{"id":76956,"date":"2023-09-26T00:41:04","date_gmt":"2023-09-26T03:41:04","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76956"},"modified":"2023-10-03T00:49:52","modified_gmt":"2023-10-03T03:49:52","slug":"entrevista-raquel-hallak-fala-sobre-a-edicao-2023-da-mostra-cinebh-que-esse-ano-inclui-o-14o-brasil-cinemundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/26\/entrevista-raquel-hallak-fala-sobre-a-edicao-2023-da-mostra-cinebh-que-esse-ano-inclui-o-14o-brasil-cinemundo\/","title":{"rendered":"Entrevista: Raquel Hallak fala sobre a edi\u00e7\u00e3o 2023 da Mostra CineBH que, esse ano, inclui a 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Brasil CineMundo"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 17\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Mostra de Cinema de Belo Horizonte \u2013 CineBH segue acontecendo at\u00e9 o dia 02\/10 na capital mineira. Com tema central Territ\u00f3rios da Latinidade, a edi\u00e7\u00e3o apresenta um panorama de mais de 90 filmes, estreia sua primeira mostra competitiva (a Mostra Territ\u00f3rio), al\u00e9m de trazer o 14\u00ba Brasil CineMundi, evento que promove encontros de mercado trazendo possibilidades de co-produ\u00e7\u00e3o e servindo como ponte de apresenta\u00e7\u00f5es de novos projetos de cinema que buscam parcerias para sua concretiza\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma importante ferramenta para o alcance de uma plataforma de rede de contatos entre profissionais do cinema, como produtores, roteiristas e diretores, e potenciais parceiros que visam investir e concretizar em filmes produ\u00e7\u00f5es que ainda estejam em seus est\u00e1gios iniciais, bem como em outras fases mais avan\u00e7adas de concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raquel Hallak, uma das diretoras da Mostra e da Universo Produ\u00e7\u00e3o, conversou com o Scream &amp; Yell e trouxe um pouco desse complexo planejamento visando os encontros que o Brasil CineMundi concretizar\u00e1 durante a semana da CineBH. &#8220;Temos uma equipe curatorial grande que se debru\u00e7a desde o come\u00e7o do ano, no Festival de Berlim, j\u00e1 tendo ideia de quais podem ser esses convidados que querem vir&#8221;, explica Raquel, pontuando as presen\u00e7as no evento. &#8220;S\u00e3o representantes de fundos de investimento, produtores, distribuidores, agentes de venda, curadores de festivais, programadores que v\u00eam para conhecer esses projetos do cinema brasileiro e come\u00e7ar aqui um, vamos dizer assim, grande namoro. E a partir desses encontros, o projeto sai fortalecido, preparado, para esse mercado audiovisual&#8221;, explica Hallak.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ponto de passagem de diversos projetos que se tornaram filmes de sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica no cinema nacional, a edi\u00e7\u00e3o da Brasil CineMundi desse ano traz 50 projetos selecionados de um total de 285 inscritos, confirmando um fato de que, apesar das for\u00e7as brutas oriundas de um governo passado contr\u00e1rio ao cinema brasileiro como ind\u00fastria, que cancelou o Minist\u00e9rio da Cultura e parou de fomentar a Ancine (Ag\u00eancia Nacional do Cinema), a vontade de produzir era ainda maior que a for\u00e7a predat\u00f3ria do obscurantismo e do negacionismo. &#8220;Produ\u00e7\u00f5es como \u2018Bacurau\u2019 (2019), \u2018Benzinho\u2019 (2018), \u2018Amor, Pl\u00e1stico e Barulho\u2019 (2013) e v\u00e1rios outros projetos passaram pelo Brasil CineMundi e se tornaram filmes. \u00c9 um evento de mercado do cinema brasileiro. \u00c9 um encontro internacional de co-produ\u00e7\u00e3o, o maior que tem hoje nesse segmento da co-produ\u00e7\u00e3o&#8221;, confirma Raquel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A CineBH 2023 homenagear\u00e1 dois grandes nomes do audiovisual mineiro, o cineasta Rafael Conde e a diretora e atriz, Yara de Novaes. \u201cRafael Conde sempre representou uma gera\u00e7\u00e3o aqui em Minas que \u00e9 quase isolada. A maneira dele fazer cinema \u00e9 muito \u00fanica&#8221;, explica Raquel. \u201cYara de Novaes \u00e9, tamb\u00e9m, dessa gera\u00e7\u00e3o. Ela e o Rafael s\u00e3o amigos desde sempre. E \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que nasce, principalmente, na Rede Minas. Eles surgem ali, fazem jornalismo, nascem dentro da televis\u00e3o. Para voc\u00ea ver como \u00e9 que a Rede Minas, uma TV p\u00fablica, chegou a ser o grande laborat\u00f3rio da forma\u00e7\u00e3o dessa gera\u00e7\u00e3o que hoje est\u00e1 a\u00ed com cinquenta e poucos anos. E o mais interessante \u00e9 a fidelidade que se criou com essas parcerias entre eles. A trajet\u00f3ria s\u00e3o os dois juntos o tempo todo. Ele dirigindo e ela atuando. Quando ela n\u00e3o est\u00e1 atuando, est\u00e1 fazendo prepara\u00e7\u00e3o de elenco&#8221;, pontua a diretora da CineBH.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na sele\u00e7\u00e3o da Mostra Homenagem, diversos filmes que contam com a dire\u00e7\u00e3o de Rafael Conde e a participa\u00e7\u00e3o de Yara de Novaes, dentre eles \u201cSamba-Can\u00e7\u00e3o\u201d, longa de 2002 que reflete as auguras de um cineasta na busca de produzir seu primeiro longa, al\u00e9m do mais recente trabalho do diretor, \u201cZ\u00e9\u201d (2023), filme que aborda a hist\u00f3ria de um militante do movimento estudantil morto nos por\u00f5es da ditadura militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falecido em julho ap\u00f3s sobreviver com queimaduras graves a um inc\u00eandio em seu apartamento e ter sido internado \u00e0s pressas, o dramaturgo Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa tamb\u00e9m ser\u00e1 homenageado pela CineBH com um recorte dentro da Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos que apresentar\u00e1 tr\u00eas obras: \u201cPrata Palomares\u201d (1970); \u201cO Rei da Vela\u201d (1982) e \u201cF\u00e9dro\u201d (2021), sendo que no primeiro co-assinou o roteiro e, no segundo, dirigiu e escreveu. J\u00e1 no mais recente, escrito e dirigido por Marcelo Seb\u00e1, Z\u00e9 Celso aparece sendo ele mesmo ao lado de um dos seus pupilos no Teatro Oficina, o ator Reynaldo Gianecchini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Raquel, a percep\u00e7\u00e3o de Z\u00e9 Celso como homenageado da CineBH surgiu justamente de suas multi-atividades dentro das artes. &#8220;Pesquisando a obra dele como um todo e n\u00e3o s\u00f3 no cinema, vimos um recorte em que ele, em um filme, \u00e9 roteirista. No outro filme ele \u00e9 diretor. No outro \u00e9 ator. Essa coisa ecl\u00e9tica da atua\u00e7\u00e3o que ele sempre trouxe, rompendo paradigmas, barreiras, e se lan\u00e7ando de corpo e alma para a cultura e para a arte. \u00c9 isso que estamos trazendo para c\u00e1. E com participa\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalharam com ele, que o conheceram. Porque a obra dele \u00e9 isso que voc\u00ea falou. Ela vai estar eternizada. Ela fica!&#8221;, finaliza Hallak.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo abaixo, a diretora da Mostra aprofunda o processo de desenvolvimento do evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/29\/entrevista-o-curador-marcelo-miranda-fala-sobre-a-homenagem-a-ze-celso-e-a-escolha-dos-filmes-brasileiros-da-mostra-cinebh\/\"><em>Leia tamb\u00e9m: O curador Marcelo Miranda fala sobre a homenagem \u00e0 Z\u00e9 Celso na CineBH 2023<\/em><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"17\u00aa CineBH e 14\u00ba Brasil CineMundi | De 26 de setembro a 01 de Outubro\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uNpZ29KfJn0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Conversamos em janeiro sobre a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/20\/entrevista-raquel-hallak-e-francis-vogner-falam-sobre-o-retorno-ao-formato-presencial-da-mostra-de-cinema-de-tiradentes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mostra de Cinema de Tiradentes<\/a> e em junho sobre a Mostra de Cinema de Ouro Preto. Lembro desses papos e de termos falado sobre a import\u00e2ncia, tamb\u00e9m, de um foco no mercado, na ind\u00fastria. Bom, a CineBH, junto com o CineMundi, vai focar nisso. Qual sua expectativa como organizadora do evento?<\/strong><br \/>\nA expectativa \u00e9 alta. Mostra CineBH falando de mercado audiovisual. Voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea o tamanho do nosso desafio. Isso porque estamos nesse momento discutindo a regula\u00e7\u00e3o do VOD, discutindo esse novo comportamento e esse retorno p\u00f3s pandemia do consumidor. O cinema foi uma das atividades mais afetadas com a pandemia. Hoje estamos discutindo, tamb\u00e9m, a cota de tela. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 em um momento no qual eu acho que a mostra CineBH e o Brasil CineMundi v\u00e3o ser muito importantes para que possamos exatamente voltar a esses trilhos, mesmo, do que est\u00e1 acontecendo hoje e do que estamos construindo para amanh\u00e3. Estamos falando de um evento para o qual trazemos parceiros que querem co-produzir com o Brasil. Isso em um momento da Lei Paulo Gustavo, que vai injetar um recurso consider\u00e1vel no mercado. Em um momento da inevit\u00e1vel, urgente e atrasada regula\u00e7\u00e3o do VOD. Teremos tr\u00eas debates importantes sobre esse assunto. Em uma capital como Belo Horizonte, que j\u00e1 teve 120 salas de cinema de rua e, hoje, tem apenas quatro. Da\u00ed d\u00e1 para vermos a car\u00eancia que \u00e9 a quest\u00e3o e da necessidade urgente da pol\u00edtica de difus\u00e3o para dar conta da produ\u00e7\u00e3o que vem por a\u00ed. Por isso, estamos aqui em um momento de grandes expectativas dessa troca que vai acontecer, dessa efervesc\u00eancia de not\u00edcias positivas. Tudo isso com um cen\u00e1rio e um futuro mais promissores, mas que cabe a n\u00f3s, sociedade civil, junto ao Minist\u00e9rio da Cultura, junto a lideran\u00e7as pol\u00edticas, junto com a Ancine para que n\u00e3o percamos o foco necess\u00e1rio e urgente para o cinema brasileiro. E, ao mesmo tempo, estamos criando esse di\u00e1logo, esse cen\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina, que \u00e9 uma lacuna muito grande no Brasil. Da gente se aproximar desses pa\u00edses vizinhos. N\u00f3s temos os mesmos problemas, mas com peculiaridades diferentes. A pr\u00f3pria tem\u00e1tica do festival fala de Territ\u00f3rios da Latinidade exatamente para mostrar essa diversidade. Somos vinte pa\u00edses, 660 milh\u00f5es de pessoas e temos uma converg\u00eancia de hist\u00f3rias que se retratam na tela. Mas, por um outro lado, temos as nossas diferen\u00e7as. Ent\u00e3o, acho que juntos vamos mostrar essa cena que, muitas vezes, n\u00e3o chega na Europa, n\u00e3o chega at\u00e9 mesmo a alguns pa\u00edses da pr\u00f3pria Am\u00e9rica Latina. Que filmes s\u00e3o esses que nos representam? \u00c9 isso que buscamos mostrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos aspectos que mais me chamaram aten\u00e7\u00e3o na escolha do tema Territ\u00f3rios da Latinidade \u00e9 como ele se ad\u00e9qua a uma quest\u00e3o atual e urgente em tempos de, por exemplo, vota\u00e7\u00f5es de Marco Temporal. Um dos comunicados da mostra salienta essa import\u00e2ncia relacionada \u00e0 posse de terra e a constru\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rios simb\u00f3licos e identit\u00e1rios.<\/strong><br \/>\nA quest\u00e3o do territ\u00f3rio \u00e9 primordial. Onde n\u00f3s estamos, como vivemos, como nos organizamos. A quest\u00e3o da geografia, da pol\u00edtica, a quest\u00e3o social. Que imagens s\u00e3o essas, como eu disse, que est\u00e3o nos representando? Que cinema \u00e9 esse da Am\u00e9rica Latina? E n\u00f3s estamos fazendo um recorte de apostar em novas autorias. Um pouco do que fizemos em Tiradentes, com a Mostra Aurora de novos autores. Dar visibilidade para esse cinema que \u00e9 uma c\u00f3pia fiel de como a gente se organiza e como que a gente vive. Ent\u00e3o, acho que esses oito filmes que integram a Mostra Territ\u00f3rio, uma mostra competitiva que estamos introduzindo esse ano, e os vinte e quatro filmes que representam essa Latinidade de Territ\u00f3rios, vamos dizer assim, eu acho que vai dar um recorte muito interessante dessa filmografia recente da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa decis\u00e3o de inserir uma mostra competitiva partiu dessa percep\u00e7\u00e3o da necessidade de se trazer esse cinema de uma forma mais evidente, mais destacada, tamb\u00e9m?<\/strong><br \/>\nSim, exatamente. \u00c9 uma mostra competitiva diferenciada porque, aqui, vamos trabalhar tr\u00eas categorias. A categoria do Melhor Filme, eleito pelo j\u00fari oficial; a categoria Melhor Presen\u00e7a Humana, em que o j\u00fari vai poder olhar para o filme e destacar aquilo que ele considera forte nele. E, tamb\u00e9m, o que seria o destaque do j\u00fari, que pode ser desde uma categoria at\u00e9 um profissional. Pretendemos trabalhar esse olhar do j\u00fari sobre esses filmes muito nesse sentido, de ter uma mostra que vai dar visibilidade, que vai apostar em novos realizadores. Que vai falar assim: &#8220;aqui est\u00e1 a Am\u00e9rica Latina retratada de uma certa forma nessa atualidade.&#8221; Esses territ\u00f3rios e essa organiza\u00e7\u00e3o social-pol\u00edtica-geogr\u00e1fica que \u00e9 a identidade nossa e que o cinema cumpre muito bem esse papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O cineasta Rafael Conde e a tamb\u00e9m diretora e atriz Yara de Novaes representam muito bem uma sintonia de um cinema feito em parceria, algo que a CineBH e o Brasil CineMundi t\u00eam como s\u00edmbolos. Com foi a escolha de ambos como homenageados na Mostra?<\/strong><br \/>\nRafael Conde sempre representou uma gera\u00e7\u00e3o aqui em Minas que \u00e9 quase isolada. A gente tem o Helv\u00e9cio Ratton e a\u00ed vem ele, que tem uma filmografia muito interessante. A maneira dele fazer cinema \u00e9 muito \u00fanica. Depois vimos nascer uma outra gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 a da V\u00eddeoarte. Minas Gerais sempre foi um estado da V\u00eddeoarte. Tem o Eder Santos, o Cao Guimar\u00e3es, que \u00e9 um outro vi\u00e9s de linguagem, de narrativa. Depois, vimos nascer essa gera\u00e7\u00e3o que surgiu em Tiradentes, que s\u00e3o os coletivos. E a\u00ed come\u00e7a o Coletivo Teia, que hoje cada um tem a sua produtora, a Luana Melga\u00e7o, a Clarissa Campolina. V\u00e1rios coletivos brasileiros s\u00e3o fruto da Mostra de Cinema de Tiradentes. E depois eles foram fazendo pares. Deixaram de ser necessariamente coletivos, mas trabalhando juntos. E a Yara de Novaes \u00e9, tamb\u00e9m, dessa gera\u00e7\u00e3o. Ela e o Rafael s\u00e3o amigos desde sempre. E \u00e9 uma gera\u00e7\u00e3o que nasce, principalmente, na Rede Minas. Eles surgem ali, fazem jornalismo, nascem dentro da televis\u00e3o. Para voc\u00ea ver como \u00e9 que a Rede Minas, uma TV p\u00fablica, chegou a ser o grande laborat\u00f3rio da forma\u00e7\u00e3o dessa gera\u00e7\u00e3o que hoje est\u00e1 a\u00ed com cinquenta e poucos anos. E o mais interessante \u00e9 a fidelidade que se criou com essas parcerias entre eles. E a Yara com o Rafael \u00e9 o tempo todo. A trajet\u00f3ria s\u00e3o os dois juntos o tempo todo. Ele dirigindo e ela atuando. Quando ela n\u00e3o est\u00e1 atuando, est\u00e1 fazendo prepara\u00e7\u00e3o de elenco. E uma das coisas que a gente discute muito em BH, falando em mercado, \u00e9 que se rompeu essa barreira de se falar: &#8220;Isso \u00e9 s\u00f3 cinema&#8221;. Quando a gente ainda estava na pandemia, trouxemos a tem\u00e1tica de mostrar justamente isso: &#8220;O que \u00e9 audiovisual?&#8221; O que \u00e9 cinema em um momento no qual vimos indo para as telas as lives todas de m\u00fasica, de teatro? Ent\u00e3o, essas linguagens se complementam. E os dois representam muito isso. Porque eles se encontraram no cinema, mas, tamb\u00e9m, no palco, na literatura, com a palavra, com a forma de trabalhar. E formaram uma dupla que dialoga muito com essa proposta que a gente traz para a CineBH. A proposta da coopera\u00e7\u00e3o, da parceria, do intercambio. O que isso representa quando a gente fala do Brasil CineMundi de buscar parceiros para o evento? Ent\u00e3o, \u00e9 uma parceira, uma dupla parceira fiel e coerente desde os anos 1980. A escolha desse fazer art\u00edstico mineiro, em uma cena do Rafael, principalmente, que muitas vezes as pessoas desconhecem, mas que seus filmes s\u00e3o amados quando assistidos. Trazer o \u201cSamba Can\u00e7\u00e3o\u201d (2002), por exemplo, que vamos exibir em pel\u00edcula. Uma s\u00e9rie de curtas. Cada um mais interessante e instigante que o outro, sabe? L\u00f3gico que ele tem uma forma muito cuidadosa de trazer a m\u00fasica para dentro do cinema. Tudo dele \u00e9 muito pensado e planejado artisticamente. E a contribui\u00e7\u00e3o que a Yara d\u00e1, que ela imprime na qualidade da atua\u00e7\u00e3o dessa obra. \u00c9 mostrar isso. O fazer art\u00edstico mineiro atrav\u00e9s do tempo em que a Yara vai para S\u00e3o Paulo e ganha o mundo. Uma hora ela est\u00e1 na televis\u00e3o, uma hora ela est\u00e1 no palco, uma hora ela est\u00e1 fazendo s\u00e9rie, uma hora ela est\u00e1 fazendo teatro. O Rafael com a coer\u00eancia dele, da identidade, do caminho que ele escolheu percorrer no cinema. E a simbologia que existe entre os dois. Eu acho que \u00e9 uma dupla inspiradora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76958\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em conversa com Marcelo Miranda, curador da Mostra Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos, falamos sobre a escolha do Z\u00e9 Celso como homenageado. Ele que nos deixou de forma t\u00e3o tr\u00e1gica recentemente, mas sua obra \u00e9 perene, eterna. Ele falou sobre como foi natural a escolha dele nessa homenagem.<\/strong><br \/>\nSim. Verdade. E a Di\u00e1logos Hist\u00f3ricos \u00e9 uma mostra que eu amo. Ela faz parte da CineBH desde a segunda edi\u00e7\u00e3o do evento. J\u00e1 tem quinze anos. E a escolha dele nela vem exatamente de um recorte que fazemos da Hist\u00f3ria. Geralmente s\u00e3o os cr\u00edticos de cinema que escolhem, ou a curadoria, qual ser\u00e1 o personagem ou qual ser\u00e1 o cinema que vai ser destacado nesse recorte hist\u00f3rico. E essa ideia do Z\u00e9 Celso veio, exatamente, supernatural. Porque tinha acabado de acontecer essa trag\u00e9dia e n\u00f3s vimos toda a como\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da classe art\u00edstica. E a gente come\u00e7ou a pensar nele e na sua contribui\u00e7\u00e3o para o cinema. \u00c0s vezes, as pessoas desconhecem. E a\u00ed, pesquisando a obra dele como um todo e n\u00e3o s\u00f3 no cinema, vimos um recorte em que ele, em um filme, \u00e9 roteirista. No outro filme ele \u00e9 diretor. No outro \u00e9 ator. Ou seja, essa coisa ecl\u00e9tica da atua\u00e7\u00e3o que ele sempre trouxe, rompendo paradigmas, barreiras, e se lan\u00e7ando de corpo e alma para a cultura e para a arte. \u00c9 isso que estamos trazendo para c\u00e1. E com participa\u00e7\u00e3o de pessoas que trabalharam com ele, que o conheceram. Porque a obra dele \u00e9 isso que voc\u00ea falou. Ela vai estar eternizada. Ela fica. E essas trag\u00e9dias remontam tempos, d\u00e9cadas, reflex\u00f5es. Mexem com as pessoas em todos os sentidos. Do outro lado, desperta pesquisas e conhecimento que as pessoas muitas vezes n\u00e3o t\u00eam do outro. \u00c9 um recorte que a gente n\u00e3o podia deixar de trazer para essa Mostra Hist\u00f3rica nesse momento em que o Z\u00e9 Celso permanece t\u00e3o vivo n\u00e3o s\u00f3 na hist\u00f3ria, mas na vida da cultura brasileira. A import\u00e2ncia que ele teve nessa constru\u00e7\u00e3o toda de lan\u00e7ar talentos, de lan\u00e7ar novas linguagens, de lan\u00e7ar novas narrativas. E a atua\u00e7\u00e3o ecl\u00e9tica dele no audiovisual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Come\u00e7amos o papo pincelando um pouco o Brasil CineMundi, mas eu queria voltar a esse t\u00f3pico para aprofundar melhor, pois \u00e9 um dos pontos principais da CineBH. Como foi o processo de prepara\u00e7\u00e3o para os encontros?<\/strong><br \/>\nEstamos na 14\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Brasil CineMundi. Quando completamos dez anos, chegamos a fazer uma pesquisa para ver, inclusive, quais eram os projetos que tinham se tornado filmes. Se as nossas apostas estavam dando certo. Vou te dizer: foi surpreendente. Porque desde filmes como \u201cBacurau\u201d (2019), \u201cBenzinho\u201d (2018), \u201cAmor, Pl\u00e1stico e Barulho\u201d (2013) e v\u00e1rios projetos passaram pelo Brasil CineMundi e se tornaram filmes. Ent\u00e3o, o Brasil CineMundi \u00e9 um evento de mercado do cinema brasileiro. \u00c9 um encontro internacional de co-produ\u00e7\u00e3o, o maior que tem hoje nesse segmento. Nessa edi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o 50 projetos selecionados de 285 inscritos. Por a\u00ed voc\u00ea j\u00e1 v\u00ea um panorama de que, mesmo na pandemia, o cinema n\u00e3o parou. Porque tivemos 285 projetos inscritos tanto na categoria de desenvolvimento, quanto no work in progress. Ent\u00e3o, desses 50 projetos, 40 s\u00e3o projetos em desenvolvimento que \u00e9 o vi\u00e9s principal para a gente conseguir trabalhar a partir da ideia, do argumento, da pr\u00e9-produ\u00e7\u00e3o com os profissionais do audiovisual. Eles passam por laborat\u00f3rios de desenvolvimento, por laborat\u00f3rios de audi\u00eancia. Eles s\u00e3o preparados para j\u00e1 vir ao Brasil CineMundi com uma vis\u00e3o de mercado. \u00c9 importante porque a gente est\u00e1 falando justamente de um evento de mercado. Ent\u00e3o, eles est\u00e3o vindo com uma vis\u00e3o de ind\u00fastria. Com uma postura profissional de como que eu posso conseguir um parceiro para o meu filme. Porque mesmo que n\u00e3o seja nesse momento da produ\u00e7\u00e3o, o pr\u00f3prio distribuidor j\u00e1 assume o compromisso quando ele est\u00e1 desde o in\u00edcio do filme, do projeto. \u00c9 mais f\u00e1cil para voc\u00ea conseguir um distribuidor, selar essa parceria e ele investir no projeto em algo que j\u00e1 se possa selar ali, na fase de desenvolvimento. J\u00e1 \u00e9 nessa aposta. Ent\u00e3o, \u00e9 um ambiente de neg\u00f3cio, \u00e9 um ambiente de mercado em que teremos esses profissionais com os nossos convidados, com essa plateia especializada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro de ter feito <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/09\/07\/cinebh2018-entrevista-sofia-federico-e-tatti-carvalho\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma cobertura do Brasil CineMundi em 2018<\/a>, entrevistando pessoas da Bahia que estavam presentes no evento. Realmente, deu para ter uma ideia dessa estrutura.<\/strong><br \/>\nEnt\u00e3o, como voc\u00ea j\u00e1 cobriu o CineMundi, deve ter visto que a gente forma uma grande fam\u00edlia. N\u00e3o \u00e9 um evento gigante. Eu n\u00e3o estou aqui trabalhando com n\u00fameros. Eu estou trabalhando com qualidade. Por isso, temos uma equipe curatorial grande que se debru\u00e7a desde o come\u00e7o do ano, no Festival de Berlim, j\u00e1 tendo ideia de quais podem ser esses convidados que querem vir. S\u00e3o representantes de fundos de investimento, produtores, distribuidores, agentes de venda, curadores de festivais, programadores que v\u00eam para conhecer esses projetos do cinema brasileiro e come\u00e7ar aqui um, vamos dizer assim, grande namoro. E a partir desses encontros, o projeto sai fortalecido, preparado, para esse mercado audiovisual. Ent\u00e3o, voc\u00ea come\u00e7ar um novo projeto com essa ideia de que voc\u00ea n\u00e3o quer que o seu filme fique na prateleira, que voc\u00ea n\u00e3o vai fazer mais um filme, mas que voc\u00ea vai fazer \u201cO\u201d filme. O seu filme. Entender o nicho de mercado, entender onde ele vai ser lan\u00e7ado quando ficar pronto. Qual \u00e9 o caminho e a estrat\u00e9gia melhor de lan\u00e7amento. Tem projetos, por exemplo, que a cara deles \u00e9 na Mostra de Tiradentes. Tem outros que \u00e9 melhor ele come\u00e7ar um caminho internacional. Tem outros que vai escolher (o Festival de) Gramado como glamour ali, porque vai dar um pr\u00eamio de R$50 mil, enfim. Essa estrat\u00e9gia \u00e9 muito importante voc\u00ea j\u00e1 pensar na concep\u00e7\u00e3o. Eu n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum outro evento de mercado que trabalhe t\u00e3o fortemente essa raiz. Da forma\u00e7\u00e3o, da prepara\u00e7\u00e3o desse filme para ser apresentado. Nessa apresenta\u00e7\u00e3o que vai acontecer aqui durante o evento, que s\u00e3o os encontros individuais, cada projeto ter\u00e1 30 minutos para apresentar para esses convidados internacionais. Al\u00e9m de participar, tamb\u00e9m, do CineMundi Lab, que j\u00e1 \u00e9 um programa aberto ao p\u00fablico e que vai reunir debates, workshops, experi\u00eancias em co-produ\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica Latina, na Europa, no Canad\u00e1. Vamos ter, tamb\u00e9m, um workshop da Ancine falando exatamente quais acordos existem no Brasil, como eu fa\u00e7o para selar uma co-produ\u00e7\u00e3o, quais s\u00e3o os caminhos e os \u00f3rg\u00e3os que eu tenho que caminhar para que seja poss\u00edvel receber apoio ou at\u00e9 mesmo receber recursos diretos, que \u00e1s vezes vem de um produtor que investe diretamente l\u00e1. Eu fico muito empolgada com o Brasil CineMundi porque, a cada edi\u00e7\u00e3o que a gente faz, temos resultados muito satisfat\u00f3rios. Queria ter dinheiro e espa\u00e7o para poder fazer com mais projetos. Mas a gente nunca tem o cen\u00e1rio perfeito. Mas essas parcerias que temos conquistado est\u00e3o fazendo toda a diferen\u00e7a na trajet\u00f3ria desses filmes. Ent\u00e3o, vamos ter esse escopo de programa\u00e7\u00e3o. Todos os dias tem meeting na tenda e tem debates acontecendo, tudo ali no Pal\u00e1cio das Artes. E a agenda de relacionamentos onde todo mundo vai ter acesso nessa troca de informa\u00e7\u00f5es com os convidados que estar\u00e3o aqui. E tudo puramente cinema, n\u00e9? Um dia, quando tivermos mais f\u00f4lego vamos abrir para s\u00e9ries, para TV, mas, por enquanto, estamos primando pela qualidade e focando no cinema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_76959\" aria-describedby=\"caption-attachment-76959\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-76959\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023_1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023_1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/BH2023_1-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76959\" class=\"wp-caption-text\"><em>17\u00aa CineBH &#8211; International Film Festival &#8211; Sess\u00e3o Cine-Escola &#8211; Foto Leo Fontes\/Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com tema central Territ\u00f3rios da Latinidade, a edi\u00e7\u00e3o apresenta um panorama de mais de 90 filmes, estreia sua primeira mostra competitiva (a Mostra Territ\u00f3rio), al\u00e9m de trazer o 14\u00ba Brasil CineMundi.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/26\/entrevista-raquel-hallak-fala-sobre-a-edicao-2023-da-mostra-cinebh-que-esse-ano-inclui-o-14o-brasil-cinemundo\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":21,"featured_media":76957,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[3182],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76956"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/21"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76956"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":77027,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76956\/revisions\/77027"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76957"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}