{"id":77008,"date":"2023-09-29T00:36:45","date_gmt":"2023-09-29T03:36:45","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=77008"},"modified":"2023-12-14T01:05:59","modified_gmt":"2023-12-14T04:05:59","slug":"entrevista-heroin-fala-sobre-relancamento-de-discografia-e-relembra-cena-de-san-diego-nos-anos-1990","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/29\/entrevista-heroin-fala-sobre-relancamento-de-discografia-e-relembra-cena-de-san-diego-nos-anos-1990\/","title":{"rendered":"Entrevista: Heroin fala sobre relan\u00e7amento de discografia e relembra cena de San Diego"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada \u00e0s margens do Oceano Pac\u00edfico, San Diego \u00e9 uma cidade conhecida por suas belezas naturais, incluindo praias e parques, al\u00e9m de contar com um clima agrad\u00e1vel durante o ano todo. Mas tamb\u00e9m \u00e9 muito mais do que isso, j\u00e1 que possui uma das cenas musicais mais interessantes da Calif\u00f3rnia e dos EUA, que inclui desde as lendas do hardcore Battalion of Saints at\u00e9 nomes essenciais do rock alternativo como Pitchfork e Drive Like Jehu, passando pelo rock psicod\u00e9lico do Earthless, a m\u00fasica experimental do Crash Worship, o \u201cp\u00f3s-grunge\u201d do Stone Temple Pilots e o (p\u00f3s?) pop punk do Blink 182. No meio disso tudo, h\u00e1 uma banda que talvez n\u00e3o tenha recebido o devido reconhecimento, pelo menos at\u00e9 agora: o Heroin.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com uma carreira curta, iniciada em 1989 e encerrada em 1993, o quarteto formato por Matt Anderson (vocalista), Scott Bartoloni (guitarra), Ron Johnson (baixo) e Aaron Montaigne (bateria) foi um dos precursores do chamado screamo ao misturar de maneira particular suas influ\u00eancias do hardcore do in\u00edcio dos anos 1980 com o som emo de nomes como Embrace, criando um som \u00fanico e intenso, que agora ganha o devido tratamento com o relan\u00e7amento completo de sua discografia <a href=\"https:\/\/southernlord.com\/store\/heroin-discography\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">em vinil duplo<\/a>, com direito a um amplo \u00e1lbum de fotos e m\u00fasicas in\u00e9ditas, <a href=\"https:\/\/southernlord.com\/store\/heroin-discography\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">por meio da Southern Lord Records<\/a>, que vem fazendo um trabalho de resgate da cena hardcore dos EUA nos \u00faltimos anos, com direito a reedi\u00e7\u00f5es de bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/09\/13\/entrevista-william-duvall-alice-in-chains-relembra-inicio-de-carreira-no-punk-hardcore-com-o-neon-christ\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Neon Christ<\/a>, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/31\/entrevista-clifford-dinsmore-fala-sobre-relancamento-de-classico-disco-do-blast-e-os-40-anos-da-banda\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BL\u2019AST<\/a> e <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/05\/10\/entrevista-belvy-k-the-catatonics-fala-sobre-o-relancamento-do-classico-perdido-do-hardcore-hunted-down\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Catatonics<\/a>, entre muitas outras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na conversa abaixo, feita em uma divertida videochamada, Matt, Ron e Aaron falam sobre como foi o processo de mergulhar nos arquivos e revisar seus sons para o relan\u00e7amento, revelam o que tornava a cena de San Diego t\u00e3o diferente, relembram como j\u00e1 quase apanharam de uma plateia de skinheads, contam como foi ver shows do <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/11\/01\/punk-na-california-um-roteiro-nostalgico-da-cena-dos-anos-90-parte3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Green Day<\/a>, Chumbawamba e No Doubt em uma pequena casa de shows local e dizem quais discos mudaram as suas vidas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Meaning Less\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lDgJZZEsUsQ?list=OLAK5uy_kfa8u9XigimFpYWFCIrYgDiMe_p9o02es\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em primeiro lugar, queria entender como essa reedi\u00e7\u00e3o se tornou realidade. Era algo que voc\u00eas j\u00e1 estavam trabalhando h\u00e1 algum tempo? Voc\u00eas j\u00e1 conheciam o Greg (Anderson), da Southern Lord?<\/strong><br \/>\nMatt: N\u00f3s definitivamente ouvimos falar sobre as coisas que a Southern Lord estava relan\u00e7ando, todas aquelas bandas incr\u00edveis que n\u00f3s crescemos escutando. Mas quanto a n\u00f3s, t\u00ednhamos algumas m\u00fasicas extras que estavam \u201cguardadas\u201d sabendo que algum dia elas poderiam ser lan\u00e7adas, mas n\u00e3o t\u00ednhamos nada planejado. Acho que o Greg entrou em contato com o Aaron primeiro, foi isso mesmo? Acho que voc\u00ea e o Scott conversaram com o Greg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Acho que sim. N\u00f3s meio que j\u00e1 conhec\u00edamos o Greg h\u00e1 muitos anos por meio de v\u00e1rias cenas e coisas do tipo \u2013 penso que o conheci pela primeira vez <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/01\/28\/entrevista-greg-anderson-sunn-goatsnake-fala-sobre-o-novo-disco-do-engine-kid\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">na \u00e9poca do Engine Kid<\/a>. Ele entrou em contato comigo e com o Scott e n\u00f3s concordamos se todos estivessem afim, penso que isso come\u00e7ou h\u00e1 uns quatro anos talvez. Mas \u00e9, nos falamos por alguns meses e tudo acabou funcionando. Sinto que o Scott, o Matt e o Ron tinham mais materiais, como fotos, grava\u00e7\u00f5es e tudo mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Tudo ainda estava nas fitas de masteriza\u00e7\u00e3o e em todos os lugares. N\u00f3s tivemos de \u201ccozinhar\u201d as fitas porque tudo estava muito velho. Ent\u00e3o eles tiveram de cozinhar as fitas para que elas pudessem ser tocadas porque estavam todas grudentas. Tivemos o Tim Green (Wolves in the Throne Room, Melvins, Sleater Kinney), que \u00e9 um \u00f3timo produtor, nos ajudando no processo de remixar muitas coisas. Ele fez um \u00f3timo trabalho em remasterizar nossas grava\u00e7\u00f5es antigas que n\u00e3o puderam ser remixadas e precisaram ser remasterizadas. Deu muito trabalho reunir tudo, porque n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos&#8230; Porque voc\u00ea perguntou se n\u00f3s est\u00e1vamos preparados, mas n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1vamos t\u00e3o preparados. Era apenas uma ideia. Eu tinha guardado tudo porque eu e o Ron relan\u00e7amos as coisas originais pela Gravity (gravadora da banda), ent\u00e3o eu tinha tudo comigo todas as fitas e as artes. Ent\u00e3o n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil encontrar tudo, mas estava tudo enterrado de alguma maneira. Pelo menos ainda t\u00ednhamos tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E qual foi o n\u00edvel de envolvimento de voc\u00eas durante esse processo de remixar e remasterizar as m\u00fasicas? Imagino que tenha sido tudo feito de forma remota por causa da pandemia e porque voc\u00eas vivem em cidades diferentes hoje em dia tamb\u00e9m, certo?<\/strong><br \/>\nRon: Na verdade, eu vivo mais perto do est\u00fadio (onde aconteceu esse processo). Eu moro no norte da Calif\u00f3rnia e o restante da banda est\u00e1 no sul da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Scott, o guitarrista, e eu ainda vivemos em San Diego \u2013 ele (Scott) mora mais ao norte do condado de San Diego, a cerca de uma hora da cidade, enquanto eu vivo na cidade mesmo. O Aaron vive em Los Angeles e o Ron vive em Davis, que fica ao norte da Calif\u00f3rnia. Ent\u00e3o definitivamente fizemos tudo de forma remota. E mesmo o Tim Green (produtor) vive mais na regi\u00e3o nordeste do estado. Foi uma nova experi\u00eancia, pelo menos para mim, de remixar um disco e trabalhar as grava\u00e7\u00f5es assim. Cada pequena mudan\u00e7a exige que voc\u00ea envie um e-mail, ent\u00e3o quando voc\u00ea menos espera j\u00e1 tem um thread com 500 e-mails. Foi diferente, mas na verdade acho que foi feito de forma mais refinada dessa maneira, porque voc\u00ea ouve todos os detalhes. N\u00e3o sei, acho que \u00e9 o mundo das grava\u00e7\u00f5es digitais. Nos anos 1990, quando as grava\u00e7\u00f5es digitais estavam come\u00e7ando, na maior parte dos lugares que a gente gravava voc\u00ea precisava fazer a sua mixagem do tipo \u201caqui e agora\u201d e era isso. Se fosse preciso voltar ao est\u00fadio, voc\u00ea n\u00e3o ia querer gastar 20 d\u00f3lares por hora. Ent\u00e3o voc\u00ea basicamente ficava com o que tinha. Por isso, foi legal poder fazer isso nessa \u00e9poca moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como foi para voc\u00ea revisitar todas essas m\u00fasicas, fotos, mem\u00f3rias e tudo mais para o relan\u00e7amento 30 anos depois? N\u00e3o sei se voc\u00eas costumavam escutar as m\u00fasicas uma vez ou outra.<\/strong><br \/>\nAaron: Para mim, foi muito legal. Porque eu n\u00e3o tocava bateria de verdade desde a \u00e9poca do Heroin \u2013 e quando eu tento tocar bateria agora, eu sou terr\u00edvel, cara. Ent\u00e3o quando eu escuto os discos, em alguns momentos eu pensei: \u201cCaralho, eu era meio que um baterista bom naquela \u00e9poca\u201d. Ent\u00e3o isso foi divertido para mim. E o livro de fotos \u00e9 realmente incr\u00edvel. Penso que o livro sozinho j\u00e1 faz valer a pena pegar essa nova edi\u00e7\u00e3o do disco, al\u00e9m das m\u00fasicas n\u00e3o lan\u00e7adas at\u00e9 agora. N\u00e3o sei, acho que foi o Ron que liderou isso, de montar o livro de fotos, eu n\u00e3o me envolvi tanto nessa parte de reunir as fotos. Mas eu fiquei impressionado, nunca tinha visto muitas delas. E tamb\u00e9m muitos dos flyers de shows que n\u00f3s fizemos, eu fiquei tipo: \u201cPuta que pariu, que line-up incr\u00edvel\u201d! Eu nem me lembro de alguns dos shows, mas eram alguns shows com \u00f3timas bandas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Foi divertido meio que voltar no tempo e mexer em caixas de flyers e fotos antigas. E n\u00e3o foi apenas as coisas do Heroin, foi tamb\u00e9m ver fotos de amigos da \u00e9poca, fotos nossas nos divertindo, depois do ensaio, essas coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Nesse processo de revisitar as coisas, a parte das letras para mim&#8230; Porque em alguns dos discos, n\u00f3s n\u00e3o coloc\u00e1vamos a vers\u00e3o final das letras, era apenas uma das vers\u00f5es das letras. Mas para esse disco n\u00f3s quer\u00edamos realmente ter as letras corretas, porque o Heroin sempre teve um aspecto visual meio enigm\u00e1tico. N\u00f3s n\u00e3o us\u00e1vamos nossos sobrenomes, n\u00e3o diz\u00edamos quais instrumentos cada um tocava, tinha meio que um estilo visual que lembrava um zine xerocado. Para esse disco, n\u00f3s quisemos fazer algo diferente do que faz\u00edamos no passado, como subir a cortina e mostrar realmente como eram todas as letras, como foram as grava\u00e7\u00f5es, as datas. Fazer meio que uma mudan\u00e7a de 180 graus de como faz\u00edamos as coisas. Ainda mantivemos o estilo art\u00edstico porque a capa do disco \u00e9 uma arte de uma camiseta da banda, que provavelmente foi uma das primeiras artes que n\u00f3s tivemos, quando n\u00f3s ainda t\u00ednhamos um outro vocalista. Acho que \u00e9 uma arte que foi feita pelo nosso primeiro vocalista, Chad, ent\u00e3o n\u00f3s meio que voltamos para o in\u00edcio de tudo no Heroin. Mas sobre a sua pergunta, de revisitar tudo, em algumas das m\u00fasicas que n\u00e3o tinham sido lan\u00e7adas eu nem tinha realmente escrito letras. Pelo menos, n\u00e3o as tinha anotadas, talvez eu tenha encontrado alguns poemas de onde tirei as letras ou algo assim, mas algumas delas n\u00e3o dava para entender muito bem. Ent\u00e3o eu tive que ouvir as faixas de vocais separadas umas 30 vezes para conseguir entender o que eu estava dizendo de verdade. E eu posso ter entendido algumas dessas letras errado, por acidente, ent\u00e3o tive meio que uma oportunidade de revisionismo, de dizer o que queria agora (risos). De qualquer maneira, acho que ficou muito perto (a letra do que estava sendo cantado nas grava\u00e7\u00f5es). Foi um tanto interessante voltar a olhar para essas letras, em que n\u00e3o pensava h\u00e1 uns 30 anos, e poder voltar para o lugar em que eu estava naquele momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Eu nem lembrava de algumas das m\u00fasicas, porque n\u00e3o foram lan\u00e7adas em nenhum lugar e acho que o Matt era o \u00fanico que tinha as fitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: \u00c9, algumas que n\u00e3o tinham sido lan\u00e7adas foram m\u00fasicas que tocamos apenas uma vez, no nosso est\u00fadio de ensaio, em um gravador de 8 canais, para test\u00e1-las. Talvez a gente tenha tocado elas uma ou duas vezes em shows antes de meio que deix\u00e1-las de lado. Mas agora eu acho que algumas dessas m\u00fasicas in\u00e9ditas n\u00e3o apenas s\u00e3o algo legal para incluir no disco, mas s\u00e3o realmente faixas muito boas. Algumas delas ficam meio que dentro de uma m\u00e9dia das m\u00fasicas n\u00e3o lan\u00e7adas, mas duas delas talvez estejam entre as melhores m\u00fasicas que n\u00f3s j\u00e1 escrevemos. Isso \u00e9 muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Eu tive a mesma sensa\u00e7\u00e3o escutando o disco, do tipo: \u201cQue m\u00fasica \u00e9 essa?\u201d, em que eu meio que conseguia lembrar vagamente. E pensando tamb\u00e9m a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o incorporamos essas m\u00fasicas nos nossos shows ou discos. Tive essa mesma experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: \u00c9 meio que um testamento de como era diferente a maneira de gravar as coisas naquela \u00e9poca. Porque eu tinha fitas K7 das mesas de som de shows em locais como o Gilman Street (em Oakland) e tamb\u00e9m de todas as coisas gravadas, mas coisas que foram gravadas de maneira aleat\u00f3ria em um gravador de 8 canais, por exemplo, acho que n\u00f3s nunca nem chegamos a compartilhar uns com os outros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Sim, ou eram coisas que estavam em uma fita K7 que foi perdida anos depois. Porque quando voc\u00ea est\u00e1 em uma banda n\u00e3o fica pensando \u201cAh, preciso guardar isso e aquilo\u201d. Voc\u00ea n\u00e3o fica realmente preocupado com esse tipo de coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pensando nisso que voc\u00eas falaram, qual o sentimento de agora atingir n\u00e3o apenas um p\u00fablico novo, mas talvez tamb\u00e9m maior com esse relan\u00e7amento? E tamb\u00e9m de meio que \u201clevantar a cortina\u201d, como voc\u00eas mencionaram, no sentido de mostrar mais sobre a banda para as pessoas, de elas poderem saber mais sobre voc\u00eas e o processo por tr\u00e1s da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nMatt: Espero que isso saia bem. Em nosso, digamos, estilo de m\u00fasica, n\u00f3s fomos um dos primeiros. E depois esse estilo evoluiu de alguma forma no final dos anos 1990. De determinada maneira, mesmo sendo um dos originadores, sinto que \u00e0s vezes n\u00f3s fomos meio que, n\u00e3o esquecidos, mas foi um estilo que foi melhorado com o tempo. Quando algo \u00e9 uma vers\u00e3o rudimentar inicial, \u00e9 f\u00e1cil meio que seguir em frente e falar como \u201cessas coisas novas s\u00e3o mais complexas e melhores\u201d. De uma certa maneira, sinto que n\u00f3s fomos meio que esquecidos, definitivamente n\u00e3o esquecidos, porque sempre somos lembrados, mas talvez n\u00e3o t\u00e3o celebrados ou algo assim. Talvez como um gosto adquirido, n\u00e3o sei exatamente como dizer isso. Mas n\u00e3o era o que o hardcore emo se tornou, era algo um pouco anterior, porque n\u00f3s t\u00ednhamos um sabor do hardcore dos anos 1980 junto com a levada r\u00e1pida do que acabou se tornando o hardcore emo. E n\u00f3s fomos meio que uma banda transicional nesse sentido. Por alguma raz\u00e3o, isso nos coloca em uma categoria um tanto estranha, em que n\u00e3o nos encaixamos em um lugar. Ent\u00e3o quando as pessoas falam sobre uma coisa ou sobre a outra, n\u00f3s n\u00e3o somos realmente inclu\u00eddos em nenhuma dessas conversas. \u00c9 como se estiv\u00e9ssemos em um lugar ao lado, o nosso pr\u00f3prio lugar. Dessa forma, penso que \u00e9 legal que as pessoas possam ter esse relan\u00e7amento e um tipo de reconhecimento, como \u201cO que era essa banda exatamente?\u201d. N\u00f3s n\u00e3o nos encaix\u00e1vamos, mesmo sendo uma parte grande daquela cena. Depois de mais alguns anos, n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o encaixamos com outras bandas que surgiram. N\u00e3o sei se isso responde exatamente ao que voc\u00ea estava dizendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00eas tamb\u00e9m tinham esse sentimento naquela \u00e9poca, de que voc\u00eas talvez n\u00e3o se encaixassem? Porque, como voc\u00ea falou, estavam meio que em um momento de transi\u00e7\u00e3o, entre a primeira e a segunda onda do hardcore, com um som diferente do que estava acontecendo ali no in\u00edcio dos anos 1990.<\/strong><br \/>\nAaron: Naquela \u00e9poca, se voc\u00ea estivesse tocando punk e hardcore voc\u00ea iria tocar com as outras bandas que tamb\u00e9m tocavam isso, independentemente se fosse o mesmo estilo ou n\u00e3o. Ent\u00e3o n\u00f3s tivemos o luxo de poder tocar com bandas que n\u00e3o tinham exatamente o mesmo som, mas os lineups e as cenas meio que se encaixavam. Sinto que hoje em dia as coisas s\u00e3o muito mais focadas em estilos, g\u00eaneros musicais. Todo show que voc\u00ea vai, ser\u00e1 algo como \u201capenas bandas que soem dessa maneira\u201d. N\u00e3o sei, o que voc\u00eas acham, caras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Sinto que naquela \u00e9poca definitivamente havia cenas que, como o Aaron disse, eram shows muito mais ecl\u00e9ticos. Voc\u00ea ia em um show com todo tipo de banda diferente e voc\u00ea n\u00e3o pensava algo como: \u201cEsse \u00e9 um show estranho\u201d. Porque todos os shows eram assim. Me lembro que as pessoas da costa leste realmente pareciam gostar da gente. N\u00f3s \u00e9ramos influenciados por <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/03\/14\/tres-livros-imperdiveis-para-agora\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DC (Washington)<\/a> e n\u00e3o apenas por isso. Tinha gente em Nova York, Boston, n\u00e3o sei exatamente a raz\u00e3o disso, mas por algum motivo n\u00f3s \u00e9ramos mais aceitos na costa leste. Em S\u00e3o Francisco eles tinham o lance do Gilman (Street) com o pop punk e n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos amados l\u00e1. Em Los Angeles, tinha um certo tipo de rivalidade com San Diego, ent\u00e3o n\u00f3s n\u00e3o \u00e9ramos absolutamente amados l\u00e1. N\u00e3o era nada demais, n\u00f3s ainda toc\u00e1vamos l\u00e1. Como a cena da Ebulition (gravadora da regi\u00e3o de Santa Barbara, na Calif\u00f3rnia), n\u00f3s toc\u00e1vamos no Red Barn (casa de shows em Santa Barbara), mas n\u00f3s nos encaix\u00e1vamos com aquelas bandas. Mas n\u00f3s n\u00e3o encaix\u00e1vamos muito na cena da costa oeste. N\u00f3s nos encaix\u00e1vamos mais na cena da costa leste, mesmo n\u00e3o sendo de l\u00e1.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Heroin Live\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/W0Q5nFLmFw0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>J\u00e1 que estamos falando do come\u00e7o da banda, queria saber como voc\u00eas veem o legado do Heroin. Voc\u00eas t\u00eam algum momento, m\u00fasicas ou shows favoritos?<\/strong><br \/>\nAaron: Definitivamente o show que fizemos em Washington DC com o Circus Lupus \u2013 por eu ser um f\u00e3 da m\u00fasica do Chris Thomson. Esse show sempre se destaca como um dos shows mais queridos por mim com o Heroin. N\u00f3s tamb\u00e9m tocamos com o Born Against em Nova York, esse foi outro. Fizemos alguns shows com eles nessa viagem e todos foram fodas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Eu concordo com isso, e o Circus Lupus era apenas uma banda \u00f3tima que n\u00f3s ador\u00e1vamos. Ent\u00e3o \u00e9 algo que se destaca, adoro o Chris Tomson e todas as bandas dele, foi meio que um momento do tipo \u201cidolatre seu her\u00f3i\u201d poder tocar com eles. Os shows no Gilman Street sempre eram muito divertidos tamb\u00e9m. Em San Diego, parecia que n\u00f3s toc\u00e1vamos no Che Caf\u00e9 todo final de semana \u2013 ou dia de semana at\u00e9. Porque as bandas que estavam em turn\u00ea montavam suas agendas de maneira que tocavam em San Francisco e Los Angeles na sexta e no s\u00e1bado. Ent\u00e3o os shows em San Diego normalmente aconteciam em um domingo, segunda ou ter\u00e7a-feira, quando seria um dia de folga deles. Ent\u00e3o eles iriam tocar l\u00e1 e podiam ser uma banda talvez n\u00e3o t\u00e3o conhecida, ent\u00e3o muitas vezes n\u00f3s \u00e9ramos convidados para tocar e est\u00e1vamos abertos a isso. Apenas aquela comunidade do Che Caf\u00e9 naquela \u00e9poca e tocar l\u00e1 quase toda semana e ver as mesmas pessoas, \u00e9 algo que sempre traz um sentimento bom para mim. N\u00e3o seria um show espec\u00edfico que apontaria como memor\u00e1vel, mas toda aquela \u00e9poca de tocar sempre no Che com bandas novas, como Angel Hair. E, sim, os shows que fizemos com o Circus Lupus, com o Born Against. Lembro tamb\u00e9m de um show que fizemos em Boston, em que a cena estava crescendo muito e foi bem divertido. N\u00e3o me lembro das outras bandas, mas o flyer est\u00e1 no relan\u00e7amento, mas mais a energia do show. O Gilman tamb\u00e9m era um \u00f3timo lugar para tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Sim, sempre era divertido tocar no Gilman. Concordo com tudo que o Matt disse sobre o Che Caf\u00e9. Mas sempre gosto de lembrar tamb\u00e9m de shows em lugares diferentes, como tocar num por\u00e3o em Milwaukee. As pessoas de l\u00e1 eram as pessoas mais legais que conhecemos em turn\u00eas. Nem me lembro com quem tocamos l\u00e1, mas n\u00f3s v\u00edamos as mesmas pessoas nas turn\u00eas todos os anos e isso sempre foi divertido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Um show que se destaca para mim e que foi muito divertido foi quando fizemos um show com uma banda chamada Funeral March. O Ron e o Aaron chegaram atrasados, n\u00f3s dev\u00edamos tocar primeiro. Era um p\u00fablico meio pesado, com skinheads, pessoas mais velhas. E n\u00f3s parec\u00edamos alunos do ensino m\u00e9dio, foi quando est\u00e1vamos come\u00e7ando \u2013 o Aaron foi direto da escola. Eu e o Scott chegamos mais cedo no show e deixamos tudo preparado e eles (Ron e Aaron) chegaram mais tarde. Ent\u00e3o as pessoas come\u00e7aram a gritar \u201cFuck Heroin! Fuck Heroin!\u201d. N\u00f3s sentimos que est\u00e1vamos prestes a apanhar, mas ent\u00e3o o Ron e o Aaron chegaram. O p\u00fablico n\u00e3o sabia muito o que esperar da gente, porque n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos o visual que voc\u00ea esperaria na cena hardcore, o p\u00fablico eram pessoas mais old school, com roupas de couro e spikes e tudo mais. E n\u00f3s meio que tomamos o lugar de assalto, ficamos meio loucos. No final do show, o p\u00fablico estava gritando para a gente e nos aplaudindo. Isso foi muito memor\u00e1vel, de termos conseguido meio que \u201cganhar\u201d esse p\u00fablico mais duro, que segundos antes queria literalmente encher a gente de porrada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Esse foi o meu primeiro show com o Heroin. Lembro de ter ido com uma camiseta do Misfits e acho que foi voc\u00ea, Matt, que me falou \u201cN\u00e3o use essa camiseta no show\u201d e eu n\u00e3o usei (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: O Misfits \u00e9 uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, mas talvez n\u00e3o fosse o lugar (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Acho que isso diz muito sobre o lugar em que San Diego estava naquele momento. San Diego estava em um momento um pouco estranho. Voc\u00ea tinha shows de hardcore em diferentes lugares, tinha shows para pessoas de mais de 21 anos no centro, alguns lugares permitiam a entrada de menores de idade. At\u00e9 o Che realmente come\u00e7ar a fazer shows, era apenas uma cena diferente. As bandas dos anos 1980 ainda estavam tocando, a cena straight edge estava come\u00e7ando. O Che era meio que um novo tipo de show que acontecia na cidade. Sempre senti dessa maneira e que o Che Caf\u00e9 era um lugar divertido de tocar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: E isso se conecta com todo o fen\u00f4meno do renascimento do hardcore no in\u00edcio dos anos 1990. Porque, da maneira como eu vejo, todas as bandas que come\u00e7aram o hardcore no in\u00edcio dos anos 1980, elas j\u00e1 estavam seguindo o mesmo caminho de outras bandas, de talvez come\u00e7ar a soar mais metal ou mais alternativo, mas ainda eram donas da cena, at\u00e9 que quisessem entregar esse controle. O que meio que aconteceu no in\u00edcio dos anos 1990, quando chegaram no terceiro disco, lan\u00e7aram algo abaixo, viraram metal ou algo do tipo, e as pessoas come\u00e7aram a se cansar disso. N\u00e3o era exatamente n\u00f3s, mas um monte de bandas, como o Coalesce, o Born Against, n\u00f3s, outras bandas do in\u00edcio dos anos 1990, at\u00e9 mesmo a cena de pop punk, com o Green Day \u2013 tem muita coisa que vou esquecer de mencionar aqui, umas 1.000 bandas. Mas vejo que o renascimento teve a ver com o fato de que aquelas pessoas das antigas estavam meio que parando e o timing era certo. Para a gente, n\u00f3s t\u00ednhamos a perspectiva do Fugazi, do Embrace, das coisas emo, mas ainda \u00e9ramos jovens o bastante para amar o hardcore, ent\u00e3o n\u00f3s quer\u00edamos conectar as duas coisas, ao mesmo tempo. Porque o Ian Mckaye n\u00e3o ia fazer outra banda hardcore, ent\u00e3o ele seguiu para algo que fosse uma progress\u00e3o. Mas n\u00f3s est\u00e1vamos meio que presos entre duas coisas j\u00e1 que \u00e9ramos jovens. N\u00f3s vimos as duas coisas e gost\u00e1vamos de ambas, ent\u00e3o \u00e9 por isso que isso foi algo original para n\u00f3s. E as pessoas come\u00e7aram finalmente a \u201cdesistir\u201d na cena. Em San Diego, por exemplo, o Battalion of Saints eram a maior banda de hardcore da cidade, meio que de todos os tempos, e eles acabaram, talvez antes do in\u00edcio dos anos 1990 (nota: a banda acabou pela primeira vez 1985 \u2013 e depois voltou \u00e0 ativa em 1995). Como j\u00e1 foi dito algumas vezes, San Diego tinha uma cena meio pesada, cheia de idiotas, e muitas das pessoas jovens tinham que meio que se esconder no Che Caf\u00e9, era algo que afastava as pessoas. Mas essa \u00e9 meio que a raz\u00e3o pela qual o Che Caf\u00e9 e o revival aconteceram ao mesmo tempo, porque voc\u00ea tinha as pessoas mais velhas saindo e n\u00f3s meio que tendo que ficar longe delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea mencionou o Che Caf\u00e9 e a cena de San Diego, que tinha muitas outras bandas incr\u00edveis nessa \u00e9poca. O que voc\u00ea acredita que fez com a que cidade tivesse uma cena t\u00e3o interessante, com nomes como Pitchfork, Drive Like Jehu, Amenity e voc\u00eas, por exemplo? Foi um momento perfeito, digamos, para tudo acontecer? E voc\u00eas pensam que essa cena poderia ter acontecido em outra cidade ou San Diego tinha algo de diferente nesse sentido?<\/strong><br \/>\nAaron: Acho que para mim, eu estava ainda no come\u00e7o do ensino m\u00e9dio quando comecei ir a shows, ent\u00e3o ainda era muito jovem. E eu ia nos shows e o que notei, n\u00e3o sei se voc\u00eas tamb\u00e9m, \u00e9 que definitivamente havia um elemento hippie, que era ao mesmo tempo legal e estranho. N\u00e3o entendia realmente na \u00e9poca, mas olhando para tr\u00e1s acho que era realmente muito legal. E isso vai de encontro ao fato que \u00e9 uma cidade de praia, n\u00f3s viv\u00edamos logo ao lado da praia e voc\u00ea tinha esse elemento meio hippie. O Rick (Froberg, guitarrista e vocalista, que faleceu apenas alguns dias ap\u00f3s essa entrevista ser feita), do Pitchfork e Drive Like Jehu, tinha essa vibe meio hippie. O Crash Worship foi outra banda de San Diego muito influente, eles n\u00e3o eram hardcore, mas provavelmente foram a banda mais foda que eu j\u00e1 vi. Mas eles tinham essa vibe meio hippie, culto pag\u00e3o. E penso que muito disso foi algo que teve bastante influ\u00eancia e era diferente de outras cidades em que voc\u00ea tinha cenas musicais. O Che realmente foi muito importante, dou todo o cr\u00e9dito para eles. Era algo muito louco, n\u00e3o havia problemas de capacidade. Eu vi shows do Green Day, Chumbawamba, No Doubt l\u00e1. Era meio que um enigma que voc\u00ea n\u00e3o encontraria hoje em dia. Penso que elementos como ter pessoas art\u00edsticas e estranhas e tamb\u00e9m um lugar como o Che, que tinha uma pegada do tipo \u201c\u00c9, n\u00f3s fazemos shows de todo mundo aqui\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Com certeza. Definitivamente h\u00e1 um elemento estranho na m\u00fasica de San Diego, que se mistura com outras coisas, como o hardcore. Como era uma cena menor, n\u00e3o havia muito dinheiro ou algo assim. Voc\u00ea n\u00e3o tinha for\u00e7as meio que pressionando a se conformar, como acontecia em outros lugares. Ou ter uma forte press\u00e3o para ser desse ou daquele jeito. Em outras cenas, como Nova York, voc\u00ea tinha que ser como o Agnostic Front. Voc\u00ea n\u00e3o tinha uma central de controle em San Diego, apenas muitas pe\u00e7as pequenas que formavam o todo e ningu\u00e9m realmente no controle. E voc\u00ea tinha pessoas criativas. Voc\u00ea pega suas refer\u00eancias de gente como o John Reis (produtor, dono da gravadora Swami Records e integrante de bandas como Pitchfork, Drive Like Jehu, Rocket from the Crypt), que estava fazendo coisas legais, e voc\u00ea tem um efeito borboleta. Isso tamb\u00e9m aconteceu em outros lugares, como Louisville e Chicago. E mesmo coisas como a cena straight edge de Boston, em que voc\u00ea teve figuras como o Al Barile, do SSD, para meio que dominar e fazer tudo acontecer. N\u00e3o tenho muita certeza de qual a conclus\u00e3o disso, mas acho que as cenas seguem a din\u00e2mica de determinadas pessoas. Penso que tudo se conecta com John Reis, Crash Worship, pessoas que n\u00f3s admir\u00e1vamos, eles merecem todo o cr\u00e9dito que puderem receber.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"PITCHFORK 1990\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pfYOZcP6ITk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. Gostaria que voc\u00eas me dissessem tr\u00eas discos que mudaram as suas vidas e porque eles fizeram isso. Como voc\u00eas est\u00e3o em tr\u00eas, cada um pode dizer um talvez.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Essa \u00e9 dif\u00edcil, cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: Sim, muitos discos mudaram a minha vida. Talvez o \u201cMillions of Dead Cops\u201d (1982), do MDC. Esse \u00e1lbum mudou as coisas quando eu era bem jovem, me colocou em um caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Acho que eu diria o segundo disco do Swiz, chamado \u201cHell Yes I Cheated\u201d (1989). Esse era um disco foda pra caralho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Para mim, o disco que me fez gostar de hardcore pela primeira vez provavelmente foi o \u201cMilo Goes to College\u201d (1982), do Descendents, se eu realmente olhar para tr\u00e1s. Acho que foi o primeiro disco que algu\u00e9m me deu no come\u00e7o do ensino m\u00e9dio. Mas isso foi em Minnesota, eu ainda nem tinha mudado para o sul da Calif\u00f3rnia nessa \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Eu ainda escuto o Descendents (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Matt: \u00c9, o \u201cMilo Goes to College\u201d \u00e9 um disco incr\u00edvel que todo mundo deveria escutar e conhecer do avesso, \u00e9 um \u00e1lbum sensacional. Acho que eles ainda recebem cr\u00e9dito por isso, eles inventaram o pop punk.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ron: Ou os Germs. O disco do Germs (\u201cGI\u201d, de 1979) foi o que realmente me fez entrar de cabe\u00e7a no hardcore.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aaron: Eu era um skatista at\u00e9 escutar o disco dos Sex Pistols, \u201cNever Mind the Bollocks\u201d (1977). Uma amiga de San Diego me deu uma fita que tinha esse disco. E acho que n\u00e3o andei mais de skate depois disso, apenas pensei algo como \u201cAgora eu sou punk\u201d (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"MDC (Live On Broadway) San Fran 1984\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pACdjavg5K0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Swiz - Hell Yes I Cheated LP\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BG67a6dyLVM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Milo Goes to College\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_muAZdTmhO8pQ0vkGnXFJL0U5UlHZL1Jbc\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"GI\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_numtzShEw7YNBq2nIgOf56JrQw34jFicI\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em conversa exclusiva, banda precursora do screamo nos EUA conta como foi relan\u00e7ar seu trabalho em uma edi\u00e7\u00e3o especial pela Southern Lord e comenta sobre a import\u00e2ncia de bandas como Pitchfork, Drive Like Jehu e Crash Worship na m\u00fasica da sua cidade natal.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/29\/entrevista-heroin-fala-sobre-relancamento-de-discografia-e-relembra-cena-de-san-diego-nos-anos-1990\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":77011,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6852],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77008"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77008"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77008\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77029,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77008\/revisions\/77029"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}