{"id":77450,"date":"2005-09-21T15:17:00","date_gmt":"2005-09-21T18:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77450"},"modified":"2023-10-24T15:24:05","modified_gmt":"2023-10-24T18:24:05","slug":"critica-a-bigger-bang-um-discaco-de-rock-dos-stones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/09\/21\/critica-a-bigger-bang-um-discaco-de-rock-dos-stones\/","title":{"rendered":"Cr\u00edtica: &#8220;A Bigger Bang&#8221;, um disca\u00e7o de rock dos Stones"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 dif\u00edcil pra caralho levar os Stones \u00e0 s\u00e9rio nos dias de hoje. Sempre que penso neles, lembro de Mick Jagger fazendo biquinho e rebolando, as c\u00f3pias dos Beatles seis meses depois, o \u00e1lbum \u201cUndercover\u201d (1983), a pose moribunda de Keith Richards (que j\u00e1 injetou na veia mais do que todo o novo rock), as brigas intermin\u00e1veis via imprensa mundial e Luciana Gimenez. Ok, desculpa, o \u00faltimo item \u00e9 trabalho solo de Mick Jagger, mas como dissociar um Stone da banda se eles est\u00e3o ai h\u00e1 40 anos, e o rock tem 50?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, n\u00e3o h\u00e1 como culpar a banda por sobreviver tanto. Primeiro, porque enganar o p\u00fablico deve ser divertido. Segundo: v\u00e1 descobrir alguma coisa \u00fatil nos integrantes da banda que n\u00e3o seja tocar nos Stones. Eu duvido que Keith Richards saiba fazer outra coisa al\u00e9m de tocar. Ok, Ron Wood pinta, e \u00e9 um p\u00e9ssimo pintor, vamos combinar. E Jagger atua de vez em quando. Mas a for\u00e7a motriz dos quatro (incluindo o vov\u00f4 Charlie Watts, 64 anos nas costas) \u00e9 tocar em uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cr\u00edticos maletas sempre olham com desd\u00e9m um novo disco do grupo enquanto dizem: &#8220;Quer conhecer os Stones? Ou\u00e7a \u201cExile on Main Street.&#8221; (1972). Bobagem, bobagem, bobagem. Primeiro, porque se voc\u00ea est\u00e1 lendo isto aqui, j\u00e1 deve ter ouvido n\u00e3o s\u00f3 o \u201cExile\u201d, como tamb\u00e9m, no m\u00ednimo, \u201cSticky Fingers\u201d (1971), \u201cLet It Bleed\u201d (1969) e \u201cBeggar&#8217;s Banquet\u201d (1968). Segundo, porque a m\u00fasica pop, tal qual a conhecemos hoje em dia, foi inventada por algum man\u00e9 na d\u00e9cada de 60 e desenvolvida pelos Stones nas cinco d\u00e9cadas seguintes (tudo que as bandinhas novas vivem fazendo \u2013 de pris\u00f5es a micos at\u00e9 grandes can\u00e7\u00f5es \u2013 j\u00e1 foi feito por eles antes, e em \u00e9pocas muito mais perigosas). Terceiro: porque \u201cA Bigger Bang\u201d (2005), primeiro CD de in\u00e9ditas dos Stones em oito anos e sei l\u00e1 que n\u00famero na carreira deles, \u00e9 um disca\u00e7o de causar inveja em muito moleque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A d\u00e9cada de 90 s\u00f3 viu dois \u00e1lbuns de in\u00e9ditas stonianos: o matador \u201cVoodoo Lounge\u201d\u201dBridges To Babylon\u201d (1997). Este \u201cA Bigger Bang \u201cn\u00e3o \u00e9 t\u00e3o bom quanto \u201cVoodoo\u201d, mas bate de longe o \u201cBridges To Babylon\u201d. Tamb\u00e9m bate os \u00f3timos \u201cSteel Wheels\u201d (1989), \u201cTatoo You\u201d (1981) e \u201cSome Girls\u201d (1978) e encara de frente \u2013 mas perde por pontos para \u2013 os cl\u00e1ssicos setentistas p\u00f3s \u201cExile On Main Street\u201d: \u201cGoat&#8217;s Head Soup\u201d (1973), \u201cIt&#8217;s Only Rock&#8217;n&#8217;Roll\u201d (1974) e \u201cBlack and Blue\u201d (1976). Trata-se de uma cole\u00e7\u00e3o de rocks b\u00e1sicos, ora apoiados no r&amp;b, ora no blues, ora no funk, ora no soul. \u00c9 um passeio por tudo aquilo que fez dos Stones o que eles s\u00e3o hoje. Por\u00e9m, o maior destaque do disco \u00e9 sua produ\u00e7\u00e3o impec\u00e1vel. A bateria do vov\u00f4 Charlie, em rocks furiosos como \u201cRough Justice\u201d \u2013 em que Jagger promete n\u00e3o partir o cora\u00e7\u00e3o de sua garota \u2013 nada deve a qualquer moleque dessas novas bandas escolhidas pela NME. Jagger canta com vontade enquanto Keith parece tocar os mesmos riffs de sempre com precis\u00e3o e genialidade, sob o olhar aprovador do escudeiro Ron Wood e as linhas de baixo do excelente Darryl Jones.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-77452\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abiggerbang2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abiggerbang2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abiggerbang2-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abiggerbang2-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00fanico problema real de \u201cA Bigger Bang\u201d \u00e9 ser loooooongo demais. Na boa, Jagger e Richards podiam ter cravado onze can\u00e7\u00f5es matadoras agora e terem guardado cinco para um novo \u00e1lbum daqui uns tr\u00eas anos. No entanto, dezesseis can\u00e7\u00f5es no disquinho em mais de 64 minutos de rock stoniano \u00e9 para pedir \u00e1gua (ser\u00e1 que eles ainda topam um u\u00edsquinho?). Mesmo assim, d\u00e1 sossegado para apontar oito can\u00e7\u00f5es foda\u00e7as no disco, no m\u00ednimo. Seja a comentada porrada de abertura, \u201cRough Justice\u201d, seja o roquinho delicioso\u201d Let Me Down Slow\u201d (com Charlie dando show de t\u00e9cnica e destacando a linha de baixo de Darryl Jones, que acompanha os Stones desde \u201cVoodoo\u201d), o riff seco de \u201cI Wont Take Long\u201d, a malemol\u00eancia (como diria Jonas Lopes) da matadora \u201cRain Fall Down\u201d (com riff que une INXS com Franz Ferdinand e que metade das novas bandas dariam a vida para ter escrito) ou a levada &#8220;rom\u00e2ntica&#8221; de \u201cStreets Of Love\u201d. Quer saber uma coisa: essas s\u00e3o as cinco primeiras faixas. At\u00e9 tentei descartar alguma delas, mas n\u00e3o deu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No rol das grandes can\u00e7\u00f5es de \u201cA Bigger Bang\u201d ainda d\u00e1 para incluir o blueza\u00e7o do delta do Mississipi \u201cBack Of My Hand\u201d, com Jagger arrasando na harm\u00f4nica, a pop rock ballad \u201cBiggest Mistake\u201d e \u201cThis Place Is Empty\u201d, momento em que Keith exibe seu vocal rouco e toca viol\u00e3o, piano e baixo em uma letra deliciosamente constrangedora que diz: &#8220;ora, vamos, docinho, desnude seus mel\u00f5es e me fa\u00e7a sentir em casa novamente&#8221;. Lembre-se: Keith tem 61 anos. Para quem gosta de uma pol\u00eamica, o \u00e1lbum ainda traz \u201cSweet Neo Com\u201d, direcionada a George W. Bush: &#8220;Voc\u00ea chama a si de crist\u00e3o, eu te chamo de hip\u00f3crita \/ Voc\u00ea se declara patriota, bem, eu acho que voc\u00ea est\u00e1 cheio de merda&#8221;. A m\u00fasica, funkeada, revisita a fase \u201cBlack and Blue\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA Bigger Bang\u201d \u00e9 um trabalho coeso, fudidamente bem gravado e produzido, e, por que n\u00e3o, inspirado e juvenil. Costumo estranhar quando algu\u00e9m diz que rock \u00e9 coisa de moleque \u2013 talvez porque esteja ficando velho \u2013 e tome essa frase como base para desancar bandas como os Stones. Porque os Stones fazem parte de tudo isso que se convencionou chamar de rock. D\u00e1 at\u00e9 para achar riffs de Keith Richards em centenas de m\u00fasicas lan\u00e7adas todos os dias. Sem contar, que mesmo quando canta em falsete, como em \u201cLaugh I Nearly Died\u201d, Jagger est\u00e1 h\u00e1 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da choradeira que contamina metade do rock brit\u00e2nico p\u00f3s-Radiohead. Na boa, tanto nas letras &#8220;rom\u00e2nticas&#8221; quanto nas &#8220;pol\u00edticas&#8221;, os Stones v\u00e3o direto na veia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que tudo isso, todavia, o que mais incomoda \u00e9 a falta de an\u00e1lise da cr\u00edtica quanto a mudan\u00e7a do estado das coisas com o decorrer dos anos. N\u00e3o tinha muita coisa para um garoto pobre fazer nas ruas de Londres na d\u00e9cada de 60 al\u00e9m de entrar em uma banda de rock. Hoje em dia, o rock mainstream \u00e9 marketing, produto de gravadora, orgulho da fam\u00edlia, e deixou de ser rebelde para ser uma forma de se ganhar seu &#8220;primeiro milh\u00e3o de d\u00f3lares&#8221;. Um moleque empunhar um instrumento hoje em dia n\u00e3o agride ningu\u00e9m, ao contr\u00e1rio. J\u00e1 um vov\u00f4 rebolando no palco, sim. Os tempos mudaram, n\u00e3o?<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Bigger Bang\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nJFrbicBFHnKmuTAOVSottPTRyAn09tEM\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cA Bigger Bang\u201d \u00e9 um trabalho coeso, fudidamente bem gravado e produzido, e, por que n\u00e3o, inspirado e juvenil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/09\/21\/critica-a-bigger-bang-um-discaco-de-rock-dos-stones\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":77451,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1260],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77450"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77450"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77450\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77453,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77450\/revisions\/77453"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77451"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77450"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77450"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77450"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}