{"id":76974,"date":"2023-09-27T00:09:41","date_gmt":"2023-09-27T03:09:41","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76974"},"modified":"2023-10-24T00:42:07","modified_gmt":"2023-10-24T03:42:07","slug":"comportamento-no-embalo-da-nova-hq-de-fred-rubim-conheca-paulo-carames-um-sobreviventes-da-fronteira-na-vida-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/comportamento-no-embalo-da-nova-hq-de-fred-rubim-conheca-paulo-carames-um-sobreviventes-da-fronteira-na-vida-real\/","title":{"rendered":"Comportamento: No embalo da nova HQ de Fred Rubim, conhe\u00e7a Paulo Caram\u00eas, um sobrevivente da fronteira na vida real"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trama da HQ \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/entrevista-o-quadrinista-fred-rubin-fala-sobre-sua-nova-hq-sobreviventes-da-fronteira-ramones-e-punk-rock\/\">Sobreviventes da Fronteira<\/a>\u201d n\u00e3o tem inspira\u00e7\u00e3o direta em algu\u00e9m espec\u00edfico. Mas, nessas coincid\u00eancias em que a vida imita a arte, aparecem personagens do plano real que se assemelham com os da aventura ficcional de Fred Rubim. \u00c9 o caso do arquivista Paulo Caram\u00eas. Nascido em Alegrete (a 150 quil\u00f4metros de Uruguaiana), ele descobriu Ramones na primeira metade dos anos 1990 e tornou-se um \u00e1vido pesquisador e colecionador da obra e do legado deixados pelo quarteto. A devo\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de um acervo consider\u00e1vel, rendeu ainda um blog repleto de informa\u00e7\u00f5es e curiosidades sobre praticamente tudo ligado aos Ramones. No site <a href=\"https:\/\/sequelacoletiva.wordpress.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sequela Coletiva<\/a>, h\u00e1 entrevistas (com gente como o fot\u00f3grafo oficial da banda, George DuBose, e o irm\u00e3o de Joey, Mickey Leigh), artigos sobre cat\u00e1logo (lan\u00e7amentos oficiais e bootlegs, livros, v\u00eddeos etc), artes gr\u00e1ficas, fotos, shows e outros temas relacionados ao grupo que popularizou a contagem \u201c1,2,3,4\u201d e o bord\u00e3o \u201chey, ho! Let\u2019s go!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm 1991, ent\u00e3o com 12 pra 13 anos de idade e influenciado pelo gosto musical da minha m\u00e3e, eu j\u00e1 ouvia atentamente a obra dos Beatles e, principalmente, de Elvis Presley. Um vizinho que considerava ambos ultrapassados emprestou um LP sem capa e garantiu que aquilo mudaria a minha vida. Era o \u201cRocket to Russia\u201d, terceiro \u00e1lbum dos Ramones, lan\u00e7ado originalmente um ano antes de eu sequer existir\u201d, recorda Caram\u00eas, que complementa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00e3o posso atribuir a minha predile\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea nem aos temas das m\u00fasicas dos Ramones, pois n\u00e3o sabia uma v\u00edrgula de ingl\u00eas. E, menos ainda, o visual deles me impactou, j\u00e1 que s\u00f3 descobri a foto do quarteto punk em frente ao muro pr\u00f3ximo ao CBGB ou a arte fenomenal de John Holmstrom quando minha vida j\u00e1 havia sido transformada pela velocidade e sonoridade que o bolach\u00e3o apresentava da primeira \u00e0 \u00faltima faixa. Os demais elementos do senso comum ram\u00f4nico trataram mais tarde apenas de consolidar a mudan\u00e7a premeditada naquele empr\u00e9stimo vin\u00edlico. De l\u00e1 para c\u00e1, acabei acumulando cerca de mil discos da banda em diferentes formatos e informa\u00e7\u00e3o suficiente para ao menos tr\u00eas livros (se um dia chegar a lan\u00e7\u00e1-los). Al\u00e9m disso, pude vivenciar shows de ex-integrantes com suas carreiras solo em estados e pa\u00edses diferentes. E, n\u00e3o menos importante, considere as in\u00fameras amizades fruto desse gosto em comum pelos Ramones. Ou seja: posso afirmar que aquele disco realmente mudou tudo sim.\u201d<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ramones - Rocket to Russia (Full Album) [Official Video]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j3KzGpptn5Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre a import\u00e2ncia do punk para um jovem de regi\u00e3o fronteiri\u00e7a, Caram\u00eas analisa: \u201cA realidade no interior do Rio Grande do Sul \u00e9 de grande depend\u00eancia da agropecu\u00e1ria para o resultado econ\u00f4mico. O folclore ga\u00facho em forma de m\u00fasica, vestimenta e costumes da regi\u00e3o \u00e9 outro fator crucial, pautando a vida cotidiana \u2014 principalmente na fronteira oeste ga\u00facha. Estamos falando de uma cidade que, na \u00e9poca, tinha menos de 90 mil habitantes em contraste gritante \u00e0 Londres, Nova Iorque ou S\u00e3o Paulo. Mas tradi\u00e7\u00f5es t\u00e3o ligadas \u00e0 vida do homem do campo n\u00e3o refletiam a din\u00e2mica jovem e urbana, mesmo que em uma cidade interiorana. Esse cen\u00e1rio acabou sendo ideal para abrigar um movimento que tem em seu DNA o protesto e a rebeldia contra padr\u00f5es pr\u00e9-estabelecidos e a luta de classes de maneira muito enf\u00e1tica. O choque visual de um corte de cabelo moicano ou cal\u00e7a jeans rasgada foram um prato cheio para adolescentes expressarem seu descontentamento e ganharem confian\u00e7a nessa fase crucial de autoafirma\u00e7\u00e3o, ainda mais em um ambiente excessivamente conservador e patrimonialista.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Caram\u00eas, ele n\u00e3o foi o \u00fanico da cidade em que morava a encontrar na m\u00fasica \u2014 mais pontualmente no punk \u2014 um instrumento de express\u00e3o e inconformismo. Isso porque a cidade acabou por se tornar polo do g\u00eanero em solo ga\u00facho \u00e0 \u00e9poca, com outros jovens insatisfeitos aderindo aos ideais contestadores do estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76975\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando a desigualdade social se apresenta de forma t\u00e3o latente acaba gerando quase que exclusivamente dois resultados opostos: h\u00e1 os que batalham para serem aceitos como parte do sistema e quem considera que ser visto como exclu\u00eddo \u00e9 mero combust\u00edvel de contesta\u00e7\u00e3o, mudan\u00e7a e consci\u00eancia. Revisitando recortes de jornal do passado, pude relembrar a relev\u00e2ncia que o movimento teve no Rio Grande do Sul \u2014 e surpreendentemente nos jovens alegretenses, um dos principais redutos punk no estado naquela d\u00e9cada de 1990. Se a internet democratizou o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e a instantaneidade na distribui\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, a realidade daqueles tempos pr\u00e9-web era cruel. A escassa informa\u00e7\u00e3o circulava em fanzines xerocados \u00e0 exaust\u00e3o e na troca de fitas de bandas brit\u00e2nicas, ou tamb\u00e9m da rec\u00e9m-formada cena punk paulistana, o que facilitava a compreens\u00e3o das incendi\u00e1rias can\u00e7\u00f5es de bandas como C\u00f3lera, Ratos de Por\u00e3o e Inocentes (para citar algumas). Tamb\u00e9m me fez perceber que a dificuldade em conseguir um emprego, por exemplo, era um dilema comum independentemente do idioma ou sotaque. Entendi que problemas sociais n\u00e3o estavam atrelados ao qu\u00e3o cosmopolita fosse sua origem \u2014 alcan\u00e7ando tamb\u00e9m uma cidade que fica longe demais dos grandes centros, sendo facilmente mais reconhecida por seus eventos nativistas e desfile folcl\u00f3rico do que como ber\u00e7o de uma cena underground. Em resumo, o punk nunca respeitou fronteira, e isso \u00e9 o melhor de tudo.\u201d<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76976\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista, vocalista da&nbsp;<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>&nbsp;e respons\u00e1vel pelo videocast&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A trama da HQ \u201cSobreviventes da Fronteira\u201d n\u00e3o tem inspira\u00e7\u00e3o direta em algu\u00e9m espec\u00edfico. Mas, nessas coincid\u00eancias em que a vida imita a arte, aparecem personagens do plano real que se assemelham com os da aventura ficcional de Fred Rubim\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/comportamento-no-embalo-da-nova-hq-de-fred-rubim-conheca-paulo-carames-um-sobreviventes-da-fronteira-na-vida-real\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":76978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[6754,184],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76974"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76974"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77335,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76974\/revisions\/77335"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}