{"id":77948,"date":"2023-11-13T12:58:26","date_gmt":"2023-11-13T15:58:26","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77948"},"modified":"2023-11-29T02:28:26","modified_gmt":"2023-11-29T05:28:26","slug":"ao-vivo-inspirado-caetano-celebra-o-jovial-e-dissonante-transa-com-amigos-e-sem-saudosismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/13\/ao-vivo-inspirado-caetano-celebra-o-jovial-e-dissonante-transa-com-amigos-e-sem-saudosismo\/","title":{"rendered":"Inspirado, Caetano Veloso celebra o jovial e dissonante \u201cTransa\u201d sem saudosismos em show no Rio"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marco Antonio Barbosa<\/a><br \/>\nfotos e v\u00eddeos de <a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cThe age of gold, yes, the age of \/ The age of old \/ The age of gold \/ The age of music is past\u201d. Pensei nesses versos ao ler, na manh\u00e3 do ultimo domingo (12\/11) <a href=\"https:\/\/chrisdallariva.substack.com\/p\/how-old-is-too-old-to-be-a-pop-star\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">este texto do jornalista e pesquisador Chris de La Riva<\/a> \u2013 ali\u00e1s, todo o <a href=\"https:\/\/chrisdallariva.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Substack<\/a> dele vale a pena. A reportagem aponta que um n\u00famero desproporcional de \u00eddolos pop (52%) atinge seu \u00e1pice comercial &amp; art\u00edstico antes dos 30 anos de idade. Uma reflex\u00e3o interessante, enquanto eu me preparava para assistir ao show-celebra\u00e7\u00e3o que Caetano Veloso preparou em tributo a \u201cTransa\u201d, realizado na noite de domingo, na Arena Jockey (Rio de Janeiro). O baiano tinha 29 anos quando come\u00e7ou a trabalhar no \u00e1lbum, hoje sua obra mais cultuada. Aos 81, Caetano j\u00e1 ultrapassou (ao menos aritmeticamente) seu z\u00eanite criativo. Mas nenhum outro nome de sua gera\u00e7\u00e3o \u2013 no Brasil e no exterior \u2013 exibe tamanhos f\u00f4lego e inspira\u00e7\u00e3o, evidentes mesmo num momento explicitamente revisionista.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77952\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/caetano2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/caetano2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/caetano2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a nova\/velha \u201cTransa\u201d de Caetano resgata o passado com um detalhismo que inclui os m\u00fasicos da grava\u00e7\u00e3o original: Jards Macal\u00e9 (viol\u00e3o, guitarra e vocal), Tutty Moreno (bateria) e \u00c1ureo de Souza (percuss\u00e3o), al\u00e9m de \u00c2ngela Ro Ro, revelada ao mundo no \u00e1lbum de 1972. (Faltaram os finados Moacir Albuquerque e Gal Costa.) S\u00f3 que a somat\u00f3ria vai al\u00e9m da recria\u00e7\u00e3o material do disco. As vers\u00f5es ao vivo soam muito fi\u00e9is \u00e0s de est\u00fadio; mas a principal presen\u00e7a no palco \u00e9 o pr\u00f3prio esp\u00edrito aventureiro do \u00e1lbum, jovial, buli\u00e7oso e dissonante como nunca, a despeito das d\u00e9cadas acumuladas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Professoral, Caetano faz quest\u00e3o de repassar o processo evolutivo que o levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum. Ou, como ele mesmo disse, \u201cO que aconteceu comigo no pr\u00e9-\u2018Transa\u2019\u201d, uma frase com duplos sentidos que certamente n\u00e3o escaparam ao baiano. O pr\u00e9-\u201cTransa\u201d de Caetano foi uma foda mal-dada, que culminou com sua pris\u00e3o em 1969 e o subsequente ex\u00edlio em Londres. \u201cPassei por xadrezes estranhos onde encontrei pessoas maravilhosas\u201d, conta o cantor, introduzindo as cruciais \u201cIrene\u201d e \u201cThe Empty Boat\u201d (1969) e \u201cMaria Beth\u00e2nia\u201d e \u201cLondon, London\u201d (1971). O pr\u00e9-show se encerra com \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d, do hom\u00f4nimo disco p\u00f3s-\u201cTransa\u201d (1973), que em 2023 ganhou ares de post-rock, gra\u00e7as aos dedilhados de Lucas Nunes. \u00c9 not\u00e1vel o empenho da banda ao recriar os arranjos (ainda que a falta da guitarra em \u201cIrene\u201d seja um pecado). Assim como na reinterpreta\u00e7\u00e3o da trinca inicial de can\u00e7\u00f5es do disco de 1972, \u201cTriste Bahia\u201d, \u201cNeolithic Man\u201d e \u201cIt\u2019s a Long Way\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77951\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/jards.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/jards.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/jards-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que as vers\u00f5es novas n\u00e3o difiram essencialmente das originais, \u00e9 percept\u00edvel uma atmosfera de jam session, com os m\u00fasicos tateando as harmonias e se divertindo. Caetano, quase im\u00f3vel no palco \u2013 mexe os bra\u00e7os e mais nada \u2013 aprova o clima com enormes sorrisos. Sem viol\u00e3o, sem coreografias, dedicado apenas ao microfone, o baiano ainda tem uma das gargantas mais precisas da MPB, dosando bem a voz para replicar as subidas e descidas de tom de cinco d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a trupe do disco original se junta ao conjunto, o neg\u00f3cio pega fogo imediatamente, com \u201cYou Don\u2019t Know Me\u201d adornada pelos fraseados de blues que Jards trama no viol\u00e3o. Uma pequena digress\u00e3o para que Macal\u00e9 apresente seu cl\u00e1ssico \u201cMal Secreto\u201d (e duetos com Caetano em \u201cCorcovado\u201d e \u201cSem Samba n\u00e3o D\u00e1\u201d) n\u00e3o chega a diminuir a temperatura, que retorna \u00e0 toda com \u201cMora na Filosofia\u201d \u2013 o epicentro dram\u00e1tico de \u201cTransa\u201d \u2013 e \u201cNine out of Ten\u201d, um dos manifestos definitivos da antropofagia tropicalista. Jards, j\u00e1 na guitarra, ajuda a banda na ponte entre o blues psicod\u00e9lico e a polirritmia baiano-jamaicana.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77949\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/angela.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"441\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/angela.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/angela-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma segunda digress\u00e3o, Caetano abre espa\u00e7o para \u00c2ngela Ro Ro, que canta os hits \u201cEsc\u00e2ndalo\u201d (composta pelo baiano) e \u201cAmor Meu Grande Amor\u201d. \u00c9 a repara\u00e7\u00e3o definitiva do ato falho da edi\u00e7\u00e3o original de \u201cTransa\u201d, que omitia em seus cr\u00e9ditos o nome dos m\u00fasicos participantes. Todos voltam para \u201cNostalgia\u201d, com Ro Ro na gaita lutando contra uma breve falha t\u00e9cnica no microfone (\u201cGal abre essa faixa \u2013 no disco &#8211; imitando uma gaitinha de blues, e a gaitinha que ela faz com a boca soa melhor do que a minha (risos)\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/14\/entrevista-angela-ro-ro-avisa-ja-foi-o-dinheiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">contou Ro Ro no Scream &amp; Yell<\/a>) e mais uma vez \u201cNine out of Ten\u201d, com Macal\u00e9 mais uma vez endiabrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O banzo e a saudade manifestados no LP de 1972 se transformam, em 2023, num clima de festa, com a cariocada cantando todo o repert\u00f3rio de um disco que, a rigor, n\u00e3o tem hits. Ao fim da celebra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00e3o os versos da \u00faltima can\u00e7\u00e3o que ecoam na mente, mas outros, tirados de \u201cAra\u00e7\u00e1 Azul\u201d: \u201cCom f\u00e9 em Deus \/ Eu n\u00e3o vou morrer t\u00e3o cedo\u201d. Um artista que, aos 81 anos, consegue revisitar uma parte fundamental de sua hist\u00f3ria sem saudosismo, n\u00e3o vai morrer t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Caetano Veloso apresenta &#039;Transa&#039; na Arena Jockey\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL6gBQKY5zwa0p-t5Lg9sOKIqJVhP27B2k\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Marco Antonio Barbosa \u00e9 jornalista (<a href=\"http:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medium.com\/telhado-de-vidro<\/a>) e m\u00fasico (<a href=\"http:\/\/borealis.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/borealis.art.br<\/a>).&nbsp;<\/em><br \/>\n<em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista. Apresenta o&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e escreve a newsletter&nbsp;<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O banzo e a saudade manifestados no LP de 1972 se transformam, em 2023, num clima de festa, com a cariocada cantando todo o repert\u00f3rio de um disco que, a rigor, n\u00e3o tem hits.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/13\/ao-vivo-inspirado-caetano-celebra-o-jovial-e-dissonante-transa-com-amigos-e-sem-saudosismo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":36,"featured_media":77950,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3756,1972,412],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77948"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/36"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77948"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77948\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":78288,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77948\/revisions\/78288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77950"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}