{"id":76884,"date":"2023-09-21T00:01:00","date_gmt":"2023-09-21T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76884"},"modified":"2023-10-26T01:44:02","modified_gmt":"2023-10-26T04:44:02","slug":"relancamento-stop-making-sense-do-talking-heads-permanece-o-melhor-filme-show-de-todos-os-tempos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/21\/relancamento-stop-making-sense-do-talking-heads-permanece-o-melhor-filme-show-de-todos-os-tempos\/","title":{"rendered":"Cinema: \u201cStop Making Sense\u201d permanece o melhor &#8220;filme-show&#8221; de todos os tempos"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76889 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/th2313.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"740\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/th2313.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/th2313-203x300.jpg 203w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\">texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7a com um par de p\u00e9s. Sem que se possa ver a quem pertencem, eles caminham, entre a determina\u00e7\u00e3o e a hesita\u00e7\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o ao centro do palco, sob aplausos. V\u00eam a proposta: \u201cOl\u00e1! Tenho uma fita que gostaria de tocar\u201d, e a figura, que agora sabemos se tratar de um homem, coloca ao lado de si uma boombox com a casualidade de um construtor civil manejando suas ferramentas de trabalho. Do aparelho, passam a soar batidas sintetizadas, e os at\u00e9 ent\u00e3o acanhados p\u00e9s passam a acompanhar o ritmo. Sozinho em um palco vazio, com olhos arregalados que escancaram a dubiedade entre a estranheza calculada e o p\u00e2nico desenfreado, ele \u00e9 a \u00faltima coisa que poderia passar por transgressora, e a forma como toca o viol\u00e3o que traz consigo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente assim de um cantor e compositor de can\u00e7\u00f5es pop como j\u00e1 se viram muito por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E as palavras, ent\u00e3o, come\u00e7am a ser despejadas aos que querem (e sabem) ouvir: uma voz idiossincr\u00e1tica em si entoa versos que intercalam paralelos entre ansiedade social e camas pegando fogo junto com partes em franc\u00eas; o desajustado indiv\u00edduo passa a alternar entre dan\u00e7as quase desconexas e truncadas, como se lutando para desviar a aten\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria inadequa\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 esta mesma. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o precisa entender\u201d? No fim, (quase) todos acabariam entendendo. Logo, o mesmo homem, com um qu\u00ea alien\u00edgena, n\u00e3o estar\u00e1 mais sozinho num palco, que, em tempo, n\u00e3o estar\u00e1 mais vazio. E, ao longo de uma hora e meia, qualquer aparente falta de entrosamento com seu p\u00fablico se transformar\u00e1 num enervante e instigante tipo de intimidade. O terno que veste vai parecer aumentar de tamanho, ou talvez seja o pr\u00f3prio homem que diminua. Um pedestal de microfone, uma guitarra, um par de \u00f3culos, seus v\u00e1rios colegas, um abajur. Fazer sentido, como o espectador v\u00ea, nunca foi o objetivo, e nem os olhos mais atentos s\u00e3o preparados para o que est\u00e3o para testemunhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando os quatro membros do Talking Heads \u2013 o vocalista e guitarrista David Byrne, a baixista e vocalista Tina Weymouth, o baterista Chris Frantz e o guitarrista e tecladista Jerry Harrison, necessariamente nesta ordem \u2013 subiram ao palco do Pantages Theater, em Nova York, ao longo de tr\u00eas noites de dezembro de 1983 sob as c\u00e2meras e o olhar atento do diretor Jonathan Demme, e amparados por um time de cinco outros m\u00fasicos, ningu\u00e9m imaginaria estar fazendo hist\u00f3ria. Mesmo depois de lan\u00e7ado, o resultante projeto filme-disco n\u00e3o deveria aparentar muito mais do que um ambicioso del\u00edrio, fruto da mente de um compositor que fez da inquieta\u00e7\u00e3o seu ganha-p\u00e3o. Quase quatro d\u00e9cadas depois de visto pela primeira vez nos cinemas, \u201cStop Making Sense\u201d \u00e9, neste setembro de 2023, relan\u00e7ado ap\u00f3s uma cuidadosa remasteriza\u00e7\u00e3o da produtora A24, e exibido em diversos cinemas IMAX ao redor do mundo. Mais do que oferecer novas possibilidades de imers\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e vir acompanhado de uma nova vers\u00e3o do disco (que, assim como o novo corte do longa, tamb\u00e9m conta com faixas n\u00e3o inclu\u00eddas originalmente), a ocasi\u00e3o tamb\u00e9m marcou o reencontro dos quatro integrantes da banda, que se desintegrou em 1991 e que se reuniu pela \u00faltima vez em 2002, quando foram inclu\u00eddos no Rock &amp; Roll Hall of Fame.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Talking Heads perform &quot;Life During Wartime&quot; at the 2002 Rock &amp; Roll Hall of Fame Induction Ceremony\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bBr0FJsDk1g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 f\u00e1cil pensar no Talking Heads como o \u00edcone multi-influente que a banda se tornou depois de sua dissolu\u00e7\u00e3o e se esquecer que, em 1983, os quatro j\u00e1 eram considerados um ponto bastante fora da curva. Divulgando o disco que melhor escancarava seu flerte com o pop contempor\u00e2neo at\u00e9 aquele momento, \u201cSpeaking In Tongues\u201d (do mesmo ano), a banda vinha de sucessivos lan\u00e7amentos anteriores sob a batuta do produtor e colaborador Brian Eno, num per\u00edodo no qual fundiram o nervoso art-punk com o qual tomavam de assalto o clube CBGB com refinamentos r\u00edtmicos pesadamente influenciados pelo afrobeat de Fela Kuti, embalado em letras dada\u00edstas e reflex\u00f5es profundas demais sobre quest\u00f5es e elementos mundanos demais (n\u00e3o s\u00e3o todos que conseguem igualar o amor a um pr\u00e9dio em chamas e fazer o m\u00ednimo de sentido). Em 1980, haviam lan\u00e7ado o cl\u00e1ssico-entre-cl\u00e1ssicos \u201c<a href=\"https:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/04\/05\/thom-yorke-e-o-radiohead\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Remain In Light<\/a>\u201d, com o qual chegaram \u00e0 MTV e que os fez passar a excursionar com uma banda expandida, a fim de conseguir reproduzir os arranjos feitos em est\u00fadio com fidelidade ao mesmo tempo que podiam expandir os limites das grava\u00e7\u00f5es originais. Em outras palavras: em 1983, o Talking Heads n\u00e3o apenas era uma banda importante; com o fim do The Clash e a implos\u00e3o do Police, eles talvez tenham se tornado a banda que mais importava, sen\u00e3o a \u00fanica que verdadeiramente importava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se de um clich\u00ea entre os f\u00e3s da banda dizer que muitas das vers\u00f5es ao vivo contidas em \u201cStop Making Sense\u201d se tornaram os registros definitivos das respectivas can\u00e7\u00f5es, e isso n\u00e3o poderia estar mais correto. Para al\u00e9m da supracitada \u201cPsycho Killer\u201d, muitas das m\u00fasicas interpretadas superam suas contrapartes de can\u00e7\u00f5es, e basta comparar \u201cSlippery People\u201d e \u201cLife During Wartime\u201d (de \u201cSpeaking\u201d e \u201cFear of Music\u201d, respectivamente) com suas primeiras grava\u00e7\u00f5es para entender isso. \u201cOnce In A Lifetime\u201d, uma das mais nervosas e peculiares can\u00e7\u00f5es de um cat\u00e1logo repleto destas, ganha em intensidade e mostra David Byrne se entregando completamente ao personagem que encarna na grava\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Talking Heads - Burning Down The House (Stop Making Sense 84) [4K]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dzzyQpfHaKs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 \u00f3bvia a import\u00e2ncia de assistir ao filme para que se tenha melhor entendimento da magnitude da performance, da gradual adi\u00e7\u00e3o de pessoas e efeitos a apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0s eletrizantes participa\u00e7\u00f5es dos membros convidados, que incluem Bernie Worrell (ex-tecladista do Parliament-Funkadelic), o percussionista Steve Scales e as backing vocals Ednah Holt e Lynn Mabry. As duas \u00faltimas brilham, tanto na pel\u00edcula quanto no disco, na maluca performance de \u201cGenius of Love\u201d, do projeto Tom Tom Club \u2013 formado pelo casal Weymouth e Frantz no in\u00edcio da d\u00e9cada \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 a \u00fanica na qual o frontman n\u00e3o participa. Ao mesmo tempo que impressiona pela seguran\u00e7a e pela simpatia (especialmente por parte da baixista, que traz em seus vocais uma leveza que quebra com a seriedade e a ambiguidade do restante do show), n\u00e3o \u00e9 como se faltassem momentos para Byrne brilhar. Seja nas agitadas \u201cBurning Down the House\u201d e \u201cMaking Flippy Floppy\u201d, ou na delicadeza de \u201cHeaven\u201d, ou na j\u00e1 citada \u201cOnce In A Lifetime\u201d o fato \u00e9 que o vocalista assume um papel determinante, simbolizado por suas intera\u00e7\u00f5es em cena, ora por meio dos sim\u00e9tricos movimentos do pr\u00f3prio corpo, ora em quase-coreografias com seus companheiros, e, ocasionalmente, tamb\u00e9m com diferentes objetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desses momentos, dois indubitavelmente se destacam: o abajur com o qual Byrne parece dan\u00e7ar sem que nunca o deixe tocar no ch\u00e3o vem a mente de 10 a cada 10 pessoas ao escutarem a dulc\u00edssima \u201cThis Must Be The Place (Naive Melody)\u201d, na qual o parco equil\u00edbrio do item decorativo pode funcionar como uma met\u00e1fora para a corda bamba na qual o cantor caminha, se abrindo ao seu p\u00fablico somente o indispens\u00e1vel para que todos possam v\u00ea-lo como o sujeito estranho que canta sobre descobrir o amor como fala de encontrar um lugar novo para morar. \u00c9 ao mesmo tempo o mais d\u00fabio e mais sincero momento de todo o filme.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E dubiedade \u00e9 o que n\u00e3o falta ao segundo dos pontos mais importantes do concerto: sim, o terno muitos n\u00fameros maior que o vocalista veste conforme a apresenta\u00e7\u00e3o se encaminha para o fim \u00e9 n\u00e3o apenas o signo mais associado a \u201cStop Making Sense\u201d, como tamb\u00e9m \u00e9 atualmente tido como um momento ic\u00f4nico da hist\u00f3ria do cinema. De acordo com Byrne, a concep\u00e7\u00e3o da vestimenta foi muito influenciada pelo kimonos da vertente de teatro Noh, que ele pr\u00f3prio havia visto em algumas apresenta\u00e7\u00f5es no Jap\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o do adere\u00e7o, durante a can\u00e7\u00e3o \u201cGirlfriend Is Better\u201d (que inclusive empresta, em sua letra, o t\u00edtulo do longa), se tornou marca registrada do cantor, e passaria a ser referenciada m\u00faltiplas vezes em entrevistas ao longo dos anos seguintes, ainda que nunca mais utilizada de novo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Talking Heads - Stop Making Sense 2023 Official Trailer\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BwuQtdb4guo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale citar tamb\u00e9m que a restaura\u00e7\u00e3o da A24, que adapta o filme para a resolu\u00e7\u00e3o 4K, ainda resgata dois n\u00fameros omitidos das edi\u00e7\u00f5es em DVD e Blu-Ray, e encontrada somente no lan\u00e7amento original em home video: a dobradinha \u201cBig Business\u201d\/\u201cI Zimbra\u201d. A primeira, pin\u00e7ada da trilha sonora feita por Byrne para o projeto de dan\u00e7a \u201cThe Catherine Wheel\u201d, de Twyla Tharp (assim como \u201cWhat A Day It Was\u201d, essa presente na vers\u00e3o mais conhecida do \u00e1lbum\/filme), ganha em peso e dinamismo na interpreta\u00e7\u00e3o do grupo principal do vocalista, enquanto a segunda, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/01\/01\/esse-voce-precisa-ouvir-fear-of-music-talking-heads\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que abre \u201cFear of Music\u201d<\/a> (1979), \u00e9 um plano de v\u00f4o das experi\u00eancias com polirritmia e repeti\u00e7\u00f5es oriundas da m\u00fasica nigeriana da qual os quatro, na \u00e9poca, j\u00e1 eram f\u00e3s declarados. A jun\u00e7\u00e3o das duas can\u00e7\u00f5es faz jus a reputa\u00e7\u00e3o do grupo como os descobridores do elo perdido entre a m\u00fasica pop dan\u00e7ante e disserta\u00e7\u00f5es cerebrais sobre a sociedade, fossem essas digress\u00f5es expl\u00edcitas desde seu t\u00edtulo (\u201cBusiness\u201d) ou quase intranspon\u00edveis por excel\u00eancia (\u201cZimbra\u201d, adaptada de um poema do dada\u00edsta Hugo Ball). N\u00e3o \u00e0 toa, foi mais ou menos nesta \u00e9poca que o jornal The New York Times cravou Byrne como \u201co rockstar para o homem pensante\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do terno e das coreografias, trata-se de um estigma associado n\u00e3o s\u00f3 ao frontman, bem como \u00e0 sua banda pelos muitos anos seguintes. Apesar de n\u00e3o eclipsarem a reputa\u00e7\u00e3o do Talking Heads, Tina Weymouth e Chris Frantz alcan\u00e7aram o status de inovadores ao mesclarem suas pretens\u00f5es, t\u00edpicas de estudantes de arte, com o ent\u00e3o crescente movimento hip-hop. Jerry Harrison, por sua vez, se contentou em permanecer na posi\u00e7\u00e3o de produtor (tendo trabalhado com nomes que v\u00e3o do No Doubt ao Crash Test Dummies). David Byrne chamou para si a tarefa de superar a si mesmo, e h\u00e1 quem diga que ele chegou perto com seu \u201cAmerican Utopia\u201d (2018), que originou uma lucrativa turn\u00ea (onde todos os membros da extensa banda de Byrne, e inclusive o pr\u00f3prio, atuavam de p\u00e9 por quase todo o espet\u00e1culo, constantemente em movimento e usando ternos no m\u00ednimo muito familiares \u2013 embora nos tamanhos certos) <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2018\/04\/01\/david-byrne-em-belo-horizonte\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que o trouxe ao Brasil<\/a> e ganhou registro de seu curto per\u00edodo na Broadway pelas m\u00e3os de ningu\u00e9m menos do que Spike Lee; o mesmo foi respons\u00e1vel por conduzir a rodada de perguntas e respostas entre o p\u00fablico e os quatro ex-colegas de banda em sua segunda \u201creuni\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um detalhe interessante que pode escapar ao assistir a \u201cStop Making Sense\u201d pela primeira vez \u00e9 que, excetuando um breve momento no in\u00edcio do show, a plat\u00e9ia nunca \u00e9 focalizada pelas c\u00e2meras. Ao longo dos anos, uma das muitas raz\u00f5es para que o filme viesse a se tornar o grande par\u00e2metro em termos de filme-show tem a ver com sua capacidade de imers\u00e3o, algo no qual o Talking Heads j\u00e1 se mostrava mais do que competente; o disco ao vivo \u201cThe Name of This Band Is Talking Heads\u201d, de 1981, j\u00e1 servia como evid\u00eancia do impacto do grupo ao vivo. Ainda que uma men\u00e7\u00e3o honrosa ser necess\u00e1ria para \u201cThe Last Waltz\u201d (onde Martin Scorcese registrou ricamente a badalada \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o da The Band, de 1976), o fato \u00e9 que \u201cStop Making Sense\u201d talvez seja o melhor exemplo de sua categoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A banda deixaria de excursionar ap\u00f3s o filme \u2013 a produ\u00e7\u00e3o serviria como testamento de suas energ\u00e9ticas apresenta\u00e7\u00f5es. Jonathan Demme ganharia um Oscar em 1992 por seu perturbador \u201cO Sil\u00eancio dos Inocentes\u201d, do ano anterior; o diretor faleceu em 2017, e ao que tudo indica, sua aus\u00eancia foi bastante sentida no evento que promovia a nova vers\u00e3o \u2013 ainda que a reuni\u00e3o dos ex-integrantes ainda chame mais aten\u00e7\u00e3o. Mais do que isso, ver os quatro juntos contrasta tanto com a beleza do trabalho que fizeram enquanto em atividade conjunta, quanto com as amargas disputas e trocas de acusa\u00e7\u00f5es que vieram dos dois lados nos \u00faltimos anos. \u00c0 luz de seu legado, o fim da banda como foi realmente n\u00e3o faz muito sentido. Ainda que, mesmo antes de David Byrne subir ao palco nervoso e apertar o \u201cplay\u201d em sua boombox, ou imortalizar uma pe\u00e7a de roupa grande demais, uma coisa j\u00e1 estivesse clara: o grande feito do Talking Heads sempre foi fazer prevalecer o sentido, ainda que aparentemente n\u00e3o exista nenhum \u2013 convidando a dan\u00e7ar e refletir simultaneamente como nenhum outro, antes ou depois.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Stop Making Sense | Official Trailer HD | A24\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-rjMwSTeVeo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/caro.davii\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Davi Caro<\/a>\u00a0\u00e9 professor, tradutor, m\u00fasico, escritor e estudante de Jornalismo<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Tudo come\u00e7a com um par de p\u00e9s. Sem que se possa ver a quem pertencem, eles caminham, entre a determina\u00e7\u00e3o e a hesita\u00e7\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o ao centro do palco, sob aplausos. V\u00eam a proposta: \u201cOl\u00e1! Tenho uma fita que gostaria de tocar\u201d&#8230;.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/09\/21\/relancamento-stop-making-sense-do-talking-heads-permanece-o-melhor-filme-show-de-todos-os-tempos\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":134,"featured_media":76888,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[2708,4751,2709],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76884"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/134"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76884"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76901,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76884\/revisions\/76901"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76888"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}