{"id":76315,"date":"2023-08-08T01:06:33","date_gmt":"2023-08-08T04:06:33","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76315"},"modified":"2023-09-22T00:10:38","modified_gmt":"2023-09-22T03:10:38","slug":"entrevista-prestes-a-lancar-o-livro-life-and-napalm-death-shane-embury-relembra-projetos-historias-fala-da-familia-e-mais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/08\/entrevista-prestes-a-lancar-o-livro-life-and-napalm-death-shane-embury-relembra-projetos-historias-fala-da-familia-e-mais\/","title":{"rendered":"Entrevista: Prestes a lan\u00e7ar o livro \u201cLife?&#8230; And Napalm Death\u201d, Shane Embury relembra projetos, hist\u00f3rias, fala da fam\u00edlia e mais"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o fascinante quanto a m\u00fasica propriamente dita s\u00e3o causos relacionados \u00e0 arte das sete notas, sejam referentes aos artistas, \u00e0s composi\u00e7\u00f5es ou ao meio que os envolve. Imagine, ent\u00e3o, ter nascido em um pequeno vilarejo pr\u00f3ximo a Birmingham, na Inglaterra, cidade que deu origem a nomes como Black Sabbath, Judas Priest e GBH, e encontrar nas sonoridades mais barulhentas uma oportunidade de ganhar a vida e rodar o mundo, bem como conhecer \u00eddolos e estar cercado de amigos que tem visibilidade dentro do rock e suas vertentes mais agressivas. Pois essa \u00e9 a hist\u00f3ria de Shane Embury, baixista do Napalm Death.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, o ingl\u00eas de sotaque acentuado \u00e9 bem mais do que apenas o respons\u00e1vel pelos graves na banda pioneira do grindcore \u2014 algo que, segundo ele mesmo, custou a assimilar. Tal conclus\u00e3o, inclusive, atravessou a cria\u00e7\u00e3o de seu primeiro livro chamado \u201c<a href=\"https:\/\/shanenapalmdeathbook.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Life?&#8230; And Napalm Death<\/a>\u201d, a ser lan\u00e7ado no exterior em outubro: \u201cEsse foi o ponto: tentar descobrir quem eu sou de verdade se n\u00e3o o baixista do Napalm Death o tempo todo. Foi uma pergunta que tive de me fazer e sigo fazendo, de alguma maneira\u201d, pondera o jovem senhor de 55 anos em entrevista exclusiva para o Scream &amp; Yell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Filho, pai, marido e amigo est\u00e3o entre outros papeis desempenhados por Shane para al\u00e9m da atua\u00e7\u00e3o como m\u00fasico. Entendendo que encarna v\u00e1rios personagens, ele percebeu que tinha um rico acervo de situa\u00e7\u00f5es, pessoais e profissionais, para narrar: \u201cEspero que tenha ficado interessante. Tem certa estranheza em fazer algo por mais de 35 anos e perceber que se tem hist\u00f3ria para contar. Voc\u00ea n\u00e3o pensa muito enquanto est\u00e1 fazendo m\u00fasica e viajando. De repente, voc\u00ea d\u00e1 uma respirada e est\u00e1 com 55 anos. Entrei para o Napalm com 19. Tudo simplesmente aconteceu\u201d, avalia Shane.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O papo de quase uma hora, feito por Skype, est\u00e1 dividido em duas partes nesta transcri\u00e7\u00e3o: uma focada no livro e outra na m\u00fasica, embora os assuntos se cruzem durante toda a conversa. Para come\u00e7ar, o veterano dos sons ruidosos explica o porqu\u00ea de um livro neste momento, fala da busca pelo equil\u00edbrio entre a intensidade da lida criativa com a rotina familiar e lembra de companheiros com quem tocou na banda que mudou sua vida. No v\u00eddeo abaixo \u00e9 poss\u00edvel conferir a \u00edntegra do bate-papo!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Interview Shane Embury: life, Napalm Death, family and noise for the music sake\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/if0FWQoCLCA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Geezer Butler, baixista do Black Sabbath, <a href=\"https:\/\/blabbermouth.net\/news\/black-sabbaths-geezer-butler-hated-recording-audio-version-of-his-autobiography-it-was-nerve-racking\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ou sua biografia recentemente<\/a>, chamada \u201cInto The Void: From Birth To Black Sabbath &#8211; And Beyond&#8221;. Ele tem dito que uma das raz\u00f5es para ter escrito a obra \u00e9 que gostaria de contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia. O que te motivou a escrever o livro?<\/strong><br \/>\nQuando me perguntavam sobre fazer um livro eu fazia piadas sobre o assunto. Mas chega a um ponto da vida, principalmente nos \u00faltimos anos, quando se est\u00e1 fazendo m\u00fasica por mais de 30 anos, que voc\u00ea percebe que tem muitas mem\u00f3rias legais. E, ainda, ter crescido onde cresci. O livro fala de diversos assuntos, n\u00e3o apenas do Napalm Death, e isso \u00e9 importante. H\u00e1 muita hist\u00f3ria nas p\u00e1ginas: desde crescer em um vilarejo, entrar na m\u00fasica e a import\u00e2ncia que a fam\u00edlia teve para mim \u2014 eles foram muito encorajadores. Pareceu o momento certo fazer isso agora. A pandemia fez muita gente perder a cabe\u00e7a. Antes, eu nunca tinha estado em casa por mais de algumas semanas em cerca de tr\u00eas d\u00e9cadas. Ent\u00e3o, precisei ficar em casa por uns dois anos, pirando, enlouquecendo minha mulher e tentando balancear as coisas. E ainda tinha as crian\u00e7as. Enfim, tudo junto. Pareceu a hora certa de escrever algo. Voc\u00ea fica meio preocupado que seja interessante para as pessoas lerem, mas o Barney (vocalista do Napalm) comentou: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o precisa encher de hist\u00f3rias bobas\u201d. E h\u00e1 algumas, mas tamb\u00e9m tem conte\u00fado sobre crescer em uma cidade ber\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o industrial que estava em decl\u00ednio. Acho que comentei sobre isso com alguns amigos e eles notaram a import\u00e2ncia da \u00e1rea onde fui criado, que \u00e9 de onde sa\u00edram Black Sabbath, Judas Priest, GBH e muitas outras bandas. \u00c0s vezes, voc\u00ea pensa: \u201cser\u00e1 que sou um produto do meio?\u201d. De alguma maneira, voc\u00ea \u00e9 um pouco. Voc\u00ea, tipo, depende de como quer viver, seus anseios. Ao mesmo tempo, o Napalm me deu a oportunidade de viajar pelo mundo, trocar fitas e conhecer pessoas com quem eu enfrentaria prova\u00e7\u00f5es desde meados dos anos 1980. Depois, conheci ainda muitos amigos, e tocar virou uma carreira, com turn\u00eas incr\u00edveis. O livro foi algo bom de fazer, pois acho que estou no \u00faltimo quarto de s\u00e9culo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea escreveu todos os cap\u00edtulos por conta pr\u00f3pria ou teve ajuda de coescritor?<\/strong><br \/>\nTeve um jornalista amigo que ajudou com algumas coisas, pois para mim \u00e9 muito mais f\u00e1cil falar e ficar divagando. Trata-se de <a href=\"https:\/\/www.loudersound.com\/author\/dave-everley\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dave Everley<\/a>, que escreveu um pouco e entrevistou amigos meus que sabem bastante sobre mim. Ent\u00e3o, tive um coescritor, suponho. Ele meio que fez transcri\u00e7\u00f5es, algo trabalhoso em raz\u00e3o do meu sotaque complicado de entender. Parecia um jeito mais f\u00e1cil de escrever. Eu o encontrava cerca de uma vez por semana, pois penso que precisava de algu\u00e9m me fazendo perguntas. Ao passo que ia me envolvendo com o livro, fiquei um pouco paranoico. Espero que tenha ficado interessante. Tem certa estranheza em fazer algo por mais de 35 anos e perceber que se tem hist\u00f3ria para contar. Voc\u00ea n\u00e3o pensa muito enquanto est\u00e1 fazendo m\u00fasica e viajando. De repente, voc\u00ea d\u00e1 uma respirada, e est\u00e1 com 55 anos. Entrei para o Napalm com 19. Tudo simplesmente aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como foi o processo de escrita? Quanto tempo levou? Como voc\u00ea se organizou, considerando suas tantas bandas \u2014 al\u00e9m da fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\nCome\u00e7amos a nos encontrar aqui (resid\u00eancia de onde Shane responde a entrevista), local que chamo de casa do Napalm. \u00c9 onde, por um bom tempo na carreira da banda, quatro de n\u00f3s moraram, em Birmingham. Eu vivo com a fam\u00edlia em outro lugar, mas Danny (Herrera, baterista do Napalm) segue aqui quando n\u00e3o est\u00e1 na Am\u00e9rica. Faz\u00edamos encontros e ele (Dave Everley) dizia: \u201cqueria falar sobre isso ou aquilo e quais suas lembran\u00e7as disso\u201d. Afinal, \u00e0s vezes voc\u00ea precisa de um impulso para seguir adiante, pois est\u00e1 tocando em shows ou criando m\u00fasica, e a\u00ed fica complicado ajustar os cronogramas. Por\u00e9m, ultimamente, estava apenas levando as crian\u00e7as para a escola. Minha esposa gostou da ideia do livro, mas tamb\u00e9m me olhava com cara de \u201cmeu deus\u201d (risos), o que pode ser chato \u00e0s vezes \u2014 de um jeito bom. Fazer o livro levou cerca de dois anos, pois t\u00ednhamos de encontrar fotos relevantes para o que estava sendo contado. N\u00e3o \u00e9 uma publica\u00e7\u00e3o massivamente longa, mas agora percebo que esqueci situa\u00e7\u00f5es e as deixei de fora. Uso seguido a palavra clich\u00ea, mas sempre quis estar em uma banda, fazer m\u00fasica, e tenho sido sortudo de poder fazer isso. Penso que, seu eu estou nessa, qualquer um pode. Tem ainda o lado da ind\u00fastria, que est\u00e1 sempre mudando, s\u00e3o tempos diferentes. Cometi muitos erros, \u00e9 normal. \u00c9 preciso deixar claro que, quando voc\u00ea toca, o faz de todo o cora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 que tamb\u00e9m \u00e9 preciso estar ciente de que existe a ind\u00fastria l\u00e1 fora e est\u00e1 cheia de tubar\u00f5es, tome cuidado. No fim, me considero um cara de sorte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como essa imers\u00e3o em sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria te afetou?<\/strong><br \/>\nOs \u00faltimos anos foram dif\u00edceis para muitas pessoas. Eu passei por alguns testes, realmente, tentando trabalhar algumas quest\u00f5es. Isso porque tocar m\u00fasica e fazer tantos shows tornaram-se um desafio desde que tenho fam\u00edlia. E esse foi o ponto: tentar descobrir quem eu sou de verdade se n\u00e3o o baixista do Napalm Death o tempo todo. Foi uma quest\u00e3o que tive de me fazer e sigo fazendo, de alguma maneira. Voc\u00ea reconhece que tem uma fam\u00edlia e tenta equilibrar isso. O livro meio que, de certa forma, \u00e9 como se eu estivesse no que chamo de an\u00e1lise com um mentor meu para conversar. \u00c9 como uma an\u00e1lise junguiana, que \u00e9 explorar seus muitos personagens, porque somos diversos personagens. \u00c9 sobre revelar as partes boas, mas tamb\u00e9m as partes n\u00e3o t\u00e3o boas de mim. Eu n\u00e3o sou perfeito. Algumas pessoas que leram o livro disseram que \u00e9 bem honesto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 divers\u00e3o e riso, mesmo que haja isso. Espero que esteja me ajudando a, talvez, fechar um cap\u00edtulo e abrir outro de uma maneira diferente. Eu acho.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-76320\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/shaneboolk.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"721\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/shaneboolk.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/shaneboolk-300x288.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais momentos mais estimados voc\u00ea revisitou enquanto trabalhava na obra?<\/strong><br \/>\nQuando entrei para o Napalm \u00e9ramos jovens e am\u00e1vamos todas as formas de m\u00fasica extrema, costum\u00e1vamos trocar fitas k7 e escrever para gente de fora, como Estados Unidos e Brasil \u2014 tive acesso a bandas como Attomica e Sarc\u00f3fago. Ent\u00e3o, mandava alguns \u00e1lbuns para essas pessoas. A primeira vez que ouvi Sepultura foi em uma fita e achei brilhante. A\u00ed, voc\u00ea come\u00e7a a conhecer essa galera, ficar amigo por meio do poder da m\u00fasica, viajar\u2026 Isso realmente tem significado. A primeira vez que tocamos no Brasil, foi o Sepultura que nos levou, em 1990, mesmo ano em que eles tocaram fora do pa\u00eds pela primeira vez. Eu sabia sobre a banda, mas n\u00e3o conhecia os caras. Nos tornamos bons amigos, e isso \u00e9 uma baita lembran\u00e7a. Voc\u00ea olha para fotos antigas e v\u00ea qu\u00e3o jovem era, \u00e9 muito legal. Outra das minhas lembran\u00e7as favoritas \u00e9 de quando encontrei Dio, meu cantor preferido de heavy metal. Foi quando ele estava ensaiando com o Heaven and Hell, em Birmingham. Ele tinha uma \u00f3tima mem\u00f3ria e falava sobre coisas que pouca gente lembrava. Ent\u00e3o, Dio colocou a m\u00e3o no meu ombro e disse: \u201csabe, eu curto Napalm, n\u00e3o desistam\u201d. Ele falou que realmente nos respeitava por expandir os limites da m\u00fasica ou da m\u00fasica extrema, n\u00e3o recordo bem. Eu estava um pouco inebriado. Sentei e comecei a chorar. Minha esposa estava junto e sorriu, e Dio deu um beijo nela e disse para cuidar de mim. Foi um momento muito especial, pois enquanto crescemos a gente fazia competi\u00e7\u00f5es de bate\u00e7\u00e3o de cabe\u00e7a, por volta dos 10 anos, ouvindo Dio. E, passa para frente uns 20 ou 30 anos, l\u00e1 est\u00e1vamos n\u00f3s conversando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Poderia contar alguma lembran\u00e7a n\u00e3o t\u00e3o boa que teve ao escrever o livro?<\/strong><br \/>\nA carreira no Napalm \u00e9 longa, com muitos \u00e1lbuns. Quando fizemos o quinto disco, \u201cFear, Emptiness, Despair\u201d (1994), como banda, n\u00e3o est\u00e1vamos muito unidos \u00e0 \u00e9poca. Est\u00e1vamos distantes sobre o que quer\u00edamos fazer e havia um pouco de trag\u00e9dia pessoal cercando todo o incidente que foram as grava\u00e7\u00f5es. Creio que, por sermos jovens, isso foi bem triste. Quando se olha para os acontecimentos depois de velho, voc\u00ea se d\u00e1 conta de que provavelmente teria lidado com tudo de maneira diferente, mais madura. \u00c9 isso que parece em retrospectiva. <a href=\"http:\/\/pdrock-sergipe.blogspot.com\/2015\/01\/barney-greenway-uma-entrevista.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Quando nos separamos do Barney por um tempo<\/a>, foi puramente porque n\u00e3o consegu\u00edamos falar um com outro. Se aprende muitas obviedades na vida, e uma delas \u00e9 que situa\u00e7\u00f5es assim s\u00e3o simplesmente comunica\u00e7\u00e3o. Bandas s\u00e3o como relacionamentos em que \u00e9 preciso falar. N\u00e3o se est\u00e1 querendo ofender ningu\u00e9m, apenas falando. Nos anos 1990, eu era bem teimoso, e minha teimosia fazia os outros serem teimosos. A\u00ed n\u00e3o se vai para frente. Quando reflito sobre isso, percebo que poderia ter feito as coisas de maneiras diferentes. Nunca \u00e9 tarde para mudar, e estou tentando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como f\u00e3 de Napalm, gostaria de saber se h\u00e1 men\u00e7\u00e3o a Jesse Pintado (guitarrista que morreu em 2006 por fal\u00eancia do f\u00edgado) no livro?<\/strong><br \/>\nClaro! Nesta mesma casa de onde falo com voc\u00ea, n\u00f3s quatro moramos aqui por um longo per\u00edodo. O quarto do Jesse era bem em cima de onde estou agora. Quando ele entrou para o Napalm, costumava ir at\u00e9 a antiga casa onde eu morava e minha m\u00e3e fazia o jantar. Acredito que foi um grande passo para ele mudar-se para a Inglaterra. Sempre penso sobre isso, se havia alguma outra maneira. Refor\u00e7o que deve ter sido uma mudan\u00e7a e tanto para o Jesse, o Danny e o Mitch virem para a Inglaterra. Eu e Jesse convers\u00e1vamos bastante, em algumas ocasi\u00f5es sobre assuntos tristes. Penso nele bastante, talvez at\u00e9 mais agora do que na \u00e9poca da morte dele. Por passarmos tanto tempo juntos, eu, Jesse, Danny e Mitch nos tornamos irm\u00e3os. Viv\u00edamos na mesma casa, faz\u00edamos festa e tal. No come\u00e7o dos anos 1990 a cena musical de Birmingham era intensa, havia bandas tocando todo o tempo e costum\u00e1vamos ir. Se fosse show do Jane\u2019s Addiction ent\u00e3o, Jesse estaria onde quer que fosse, pois era grande f\u00e3. Nos tornamos muito pr\u00f3ximos. Eu tenho irm\u00e3, mas n\u00e3o irm\u00e3os, ent\u00e3o ficava muito feliz em ter essa liga\u00e7\u00e3o com Jesse. Infelizmente, as coisas ficaram estranhas. Isso est\u00e1 mencionado no livro. Nesta altura da minha vida eu reflito sobre o per\u00edodo com Jesse muito em fun\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica de se estar numa banda. O qu\u00e3o estressante pode ser, a import\u00e2ncia da fam\u00edlia. A situa\u00e7\u00e3o pode virar uma luta em certas ocasi\u00f5es. A intensidade de se tocar m\u00fasica juntos o tempo todo \u00e9 maravilhosa, mas \u00e0s vezes \u00e9 preciso redefinir o que \u00e9 importante para voc\u00ea. Ent\u00e3o, o livro aborda essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O t\u00edtulo do livro \u00e9 \u201cLife?&#8230; And Napalm Death\u201d (Vida?&#8230; E Napalm Death), o que sugere que h\u00e1 o Napalm como centro e o resto da vida, ao menos numa interpreta\u00e7\u00e3o simplista. Seria isso mesmo?<\/strong><br \/>\nTentamos achar um t\u00edtulo que fosse interessante e, claro, h\u00e1 a m\u00fasica \u2018Life?\u2019, do disco \u201cScum\u201d (1987). N\u00e3o sei se \u00e9 poss\u00edvel chamar de ironia em raz\u00e3o do ponto de interroga\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 assim que \u00e9. E, como disse, os \u00faltimos anos foram complicados. Sou casado com a minha esposa, e tamb\u00e9m \u00e9 como se fosse casado com o Napalm. \u00c9 algo estranho de se pensar, mas tornou-se meio que uma batalha. Uma tens\u00e3o para eu tentar encontrar um jeito de descobrir onde acaba o compromisso com a banda e onde come\u00e7a a vida em casa, o que \u00e9 mais importante. N\u00e3o mais importante, mas \u00e9 necess\u00e1rio encontrar prioridades. Por um longo tempo estive enfiado de cabe\u00e7a em fazer m\u00fasica, que \u00e9 algo grandioso para mim. N\u00e3o sinto que negligenciei minha fam\u00edlia, principalmente agora, mas percebo que poderia ter feito diferente. E o livro fala sobre esse balan\u00e7o, de tentar achar o equil\u00edbrio. Quando voc\u00ea trabalha com criatividade, \u00e9 um artista, \u00e9 algo al\u00e9m do que um trabalho normal em hor\u00e1rio comercial. Isso pode te consumir completamente e voc\u00ea fica 24h tentando desligar. \u00c9 terr\u00edvel, \u00e0s vezes. Por exemplo: eu chego a acordar 2h da madrugada e estou mais criativo e ativo. Por\u00e9m, meu filho est\u00e1 do lado. E a\u00ed pela manh\u00e3 tenho de levar ele \u00e0 escola e estou acabado. Meu rel\u00f3gio biol\u00f3gico fica escravo da rotina em turn\u00ea. Acho que o nome do livro \u00e9 bem apropriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea costuma ler bastante? Considera-se um leitor?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o leio mais tanto quanto antes. Tem alguns livros para os quais tento encontrar tempo. Quando conheci minha esposa, decidi aprender japon\u00eas, e me tornei bem pregui\u00e7oso quando ela veio morar na Inglaterra, pois ela fala ingl\u00eas. Por umas seis semanas, estive determinado a aprimorar meu japon\u00eas, mas eu perco muito tempo. Tenho um lance estranho: quando uma frase estranha aparece ou encontro uma palavra em japon\u00eas que tem significado em ingl\u00eas, gosto de pesquisar para ver o que mais se parece com ela. E isso \u00e9 uma baita procrastina\u00e7\u00e3o! Gosto tamb\u00e9m de hist\u00f3ria antiga e religi\u00e3o, e costumava ler mais quando jovem. Bastante fantasia, por exemplo. Tem alguns livros que quero ler, como o do Jaz Coleman (vocalista do Killing Joke), que \u00e9 bem pesado, mas preciso me aprofundar para isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E para seus filhos, costuma ler?<\/strong><br \/>\nSim, fa\u00e7o isso. Minha filha chama-se Izumi, que em japon\u00eas \u00e9 Zubi Chan. Quando meu filho era menor, ele n\u00e3o conseguia falar Izumi, ent\u00e3o chamava a irm\u00e3 de \u2018Bean Chan\u2019. E eu criava hist\u00f3rias com \u2018Bean Chan\u2019 e her\u00f3is sobre duas crian\u00e7as, e tamb\u00e9m envolvia nossos gatos. At\u00e9 pensei em escrever livros para crian\u00e7as, mas s\u00e3o estranhamente bizarras as coisas que pipocam na cabe\u00e7a. Ter filhos \u00e9 algo maravilhoso, pois abre portas que voc\u00ea geralmente n\u00e3o abriria. Eu curtia ler para eles. Lia \u201cThe Moomins\u201d, uma publica\u00e7\u00e3o da Finl\u00e2ndia. Ambos s\u00e3o fluentes em japon\u00eas, ent\u00e3o os dois adoram livros japoneses. Tamb\u00e9m canto para eles, fa\u00e7o isso o tempo inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem escreveu o pref\u00e1cio e o posf\u00e1cio de \u201cLife?&#8230; And Napalm Death\u201d?<\/strong><br \/>\nEu mesmo fiz o pref\u00e1cio. N\u00e3o \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o, mas algo tipo: \u201ctenho arrependimentos? Sim, alguns\u201d. As pessoas at\u00e9 sabem algo sobre mim, mas n\u00e3o sou s\u00f3 partes boas. Espero que o livro me apresente como ser humano, o que \u00e9 bem importante. Isso \u00e9 o que descobri sobre relacionamentos. Sou o baixista do Napalm Death, mas se estou em casa isso n\u00e3o me livra de encrencas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem alguma hist\u00f3ria que voc\u00ea n\u00e3o tenha falado ainda nas redes sociais ou na imprensa que possa contar?<\/strong><br \/>\nTem muitas que vem \u00e0 cabe\u00e7a e que esqueci. Algumas at\u00e9 s\u00e3o mencionadas. Tem uma sobre quando gravamos o primeiro \u00e1lbum do Brujeria (nota: o cl\u00e1ssico \u201cMatando G\u00fceros\u201d, de 1993), que foi uma loucura. H\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o abordei, que n\u00e3o chega a ser uma hist\u00f3ria, mas \u00e9 engra\u00e7ada. Eu e Jesse fomos ver o Alice In Chains em Los Angeles. E o Brujo nos disse que estava gravando e que, se quis\u00e9ssemos estar l\u00e1 na sess\u00e3o, t\u00ednhamos de ir logo. Eu e Jesse j\u00e1 t\u00ednhamos tomado umas cervejas. Dirigimos at\u00e9 o local com algumas cervejas, o que n\u00e3o \u00e9 legal, e meu baixo estava na parte de tr\u00e1s do carro. Chegando ao est\u00fadio, acho que Pinche Peach, comentou: \u201cvoc\u00ea n\u00e3o pode estar b\u00eabado, Shane, pois eu ainda entendo o que voc\u00ea fala\u201d. Todas as grava\u00e7\u00f5es antigas do Brujeria eram doidas, mas essa em particular me marcou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma possibilidade de \u201cLife?&#8230; And Napalm Death\u201d ser lan\u00e7ado no Brasil?<\/strong><br \/>\nAlgumas pessoas fizeram contato. Espero mesmo que seja poss\u00edvel<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Death - Live Corruption [Official FULL LIVE SHOW]\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jpg8rOhMGOE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Shane Embury \u00e9 nome de refer\u00eancia entre quem aprecia barulho e\/ou sonoridades fora do \u00f3bvio, tendo iniciado sua jornada musical como f\u00e3 ainda na d\u00e9cada de 1970. \u00c9 o integrante do Napalm Death h\u00e1 mais tempo na banda (entrou em 1987) e um dos principais compositores atualmente. Ele tamb\u00e9m \u00e9 membro do Brujeria (death\/grind), do Venomous Concept (hardcore\/punk), do Tronos (progressivo), do Lock Up (death\/grind) e do Blood From the Soul (industrial), entre outros. Paralelamente aos grupos, Shane toca o projeto solo eletr\u00f4nico Dark Sky Burial (dark ambient). Multi-instrumentista, \u00e9 capaz de assumir guitarra, baixo, bateria (vide o grind do <a href=\"https:\/\/www.metal-archives.com\/bands\/Unseen_Terror\/8521\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unseen Terror<\/a>) e voz (algo que tem ganhado for\u00e7a ultimamente). O curr\u00edculo do m\u00fasico ingl\u00eas inclui colabora\u00e7\u00f5es com colegas como Buzz Osborne (Melvins), Billy Gould (Faith No More) e a lenda do experimentalismo John Zorn (compositor e saxofonista). Nesta parte da entrevista, Shane repassa sua trajet\u00f3ria na m\u00fasica, desde os primeiros contatos at\u00e9 atualiza\u00e7\u00f5es sobre novos trabalhos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea parece ser um verdadeiro admirador de m\u00fasica, est\u00e1 sempre ouvindo, tocando, mostrando o gosto por algumas bandas por meio de camisetas ou falando sobre som. Na resposta que deu ao meu e-mail com pedido de entrevista, meio que confirmou essa impress\u00e3o, aceitando e dizendo que \u201cteria tempo para fazer o que faz de melhor: criar m\u00fasica e falar sobre isso\u201d. Quais suas mem\u00f3rias mais antigas relacionadas ao tema e por que a m\u00fasica tornou-se t\u00e3o importante em sua vida?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma coisa estranha com o livro, porque eu nunca imaginei ter uma publica\u00e7\u00e3o assim. Parte da ideia, com a obra, era falar sobre onde tudo meio que come\u00e7ou. Tenho 55 anos, cresci durante os anos 1970. Meu pai era do ex\u00e9rcito, gostava de bandas de metais, algo que passei a apreciar anos depois por quest\u00f5es de orquestra\u00e7\u00e3o, presumo. Mas minha m\u00e3e era f\u00e3 de Beatles, Brownstone e artistas do tipo. Ent\u00e3o, o r\u00e1dio estava sempre ligado. T\u00ednhamos o Top of the Pops, programa semanal popular de m\u00fasica. N\u00e3o assisto televis\u00e3o, logo n\u00e3o sei dizer se ainda existe agora (nota: deixou de existir em 2006). Bom, eu tinha uns cinco ou seis anos, a m\u00fasica tema dessa atra\u00e7\u00e3o era o riff de guitarra de \u2018Whole Lotta Love\u2019, do Led Zeppelin (Shane solfeja o trecho da faixa em quest\u00e3o). Aquilo soava bom demais, e meio que despertou minha aten\u00e7\u00e3o para a guitarra. Para completar, o Slade \u00e9 de perto de onde eu venho, que \u00e9 Birmingham. Eles se vestiam como loucos, tinham guitarras estranhas, era incr\u00edvel! Eu curtia muito! E isso meio que me atraiu para o rock, o pop rock, essas bandas. Havia as guitarras pesadas, mas tamb\u00e9m os refr\u00e3es. Eles estavam nas paradas. Foi o meu come\u00e7o, acho. Minhas av\u00f3 e m\u00e3e costumavam comprar discos para mim e foi da\u00ed para diante. Ent\u00e3o, a jornada come\u00e7ou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E sobre os estilos mais extremos, como punk e metal: como virou apreciador?<\/strong><br \/>\nConforme \u00edamos passando pelos anos 1970, veio a disco music. Eu meio que curtia um pouco, mas era mais chegado em m\u00fasicas estranhas. Tamb\u00e9m gostava de filme de fic\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o gravava algumas coisas da TV. Venho de um pequeno vilarejo, e creio que, por volta de 1979, havia apenas eu e alguns poucos amigos que curtiam som. Fiquei amigo de um cara chamado Mitch, que era de Birmingham, mas se mudou para onde eu morava, e a gente gostava de heavy rock tipo Deep Purple. A\u00ed, comecei a me interessar por Black Sabbath e Judas Priest. Existia um clube de colecionadores de discos em que se podia encomendar \u00e1lbuns, e isso ajudou a entrar nesse caminho. Era tipo: \u201co que \u00e9 esse \u201cNever Say Die\u201d? (Black Sabbath) ou \u201cJailbreak\u201d (Thin Lizzy)?\u201d. Meus amigos preferiam seguir onde estavam, mas o meio-irm\u00e3o do Mitch j\u00e1 estava ligado em punk e tudo foi se transformando. Olh\u00e1vamos as revistas com fotos do Venon e pens\u00e1vamos: \u201cquem s\u00e3o esses doidos?\u201d. Eles soavam pesados, falavam sobre magia negra \u2014 o que era muito legal para um f\u00e3 de filmes de horror \u2014, e isso foi me atraindo. Tinha outro cara que curtia punk, e ele disse que se eu gostava de Venon tamb\u00e9m ia gostar de Discharge, Exploited, pois eram doideiras. E foi o que aconteceu, tudo come\u00e7ou a se misturar, e eu queria m\u00fasicas cada vez mais loucas. Amava Sabbath e Priest, mas quando ouvi Venon, pensei: \u201c\u00e9 isso!\u201d. A\u00ed, come\u00e7ou a aparecer Slayer, Metallica, Exodus e outras bandas iradas, ao mesmo tempo em que eu curtia Discharge, Exploited e GBH. Foi tudo fluindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembra-se quando se deu conta de que tinha de ser m\u00fasico?<\/strong><br \/>\nMuito novo, de certa maneira. \u00c9 clich\u00e9, mas possivelmente antes de ir para a pr\u00e9-escola. Um pouco mais velho, na real. Eu amava bandas como Slade e Sweet. Lembro principalmente das baterias, mesmo eu sendo fissurado em guitarras. Costumava alinhar os baldes da minha v\u00f3 e ficar batendo \u2014 isso por volta dos seis ou sete anos. Queria ter uma banda e ser como aquelas pessoas doidas fazendo som alto. Minha m\u00e3e e minha av\u00f3 diziam: \u201cum dia, quem sabe?\u201d. Foi assim que passei pela escola. Durante meus tempos de estudantes, perguntavam para mim o que ia fazer da vida e eu dizia que estaria em uma banda. As pessoas riam de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais caracter\u00edsticas do rock te chamaram aten\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nTudo era alto! Nomes como Slade e Sweet eram meio glam, mas as guitarras tinham formatos irados. Tudo parecia maior que a vida! Quando voc\u00ea \u00e9 de uma vila pequena, isso vai soar clich\u00e9 novamente, e seus pais trabalham em hor\u00e1rio comercial batalhando por grana, voc\u00ea se agarra nessas vibra\u00e7\u00f5es. Quando algo aparece, te leva para fora do mundo deles (pais). Mesmo que s\u00f3 por um tempo \u00e9 barulhento e pesado. Poderia ser filmes de terror ou sci-fi, que eram fantasias escapistas para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea escreve bastante para as tantas bandas em que toca, mas n\u00e3o costuma cantar. S\u00f3 que recentemente assumiu o papel de vocalista principal na faixa \u2018Fractured\u2019, do Venomous Concept \u2014 algo que fez nos anos 1990 em \u2018Inside the Torn Apart\u2019, do Napalm. \u00c9 uma ideia sua cantar mais?<\/strong><br \/>\nFiz um projeto com o produtor Russ Russel chamado Tronos, em que fa\u00e7o todos os vocais. N\u00e3o era minha inten\u00e7\u00e3o, mas simplesmente n\u00e3o encontrei vocalista dispon\u00edvel. Ent\u00e3o comecei a imitar pessoas que admiro, de algum jeito. E comecei a progredir, fui melhorando. Em \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/10\/28\/entrevista-mark-barney-greenway-fala-do-novo-disco-do-napalm-death\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Throes of Joy in the Jaws of Defeatism<\/a>\u201d, mais recente \u00e1lbum de est\u00fadio do Napalm, eu canto na faixa \u2018Amoral\u2019 tamb\u00e9m. Nunca foi meu objetivo, mas rolou. Em \u2018Fractured\u2019, quando est\u00e1vamos fazendo o \u00e1lbum \u201cThe Good Ship Lollipop\u201d (2023), Kevin (Sharp, vocalista) n\u00e3o estava confort\u00e1vel com a parte mel\u00f3dica. Eu estava imaginando algo \u00e0 la H\u00fcsker D\u00fc, Trail of Dead, e tentei dessa forma. Tamb\u00e9m acabei recentemente o \u00e1lbum de um novo projeto para o qual ainda n\u00e3o tenho nome. Fiz todos os vocais nele. \u00c9 bem diferente de provavelmente tudo que j\u00e1 fiz. N\u00e3o sei como descrever, mas tem elementos do come\u00e7o do som industrial e weird pop, com sintetizadores. Estou bem feliz com esse registro. Liricamente, remete a esses \u00faltimos anos, bem sombrio em alguns momentos. Minha m\u00e3e faleceu em 2022 e isso me afetou muito, me deixou mal \u2014 \u00e9 o que a morte faz. Enfim, eu gosto de cantar. Se voc\u00ea canta para seus filhos \u00e9 uma boa maneira de praticar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea listou nas redes sociais recentemente <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/shanenapalm\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">suas 10 faixas preferidas do Napalm<\/a>. Gostaria de elencar algumas das minhas e ver o que voc\u00ea pode falar sobre elas. Vamos come\u00e7ar por \u2018Evolved as One\u2019:<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 bem interessante, pois sempre fomos f\u00e3s dos primeiros \u00e1lbuns do Swans e de todo tipo de m\u00fasica industrial. Essa m\u00fasica surgiu espontaneamente, n\u00e3o estava planejada para entrar no \u201cFrom Enslavement to Obliteration\u201d (1988). Nos sentamos e rolou. Acho que foi Bill (Steer, guitarrista nos dois primeiros \u00e1lbuns completos do Napalm Death), um grande f\u00e3 do Swans. Mick (Harris, baterista do Napalm entre 1985 e 1991) faz vocal tamb\u00e9m. Algo legal \u00e9 que a faixa \u00e9 bem diferente do resto do disco, que \u00e9 bem fren\u00e9tico. As pessoas esperam que o Napalm comece acelerado, mas n\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Death - Evolved As One (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/LjjfSESoC4s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra: \u2018Cursed to Crawl\u2019:<\/strong><br \/>\nNessa eu canto nos versos. A ideia inicial n\u00e3o saiu como eu gostaria. Sou grande f\u00e3 da banda inglesa Slab, que tinha um som chamado \u2018<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ULPiv8sv-bs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Flirt<\/a>\u2019, do disco \u201cDescension\u201d (1987). E \u2018Cursed to Crawl\u2019 era minha tentativa de uma m\u00fasica como essa, mas n\u00e3o conseguimos tanta sujeira \u2014 algo que, ao longo dos anos, fui aprimorando. H\u00e1 caracter\u00edsticas de algumas bandas que sempre quis usar no Napalm. Alguns f\u00e3s gostaram, outros ficaram confusos sobre o que a banda estava tentando fazer. Com os trabalhos que lan\u00e7amos na segunda metade dos anos 1990, algumas pessoas pensaram que est\u00e1vamos tentando nos vender. Mas isso seria fazer a mesma coisa de sempre.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Death - Cursed to Crawl (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/tjE8ZAMzNPo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018The Infiltrator\u2019:<\/strong><br \/>\nFaixa que estamos tocando ao vivo agora. N\u00e3o a execut\u00e1vamos h\u00e1 um bom tempo. Tem momentos \u201cMass Appeal Madness\u201d (1991) e de \u2018Suffer the Children\u2019. \u00c9 direta, acelerada. Acredito que quando Barney escreveu a letra \u2014 assim como eu, ele tende brincar com as palavras \u2014 deve ter pensado que era um bom nome porque ele \u00e9 f\u00e3 da banda Massacre (Fl\u00f3rida), que tem uma faixa chamada \u2018The Traitor\u2019. Nunca perguntei para ele, mas tenho essa impress\u00e3o. Quando tocamos, o pessoal responde diretamente. Ela faz o que tem de fazer.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Infiltrator\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/bs8om_Z5rtY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u2018Cure for the Common Complain\u2019<\/strong><br \/>\nAcho que essa nunca rolou ao vivo. \u00c9 algo que pode mudar, porque o guitarrista John Cooke (com o Napalm desde 2014) j\u00e1 manifestou a vontade de tocar esse som. Acho que eu e Mitch a escrevemos juntos, algo que \u00e9 sempre interessante. Nem sempre, mas acontecia de o Mitch pensar em um in\u00edcio legal, mas n\u00e3o ir adiante. E eu dava seguimento. Eu e Mitch \u00e9ramos melhores amigos, mas tamb\u00e9m competitivos um com o outro. \u00c9 sempre desafiador completar a composi\u00e7\u00e3o de outra pessoa. N\u00e3o finalizar, mas acrescentar. Essa \u00e9 um exemplo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cure for the Common Complaint\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lzmh4DsrPrU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei que n\u00e3o \u00e9 do Napalm, mas por que escolheram tocar \u2018Nazi Punks Fuck Off!\u2019, do Dead Kennedys?<\/strong><br \/>\nSe n\u00e3o me engano, em um anivers\u00e1rio da gravadora <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/11\/24\/entrevista-jello-biafra-ex-vocal-do-dead-kennedys-fala-sobre-lembrancas-do-brasil-tretas-e-postura-punk\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alternative Tentacles (do Jello Biafra)<\/a>, Billy Gould (Faith No More), um grande amigo\u2026 N\u00e3o tenho certeza se ele escolheu a faixa ou o Jello. Mas fomos convidados a fazer uma releitura, por v\u00e1rias raz\u00f5es. Por exemplo: fizemos shows em que encontramos skinheads de extrema direita. N\u00e3o mais ultimamente, mas no come\u00e7o dos anos 1990 rolaram problemas. Somos conhecidos por sermos reativos a esse tipo de gente. A sugest\u00e3o deve ser porque adoramos Dead Kennedys, e demos o nosso melhor na releitura. N\u00e3o sei se muitos sabem, mas nossa vers\u00e3o \u2014 a do DK \u00e9 bem curta \u2014 tem parte meio tribal no come\u00e7o, mais cadenciada. E a raz\u00e3o para isso \u00e9 que eu, Mitch e Jesse amamos \u2018Mountain\u2019, do Jane\u2019s Addiction. Pegamos a batida, desaceleramos o riff e usamos em \u2018Nazi Punks Fuck Off. Essa virou a nossa vers\u00e3o. Em raz\u00e3o da mensagem positiva, adotamos essa faixa para sempre tocar no show desde a d\u00e9cada de 1990. Acho que a faixa foi lan\u00e7ada em um sete polegadas beneficente para problemas que assolavam a \u00c1frica na \u00e9poca.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Napalm Death - Nazi Punks Fuck Off (Dead Kennedys cover) (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TdkdR92a7dU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Com Mitch (Harris, que esteve desde 1990 no Napalm), qual rela\u00e7\u00e3o atualmente? Ele segue na banda? Ou continua contribuindo com novas composi\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\nQuando eventualmente come\u00e7armos a trabalhar em novas m\u00fasicas do Napalm, para as quais tenho v\u00e1rias ideias, Mitch n\u00e3o vai contribuir. Ele n\u00e3o est\u00e1 mais na banda, pois decidiu ir morar nos Estados Unidos e concentrar-se em outras coisas na vida. Mantemos contato, ele mora em Las Vegas, de onde \u00e9. \u00c0s vezes n\u00e3o nos falamos por semanas, at\u00e9 por um m\u00eas, e quando trocamos mensagens \u00e9 como se a \u00faltima vez tivesse sido ontem. Temos um profundo entendimento daquilo que passamos juntos, e ele diz isso para mim. Se ele ficar acordado at\u00e9 mais tarde com algumas cervejas lembrando do passado, vai fazer contato. Tivemos uma vida louca. Vamos ver o que acontece no futuro. N\u00e3o sabemos quantos anos temos pela frente. Sou amigo de todo mundo que passou pelo Napalm: Nik Bullen (baixista e vocalista no lado A do debut \u201cScum\u201d), Lee Dorrian (vocalista de 1987 a 1989), Bill Steer (guitarrista entre 1987 e 1989), Mick Harris\u2026 Vejo o Mick de vez em quando, e ele \u00e9 maluco, no bom sentido. Recentemente confraternizei com Nik, que \u00e9 fundador do Napalm. Fomos ver o Melvins e foi muito bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que est\u00e1 rolando com suas bandas no momento?<\/strong><br \/>\nDark Sky Burial\u2026 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/16\/entrevista-shane-embury-napalm-death-apresenta-seu-novo-projeto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">eu sempre quis fazer som eletr\u00f4nico<\/a>, mas ia deixando de lado. Quando a pandemia come\u00e7ou, eu precisava de algo para me acalmar. Ent\u00e3o, finalmente fiz o projeto, que \u00e9 meio terap\u00eautico. \u00c9 tipo m\u00fasica estranha de horror. Em tr\u00eas anos j\u00e1 tenho sete \u00e1lbuns no Bandcamp. Devo estar trabalhando em outro logo e espero fazer shows aqui e ali. Apresenta\u00e7\u00f5es mais experimentais, de tempos em tempos. Tamb\u00e9m quero lan\u00e7ar vinis do projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sobre o <a href=\"https:\/\/www.bloodfromthesoul.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blood From the Soul<\/a>, o Dirk (Verbeuren, baterista do Megadeth), antes mesmo de entrar para o Megadeth, me dizia para fazer um segundo \u00e1lbum, e eu n\u00e3o sabia o que responder. Lembro tamb\u00e9m que o Jacob (Bannon, vocalista do Converge) curtia a banda. Por meio deles, fizemos o segundo disco. Vou encontrar o Dirk em algumas semanas e vamos conversar sobre um terceiro registro. Ele \u00e9 um baterista sensacional, inventa, sei l\u00e1, umas 10 m\u00fasicas e manda para mim, o que \u00e9 um desafio. \u00c9 diferente de eu apenas tocando um riff, e ele bateria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/venomousconceptofficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Venomous Concept<\/a> lan\u00e7amos um \u00e1lbum h\u00e1 pouco e vamos tocar uns shows na Inglaterra em janeiro. Espero estar em outros, quando as agendas permitiram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <a href=\"https:\/\/listenable-records.bandcamp.com\/album\/the-dregs-of-hades-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lock Up<\/a> fez o primeiro show em muito tempo recentemente, na Dinamarca. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/brujeria_oficial\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brujeria<\/a> tem um novo disco com lan\u00e7amento para setembro, finalmente. Gravamos faz um tempo, mas Brujo \u00e9 bem meticuloso sobre o que ele quer. Ele tem a palavra final, assim que \u00e9, n\u00e3o tem problema. Penso que as m\u00fasicas ficaram bem bacanas. O trabalho anterior custou para ser finalizado, e esse novo tem brutalidade \u2014 embora n\u00e3o seja o \u201cMatando Gueros\u201d. Vai te fazer rir, de um jeito bom. Espero estar ao vivo com a banda em breve, pois n\u00e3o vou participar da turn\u00ea que acontecer\u00e1 em breve.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BRUJERIA - Mochado (OFFICIAL VISUALIZER)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/MciM7RtYiXM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"VENOMOUS CONCEPT Live At OBSCENE EXTREME 2016 HD\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cDzVyo9B_50?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"LOCK UP  -  Hell Will Plague The Ruins  Official Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/k5J4-LP4KZU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blood From The Soul &quot;Calcified Youth&quot; (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/EmPSNCZ8gfw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dark Sky Burial &#039;The Vertical Labyrinth&#039; Music Video\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6TzuiC_ZcPM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"NAPALM DEATH - Contagion (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RCKYm2Gw8JA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O papo de quase uma hora, feito por Skype, est\u00e1 dividido em duas partes nesta transcri\u00e7\u00e3o: uma focada no livro e outra na m\u00fasica, embora os assuntos se cruzem durante toda a conversa.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/08\/entrevista-prestes-a-lancar-o-livro-life-and-napalm-death-shane-embury-relembra-projetos-historias-fala-da-familia-e-mais\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":76321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9,3],"tags":[4331,4330,4893],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76315"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76315"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76315\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76376,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76315\/revisions\/76376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76321"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76315"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76315"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76315"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}