{"id":76926,"date":"2023-09-25T00:01:00","date_gmt":"2023-09-25T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76926"},"modified":"2023-10-21T22:57:24","modified_gmt":"2023-10-22T01:57:24","slug":"entrevista-roberto-de-oliveira-fala-sobre-elis-tom-so-tinha-de-ser-com-voce-e-confirma-reproducao-de-show-de-1974-para-2024","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/25\/entrevista-roberto-de-oliveira-fala-sobre-elis-tom-so-tinha-de-ser-com-voce-e-confirma-reproducao-de-show-de-1974-para-2024\/","title":{"rendered":"Entrevista: Roberto de Oliveira fala sobre &#8220;Elis &#038; Tom &#8211; S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea&#8221; e confirma evento com \u00e1udio de show de 1974"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 se pode roubar a quem se ama.&#8221; Tal frase \u00e9 do compositor e maestro russo Igor Fyodorovich Stravinsky. Proferida por Tom Jobim, durante uma conversa com Elis Regina, em 1974, ela ganha contornos de um Brasil essencial musicalmente quando o maestro soberano canta, ao lado da pimentinha, a can\u00e7\u00e3o \u201cCaco Velho\u201d, de Ary Barroso, outro mestre. &#8220;Voc\u00ea gosta do Ary Barroso?&#8221;, pergunta Elis. Tom, naquele jeito conhecidamente cativante de olhar para cima enquanto sorri, responde: &#8220;Adoro!&#8221; Entre risos, ela replica: &#8220;Voc\u00ea gosta mesmo \u00e9 do Villa-Lobos, n\u00e9?&#8221; Continuando a afinar o viol\u00e3o que acaba de tocar, Tom reflete por um par de segundos e diz: &#8220;Eu gosto muito do Villa-Lobos. O Villa-Lobos, o Ary Barroso, o Pixinguinha s\u00e3o meus monstros sagrados. S\u00e3o as pessoas a quem eu copio. S\u00f3 se pode roubar a quem se ama&#8221;, crava Jobim enquanto beberica de um copo de u\u00edsque e seu olhar encontra a c\u00e2mera.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O momento foi captado por Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay, que estavam presentes em um est\u00fadio de Los Angeles h\u00e1 quase cinquenta anos, e registravam, em imagens que seriam eternas, um potente recorte da m\u00fasica brasileira. No caso, trata-se da grava\u00e7\u00e3o do disco \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2004\/09\/04\/musica-elis-tom-ganha-reedicao-especial-30-anos-depois\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elis &amp; Tom<\/a>\u201d, que reuniu os dois s\u00edmbolos em um un\u00edssono. \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/20\/15o-in-edit-brasil-com-imagens-de-arquivo-belissimas-elis-tom-tropeca-na-narrativa-no-formato-e-em-forcas-ocultas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elis &amp; Tom &#8211; S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea<\/a>\u201d (2023), filme lan\u00e7ado comercialmente agora por Oliveira, apresenta ao espectador parte dessas imagens capturadas em est\u00fadio. Ao serem analisadas sob uma tentativa de se ficar distante de qualquer romantismo po\u00e9tico, tais imagens registram o caminho de &#8220;pau, pedra e resto de toco&#8221; que se percorre para o alcance de uma obra-prima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Toda obra de arte tem essa tens\u00e3o, esses momentos de conflito. Isso \u00e9 normal em toda obra coletiva&#8221;, afirma Roberto de Oliveira em entrevista ao Scream &amp; Yell. &#8220;A euforia que veio depois \u00e9 a partir do momento em que os talentos se reconheceram e tudo come\u00e7ou a ficar muito bonito. A montagem (do filme) veio de um material que era muito fragmentado porque a gente estava l\u00e1 meio como voyeurs dentro do est\u00fadio. Isso porque era um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio. Ent\u00e3o, a c\u00e2mera n\u00e3o tinha como se movimentar muito. N\u00e3o podia fazer barulho. Por isso, est\u00e1vamos muito discretos. Quase como clandestinos, sabe? Com imagens roubadas, assim&#8221;, relembra o diretor que, tamb\u00e9m, era amigo pessoal de Elis e trabalhou como seu empres\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A euforia que Oliveira cita se faz presente nos momentos de alegria em que Tom, Elis e toda a equipe t\u00e9cnica por tr\u00e1s do disco escutam a vers\u00e3o finalizada de \u201c\u00c1guas de Mar\u00e7o\u201d, cuja letra, em uma liberdade narrativa utilizada aqui, simboliza um pouco do processo de cria\u00e7\u00e3o desse disco pilar. \u201cElis &amp; Tom &#8211; S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea\u201d aborda muito dessa busca de um equil\u00edbrio entre os dois. Passa por caminhos de paus, pedras e tocos para alcan\u00e7ar uma estrada suave.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em falas captadas hoje por pessoas como o arranjador e pianista C\u00e9sar Camargo Mariano, marido de Elis \u00e0 \u00e9poca e que, agora, comenta no filme sobre o clima da reuni\u00e3o inicial com Tom Jobim, esses espinhos no caminho se apresentaram de forma bastante pontiaguda. O maestro, profundo conhecedor do mercado musical estadunidense e do processo de grava\u00e7\u00e3o em est\u00fadios locais (l\u00e1 se iam muito anos de experi\u00eancias do criador da Bossa Nova com diversos nomes, tais quais Dizzie Gillespie, Charlie Byrd, Gerry Mulligan e Frank Sinatra, para citar apenas alguns), fez quest\u00e3o de deixar claro que Mariano seria humilhado pelos executivos locais ao se propor, com vinte e poucos anos, a ser o arranjador de um disco de Tom Jobim. Para o maestro, aquele n\u00e3o era um disco de Elis com Tom sendo um convidado, mas, sim, um trabalho que teria ele como arranjador e pertencente aos dois. Mariano, no entanto, acabou sendo o arranjador da obra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O filme aborda um pouco do processo de cria\u00e7\u00e3o tenso entre Regina e Jobim trazendo, em depoimentos de Cesar Camargo Mariano, um pouco da tens\u00e3o oriunda das cobran\u00e7as de Tom, como quando ele se surpreendeu pela presen\u00e7a de um baixo el\u00e9trico ao inv\u00e9s de um ac\u00fastico, bem como de um piano el\u00e9trico, ao qual ele se referiu utilizando junto ao que chamou de &#8220;piano de pau&#8221;, o que gerou tanto surpresa quanto sarcasmo e ironia em Tom Jobim por ouvir aquela descri\u00e7\u00e3o para um instrumento que ele julgava maravilhoso. Elis, entre esse conflito dos dois, absorveu a tens\u00e3o daqueles dias, o que acabou por tornar o processo ainda mais dif\u00edcil para ela, que aparece roendo unhas no est\u00fadio, exalando nervosismo e, em alguns momentos, em embates junto a Tom. Conhecida por ser uma mulher de personalidade forte (o apelido &#8220;Pimentinha&#8221;, lhe dado por Vinicius de Moraes, confirma isso), chegou a cogitar voltar ao Brasil, abandonando o projeto. Mas logo o processo avan\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Roberto de Oliveira, amigo de longa data de Elis, rebate essa impress\u00e3o de que ela era uma pessoa dif\u00edcil, trazendo, aqui, uma exata defini\u00e7\u00e3o do sentimento de autoprote\u00e7\u00e3o que a cantora sempre buscou. &#8220;A Elis era uma pessoa muito doce, ao contr\u00e1rio do que parecia. Na verdade, ela levou muita porrada a vida inteira. Foi muito assediada. Porque ela era uma crian\u00e7a prod\u00edgio. Ela cantava daquele jeito desde pequenininha. Se voc\u00ea procurar no YouTube, tem l\u00e1 uma grava\u00e7\u00e3o dela imitando cantoras da \u00e9poca. E \u00e9 impressionante! Ela devia ter 14 anos&#8221;, pontua o diretor e reafirma: &#8220;A Elis chamava muito aten\u00e7\u00e3o. Ela era muito assediada. E ela n\u00e3o tinha uma estrutura de prote\u00e7\u00e3o em torno dela, sabe? Ent\u00e3o, a maneira que ela tinha era a de dar pontap\u00e9, bater, chutar para se defender (risos). E isso marcou muito. Mas ela era uma pessoa muito doce. T\u00e3o doce como a m\u00fasica dela, como a arte dela, e as pessoas v\u00e3o perceber isso no filme&#8221;, define o cineasta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cElis &amp; Tom &#8211; S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea\u201d, em sua montagem, acaba, tamb\u00e9m, por trazer um foco dram\u00e1tico a essa trajet\u00f3ria de Elis, abordando logo em seu primeiro ato a partida precoce da cantora em 1982, apenas oito anos ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o do disco. A escolha causa estranheza, mas acaba n\u00e3o ofuscando o resultado final, uma vez ainda ter\u00edamos muito das imagens da grava\u00e7\u00e3o do disco ainda a serem trazidas pelo document\u00e1rio. Mesmo que a expectativa pr\u00e9via ao lan\u00e7amento <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/especial-the-beatles-get-back-peter-jackson-fala-sobre-o-mergulho-nas-imagens-ineditas-das-sessoes-do-let-it-be\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">comparasse o filme ao \u201cGet Back\u201d, que Peter Jackson lan\u00e7ou em 2021<\/a>, a proposta de Roberto de Oliveira, aqui, \u00e9 outra. E mesmo que Tom e Elis sejam artistas de um apelo internacional, focar somente no encontro dos dois em est\u00fadio, sem as inser\u00e7\u00f5es de entrevistas e contextualiza\u00e7\u00f5es temporais, talvez n\u00e3o funcionasse como sendo o produto final. Trazer a hist\u00f3ria deles de maneira individual ajuda o filme a criar um di\u00e1logo com novas gera\u00e7\u00f5es, v\u00e1lido salientar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em certo momento, quando vemos a vers\u00e3o de \u201cO Que Tinha de Ser\u201d, cl\u00e1ssico de Tom e Vinicius, Elis canta com tamanha paix\u00e3o que explode de alegria ao termin\u00e1-la, abra\u00e7ando e beijando Jobim em comemora\u00e7\u00e3o pelo \u00eaxito. \u00c9 daqueles momentos que valem todo o filme. Aquele amor puro entre dois g\u00eanios perfeccionistas e que enterra qualquer rumor imbecil de \u00f3dio entre ambos. &#8220;O Tom abra\u00e7ava a Elis e eles ficavam em um amor. Mas aquilo \u00e9 um outro tipo de amor que \u00e0s vezes \u00e9 dif\u00edcil de entender. Isso \u00e9 um outro amor. \u00c9 um amor musical que transcende. Acho que \u00e9 o amor mais puro que tem&#8221;, frisa Paulinho Braga, baterista da banda de Elis e um dos entrevistados do filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 se pode roubar a quem se ama&#8221;, disse Tom parafraseando Stravinsky. Elis roubou de Tom. Tom roubou de Elis. T\u00e1 explicado. Confira nesse papo que o Scream &amp; Yell levou com Roberto de Oliveira um pouco mais sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o de \u201cElis &amp; Tom &#8211; S\u00f3 Tinha de Ser com Voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"ELIS &amp; TOM - SO\u0301 TINHA DE SER COM VOCE\u0302 | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gg2KqW74Cug?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi voltar a esse material captado h\u00e1 quase cinquenta anos? Pesou o fato de estar diante de imagens t\u00e3o \u00fanicas?<\/strong><br \/>\nQuando eu fiz a capta\u00e7\u00e3o desse material l\u00e1 em Los Angeles, em 1974, eu tinha consci\u00eancia que seria um encontro hist\u00f3rico. Portanto, merecia ser registrado. Eu n\u00e3o tinha um plano do que fazer exatamente com o material. Falei: &#8216;vamos registrar! Porque isso \u00e9 ouro puro e, no futuro, a gente vai usar&#8217;. E o tempo que levou para fazer, eu demorei porque n\u00e3o tinha pressa. Porque eu sabia que, quanto mais tempo passasse, mais distanciado a gente ficasse do fato, do encontro, mais f\u00e1cil iria ser para fazer esse filme. E foi o que aconteceu nesses quase cinquenta anos, nos quais eu tive o privil\u00e9gio de participar desde o in\u00edcio, de ser o autor da ideia do encontro e, at\u00e9 hoje, estar contando a hist\u00f3ria. \u00c9 um privil\u00e9gio voc\u00ea poder ter toda essa amplitude de um trabalho. O resultado dele e suas consequ\u00eancias est\u00e3o no filme. Eu sabia que o tempo ia fazer bem ao filme. Por isso que eu n\u00e3o tinha pressa. As carreiras do Tom e da Elis se conclu\u00edram na fase presencial, pois agora eles est\u00e3o em uma outra etapa. N\u00e3o estou falando de nada m\u00edstico ou religioso, estou falando no sentido de que, hoje, as grava\u00e7\u00f5es deles est\u00e3o tendo releituras e um monte de gente nova est\u00e1 ouvindo o \u201cElis &amp; Tom\u201d e ouvindo os dois separadamente. Ent\u00e3o, foi muito bom. As carreiras se conclu\u00edram e o disco tem a sua hist\u00f3ria j\u00e1 meio completa como um disco muito adorado no mundo inteiro. As pessoas gostam muito, principalmente os m\u00fasicos e as pessoas ligadas \u00e0 m\u00fasica. E a\u00ed foi f\u00e1cil fazer o filme porque a hist\u00f3ria j\u00e1 estava meio amarrada, j\u00e1 estava meio fechada. E tamb\u00e9m eu gosto muito de fazer recortes. \u00c9 dif\u00edcil voc\u00ea contar a hist\u00f3ria, falar da carreira da Elis inteira, falar a hist\u00f3ria do Tom inteira. \u00c9 muito dif\u00edcil. Voc\u00ea nunca vai conseguir sintetizar algumas coisas. Agora, quando voc\u00ea pega um recorte de um evento, fica muito mais f\u00e1cil de se contar essa hist\u00f3ria. E eu acho que o resultado do filme, que as pessoas que j\u00e1 assistiram em pr\u00e9-estreias est\u00e3o curtindo, \u00e9 justamente por isso. \u00c9 uma hist\u00f3ria que est\u00e1 l\u00e1 bem resolvida, digamos assim. O tempo ajudou muito. Foi um grande aliado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para mim, um dos momentos do filme no qual ele se define em rela\u00e7\u00e3o ao choque de tens\u00e3o que eventualmente se esvai e a leveza daquele encontro de g\u00eanios \u00e9 quando todos se re\u00fanem para ouvir o disco e os sorrisos s\u00e3o gerais.<\/strong><br \/>\nToda obra de arte tem essa tens\u00e3o, esses momentos de conflito. Isso \u00e9 normal em toda obra coletiva. A euforia que veio depois \u00e9 a partir do momento em que os talentos reconheceram e tudo come\u00e7ou a ficar muito bonito. A montagem veio de um material que era muito fragmentado porque a gente estava l\u00e1 meio como voyeurs dentro do est\u00fadio. Isso porque era um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o de \u00e1udio. Ent\u00e3o, a c\u00e2mera n\u00e3o tinha como se movimentar muito. N\u00e3o podia fazer barulho. Por isso, est\u00e1vamos muito discretos. Quase como clandestinos, sabe? Com imagens roubadas, assim. Mas isso foi muito bom porque o pessoal n\u00e3o percebia a nossa presen\u00e7a, a presen\u00e7a da c\u00e2mera. E ficou muito descontra\u00eddo, muito \u00e0 vontade. Ent\u00e3o, eu acho que isso acabou virando um charme. Ao contr\u00e1rio do \u201cLet it Be\u201d, dos Beatles, que \u00e9 de 1970. L\u00e1, o cinema j\u00e1 estava previsto para dentro do est\u00fadio e que, agora, \u00e9 o \u201cGet Back\u201d, pois fizeram uma nova vers\u00e3o desse material. O nosso, n\u00e3o. No nosso, a gente estava clandestino, l\u00e1. Escondidos l\u00e1 dentro. Mas foi muito bom. Deu para captar mais descontra\u00e7\u00e3o dos participantes e eu acho que funcionou. Agora, o material \u00e9 muito fragmentado. E ele meio que se resolveu na ilha de edi\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o do Jo\u00e3o Valle foi fundamental porque ele teve sacadas que a gente n\u00e3o previa e que apareceram ali na hora. Mudamos o roteiro da edi\u00e7\u00e3o muito em fun\u00e7\u00e3o de escolhas e oportunidades que surgiram ali para fazer. Mas o resumo da hist\u00f3ria, (e o que voc\u00ea falou bem ao citar a euforia no final) realmente, foi muita tens\u00e3o ao in\u00edcio. Mas na hora em que a obra de arte meio que se configurou, n\u00e3o havia mais tens\u00e3o. E isso \u00e9 o poder da m\u00fasica. E o poder da arte. Pessoas em conflito ou contr\u00e1rias com algumas desaven\u00e7as conseguem se conciliar atrav\u00e9s da arte. Isso \u00e9 um exemplo at\u00e9 para um pa\u00eds t\u00e3o dividido como o nosso, atualmente. A arte tem um poder incr\u00edvel de concilia\u00e7\u00e3o e de aproximar as pessoas, deixando como secund\u00e1rio qualquer outro problema que existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea citou o \u201cGet Back\u201d, e eu imagino que existam muitas imagens que n\u00e3o foram utilizadas na montagem final do filme. Voc\u00ea tem planos de um projeto com acesso do p\u00fablico a mais momentos captados?<\/strong><br \/>\nEm 2024, no dia 17 de mar\u00e7o, completa-se cinquenta anos desse encontro. N\u00f3s vamos fazer um evento no Rio e outro em S\u00e3o Paulo. Podemos viajar para outros locais, tamb\u00e9m. Ser\u00e1 uma esp\u00e9cie de dia tem\u00e1tico com muita m\u00fasica. Nesse momento, vamos reproduzir a grava\u00e7\u00e3o ao vivo do show que os dois fizeram ao vivo no Brasil logo depois do encontro. Ent\u00e3o, a gente vai poder ouvir \u201c\u00c1guas de Mar\u00e7o\u201d com aplausos, com p\u00fablico e outras preciosidades. O show tem duas horas e esse evento vai ser em S\u00e3o Paulo, com previs\u00e3o de acontecer no Ibirapuera. No Rio, ser\u00e1 no Jardim Bot\u00e2nico, onde vamos criar espa\u00e7os no meio da mata para as pessoas ficarem ouvindo em looping a esses shows. Vamos trazer uma sonoriza\u00e7\u00e3o espetacular. Tamb\u00e9m a gente pretende lan\u00e7ar esse material no mercado. Eu tenho muita coisa que n\u00e3o usamos no filme. Ainda tem possibilidade de se fazer um spin off disso a\u00ed para uma s\u00e9rie em streaming com mais coisas do que est\u00e1 no filme. Prevemos, tamb\u00e9m, lan\u00e7ar, al\u00e9m de um livro, uma exposi\u00e7\u00e3o imersiva. S\u00e3o exposi\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas que fazem muito sucesso atualmente e s\u00e3o muito baseadas em proje\u00e7\u00f5es. Mas n\u00f3s queremos fazer uma baseada no som, na sonoridade. Porque n\u00f3s gravamos mais ou menos vinte horas de som ambiente, das conversas de est\u00fadio, dos bate-papos e ensaios. Ent\u00e3o, para essa exposi\u00e7\u00e3o, a ideia \u00e9 que tenha um t\u00fanel de cinquenta metros onde, at\u00e9 chegar nas salas onde est\u00e3o as exposi\u00e7\u00f5es, voc\u00ea vai caminhando e ouvindo a conversa deles, usando recurso de alta tecnologia e intelig\u00eancia artificial na separa\u00e7\u00e3o e na prepara\u00e7\u00e3o desses sons. Assim, o p\u00fablico vai poder fazer uma caminhada como se estivesse no est\u00fadio ouvindo a Elis e o Tom conversando. Eu acho que a gente vai conseguir desenvolver mais coisas em torno desse projeto que os f\u00e3s, principalmente, v\u00e3o gostar muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Escapar do formato talking heads em um document\u00e1rio \u00e9 uma tarefa bem dif\u00edcil. Mas com o seu filme, o impacto das imagens \u00e0 \u00e9poca das grava\u00e7\u00f5es do disco acabam por tornar esse formato bem mais atrativo. E h\u00e1, claro, o peso das falas de cada depoimento, algo que, junto com os registros, d\u00e3o ao espectador a oportunidade de um mergulho naquele per\u00edodo. Na montagem final, voc\u00ea passou por algum conflito no intuito de encontrar esse equil\u00edbrio no formato?<\/strong><br \/>\nDe uma maneira, as coisas se complementam. Talvez a linha, a unidade que a gente tenha a unir isso tudo, seja a emo\u00e7\u00e3o. \u00c9 procurar a emo\u00e7\u00e3o. Porque as imagens s\u00e3o antigas. Elas t\u00eam quase cinquenta anos. Mas elas transmitem muita emo\u00e7\u00e3o. Estamos percebendo isso nas sess\u00f5es de pr\u00e9-estreia que fizemos. As pessoas se emocionam. Eu n\u00e3o imaginava que essas imagens t\u00e3o antigas tivessem tanta for\u00e7a. \u00c9 que essa hist\u00f3ria marcou muito. \u00c9 uma hist\u00f3ria muito emotiva at\u00e9 pelo tipo de m\u00fasica. Ent\u00e3o, a emo\u00e7\u00e3o est\u00e1 presente e procuramos o tempo todo manter isso porque \u00e9 dif\u00edcil. Voc\u00ea consegue emo\u00e7\u00e3o na fic\u00e7\u00e3o. \u00c9 mais f\u00e1cil de voc\u00ea trabalhar com esse tema na fic\u00e7\u00e3o. O document\u00e1rio, que \u00e9 mais duro, mais em cima da realidade, \u00e0s vezes \u00e9 mais dif\u00edcil. Mas a gente teve esse resultado da emo\u00e7\u00e3o, que faz tudo ficar muito coerente. A nossa expectativa \u00e9 de que o filme vai ter uma carreira muito boa, principalmente no exterior, onde o Tom Jobim \u00e9 o brasileiro na \u00e1rea cultural mais conhecido. E o filme est\u00e1 participando de v\u00e1rios festivais. Essa semana (entrevista realizada em 05\/09) participou de um festival em Nova York com grande sucesso. Ele estreia em 15 de setembro em Los Angeles. Resolvemos ter a estreia mundial fora do Brasil, come\u00e7ando em Los Angeles, que \u00e9 o lugar onde tudo come\u00e7ou. E a gente espera uma carreira boa nos Estados Unidos e na Europa, principalmente. E estamos sentindo uma procura de todos os lugares do mundo que se pode imaginar. Festival de Seul, Festival na It\u00e1lia, na Noruega, na Espanha. Todo mundo est\u00e1 interessado no filme. Ele estreia no dia 21 de setembro e a gente imagina que vai ser uma maneira de levar a p\u00fablicos novos a oportunidade de conhecer um pouco esses dois grandes artistas e um tipo de m\u00fasica de uma determinada \u00e9poca que, hoje, n\u00e3o se repete. Hoje, m\u00fasica mudou muito. Eu n\u00e3o sou saudosista em achar que mudou para pior, n\u00e3o. Eu acho que est\u00e1 diferente. Hoje, a m\u00fasica \u00e9 mais utilit\u00e1ria. Ela n\u00e3o tem mais esse papel da obra de arte intr\u00ednseca ali. Tentar se criar uma obra de arte. Hoje, se quer usar a m\u00fasica para ela trazer algum resultado em termos de comunica\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea falar com determinados seguimentos. Voc\u00ea expressar sentimentos, emo\u00e7\u00f5es, vender ideias, conquistar adeptos tanto no n\u00edvel religioso como comportamental. A m\u00fasica mudou muito de l\u00e1 para c\u00e1. E eu acho que os jovens v\u00e3o perceber isso e v\u00e3o gostar de conhecer um tipo de m\u00fasica que hoje n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o frequente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea estava presente naqueles momentos, chega a aparecer em uma imagem com uma c\u00e2mera em punho. Queria te perguntar sobre esse sentimento de mergulhar nessa hist\u00f3ria que, tamb\u00e9m, \u00e9 algo pessoal seu, como amigo da Elis. Como \u00e9 esse sentimento ao adentrar nessas imagens no intuito de transmiti-las para o p\u00fablico?<\/strong><br \/>\n\u00c9 muito bom. Eu gosto muito dessa ideia. Eu tenho uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o saudosista com esse conte\u00fado. Sempre fui meio fascinado por preservar. Eu sou um acumulador de imagens de acervo, sabe? Sempre sofro quando vejo um show ao vivo, um evento qualquer e que tem um momento genial que n\u00e3o foi captado. Ent\u00e3o, eu tenho muito material arquivado e tenho uma rela\u00e7\u00e3o com a hist\u00f3ria da m\u00fasica n\u00e3o saudosista, mas no sentido de, realmente, registro. De documentar para que isso fique perene. Mas olho sempre pra frente. Estou pensando nas pessoas que n\u00e3o viram e que precisam ver. E n\u00e3o pode se perder essa oportunidade. Ent\u00e3o, a minha rela\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado hist\u00f3rico n\u00e3o \u00e9 de saudosismo, mas eu penso sempre em fazer coisas novas para novos p\u00fablicos a partir dessas hist\u00f3rias, usando-as como refer\u00eancia. At\u00e9 para estimular as pessoas a fazerem coisas novas sabendo que, l\u00e1 atr\u00e1s, teve gente que j\u00e1 passou por isso e encontrou resultados muito importantes que podem ser usados no futuro. Eu fiz esse filme pensando muito nos jovens de qualquer pa\u00eds do mundo. Por isso que eu meio que contextualizo os dois antes de entrar na hist\u00f3ria do encontro. E pensando no p\u00fablico de fora do Brasil, tamb\u00e9m. Em fun\u00e7\u00e3o dessa abertura que o Tom tem para o exterior, esse filme tem uma chance muito grande de viajar e \u00e9 isso que a gente quer. Mostrar a cultura brasileira e a arte brasileira para o mundo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As falas do Andr\u00e9 Midani s\u00e3o de uma pot\u00eancia incr\u00edvel. Para um diretor, imagino que encontrar esse momento, essa sintonia, estar no lugar certo e na hora certa, seja algo de um peso tremendo. No seu caso, voc\u00ea estava entrevistando pessoas com quem voc\u00ea conviveu.<\/strong><br \/>\nSobre estar no lugar certo e na hora certa, no meu caso, n\u00e3o foi uma coincid\u00eancia. Porque eu que criei esse momento. Eu percebi ali uma oportunidade. E foi uma coisa bem estruturada desde o come\u00e7o. N\u00f3s sab\u00edamos o que \u00edamos fazer. Eu sabia o que eu ia fazer e nunca tive d\u00favida de que era um momento hist\u00f3rico. Que esse encontro dos dois daria um resultado e que, para isso, a gente guardou esse tempo todo. E o fato de eu s\u00f3 fazer agora o filme deu essa possibilidade de ter essa vis\u00e3o mais de um distanciamento de tudo que aconteceu. E o Andr\u00e9 e os coment\u00e1rios todos permitiram que todo mundo pudesse enxergar melhor essa hist\u00f3ria. Porque ela j\u00e1 estava pronta. E, realmente, voc\u00ea citou o Andr\u00e9 e a participa\u00e7\u00e3o dele foi fundamental. Incr\u00edvel. Ele fala coisas muito legais. Um dos caras mais importantes. Acho que ele foi o homem mais importante da ind\u00fastria do disco no Brasil em todos os tempos. E acho que o distanciamento do fato, a dist\u00e2ncia temporal do fato, ajudou todo mundo a entender melhor e explicar melhor essa hist\u00f3ria. O p\u00fablico ganha com isso. O fato de eu estar desde o in\u00edcio, l\u00e1 no come\u00e7o do projeto e, agora, estar contando essa hist\u00f3ria, me permitiu, tamb\u00e9m dar um grau de fidelidade muito forte para tudo que aconteceu. Tudo que est\u00e1 ali \u00e9 real. Eu acompanhei e testemunhei. Ent\u00e3o, isso tudo conta em benef\u00edcio do filme. Eu acho que o filme \u00e9 grande, \u00e9 bom, e est\u00e1 sendo reconhecido em fun\u00e7\u00e3o dessa conjun\u00e7\u00e3o de fatores a\u00ed que, realmente, foi muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme opta por trazer muitas imagens da vida de Elis, abordando sua morte precoce oito anos ap\u00f3s a grava\u00e7\u00e3o do disco. H\u00e1 aquela fala forte do Andr\u00e9 Midani sobre o que ele julgou como um suic\u00eddio da Elis e h\u00e1 as imagens de apresenta\u00e7\u00f5es dela. Como voc\u00ea lidou com essa op\u00e7\u00e3o de focar a narrativa nesse aspecto tr\u00e1gico?<\/strong><br \/>\nA dramaticidade do filme \u00e9 mais voltada em cima da vida da Elis do que na do Tom pela circunst\u00e2ncia da morte dela. Porque \u00e9 o grande paradoxo do filme e dessa hist\u00f3ria dela: o fato dela morrer aos 36 anos no auge do sucesso, da beleza, do talento, tudo certo com ela. E eu fiz quest\u00e3o de contar logo no in\u00edcio para as pessoas que est\u00e3o vendo pela primeira vez essa hist\u00f3ria perceberem isso. Essa hist\u00f3ria da morte da Elis, at\u00e9 hoje, n\u00e3o foi bem aceita. Foi um impacto t\u00e3o grande na popula\u00e7\u00e3o. As pessoas se lembram o que estavam fazendo quando receberam a not\u00edcia, voc\u00ea j\u00e1 deve ter percebido isso. Foi muito semelhante ao desaparecimento da Carmem Miranda, l\u00e1 atr\u00e1s. Teve algumas semelhan\u00e7as porque ela tamb\u00e9m estava no auge do sucesso. E as duas aparecem mortas em imagens. Eu coloquei isso no filme sabendo que ia criar algum impacto, mas eu queria ressaltar esse paradoxo. E at\u00e9 hoje, os contempor\u00e2neos da Elis n\u00e3o aceitam, n\u00e3o conseguem entender o que aconteceu. \u00c9 uma coisa que n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o conseguem entender, (eles) n\u00e3o conseguem aceitar. E esse impacto marcou muito o pa\u00eds todo. E eu acho que tinha que ser comentado no filme. Mas \u00e9 o grande paradoxo. Como uma artista naquele momento, com todos aqueles atributos, desaparece, vai embora? \u00c9 muito triste a hist\u00f3ria dela nesse sentido. E eu acho que o filme tinha que falar disso. E o Andr\u00e9 volta a falar disso no fim, em um outro contexto, j\u00e1 pensando nas causas disso ter acontecido. Mas a gente trata isso, tamb\u00e9m, de maneira sem aprofundar demais, e sem exagerar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O filme aborda esses medos dela, os aspectos de uma certa aspereza de sua personalidade, essa ideia dela n\u00e3o ser uma pessoa de f\u00e1cil conviv\u00eancia. Voc\u00ea que era amigo dela, que conviveu com ela, como voc\u00ea tem essa lembran\u00e7a da Elis?<\/strong><br \/>\nEu acho que a gente conseguiu mostrar um pouco essas contradi\u00e7\u00f5es todas e tudo isso em benef\u00edcio do filme. A Elis era uma pessoa muito doce, ao contr\u00e1rio do que parecia. Na verdade, ela levou muita porrada a vida inteira. Foi muito assediada. Porque ela era uma crian\u00e7a prod\u00edgio. Ela cantava daquele jeito desde pequenininha. Se voc\u00ea procurar no YouTube, tem l\u00e1 uma grava\u00e7\u00e3o dela imitando cantoras da \u00e9poca. E \u00e9 impressionante! Ela devia ter 14 anos. A Elis chamava muito aten\u00e7\u00e3o. Ela era muito assediada. E ela n\u00e3o tinha uma estrutura de prote\u00e7\u00e3o em torno dela, sabe? Ent\u00e3o, a maneira que ela tinha era dar pontap\u00e9, bater, chutar para se defender (risos). E isso a marcou muito. Mas ela era uma pessoa muito doce. T\u00e3o doce como a m\u00fasica dela, como a arte dela, e as pessoas v\u00e3o perceber isso no filme. Acho que o filme conta bem essa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/elis1.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2024, no dia 17 de mar\u00e7o, completa-se cinquenta anos desse encontro. N\u00f3s vamos fazer um evento no Rio e outro em S\u00e3o Paulo. 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