{"id":77273,"date":"2023-10-13T01:45:52","date_gmt":"2023-10-13T04:45:52","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77273"},"modified":"2024-02-01T00:58:32","modified_gmt":"2024-02-01T03:58:32","slug":"entrevista-zeca-baleiro-fala-do-novo-disco-mambo-so-do-parceiro-chico-cesar-de-portugal-e-de-como-estamos-todos-um-pouco-bipolares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/13\/entrevista-zeca-baleiro-fala-do-novo-disco-mambo-so-do-parceiro-chico-cesar-de-portugal-e-de-como-estamos-todos-um-pouco-bipolares\/","title":{"rendered":"Entrevista: Zeca Baleiro fala do novo disco, &#8220;Mambo S\u00f3&#8221;, de Chico C\u00e9sar, Portugal e de como &#8220;estamos todos um pouco bipolares&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano em que comemora 26 anos de edi\u00e7\u00f5es discogr\u00e1ficas, um percurso que se iniciou com o disco \u201cPor Onde Andar\u00e1 Stephen Fry?\u201d (1997), mas que se traduz em quase 40 anos de carreira, Zeca Baleiro tem mantido uma atividade intensa e estabelecido diversas colabora\u00e7\u00f5es musicais. Recentemente, Zeca cantou o pop tranquilo de \u201cT\u00e3o Distra\u00eddos\u201d com o m\u00fasico Gabriel Elias, dividiu o microfone com a cantora Rosana na balada pop soul \u201cSetembro\u201d (uma m\u00fasica composta por Zeca e Wado) e aceitou um convite do seu amigo Edy Star para participar da grava\u00e7\u00e3o de &#8220;Cabras Pastando&#8221;, uma faixa de 1976 de S\u00e9rgio Sampaio, que figurou no \u00e1lbum de Edy &#8220;Meu amigo S\u00e9rgio Sampaio&#8221; (2023), como tamb\u00e9m gravou com Bruna Caram, Luiz Felipe Gama, Laksmi, Hecto, Patricia Ahmaral e Mazzan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, na animada entrevista, por Whatsapp, que me concede, o assunto com que come\u00e7amos \u00e9 seu \u00e1lbum mais recente, \u201cMambo S\u00f3\u201d (2023), o sucessor de \u201cCan\u00e7\u00f5es D\u00b4Al\u00e9m Mar\u201d (2020), disco em que Zeca interpretou compositores portugueses. O novo disco autoral tinha sido pensado inicialmente como um EP e Zeca Baleiro elaborou um plano com a sua equipe para apresentar uma sequ\u00eancia de cinco singles e acabou por lan\u00e7ar um single a cada semana, que resultou bem. Como tinha muitas can\u00e7\u00f5es guardadas, isso levou-o a acelerar o processo e a fazer um \u00e1lbum com 10 m\u00fasicas e quatro vinhetas. Embora improvisado e sem muita pretens\u00e3o, \u201cMambo S\u00f3\u201d revela um apreci\u00e1vel frescor sonoro e variedade musical, versando tem\u00e1ticas atuais como o ref\u00fagio, as redes sociais e a tecnologia com perspic\u00e1cia e sentido cr\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o questiono sobre o patamar em que coloca \u201cMambo S\u00f3\u201d relativamente a \u00e1lbuns cl\u00e1ssicos como \u201cV\u00f4 Imbol\u00e1\u201d (1999), \u201cL\u00edricas\u201d (2000) ou \u201cPet Shop Mundo C\u00e3o\u201d (2003), Zeca Baleiro admite a menor cota\u00e7\u00e3o dos lan\u00e7amentos no contexto presente, mas defende a qualidade do trabalho: \u201cAcho que o valor da edi\u00e7\u00e3o de um disco est\u00e1 muito relativizado e at\u00e9 subvalorizado pela pr\u00f3pria natureza que o mercado tem hoje. Os trabalhos que voc\u00ea citou s\u00e3o de uma \u00e9poca em que o \u00e1lbum era muito reconhecido, em que sa\u00eda uma resenha no jornal ou passava num programa de audit\u00f3rio popular na televis\u00e3o, como no programa do J\u00f4 Soares, havia uma entrevista e tocavam-se as can\u00e7\u00f5es. \u00c9 um tempo que acabou e se o disco n\u00e3o for divulgado nas redes sociais pouca gente ouve falar dele. Est\u00e1 tudo bastante disperso e pulverizado. Se este trabalho tivesse sido lan\u00e7ado h\u00e1 20 anos, provavelmente teria um status de \u00e1lbum cl\u00e1ssico, porque \u00e9 muito diverso e cheio de ironia. Ele aborda o tempo presente com humor e gra\u00e7a e tem quest\u00f5es s\u00e9rias versadas com algum lirismo. Nesse sentido, \u2018Mambo S\u00f3\u2019 talvez esteja na lista dos discos que voc\u00ea falou, mas hoje \u00e9 apenas mais um e infelizmente \u00e9 assim\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das iniciativas interessantes, dentro do pacote comemorativo dos 26 anos de trajeto, refere-se \u00e0 edi\u00e7\u00e3o do livro de pequenas mem\u00f3rias, \u201cNomes e Coisas\u201d, em que Baleiro recorda alguns parceiros e \u00eddolos musicais e as v\u00e1rias experi\u00eancias que viveu com esses artistas. \u201cO que me despertou verdadeiramente para escrever o livro foram as duas biografias do Belchior que eu li. No ano de 2013 fiz um show com a Orquestra de C\u00e2mara da Ulbra, em Porto Alegre, e sabia que ele morava meio escondido numa cidade local. Alguns amigos disseram-me para o procurar. Eu encontrei-o no interior do Rio Grande do Sul, por acaso. Tom\u00e1mos um vinho, conversamos e reparei que Belchior estava um pouco abatido. Ele viria a falecer quatro anos mais tarde. Quando li as v\u00e1rias vers\u00f5es do encontro, que apareceram nos livros, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/09\/02\/sobre-belchior-e-alucinacoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">percebi que cada uma era contada de modo diferente<\/a>. No entanto, h\u00e1 uma hist\u00f3ria curiosa por detr\u00e1s disso, porque n\u00f3s \u00e9ramos colegas, conhec\u00edamo-nos, encontr\u00e1vamo-nos, ele sempre foi gentil comigo e tentamos combinar algumas reuni\u00f5es e jantares. Por isso, eu quis contar esse epis\u00f3dio tal como aconteceu. Eram relatos curtos de duas ou tr\u00eas laudas e a partir da\u00ed vieram textos que eu escrevi, por encomenda para jornais, sobre a morte de Luiz Melodia e Moraes Moreira e a import\u00e2ncia do Raul Seixas. Eu fui compilando essas coisas e escrevendo outras relativas \u00e0 minha rela\u00e7\u00e3o com Fagner e Itamar Assump\u00e7\u00e3o, bem como brigas, desentendimentos e tudo isso. Juntei as hist\u00f3rias todas, mas s\u00f3 conseguirei lan\u00e7ar o livro no pr\u00f3ximo ano\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zeca Baleiro \u00e9 muitas vezes apontado como o artista \u2018mainstream\u2019 mais alternativo do Brasil, uma defini\u00e7\u00e3o que o convido a comentar e que aceita sem reservas: \u201cTanto eu como o Chico C\u00e9sar particip\u00e1vamos em programas de televis\u00e3o populares, mas \u00e9ramos cultuados por pessoas mais alternativas, inteligentes e universit\u00e1rias. Reconhe\u00e7o que ficamos nesse meio lugar. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel, porque eu posso fazer um disco de samba agora e se ningu\u00e9m o ouvir n\u00e3o \u00e9 problem\u00e1tico. Tamb\u00e9m poder\u00e3o escut\u00e1-lo por curiosidade e pelo fato de eu n\u00e3o ser um compositor especializado no samba e ter-me aventurado por a\u00ed. Sinto que criamos uma certa liberdade e autonomia que nos permite fazer qualquer coisa. Isso \u00e9 bacana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao longo do seu percurso art\u00edstico, Zeca Baleiro assinou v\u00e1rios \u00e1lbuns e colabora\u00e7\u00f5es musicais, enveredou por \u00e1reas culturais diversas como o teatro, cinema e literatura ou a dan\u00e7a e ganhou em 2021 o Grammy Latino de Melhor \u00c1lbum de M\u00fasica Popular Brasileira (MPB) com o disco \u201cCan\u00e7\u00f5es d&#8217;Al\u00e9m Mar\u201d. Por essa ordem de raz\u00f5es, o desejo de empreender novos projetos e a motiva\u00e7\u00e3o para os concretizar \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto e que se justifica colocar em fun\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias facetas que comp\u00f5em a sua identidade. \u201cEu gostaria de me aventurar pelo cinema e fazer alguma coisa ligada \u00e0 \u00e1rea documental, que \u00e9 um segmento que aprecio bastante e, em particular, document\u00e1rios hist\u00f3ricos e biogr\u00e1ficos. Existem tr\u00eas personalidades que est\u00e3o na casa dos 70, 80 anos, das quais pretendo produzir algo nesse patamar at\u00e9 ao final do ano, sempre com a parceria de algu\u00e9m com mais experi\u00eancia. Tenho boas ideias para roteiros e quero levar a cabo esses projetos. No teatro, agradava-me igualmente exercer fun\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00e3o, no futuro. \u00c9 uma arte que eu gosto muito e trabalho com teatro desde os meus 17 anos, por isso tenho muita intimidade. Tamb\u00e9m vejo com bons olhos a possibilidade de fazer uma \u00f3pera, mas quando estiver velhinho eu tento (risos)\u201d, conclui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De S\u00e3o Paulo para Lisboa, Zeca Baleiro conversou com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mambo S\u00f3\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_m80djJs-HzsuminrroAR7X6J11Xzxy4yE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O seu \u00e1lbum mais recente, \u201cMambo S\u00f3\u201d (2023) tem duas m\u00fasicas que revelam emo\u00e7\u00f5es particularmente diferentes. O single \u201cVento de Outono\u201d exibe um sabor de reggae adocicado e parece conter uma mensagem apaixonada em contraste com o cruzamento de mambo e bolero da faixa-t\u00edtulo que aborda a solid\u00e3o. Qual destes estados de esp\u00edrito o definem melhor em 2023?<\/strong><br \/>\n\u00d3timo (risos). Boa pergunta. Acho que estamos todos um pouco bipolares, atualmente. Num dia acordamos felizes e queremos levar flores ao vizinho e noutro dia sentimo-nos deprimidos e desolados. As pessoas est\u00e3o muito inst\u00e1veis. Acaba por ser aquilo que o pensador polon\u00eas Zygmunt Bauman definiu como \u201ctempos e amores l\u00edquidos\u201d. Esse conceito \u00e9 muito preciso, porque vivemos uma era em que nada \u00e9 palp\u00e1vel ou definitivo e tudo \u00e9 provis\u00f3rio. Na realidade, pessoas como eu e voc\u00ea ou de outras gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 passaram por outros tempos, em que havia mais vida comunit\u00e1ria, vida de bairro e sociabilidade e este per\u00edodo traz muita instabilidade emocional. Como compositor e cronista que sou vou falando de todos os assuntos. O personagem da faixa \u201cMambo S\u00f3\u201d \u00e9 uma figura muito solit\u00e1ria, dentro da solid\u00e3o urbana e contempor\u00e2nea, e que vai ao Starbucks para ouvir o nome dele e n\u00e3o se sentir t\u00e3o s\u00f3. J\u00e1 o sujeito de \u201cVento de Outono\u201d \u00e9 uma personagem saudosa, andando pelas ruas. Como a minha rua tem muitas \u00e1rvores, na p\u00f3s-pandemia ficou um tapete de folhas secas no ch\u00e3o e isso inspirou-me a fazer uma can\u00e7\u00e3o amorosa. Em cada dia h\u00e1 um estado de esp\u00edrito diferente que me leva a compor uma m\u00fasica nova e isso \u00e9 bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para al\u00e9m de \u201cMambo S\u00f3\u201d, voc\u00ea tamb\u00e9m planeja lan\u00e7ar um disco autoral de sambas (produzido por Swami Jr.) e um \u00e1lbum em parceria com Chico C\u00e9sar. Gostaria que me falasse um pouco desses trabalhos e me dissesse se o \u00e1lbum com Chico C\u00e9sar seguir\u00e1 a positividade e os caminhos da soul, do reggae, ska e das baladas que os singles duplos editados anteriormente evidenciaram.<\/strong><br \/>\nO disco de sambas vai chamar-se \u201cO Samba N\u00e3o \u00e9 De Ningu\u00e9m\u201d e a capa foi o \u00faltimo trabalho que o Elifas Andreato fez sob encomenda, porque ele morreu no ano passado. Ele foi o autor de capas cl\u00e1ssicas de Paulinho da Viola, Chico Buarque, Martinho da Vila, Clara Nunes e Elis Regina. O Elifas fez muitos \u00e1lbuns de samba e n\u00f3s vamos lan\u00e7ar esse disco em vinil. Relativamente ao trabalho com o Chico C\u00e9sar, ele est\u00e1 em fase de finaliza\u00e7\u00e3o. As composi\u00e7\u00f5es com o Chico foram feitas bem no momento da pandemia que para n\u00f3s (brasileiros) foi mais sofrida do que para voc\u00eas (portugueses). Nesse per\u00edodo tivemos o surto propriamente dito e a crise pol\u00edtica que foi terr\u00edvel para o Brasil. Era um tempo de muita ang\u00fastia, desespero e solid\u00e3o. Mas, as can\u00e7\u00f5es s\u00e3o de esperan\u00e7a e louvam a resili\u00eancia. Todas elas t\u00eam esse tom com exce\u00e7\u00e3o de uma ou outra mais melanc\u00f3lica. As m\u00fasicas s\u00e3o de um per\u00edodo cr\u00edtico, mas exibem confian\u00e7a. O disco com o Chico C\u00e9sar tem o nome provis\u00f3rio de \u201cAo Arrepio da Lei\u201d, que \u00e9 a m\u00fasica de abertura do \u00e1lbum. \u00c9 um trabalho com muita variedade e tem can\u00e7\u00f5es \u00e9tnicas, l\u00edricas, samba e forr\u00f3. O nosso modo de compor \u00e9 mesmo assim porque buscamos a diversidade. Escolhemos 11 can\u00e7\u00f5es, das 20 que fizemos, para integrar um \u00e1lbum enxuto e pequeno, porque hoje ningu\u00e9m tem mais tempo para ouvir demasiadas m\u00fasicas. Ele deve ser lan\u00e7ado entre Janeiro e Fevereiro de 2024 para podermos edit\u00e1-lo em vinil. Acho que \u00e9 um acontecimento que se justifica, por se tratar de uma uni\u00e3o de dois colegas de carreira e gera\u00e7\u00e3o e \u00e9 algo raro de suceder. Mas, quando acontece, vira um ato hist\u00f3rico e medi\u00e1tico como Jorge Palma e S\u00e9rgio Godinho ou Gilberto Gil e Milton Nascimento. Pretendemos fazer alguns concertos e temos alguns agendados para o in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano e o que ser\u00e1 s\u00f3 Deus sabe (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chico C\u00e9sar e Zeca Baleiro - Respira (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/2QhU891Dp_g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que mem\u00f3rias guarda dos shows que fez em Portugal e o que podemos esperar do seu espet\u00e1culo, \u201cNa Ponta da L\u00edngua\u201d, que passar\u00e1 por Coimbra (12 Outubro), Lisboa (13 Outubro) e Porto (14 Outubro)?<\/strong><br \/>\nEu tenho mem\u00f3rias de muitos espet\u00e1culos interessantes que fiz em Portugal. Desde o Centro Cultural de Bel\u00e9m, em Lisboa, ou o Coliseu do Porto, que j\u00e1 lotqmos duas vezes. Mas, a maior recorda\u00e7\u00e3o que eu guardo \u00e9 a dos grandes concertos, como por exemplo a apresenta\u00e7\u00e3o com o S\u00e9rgio Godinho na Festa do Avante (2000) e depois com o Jorge Palma no Rock In Rio Lisboa (2010), que foi um show sensacional. Tamb\u00e9m estive no interior mais remoto do pa\u00eds, em atua\u00e7\u00f5es que \u00e0s vezes resultavam de estrat\u00e9gias dos promotores locais para otimizar o tempo e isso daria para escrever um livro porque aconteceram hist\u00f3rias incr\u00edveis. Recordo-me de duas pessoas a assistirem ao show e as outras bebendo e comendo numa determinada festa popular. Isso tem muito a ver conosco, porque \u00e0s vezes tocamos no Brasil profundo e n\u00e3o conhecem o nosso trabalho e noutras ocasi\u00f5es surpreendem-nos e cantam as can\u00e7\u00f5es. \u00c9 um fen\u00f4meno t\u00edpico do interior profundo dos pa\u00edses. Relativamente ao espet\u00e1culo \u201cNa Ponta da L\u00edngua\u201d, o t\u00edtulo partiu de uma sugest\u00e3o do Jos\u00e9 Manuel Diogo que preside \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Portugal-Brasil 200 anos e se tornou meu amigo. \u00c9 uma forma de associar o show e a m\u00fasica com a causa que eles est\u00e3o a defender que \u00e9 a cidadania da l\u00edngua e vai inclusivamente haver a inaugura\u00e7\u00e3o de uma casa em Coimbra. Eu considero que se trata de um bom projeto e espero que d\u00ea resultados concretos e n\u00e3o fique s\u00f3 no plano te\u00f3rico. Tem que haver a\u00e7\u00e3o, uma aproxima\u00e7\u00e3o de verdade e uma intera\u00e7\u00e3o criativa, econ\u00f4mica e humana, porque a rela\u00e7\u00e3o entre um pa\u00eds colonizador e um pa\u00eds colonizado \u00e9 sempre de conflito. Hoje, o contingente de brasileiros em Portugal \u00e9 muito grande e o processo tem de se tornar harmonioso. A arte pode ser um agente decisivo nessa uni\u00e3o, mesmo que n\u00e3o seja completa, porque a vida \u00e9 complexa. Achei o convite interessante e fiquei bastante feliz por levar o meu trabalho a Portugal. Faz cinco anos que eu atuei com a Z\u00e9lia Duncan, por isso pretendo trazer o meu trabalho autoral e tocar pelo menos quatro ou cinco m\u00fasicas do \u201cCan\u00e7\u00f5es D\u00b4Al\u00e9m Mar\u201d. Em Lisboa devemos ter a participa\u00e7\u00e3o da nova forma\u00e7\u00e3o do Ala dos Namorados e do Manuel Paulo (ex-integrante da Ala dos Namorados) que tamb\u00e9m far\u00e1 uma parceria. A Susana Travassos (cantora da regi\u00e3o do Algarve, sul de Portugal), que j\u00e1 morou no Brasil e \u00e9 muito interessante, embora pouco conhecida em Portugal, dever\u00e1 igualmente cantar uma can\u00e7\u00e3o. Eu convidei A Garota N\u00e3o (nome art\u00edstico da cantora e compositora setubalense C\u00e1tia Oliveira) e ela ficou interessada, mas estava com a agenda muito preenchida e acabou por declinar com bastante pena. Mas, ainda estamos a tentar que mais algum artista portugu\u00eas entre no concerto. O Caetano Veloso atuou em Portugal recentemente, a Carminho participou no show dele e essas coisas aproximam-nos, mesmo que sejamos muito pr\u00f3ximos e igualmente muito diferentes. Isso possibilita a agrega\u00e7\u00e3o de valores e a integra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua. Vamos aprendendo a falar o vosso portugu\u00eas e voc\u00eas o nosso e avan\u00e7amos na rela\u00e7\u00e3o. Por isso, voltando ao alinhamento do show, tocarei metade do repert\u00f3rio autoral, de que o p\u00fablico tem saudades, e um ter\u00e7o do concerto ser\u00e1 composto por m\u00fasicas portuguesas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - \u00c0s Vezes o Amor (clipe oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/39sJkClIM8M?list=OLAK5uy_mj82qzVW7UFLxPuPu_7cdJzngsTW3oLgs\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 pensou na possibilidade de avan\u00e7ar com um segundo volume de \u201cCan\u00e7\u00f5es D&#8217;Al\u00e9m Mar\u201d (2020) e sobre novos compositores portugueses que gostaria de reler?<\/strong><br \/>\nEu tenho pensado na possibilidade de fazer um novo volume e alguns amigos mais jovens de Portugal t\u00eam-me cobrado isso. Mas, como j\u00e1 falei, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/23\/faixa-a-faixa-cancoes-alem-mar-por-zeca-baleiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em primeiro lugar precisava de pagar o tributo aos compositores dessa gera\u00e7\u00e3o<\/a> que me fizeram conhecer a m\u00fasica portuguesa contempor\u00e2nea. Estou a falar, por exemplo, do Fausto que seria o equivalente na MPB ao Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Jorge Ben Jor, etc. Eu tamb\u00e9m tenho escutado as novas gera\u00e7\u00f5es e m\u00fasicos como Salvador Sobral, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/23\/tres-discos-noiserv-samuel-uria-selma-uamusse\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Samuel \u00daria<\/a> e Tiago Bettencourt. Acho que o trabalho deles \u00e9 bastante valioso. Foi uma transi\u00e7\u00e3o lenta, com algumas coisas no meio do caminho, mas agora <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/portugal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h\u00e1 muita gente a fazer m\u00fasica interessante em Portugal<\/a>. E fazem-no reverenciando os mais velhos, o que n\u00e3o \u00e9 comum. No Brasil, temos artistas como Jards Macal\u00e9, que tem 80 anos, a lotar teatros com p\u00fablico de 25 e 30 anos. Pelo que me parece \u00e0 dist\u00e2ncia, a cena portuguesa est\u00e1 incr\u00edvel. Eu gostaria que houvesse alguma aproxima\u00e7\u00e3o e quem sabe fazer um document\u00e1rio, um disco, uma troca musical ou tocarmos juntos. No momento, estou a equacionar esse trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cTelegrama\u201d continua a ser um tema-chave no seu repert\u00f3rio e uma can\u00e7\u00e3o com a qual o p\u00fablico o identifica. Qual \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o que atribui para a transversalidade da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nCara, nem eu sei (risos). Acho que ela merece uma tese acad\u00eamica, porque \u00e9 uma m\u00fasica estranha. \u00c9 simples musicalmente, mas tem uma letra provocadora e h\u00e1 um amigo meu que diz que ela \u00e9 perigosa e est\u00e1 no limite da incorre\u00e7\u00e3o. A estrofe \u201cMais sem gra\u00e7a que a top model magrela na passarela\u201d se tivesse sido escrita hoje talvez eu fosse cancelado. E as frases \u201cTava mais bobo que banda de rock\u201d e \u201cMais solit\u00e1rio que paulistano\u201d revelam que existem imensas provoca\u00e7\u00f5es. \u00c9 intencional mesmo. No fundo, \u00e9 uma brincadeira e a prova disso \u00e9 que eu n\u00e3o emprego um tom beligerante ou belicoso. Tamb\u00e9m tenho outro amigo que diz que a can\u00e7\u00e3o tra\u00e7a o perfil de um bipolar, j\u00e1 que no final da m\u00fasica o sujeito explode de alegria e quer levar flores ao delegado. A mim surpreende-me e eu canto-a agora como se fosse de outro compositor e n\u00e3o minha, uma vez que se tornou t\u00e3o popular e distante. No Spotify tem quase 100 milh\u00f5es de streamings e cantam-na \u00e0 noite em bares, tal como fazem os m\u00fasicos de rua e do metr\u00f4. \u00c9 uma loucura e extrapolou o meu trabalho. Mas, eu n\u00e3o quero s\u00f3 ser lembrado como o autor de \u201cTelegrama\u201d (risos). O mais curioso \u00e9 que a comunica\u00e7\u00e3o postal j\u00e1 era obsoleta na \u00e9poca em que eu a compus e hoje ent\u00e3o nem se fala. E mesmo assim as pessoas cantam-na a plenos pulm\u00f5es. \u00c9 uma faixa que merece uma investiga\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9 muito bom ter um sucesso dessa magnitude e ele \u00e0s vezes salva um show. A can\u00e7\u00e3o tem vers\u00f5es em sertanejo, samba, forr\u00f3 ou reggae e continua a ser uma loucura. Gostaria de recordar igualmente que participei recentemente num evento na Casa de Portugal, em S\u00e3o Paulo, fazendo um debate pela integra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua nos pa\u00edses lus\u00f3fonos, e algu\u00e9m me perguntou se a m\u00fasica tenderia a ficar obsoleta porque o portugu\u00eas com bigod\u00e3o da padaria j\u00e1 n\u00e3o existe mais. No entanto, \u00e9 preciso referir uma coisa: eu moro h\u00e1 30 anos em S\u00e3o Paulo e esse personagem \u00e9 paulistano e nem \u00e9 de Portugal. Se eu cantasse sobre um espanhol da padaria, que existem alguns, eu n\u00e3o seria t\u00e3o veros\u00edmil como o portugu\u00eas da padaria. Em cada esquina h\u00e1 uma padaria e geralmente s\u00e3o mesmo de fam\u00edlias portuguesas. Por isso, \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o mais paulistana do que lusitana (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro e Camerata Florian\u00f3polis - Telegrama\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QsOxmULEcg8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/23\/entrevista-zeca-baleiro-apresenta-portugal-ao-publico-brasileiro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando o entrevistei h\u00e1 tr\u00eas anos<\/a>, voc\u00ea referiu que o Brasil atravessava um momento dif\u00edcil e que a cultura estava muito demonizada. Como v\u00ea o quadro atual e que perspectivas antev\u00ea para os artistas brasileiros no futuro?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 problemas estruturais que est\u00e3o na origem da discuss\u00e3o da pr\u00f3pria cultura e n\u00e3o est\u00e3o relacionados com nenhum pol\u00edtico. Naturalmente, o governo Bolsonaro foi desastroso ao n\u00edvel cultural. Muitas pessoas, artistas e t\u00e9cnicos passaram fome, que no fundo representou uma cadeia produtiva imensa. Existe uma demoniza\u00e7\u00e3o da Lei Rouanet, que \u00e9 uma lei de mecenato, e at\u00e9 existe em pa\u00edses ricos e cito o exemplo da Dinamarca. N\u00e3o se trata de saber se houve corrup\u00e7\u00e3o, isso \u00e9 outro assunto, porque a lei \u00e9 importante e necess\u00e1ria. A m\u00fasica \u00e9 uma arte que se sustenta mais a n\u00edvel de mercado, mas a dan\u00e7a e o teatro se n\u00e3o forem incentivadas por leis dessa natureza n\u00e3o acontecem. Porque s\u00e3o artes sem garantia de p\u00fablico. A m\u00fasica popular e o cinema s\u00e3o mais mercantis. Quando os artistas se colocam no lado certo da hist\u00f3ria e da democracia, as pessoas acham que eles s\u00e3o \u201cmamata\u201d e est\u00e3o a mamar nas tetas da Lei Rouanet. Mas, ela \u00e9 complexa e deve existir um enquadramento semelhante em Portugal, uma lei de isen\u00e7\u00e3o de impostos em que h\u00e1 uma averigua\u00e7\u00e3o minuciosa dos projetos. Por isso, n\u00e3o passa por o artista aparecer e jogarem dinheiro na janela. Os idiotas da extrema-direita acham que \u00e9 assim e usam esse argumento para desqualificar e desmoralizar os criativos. Eu considero-me um artista de mercado e nunca fiz uso dessa lei nem acho que deva fazer. Mas, \u00e9 justo que outros em est\u00e1gios de carreira diferentes o fa\u00e7am. Tamb\u00e9m \u00e9 razo\u00e1vel que as empresas sejam isentas de 4% de imposto de renda para poderem investir, embora seja muito pouco. H\u00e1 ajustes que s\u00e3o feitos, dado que todas as leis t\u00eam de ser atualizadas, mas existem outras regulamenta\u00e7\u00f5es estaduais e regionais. Quando o Bolsonaro saiu de cena e o Lula entrou o panorama mudou logo. Ele nomeou para ministra da cultura uma artista, preta, baiana, com uma certa hist\u00f3ria de milit\u00e2ncia e simbolicamente j\u00e1 alterou tudo. Agora falta mudar na pr\u00e1tica, porque o Brasil tem muita gente a produzir cultura. Ela \u00e9 o nosso grande patrim\u00f4nio. O dinheiro que a cultura e o turismo movem no Brasil \u00e9 algo absurdo. Se n\u00e3o pelo aspeto intelectual e cultural que seja pela \u00f3tica econ\u00f4mica. \u00c9 uma coisa que traz muitas divisas para o pa\u00eds. Mas, \u00e9 um processo lento, porque os cofres p\u00fablicos ficaram devastados pelo governo do Bolsonaro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - O hacker (PetShop Mundo C\u00e3o - A \u00d3pera Infame)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/PTWTOhcsgBc?list=OLAK5uy_kSJ5eMhcA_JuMdctUmZpqm1V-3KXdGy1g\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - Voc\u00ea n\u00e3o liga pra mim (O cora\u00e7\u00e3o do Homem-bomba ao vivo. Ao vivo mesmo!)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Vom3XbbdFbY?list=OLAK5uy_nDRACMitGQa23D17T_tZfHDyRA7HVLKzg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Zeca Baleiro - O Desejo (DVD Calma A\u00ed, Cora\u00e7\u00e3o)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vyIsk_b-cB0?list=OLAK5uy_lDbO7BkjZhr-wqKZgGkIxTqR6ulPXhybk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Zeca Baleiro \u00e9 muitas vezes apontado como o artista \u2018mainstream\u2019 mais alternativo do Brasil, uma defini\u00e7\u00e3o que o convido a comentar e que aceita sem reservas: &#8220;\u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/10\/13\/entrevista-zeca-baleiro-fala-do-novo-disco-mambo-so-do-parceiro-chico-cesar-de-portugal-e-de-como-estamos-todos-um-pouco-bipolares\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":77277,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[47,2648],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77273"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77273"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77273\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77279,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77273\/revisions\/77279"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}