{"id":77769,"date":"2023-11-07T00:02:24","date_gmt":"2023-11-07T03:02:24","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77769"},"modified":"2024-01-05T01:27:24","modified_gmt":"2024-01-05T04:27:24","slug":"30-anos-de-skamoondongos-tamos-a-fim-de-retomar-essa-coisa-de-tentar-tocar-na-rua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/07\/30-anos-de-skamoondongos-tamos-a-fim-de-retomar-essa-coisa-de-tentar-tocar-na-rua\/","title":{"rendered":"Skamoondongos, 30 anos: &#8220;Tamos a fim de retomar essa coisa de tentar tocar na rua&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a>\u00a0<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/skamoondongos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Skamoondongos<\/a> vieram do punk e ao punk est\u00e3o voltando. Mas calma, que o nome da banda n\u00e3o \u00e9 propaganda falsa: trata-se, hoje e sempre, de uma banda de ska, uma das pouqu\u00edssimas do estilo no Brasil a conseguir botar a cabe\u00e7a um pouco pra fora do underground.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Explica-se: finalmente a banda paulista deve lan\u00e7ar seu segundo \u00e1lbum. Embora ativa desde 1994 (com dez anos de pausa nesse tempo), \u201cSegundo\u201d, de 1995, \u00e9 o \u00fanico \u00e1lbum oficial deles at\u00e9 o momento. Os tr\u00eas singles lan\u00e7ados nos \u00faltimos anos &#8211; \u201cContra\u201d (2019), \u201cMedo\u201d (de 2022, cover do cl\u00e1ssico do C\u00f3lera) e \u201cBella Ciao\u201d (2023), trazem um peso que n\u00e3o fazia parte da sonoridade registrada em disco at\u00e9 ent\u00e3o. Mas n\u00e3o \u00e9 exatamente uma novidade, j\u00e1 que os Skamoondongos tiveram sua origem na cena punk da Grande SP. Esse segundo \u00e1lbum ser\u00e1, portanto, uma esp\u00e9cie de resgate da origem do grupo. Mas muita \u00e1gua rolou antes disso acontecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil quase teve um \u201cver\u00e3o do ska\u201d no final dos anos 1990. Esse \u201cquase\u201d \u00e9 uma certa licen\u00e7a po\u00e9tica, porque o que aconteceu foi que uma gravadora, a Paradoxx Music, que tinha boa penetra\u00e7\u00e3o de mercado por editar e distribuir as colet\u00e2neas chanceladas pela r\u00e1dio Jovem Pan, decidiu investir em g\u00eaneros diferentes, e apostou no ska. Skamoondongos e Skuba estavam entre os contratados da gravadora, e tiveram l\u00e1 os seus hits \u2013 hits mesmo, de tocar ostensivamente nas r\u00e1dios e ser conhecidos por muita gente que nem fazia ideia do que era ska.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Skuba (de onde saiu Sergio Sofiatti, hoje \u00e0 frente da Orquestra Brasileira de M\u00fasica Jamaicana) tinha \u201cN\u00e3o Existe Mulher Feia\u201d e \u201cS\u00f3 Amo Essa Mulher\u201d (e vale notar como o \u00e1lbum deles hoje provavelmente nem seria lan\u00e7ado por uma gravadora, j\u00e1 que as letras tinham forte carga machista). J\u00e1 o Skamoondongos emplacou \u201cPobre Plebeu\u201d, cujo clipe tamb\u00e9m teve boa rota\u00e7\u00e3o na MTV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se n\u00e3o chegava a ser um boom mercadol\u00f3gico como foi nos EUA com a \u201cterceira onda\u201d do ska, pelo menos parecia que o ritmo finalmente entraria pro inconsciente coletivo dos ouvintes brasileiros. Mas n\u00e3o foi o caso. V\u00e1rios perrengues bastante comuns na ind\u00fastria musical fizeram que ambas as bandas n\u00e3o conseguissem dar voos mais altos, apesar de tentarem, e ambas interromperam suas atividades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Skuba, impulsionado por desgastes internos, acabou de vez, mas os Skamoondongos, n\u00e3o. Ou quase. \u201cA gente se falava, mas n\u00e3o tocava nem ensaiava. A gente dizia que era uma \u2018pausa por tempo indeterminado\u2019\u201d, conforme conta Alessandro Krenek, mais conhecido como Axl Rude, a voz da banda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Axl e Wellington de Mello (bateria) s\u00e3o os \u00fanicos remanescentes dessa primeira forma\u00e7\u00e3o. Ao lado deles, est\u00e3o Nicolas Miranda (guitarra), Anderson Buda (baixo), Marc\u00e3o Lespier (sax bar\u00edtono), Muka Badelatto (trompete), Rodrigo \u201cRoddy\u201d Sonnesso (trombone) e Pera (teclados e gaita). A banda recentemente abriu <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/14\/ao-vivo-em-porto-alegre-toy-dolls-desfila-hits-do-submundo-da-cultura-pop-conectando-o-publico-com-o-punk-e-a-alegria-de-viver\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">shows brasileiros dos Toy Dolls<\/a> e dos Toasters, e \u00e9 uma das atra\u00e7\u00f5es da primeira edi\u00e7\u00e3o do festival <a href=\"https:\/\/www.clubedoingresso.com\/evento\/spmusicexperience\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">SP Music Experience<\/a>, que acontece na capital paulista no dia 19 de novembro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Axl e os Skamoondongos querem, literalmente, as ruas. A ideia \u00e9 fazer de 2024 n\u00e3o necessariamente um ano de comemora\u00e7\u00e3o dos 30 anos de funda\u00e7\u00e3o da banda, mas sim um per\u00edodo de muita atividade, onde a celebra\u00e7\u00e3o acontece por si s\u00f3. Nessa entrevista concedida via Google Meet ao Scream &amp; Yell, ele fala desses planos, da postura claramente antifascita da banda e dos percal\u00e7os que vieram com a maior exposi\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica na primeira fase da banda.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SKAMOONDONGOS - BELLA CIAO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TSXRZ60QXJY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O plano inicial era botar o disco novo na rua em dezembro. A data continua de p\u00e9?<\/strong><br \/>\nA gente estava tentando terminar o \u00e1lbum, mas foram aparecendo muitos convites para a gente tocar nesses \u00faltimos meses. A gente fez uma parte da turn\u00ea do Toy Dolls em setembro, abrindo pra eles em S\u00e3o Paulo e em Curitiba, tamb\u00e9m chamaram a gente pra abrir pros Toasters em outubro, e tem o show que vamos fazer agora no dia 19 de novembro, que vai ser o \u00faltimo show do ano (no festival SP Music Experience, no Fabrique, na capital paulista). Como n\u00f3s somos em oito, um show demanda uma aten\u00e7\u00e3o especial em ensaios, o que acaba prejudicando um pouco essa parte da grava\u00e7\u00e3o. Se tudo der certo, a gente vai se trancar no est\u00fadio depois desse show do dia 19, mas acho que o lan\u00e7amento realmente vai ficar pro come\u00e7o do ano que vem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E vai ser um lan\u00e7amento comemorativo de certa forma, n\u00e3o? Afinal, \u00e9 o segundo disco da banda, no ano em que ela completa 30 anos\u2026<\/strong><br \/>\nA gente est\u00e1 pensando em fazer algo assim, uma parte com as coisas mais recentes e quem sabe fazer alguns alguns shows espor\u00e1dicos comemorativos, chamando pessoas da \u00e9poca [do primeiro disco].<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Uma das faixas do disco novo que j\u00e1 foi lan\u00e7ada foi essa vers\u00e3o do hino partisano \u201cBella Ciao\u201d. Quando voc\u00ea a anunciou ao vivo no show de abertura do Toy Dolls, pensei: \u201cP\u00f4xa, ser\u00e1 que fazer uma m\u00fasica antifascista no underground n\u00e3o \u00e9 pregar para convertidos\u201d? Mas a\u00ed a ingenuidade passou e vi que n\u00e3o (risos).<\/strong><br \/>\nVamos dizer que os fascistas no underground t\u00eam um pouco mais de vergonha de se assumir, mas tem bastante fascismo no underground, no punk, no metal, no ska\u2026. Inclusive, por sermos abertamente anti-fascistas, anti-machistas e anti-racistas, recebemos bastante convite pra tocar. Tem produtor que fala que chama a gente porque quer que o p\u00fablico saiba que aquela festa n\u00e3o \u00e9 para qualquer um (risos). Como eles n\u00e3o querem fascista ali, chamam a gente pra participar. No come\u00e7o dos anos 1990, a cena era bem dif\u00edcil: tinha todo tipo de preconceito de classe e de ra\u00e7a, mas tamb\u00e9m tinha preconceito musical, tipo \u201cesse estilo \u00e9 dessa gangue\u201d, \u201cesse estilo \u00e9 daquela gangue\u201d, n\u00e3o poder misturar isso com aquilo\u2026 E a gente fazia show com banda de metal, de hip hop, sempre teve essa coisa da uni\u00e3o. Demorou pra galera aceitar, tinha muito local que n\u00e3o aceitava marcar show. E a\u00ed com o tempo foi melhorando, mas realmente, esse governo anterior abriu a porta do bueiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tirou o pessoal do arm\u00e1rio.<\/strong><br \/>\nA gente via muito cara que a gente j\u00e1 notava&#8230; De olhar pro cara, pelas atitudes do dia a dia, voc\u00ea j\u00e1 sacava as ideias meio esquisitas\u2026 Mas, de repente, deram aval para o cara falar o que ele queria, o que ele sentia de verdade. Por um lado foi bom, porque escancarou realmente o que cada um pensa e agora a gente sabe quem t\u00e1 do lado de l\u00e1 e quem t\u00e1 do lado de c\u00e1 do muro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cSegundo\u201d era um disco com uma sonoridade bem limpa. Tinha seu peso, mas era mais pop. Esse novo momento da banda vem com cover do C\u00f3lera, muita distor\u00e7\u00e3o, uma coisa de assumir a heran\u00e7a punk, j\u00e1 que voc\u00eas se criaram nela. O que levou a essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nEu acho que foi mesmo um resgate. A gente saiu do punk, principalmente eu e o Wellington. Quando fomos gravar o \u201cSegundo\u201d, a gente teve a ajuda e a produ\u00e7\u00e3o do grande Clemente, dos Inocentes, e a gente tinha a proposta de deixar o som mais ska ainda, porque era uma novidade, n\u00e3o tinha ska na m\u00eddia. A gente n\u00e3o fazia essa coisa limpa, o som era calcado no ska punk. S\u00f3 que a gente achou legal essa proposta, e foi bacana pra caramba fazer desse jeito. Mas quando a gente estava tocando o disco na turn\u00ea, tudo foi ficando um pouco mais pesado, porque a nossa ess\u00eancia mesmo \u00e9 essa coisa mais visceral no palco. Depois do breque que demos nos anos 2000, voltamos e viemos com tudo, trazendo essa bagagem toda do punk, mas sabendo exatamente como dosar o que precisa, n\u00e3o tendo que moldar o som por nada. Nunca foi pedido para a gente tocar assim ou assado, mas a gente mesmo ficava em d\u00favida se n\u00e3o era melhor fazer com uma guitarra um pouco mais limpa. Fora que a gente era um pouco mais verde, meio caba\u00e7o em grava\u00e7\u00e3o. A gente n\u00e3o sabia exatamente o que queria mostrar, tanto que o Clemente, que produziu o nosso disco, foi no nosso show de 20 anos \u2013 10 anos atr\u00e1s, n\u00e9? (risos) \u2013 e falou?,\u201dAgora voc\u00eas sabem o que voc\u00eas querem\u201d. Agora a gente amadureceu como m\u00fasico, e isso ajudou a dar uma clareada. A m\u00fasica j\u00e1 sai da gente como a gente quer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Skamoondongos - Pobre Plebeu\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1VMfKRVYgGM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu lembro que, um tempo ap\u00f3s o fim do contrato com a Paradoxx, voc\u00eas lan\u00e7aram algumas faixas soltas em um dos primeiros sites que oferecia download em mp3 &#8211; era o mp3 Club, se n\u00e3o me engano. Chegaram at\u00e9 a tocar algumas delas no programa Musikaos, da TV Cultura. Mas hoje essas faixas est\u00e3o praticamente desaparecidas. Voc\u00eas n\u00e3o t\u00eam interesse em disponibiliz\u00e1-las nos servi\u00e7os de streaming?<\/strong><br \/>\nA gente quer, sim. Estamos tentando achar uma m\u00eddia que esteja um pouco melhor pra gente poder mexer. Eu acho que elas est\u00e3o em alguma dessas plataformas mais antigas\u2026 N\u00e3o \u00e9 no GrooveShark, porque ele sumiu (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nem na Trama Virtual (risos).<\/strong><br \/>\nPois \u00e9. Acho que \u00e9 no Soundcloud (nota: n\u00e3o era. A banda ainda tem um perfil no Soundcloud, mas, no fim, essas faixas \u2013 \u201cEla N\u00e3o Mais Est\u00e1\u201d, \u201cBota pra Dan\u00e7ar\u201d, \u201cVoc\u00eas J\u00e1 Ouviram Falar\u201d e a vers\u00e3o para \u201cIntoler\u00e2ncia\u201d, dos Inocentes \u2013 est\u00e3o apenas <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@skamoondongos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no canal da banda no Youtube<\/a>). Mas a gente tem vontade de lan\u00e7ar elas nos streamings, sim. Inclusive a gente tem o bootleg do show de 20 anos no SESC. T\u00ednhamos o projeto de lan\u00e7ar um CD ou um DVD, mas a produtora com quem a gente tinha parceria acabou n\u00e3o captando as imagens, n\u00e3o deu muito certo. Mas temos o \u00e1udio, e pensamos em lan\u00e7ar ele nas plataformas tamb\u00e9m. Tamb\u00e9m podemos acabar incluindo esse material como b\u00f4nus em algum poss\u00edvel lan\u00e7amento em formato f\u00edsico no futuro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Skamoondongos - Voc\u00eas j\u00e1 ouviram falar\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vVAzSV4I5FY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cSegundo\u201d teve uma rota\u00e7\u00e3o legal, \u201cPobre Plebeu\u201d tocou em r\u00e1dios pop e na MTV, enfim\u2026 Voc\u00ea conhece bem a hist\u00f3ria (risos). Mas voc\u00ea j\u00e1 disse em outras entrevistas que lidar com toda aquela engrenagem do mercado da m\u00fasica foi bem desanimador. Tinha a quest\u00e3o do jab\u00e1, o lance de voc\u00eas come\u00e7arem a ter que circular em ambientes onde voc\u00eas n\u00e3o se identificavam, essas coisas. A pergunta \u00e9: passado tanto tempo, que li\u00e7\u00e3o fica de ter vivenciado isso tudo?<\/strong><br \/>\nQue a gente tem que estar com a r\u00e9dea da nossa carro\u00e7a. N\u00e3o adianta voc\u00ea delegar para outras pessoas. Por mais que sejam pessoas que estivessem carregadas de boas inten\u00e7\u00f5es, cada um tem a sua maneira de ver o corre. Principalmente em quest\u00f5es sobre como organizar um evento ou como organizar um lan\u00e7amento de CD, onde colocar a m\u00fasica para tocar. A gente tinha muito isso com a gravadora [Paradoxx]. Eles falavam: \u201cn\u00e3o, agora voc\u00eas t\u00eam que tocar aqui\u201d, ou ent\u00e3o o nosso empres\u00e1rio da \u00e9poca que dizia \u201cessa cidade aqui \u00e9 importante, voc\u00eas t\u00eam que tocar nessa regi\u00e3o\u201d, e quando a gente chegava l\u00e1, a galera conhecia s\u00f3 a m\u00fasica que tocava no r\u00e1dio. S\u00f3 tinha duas ou tr\u00eas pessoas que estavam ali realmente por n\u00f3s, que falavam \u201cp\u00f4, que legal que voc\u00eas vieram, porque s\u00f3 a gente gosta e mais ningu\u00e9m conhece voc\u00eas por aqui\u201d. A gente tamb\u00e9m percebeu que tinha locais que a gente acabou n\u00e3o fazendo. Por exemplo, nunca tocamos no Rio de Janeiro, nem na maioria das capitais do Norte e Nordeste. Ficou muito em S\u00e3o Paulo e em Minas; A gente tocava bastante no litoral de S\u00e3o Paulo. Era legal tocar em lugares diferentes e conhecer novas pessoas, levar o ska pra uma galera que n\u00e3o conhecia o estilo, mas ficava muito sem contexto tamb\u00e9m. Chegou a rolar uma turn\u00ea que era a gente, o Skuba e o Boi Mam\u00e3o (nota: companheiros de gravadora e ambos de Curitiba, o primeiro num ska mais pop, e o segundo bem skacore). Depois o Boi Mam\u00e3o saiu, ficamos n\u00f3s e o Skuba, e \u00e0s vezes a gente ia tocar em lugar com uma estrutura boa de palco, mas n\u00e3o era a casa certa na cidade. Ia r\u00e1dio, ia a TV da regi\u00e3o pra falar com a gente, mas faltava a gente estar inserido na casa certa da regi\u00e3o. Era uma casa que n\u00e3o tinha nada que remetesse ao underground, ao ska, a gente ia parar em lugares que normalmente tinham uma programa\u00e7\u00e3o de samba, ax\u00e9, e a\u00ed o p\u00fablico \u00e0s vezes nem ficava sabendo que a gente ia tocar, a propaganda que rolava na r\u00e1dio n\u00e3o era direcionada para a galera, era para um p\u00fablico mais pop, o lugar muitas vezes era mais caro e a galera nem podia pagar\u2026 Ent\u00e3o, ficou esse aprendizado que a gente tem que cuidar do nosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu cheguei a ver um show dessa turn\u00ea. Era num clube de campo em Taubat\u00e9, e voc\u00eas tocaram depois de algum playback de dance music. (risos)<\/strong><br \/>\nFoi naquela \u00e9poca que tinha a turn\u00ea do Tit\u00e3s do \u201cAc\u00fastico MTV\u201d (1997). E \u00f3bvio que Tit\u00e3s \u00e9 um outro patamar de p\u00fablico, uma banda que era muito grande, \u00e9 at\u00e9 hoje, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/19\/ao-vivo-mesmo-engessada-formacao-classica-dos-titas-mostra-em-sp-que-ainda-faz-um-dos-melhores-shows-do-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vide essa \u00faltima turn\u00ea<\/a>. Eles estavam tocando muito em rodeios, a\u00ed a gravadora achou que ia ser legal colocar a gente nesse circuito tamb\u00e9m (risos). Teve show que a gente se divertia porque, meu, a gente ganhava uma ajuda de custo e o show virava um ensaio pro pr\u00f3ximo show (risos). Porque n\u00e3o ficava quase ningu\u00e9m. Tocava um artista sertanejo, a gravadora tinha bastante cantores de country, e eles n\u00e3o deixavam a gente tocar antes deles, porque sabia que ia chocar o p\u00fablico (risos). A gente ficava pra \u00faltima banda do evento. Eu lembro que teve um rodeio, n\u00e3o me lembro em que cidade, mas era um gin\u00e1sio onde teve um rodeio de b\u00fafalos (risos). A gente ficou no \u00f4nibus [antes do show] porque a produ\u00e7\u00e3o da banda country n\u00e3o deixou a gente nem pisar no palco antes de acabar o show deles (risos). Era um show em que a cantora subia a cavalo no palco, esse tipo de coisa (risos). Na hora que a gente entrou no palco e o [ent\u00e3o guitarrista] Bag\u00e3o ligou o amplificador, fez aquele som de distor\u00e7\u00e3o e a gente olhou pro lugar (faz um gesto de dispers\u00e3o)&#8230; Come\u00e7ou a esvaziar. Ficaram os dois rapazes da r\u00e1dio rock da cidade, que estavam l\u00e1 cobrindo; ficou o motorista do \u00f4nibus e os b\u00fafalos (risos). N\u00e3o tava no nosso controle, pra gente era tudo novidade. Quando a gente foi perceber, j\u00e1 estava tudo ficando bem desgastado, e foi quando a gente pensou em romper tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Estamos falando de eventos de 25, 26 anos atr\u00e1s. A banda parou em 2000, e quando voltou em 2010, n\u00e3o foi com a mesma forma\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas ainda mant\u00e9m contato com os ex-integrantes? Por que eles n\u00e3o voltaram na retomada da banda?<\/strong><br \/>\nCom alguns, a gente tem contato, sim. Com o Caio [Fort\u00e3o, que dividia os vocais com Axl] eu tive outras bandas, at\u00e9, nesse hiato entre 2000 e 2010. O Extra Stout juntava v\u00e1rias pessoas do underground para tocar ska e soul, e depois o Caio acabou se afastando. N\u00e3o teve nenhuma briga, nada, foi s\u00f3 que a gente acabou seguindo caminhos diferentes. Foi bem nessa volta do Skamoondongos: o Caio voltou, fez alguns ensaios, e falou \u201cn\u00e3o, n\u00e3o quero mais\u201d. Do mesmo jeito tamb\u00e9m o Bag\u00e3o, que era o guitarrista e compositor das m\u00fasicas mais cl\u00e1ssicas, tamb\u00e9m falou que n\u00e3o tava a fim. Ele tem um projeto de reggae e de m\u00fasica eletr\u00f4nica, e \u00e9 produtor de muitos cantores, muitas bandas. Mas assim, ele saiu s\u00f3 dos palcos, mas t\u00e1 no Skamoondongos ainda, porque ele \u00e9 o nosso t\u00e9cnico de som (risos). Com o baixista [Waldiney Shaolin], a gente se fala muito tamb\u00e9m, mas ele trabalha com eventos, desistiu da carreira de m\u00fasica assim. E com outros a gente perdeu contato porque foram morar em outra cidade, outros estados. Foi o caso da Carlinha, do saxofone, que foi morar em Minas Gerais e tamb\u00e9m parou de tocar (nota: Axl n\u00e3o citou, mas a banda ainda contava com o percussionista Breno Sacom\u00e3). Quando voltou a banda, voltamos s\u00f3 eu e o Wellington. E o Buda, que n\u00e3o era da banda, mas j\u00e1 era da nossa da nossa galera daquela \u00e9poca e \u00e9 o atual baixista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No ano que vem, voc\u00eas completam 30 anos, e se for considerar o quanto voc\u00eas tocaram nesse ano de 2023, d\u00e1 pra presumir que voc\u00eas v\u00e3o tocar pra caramba em 2024. Voc\u00ea acha que pode ser o per\u00edodo de maior atividade da banda depois desse retorno de 2010?<\/strong><br \/>\nEu acho que sim. mas tamb\u00e9m tentando tocar n\u00e3o s\u00f3 em festivais, mas tamb\u00e9m tocar em locais que a gente n\u00e3o consegue chegar, ou que a gente j\u00e1 chegou h\u00e1 muitos anos e pretende retomar. Como tocar na periferia de S\u00e3o Paulo. No ano passado ou retrasado, tocamos no extremo da Zona Sul e foi muito legal. Foi um evento horizontal que a pr\u00f3pria galera dos coletivos de l\u00e1 organizou, colocou o som numa quadra com a crian\u00e7ada brincando de um lado, atividade de fanzine, loja, rango, banda de rap. E a gente tocou muito uma \u00e9poca na extrema Zona Leste, tinha uma galera muito legal de l\u00e1 que adorava ska, ent\u00e3o a gente pegava, entrava num carro e ia pra l\u00e1 e fazia um meio que um show surpresa pra galera, a gente nem divulgava muito. Tamos a fim de retomar essa coisa de tentar tocar na rua, de gra\u00e7a.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SKAMOONDONGOS - MEDO (C\u00d3LERA)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xrBnivXFOdI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell. A foto que abre o texto \u00e9 de Marito Palhares<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os Skamoondongos vieram do punk e ao punk est\u00e3o voltando. Mas calma, que o nome da banda n\u00e3o \u00e9 propaganda falsa: trata-se, hoje e sempre, de uma banda de ska&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/11\/07\/30-anos-de-skamoondongos-tamos-a-fim-de-retomar-essa-coisa-de-tentar-tocar-na-rua\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":6,"featured_media":77771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6890],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77769"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77769"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77769\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77774,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77769\/revisions\/77774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}