{"id":77567,"date":"2023-10-26T01:42:27","date_gmt":"2023-10-26T04:42:27","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77567"},"modified":"2023-12-05T02:22:55","modified_gmt":"2023-12-05T05:22:55","slug":"entrevista-legendary-tigerman-fala-sobre-zeitgeist-seu-novo-album-composto-em-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/26\/entrevista-legendary-tigerman-fala-sobre-zeitgeist-seu-novo-album-composto-em-paris\/","title":{"rendered":"Entrevista: Legendary Tigerman fala sobre \u201cZeitgeist\u201d, novo \u00e1lbum composto em Paris"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento musical portugu\u00eas \u00e9 de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/08\/01\/roque-da-casa-10-the-legendary-tigerman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Legendary Tigerman<\/a>. \u201cZeitgeist\u201d (2023), seu novo disco (editado em CD, vinil e <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/2WvwKWriT9fnypvw6iVu5Z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">digital<\/a>), saiu no final de setembro, uma semana depois ele estava na capa da Rolling Stone francesa e os n\u00fameros digitais e as vendas do \u00e1lbum corriam de forma mais acentuada do que o material antigo. Seu novo trabalho, que sucede a \u201cMisfit\u201d (2018), nasceu na cidade de Paris durante uma resid\u00eancia de seis meses em 2019, periodo em que ele fez um show para celebrar os 10 anos do disco \u201cFemina\u201d no CentQuatre-Paris e encontrava-se a refazer can\u00e7\u00f5es no contexto do referido disco. Inicialmente, o \u00e1lbum parecia ser um regresso a \u201cFemina\u201d e h\u00e1 ecos desse trabalho por via dos duetos que fez com v\u00e1rios artistas, bem como da influ\u00eancia de uma exposi\u00e7\u00e3o de filmes e fotografias no mesmo centro cultural parisiense. No entanto, a nova identidade sonora de Legendary Tigerman tomaria caminhos diferentes e particularmente atrativos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lado fascinante de \u201cZeitgeist\u201d resulta da forma como Paulo Furtado veste o seu rock n\u2019roll e as suas ra\u00edzes punk com as roupagens dos sintetizadores modulares, criando um som incisivo, mas tamb\u00e9m et\u00e9reo e dan\u00e7ante. Nele, o artista retrata as suas viv\u00eancias no ambiente de multiculturalidade parisiense, onde convivem a escurid\u00e3o e a luz, e espelha o atual momento conturbado do mundo. Este trabalho, intimista e profundo, apresenta v\u00e1rias facetas e \u00e9 enriquecido com a participa\u00e7\u00e3o de diversos convidados. Desde o lado sexy e provocador de \u201cGood Girl\u201d (com Asia Argento), passando pelo grito de revolta no \u00e9pico \u201cLosers\u201d (Anna Prior), pela desola\u00e7\u00e3o espectral de \u201cEveryone\u201d (com spoken word de Jehnny Beth), difundindo o requinte m\u00edstico de \u201cNew Love\u201d (Best Youth), exibindo a viol\u00eancia latente de \u201cBright Lights, Big City\u201d (Sean Rilley) e concluindo a jornada com a procura da salva\u00e7\u00e3o e de um sentido existencial em \u201cWill We Be Alright?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro exemplo da criatividade associada ao trabalho, e que convidei Paulo Furtado a comentar, durante a nossa agrad\u00e1vel conversa telef\u00f4nica, \u00e9 o clipe de \u201cLosers\u201d, que foi feito em Intelig\u00eancia Artificial e apresenta uma vis\u00e3o dist\u00f3pica, \u00e9pica e apocal\u00edptica criada pelo artista e pelo realizador Edgar P\u00eara. \u201c\u00c9 incontorn\u00e1vel que o levantamento e a indigna\u00e7\u00e3o popular contra a escravatura financeira, retratados no v\u00eddeo, aconte\u00e7am se nada mudar. Toda a gente razo\u00e1vel ir\u00e1 revoltar-se quando n\u00e3o conseguir alimentar os filhos ou n\u00e3o lhes conseguir dar um teto. A nossa democracia tem de ter um lado mais social e a Europa, que foi sempre humanit\u00e1ria, tem perdido esse cariz e essa preocupa\u00e7\u00e3o. As pr\u00f3prias pessoas endureceram e h\u00e1 uma rispidez maior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 empatia, solidariedade e aos valores que s\u00e3o fundamentais e est\u00e3o esquecidos. Se houver uma revolta \u00e9 porque houve muito sofrimento\u201d, acredita.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77577\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary12.jpg\" alt=\"\" width=\"760\" height=\"994\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary12.jpg 760w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary12-229x300.jpg 229w\" sizes=\"(max-width: 760px) 100vw, 760px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m de ser roqueiro, Furtado tem diversos interesses como a fotografia ou o desenho e tem composto regularmente trilhas sonoras de cinema e teatro. \u201cA fotografia e o cinema sempre fizeram parte da minha vida e eu integro esses elementos nos discos. Os conceitos s\u00e3o criados por mim, bem como as capas e todos os universos que est\u00e3o ligados aos \u00e1lbuns. Acabam por ser objetos muito maiores\u201d, diz-me enquanto cita o filme road trip \u201cFade Into Nothing\u201d (2017) em que participou e o \u00e1lbum \u201cMisfit\u201d (2018). No entanto, as trilhas sonoras assumem um papel central nas suas prefer\u00eancias e servem como contraponto ao trabalho isolado no est\u00fadio. \u201c\u00c9 uma \u00e1rea em que me d\u00e1 cada vez mais prazer participar. Porque eu n\u00e3o sou o centro da quest\u00e3o, colaboro com muitas pessoas, funciono como uma pe\u00e7a da engrenagem e ponho a minha arte ao servi\u00e7o de um bem maior que \u00e9 um filme\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recordo-lhe o musical \u201cAndy\u201d (sobre Andy Warhol) encenado por Gus Van Sant, que estreou em setembro de 2021, em Lisboa, no qual a dire\u00e7\u00e3o musical ficou a cargo de Legendary Tigerman. As mem\u00f3rias do trabalho e o significado da colabora\u00e7\u00e3o com o cineasta americano est\u00e3o bem presentes no m\u00fasico portugu\u00eas. \u201cO que me agradou mais foi poder partilhar o mesmo espa\u00e7o que o Gus Van Sant ocupou durante tanto tempo. Ele \u00e9 um contador de hist\u00f3rias incr\u00edvel e est\u00e1 sempre a partilhar cultura. Eu aprendi imenso sobre arte e cinema norte-americano nas conversas com Gus\u201d, recorda, e de seguida completa o racioc\u00ednio elogiando o \u00e2mago do trabalho: \u201cTodos aprendemos com a experi\u00eancia e a ensaiar diversas ideias. Sendo um musical, g\u00eanero do qual n\u00e3o gosto especialmente e que representou um desafio suplementar, conseguimos criar um objeto bastante estranho e diferente do musical tradicional. Para mim, foi dos projetos que mais gostei de fazer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a possibilidade de alcan\u00e7ar um publico mais vasto com a sua m\u00fasica, Furtado opta por uma resposta pragm\u00e1tica. \u201cAcho que \u00e9 um desejo comum a todos os artistas, sejam eles mainstream ou underground, gostar que a sua m\u00fasica seja apreciada. No entanto, n\u00e3o se trata de uma vontade de ser popular, embora fosse excelente que dois milh\u00f5es de pessoas ouvissem os meus discos (risos). Sinto que a minha m\u00fasica exige tempo e espa\u00e7o para ser escutada, que \u00e9 algo dif\u00edcil nos tempos que correm. Mas, seria muito bom sinal que isso acontecesse\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, The Legendary Tigerman conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE LEGENDARY TIGERMAN - Good Girl feat. ASIA ARGENTO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zv1caQYzAHo?list=OLAK5uy_mO-ahH1fsZgzoAv9zqYXcyrH1gK8adXjA\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu novo \u00e1lbum \u201cZeitgeist\u201d (2023) come\u00e7ou a ser criado em Paris e depois deu-lhe continuidade em Lisboa durante o confinamento. Quais foram as ideias mais importantes que voc\u00ea retirou dessa experi\u00eancia, que moldaram a tem\u00e1tica do disco, e porque recorreu aos sintetizadores modulares no processo de composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nO disco foi totalmente composto na cidade de Paris, num per\u00edodo de seis meses, quando estive l\u00e1, em 2019. No fundo, foram quase dois anos e meio, porque envolveu o confinamento, o p\u00f3s-confinamento, houve grava\u00e7\u00f5es em Roma com a Asia Argento, duas ou tr\u00eas sess\u00f5es em minha casa e duas sess\u00f5es em Toulon na casa do produtor (Anthony Belguise). Portanto, de todos os meus \u00e1lbuns, este foi aquele em que tive mais tempo para amadurecer. Acho que muitas coisas que escrevi de um ponto de vista \u00edntimo e pessoal, especialmente durante o confinamento e nos tempos seguintes, estavam a tornar-se universais. \u00c9 demasiado estranho, porque \u00e9 quase como se fosse uma premoni\u00e7\u00e3o de guerra ou de viol\u00eancia nas letras e estava relacionada com a zona de Paris onde eu me encontrava. Tratava-se de um s\u00edtio pobre, violento e muito bonito. Do ponto de vista l\u00edrico, essa negritude da cidade, onde h\u00e1 alguns raios de luz, mas \u00e9 pesada e agressiva, entrou bastante no disco. Relativamente \u00e0 composi\u00e7\u00e3o, havia uma grande vontade de n\u00e3o come\u00e7ar a compor \u00e0 guitarra e faz\u00ea-lo com sintetizadores modulares, que foi a minha escolha. Quando utilizas esse tipo de instrumentos eletr\u00f4nicos, antes de criares notas est\u00e1s a trabalhar com texturas e, realmente, o som \u00e9 esculpido e encontras coisas que nunca foram feitas assim. Nas baterias e em todos os ritmos do \u00e1lbum quase n\u00e3o existem pe\u00e7as cl\u00e1ssicas e isso criou uma sonoridade no disco e um toque que eu procuro imenso. Tamb\u00e9m tinha a ideia de misturar dois mundos que ainda n\u00e3o se juntaram muito: o universo de Legendary Tigerman que as pessoas associam ao rock e \u00e0s guitarras e o das trilhas sonoras que eu fa\u00e7o e que podem incluir elementos orquestrados, eletr\u00f4nicos, instrumentos ac\u00fasticos ou antigos. S\u00e3o sempre coisas bastante diferentes e t\u00eam sonoridades particulares. Mas, as can\u00e7\u00f5es foram todas compostas naquele per\u00edodo em Paris e foi quase como uma bolha, porque nada mais encaixava. Admito que nenhuma das can\u00e7\u00f5es que escrevi depois se enquadraram nessa vibe. No in\u00edcio, tudo me soava como Suicide (risos). E levou algum tempo at\u00e9 eu perceber que estava a fazer algo com frescor e n\u00e3o uma c\u00f3pia de um modelo com 30 anos. Nesse sentido, estive algumas semanas a bater com a cabe\u00e7a nas paredes para tentar criar essa sonoridade. Para al\u00e9m disso, o \u00e1lbum ficou pronto durante um ano e meio, sem ser editado, porque eu ia assinar com uma editora e essa possibilidade gorou-se \u00e0 \u00faltima hora de um modo n\u00e3o muito compreens\u00edvel. Esse fato atrasou o lan\u00e7amento do disco. Como o trabalho tinha um ano e meio de exist\u00eancia, eu receava que n\u00e3o soasse atual, mas isso n\u00e3o aconteceu e ele tem um sabor contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cover dos Suicide, \u201cGhost Rider\u201d, evoca o imagin\u00e1rio americano que o acompanhou anteriormente, enquanto a sua parceria com Sean Riley (\u201cBright Lights, Big City\u201d) alude ao ambiente de Paris. Em ambos os casos, as duas m\u00fasicas acrescentam \u00e0 sua verve roqueira um pendor dan\u00e7ante. Que papel atribui a estas faixas no contexto do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o faixas muito importantes de maneiras diferentes. \u201cBright Lights, Big City\u201d \u00e9 uma daquelas can\u00e7\u00f5es em que senti que estava a reformular a minha maneira de fazer rock n\u2019roll, porque ela era roqueira, mas j\u00e1 n\u00e3o o era de certa forma. A vers\u00e3o dos Suicide, \u201cGhost Rider\u201d, acaba por ser um tributo que consegue trazer mais do que o original. \u00c9 algo que leva a m\u00fasica para outro lugar e foi dif\u00edcil faz\u00ea-lo. Todas as can\u00e7\u00f5es come\u00e7am com quatro pistas de synths modulares gravadas live, ou seja, as faixas n\u00e3o s\u00e3o exatamente iguais e t\u00eam um lado perigoso, h\u00e1 erro e coisas estranhas acontecendo, que \u00e9 algo que gosto muito de ter na minha m\u00fasica. Sinto, tamb\u00e9m, que ter composto o \u00e1lbum com um PA alto, que \u00e9 o oposto de fazer o disco sentado e a tocar guitarra, resultou no fato de muitas vezes estar a dan\u00e7ar enquanto escrevia as can\u00e7\u00f5es. Por isso, o lado dan\u00e7ante entra naturalmente no \u00e1lbum devido ao pr\u00f3prio m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o que adotei.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77578\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary11-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O disco termina com duas can\u00e7\u00f5es (\u201cOnce I Knew No Pain\u201d e \u201cWill We Be Alright?\u201d) em que o tom agridoce e a inquieta\u00e7\u00e3o convivem lado a lado. Porque resolveu finalizar o trabalho desta forma?<\/strong><br \/>\nEste disco \u00e9 uma viagem. Eu fui me apercebendo disso e teria v\u00e1rias maneiras de a organizar. Seria quase como se estivesse a montar um filme, a editar e escolher as cenas que v\u00e3o figurar nele. Acabar o disco com uma interroga\u00e7\u00e3o, foi a forma que encontrei para me questionar se iria ficar bem e se as coisas iriam resultar do ponto de vista pessoal. Trata-se de uma tem\u00e1tica universal e o zeitgeist do nosso tempo \u00e9 se vamos sobreviver a ele (risos). Falo da guerra, das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e de uma Europa e Portugal completamente esmagados com o peso da finan\u00e7a e cada vez mais pessoas a viver no limiar da pobreza. Por isso, senti que tinha de terminar com uma pergunta. Ao mesmo tempo, \u201cOnce I Knew No Pain\u201d, representa um olhar para tr\u00e1s, lembrando o tempo da adolesc\u00eancia, onde as coisas eram mais simples, num momento em que pensava menos nos problemas. De fato, acho que s\u00e3o aspectos que todos sentimos de uma maneira ou outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nos anos 90, artistas como Lenny Kravitz ou Marilyn Manson abordaram o fim do rock nas can\u00e7\u00f5es, uma eventualidade que n\u00e3o ocorreu. Como explica que o rock n\u2019roll se mantenha relevante num cen\u00e1rio atual composto por imensas sonoridades e por variadas fus\u00f5es r\u00edtmicas?<\/strong><br \/>\nAcho que \u00e9 dif\u00edcil enquadrar-me. Os punks \u00e0s vezes acham que eu sou menos punk, os indies consideram que n\u00e3o sou indie e o pop diz que sou punk (risos). Portanto, estou numa posi\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o \u00e9 muito claro definir-me e isso agrada-me. Mas, acredito que o rock e a m\u00fasica feita com alguma chama tem sempre um lado libertador e hipn\u00f3tico. Essa caracter\u00edstica manifesta-se quando fa\u00e7o can\u00e7\u00f5es como \u201cLosers\u201d ou quando est\u00e1s a escutar m\u00fasica em casa ou num show. H\u00e1 palavras na can\u00e7\u00e3o que tu identificas e te fazem soltar de alguma forma. No pr\u00f3prio poder do som reside uma energia libertadora. Sinto que vai sempre haver espa\u00e7o para isso. Podemos dar-lhe outro nome e h\u00e1 pessoas que dizem: \u201cAh! Isso n\u00e3o \u00e9 rock porque \u00e9 feito com sintetizadores\u201d. Mas, para mim, parece-me quase rock n\u00b4roll (risos). Aquilo que lhe chamamos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 muito relevante. Essa energia diverge de alguma m\u00fasica que castra as pessoas, porque ela contraria isso e \u00e9 realmente bastante cat\u00e1rtica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77579\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary13.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary13.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/legendary13-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea apresentou o novo \u00e1lbum no Festival Super Bock Super Rock em Julho de 2023 com boa recetividade. Nesse sentido, gostaria de saber se far\u00e1 um tour nacional e internacional de \u201cZeitgeist\u201d e se o Brasil estar\u00e1 inclu\u00eddo na digress\u00e3o.<\/strong><br \/>\nSim, farei mais alguns espet\u00e1culos este ano e inclusivamente j\u00e1 existem shows marcados. Provavelmente, ser\u00e1 ainda revelada uma data em Lisboa e no Porto em 2023. O tour nacional vai ser extenso e decorrer\u00e1 entre Janeiro e Mar\u00e7o e \u00e9 muito prov\u00e1vel que fa\u00e7a uma pequena digress\u00e3o europeia no primeiro semestre de 2024. No ver\u00e3o participarei em festivais por todo o lado e farei um tour internacional maior no pr\u00f3ximo outono. Para j\u00e1 s\u00e3o esses os planos. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/31\/the-legendary-tigerman-em-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses em que eu mais gosto de fazer shows<\/a>. Tanto o Brasil como o M\u00e9xico est\u00e3o no meu Top 5 ao n\u00edvel das digress\u00f5es. O p\u00fablico brasileiro \u00e9 muito espont\u00e2neo e sinto uma energia genu\u00edna e bonita durante as atua\u00e7\u00f5es. Adoro mesmo. Espero fazer um tour no pr\u00f3ximo ano e tenho um agente no Brasil. \u00c9 algo que ainda n\u00e3o est\u00e1 definido, mas \u00e9 incontorn\u00e1vel porque eu tenho imenso desejo de fazer apresenta\u00e7\u00f5es em SESC\u2019s e em festivais e tocar no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em \u00e1lbuns como \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/08\/13\/the-legendary-tigerman-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">True<\/a>\u201d (2014), \u201cMisfit\u201d (2018) e mais recentemente em \u201cZeitgeist\u201d (2023) voc\u00ea afirmou-se como um roqueiro honesto, explosivo, que exibiu as suas sombras e desbravou novos caminhos para a sua m\u00fasica. \u00c9 esta a forma como pretende ser recordado no futuro?<\/strong><br \/>\nMais importante do que tudo isso, gostaria de ser recordado como um bom homem ou algu\u00e9m que foi-se tornando um indiv\u00edduo melhor. Pode parecer um pouco ins\u00f3lito, porque tenho 53 anos e se calhar as pessoas com a minha idade est\u00e3o a pensar na aposentaria, mas sinto que a minha melhor fase como artista ainda est\u00e1 para vir. Acho que tenho ganho mais ferramentas e percebo que sou um m\u00fasico superior do que quando tinha 18 anos. H\u00e1 uma certa contradi\u00e7\u00e3o nisso, porque a maior parte das pessoas faz um percurso inverso do que eu fa\u00e7o. Sou um pouco como aquele personagem do filme \u201cO Estranho Caso de Benjamin Button\u201d (2008) e acredito que estou a rejuvenescer enquanto artista (risos). Para mim, \u00e9 cada vez mais excitante e sinto que n\u00e3o estou num ponto em que come\u00e7o a desacelerar ou a ficar menos criativo. \u00c9 precisamente o oposto. Por isso, vamos ver onde isto vai parar (risos). A ambi\u00e7\u00e3o de fazer coisas v\u00e1lidas est\u00e1 muito marcada em mim e se um dia sentir que n\u00e3o estou a acrescentar algo de bom \u00e0 minha m\u00fasica ent\u00e3o farei outra coisa. Isso n\u00e3o tem mal nenhum e representa apenas o respeito por aquilo que representamos. No caso dos Rolling Stones, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/25\/critica-hackney-diamonds-nao-e-uma-obra-prima-mas-e-um-trabalho-respeitavel-dos-stones\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acho incr\u00edvel que eles tenham feito o disco \u201cHackney Diamonds\u201d<\/a> e \u00e9 assim que as coisas devem ser.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LIFE AINT ENOUGH FOR YOU - THE LEGENDARY TIGERMAN FEAT- ASIA ARGENTO\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xjY98zzj5qg?list=OLAK5uy_n2K1d-78uN-rUaLDKgEBLQ3NUeRfVXYXE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Legendary Tigerman - Motorcycle Boy (Lyrics Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/rp5dnwizDwo?list=OLAK5uy_l6im0jvFQkKjEtAdnL3SuvjBZu5V0VAoo\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Legendary Tigerman &quot;The Joshua Tree Diaries&quot; - Ep.1 (PT)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/q5cgZi6L23o?list=PLdORFgrIiD16MQFYNV2OGokpEZ8lu5sZa\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Leonor Ribeiro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O lado fascinante de \u201cZeitgeist\u201d resulta da forma como Paulo Furtado veste o seu rock n\u2019roll e as suas ra\u00edzes punk com as roupagens dos sintetizadores modulares, criando um som incisivo, mas tamb\u00e9m et\u00e9reo e dan\u00e7ante.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/26\/entrevista-legendary-tigerman-fala-sobre-zeitgeist-seu-novo-album-composto-em-paris\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":77572,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47,2412],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77567"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77567"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77581,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77567\/revisions\/77581"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}