicas como um todo, &#8220;Ok Computer&#8221; apresenta uma preocupa\u00e7\u00e3o imensa com os detalhes, com os timbres, com as texturas, com os pequenos riffs e solos que pontuam cada verso e estrofe. Suas m\u00fasicas s\u00e3o mais do que apenas uma base mel\u00f3dica. Elas s\u00e3o como pe\u00e7as de um quebra-cabe\u00e7a sonoro cuidadosamente estruturado. Seja nos momentos mais densos, como &#8220;Exit Music (For A Film)&#8221;, &#8220;Lucky&#8221; e &#8220;Climbing Up The Walls&#8221;, nos momentos mais vibrantes de &#8220;Airbag&#8221; e &#8220;Paranoid Android&#8221;, no britpop de &#8220;Electioneering&#8221;,&nbsp; ou no lirismo de &#8220;Let Down&#8221; e &#8220;No Surprises&#8221;, a banda vai acrescentando um a um os acordes, as notas, as mudan\u00e7as, os climas, sem se preocupar com as f\u00f3rmulas b\u00e1sicas da m\u00fasica pop. Basta dizer que \u00e9 um disco quase sem refr\u00e3es.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Radiohead - Paranoid Android\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fHiGbolFFGw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olhado com a dist\u00e2ncia do tempo, &#8220;Ok Computer&#8221; se apresenta como o retrato de toda uma gera\u00e7\u00e3o. \u00c9 como uma \u00f3pera-rock que versa sobre a vida moderna, uma cr\u00f4nica em preto e branco do s\u00e9culo 21 e principalmente do p\u00f3s-11 de setembro (n\u00e3o \u00e0 toa, Thom Yorke sempre foi tratado como vision\u00e1rio). Traz no amargor e na voz sofrida do vocalista a carga de uma era em que as pessoas cada vez mais se isolam de tudo e criam barreiras ao seu redor. \u00c9 uma \u00e9poca em que a conviv\u00eancia fica cada vez mais distante e impessoal. O ego\u00edsmo e a solid\u00e3o est\u00e3o presentes o tempo inteiro nos versos c\u00ednicos do cantor. Se &#8220;The Bends&#8221; era um disco basicamente sobre as rela\u00e7\u00f5es humanas (majoritariamente rom\u00e2nticas), &#8220;Ok Computer&#8221; \u00e9 um disco sobre o conflito do homem consigo mesmo, um auto-retrato da ang\u00fastia t\u00e3o caracter\u00edstica do vocalista \u2013 e que o assolaria como nunca ap\u00f3s o sucesso estrondoso do \u00e1lbum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como retrato de nossa era, &#8220;Ok Computer&#8221; diagnostica e radiografa perfeitamente os tempos do &#8220;politicamente correto&#8221;. Primeiro em &#8220;Karma Police&#8221; e sua amea\u00e7a constante de que &#8220;isso \u00e9 o que voc\u00ea leva, quando mexe conosco&#8221;. Mas nada como &#8220;Fitter, Happier&#8221; para explicar a monotonia e mesmice em que tantas pessoas tentam transformar o seu, o meu, o nosso mundo. Esteja em forma, trabalhe bastante, n\u00e3o beba em excesso, coma de forma correta, conviva melhor com as pessoas. Parece o discurso da abertura de &#8220;Trainspotting&#8221;, um manual de regras simples para a felicidade. De nada adianta, por\u00e9m, pois esse al\u00edvio moment\u00e2neo \u00e9 destru\u00eddo com for\u00e7a pelo pessimismo assolador de &#8220;No Surprises&#8221;, um dos melhores retratos do que uma vida com regras pr\u00e9-estabelecidas pode causar, e que foi traduzido de forma exuberante em seu clipe, em que o vocalista \u00e9 &#8220;afogado&#8221; em um aqu\u00e1rio enquanto canta: &#8220;No alarms, no surprises&#8221;. \u00c9 assim que vale a pena viver, sem ter nenhum tipo de novidade?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Radiohead - No Surprises\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/u5CVsCnxyXg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, sem d\u00favida alguma, a m\u00fasica que melhor expressa o disco como uma unidade \u00e9 &#8220;Paranoid Android&#8221; \u2013 n\u00e3o por acaso a melhor m\u00fasica da banda. Come\u00e7a com Yorke tentando espantar seus fantasmas internos enquanto os riffs de guitarra entrela\u00e7ados e a linha de baixo circular hipnotizam. O vocalista vai destilando sua ironia e expurgando seus dem\u00f4nios enquanto a can\u00e7\u00e3o cresce, at\u00e9 explodir no solo nervoso, r\u00e1pido, urgente de Jonny Greenwood. De repente tudo acalma e um coro angelical come\u00e7a a clamar pela chuva, uma pretensa reden\u00e7\u00e3o, que chega aos poucos, mas muito mais delicada do que em &#8220;Magn\u00f3lia&#8221;. Para terminar a poss\u00edvel lavagem da alma, nada melhor do que uma l\u00f3gica religiosa m\u00e1xima transbordando cinismo. &#8220;Deus ama seus filhos, Deus ama seus filhos&#8221;. \u00c9 necess\u00e1rio repetir muito para acreditar e n\u00e3o ficar louco neste mundo. &#8220;Ok Computer&#8221; \u00e9, enfim, desde seu t\u00edtulo, uma rendi\u00e7\u00e3o aos tempos modernos. N\u00e3o h\u00e1 como escapar do que se tornou a nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e7ada ao posto de melhor banda do mundo, o Radiohead teve que lidar com uma fama que nunca almejou. Para isso, o grupo criou uma base s\u00f3lida em si mesmo e resolveu tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio caminho, com cada passo milimetricamente calculado. O que aconteceu depois disso \u00e9 hist\u00f3ria, que culmina com o lan\u00e7amento de &#8220;In Rainbows&#8221; em 2007, o \u00e1lbum que colocou abaixo todo o modelo de ind\u00fastria musical como a conhec\u00edamos. Mas nada disso seria poss\u00edvel se, 10 anos antes, a banda n\u00e3o tivesse arrebatado uma multid\u00e3o de f\u00e3s com &#8220;Ok Computer&#8221;. Um disco sublime do primeiro ao \u00faltimo acorde, uma verdadeira obra de arte atemporal capaz de ser reanalisada e redescoberta por novos \u00e2ngulos com o passar dos anos. O mundo mudou nesse tempo, e s\u00f3 o Radiohead parece ter percebido isso&#8230; dez anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1uYWYWPc9HU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago Agostini \u00e9 jornalista e assina o blog <a href=\"http:\/\/baladadolouco.wordpress.com\/\">Balada do Louco<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O Scream &amp; Yell faz um retrospectiva da carreira da banda de Thom Yorke detalhando disco a disco a trajetoria de um dos poucos grupos que realmente importam no rock mundial. Semana que vem, \u201cKid A\u201d.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n&#8211; \u201cPablo Honey\u201d, por Eduardo Palandi (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/01\/20\/pablo-honey-obra-prima-do-radiohead\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cThe Bends\u201d, por Renata Honorato (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/04\/the-bends-o-melhor-do-radiohead\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cOk Computer\u201d, por Tiago Agostini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/11\/ok-computer-um-disco-fundamental\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cKid A\u201d, por Lu\u00eds Henrique Pellanda (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/18\/kid-a-o-radiohead-no-topo-do-mundo\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cAmnesiac\u201d, por Marco Tomazzoni (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/04\/amnesiac-a-vanguarda-do-rock\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; \u201cHail To The Thief\u201d, por Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/09\/hail-to-the-thief-e-a-volta-das-guitarras\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n&#8211; &#8220;In Rainbows&#8221;, por Alexandre Matias (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/03\/17\/in-rainbows-o-album-da-decada\/\">aqui<\/a>)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Direto ao ponto: &#8220;Ok Computer&#8221; \u00e9 o disco fundamental na trajet\u00f3ria e discografia do Radiohead. \u00c9 o rito de passagem de uma&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/11\/ok-computer-um-disco-fundamental\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[341],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=782"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75551,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/782\/revisions\/75551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}