{"id":76963,"date":"2023-09-27T00:10:25","date_gmt":"2023-09-27T03:10:25","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76963"},"modified":"2023-10-28T23:47:22","modified_gmt":"2023-10-29T02:47:22","slug":"entrevista-o-quadrinista-fred-rubin-fala-sobre-sua-nova-hq-sobreviventes-da-fronteira-ramones-e-punk-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/entrevista-o-quadrinista-fred-rubin-fala-sobre-sua-nova-hq-sobreviventes-da-fronteira-ramones-e-punk-rock\/","title":{"rendered":"Entrevista: O quadrinista Fred Rubim fala sobre sua HQ \u201cSobreviventes da Fronteira\u201d, Ramones e punk rock"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era mar\u00e7o de 1996 quando os Ramones atravessaram o continente pela \u00faltima vez para tocar na Am\u00e9rica do Sul. No dia 16 daquele m\u00eas e ano, Joey (voz), Johnny (guitarra), CJ (baixo) e Marky (bateria) fizeram sua derradeira apresenta\u00e7\u00e3o em Buenos Aires \u2014 uma das cidades em que o grupo tinha p\u00fablico cativo. A cerca de 675 quil\u00f4metros da capital Argentina, em Uruguaiana (regi\u00e3o oeste do Rio Grande do Sul), um ent\u00e3o adolescente Frederico Rubim ia tomando gosto pelo punk rock influenciado por bandas como Ramones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 \u00e9poca, o adolescente era cativado n\u00e3o apenas pela sonoridade, mas tamb\u00e9m pelas possibilidades do estilo musical tornado movimento. Entre elas, a de desafiar limites, seja o das conven\u00e7\u00f5es sociais ou mesmo os geogr\u00e1ficos. Ainda que n\u00e3o seja autobiogr\u00e1fica, a nova hist\u00f3ria em quadrinhos do autor ga\u00facho carrega um pouco de sua pr\u00f3pria experi\u00eancia e leitura de mundo como cria de uma divisa internacional que teve a m\u00fasica como alento para inquieta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Intitulada \u201cSobreviventes da Fronteira\u201d, a publica\u00e7\u00e3o de 64 p\u00e1ginas narra a aventura de um grupo de amigos que entra num carro para assistir ao \u00faltimo show dos fast four nova-iorquinos em Baires. A obra est\u00e1 em financiamento at\u00e9 4 de novembro. Confira valores e recompensas: <a href=\"https:\/\/www.catarse.me\/sobreviventesdafronteira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">catarse.me\/sobreviventesdafronteira<\/a>. \u201cConforme ia escrevendo, muito da minha experi\u00eancia foi aparecendo e se misturando com refer\u00eancias de filmes e HQs que me influenciaram, e acabou formando esse caldo \u00fanico. (&#8230;) Pouca gente sabe, mas era um costume de seres jur\u00e1ssicos como n\u00f3s querer aprender a tocar um instrumento para ter uma banda. Os Ramones e o punk rock n\u00e3o s\u00f3 me despertaram esse desejo, mas tamb\u00e9m me deram um meio de express\u00e3o art\u00edstica, de afirma\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, afirma Fred.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trama tem como protagonista Jo\u00e3o Ramiro, \u201cprovavelmente o maior punk da fronteira entre Brasil e Argentina!\u201d. Trata-se de \u201cum raro f\u00e3 de Ramones entre o grupo de colegas que curte muito pagode dos anos 1990 e um bom vaner\u00e3o gaud\u00e9rio, que tem apenas um grande amigo: Matias \u2013 que bolou um plano para os dois assistirem ao \u00faltimo show dos Ramones em Buenos Aires, em 1996, a lend\u00e1ria despedida dos palcos da Am\u00e9rica Latina e uma das \u00faltimas apresenta\u00e7\u00f5es do grupo. \u00c9 a\u00ed que entra Magr\u00e3o, que topa encarar uma viagem de carro com os amigos s\u00f3 porque ele entraria em qualquer roubada para visitar Albertina \u2013 una chica punk rocker que vive do outro lado da fronteira\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de \u201cSobreviventes da Fronteira\u201d ser o primeiro roteiro escrito por Fred, o quadrinista, ilustrador e designer gr\u00e1fico que hoje vive com a fam\u00edlia em Santa Maria (centro do RS) j\u00e1 tem experi\u00eancia no meio. A estreia nos quadrinhos foi em 2016, com duas publica\u00e7\u00f5es pela editora Avec: \u201cO Cora\u00e7\u00e3o do C\u00e3o Negro\u201d, em parceria com Cesar Alc\u00e1zar, e \u201cLe Chevalier \u2013 Arquivos Secretos\u201d, junto com Andr\u00e9 Cordenonsi. Em 2020, teve o primeiro t\u00edtulo publicado nos EUA (\u201cThe Marriage of Heaven and Hell\u201d, pela editora Behemoth) e foi indicado ao Trof\u00e9u HQMix com a webcomic \u201cA Todo Vapor\u201d \u2014 ambos os trabalhos em parceria com En\u00e9ias Tavares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fred tamb\u00e9m \u00e9 o respons\u00e1vel pela arte de \u201cOs Sussurros do Caos Rastejante\u201d, graphic novel que faz parte da Cole\u00e7\u00e3o Cthulhu, do Jovem Nerd (tamb\u00e9m indicada ao Trof\u00e9u HQMix, em 2023). O projeto adapta o cultuado Nerdcast RPG baseado na obra de H.P. Lovecraft, lan\u00e7ado no mercado em 2022 pela editora Jamb\u00f4, casa editorial pela qual lan\u00e7ou tamb\u00e9m a HQ de horror \u201cAs Tr\u00eas Sepulturas\u201d, em parceria com F\u00e1bio Yabu. Na m\u00fasica, integrou pelo menos duas bandas: <a href=\"https:\/\/heroi.bandcamp.com\/track\/coisas-que-eu-quero-ouvir\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Her\u00f3i<\/a> e <a href=\"https:\/\/brinquedovelho.bandcamp.com\/album\/bom-dia-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brinquedo Velho<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Fred conta como o punk rock o fez enxergar para al\u00e9m das fronteiras, fala sobre inspira\u00e7\u00f5es e avalia o mercado de quadrinhos no Brasil.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76968\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1134\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes1-198x300.jpg 198w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra come\u00e7ar: sabendo que \u00e9s f\u00e3 dos Ramones, pergunto o quanto de autobiogr\u00e1fico e o quanto de viv\u00eancias de amigos teus h\u00e1 na hist\u00f3ria de \u201cSobreviventes da Fronteira\u201d? Considerando, ainda, que tamb\u00e9m \u00e9s uma cria da fronteira, nascido em Uruguaiana.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria autobiogr\u00e1fica, acho importante dizer. Mas acho que, conforme ia escrevendo, muito da minha experi\u00eancia foi aparecendo e se misturando com refer\u00eancias de filmes e HQs que me influenciaram, e acabou formando esse caldo \u00fanico. Mas sim, o local onde se passa a hist\u00f3ria \u00e9 claramente baseado na regi\u00e3o onde eu cresci, no oeste do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. J\u00e1 a inspira\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo veio de uma banda punk que existiu de fato em Uruguaiana, um pouco depois dos anos 90, em 2006. A Sobreviventes da Fronteira foi idealizada e batizada pelo nosso amigo Luciano Ordai, professor e m\u00fasico da cidade. Coincidentemente, ou n\u00e3o, eu e o sr. Homero Pivotto Jr. tamb\u00e9m fizemos parte desse bochincho, que durou apenas uma apresenta\u00e7\u00e3o \u2014 o suficiente pra gravar o nome na minha cabe\u00e7a para ser eternizado nesse quadrinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E como surgiu o argumento para a hist\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nDesde que comecei a publicar quadrinhos, o Oggh (Fabiano Denardin, <a href=\"https:\/\/hipotetica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editor da Hipot\u00e9tica<\/a>) me incomodava para eu criar uma hist\u00f3ria que se passasse na fronteira, com cen\u00e1rios, g\u00edrias e express\u00f5es locais. De fato, o linguajar da regi\u00e3o \u00e9 \u00fanico! Eu j\u00e1 tinha apresentado para ele uma ideia inicial, que era sobre amigos que cruzavam a fronteira para ir ver um show dos Ramones, e j\u00e1 sabia que o nome da HQ teria de ser esse. Mas nunca achei que eu tivesse capacidade de escrever a hist\u00f3ria toda, sou mais do desenho do que do roteiro. Da\u00ed em 2022, com a cria\u00e7\u00e3o da editora, o Fabiano voltou a me botar pilha nessa ideia e esbo\u00e7amos juntos a estrutura geral. Era para ser uma hist\u00f3ria de apenas oito p\u00e1ginas e entrar no Hipotetizine (fanzine da editora Hipot\u00e9tica), mas a empolga\u00e7\u00e3o tomou conta e acabamos seguindo o fluxo. Depois, sentei e escrevi o roteiro e desenhei. Foi divertido demais, minha experi\u00eancia mais satisfat\u00f3ria com HQs at\u00e9 hoje. Acho que consegui transmitir tudo que eu queria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que maneira os Ramones, e o punk rock de maneira mais ampla, ajudaram a direcionar tuas escolhas de vida?<\/strong><br \/>\nPouca gente sabe, mas era um costume de seres jur\u00e1ssicos como n\u00f3s querer aprender a tocar um instrumento para ter uma banda. Os Ramones e o punk rock n\u00e3o s\u00f3 me despertaram esse desejo, mas tamb\u00e9m me deram um meio de express\u00e3o art\u00edstica, de afirma\u00e7\u00e3o pessoal. Se apresentar em p\u00fablico \u00e9 meio que um tratamento de choque para a timidez e inseguran\u00e7a. \u00c9 se colocar como um alvo volunt\u00e1rio de cr\u00edticas, vaias, e eventualmente, garrafas e copos de pl\u00e1stico cheios de urina. Desde ent\u00e3o, o \u201cdo it yourself\u201d foi uma coisa que norteou boa parte das minhas escolhas, sabendo que o erro e a imperfei\u00e7\u00e3o \u00e0s vezes geram qualidades art\u00edsticas \u00fanicas. Acho que isso me tornou menos apegado \u00e0 t\u00e9cnica e mais ao sentimento, seja no tra\u00e7o de um desenho ou na performance de um guitarrista. Um solo de cinco minutos n\u00e3o torna uma m\u00fasica boa, assim como um desenho anatomicamente irretoc\u00e1vel por si s\u00f3 n\u00e3o narra uma boa hist\u00f3ria. Mais tarde descobri tamb\u00e9m, por meio de bandas como The Clash e Bad Religion, que o punk podia ser uma forma de questionar e contestar o status quo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o rock, pensando mais no punk at\u00e9, pode ajudar um adolescente a querer quebrar algumas fronteiras?<\/strong><br \/>\nAh, n\u00e3o posso falar pela juventude de hoje, que vive outro momento. Mas 30\/40 anos atr\u00e1s, o rock era a maneira que a gente tinha de romper com o padr\u00e3o, revolucionar as coisas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O release do evento menciona Molej\u00e3o, famoso grupo de pagode dos anos 1990. Como o conjunto entra na trama rocker? E mais: como percebes, olhando em retrospectiva, esses atravessamentos de estilos musicais dos anos 1990 aos quais fomos expostos?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito doido isso, n\u00e9? O punk rock era uma forma que a gente tinha de contestar a programa\u00e7\u00e3o que \u00e9ramos obrigados a ouvir no r\u00e1dio, na tv, e at\u00e9 mesmo na MTV (que \u00e0s vezes era nossa \u00fanica janela para coisas novas). Mas, ao mesmo tempo, era imposs\u00edvel desviar da cultura massificada que invadia nossos olhos e ouvidos diariamente. Da mesma forma, naquele espa\u00e7o geogr\u00e1fico onde se passa a HQ, tamb\u00e9m havia a influ\u00eancia da cultura gauchesca e \u201ccastelhana\u201d, que chegava do outro lado da Ponte Internacional Get\u00falio Vargas\/Agust\u00edn Pedro Justo. A pr\u00f3pria l\u00edngua se mistura no encontro dos pa\u00edses, onde \u00e9 comum o famoso \u201cportunhol\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi pensado o perfil dos personagens, como o protagonista Jo\u00e3o Ramiro e os amigos Matias e Magr\u00e3o, ou mesmo a \u2018chica punk rocker\u2019 Albertina?<\/strong><br \/>\nBom, \u00e9 claro que todos os personagens que aparecem t\u00eam algo da minha viv\u00eancia da \u00e9poca. O Jo\u00e3o Ramiro, por exemplo, \u00e9 um garoto que n\u00e3o se encaixava muito dentro da cultura gauchesca e tradicionalista, buscando no punk rock algo que o permitisse se expressar. O Matias \u00e9 bastante inspirado em amigos da cultura skate de Uruguaiana, que sempre foi bem forte. J\u00e1 o Magr\u00e3o \u00e9 o t\u00edpico cara \u201cpadr\u00e3o\u201d da cidade, que n\u00e3o manja nada de rock. A Albertina foi uma forma de homenagear os hermanos e hermanas punk rockers.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76969\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes2-300x196.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teu tra\u00e7o carrega uma aparente preocupa\u00e7\u00e3o com detalhes, principalmente quando mostra elementos que existem no plano real \u2014 como a ponte fronteiri\u00e7a Get\u00falio Vargas\/Agust\u00edn Pedro Justo, que separa Uruguaiana de passo de Los Libres. Como desenvolveu esse cuidado?<\/strong><br \/>\nTalvez a ponte seja o grande s\u00edmbolo da dupla nacionalidade dessa hist\u00f3ria, ent\u00e3o era muito importante que tivesse certa verossimilhan\u00e7a com a realidade. Acabou que fui at\u00e9 a Argentina comprar uns alfajores e acabei tirando v\u00e1rias fotos da ponte e outros locais do lado de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E tua paix\u00e3o por HQ, surgiu ainda quando morava na fronteira?<\/strong><br \/>\nEu era um pi\u00e1 extremamente t\u00edmido e retra\u00eddo, e desde muito pequeno me isolava no meu mundinho lendo gibis e desenhando por horas. No col\u00e9gio, era aquele colega que desenhava, fazia caricaturas dos professores etc. Da\u00ed, na quarta s\u00e9rie, comecei a inventar meus pr\u00f3prios gibis e xerocava para vender aos colegas. J\u00e1 era fanzineiro e n\u00e3o sabia. Aos 15 anos eu j\u00e1 publicava minhas tiras num jornal da cidade, e depois s\u00f3 continuei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como descreveria a vida de um adolescente que viveu na fronteira? E o que o rock representava nessa \u00e9poca, pelos idos de 1990?<\/strong><br \/>\nEu comecei a ouvir rock l\u00e1 pelos 10 anos de idade, embalado pelo hype (nem existia essa express\u00e3o ainda, mas vai) do Rock in Rio 2. Mas assim, como o festival foi uma grande salada de todas as vertentes e estilos, n\u00e3o deu aquele \u201cclick\u201d. J\u00e1 quando conheci os Ramones, no alto dos meus 14, 15 anos, a\u00ed sim bateu a identifica\u00e7\u00e3o! Era radicalmente diferente do que a maioria do pessoal escutava. Na escola, mesmo entre os que gostavam de rock, raramente tinha algum f\u00e3 de Ramones, e isso era meio que uma maneira de a gente se diferenciar. Os poucos f\u00e3s de punk rock se conheciam, e \u00e9 claro, acabavam querendo montar uma banda tamb\u00e9m. O rock, e principalmente o punk rock, eram uma maneira de escapar do padr\u00e3o da cidade onde eu morava, demonstrar rebeldia, e com o tempo despertou em mim tamb\u00e9m a paix\u00e3o pela m\u00fasica de uma forma geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que maneira, na tua trajet\u00f3ria, m\u00fasica e hist\u00f3ria em quadrinhos se cruzam?<\/strong><br \/>\nPode soar estranho, mas essa \u00e9 a minha primeira HQ com tema musical! Sendo meu primeiro roteiro, resolvi que seria interessante se eu escolhesse um tema que tivesse a ver com o que eu curto. Foi uma escolha \u00f3bvia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu j\u00e1 tens alguns trabalhos em quadrinhos publicados. Como avalia a produ\u00e7\u00e3o nacional atualmente, do ponto de vista de quem produz? H\u00e1 espa\u00e7os e demanda?<\/strong><br \/>\nA produ\u00e7\u00e3o nacional nunca foi t\u00e3o pujante, tem muita gente produzindo coisas de todos os estilos imagin\u00e1veis. Comercialmente, segue sendo um mercado muito pequeno. Os quadrinhos sempre foram uma arte marginal, mas hoje, com os altos pre\u00e7os de impress\u00e3o em decorr\u00eancia do valor do papel, mais a concorr\u00eancia de outras formas de entretenimento, ficou um pouco para tr\u00e1s. Sem contar que h\u00e1 muito colecionismo e pouca leitura de fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse \u00e9 mais um lan\u00e7amento da editora Hipot\u00e9tica, selo liter\u00e1rio independente que tem movimento o cen\u00e1rio no RS \u2014 at\u00e9 no pa\u00eds, na real. Qual import\u00e2ncia de iniciativas assim para os artistas?<\/strong><br \/>\nA <a href=\"https:\/\/hipotetica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">editora Hipot\u00e9tica<\/a> tem investido em obras de artistas nacionais e coisas mais underground de fora, que outras editoras n\u00e3o trazem. E o principal: com muita qualidade e profissionalismo. S\u00e3o pessoas apaixonadas pelo que fazem, que trabalham com muita compet\u00eancia. Eu jamais teria me lan\u00e7ado na aventura que \u00e9 um financiamento coletivo sem o suporte deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Supondo que o carro em que os personagens da hist\u00f3ria viajam tivesse toca fitas \u2014 afinal, era metade dos anos 1990 \u2014, quais sons do Ramones entrariam em cada lado da tape pra ir entrando no clima do show?<\/strong><br \/>\n\u00c9 claro que o Jo\u00e3o Ramiro e a Tina escolheram v\u00e1rias fitas dos Ramones e muitas outras bandas para embalar a viagem. Mas, como o carro \u00e9 do Magr\u00e3o, que n\u00e3o manja nada de punk rock, a playlist ficou meio misturada com hits aleat\u00f3rios dos anos 1990. Na verdade, n\u00e3o vou citar nenhuma m\u00fasica, s\u00f3 avisar que <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/playlist\/6M9fIUgnLQsaFZGqrvdG8M?si=IsDMSd45QxeNri-afHXNUA&amp;nd=1&amp;_branch_match_id=1232652729721350745&amp;_branch_referrer=H4sIAAAAAAAAA8soKSkottLXLy7IL8lMq9TLyczL1i8vKbVIc7HwtnBOAgAXxiyiIAAAAA%3D%3D\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fizemos uma playlist no Spotify<\/a> com a trilha sonora da aventura.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/comportamento-no-embalo-da-nova-hq-de-fred-rubim-conheca-paulo-carames-um-sobreviventes-da-fronteira-na-vida-real\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Conhe\u00e7a Paulo Caram\u00eas, um sobreviventes da fronteira na vida real<\/em><\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76970\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/sobreviventes3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A publica\u00e7\u00e3o de 64 p\u00e1ginas, lan\u00e7amento da editora Hipot\u00e9tica, narra a aventura de um grupo de amigos que entra num carro para assistir ao \u00faltimo show dos Ramones em Buenos Aires.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/27\/entrevista-o-quadrinista-fred-rubin-fala-sobre-sua-nova-hq-sobreviventes-da-fronteira-ramones-e-punk-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":76967,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6754,184],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76963"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76963"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76963\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77209,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76963\/revisions\/77209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76967"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}