{"id":77355,"date":"2023-10-18T13:48:59","date_gmt":"2023-10-18T16:48:59","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77355"},"modified":"2024-11-20T11:20:42","modified_gmt":"2024-11-20T14:20:42","slug":"entrevista-carluce-couto-protagonista-de-floradas-fala-sobre-a-serie-sua-carreira-e-festeja-o-sucesso-de-cangaco-novo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/18\/entrevista-carluce-couto-protagonista-de-floradas-fala-sobre-a-serie-sua-carreira-e-festeja-o-sucesso-de-cangaco-novo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Carluce Couto, protagonista de &#8220;Floradas&#8221;, fala sobre a s\u00e9rie, sua carreira e festeja o sucesso de &#8220;Canga\u00e7o Novo&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A atriz Carluce Couto passou por muitos encontros na produ\u00e7\u00e3o de \u201cFloradas &#8211; Na Trilha da Agroecologia\u201d (2023), s\u00e9rie da <a href=\"http:\/\/www.irdeb.ba.gov.br\/tveonline\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">TVE Bahia<\/a> que mescla fic\u00e7\u00e3o e document\u00e1rio trazendo uma busca por conscientiza\u00e7\u00e3o em torno de uma explora\u00e7\u00e3o mais consciente do meio-ambiente (hor\u00e1rios da programa\u00e7\u00e3o\u00a0<a href=\"https:\/\/mi.tv\/br\/canais\/tve-bahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dentre estes encontros, a s\u00e9rie destaca a presen\u00e7a de Marsha Hanzi, estadunidense de 76 anos, mas que reside em Tucano, interior da Bahia, h\u00e1 d\u00e9cadas. Em sua fala, Hanzi pontua seus esfor\u00e7os dentro da agroecologia no s\u00edtio onde mora. Ap\u00f3s anos batalhando em busca de um equil\u00edbrio de plantio e cria\u00e7\u00e3o de animais, Marsha conseguiu criar um o\u00e1sis dentro da aridez da caatinga. Carluce, que vive Flora, visitou o local, onde p\u00f4de conversar com a agricultora e, do projeto e dos encontros promovidos pelo mesmo, a atriz confirma uma sensa\u00e7\u00e3o de se perceber parte de algo muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu fiquei muito feliz por ter participado desse projeto. Porque vejo a arte como um instrumento de modifica\u00e7\u00e3o social, mesmo. E fazer parte de um projeto como esse, quando estamos vendo descontroles clim\u00e1ticos grav\u00edssimos, sendo algo que est\u00e1 diretamente relacionado com a forma que se produz, diretamente relacionado com o agroneg\u00f3cio, me gerou esse impacto. Um impacto positivo de querer estudar mais, de querer saber mais \u00e0 fundo o que \u00e9 a agroecologia&#8221;, explica a atriz, e confirma: &#8220;O impacto foi tremendamente positivo por essa caracter\u00edstica de possibilidade transforma\u00e7\u00e3o. O cinema como essa ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social&#8221;, celebra a jovem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa entrevista com o Scream &amp; Yell, a jovem atriz aborda a experi\u00eancia de voltar a trabalhar sob a batuta do diretor Anderson Soares, sua pesquisa de mestrado na Universidade Federal da Bahia, bem como as labutas do seu campo de trabalho sendo uma atriz oriunda de Salvador e os desafios que a necessidade de migrar para o sudeste acaba trazendo \u00e0 sua carreira. Confira!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8211;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/17\/entrevista-o-diretor-anderson-soares-e-o-produtor-leo-silva-falam-sobre-a-serie-floradas-na-trilha-da-agroecologia\/\"><em>Leia tamb\u00e9m entrevista com o diretor Anderson Soares e o produtor de &#8220;Floradas&#8221;, L\u00e9o Silva<\/em><\/a><br \/>\n&#8211;<i><em>\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/21\/entrevista-co-roteirista-de-floradas-vitor-sousa-fala-da-emergencia-em-repensar-a-maneira-como-lidamos-com-a-agroecologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Co-roteirista, Vitor Sousa fala da emerg\u00eancia em repensar a maneira como lidamos com a agroecologia<\/a><\/em><\/i><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Trailer Floradas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Mx1nfSeTHpM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como surgiu o convite para a personagem Flora?<\/strong><br \/>\nFui aluna do Cine Art&#8217;s, que \u00e9 um curso de cinema promovido por Anderson (Soares) e Aline (Cl\u00e9a). Fiz esse curso e cheguei a trabalhar em alguns curtas com dire\u00e7\u00e3o de Anderson. Ent\u00e3o, eles j\u00e1 conheciam o meu trabalho. Acredito que foi em foi em 2016, por a\u00ed, que ele me falou que tinha uma personagem e que estava pensando em mim para o papel. Eu ainda n\u00e3o sabia qual era o projeto nem nada. Somente em 2018 que fiquei sabendo que era esse projeto de \u201cFloradas\u201d. Na ocasi\u00e3o, eu j\u00e1 tinha me formado em Interpreta\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal da Bahia e eles j\u00e1 conheciam meu trabalho. J\u00e1 tinha sido aluna deles e, assim, surgiu esse convite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFloradas\u201d traz um formato h\u00edbrido entre document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o, no qual voc\u00ea acaba atuando nas duas formas, tanto nas cenas com Jhoilson Oliveira, vivendo os dramas da personagem, quando nos momentos em que as entrevistas com as pessoas que trabalham dentro da agroecologia. Como foi para voc\u00ea encontrar esses dois caminhos de cria\u00e7\u00e3o atuando?<\/strong><br \/>\nS\u00f3 uma observa\u00e7\u00e3o. A priori, a ideia era que eu acompanhasse a equipe em todas as entrevistas. S\u00f3 que da\u00ed surgiu a pandemia. Ent\u00e3o, tivemos que adiar as filmagens. Quando come\u00e7ou um pouco a abertura, chegou-se \u00e0 conclus\u00e3o de que talvez fosse mais seguro manter (protegidas) aquelas comunidades que estavam estritamente isoladas&#8230; Mant\u00ea-las de forma mais segura, sabe? Sem muito contato com pessoas de fora. Ent\u00e3o, apesar de ter uma narra\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o estava junto com a equipe na maioria das ocasi\u00f5es em que as pessoas que foram entrevistadas. A \u00fanica personagem real que eu acabei indo com a equipe foi na Fazenda Mariza, em Tucano, que foi a (agricultora regenerativa) Marsha (Hanzi). Anderson sempre deixou muito claro que ele queria que eu vivesse a personagem, mesmo na parte documental. Que fosse a Flora, mesmo, que estivesse ali. Eu n\u00e3o senti muita dificuldade, n\u00e3o. Porque eu estava j\u00e1 t\u00e3o embrenhada do pensamento daquela personagem, sabe? Eu me relacionava com aquela pessoa real como se fosse a personagem. E eu estava mais ali para escutar do que falar. Ent\u00e3o, de certa forma, foi mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A s\u00e9rie aborda um tema importante de conscientiza\u00e7\u00e3o quanto ao meio ambiente e os riscos que toda a humanidade pode correr diante da extin\u00e7\u00e3o de algumas esp\u00e9cies, no caso, aqui, as abelhas. Como a premissa do projeto lhe impactou nessa reflex\u00e3o?<\/strong><br \/>\nEu fiquei muito feliz, Jo\u00e3o, por ter participado desse projeto. Porque vejo a arte como um instrumento de modifica\u00e7\u00e3o social, mesmo. E fazer parte de um projeto como esse, quando estamos vendo descontroles clim\u00e1ticos grav\u00edssimos, sendo algo que est\u00e1 diretamente relacionado com a forma que se produz, diretamente relacionado com o agroneg\u00f3cio, isso me gerou esse impacto. Um impacto positivo de querer estudar mais, de querer saber mais \u00e0 fundo o que \u00e9 a agroecologia. Na \u00e9poca em que Anderson me chamou para participar, eu era vegana. J\u00e1 tinha um pouco da no\u00e7\u00e3o do que a agroecologia era. O impacto, ent\u00e3o, foi tremendamente positivo por essa caracter\u00edstica de possibilidade transforma\u00e7\u00e3o. O cinema como essa ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 tem essa experi\u00eancia pr\u00e9via com Anderson Soares na dire\u00e7\u00e3o e tendo sido aluna dele e da produtora Aline Cl\u00e9a. Imagino que essa familiaridade tenha facilitado para voc\u00ea diante da complexidade do trabalho.<\/strong><br \/>\nFacilitou muuuuito! Porque, quando cheguei ao set, j\u00e1 conhecia muitas pessoas, e a rela\u00e7\u00e3o entre diretor e atriz, diretor e ator, \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o intima. Uma rela\u00e7\u00e3o sens\u00edvel de que voc\u00ea tem que estar aberto. Ambos t\u00eam que estar abertos para entender e compreender o pensamento do outro. E entender o que o outro est\u00e1 falando. Ent\u00e3o, conhecer previamente parte da equipe e, em especial, o diretor Anderson, s\u00f3 acarretou coisas positivas, pois ficou mais confort\u00e1vel para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As cenas entre sua personagem e o personagem de Jhoilson Oliveira s\u00e3o complexas e repletas de tens\u00e3o e de uma viol\u00eancia verbal quase velada. Como foi criar com ele essa atmosfera?<\/strong><br \/>\nJhoilson de Oliveira \u00e9 um grande ator. N\u00f3s j\u00e1 t\u00ednhamos nos conhecido antes, na \u00e9poca da faculdade, mas havia muito tempo que eu n\u00e3o o via. E a\u00ed, quando fomos ensaiar pela primeira vez, eu vi a generosidade dele, como ele \u00e9 grandioso enquanto ator. E a gente conversou bastante a respeito, at\u00e9 porque a rela\u00e7\u00e3o entre as duas personagens \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea disse, de complexidade. Ent\u00e3o, eu ficava desconfort\u00e1vel enquanto Flora, falando algumas coisas, reagindo \u00e0 agressividade daquela personagem, no caso, o personagem de Jhoilson. E a gente precisava estar muito unido e ser muito amigo, mesmo, para poder colaborar com o trabalho um do outro. Ent\u00e3o, apesar de a gente n\u00e3o ter muito tempo de conviv\u00eancia, s\u00f3 foram aqueles poucos momentos de ensaio e logo depois a grava\u00e7\u00e3o, eu me senti confiante com Jhoilson. Senti que poderia confiar nele. Foi dessa forma que foi elaborada essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_77358\" aria-describedby=\"caption-attachment-77358\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-77358 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Carluce-e-Jhoilson-em-cena-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Carluce-e-Jhoilson-em-cena-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Carluce-e-Jhoilson-em-cena-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-77358\" class=\"wp-caption-text\"><em>Carluce e Jhoilson em cena de &#8220;Floradas&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea tem experi\u00eancias em diversos campos de atua\u00e7\u00e3o, como teatro, curtas metragens e escrita. Cada processo possui um ritmo diferente. Chegar a esse convite, agora, para fazer uma s\u00e9rie de TV j\u00e1 tendo essa bagagem profissional que voc\u00ea tem, obviamente, soma na sua carreira. Preparar-se para esse tipo de trabalho gerou algum tipo de dificuldade ou voc\u00ea j\u00e1 se percebeu que poderia se adaptar bem a esse ritmo de uma s\u00e9rie de TV do mesmo modo como em outros campos?<\/strong><br \/>\nPergunta dif\u00edcil, viu&#8230; (risos) Deixa eu tentar elaborar aqui. (Pausa)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fique \u00e0 vontade.<\/strong><br \/>\nMinha experi\u00eancia maior \u00e9 com o teatro. Mas sempre busquei cursos que me aprimorassem na interpreta\u00e7\u00e3o de outros ve\u00edculos, no caso do cinema e televis\u00e3o. Ent\u00e3o, fiz o curso do Cine Arts aqui em Salvador e morei um per\u00edodo em S\u00e3o Paulo. Nesse per\u00edodo, me dediquei ao estudo da interpreta\u00e7\u00e3o para cinema, tamb\u00e9m. \u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o diferente da que a que usamos para o teatro. Mas o teatro j\u00e1 d\u00e1 uma bagagem. A gente n\u00e3o vai sem nada. N\u00e3o vamos vazios quando interpretamos para o v\u00eddeo. Ent\u00e3o, al\u00e9m do teatro, esses cursos me deram uma confian\u00e7a maior para fazer essa s\u00e9rie. \u00c9 uma s\u00e9rie de sete epis\u00f3dios na qual ficamos em uma casa filmando todos os dias. H\u00e1 poucos momentos em que voc\u00ea sai da personagem. Ent\u00e3o, acaba que fica org\u00e2nico, sabe? \u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o que fica org\u00e2nica porque voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 ali junto com todo mundo, junto com a equipe. Voc\u00ea filma, para pra almo\u00e7ar, filma novamente, encerra dia, vai dormir, acorda, toma caf\u00e9 da manh\u00e3 com a equipe, filma de novo&#8230; Sabe? Ent\u00e3o, essas entradas e sa\u00eddas da personagem ajudam a deixar aquela personagem mais org\u00e2nica, eu acredito, no v\u00eddeo. Essa experi\u00eancia me ajudou nisso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que momento voc\u00ea percebeu essa vontade de ser atriz que a fez deixar a profiss\u00e3o de advogada para se dedicar \u00e0s artes?<\/strong><br \/>\nEu comecei em 2005, com um curso de teatro amador. Fiz esse curso de forma concomitante com a Faculdade de Direito, que conclui. Ap\u00f3s o curso de Direito, ingressei na Faculdade de Teatro da UFBA. Ingressei em Interpreta\u00e7\u00e3o e abandonei a minha profiss\u00e3o de advogada. Na verdade, n\u00e3o sei nem se posso dizer que eu cheguei a exerc\u00ea-la. Porque foi um tr\u00e2nsito muito r\u00e1pido entre o Direito e o Teatro. Sempre quis ser atriz. N\u00e3o me via muito naquele ambiente burocr\u00e1tico. E foi assim que eu me encontrei enquanto artista. Foi dessa forma. N\u00e3o sei se te respondi. Essa pergunta sempre me deixa um pouco confusa (risos). Sinceramente, n\u00e3o sei dizer em que momento surgiu essa vontade. Mas lembro de querer isso desde crian\u00e7a, de ser artista de alguma forma. Mas isso tem muito a ver com a nossa cultura de novelas, de televis\u00e3o. Pode estar permeado dessas lembran\u00e7as, tamb\u00e9m. Esse desejo pode estar permeado com cultura de TV aqui no Brasil, de querer ser aquela artista de TV. O que ajudou no sentido de que eu acabei me tornando artista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tendo essas experi\u00eancias em diversos campos, voc\u00ea diria que o teatro, o palco, seria o local onde voc\u00ea se sente mais confort\u00e1vel como atriz?<\/strong><br \/>\nOlha, n\u00e3o sei te responder. S\u00e3o ambientes distintos. Eu n\u00e3o sei qual seria o mais confort\u00e1vel. Mas com certeza, o teatro. E foi a Escola de Teatro da UFBA que me proporcionou isso. Eu devo muito a essa institui\u00e7\u00e3o que me fez ter os instrumentos para ser uma artista, para ser uma int\u00e9rprete. Qual \u00e9 o mais confort\u00e1vel eu n\u00e3o sei te dizer. Eu gosto muito do audiovisual, tamb\u00e9m. Gosto do palco e gosto do audiovisual. Para mim s\u00e3o duas categorias diferentes de interpreta\u00e7\u00e3o, de interpretar. Somente isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica em Teatro, um mestrado em desenvolvimento nesse mesmo campo, voc\u00ea participou de diversas oficinas ministradas por gente como Harildo D\u00e9da, Rada Rezeda, M\u00e1rcio Meirelles, dentre outros nomes de destaque aqui de Salvador. Al\u00e9m disso, boa parte de seus trabalhos s\u00e3o produ\u00e7\u00f5es daqui. Queria te perguntar sobre essa quest\u00e3o da necessidade que artistas locais precisarem seguir para o sudeste em busca de oportunidades. Lembro-me de ter <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/09\/06\/entrevista-eric-assmar-trio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevistado o Eric Assmar<\/a>\u00a0 por duas vezes e ele me falou um pouco sobre isso. Sobre <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/03\/29\/entrevista-eric-assmar-fala-sobre-home-seu-album-mais-comprometido-com-o-blues\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a ideia de ser um artista\/oper\u00e1rio<\/a> e sobre a perman\u00eancia na Bahia.\u00a0<\/strong><br \/>\nRealmente, a gente est\u00e1 sempre em movimento, ainda mais se tratando de um artista baiano, uma atriz baiana. Para aprender novos modelos de interpretar, para ter uma experi\u00eancia com artistas de outros cantos do Brasil e at\u00e9 mesmo de outros cantos do mundo, mas, tamb\u00e9m, para conhecer pessoas da \u00e1rea cuja troca pode ser interessante. Pode ter como consequ\u00eancia um projeto, por exemplo. Acho que \u00e9 nesse sentido que o Eric falou de ser um artista oper\u00e1rio. Porque a gente tem que batalhar para que os nossos projetos estejam a\u00ed, que nossos projetos vivam e sobrevivam. Enfim, para que a gente trabalhe, tamb\u00e9m. Estou muito feliz em ver projetos nordestinos. Acabei de assistir a \u201cCanga\u00e7o Novo\u201d, uma s\u00e9rie que achei incr\u00edvel. Atores, roteiro, dire\u00e7\u00e3o, fotografia, tudo fenomenal. Fiquei com um orgulho danado por ser do Nordeste. A gente se ouve. A gente ouve o nosso sotaque, o nosso jeito. E isso tamb\u00e9m abre esperan\u00e7as para n\u00f3s que somos artistas aqui do Nordeste. De que podemos fazer coisas aqui, mesmo. Que n\u00e3o precisamos migrar para outros estados para trabalhar, para ser reconhecido como artista. Eu acho que o futuro pode trazer novidades promissoras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea considera muito importante ou essencial essa migra\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nOlha, eu gostaria de dizer que n\u00e3o. Que n\u00e3o \u00e9 importante, do fundo do meu cora\u00e7\u00e3o. At\u00e9 pela minha resposta anterior. Mas, infelizmente, ainda para os atores baianos, o mercado ainda \u00e9 muito fechado, muito pequeno. Ent\u00e3o, foi importante eu estar em S\u00e3o Paulo. N\u00e3o sei se voltarei. Talvez eu volte. Talvez eu saia daqui em algum momento. Mas sei de muitos colegas, muitos amigos que tiveram esse tr\u00e2nsito, tiveram que sair de Salvador em dire\u00e7\u00e3o ao Rio de Janeiro, em dire\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Paulo, para que pudessem ter mais chances de inser\u00e7\u00e3o no mercado art\u00edstico. Ent\u00e3o, minha resposta \u00e9: eu gostaria que n\u00e3o fosse. Eu gostaria que tiv\u00e9ssemos condi\u00e7\u00f5es objetivas de produ\u00e7\u00e3o, de verba, para que pud\u00e9ssemos fazer arte e pud\u00e9ssemos ter um mercado mais abrangente. Mas, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o nosso cen\u00e1rio atual ainda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea poderia falar um pouco sobre sua pesquisa de mestrado?<\/strong><br \/>\nEu estou pesquisando o Centro Popular de Cultura da Bahia. O CPC foi um movimento art\u00edstico-cultural que nasceu em 1961e foi at\u00e9 a decreta\u00e7\u00e3o do golpe militar. E trouxe nomes muito influentes da cultura, das artes. E o CPC nasce no Rio de Janeiro, mas <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/12\/09\/entrevista-igor-oliveira-cpc-umes-filmes-mercado-cinefilo-de-midia-fisica-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ele vai se espalhar pelo Brasil inteiro<\/a> com a proposta pol\u00edtica, tamb\u00e9m, da arte. Uma proposta de arte engajada. E houve a cria\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo do CPC aqui na Bahia. E esse CPC baiano foi pouco estudado. Por isso, a minha vontade de ir atr\u00e1s dessas pessoas que, em m\u00e9dia, t\u00eam 85 anos, e que ainda est\u00e3o aqui. Estou em busca dessas pessoas para entrevist\u00e1-las e poder capturar um pouco a hist\u00f3ria do CPC Baiano segundo a vis\u00e3o deles. Dentre os nomes de pessoas que participaram do CPC est\u00e3o o de Tom Z\u00e9, Capinam, Caetano Veloso fez uma m\u00fasica para o CPC, apesar de n\u00e3o ter participado efetivamente. Gilberto Gil participou de reuni\u00f5es. Roberto Santana fez parte do CPC. Harildo D\u00e9da, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/26\/homenagem-o-cineasta-geraldo-sarno-1938-2022-em-uma-entrevista-sobre-seu-ultimo-filme-sertania-2020\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o cineasta Geraldo Sarno<\/a>, que faleceu. <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/04\/18\/entrevista-orlando-senna-lara-belov-e-jamille-fortunato-falam-sobre-o-amor-dentro-da-camera\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Orlando Senna fez parte do CPC<\/a>. Ou seja, s\u00e3o pessoas muito envolventes, muito ricas, historicamente falando, que eu estou em busca e entrevistando para resgatar essa hist\u00f3ria. Esse \u00e9 o meu campo de pesquisa. Mais especificamente para a \u00e1rea de dramaturgia e hist\u00f3ria do teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8211;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/17\/entrevista-o-diretor-anderson-soares-e-o-produtor-leo-silva-falam-sobre-a-serie-floradas-na-trilha-da-agroecologia\/\"><em>Leia tamb\u00e9m entrevista com o diretor Anderson Soares e o produtor de &#8220;Floradas&#8221;, L\u00e9o Silva<\/em><\/a><br \/>\n&#8211;<i><em>\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/21\/entrevista-co-roteirista-de-floradas-vitor-sousa-fala-da-emergencia-em-repensar-a-maneira-como-lidamos-com-a-agroecologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Co-roteirista, Vitor Sousa fala da emerg\u00eancia em repensar a maneira como lidamos com a agroecologia<\/a><\/em><\/i><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Poster_FLORADAS-copiar.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Eu fiquei muito feliz por ter participado desse projeto. Porque vejo a arte como um instrumento de modifica\u00e7\u00e3o social, mesmo.(&#8216;Floradas&#8217;) me gerou um impacto positivo&#8221;, diz a atriz\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/18\/entrevista-carluce-couto-protagonista-de-floradas-fala-sobre-a-serie-sua-carreira-e-festeja-o-sucesso-de-cangaco-novo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":77357,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[7496],"tags":[6870],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77355"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77390,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77355\/revisions\/77390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}