{"id":77016,"date":"2023-09-29T00:35:25","date_gmt":"2023-09-29T03:35:25","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77016"},"modified":"2023-10-18T13:49:57","modified_gmt":"2023-10-18T16:49:57","slug":"entrevista-o-curador-marcelo-miranda-fala-sobre-a-homenagem-a-ze-celso-e-a-escolha-dos-filmes-brasileiros-da-mostra-cinebh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/29\/entrevista-o-curador-marcelo-miranda-fala-sobre-a-homenagem-a-ze-celso-e-a-escolha-dos-filmes-brasileiros-da-mostra-cinebh\/","title":{"rendered":"Entrevista: O curador Marcelo Miranda fala sobre a homenagem \u00e0 Z\u00e9 Celso e a escolha dos filmes brasileiros da Mostra CineBH"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos curadores da Mostra de Cinema de Belo Horizonte \u2013 CineBH, que este ano chega \u00e0 sua 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o, o jornalista, pesquisador e cr\u00edtico de cinema, Marcelo Miranda, conversou com o Scream &amp; Yell acerca do processo de escolha do dramaturgo Z\u00e9 Celso para ser um dos homenageados pelo evento desse ano dentro da Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com um recorte de tr\u00eas filmes, a visita \u00e0 presen\u00e7a de Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa (nome constante do teatro brasileiro) no cinema acontece em um momento no qual a celebra\u00e7\u00e3o pela sua vida e por sua trajet\u00f3ria se faz presente de modo agridoce, por conta de sua partida t\u00e3o tr\u00e1gica em julho desse ano, mas com uma certeza de que a perenidade e o aspecto eterno de seu trabalho s\u00e3o caracter\u00edsticas indubit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela sele\u00e7\u00e3o dos filmes nacionais para a CineBH, Marcelo trouxe ao papo um panorama dos longas brasileiros selecionados para a Mostra Continente. Leia a conversa abaixo!<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/26\/entrevista-raquel-hallak-fala-sobre-a-edicao-2023-da-mostra-cinebh-que-esse-ano-inclui-o-14o-brasil-cinemundo\/\"><em>Leia tamb\u00e9m: Raquel Hallak fala sobre a edi\u00e7\u00e3o 2023 da Mostra CineBH<\/em><\/a><\/p>\n<figure id=\"attachment_77019\" aria-describedby=\"caption-attachment-77019\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-77019\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Fedro-filme-com-Ze-Celso-e-Gianecchini-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Fedro-filme-com-Ze-Celso-e-Gianecchini-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/Fedro-filme-com-Ze-Celso-e-Gianecchini-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-77019\" class=\"wp-caption-text\"><em>Z\u00e9 Celso e Gianecchini em cena de &#8220;F\u00e9dro&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A CineBH desse ano traz o Z\u00e9 Celso, que morreu de forma tr\u00e1gica recentemente, como homenageado na Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos. Foi uma escolha dif\u00edcil trazer esse foco para ele nesse momento?<\/strong><br \/>\nPara te falar bem a verdade, Jo\u00e3o, foi bastante natural. A gente n\u00e3o discutiu muito. Esse ano estou incumbido na CineBH da sele\u00e7\u00e3o de filmes brasileiros. Ent\u00e3o, todo filme brasileiro que est\u00e1 na Mostra, de alguma forma, passou por um trabalho conjunto comigo, Cl\u00e9ber Eduardo e Tatiana Costa. A Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos n\u00e3o precisa ser de brasileiros. \u00c0s vezes \u00e9, \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9. Mas, esse ano, foi muito natural. A gente conversando muito informalmente sobre a Di\u00e1logo Hist\u00f3ricos e um pouco do nada veio: &#8220;E se a gente exibisse filmes em tributo ao Z\u00e9 Celso?&#8221; Todo mundo concordou que era uma \u00f3tima ideia. A gente estava ainda reverberando a morte dele. Porque, provavelmente, essa decis\u00e3o foi tomada antes mesmo de um m\u00eas ap\u00f3s sua morte. Ainda estava muito na m\u00eddia. A gente estava lamentando e percebendo o impacto, e as coisas que ele deixou, e as coisas que ele fez. Era um assunto muito presente em qualquer conversa com algu\u00e9m que goste de arte, de cultura, de Brasil. A Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos \u00e9 um recorte da CineBH que pensa os filmes em conjunto. Normalmente tr\u00eas ou quatro filmes que n\u00e3o t\u00eam em comum necessariamente seus diretores, ou seus temas ou suas \u00e9pocas. Mas eles precisam se conectar como uma conversa entre si e que reverbere algum aspecto da historicidade do cinema em alguma inst\u00e2ncia. Ela j\u00e1 chegou a ser feita de duas formas. Uma foi convidando algu\u00e9m para uma carta branca. Ent\u00e3o, o convidado escolhe os filmes, faz as conex\u00f5es e d\u00e1 as masterclasses, faz os bate-papos. Ano passado, tivemos a presen\u00e7a do cr\u00edtico e pesquisador boliviano Sebastian Morales, que apresentou um micropanorama da hist\u00f3ria do cinema na Bol\u00edvia. E a cada sess\u00e3o, ele fazia um coment\u00e1rio. Foi muito legal. Em outros anos, a gente teve outras presen\u00e7as estrangeiras, como por exemplo Ted Gallagher, cr\u00edtico americano que, tamb\u00e9m, sugeriu alguns filmes. E esse ano a sele\u00e7\u00e3o foi interna mesmo, justamente trazendo esse convidado externo que \u00e9 o Z\u00e9 Celso enquanto presen\u00e7a. Foi um pouco movido por uma sensibilidade do momento e pela vontade de compartilhar com mais pessoas a presen\u00e7a dele no cinema. Conseguimos olhar para essa figura pela lente do cinema e entender como ele foi importante, tamb\u00e9m, para o cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O recorte que a Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos faz aqui da carreira do Z\u00e9 Celso no cinema abrange tr\u00eas filmes: \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ddIhagZ4eYk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Prata Palomares<\/a>\u201d (1970); \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Pa0A30xt0Y0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Rei da Vela<\/a>\u201d (1982) e \u201cF\u00e9dro\u201d (2021). Tr\u00eas momentos bem espec\u00edficos de sua carreira. Como foi o processo de escolha desses momentos para represent\u00e1-lo na Mostra?<\/strong><br \/>\nO Z\u00e9 Celso teve participa\u00e7\u00f5es muito pontuais no cinema. Inclusive, ele trabalhou no \u201cEncarna\u00e7\u00e3o do Dem\u00f4nio\u201d (2008), filme do Jos\u00e9 Mojica Marins, onde interpreta uma figura important\u00edssima no inferno. A primeira participa\u00e7\u00e3o significativa dele no cinema foi no \u201c\u00c1rido Movie\u201d (2006), do L\u00edrio Ferreira. Ele tem participa\u00e7\u00f5es pontuais no cinema como ator, roteirista, performer. No papel dele mesmo. Do pr\u00f3prio Z\u00e9 Celso, que \u00e9 uma entidade por si. N\u00f3s t\u00ednhamos tinha uma grade de tr\u00eas filmes e pensamos: &#8220;Vamos tentar construir uma proposta de trajet\u00f3ria do Z\u00e9 Celso em apenas tr\u00eas filmes?&#8221; Porque, tamb\u00e9m, n\u00e3o era poss\u00edvel fazer uma retrospectiva. N\u00e3o \u00e9 isso. Mas em tr\u00eas filmes que a gente possa mostrar tr\u00eas facetas diferentes dele no cinema. Claro, o Z\u00e9 Celso nunca foi um artista isolado. Ent\u00e3o, ele, no cinema, tamb\u00e9m \u00e9 ele mesmo no teatro; tamb\u00e9m \u00e9 ele mesmo na interven\u00e7\u00e3o cultural e na agita\u00e7\u00e3o cultural. Ent\u00e3o, vamos mostrar tr\u00eas momentos dele que representam participa\u00e7\u00f5es diferentes e que tenham sua marca de alguma forma. No caso do \u201cPrata Palomares\u201d (1970), era uma escolha natural. Era a primeira participa\u00e7\u00e3o registrada dele em cinema. No caso, ele faz o roteiro. \u00c9 um filme muito imbu\u00eddo de quest\u00f5es da ditadura e da opress\u00e3o do regime militar. E ele se exilou poucos meses depois do filme ser lan\u00e7ado. Ent\u00e3o, ele j\u00e1 estava percebendo que o cerco estava se fechando. E muito focado na liberdade que o Teatro Oficina tinha. O filme n\u00e3o \u00e9 o Z\u00e9 Celso l\u00e1. Tem v\u00e1rias outras figuras do Teatro Oficina que participam no elenco e na prepara\u00e7\u00e3o corporal, tamb\u00e9m. Porque \u00e9 um filme visualmente muito impactante e muito perform\u00e1tico. E ele \u00e9 um filme que dialoga muito com a est\u00e9tica do cinema de inven\u00e7\u00e3o, do cinema marginal dos anos 1970. Muito fragmentado, muito focado em uma discuss\u00e3o pol\u00edtica. \u00c0s vezes com alguma irrever\u00eancia, \u00e0s vezes com alguma viol\u00eancia. Mas \u00e9 um filme muito daquele per\u00edodo de opress\u00e3o e de regime militar pesado. E o Z\u00e9 Celso faz o texto, faz o roteiro e, tamb\u00e9m, participou da realiza\u00e7\u00e3o do filme. \u00c9 um filme de 1970. Ou seja, muito desse per\u00edodo ali do ano do \u201cBang Bang\u201d (1971), pr\u00f3ximo ao \u201cOs Monstros de Babaloo\u201d (1970), a esses filmes que moveram o cinema brasileiro de inven\u00e7\u00e3o. Bressane, Sganzerla, Tonacci, Agripino e assim vai. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem esse primeiro Z\u00e9 Celso no cinema, escrevendo aquele roteiro. O outro, \u201cO Rei da Vela\u201d (1982), foi feito doze anos depois. Ele tem cenas filmadas da encena\u00e7\u00e3o (da pe\u00e7a) \u201cO Rei da Vela\u201d no teatro, mas o filme n\u00e3o \u00e9 a pe\u00e7a filmada. Ele \u00e9 uma esp\u00e9cie de viagem antropof\u00e1gica e tropicalista (risos) pelo imagin\u00e1rio do rei da vela a partir de encena\u00e7\u00f5es da pe\u00e7a na segunda vez em que ela ficou em cartaz, em 1971. Nesse ano, ele filmou algumas apresenta\u00e7\u00f5es no Teatro Jo\u00e3o Caetano, no Rio. Filmou por filmar, para registrar a pe\u00e7a, pois ela tinha sido censurada nos anos 1960 pela ditadura. Quando ela volta a cartaz em 1971, ele resolveu filmar provavelmente por estar preocupado dela voltar a ser censurada e ele n\u00e3o ter registros. Depois ele se exilou fora do Brasil e essas filmagens sumiram. Quando ele voltou, junto com Noilton Nunes, parceiro dele nesse filme, eles resolveram fazer um longa metragem usando essas imagens, mas, tamb\u00e9m, indo al\u00e9m.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O Rei da Vela - Teatro Oficina\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Iou47mA4y9o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode-se dizer que \u201cO Rei da Vela\u201d \u00e9, ent\u00e3o, uma mescla entre o teatro filmado e um doc sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo e suas repercuss\u00f5es e lutas.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, o filme \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o e uma reconstru\u00e7\u00e3o de todo um imagin\u00e1rio tropicalista do (espet\u00e1culo) \u201cO Rei da Vela\u201d, do Oficina, do Z\u00e9 Celso, da arte brasileira a partir dessa pe\u00e7a dos anos 1970. Ent\u00e3o, ele tem, sim, imagens da pe\u00e7a, mas n\u00e3o s\u00f3. Ele tem imagens captadas para o filme, tem imagens de arquivo, tem imagens de bastidores do Oficina, e tem toda uma montagem absolutamente delirante e an\u00e1rquica como s\u00f3 a cabe\u00e7a do Z\u00e9 Celso poderia fazer. Tanto \u00e9 que foi o \u00fanico filme que ele dirigiu, de fato. Ele competiu no Festival de Bras\u00edlia, foi exibido na Europa, ent\u00e3o, ele tem uma trajet\u00f3ria como longa metragem muito interessante, muito bonita. E ele foi redescoberto h\u00e1 alguns anos ap\u00f3s ter ficado muitos anos sem as pessoas terem acesso. Ent\u00e3o, \u00e9 uma oportunidade de conhec\u00ea-lo agora. \u00c9 de 1982, portanto, j\u00e1 nessa fase posterior aos anos 1970, quando houve essa efervesc\u00eancia. E por fim, o \u201cF\u00e9dro\u201d (2021), que \u00e9 um filme contempor\u00e2neo. A Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos n\u00e3o exatamente \u00e9 de filmes contempor\u00e2neos, mas, por que n\u00e3o, se ele dialoga com o resto? E \u00e9 um filme que tem o Z\u00e9 Celso figura f\u00edsica. A presen\u00e7a dele enquanto corpo, palavra, imagem, performance. Uma rela\u00e7\u00e3o muito direta com o Reynaldo Gianecchini, que representa ali, dentro da nossa proposta, o interlocutor do Z\u00e9 Celso. E que somos n\u00f3s, tamb\u00e9m. No caso, ele \u00e9 um interlocutor privilegiado porque ele foi do Oficina. \u00c9 um ator que se formou no Teatro Oficina, ou seja, ele passou por essa vida de estar com o Z\u00e9 Celso e est\u00e1 de volta nesse encontro corpo a corpo com ele. Ent\u00e3o, \u00e9 uma maneira de o espectador da Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos ter um contato muito pr\u00f3ximo com a intimidade do Z\u00e9 Celso poucos anos antes dele morrer. Ele est\u00e1 por inteiro ali. Ele fala de tudo, ele provoca, ele questiona, ele reage. \u00c9 o Z\u00e9 Celso mais pr\u00f3ximo que a gente tem daquele que se foi. A ideia era que esses tr\u00eas filmes encontrassem esses pontos de contato da obra dele em momentos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curioso que eu me lembro de ter assistido ao \u201cF\u00e9dro\u201d e ficar pensando em \u201cEduca\u00e7\u00e3o Sentimental\u201d (2013) por conta daqueles momentos de encontros teatrais, de intimidade.<\/strong><br \/>\nEu acho que faz sentido essa rela\u00e7\u00e3o por serem filmes de c\u00e2mara. Muito fechados em ambientes e com personagens apaixonados ali pela arte, pelo corpo, pela presen\u00e7a de si e pela exist\u00eancia. Eu acho que o filme do Bressane que voc\u00ea cita, apesar dele ser um filme mais constru\u00eddo em termos de dramaturgia, ele tem aquela personagem que dan\u00e7a, que anda, que vive, que se relaciona. J\u00e1 o \u201cF\u00e9dro\u201d tem essas duas figuras muito intimas. Nesse caso, \u00e9 um filme bem mais despojado do que o \u201cEduca\u00e7\u00e3o Sentimental\u201d. Por mais que se tente controlar o Z\u00e9 Celso, \u00e9 o Z\u00e9 Celso que controla tudo. Tem momentos em que ele questiona o microfone, que ele fica enchendo o saco para o Giannechini tirar a roupa. Ent\u00e3o, tem uma coisa de ele saber que estar sendo filmado, mas, ao mesmo tempo, ele n\u00e3o se deixa domar. E ele vai fazendo que aquela afetividade e aquela for\u00e7a dele interior e exterior apare\u00e7a com muita carga dram\u00e1tica, tamb\u00e9m. Tem momentos em que ele se exalta, que ele come\u00e7a a falar de pol\u00edtica, come\u00e7a a falar de moral. \u00c9 muito legal v\u00ea-lo se deixando tomar por aquilo. E \u00e9 um filme muito \u00edntimo porque \u00e9 a presen\u00e7a m\u00ednima. Voc\u00ea tem os dois e, talvez, uma equipe min\u00fascula ali registrando e acompanhando essas horas do reencontro de duas pessoas que se amam sob v\u00e1rios pontos de vista e que n\u00e3o se viam h\u00e1 vinte anos. Ou pelo menos que nunca se encontraram daquela forma h\u00e1 vinte anos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"F\u00c9DRO  | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xOovt-GdWXM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ele traz a import\u00e2ncia da voz do Z\u00e9 Celso nesse aspecto pol\u00edtico que voc\u00ea falou agora. Ele passou por essa luta contra o Silvio Santos por aquele local. Justamente um s\u00edmbolo de arte vs. dinheiro. Ele sucumbe em um acidente terr\u00edvel e as falas dele no \u201cF\u00e9dro\u201d remetem muito ao Brasil dos \u00faltimos sete anos, e, obviamente a um Brasil como um todo, que n\u00e3o deixou de existir, mas arrefeceu um pouco politicamente. O simbolismo da escolha do Z\u00e9 Celso para al\u00e9m da morte dele nesse momento pesa de que forma para voc\u00ea e para a curadoria como um todo? Um artista s\u00edmbolo dessa resist\u00eancia.<\/strong><br \/>\nEu at\u00e9 ia fazer uma corre\u00e7\u00e3o, mas voc\u00ea mesmo se corrigiu depois. De que o \u201cF\u00e9dro\u201d mostra o Z\u00e9 Celso falando do Brasil de hoje. Felizmente, n\u00e3o. Ele fala do Brasil de ontem. Porque o filme foi feito ainda durante o governo Bolsonaro. Ent\u00e3o, ele est\u00e1 reagindo ali \u00e0s barbaridades que a gente via cotidianamente. E assistir ao filme, hoje, \u00e9 uma esp\u00e9cie de al\u00edvio. Porque, com todas as dificuldades que o Brasil segue sofrendo, e os impactos dos \u00faltimos anos, como voc\u00ea bem falou, a gente vive um outro estado de esp\u00edrito, uma outra atmosfera. Uma atmosfera de olhar para a frente. E n\u00e3o mais de fundo do po\u00e7o. Mas a\u00ed, quando a gente assiste ao \u201cF\u00e9dro\u201d, hoje, e ouve o Z\u00e9 Celso falar aquelas coisa, d\u00e1 um mal estar porque percebemos que ele estava vivendo a dor daqueles momentos. E apesar da cat\u00e1strofe que foi a perda dele e da forma como aconteceu, tamb\u00e9m n\u00e3o deixa de ser um al\u00edvio que ele tenha partido em um momento no qual a atmosfera j\u00e1 tinha mudado. Eu acho que ele teria partido muito pior. J\u00e1 que era para acontecer, enfim, j\u00e1 que o momento dele era aquele, ele teria ido de uma maneira muito pior se tivesse partido ainda durante o que estava acontecendo quando ele fez aquele filme. Ent\u00e3o, ele partiu em um momento em que, pelo menos, eu acho, ele estava mais aliviado com os rumos que o Brasil pode vir a tomar no futuro depois de um recuo ao passado t\u00e3o brutal como foram os \u00faltimos sete anos. Ent\u00e3o, contextualizando um pouco, \u00e9 isso. O \u201cF\u00e9dro\u201d \u00e9 um filme do seu momento hist\u00f3rico. Ele registra o Z\u00e9 Celso Martinez na sua plenitude intelectual. \u00c9 um filme de um momento hist\u00f3rico muito espec\u00edfico. \u00c9 um filme que n\u00e3o trabalha imagens de arquivo. \u00c9 um filme do presente. Ele \u00e9 do presente na est\u00e9tica, na feitura e no contexto. Ele n\u00e3o \u00e9 um document\u00e1rio que busca coisas e elementos. Ele est\u00e1 mostrando o Z\u00e9 Celso agora, falando, reagindo e vivendo aquele momento. O filme \u00e9 de 2021, ent\u00e3o deve ter sido filmado em 2020\/2021, mais ou menos, ou algo assim. E a\u00ed eu acho que, nesse sentido, o filme \u00e9 um bom fechamento para uma micro trajet\u00f3ria do Z\u00e9 Celso no cinema justamente por mostrar o mais pr\u00f3ximo que a gente tem da presen\u00e7a dele no cinema nesse contexto. H\u00e1 o filme sobre o Teatro Oficina, que saiu agora, inclusive, depois da morte dele. N\u00e3o assisti ainda. N\u00e3o sei se tem ele participando ativamente do filme. Ent\u00e3o, n\u00e3o posso falar. Mas acredito que n\u00e3o tenha havido um filme que registrasse a intimidade dele, depois do \u201cF\u00e9dro\u201d, daquela forma. Ent\u00e3o, nesse sentido, \u00e9 claro que \u00e9 bonito e \u00e9 muito emocionante que ele, mesmo no auge, ali, j\u00e1 um senhor, j\u00e1 depois de d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o e de agita\u00e7\u00e3o cultural e de interven\u00e7\u00e3o, ele continua essa figura combativa, resistente, critica e totalmente despudorada e desrecalcada. Ele \u00e9 um ut\u00f3pico. Ele tenta ver as coisas de uma maneira que elas n\u00e3o s\u00e3o, mas que ele acha que elas seriam melhores se fosse. Mas, ao mesmo tempo, ele n\u00e3o vive na utopia. \u00c9 um sujeito que viveu (e vive ali, como a gente v\u00ea no filme) na pr\u00e1tica das coisas. Ele aplica a pr\u00f3pria utopia. Ele n\u00e3o fica s\u00f3 querendo e desejando. Ele p\u00f5e em pr\u00e1tica aquilo que ele sonha e vislumbra. Isso est\u00e1 presente em tudo. E a gente v\u00ea isso nos tr\u00eas filmes dessa mostra e a gente v\u00ea isso na presen\u00e7a dele na Cultura, nas lutas e em tudo mais. Ent\u00e3o, acho que representa muito isso. Representa um pequeno fragmento do significado que \u00e9 ter o Z\u00e9 Celso como parte da hist\u00f3ria cultural brasileira. E mesmo ele tento partido, ele continua. A gente sabe que os artistas, pessoas, se v\u00e3o, mas as obras v\u00e3o ficar. E o que elas t\u00eam de mais significativo reverbera eternamente. Por isso, o fato dele n\u00e3o estar conosco fisicamente n\u00e3o diminui absolutamente em nada o impacto cultural da obra que est\u00e1 a\u00ed e que estamos prestando tributo na CineBH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pela curadoria dos filmes nacionais como um todo. A Mostra Continente possui um leque bem amplo de filmes brasileiros. Como foi esse processo?<\/strong><br \/>\nEsse ano, a CineBH n\u00e3o tem mais a chamada Mostra Brasil. Tinha at\u00e9 o ano passado e era um recorte exclusivo de filmes brasileiros. Esse ano, os brasileiros foram totalmente incorporados na programa\u00e7\u00e3o at\u00e9 porque a CineBH, agora, tem esse vi\u00e9s de cinema latino-americano. Ent\u00e3o, o curador Cl\u00e9ber Eduardo, junto com a Universo Produ\u00e7\u00e3o, definiram que o Brasil seria incorporado como produ\u00e7\u00e3o latino-americana. (Agora) Tem a Mostra Continente e a Territ\u00f3rio, basicamente. Al\u00e9m delas, algumas subvaria\u00e7\u00f5es, como a Cinema de F\u00f4lego, a Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos, que tem outros perfis. E a mostra de Curtas, que s\u00e3o s\u00f3 brasileiros. No caso, h\u00e1 mais brasileiros na Continente. Ela tem seis filmes. E eles apareceram, tamb\u00e9m, de forma natural. Foram sendo colocados nesse recorte. O Cl\u00e9ber, como coordenador, participou das duas comiss\u00f5es. Ele acompanhou a comiss\u00e3o de latinos que n\u00e3o s\u00e3o brasileiros e eu a de brasileiros. Ent\u00e3o, ele foi casando de que maneira os filmes de uma poderiam se conectar aos filmes da outra. E lembrando que o estilo de curadoria que a CineBH busca n\u00e3o \u00e9 uma curadoria tem\u00e1tica, nem uma curadoria de pontos convergentes. \u00c0s vezes, s\u00e3o at\u00e9 pontos divergentes entre os filmes, mas que partam ou cheguem em algum ponto que cause essas discuss\u00f5es que s\u00e3o a proposta. Esse ano, surgiu a ideia dos Territ\u00f3rios da Latinidade. Ent\u00e3o, por esse vi\u00e9s, todos os brasileiros est\u00e3o muito dentro do que a gente poderia apontar, sim, como filmes que tratam dos seus territ\u00f3rios e dos seus ambientes contextuais f\u00edsicos e afetivos, \u00e0s vezes continentais e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais filmes voc\u00ea destaca nesse conjunto de obras?<\/strong><br \/>\nTemos filmes como \u201cPropriedade\u201d, que j\u00e1 no t\u00edtulo tem algo de territ\u00f3rio, e se passa em uma fazenda de uma fam\u00edlia rica de empres\u00e1rios no Recife. Uma fazenda decadente e os empregados da fazenda se rebelam contra o chefe, contra o empregador, e tomam a fazenda ao criar uma revolta interna para que ela n\u00e3o seja destitu\u00edda da sua fun\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, \u00e9 um filme de uma pegada mais violenta, de uma pegada tensional, que trata justamente dessa ocupa\u00e7\u00e3o de um ambiente que resume o Brasil. Voc\u00ea tem os trabalhadores que dependem daquele lugar para sua sobreviv\u00eancia vs. o convencionado dono daquele lugar, o dono da terra, que n\u00e3o v\u00ea mais como aquilo ser mantido e quer afastar aqueles trabalhadores. Voc\u00ea tem, assim, esse choque cultural, econ\u00f4mico e social. E a\u00ed, por exemplo, um filme como \u201cO Estranho\u201d, que \u00e9 um filme sobre, muito grosseiramente, o aeroporto de Guarulhos, Cumbica. Ele tem como ponto de partiida, de novo, os trabalhadores. Pessoas que trabalham no aeroporto e, de que maneira, aquele lugar, aquele aeroporto, est\u00e1 em uma terra, em um territ\u00f3rio, em um ambiente que j\u00e1 foi outras coisas. Nem paramos pra pensar nisso. Circulam milh\u00f5es de pessoas ali por dia, indo e voltando do mundo todo. Mas ali j\u00e1 foi um territ\u00f3rio ind\u00edgena, j\u00e1 foi um territ\u00f3rio quilombola. Toda a cidade de Guarulhos est\u00e1 dentro de um contexto hist\u00f3rico muito espec\u00edfico. \u201cO Estranho\u201d mistura fic\u00e7\u00e3o, document\u00e1rio, reflex\u00e3o, poesia para adentrar o imagin\u00e1rio de um lugar que a gente \u00e0s vezes n\u00e3o para pra olhar. Trata-se de uma presen\u00e7a territorial muito grande. E assim os filmes v\u00e3o indo. \u201cRejeito\u201d \u00e9 um document\u00e1rio mais tradicional no sentido de ser um document\u00e1rio muito evidente. Ele n\u00e3o tem uma proposta perform\u00e1tica. Mas \u00e9 um document\u00e1rio de den\u00fancia sobre as mineradoras e as barragens em Minas que mataram e desapareceram com tantas pessoas e destru\u00edram tanto o meio ambiente, tamb\u00e9m. \u00c9 um filme que investiga um lado pouco vis\u00edvel dessas hist\u00f3rias. O que n\u00e3o sai na m\u00eddia. Os processos jur\u00eddicos, os treinamentos que as mineradoras fazem com os moradores em caso de emerg\u00eancia. \u00c9 uma coisa muito cruel. Eles t\u00eam que ensaiar a fuga caso haja um rompimento. As mineradoras est\u00e3o mais preocupadas em n\u00e3o deixar que os moradores morram em caso de rompimento, do que de n\u00e3o ter o rompimento. Ent\u00e3o, voc\u00ea tem ali uma documenta\u00e7\u00e3o in loco de como elas agem para, em certa medida, n\u00e3o evitar as trag\u00e9dias, mas evitar os danos para elas. \u00c9 um filme, tamb\u00e9m, muito duro nesse sentido. \u201cAmanh\u00e3\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 um document\u00e1rio com cara de document\u00e1rio mais direto e objetivo, \u00e9 um filme sobre Brasil. O Marcos Pimentel retoma duas figuras que ele documentou em 2002, em BH. Um garoto de classe m\u00e9dia alta e uma garota de uma comunidade em que ele colocou os dois para conviver nesse curta metragem de 2002. Levou um na casa do outro, naquele choque social, mas na vis\u00e3o das crian\u00e7as, que n\u00e3o t\u00eam essa vis\u00e3o percebida como os adultos. E a\u00ed ele volta a essas figuras vinte anos depois para ver o que aconteceu com elas. E vinte anos significa de 2002 para 2022 com governos muito diferentes. Foram 13 anos de PT, dois anos de Michel Temer, quatro anos de Bolsonaro. Assim, esses vinte anos dessas crian\u00e7as representam vinte anos de um Brasil em montanha russa. E a\u00ed ele vai investigar o que aconteceu com elas e quem s\u00e3o essas crian\u00e7as, hoje. \u00c9 um filme bem legal. E o \u201cNada Sobre Meu Pai\u201d \u00e9, tamb\u00e9m, esse document\u00e1rio que traz a figura da realizadora Susanna Lira indo em busca do pai que foi, supostamente, um guerrilheiro do Equador. Ela n\u00e3o tem nenhuma pista sobre ele e ela vai desvendando um pouco, mais do que a hist\u00f3ria dela, a hist\u00f3ria da Am\u00e9rica Latina. Ela n\u00e3o consegue encontrar o pai, de fato, nessa busca, mas encontra uma Hist\u00f3ria. Uma Hist\u00f3ria com H mai\u00fasculo. E isso \u00e9 o bonito do filme. Ent\u00e3o, todos eles, esses brasileiros, eles t\u00eam os espa\u00e7os, os pa\u00edses, as na\u00e7\u00f5es, as quest\u00f5es latinas muito carregados. E isso n\u00e3o foi pensado anteriormente. N\u00e3o foi algo de planejar buscar por filmes assim. Mas eles se revelaram a partir desse trajeto. E foram se casando, tamb\u00e9m, com os outros filmes latinos que, a\u00ed, o Cleber fez toda essa montagem.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Propriedade (2023) Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5rY49Qdiw_E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"&quot;The Intrusion&quot; (O estranho) | Clip | Berlinale 2023\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/h5095lzacZM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hot Docs 2023 Trailer: REJEITO\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/POCGWEmknbc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Nada Sobre Meu Pai  (Brazil, 2023) - LASA Film Festival\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Rg52xDR-o80?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Leo Lara<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um dos curadores da Mostra de Cinema de Belo Horizonte \u2013 CineBH, que este ano chega \u00e0 sua 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o, o jornalista, pesquisador e cr\u00edtico de cinema, Marcelo Miranda, conversou com o Scream &#038; Yell\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/29\/entrevista-o-curador-marcelo-miranda-fala-sobre-a-homenagem-a-ze-celso-e-a-escolha-dos-filmes-brasileiros-da-mostra-cinebh\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":77023,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3182],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77016"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77016"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77016\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77026,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77016\/revisions\/77026"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}