{"id":77618,"date":"2023-10-27T17:16:40","date_gmt":"2023-10-27T20:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77618"},"modified":"2023-11-25T00:03:52","modified_gmt":"2023-11-25T03:03:52","slug":"faixa-a-faixa-solar-sun-ra-in-brasil-pelo-produtor-xuxa-levy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/27\/faixa-a-faixa-solar-sun-ra-in-brasil-pelo-produtor-xuxa-levy\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: &#8220;Solar: Sun Ra in Brasil&#8221;, disco que re\u00fane Met\u00e1 Met\u00e1, Edgar, X\u00eania Fran\u00e7a, Jazzmeia Horn, Hamilton de Holanda e mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto e faixa a faixa por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/xuxalevy\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Xuxa Levy<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando B\u00e9co Dranoff, A&amp;R (Diretor Art\u00edstico) da produtora musical norte-americana <a href=\"https:\/\/redhot.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Red Hot Organization<\/a> (que j\u00e1 <a href=\"https:\/\/redhot.org\/projects\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">produziu diversos discos ic\u00f4nicos<\/a> como &#8220;Red-Hot + Blue&#8221;, 1990; &#8220;No Alternative&#8221;, 1992 e &#8220;Red-Hot + Rio&#8221;, 1996, com participa\u00e7\u00f5es de artistas gal\u00e1cticos do calibre de Madonna, U2, Nirvana, Seal, entre outros) me chamou para produzir a etapa brasileira de uma s\u00e9rie internacional de \u00e1lbuns que est\u00e3o sendo realizados em homenagem ao maestro norte-americano Sun Ra, confesso que me deu um arrepio na alma, pois sabia o tamanho da profundidade do mergulho que teria que ser dado:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de compositor, maestro, tecladista e poeta, Sun Ra \u00e9 \u201capenas\u201d o Pai do Afrofuturismo: movimento cultural, est\u00e9tico e pol\u00edtico que surgiu nos anos 50 utilizando, a partir da perspectiva do povo negro, elementos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para criar narrativas de protagonismo e celebra\u00e7\u00e3o de identidade. Uma contundente ferramenta de luta social contra o racismo e a opress\u00e3o, que nos anos 70 dialogou fortemente com outros movimentos como os Black Panthers etc.., quanto com uma sonoridade muito peculiar na hist\u00f3ria da m\u00fasica mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A The Sun Ra Arkestra (Arca+Orquestra) propunha, como forma de linguagem, um tipo de caos extremamente organizado, conectado com os movimentos da natureza e aos planetas, onde os m\u00fasicos, que viviam em comunidade, tocavam de forma livre e reagindo, de forma \u00fanica a est\u00edmulos comandados pelo maestro, e faziam de suas apresenta\u00e7\u00f5es verdadeiras experi\u00eancias sensoriais. Al\u00e9m disso, outra caracter\u00edstica era o uso pioneiro de sintetizadores no jazz e na m\u00fasica independente, possu\u00edam o seu pr\u00f3prio selo, faziam as suas pr\u00f3prias artes de capas, figurinos, maquiagem, etc.).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma coisa desde o dia 1 estava muito clara para mim: Esse trabalho N\u00c3O poderia ser uma mera execu\u00e7\u00e3o \u201cBrazillian jazz\u201d de sua obra. Isso seria muito pouco para reagir a um convite desses, principalmente no recorte da hist\u00f3ria do Brasil em que viv\u00edamos: Uma pandemia, o pa\u00eds governado sob ideologias neofascistas e negacionistas (milh\u00f5es de pessoas mortas por Covid, sem vacinas) e racistas (uma pessoa negra sendo morta pela pol\u00edcia a cada 4 horas no pa\u00eds) segundo a CNN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A arte de Sun Ra tinha uma grande possibilidade de ecoar de forma cr\u00edtica e subversiva na mente dos jovens em todo o mundo que lutam contra a opress\u00e3o. O mais importante naquele momento, deveria ser o discurso liter\u00e1rio e, musicalmente, fugir do clich\u00ea que se espera de um projeto como esse (sintetizadores, m\u00fasicos de free jazz improvisando e MCs de rap) e partir para uma linguagem exclusiva, contempor\u00e2nea, e Afrofuturista Brasileira, que bebe na ancestralidade e espiritualidade dos tambores e c\u00e2nticos de matrizes africanas, como tamb\u00e9m \u00e0 linguagem eletr\u00f4nica da m\u00fasica pop, passando pelo jazz e apontando para novas rotas de linguagens. E assim foi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhe\u00e7a, abaixo, faixa a faixa, \u201cSolar: Sun Ra in Brasil\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Solar - Sun Ra in Brasil\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0W4ObZ5NEqA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>A primeira fagulha sonora que abre o disco Solar s\u00e3o atabaques da Na\u00e7\u00e3o Ketu do Candombl\u00e9 pedindo licen\u00e7a, enquanto Sun Ra se apresenta \u00e0queles que o desconhecem (Mr. Mystery). Assim se d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 combina\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 permear todo o disco: a conex\u00e3o entre o futuro e a ancestralidade do povo negro.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) ASTROBLACK ORUNMIL\u00c1:<\/strong> Mitologia astro-negra, imortalidade astro-temporal! O s\u00edmbolo antigo eg\u00edpcio Ouroboros (a cobra comendo o pr\u00f3prio rabo), presente na tumba de Tutanc\u00e2mon, \u00e9 muito presente em muitas culturas mundiais, mas no Brasil se faz presente nos mitos e grafias do Candombl\u00e9, e serviu de inspira\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o dessa pe\u00e7a. A escolha da Orquestra Afrosinf\u00f4nica, de Salvador (BA), para ser o fio condutor desse tema n\u00e3o foi \u00e0 toa. Todos ali, capitaneados pelo maestro Ubiratan Marques levam MUITO a s\u00e9rio seus fundamentos com sua religi\u00e3o, sobre se conectar (religar) com a terra e com o sutil. Quando mostrei a ideia da participa\u00e7\u00e3o deles ao projeto, me pediram op\u00e7\u00f5es de m\u00fasicas e tempo, pois precisavam absorver a ideia e pedir permiss\u00e3o a seus Babalorix\u00e1s para execut\u00e1-las de forma \u00e9tica e condizente com suas cren\u00e7as e ideais. \u201cAstro Black\u201d foi a escolhida e arranjada pelo maestro Ubiratan Marques, que me pediu uma condi\u00e7\u00e3o: que se executasse o canto \u201cOrunmil\u00e1\u201d tradicional do povo Ketu, ao mesmo tempo, em sobreposi\u00e7\u00e3o de vozes (nada \u00e9 ao acaso&#8230; estudiosos do Candombl\u00e9 e de Sun Ra encontrar\u00e3o muitas similitudes entre o mito do Orix\u00e1 e a narrativa em que Sun Ra dizia de si mesmo: o mensageiro que trafega entre o sutil e o terreno, que interpreta o passado, o presente e o futuro para a organiza\u00e7\u00e3o da Terra). A perfei\u00e7\u00e3o do arranjo e a execu\u00e7\u00e3o dos m\u00fasicos \u00e9 primorosa, valendo ressaltar o solo inspirado (gravado em apenas um take) pelo jovem saxofonista Nilton Azevedo. \u201cAstro Black\u201d \u00e9 considerada por muitos como a pedra angular do trabalho de Ra. Sua poesia fala sobre mitologia solar, sobre o som m\u00edstico, imortal, livre no tempo-espa\u00e7o, cuja grava\u00e7\u00e3o original foi feita pela Sun Ra Arkestra em 1972 (no \u00e1lbum hom\u00f4nimo lan\u00e7ado pela Impulse) e imortalizada, principalmente, pela inesquec\u00edvel interpreta\u00e7\u00e3o da vocalista June Tyson. Nessa nova vers\u00e3o, a voz precisava tamb\u00e9m de uma interpreta\u00e7\u00e3o atemporal e eterna. Para tanto, ningu\u00e9m melhor que a premiad\u00edssima e mais nova sensa\u00e7\u00e3o do jazz americano Jazzmeia Horn, que arrepia com sua do\u00e7ura, e seus vocalizes surreais, levando a can\u00e7\u00e3o a uma nova esfera sensorial\/musical.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Astroblack Orunmil\u00e1 (Featuring Orquestra Afrosinf\u00f4nica and Jazzmeia Horn)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/do7pj0dmEDw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) NATURE\u2019S GOD (SUN RA SAM BA):<\/strong> Grilos, macacos, p\u00e1ssaros e gritos ind\u00edgenas abrem essa ultra-suingada vers\u00e3o de \u201cThis Song is dedicated to Nature\u2019s God\u201d (do \u00e1lbum \u201cThe Antique Blacks\u201d, de 2014), que nasce da inquieta mente do g\u00eanio virtuose brasileiro, o multi-instrumentista Munir Hossn (que hoje trabalha com Quincy Jones, entre outros grandes da m\u00fasica mundial). Ao receber a incumb\u00eancia para essa participa\u00e7\u00e3o, Munir imaginou Sun Ra celebrando e sendo celebrado, dan\u00e7ando e sambando nas florestas brasileiras, mais precisamente no mais antigo terreiro de candombl\u00e9 de Salvador, onde Og\u00e3s (percussionistas detentores da sabedoria milenar dos tambores religiosos que possuem o poder de trazer os santos para as cerim\u00f4nias) acompanham seus viol\u00f5es e guitarras alucinantes. N\u00e3o \u00e0 toa, para gravar as percuss\u00f5es, foram chamados Luizinho do J\u00eaje, Kaninan do J\u00eaje e \u00cdcaro S\u00e1, og\u00e3s do Aguidavi do J\u00eaje, uma linhagem de percussionistas que det\u00e9m esse conhecimento h\u00e1 anos. Para levar a m\u00fasica para a conex\u00e3o com o resto do mundo e apontar para o futuro, foi chamada a c\u00e9lebre artista e inigual\u00e1vel compositora, poeta, baixista, 10 vezes indicada ao Grammy Meshell Ndegeocello, que gravou baixos groovad\u00edssimos e Mellotrons Strings, vocalizando os versos originais e somando sua poesia \u00e0 essa Arca Sonora em homenagem aos deuses da Natureza (no Brasil, os Orix\u00e1s).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nature\u2019s God (Sun Ra Sam Ba)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FKgEz0ZKGKs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) NINE ROCKET FOR THE PLANET:<\/strong> Essa vers\u00e3o afrocyberpunk ac\u00fastica da m\u00fasica \u201cRocket Number Nine\u201d (do disco \u201cSpace Is The Place\u201d, de 1998), feita pelo avant-garde trio Met\u00e1 Met\u00e1 e o poeta Edgar, seja talvez a obra de \u201cSolar\u201d que mais se assemelha ao estilo livre de caos organizado em que Sun Ra trabalhava com sua Arkestra. Todos ali, reagindo a est\u00edmulos que eles mesmos criam&#8230; ao vivo, em uma grava\u00e7\u00e3o \u00fanica. Entre samplers, sintetizadores, echoplexes que mudam a rota\u00e7\u00e3o da grava\u00e7\u00e3o das vozes, se combinam o viol\u00e3o agressivo de Kiko Dinucci, o sax afinado e afiado como uma serra el\u00e9trica de Thiago Fran\u00e7a e a voz original e contundente da cantora Ju\u00e7ara Mar\u00e7al levando o ouvinte num foguete para fora da estratosfera terrestre em dire\u00e7\u00e3o ao planeta V\u00eanus. A poesia de Edgar chega como um soco na venta daqueles que acham que o Brasil \u00e9 uma terra de gente tranquila, alertando para a mis\u00e9ria e o colapso da humanidade no planeta e no Brasil (\u201cTudo que nos resta \u00e9 um peda\u00e7o de floresta\u201d), que se ausenta quando o assunto \u00e9 consci\u00eancia social e ambiental, alertando para os rumos catastr\u00f3ficos que nos encontramos na Terra, e assim, explicando de forma original o porqu\u00ea do Foguete n\u00famero 9 e do bord\u00e3o \u201cSpace is the Place\u201d, para \u201cIs a better place to be\u201d, \u201cA Safe Place\u201d j\u00e1 que o futuro do ser humano na Terra est\u00e1 chegando ao fim.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nine Rocket For the Planet (Featuring Met\u00e1 Met\u00e1 and Edgar)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gUrK2XSfiqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) WHEN THERE IS NO SUN:<\/strong> Tigan\u00e1 Santana abre esse \u00e1udio filme de fic\u00e7\u00e3o cientifica com a delicada poesia de Sun Ra \u201cI Wait 4 You\u201d e entrega para a m\u00edtica can\u00e7\u00e3o que fala sobre o mar eterno de escurid\u00e3o \u2013 que para Sun Ra significava a cultura negra em si. A Aus\u00eancia de Luz n\u00e3o \u00e9 algo ruim, mas sim a onipresen\u00e7a (como no espa\u00e7o) do NEGRO. O arranjo psicod\u00e9lico inicia com delicados HandPans (instrumentos de metal que parecem discos voadores, cuja sonoridade lembra os SteelDrums caribenhos) em escalas japonesas, interpretada pelo especialista Alexandre Lora e abrindo espa\u00e7o para a voz m\u00e1gica de X\u00eania Fran\u00e7a em interpreta\u00e7\u00e3o que te leva, como uma narcose, para o espa\u00e7o sideral. Um crescente de cordas (executado em v\u00e1rios canais pelo cellista Jonas Moncaio) suspende a can\u00e7\u00e3o para uma prepara\u00e7\u00e3o apote\u00f3tica, que explode num free jazz total, onde os m\u00fasicos Fabio Leando (piano Rhodes), Sidiel Vieira (baixo ac\u00fastico) e Jotaerre (bateria) se expressam com vigor, no bom estilo do jazz psicod\u00e9lico dos anos 1970, enquanto Tigan\u00e1 Santana entoa a poesia afrofuturista de Sun Ra \u201cThe Outer Darkness\u201d de 1972 com vocalizes suaves, que lembram as melhores fases de Milton Nascimento. Ao final do arranjo, essa viagem sideral termina com uma entrega ao vazio total, como que flutu\u00e1ssemos pelo espa\u00e7o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"When There Is No Sun (Intergalactic Version) (Featuring X\u00eania Fran\u00e7a and Tigan\u00e1 Santana) (Edit)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V8UN_mDmbaU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) INTERESTELLAR LOW WAYS:<\/strong> Hamilton de Holanda \u00e9 um dos maiores m\u00fasicos do mundo na atualidade, e seu estilo \u00fanico de tocar bandolim transcende g\u00eaneros e encanta em todos os lugares por onde toca. Suas extensas excurs\u00f5es mundiais e participa\u00e7\u00f5es em grupos cl\u00e1ssicos como a Lincoln Center Orchestra de Wynton Marsalis, ou as contempor\u00e2neas Snarky Puppy e Dave Matthews s\u00e3o a prova. Hamilton foi convidado para interpretar o \u00fanico tema instrumental do disco. E escolheu esse, gravado por Sun Ra originalmente em 1960. N\u00e3o sabemos ao certo o motivo por que Hamilton escolheu esse tema para fazer com seu trio dentre todos que o foram enviados, mas acredito que talvez seja n\u00e3o s\u00f3 pela melodia gostosa que o tema traz, e do ritmo que suinga de forma natural para n\u00f3s brasileiros, mas tamb\u00e9m pelo nome em si, sabe? Tem tudo a ver com seu instrumento e seu jeito de tocar: O bandolinista usa um instrumento \u00fanico feito especialmente para ele, que possui duas cordas a mais, no grave (Low Ways), e ele usa e abusa desse recurso para fazer um solo incr\u00edvel. Apesar de instrumental, esse tema \u00e9 um dos mais dan\u00e7antes do disco, embalada pelo groove preciso dos tambores de Thiago Rabello e pelos teclados Interestrelares de Salom\u00e3o Soares.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interstellar Low Ways (Feat. Hamilton de Holanda Trio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/a6ipEFi6cwo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) BRAINVILLE DAZID\u00c9IA:<\/strong> A inten\u00e7\u00e3o nesse arranjo era reproduzir o astral de Sun Ra e sua Arkestra e executar essa vers\u00e3o totalmente ao vivo, com m\u00fasicos de S\u00e3o Paulo (a maior urbe da Am\u00e9rica do Sul) que atuam na cena do street jazz, que flertam com o hip-hop brasileiro e com o samba rock, capitaneados pela mente brilhante de Max de Castro, que fundiu ao tema do maestro americano ritmos afro-brasileiros, como fizeram grandes arranjadores brasileiros dos 60\/70, como Moacir Santos, Eumir Deodato, Tom Jobim e tantos outros&#8230; Enquanto falas originais de Sun Ra apontam sobre a verdadeira miss\u00e3o do m\u00fasico, ao fundo, podemos destacar os belos solos de Richard Fermino (clarone), Sintia Piccin (sax tenor) e Estefane Santos (trompete) ao longo do tema. Vale ressaltar o talento do jovem guitarrista Mackson Kennedy e a cu\u00edca (instrumento brasileiro que parece uma voz humana) de China Cunha. Com chave de ouro, o consagrado MC carioca BNeg\u00e3o se junta \u00e0 trupe e nos brinda com versos imortais que solidificam o discurso que esse disco prop\u00f5e: A constru\u00e7\u00e3o de uma nova realidade a partir do som, do poder da m\u00fasica, trazendo luz para a humanidade, e principalmente para as comunidades perif\u00e9ricas no Brasil e no mundo. Que essa luz ilumine todo planeta, trazendo mais integra\u00e7\u00e3o, coletividade, e respeito entre todos que nele habitam.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brainville Dazid\u00e9ia (Featuring Max de Castro, Bneg\u00e3o and Archestra Klaxon)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rt95JvhYFe8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>O \u00e1lbum tamb\u00e9m conta com a participa\u00e7\u00e3o de Fabricio Boliveira (ator) interpretando vers\u00f5es em portugu\u00eas de Poesias de Sun Ra, como: Black Prince Charming (com a participa\u00e7\u00e3o do musico experimental baiano Edbrass Brasil, e seus instrumentos raros e estranhos) e I Am An Instrument, com a magn\u00edfica Jazzmeia Horn criando texturas de efeitos vocais ao fundo.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/redhot.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conhe\u00e7a mais da Red+Hot Organization<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A arte de Sun Ra tinha uma grande possibilidade de ecoar de forma cr\u00edtica e subversiva na mente dos jovens em todo o mundo que lutam contra a opress\u00e3o.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/27\/faixa-a-faixa-solar-sun-ra-in-brasil-pelo-produtor-xuxa-levy\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":77621,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2935,3147,3794,6879,2054,2470],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77618"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77618"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77618\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77624,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77618\/revisions\/77624"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77618"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77618"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77618"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}