{"id":76177,"date":"2023-08-02T00:37:04","date_gmt":"2023-08-02T03:37:04","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76177"},"modified":"2023-09-18T23:01:17","modified_gmt":"2023-09-19T02:01:17","slug":"entrevista-o-diretor-gustavo-mcnair-fala-sobre-moa-raiz-afro-mae-filme-que-aborda-a-vida-do-mestre-de-capoeira-e-compositor-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/02\/entrevista-o-diretor-gustavo-mcnair-fala-sobre-moa-raiz-afro-mae-filme-que-aborda-a-vida-do-mestre-de-capoeira-e-compositor-baiano\/","title":{"rendered":"Entrevista: &#8220;M\u00f4a do Katend\u00ea transformou minha vida&#8221;, diz\u00a0Gustavo McNair, diretor do document\u00e1rio &#8220;M\u00f4a &#8211; Raiz Afro M\u00e3e&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-76179 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Poster-2023_Moa-Raiz-Afro-Mae-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"702\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Poster-2023_Moa-Raiz-Afro-Mae-copiar.jpg 500w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/Poster-2023_Moa-Raiz-Afro-Mae-copiar-214x300.jpg 214w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao iniciarmos um mergulho na hist\u00f3ria do mestre M\u00f4a do Katend\u00ea pela lente do documentarista Gustavo McNair e atrav\u00e9s dos depoimentos do pr\u00f3prio M\u00f4a e das pessoas que o conheceram e aprenderam com ele, \u00e9 percept\u00edvel o fato de que o filme \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mestremoaraizafromae\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M\u00f4a &#8211; Raiz Afro M\u00e3e<\/a>\u201d (2023) n\u00e3o nos faz pensar sobre sua tr\u00e1gica morte em outubro de 2018. N\u00e3o h\u00e1, aqui, uma utiliza\u00e7\u00e3o m\u00f3rbida de tal fato como uma porta de entrada para a audi\u00eancia conhecer aquela rica hist\u00f3ria. Uma vez que a produ\u00e7\u00e3o foi iniciada com o artista ainda vivo e participando ativamente do projeto, o filme acaba servindo como um revisitar de sua estrada art\u00edstica e cultural definindo em sua montagem repleta de interven\u00e7\u00f5es musicais e performances a ilustrar as entrevistas (dentre elas, do pr\u00f3prio M\u00f4a), uma escolha de fazer valer a presen\u00e7a perene do mestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em entrevista ao Scream &amp; Yell, o diretor Gustavo McNair aborda essa ideia consciente de manter seu filme n\u00e3o como algo sobre um pesar, mas, sim, uma celebra\u00e7\u00e3o. &#8220;O filme n\u00e3o poderia nem come\u00e7ar pela morte como algumas pessoas queriam, porque, para muitas pessoas, \u00e9 o fato mais conhecido sobre a trajet\u00f3ria do M\u00f4a, e muito menos terminar com a morte dele, porque a hist\u00f3ria dele n\u00e3o termina ali&#8221;, afirma McNair. Assim, \u201cRaiz Afro M\u00e3e\u201d opta por deixar sua narrativa contar a vida de M\u00f4a pelas pr\u00f3prias palavras dele em vida, e pelas das pessoas que o conheceram, mas sem trazer seu foco para o pesar. Claro que em certos momentos a emo\u00e7\u00e3o se faz presente nos depoimentos e lembramos do fato tr\u00e1gico de seu assassinato. Mas, logo em seguida, o pr\u00f3prio M\u00f4a surge em cena, falando para a c\u00e2mera, fazendo sua presen\u00e7a e seus ensinamentos ainda mais evidentes. &#8220;A inten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 fazer as pessoas sa\u00edrem do filme querendo saber mais, instigadas e interessadas. T\u00ednhamos duas miss\u00f5es. Uma did\u00e1tica, de ensinar quem n\u00e3o sabia o que s\u00e3o esses assuntos, e uma outra de quem j\u00e1 sabia, de acalentar um pouco, e meio que lembrar que o M\u00f4a est\u00e1 presente em v\u00e1rios lugares&#8221;, explica Gustavo, que montou o filme ao lado de Danilo Trombela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascido em 1954, em Salvador, e residente durante muitos anos do bairro do Engenho Velho de Brotas, Romualdo Ros\u00e1rio da Costa, M\u00f4a, teve sua vida permeada pela dedica\u00e7\u00e3o a diversos s\u00edmbolos da cultura da Bahia, sendo eles a capoeira, a dan\u00e7a afro, a m\u00fasica e o afox\u00e9, Fundador do Badau\u00ea, um dos afox\u00e9s mais conhecidos do carnaval baiano, foi durante a segunda metade da d\u00e9cada de 1970 que M\u00f4a popularizou o nome do bloco afro. Antes da funda\u00e7\u00e3o, Badau\u00ea j\u00e1 era o nome de uma can\u00e7\u00e3o composta por ele para o Il\u00ea Aiy\u00ea. Como afox\u00e9 no carnaval, o Badau\u00ea inovou ao misturar o ijex\u00e1 com ritmos como afrobeat, como o reggae e com ritmos caribenhos. Al\u00e9m disso, mesmo sendo um afox\u00e9 representante de uma cultura africana, permitia que toda variedade de etnias e g\u00eaneros desfilasse. Sua cria\u00e7\u00e3o, no Engenho Velho de Brotas, se tornou um s\u00edmbolo cultural e social do bairro e, tamb\u00e9m, de Salvador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u201c<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/mestremoaraizafromae\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raiz Afro M\u00e3e<\/a>\u201d, Gustavo McNair capta, tanto atrav\u00e9s dos depoimentos de nomes importantes ligados a M\u00f4a, como Alberto Pitta, Mestre Pl\u00ednio, Didi Badau\u00ea, Mestre Valdec, Lazzo Matumbi, Gilberto Gil, Letieres Leite, quanto em imagens da regi\u00e3o do Toror\u00f3 e do Engenho Velho de Brotas, um sentimento que se torna latente \u00e0 sua audi\u00eancia, algo que tamb\u00e9m \u00e9 fortalecido pelas performances musicais. Trata-se de uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento a uma Cultura que \u00e9 nossa, brasileira, e que define muito da luta de M\u00f4a dentro da sua arte. &#8220;Salvador \u00e9 um personagem do filme. N\u00e3o tem como n\u00e3o ser. Foi o cen\u00e1rio do crescimento do M\u00f4a. \u00c9 o cen\u00e1rio no qual essas culturas est\u00e3o convivendo&#8221;, define o diretor, e continua: &#8220;O M\u00f4a era um cara conflituoso. Ele tinha um conflito de pertencer a Salvador ao mesmo tempo que ele sai da cidade em um momento que ningu\u00e9m sabe muito bem o porqu\u00ea. Esse \u00e9 um dos mist\u00e9rios. Mas ele acaba saindo de Salvador, mas levando Salvador com ele para todo lugar&#8221;, pontua o realizador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">M\u00f4a do Katend\u00ea viveu e trabalhou levando seu conhecimento cultural a locais como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, bem como na Europa. Deixou seguidores de seus ensinamentos na capoeira e no afox\u00e9 em todos esses lugares. Mas costumava voltar para seu lugar de origem, o Engenho Velho. Na comunidade do Dique Pequeno pretendia construir um espa\u00e7o voltado para transmitir seus ensinamentos na capoeira e na m\u00fasica. Antes de concretizar tais planos, voltou uma \u00faltima vez a Salvador. Infelizmente, foi assassinado no dia seguinte ao primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2018, ap\u00f3s uma discuss\u00e3o em um bar na qual topou com um ignorante apoiador dos ideais da extrema-direita. &#8220;A arte \u00e9 argumento de manuten\u00e7\u00e3o de sociedade, para a gente se manter s\u00e3o no mundo. Ent\u00e3o, o M\u00f4a nos deu muito argumento. Deu muita arma para lutar. Ele morreu fazendo o que ele fazia sempre, que era lutando e defendendo aquilo que ele acreditava e o que ele achava que o Brasil precisava, o que aquela comunidade precisava e o que Salvador precisava&#8221;, afirma Gustavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte do artista traz uma reflex\u00e3o sobre o que \u00e9 esse Brasil da ignor\u00e2ncia, cuja diverg\u00eancia de ideias pode levar ao brutal, \u00e0 viol\u00eancia e \u00e0 morte. O filme \u201cM\u00f4a- Raiz Afro M\u00e3e\u201d, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/playlist?list=PL0c4DtuQPMZpnCS6jbpE6v55F76upXqwV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que tamb\u00e9m batiza o disco p\u00f3stumo do m\u00fasico<\/a>, celebra a sua vida para al\u00e9m desse tr\u00e1gico. Nos faz pensar na uni\u00e3o que essa cultura pode promover, algo para al\u00e9m de diverg\u00eancia e opini\u00f5es pol\u00edticas. &#8220;A gente tem que encontrar novas formas de falar de pol\u00edtica. Acho que at\u00e9 pela recusa que algumas pessoas t\u00eam j\u00e1 de pensar no tema, pessoas que est\u00e3o do outro lado e que n\u00e3o gostam de cultura, os preconceituosos, j\u00e1 t\u00eam uma refuta, mesmo, em ouvir. E eu acho que \u00e9 nosso papel como documentarista, como jornalista, encontrar outras formas de falar sobre pol\u00edtica que toquem as pessoas de outras formas. E que isso permita chegar em pessoas que talvez n\u00e3o deixassem isso chegar se isso viesse em um discurso envernizado de pol\u00edtica, mesmo. M\u00f4a era uma figura pol\u00edtica, mas s\u00f3 que ele n\u00e3o era um ativista em si. Ele fazia pol\u00edtica pela arte, pela educa\u00e7\u00e3o&#8221;, destaca Gustavo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da consciente escolha de n\u00e3o usar o assassinato de M\u00f4a como um ponto de pesar constante de sua narrativa, \u201cRaiz Afro M\u00e3e\u201d constr\u00f3i com muita sensibilidade a figura de seu personagem central e cria uma homenagem bem de acordo com a viv\u00eancia daquele homem e sua continuidade atrav\u00e9s de seus ensinamentos. &#8220;Tivemos muita delicadeza da forma que tratamos da morte dele para n\u00e3o parecer que isso era o fim. Para n\u00e3o explorar isso e para mostrar que n\u00e3o estamos falando da morte, mas, sim, da vida dele. E que a vida dele ainda tem muito respiro, muito g\u00e1s&#8221;, afirma o diretor, e crava: &#8220;A presen\u00e7a do M\u00f4a est\u00e1 l\u00e1, no filme, viva. Os ensinamentos do que ele fala s\u00e3o eternos. Nunca v\u00e3o morrer. Ningu\u00e9m nunca vai matar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim. M\u00f4a vive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo abaixo, Gustavo McNair aprofunda a experi\u00eancia de levar \u00e0s telas a trajet\u00f3ria de M\u00f4a do Katend\u00ea!\u00a0<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M\u00d4A, RAIZ AFRO M\u00c3E | Trailer Oficial\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GmcdzgZL-1Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando eu assisti ao filme, uma coisa que ficou percept\u00edvel para mim foi um aspecto que o diferencia de outros document\u00e1rios p\u00f3stumos \u00e9 o fato de que o personagem central participou ainda em vida da produ\u00e7\u00e3o do filme com depoimentos. Como foi lidar com essa decis\u00e3o de mudan\u00e7a, de quebra narrativa do roteiro do filme para lidar com o fato da morte de M\u00f4a, mas mantendo a obra ainda sobre sua vida e n\u00e3o sobre seu falecimento?<\/strong><br \/>Quando a gente pensou o filme com o M\u00f4a e junto a ele, era para ser um trabalho sobre a vida, sobre todo esse universo cultural que orbitava em volta do M\u00f4a. \u00c9 uma hist\u00f3ria que tem a biografia dele como uma camada. Embaixo, tem uma outra camada que \u00e9 essa que se entrela\u00e7a com a vida dele e que \u00e9 a da ascens\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es negras em Salvador, na Bahia, no Carnaval. Essa tem\u00e1tica dos afox\u00e9s e dos blocos afro, o candombl\u00e9 como pano de fundo, como \u00e9 que isso vai pra rua, como \u00e9 que isso evoluciona a rela\u00e7\u00e3o das pessoas, do p\u00fablico com essa cultura mais origin\u00e1ria. Ent\u00e3o, depois que o M\u00f4a faleceu, ele come\u00e7ou a ser muito conhecido, mais amplamente conhecido nesse lugar de um s\u00edmbolo pol\u00edtico. E a gente teve certeza que o filme tinha que continuar sendo sobre a vida. A gente tinha que manter a vida e devolv\u00ea-lo para quem o conheceu atrav\u00e9s da trag\u00e9dia, devolv\u00ea-lo para o lugar da arte, da vida, da m\u00fasica. Ent\u00e3o, o filme era para ser sobre a vida e continuou sendo sobre a vida depois da morte dele. O fato da morte estar presente \u00e9 como mais um fato da vida dele, da sua biografia. Mas o filme \u00e9 sobre a vida do M\u00f4a. \u00c9 sobre o seu legado. E isso continua. Apesar da presen\u00e7a f\u00edsica dele n\u00e3o estar mais aqui, a obra e os ensinamentos que ele trabalhou a vida inteira, s\u00e3o eternos. A oralidade. Essa cultura passa muito pela oralidade, pela escuta. Ent\u00e3o, o filme j\u00e1 queria contribuir para a dissemina\u00e7\u00e3o da mensagem e do legado de M\u00f4a para a frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembro da sess\u00e3o do filme no Panorama Internacional Coisa de Cinema do ano passado e, no debate ap\u00f3s, voc\u00ea comentou que a indica\u00e7\u00e3o dos nomes das pessoas que serviriam como fontes para falar sobre o M\u00f4a. Como se deu essa escolha, essa mescla dos temas relacionados \u00e0 trajet\u00f3ria do M\u00f4a?<\/strong><br \/>A gente tinha muita responsabilidade na escolha dos nomes. T\u00ednhamos que prestar muita aten\u00e7\u00e3o e ter muito respeito e compromisso com a verdade do M\u00f4a. E com as pessoas que realmente tinham uma rela\u00e7\u00e3o com ele, pois eram elas que podiam contar essa hist\u00f3ria de forma genu\u00edna e com a aprova\u00e7\u00e3o dele. Ent\u00e3o, foi um trabalho meio que de juntar todas as pistas que foram sendo dadas para a gente. O M\u00f4a, quando tivemos essas conversas com ele ap\u00f3s termos decidido fazer o document\u00e1rio l\u00e1 no come\u00e7o de 2018, falou alguns nomes de pessoas que ele gostaria que fossem ouvidas, que eram presen\u00e7as importantes em sua vida. Al\u00e9m dessas, ele trouxe os nomes de pessoas mais pr\u00f3ximas a ele em quem a gente podia confiar, a quem pod\u00edamos nos aproximar. Pessoas como seus filhos, como o mestre Pl\u00ednio, o mestre Valdeck. Pessoas que eram pr\u00f3ximas a ele e que conheciam bem a hist\u00f3ria e em quem ele podia confiar. Ent\u00e3o, n\u00f3s nos aproximamos mais ainda dessas pessoas. E elas acabaram nos indicando outros nomes com quem a gente devia conversar. Todo mundo meio que indicava outras pessoas com quem dever\u00edamos falar. Essa lista de entrevistados foi mudando ao longo de todo processo, desde os quatro anos de produ\u00e7\u00e3o do filme, que ficou parado por causa da pandemia e esperando o edital. Mas foram quatro anos com que a gente ia lendo, pesquisando e vendo que tinha rela\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, essa lista foi sempre muito viva. E at\u00e9 l\u00e1 nas vinte di\u00e1rias que a gente ficou em Salvador filmando, ainda inclu\u00edmos novos nomes. Porque \u00e9 isso. Todo mundo tinha muita hist\u00f3ria com M\u00f4a. Ele era uma pessoa que tinha muitas rela\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, essa lista foi dif\u00edcil decidir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Na montagem, para fugir do formato talking heads, voc\u00ea insere as cenas com as performances e imagens de arquivo dos cortejos. E as falas de todos s\u00e3o muito revigorantes de se ouvir. Como foi esse processo de montagem?<\/strong><br \/>A decis\u00e3o foi por um agrupamento tem\u00e1tico. Eu sabia quais eram os temas que seriam tratados no filme e quem poderia falar de cada tema. Claro que todos falavam de todos, mas eu fui colocando mais for\u00e7a com um tema para algumas pessoas e outro tema com outras pessoas, algo que era mais natural para elas e que elas iam puxando para esse lado, para ter um equil\u00edbrio tem\u00e1tico. Eu n\u00e3o queria que elas falassem somente de M\u00f4a, mas que falassem desses temas que est\u00e3o por tr\u00e1s do filme que o M\u00f4a carregava. Ent\u00e3o, isso que voc\u00ea falou desse formato das entrevistas nesse formato talking heads, realmente, em princ\u00edpio nenhum documentarista quer muito fazer. Eu n\u00e3o queria fazer isso. Porque o filme fala de uma cultura africana que n\u00e3o \u00e9 essa cultura quadrada, linear, de colocar em um trip\u00e9 a c\u00e2mera e conversar com a fonte. \u00c9 uma cultura muito mais solta. Muito mais presente. O corpo faz muito parte dessa cultura. \u00c9 uma cultura mais circular, n\u00e3o \u00e9 linear. Mas depois que o M\u00f4a faleceu, a gente precisou recorrer a v\u00e1rias pessoas para, juntas, tentarem contar a hist\u00f3ria de uma pessoa s\u00f3. \u00c9 uma hist\u00f3ria que, \u00f3bvio, transborda a vida do M\u00f4a, que transborda o corpo dele. \u00c9 algo que \u00e9 muito maior. Tivemos que ir atr\u00e1s de v\u00e1rias pessoas para contar a hist\u00f3ria que o M\u00f4a, sozinho, contaria. Por isso que n\u00e3o t\u00ednhamos muito como fugir desse formato de entrevistas. As entrevistas s\u00e3o super longas. Cada uma chegou a ter uma hora e meia. S\u00e3o entrevistas super ricas. Todo mundo fala muito bem, falam de muitas coisas interessantes. Mas \u00e9 isso. Acabou sendo o artif\u00edcio que funcionava e que \u00e9 uma das camadas do filme. E para equilibrar isso, \u00e9 isso que voc\u00ea falou, tamb\u00e9m. Eles falam de forma muito viva, muito apaixonada. N\u00e3o s\u00e3o entrevistas chatas, depoimentos entediantes. Porque eles cantam, lembram de hist\u00f3rias do M\u00f4a. Eles estavam muito apaixonados pela ideia de falar sobre o M\u00f4a. E tem essa outra camada do filme que s\u00e3o as cenas dos cortejos, as cenas de dan\u00e7a do Negrizu, que est\u00e3o ali para trazer um pouco desse sentimento emocional que precisa ter junto. Tem a parte racional que explica&#8230; (pausa) Porque tem o didatismo de explicar de onde veio a hist\u00f3ria dele, o que \u00e9 afox\u00e9; qual a diferen\u00e7a entre afox\u00e9 e bloco afro; o que \u00e9 o ijex\u00e1; de onde \u00e9 que veio. Tem a hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o no carnaval que ele fez. E tem a parte emocional, que \u00e9 a parte de sentir essa cultura, de sentir a espiritualidade.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"M\u00f4a, Raiz Afro M\u00e3e promo\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/IIkNsJFad0Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea equilibra bem na montagem essas entrevistas com imagens de performance que evidenciam essa ancestralidade e essa espiritualidade. Assistindo ao filme, vendo aquelas imagens a\u00e9reas captadas por drone no Dique do Toror\u00f3, vendo as imagens a\u00e9reas do bairro do Engenho Velho de Brotas, um lugar t\u00e3o rico culturalmente, mas, ao mesmo tempo, repleto de pobreza material e pessoas em dificuldade, enfim, vendo as imagens de Salvador que voc\u00ea registrou no filme, surge uma sensa\u00e7\u00e3o de pertencimento para mim que nasci aqui. Por mais que eu j\u00e1 tenha morado em outras cidades e outro pa\u00eds, Salvador sempre cria um sentimento de banzo, uma identidade pessoal forte com ela. Como foi o processo de construir essas imagens e criar essa reflex\u00e3o no p\u00fablico?<\/strong><br \/>Super bonita sua fala, Jo\u00e3o. Eu n\u00e3o sou da\u00ed, mas sinto que Salvador tem um potencial muito forte de ser (e isso se j\u00e1 n\u00e3o \u00e9!) a capital cultural do Brasil. Tem um potencial muito rico, muito efervescente, muita cultura. Voc\u00eas, baianos, t\u00eam uma conex\u00e3o com a cultura afrobaiana, afrobrasileira, muito mais forte. Isso \u00e9 uma coisa que eu acho que falta muito no Brasil. Essa conex\u00e3o, esse entendimento da nossa identidade. Conhecimento mesmo. A gente tem muita ignor\u00e2ncia da nossa hist\u00f3ria. E o preconceito gera muito desconhecimento e gera esse apagamento dessa cultura. Gera um apagamento desses artistas pretos. Ent\u00e3o, eu entendo muito o que voc\u00ea est\u00e1 falando e isso me comove, tamb\u00e9m. Salvador \u00e9 um personagem do filme. N\u00e3o tem como n\u00e3o ser. Foi o cen\u00e1rio do crescimento do M\u00f4a. \u00c9 o cen\u00e1rio no qual essas culturas est\u00e3o convivendo. Tem esses conflitos o tempo inteiro, e eu acho que isso que voc\u00ea falou tem a ver com colocar conflito no filme. O M\u00f4a era um cara conflituoso. Ele tinha um conflito de pertencer a Salvador ao mesmo tempo que ele sai da cidade em um momento que ningu\u00e9m sabe muito bem o porqu\u00ea. Esse \u00e9 um dos mist\u00e9rios. Mas ele acaba saindo de Salvador, mas levando Salvador com ele para todo lugar. Tem uma rela\u00e7\u00e3o de gostar, mas tem essas quest\u00f5es. Tem aquele momento em que ele fala do Jorge Amado, que dizia que a Bahia \u00e9 uma \u00f3tima madrasta, e uma p\u00e9ssima m\u00e3e, mas que acolhe muito bem quem vem de fora. Ent\u00e3o, esse conflito que voc\u00ea fala, do rico e do pobre, do que \u00e9 pobre e do que \u00e9 pobreza. Essa percep\u00e7\u00e3o que est\u00e1 em uma fala do (Alberto) Pitta, durante o filme, que o Engenho Velho de Brotas \u00e9 um bairro riqu\u00edssimo. Ele \u00e9 pobre, as pessoas s\u00e3o pobres financeiramente, mas \u00e9 um bairro riqu\u00edssimo culturalmente. Ent\u00e3o, a gente, tamb\u00e9m, no Brasil, tem essas no\u00e7\u00f5es de como vemos riqueza e pobreza. Tem um pouco daquela coisa sobre o que \u00e9 elite. Elite cultural, elite de dinheiro, mas que \u00e9 ignorante. Ent\u00e3o, esse lugar de conflito em Salvador \u00e9 importante para colocar esse cen\u00e1rio que tem dois lados. N\u00e3o \u00e9 bom nem mau, como tudo na vida. E tem esse grande potencial que, para mim, \u00e9 o reflexo do que o Brasil precisa e do que o Brasil est\u00e1 passando. E que \u00e9 aquilo pelo qual M\u00f4a lutava tanto: que \u00e9 para aproximar esses dois mundos e lutar para a gente conhecer e valorizar a nossa hist\u00f3ria. Para termos orgulho dela. Para que nos identific\u00e1ssemos como brasileiros e que seja gerada uma uni\u00e3o. Ele foi v\u00edtima de uma coisa contra a qual ele lutava muito, que \u00e9 essa polariza\u00e7\u00e3o do Brasil. Acho que isso se reflete, tamb\u00e9m, nisso que voc\u00ea falou. Salvador mostra um pouco isso. Mostra o potencial cultural que o Brasil tem e como isso pode ser um ant\u00eddoto para um futuro mais poss\u00edvel, que est\u00e1 nessa origem cultural afrobrasileira uma das sa\u00eddas para essa polariza\u00e7\u00e3o, para essa viol\u00eancia, para esse desentendimento, desinteresse e ignor\u00e2ncia com a origem e Hist\u00f3ria do Brasil, que muitos, n\u00e3o todos, mas muitos brasileiros t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu abri nosso papo falando acerca da escolha de manter o filme sobre a vida de M\u00f4a. Sua morte \u00e9 citada, obviamente, mas a obra n\u00e3o tem o peso dessa tragicidade a gui\u00e1-la. Na pergunta, eu acabei n\u00e3o pontuando com mais \u00eanfase essa presen\u00e7a f\u00edsica dele durante boa parte do document\u00e1rio. Suas falas captadas em 2018 est\u00e3o presentes na montagem e, ao assistirmos ao filme hoje, sabendo de tudo que ia acontecer com ele em quest\u00e3o de meses, gera um peso. Mas quando esse fato tr\u00e1gico \u00e9 citado, vemos as repercuss\u00f5es, vemos os protestos, mas o filme volta a trazer mais imagens da performance do Negrizu, mais falas de Gilberto Gil sobre essa ancestralidade. Talvez essa op\u00e7\u00e3o da montagem de manter o M\u00f4a conversando conosco tanto na abertura do filme quanto no final, tenha sido uma escolha talvez at\u00e9 subconsciente para nos manter com essa boa esperan\u00e7a.<\/strong><br \/>Sim, com certeza. O filme n\u00e3o poderia nem come\u00e7ar pela morte como algumas pessoas queriam, porque, para muitas pessoas, \u00e9 o fato mais conhecido sobre a trajet\u00f3ria do M\u00f4a, e muito menos terminar com a morte dele, porque a hist\u00f3ria dele n\u00e3o termina ali. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 isso, sim. N\u00e3o sei se uma decis\u00e3o racional ou n\u00e3o, mas \u00e9 uma escolha para mostrar que isso \u00e9 um fato da vida dele. \u00d3bvio que \u00e9 um fato super importante, mas que isso n\u00e3o \u00e9 o final de jeito nenhum. A gente que conheceu o M\u00f4a, e pessoas que o conheceram muito mais, pessoas de quem o M\u00f4a foi mestre, aprendemos com ele todo dia. As coisas que ele falava, o que ele cantava, o que ele escreveu, continuam reverberando e ganhando novos significados. Ent\u00e3o, o M\u00f4a \u00e9 muito presente. A gente conviveu fisicamente com ele por um per\u00edodo muito pequeno. A menor parte desses quatro anos em que ficamos fazendo o filme. Mas o conv\u00edvio com ele foi di\u00e1rio, e ainda \u00e9, sabe? Eu ainda escuto o M\u00f4a e ainda aprendo com ele todo dia. E ele me mostrou muitos caminhos que s\u00e3o eternos. O M\u00f4a muito mais abre caminhos do que fecha. E eu acho que a inten\u00e7\u00e3o do filme tamb\u00e9m \u00e9 um pouco essa: fazer as pessoas sa\u00edrem do filme querendo saber mais, instigadas e interessadas. A gente tinha duas miss\u00f5es. Uma did\u00e1tica, de ensinar quem n\u00e3o sabia o que s\u00e3o esses assuntos, e uma outra de quem j\u00e1 sabia, de acalentar um pouco, e meio que lembrar que o M\u00f4a est\u00e1 presente em v\u00e1rios lugares. Acho que esse lugar, tamb\u00e9m, que voc\u00ea falou da entrevista, a morte dele est\u00e1 presente no filme antes da hora em que contamos que ele morreu, isso pelos depoimentos de algumas pessoas que est\u00e3o emocionadas, com l\u00e1grimas nos olhos. Tem o pr\u00f3prio M\u00f4a que a gente fala que \u00e9 a \u00faltima entrevista feita com ele em vida. Algumas pessoas at\u00e9 mencionam a saudade, a falta que ele faz. S\u00f3 que a vida est\u00e1 ali sempre pulsante ali o tempo inteiro. A presen\u00e7a do M\u00f4a est\u00e1 l\u00e1, no filme, viva. Os ensinamentos do que ele fala s\u00e3o eternos. Nunca v\u00e3o morrer. Ningu\u00e9m nunca vai matar. E acho que tem uma coisa que voc\u00ea come\u00e7ou a falar no come\u00e7o e que eu pensei&#8230; Acho que \u00e9 isso. A gente tem que encontrar novas formas de falar de pol\u00edtica. Acho que at\u00e9 pela recusa que algumas pessoas t\u00eam j\u00e1 de pensar no tema, pessoas que est\u00e3o do outro lado e que n\u00e3o gostam de cultura, os preconceituosos, j\u00e1 t\u00eam uma refuta, mesmo, em ouvir. E eu acho que \u00e9 nosso papel como documentarista, como jornalista, encontrar outras formas de falar sobre pol\u00edtica que toquem as pessoas de outras formas. E que isso permita chegar em pessoas que talvez n\u00e3o deixassem isso chegar se isso viesse em um discurso envernizado de pol\u00edtica, mesmo. M\u00f4a era uma figura pol\u00edtica, mas s\u00f3 que ele n\u00e3o era um ativista em si. Ele fazia pol\u00edtica pela arte, pela educa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, isso \u00e9 fazer pol\u00edtica de outras formas, tamb\u00e9m. \u00c9 muito isso que voc\u00ea falou. Tivemos muita delicadeza da forma que tratamos da morte dele para n\u00e3o parecer que isso era o fim. Para n\u00e3o explorar isso e para mostrar que n\u00e3o estamos falando da morte, mas, sim, da vida dele. E que a vida dele ainda tem muito respiro, muito g\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Revisitar, cinco anos depois, a hist\u00f3ria de M\u00f4a, bem como o fato de sua morte, \u00e9 algo que gera uma reflex\u00e3o porque, mesmo ainda existindo a revolta por tudo que aconteceu, hoje \u00e9 poss\u00edvel olhar para essa polaridade brasileira de um modo a se resguardar. Lembro do show do Roger Waters aqui em Salvador, quando ele falou do M\u00f4a e, na plateia, havia pessoas inacreditavelmente discordando dele. Na \u00e9poca, a vontade era de comprar aquela discuss\u00e3o, do mesmo modo que M\u00f4a comprou. Hoje, pensar sobre isso, me faz refletir mais sobre essas escolhas. Escrever sobre isso hoje, ap\u00f3s tanto tempo, me faz pensar nisso desse modo.<\/strong><br \/>Sim. E mostra que foi uma decis\u00e3o acertada, mesmo. De n\u00e3o explorar a morte dele. Eu acho que eu nem conseguiria explorar a morte dele. N\u00e3o foi s\u00f3 uma decis\u00e3o racional. Foi, tamb\u00e9m, passional. N\u00e3o conseguiria porque sempre foi para tentar passar para a frente a forma como o M\u00f4a me impactou. Ele transformou minha vida. Eu j\u00e1 tinha interesse em redescobrir o Brasil, j\u00e1 gostava de Salvador, mas o M\u00f4a mostrou porqu\u00ea. Mostrou as ferramentas, deu argumento. Acho que \u00e9 isso. A arte \u00e9 argumento de manuten\u00e7\u00e3o de sociedade, para a gente se manter s\u00e3o no mundo. Ent\u00e3o, o M\u00f4a nos deu muito argumento. Deu muita arma para lutar. E \u00e9 isso. Ele morreu fazendo o que ele fazia sempre, que era lutando e defendendo aquilo que ele acreditava e o que ele achava que o Brasil precisava, o que aquela comunidade precisava e o que Salvador precisava. Ent\u00e3o, \u00e9 muito simb\u00f3lico, porque entrou um outro homem negro que estava l\u00e1 na comunidade, mas que n\u00e3o era muito conhecido, era uma pessoa nova ali, ningu\u00e9m sabia quem ele era, e o cara meio que n\u00e3o sabia quem era o M\u00f4a, e foi l\u00e1 e foi defender o discurso do Bolsonaro. Ent\u00e3o, essa ignor\u00e2ncia que eu estava comentando, esse desconhecimento do Brasil est\u00e1 simbolizado a\u00ed. Um cara que n\u00e3o conhecia, que n\u00e3o entendia, e estava defendendo uma coisa que \u00e9 contra ele, contra a gente, contra todo mundo. E o M\u00f4a foi dar os seus argumentos, como ele sempre dava. \u00c9 isso. Acho que depois desse tempo, n\u00e3o poderia, mesmo, focar mais na morte dele. \u00c9 a vida e \u00e9 obra que vai ficar pra sempre e que vai ganhando for\u00e7a. N\u00e3o enfraqueceu s\u00f3 porque esfriou a hist\u00f3ria da morte, ou por causa das elei\u00e7\u00f5es. Continua muito presente, muito forte, e ganhando novos significados. \u00c9 isso que eu acho que dialoga com a obra do M\u00f4a. \u00c9 uma obra que \u00e9 atemporal. Ela \u00e9 eterna. E vai estar sempre falando do Brasil contempor\u00e2neo seja qual for a \u00e9poca na qual n\u00f3s estivermos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mestre M\u00f4a do Katend\u00ea - Raiz afro m\u00e3e (2022)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL0c4DtuQPMZpnCS6jbpE6v55F76upXqwV\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;A gente tinha duas miss\u00f5es. 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