{"id":77031,"date":"2023-09-30T01:00:20","date_gmt":"2023-09-30T04:00:20","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77031"},"modified":"2023-10-23T02:38:42","modified_gmt":"2023-10-23T05:38:42","slug":"tres-perguntas-o-velho-manco-de-jundiai-lanca-ep-apostando-no-desconforto-como-impulso-estetico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/30\/tres-perguntas-o-velho-manco-de-jundiai-lanca-ep-apostando-no-desconforto-como-impulso-estetico\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas perguntas: O Velho Manco, de Jundia\u00ed, lan\u00e7a EP apostando no desconforto como impulso est\u00e9tico"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/lvinhas78\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardo Vinhas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/o.velho.manco\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Velho Manco<\/a> \u00e9 uma banda de Jundia\u00ed (SP) que acredita no desconforto como impulso est\u00e9tico. Ao mesmo tempo, a banda cita como inspira\u00e7\u00e3o artistas como Queens of The Stone Age, Nirvana, R.E.M. e Chico Buarque, gente que, por mais \u201ctorta\u201d que possa ser em algumas sonoridades, sempre teve uma veia pop bem evidente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse paradoxo se manifesta em \u201cEgorama\u201d (2023), novo EP da banda, editado de forma independente. Existe uma vontade subjacente, mas percept\u00edvel, de soar acess\u00edvel. Por\u00e9m, as can\u00e7\u00f5es se veem tomadas por um clima pesado e por diversas ambi\u00e7\u00f5es. Ainda assim, \u201cEgorama\u201d \u00e9 um exerc\u00edcio interessante de busca de identidade e de crescimento em um cen\u00e1rio bastante sufocado, que \u00e9 o rock independente autoral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o g\u00eanero estagnado pela falta de espa\u00e7os para fomentar uma cena e pela mudan\u00e7a das \u201cregras do jogo\u201d da ind\u00fastria musical, que confia cada vez mais em redes sociais e artistas individuais que se projetam mais como \u201ccriadores de conte\u00fado\u201d que como m\u00fasicos, fica dif\u00edcil encontrar caminhos para expandir o alcance e ter alguma esp\u00e9cie de retroalimenta\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tiago Mancin (voz, viol\u00e3o e guitarra), Danilo Nascimento (guitarra e backing vocal), Edmilson de Souza (baixo) e Vinicius Andrade (bateria e teclados) sabem disso. E sabem que est\u00e3o situados em uma cidade onde outras bandas autorais \u2013 como Do Culto ao Coma, Velodkos e outras \u2013 fazem pouqu\u00edssimos shows e realizam lan\u00e7amentos espor\u00e1dicos. \u00c9 um cen\u00e1rio dif\u00edcil, mas, como fica evidente nessa entrevista com o vocalista Mancin, O Velho Manco est\u00e1 disposto a enfrentar essas dificuldades e deixar uma marca com sua m\u00fasica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Prato para Eva\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CQZ9SiUNAD8?list=OLAK5uy_kha65e-QU_50TIXGlc6YzF2byYsjBsZXg\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em que esse novo trabalho difere dos anteriores? Ou a inten\u00e7\u00e3o era justamente dar continuidade?<\/strong><br \/>\nEle difere dos anteriores em forma, conte\u00fado e t\u00e9cnica. Mas h\u00e1 uma continuidade a\u00ed relacionada ao estilo dos sons que n\u00f3s fazemos, algo como uma tentativa de se imprimir uma autenticidade, que num futuro nos ou\u00e7am sem saber quem est\u00e1 tocando e possam chutar \u201cacho que \u00e9 O Velho Manco\u201d. Em sua forma, esse EP se difere dos nossos outros lan\u00e7amentos porque desde sua concep\u00e7\u00e3o a ideia era torn\u00e1-lo mais sombrio que os dois singles anteriores (\u201cAd Nauseam\u201d e Presente\u201d), e certamente mais sombrio que o primeiro \u00e1lbum \u201cA Mosca\u201d (2018). Nosso esfor\u00e7o foi o de construir essa sensa\u00e7\u00e3o de estar em um local escuro absorvendo aquelas melodias, desde a arte da capa, passando pelas cores utilizadas nos v\u00eddeos de promo, na mudan\u00e7a das cores do logo acompanhando a capa, at\u00e9 as cordas que ligam uma m\u00fasica \u00e0 outra e estabelecem, ou assim deveriam, um ambiente de tens\u00e3o que diz ao ouvinte algo como \u201ctem algo errado a\u00ed\u201d. E ao mesmo tempo dan\u00e7ante ou instigante, que \u00e9 parte do nosso estilo. Sobre essa obra se diferir dos demais em seu conte\u00fado, n\u00f3s gostamos de fazer discos conceituais, e por isso cada lan\u00e7amento nosso dever\u00e1 ter seu conceito pr\u00f3prio. As composi\u00e7\u00f5es estavam prontas e n\u00e3o iam entrar para nosso segundo \u00e1lbum \u2013 previsto para meados de 2024 \u2013 por fugir de sua tem\u00e1tica. Foi quando ent\u00e3o quisemos lan\u00e7ar essas tr\u00eas m\u00fasicas ao pensar no arco que as juntaria pelo elemento que t\u00eam em comum: o espet\u00e1culo do ego e seus poss\u00edveis impactos nas outras pessoas e na pr\u00f3pria. A faixa-t\u00edtulo e central \u00e9 um mergulho em si mesmo do protagonista. As outras duas, dois poss\u00edveis resultados dessa aliena\u00e7\u00e3o. E por fim, ele se difere tecnicamente porque, primeiro, \u00e9 a primeira vez que fazemos tudo em um est\u00fadio, com grava\u00e7\u00e3o e mixagem profissional, algo que at\u00e9 o momento era novidade pra gente, visto que absolutamente tudo o que gravamos no passado foi literalmente em uma garagem em um bairro perif\u00e9rico de Jundia\u00ed. Segundo porque, consequ\u00eancia de terceirizarmos todo o trabalho de p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o, investimos mais tempo em elaborar melhor as composi\u00e7\u00f5es, com mair preciosismo, inserindo elementos aqui e ali enquanto grav\u00e1vamos ou particip\u00e1vamos da mixagem com o produtor musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo EP tem um ar sombrio, quase ensimesmado, e as can\u00e7\u00f5es n\u00e3o buscam exatamente a veia pop. Por\u00e9m, a lista de influ\u00eancias que voc\u00eas citam no release \u00e9 de artistas que majoritariamente buscavam essa comunica\u00e7\u00e3o mais imediata com o p\u00fablico. Imagino, ent\u00e3o, que a influ\u00eancia acontece por outros caminhos, e que a inten\u00e7\u00e3o da banda \u00e9 soar mais fechada em si, certo?<\/strong><br \/>\nMais ou menos. Embora n\u00f3s tenhamos ouvido bastante de outras pessoas que n\u00f3s somos uma banda que faz m\u00fasica aut\u00eantica, com um estilo que elas dificilmente encontram l\u00e1 fora algo similar ao que fazemos, ao mesmo tempo n\u00e3o queremos entediar as pessoas que nos ouvem com algo que soe estranho demais ou erudito demais. Longe disso, diria at\u00e9 que algumas de nossas composi\u00e7\u00f5es tem um apelo quase pop. Uma de nossas maiores refer\u00eancias, o Radiohead, s\u00e3o o que s\u00e3o porque conseguiram atingir o limiar entre o mainstream e a banda de nicho. Eles t\u00eam refr\u00e3es e versos com melodias \u201ccatchy\u201d, mas tamb\u00e9m outras com m\u00e9tricas dif\u00edceis de ser cantadas pelo p\u00fablico m\u00e9dio. Eles t\u00eam instrumentais dan\u00e7antes, empolgantes com ciclos e frases curtas \u2013 ou complexos, com v\u00e1rios acordes, ritmos sincopados e timbres peculiares. A nossa idealiza\u00e7\u00e3o de m\u00fasica boa \u00e9 simplesmente de m\u00fasica que se quer ouvir, seja imaginando uma cena, divagando sobre um assunto ou pulando e dan\u00e7ando animado, enquanto a ouve. Ao mesmo tempo, temos aquela inten\u00e7\u00e3o de educar o p\u00fablico a ser mais criterioso na escolha de seus entretenimentos individuais, ent\u00e3o a busca eterna \u00e9 achar esse equil\u00edbrio que o Radiohead, em nossa concep\u00e7\u00e3o, conseguiu. Agora se formos falar de composi\u00e7\u00e3o de letra e poesia, n\u00f3s somos devotos da acidez e do desconforto \u2013 o nome da banda vem de um personagem criado em uma das faixas do primeiro disco, um cara ranzinza, esteticamente ranzinza. Ent\u00e3o n\u00e3o queremos trazer boas not\u00edcias, n\u00e3o temos boas not\u00edcias pra dar a ningu\u00e9m, \u00e9 bastante comum que as pessoas sintam em v\u00e1rias de nossas m\u00fasicas uma certa frieza a depender do assunto em que estamos colocando luz sobre. A teoria \u00e9 que se envolvemos um texto com melodias e arranjos que dizem o contr\u00e1rio do que o texto diz, cada elemento puxa o outro para sentidos opostos e a emo\u00e7\u00e3o se contradiz gerando novo sentimento. E isso \u00e9 fascinante. Ao mesmo tempo, pode resultar em afastamento de ouvintes que querem escutar m\u00fasicas sobre amores, saudades, felicidade, e ficar b\u00eabado nos fins de semana. Em suma, todas as refer\u00eancias que citamos no release nos influenciaram e influenciam basicamente em m\u00e9todo de composi\u00e7\u00e3o, em linguagem musical utilizada e atitude frente ao p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se o cen\u00e1rio rock j\u00e1 virou nicho, o que dizer do rock independente de cidades do interior. Qual \u00e9 o caminho para uma banda como O Velho Manco: investir na movimenta\u00e7\u00e3o local ou procurar espa\u00e7os em outras paragens, ainda que a um custo muito maior?<\/strong><br \/>\nExcelente pergunta, a qual se eu tivesse uma resposta objetiva ser\u00edamos pessoas mais felizes. Embora tenhamos quase dez anos de exist\u00eancia, nosso primeiro \u00e1lbum vai fazer cinco esse ano, e tivemos a pandemia que bloqueou todo nosso trabalho por pelo menos dois anos e meio. Ent\u00e3o, tecnicamente, somos uma banda jovem. Mas o cen\u00e1rio atual, como bem o descreveu, n\u00e3o deixa de ser desolador em v\u00e1rios aspectos. O que tentamos fazer nesse momento \u00e9 diariamente gerenciar a apresenta\u00e7\u00e3o de nosso conte\u00fado nas redes, tomando diferentes dire\u00e7\u00f5es o tempo todo. E sendo mais direto ao ponto, nesse momento n\u00f3s queremos compor e, mais importante, tocar para o p\u00fablico, seja em bares ou locais p\u00fablicos com espa\u00e7os mais amplos. Iniciamos em nossa cidade natal, Jundia\u00ed, mas j\u00e1 estamos come\u00e7ando a expandir os shows para cidades vizinhas. A nossa meta \u00e9 certamente tocar em lugares e festivais grandes, em S\u00e3o Paulo e outras cidades maiores, que inevitavelmente d\u00e3o mais valor a bandas independentes. E em algum momento vamos ter que expandir nossa atua\u00e7\u00e3o sim, a um custo maior. Esse ser\u00e1 nosso pr\u00f3ximo passo. Por ora, vivemos o agora e acreditamos muito na uni\u00e3o entre as bandas independentes, ent\u00e3o temos montado nossos pr\u00f3prios pequenos festivais ou participado dos que acontecem em nossa regi\u00e3o, sempre com o discurso de que precisamos de alavancar audi\u00eancia, e que h\u00e1 sim qualidade a se encontrar nos streamings da vida. \u00c9 s\u00f3 que se demanda um esfor\u00e7o de busca, a quem quer ouvir coisas boas e novas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Velho Manco - Nua\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lsDU4gDDDk8?list=OLAK5uy_k_HLhaBB-RlZk-qqbJ6sr_obDDPluSb90\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em style=\"font-size: 1rem;\">\u2013 Leonardo Vinhas (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/leovinhas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@leovinhas<\/a>) \u00e9 produtor e assina a se\u00e7\u00e3o Conex\u00e3o Latina (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/05\/03\/tag\/conexao_latina\/\">aqui<\/a>) no Scream &amp; Yell.<\/em><span style=\"font-size: 1rem;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div class=\"entry-content\">\n<div data-wpusb-component=\"buttons-section\">\n<div id=\"wpusb-container-default\" class=\"wpusb wpusb-default  \" data-element-url=\"http%3A%2F%2Fscreamyell.com.br%2Fsite%2F2023%2F09%2F24%2Fao-vivo-mesmo-com-suas-falhas-encontro-de-bike-e-tagore-prova-que-existem-muitos-caminhos-para-a-psicodelia-brasileira%2F\" data-element-title=\"Ao%20vivo%3A%20Mesmo%20com%20suas%20falhas%2C%20encontro%20de%20Bike%20e%20Tagore%20prova%20que%20existem%20muitos%20caminhos%20para%20a%20psicodelia%20brasileira\" data-attr-reference=\"76919\" data-attr-nonce=\"c8c34c05ec\" data-is-term=\"0\" data-wpusb-component=\"counter-social-share\">\n<div class=\"wpusb-item wpusb-linkedin \"><\/div>\n<div class=\"wpusb-item wpusb-share \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Existe uma vontade subjacente, mas percept\u00edvel, de soar acess\u00edvel. 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