{"id":77802,"date":"2023-11-08T13:31:01","date_gmt":"2023-11-08T16:31:01","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77802"},"modified":"2023-12-08T15:25:42","modified_gmt":"2023-12-08T18:25:42","slug":"esse-voce-precisa-ler-a-piada-mortal-ainda-e-uma-das-obras-mais-celebradas-e-influentes-da-nona-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/08\/esse-voce-precisa-ler-a-piada-mortal-ainda-e-uma-das-obras-mais-celebradas-e-influentes-da-nona-arte\/","title":{"rendered":"Esse voc\u00ea precisa ler: Hist\u00f3ria da origem definitiva do Coringa, \u201cA Piada Mortal\u201d \u00e9 uma das obras mais celebradas da Nona Arte"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">texto especial de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez nenhum arqu\u00e9tipo seja t\u00e3o perene na hist\u00f3ria da cultura pop quanto o do arqui-inimigo. Seja no cinema, na literatura, no teatro ou nos quadrinhos, poucas ideias s\u00e3o t\u00e3o sedutoras quanto a de um personagem representar a ant\u00edtese de outro, e dos conflitos que tal oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 capaz de gerar. E, mesmo dentro da imensid\u00e3o do imagin\u00e1rio popular, poucos antagonistas s\u00e3o t\u00e3o onipresentes e facilmente reconhec\u00edveis quanto o Coringa.<\/p>\n<figure id=\"attachment_77803\" aria-describedby=\"caption-attachment-77803\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-77803 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/homemqueri.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/homemqueri.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/homemqueri-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-77803\" class=\"wp-caption-text\"><em>Conrad Veidt no filme \u201cO Homem Que Ri\u201d, de 1928<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O palha\u00e7o do crime, que fez sua estreia nas HQs em 1940 \u2013 um ano ap\u00f3s a primeira apari\u00e7\u00e3o de seu n\u00eamesis, o Batman \u2013 foi criado pelo trio Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson, que conceberam a identidade visual do criminoso usando como refer\u00eancia o personagem vivido por Conrad Veidt no filme impressionista \u201cO Homem Que Ri\u201d, de 1928. Apesar de muitas revis\u00f5es feitas em seu visual e suas principais caracter\u00edsticas desde sua origem, por\u00e9m, uma coisa suscitou aten\u00e7\u00e3o e intriga por meio dos f\u00e3s por d\u00e9cadas: ainda que inescap\u00e1vel nas p\u00e1ginas dos quadrinhos (e, mais tarde, nas TVs, na esteira da s\u00e9rie iniciada em 1966 que contava com a antol\u00f3gica interpreta\u00e7\u00e3o de Cesar Romero) e mesmo dividindo dois de seus tr\u00eas criadores com o Homem Morcego, faltava ao Palha\u00e7o do Crime algo que sobrava ao seu grande inimigo: uma hist\u00f3ria de origem concreta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 exce\u00e7\u00e3o, talvez, do Superman, o Batman tem uma das mais conhecidas e reproduzidas g\u00eaneses de todos os tempos. Para cada dez f\u00e3s capazes de se lembrarem do colar de p\u00e9rolas de Martha Wayne se desfazendo e do jovem Bruce de joelhos em um beco diante dos pais mortos, talvez um tivesse a m\u00ednima ideia da origem do Coringa. E assim foi, por muitos anos, at\u00e9 que um brit\u00e2nico, barbudo, anarquista e praticante de bruxaria tomasse para si a tarefa de determinar como, onde, e por que o sorridente criminoso se tornou o que era, e \u00e9. O resultado final, \u201cA Piada Mortal\u201d (&#8220;Batman: The Killing Joke&#8221; no original), n\u00e3o apenas se tornou um marco na carreira de Alan Moore (roteirista) e Brian Bolland (artista), mas tamb\u00e9m na hist\u00f3ria dos quadrinhos como um todo: mais do que tra\u00e7ar uma antol\u00f3gica origem para uma figura simultaneamente adorada e assustadora, os dois conduziram um estudo de caso em forma de graphic novel sobre os limites da insanidade e os mais perturbadores contornos da psique humana. Trinta e cinco anos depois de seu lan\u00e7amento, trata-se de uma das obras mais influentes da hist\u00f3ria da nona arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77805\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/batman1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"573\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/batman1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/batman1-300x229.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Moore, \u00e9 claro, j\u00e1 tinha status de lenda em 1988. Ap\u00f3s anos escrevendo para publica\u00e7\u00f5es como a 2000 AD e Warrior (na qual resgatou e revitalizou o antigo her\u00f3i Miracleman), o autor foi respons\u00e1vel por reformular o personagem do Monstro do P\u00e2ntano em hist\u00f3rias que se aproximavam muito mais do terror, e que simbolizaram seu primeiro trabalho junto a DC Comics. Hist\u00f3rias memor\u00e1veis com outros baluartes da editora, como o Superman e o Lanterna Verde, por\u00e9m, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/07\/28\/hq-antes-de-watchmen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">serviram como um prel\u00fadio<\/a> para aquele que seria seu feito mais renomado: com \u201cWatchmen\u201d (1986), Moore mudaria o curso das narrativas super-her\u00f3icas dentro e fora dos quadrinhos, empregando n\u00edveis de s\u00e1tira e reflex\u00f5es acerca da falibilidade de seres super-poderosos (ou n\u00e3o) e gerando uma s\u00e9rie de 12 edi\u00e7\u00f5es que se converteria em um fen\u00f4meno inter-geracional, trazendo personagens novos e instantaneamente reconhec\u00edveis e construindo um universo fascinantemente pr\u00f3ximo do mundo real, para o bem e para o mal. Dois anos depois, o escritor utilizaria seus talentos para trazer novos tons de realismo e drama n\u00e3o a uma nova figura, mas sim a um dos maiores s\u00edmbolos dos quadrinhos modernos. E ele n\u00e3o estaria sozinho: Brian Bolland, convocado para transformar as angulares narrativas de Alan em arte, tamb\u00e9m era oriundo de revistas e hist\u00f3rias de horror e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na Inglaterra, e seus tra\u00e7os hiper-realistas cairiam como uma luva sobre uma narrativa que fazia de seu aterrorizante protagonista uma figura com a qual, pasme, o leitor poderia at\u00e9 se identificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que era para ser uma rotineira visita ao Asilo Arkham se converte em um pesadelo familiar quando o Batman descobre que o Coringa, mais uma vez, fugiu. O g\u00e2ngster, por\u00e9m, tem um plano especial: desta vez, ele provar\u00e1 ao vigilante de Gotham City que os dois, afinal, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o diferentes assim. Para o palha\u00e7o, basta um dia ruim para que o mais s\u00e3o dos cidad\u00e3os desabe em dire\u00e7\u00e3o ao abismo da loucura. Ao fazer uma visita ao Comiss\u00e1rio Gordon, o criminoso, com a ajuda de seus capangas, fere a filha do policial, Barbara (que tamb\u00e9m atuava como a hero\u00edna Batgirl) com um tiro que fere a coluna da jovem e a paralisa. Ap\u00f3s espancar e sequestrar o veterano Gordon, o Coringa despe a mo\u00e7a baleada e, de modo cruel, tira diversas fotos de seu sofrimento, com as quais pretende enlouquecer o Comiss\u00e1rio e, assim, mostrar ao mundo, e ao Batman, que mesmo o mais correto ser humano precisa apenas de um empurr\u00e3ozinho para ceder a insanidade. O que se segue \u00e9 uma corrida contra o tempo para que Batman consiga derrotar seu mais antigo inimigo e salvar um de seus mais valorosos aliados.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77807\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"754\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal3-298x300.jpg 298w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal3-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em paralelo a isso, Moore se utiliza de inovadores elementos narrativos para contar a origem do Coringa. Um engenheiro sem nome, ele deixa seu emprego em uma empresa qu\u00edmica para se dedicar a carreira de comediante, ainda que pese o fato de ter uma esposa gr\u00e1vida e uma situa\u00e7\u00e3o financeira cr\u00edtica. Quando surge a oportunidade de conduzir um assalto, junto a um grupo de criminosos, a uma f\u00e1brica vizinha \u00e0quela onde trabalhava, o homem se v\u00ea mais pr\u00f3ximo de poder proporcionar uma vida mais tranquila a sua fam\u00edlia; um acidente dom\u00e9stico fatal que vitimiza sua esposa o faz repensar sua escolha, mas, pressionado pelos ladr\u00f5es, ele segue em frente com o plano, apenas para, disfar\u00e7ado como o criminoso Capuz Vermelho, ser surpreendido pela pol\u00edcia e pelo Batman. Ap\u00f3s uma persegui\u00e7\u00e3o, o homem, desesperado, se joga em um c\u00f3rrego de despejos da f\u00e1brica onde era empregado. Emergindo desfigurado, com o rosto branco e um permanente sorriso, o homem se deixa levar pelo trauma da perda e, assim, se transforma no lend\u00e1rio e temido man\u00edaco homicida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar de \u201cA Piada Mortal\u201d \u00e9, primeiramente, fazer refer\u00eancia \u00e0 primorosa arte de Brian Bolland. O artista, mais conhecido por suas deslumbrantes capas, v\u00ea na perturbadora hist\u00f3ria criada por Moore uma oportunidade de expandir seu rico estilo \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de todo um universo, e seu senso de ilumina\u00e7\u00e3o e realismo extremo fluem de modo brilhante pelas passagens mais tensas da obra \u2013 a passagem que retrata o surgimento do vil\u00e3o, em especial, \u00e9 at\u00e9 hoje digna de calafrios. Mas \u00e9 claro que o destaque fica para a brilhante roteiriza\u00e7\u00e3o de Alan Moore. Fazendo uso de t\u00e9cnicas de espelhamento como fio condutor para a inser\u00e7\u00e3o de flashbacks, e empregando altern\u00e2ncia entre passado e futuro de forma contextualmente fluida e consistente ao longo da hist\u00f3ria, o escritor segue um caminho n\u00e3o muito diferente (guardadas, claro, as devidas propor\u00e7\u00f5es) daquele que desenvolveu para aprofundar os personagens introduzidos em \u201cWatchmen\u201d. \u00c0 medida que a situa\u00e7\u00e3o no presente da hist\u00f3ria escala a n\u00edveis desesperadores, Moore orienta o leitor por situa\u00e7\u00f5es carregadas em di\u00e1logos que, ainda que n\u00e3o excessivos, trazem gravidade e peso ao trabalho \u2013 destaque para o melanc\u00f3lico e tenebroso encontro de Batman com a j\u00e1 vitimada Barbara no hospital.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77806\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal2-300x160.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m imprescind\u00edvel, em se tratando da graphic novel, \u00e9 falar sobre seu intrigante e d\u00fabio final. A ambiguidade do cl\u00edmax, no qual, ap\u00f3s capturado, o Coringa, num lapso moment\u00e2neo de sanidade, recusa a proposi\u00e7\u00e3o do her\u00f3i de poder ajud\u00e1-lo, numa tentativa de evitar o fato de que o longo conflito dos dois somente terminaria com uma morte de algum lado. Considerando-se uma causa perdida, o psicopata passa a contar uma piada, apenas para se ver rindo junto com seu arqui-rival, num final amb\u00edguo que, ao longo dos anos, passou a ser entendido por cada vez mais pessoas como uma representa\u00e7\u00e3o do Batman cruzando seu limite de n\u00e3o tirar uma vida, e estrangulando o Coringa. Tal interpreta\u00e7\u00e3o tomou mais for\u00e7a na grande m\u00eddia ap\u00f3s ter sido mencionada e defendida pelo tamb\u00e9m escritor de quadrinhos Grant Morrison no podcast de Kevin Smith, j\u00e1 em 2013. O fato \u00e9 que, apesar de nunca confirmada por nenhum de seus dois autores, tal vis\u00e3o do ponto final na hist\u00f3ria amplifica e aprofunda as dimens\u00f5es da narrativa e se firma como um dos pontos chave da hist\u00f3ria moderna do Batman e de seu n\u00eamesis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal interpreta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, exibe tamb\u00e9m uma poss\u00edvel contradi\u00e7\u00e3o em termos de continuidade: a paralisia derivada do ataque a Barbara Gordon teria impacto direto na linha editorial das revistas da Bat-Fam\u00edlia, onde, impossibilitada de seguir combatendo o crime, a jovem passaria a operar, de sua cadeira de rodas, um sistema de suporte aos her\u00f3is relacionados com o Homem-Morcego, assumindo a identidade de Or\u00e1culo. Desta forma, portanto, \u201cA Piada Mortal\u201d seria parte do c\u00e2none da DC, ponto fundamental na cronologia adotada principalmente a partir dos anos 90. A morte do Coringa, por\u00e9m, a colocaria \u00e0 parte das v\u00e1rias hist\u00f3rias escritas a partir da graphic novel, tendo em vista que o vil\u00e3o permanece vivo nas revistas subsequentes. Assim, a obra se encaixaria num ponto entre a cronologia \u201coficial\u201d da editora e um evento isolado, ocorrendo em uma realidade alternativa \u2013 chamada ent\u00e3o pela DC de \u201cElseworlds\u201d, ou \u201c T\u00fanel do Tempo\u201d, no Brasil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77808\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"394\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/piadamortal4-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Independente do status da HQ junto ao universo regular do Batman, \u00e9 ineg\u00e1vel o apelo que \u201cA Piada Mortal\u201d vem exercendo desde sua publica\u00e7\u00e3o original: um sucesso imediato, a hist\u00f3ria seria fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a concep\u00e7\u00e3o do Coringa em \u201cBatman\u201d (1989), com o diretor Tim Burton se declarando f\u00e3 do trabalho de Moore e Bolland. Certos elementos seriam tamb\u00e9m trazidos a tona nas representa\u00e7\u00f5es tanto de Heath Ledger (em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/12\/14\/batman-o-cavaleiro-das-trevas-agrada-o-publico-sem-deixar-de-conceber-uma-trama-inteligente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Cavaleiro das Trevas<\/a>\u201d, de Christopher Nolan, 2008 &#8211; pelo qual o ator ganhou um Oscar p\u00f3stumo) quanto de Joaquin Phoenix (no aclamado, embora divisivo \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/11\/13\/cinema-coringa-e-o-retrato-de-uma-sociedade-que-escolheu-a-barbarie\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Coringa<\/a>\u201d, de 2019, com dire\u00e7\u00e3o de Todd Phillips). \u201cA Piada Mortal\u201d foi finalmente adaptada em uma criticada e controversa anima\u00e7\u00e3o produzida pela Warner em 2016, no qual uma pouco-inspirada trama completamente original foi enxertada, e tomou conta da primeira parte do filme sem motivo aparente, inclusive chocando muitas pessoas devido a determinadas sequ\u00eancias inesperadas (trailer abaixo). Al\u00e9m do cinema, por\u00e9m, o quadrinho tamb\u00e9m foi de direta inspira\u00e7\u00e3o para o recente arco \u201cTr\u00eas Coringas\u201d, de 2020, no qual Bruce Wayne, uma reabilitada Barbara Gordon e Jason Todd (o segundo Robin, assassinado pelo Coringa no arco \u201cUma Morte na Fam\u00edlia\u201d, de 1989, mais tarde ressuscitado e trazido de volta sob a identidade do agora anti-her\u00f3i Capuz Vermelho) se confrontam com o Coringa, que aparenta ter sido n\u00e3o um, mas tr\u00eas indiv\u00edduos diferentes o tempo todo \u2013 um deles decalcado claramente no desenvolvido por Alan Moore e Brian Bolland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seja como for, \u201cA Piada Mortal\u201d segue sendo a hist\u00f3ria de origem definitiva do Coringa, refer\u00eancia m\u00e1xima de intepreta\u00e7\u00e3o do personagem em todo seu sadismo, e ao mesmo tempo o melhor e mais complexo retrato de sua complicada rela\u00e7\u00e3o com seu eterno algoz encapuzado. Desde sua publica\u00e7\u00e3o, continua sendo reimpressa e redescoberta por f\u00e3s de todas as idades, e ainda \u00e9 referenciada como uma das pedras angulares da Era Moderna dos quadrinhos. Dali a pouco tempo, Moore deixaria de colaborar com a DC, numa rela\u00e7\u00e3o conturbada que o manteve distante das v\u00e1rias adapta\u00e7\u00f5es de suas obras para qualquer m\u00eddia \u2013 incluindo \u201cWatchmen\u201d e \u201cA Piada Mortal\u201d. J\u00e1 Bolland seguiria desenhando capas maravilhosas e trabalhando em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es do ent\u00e3o rec\u00e9m-criado selo Vertigo. As obras posteriores dos dois, por\u00e9m, sempre ser\u00e3o interligadas por uma de suas mais perturbadoras e maravilhosas obras, no retrato definitivo de um dos mais controversos, familiares, intrigantes, tenebrosos e tr\u00e1gicos personagens da Nona Arte, seja l\u00e1 como foi que tudo come\u00e7ou. Afinal, como o pr\u00f3prio admite em um dos momentos chave da trama: \u201c\u00c0s vezes eu me lembro de uma forma, \u00e0s vezes de outra&#8230;se eu for ter um passado, prefiro que seja de m\u00faltipla escolha!\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Batman - A Piada Mortal (Trailer Oficial legendado)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t2vogqNOSRc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Batman tr\u00eas coringas - Trailer - DC comics\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nr_4tg-Vbz8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Refer\u00eancia m\u00e1xima de intepreta\u00e7\u00e3o do personagem em todo seu sadismo, e ao mesmo tempo o melhor e mais complexo retrato de sua complicada rela\u00e7\u00e3o com seu eterno algoz encapuzado\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/08\/esse-voce-precisa-ler-a-piada-mortal-ainda-e-uma-das-obras-mais-celebradas-e-influentes-da-nona-arte\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":77804,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[6891,3307,6892,4772],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77802"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77802"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77802\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77813,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77802\/revisions\/77813"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77804"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77802"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77802"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77802"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}