{"id":76150,"date":"2023-08-01T01:38:06","date_gmt":"2023-08-01T04:38:06","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76150"},"modified":"2023-09-08T00:17:41","modified_gmt":"2023-09-08T03:17:41","slug":"entrevista-nao-queremos-so-viver-do-que-a-gente-ja-fez-temos-o-desafio-de-conquistar-novas-geracoes-dizem-john-e-fernanda-pato-fu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/01\/entrevista-nao-queremos-so-viver-do-que-a-gente-ja-fez-temos-o-desafio-de-conquistar-novas-geracoes-dizem-john-e-fernanda-pato-fu\/","title":{"rendered":"Entrevista- John e Fernanda (Pato Fu): &#8220;N\u00e3o queremos viver do que a gente j\u00e1 fez. Temos o desafio de conquistar novas gera\u00e7\u00f5es&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Capelas<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 disseram muito por a\u00ed que a vida come\u00e7a aos 30. Fernanda Takai e John Ulhoa acham esse papo meio furado, mas independentemente dele ser verdade, os f\u00e3s do Pato Fu tem muito a comemorar no trig\u00e9simo anivers\u00e1rio da banda. Tr\u00eas d\u00e9cadas ap\u00f3s a estreia com \u201cRotomusic de Liquidificapum\u201d, a banda mineira segue a todo vapor. Entre o final de 2022 e mar\u00e7o de 2023, o grupo lan\u00e7ou nove m\u00fasicas in\u00e9ditas, em tr\u00eas lotes de tr\u00eas can\u00e7\u00f5es, hoje reunidas no disco \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/patofu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30<\/a>\u201d nas plataformas de streaming. \u201cS\u00e3o can\u00e7\u00f5es que resumem um pouquinho do que tem sido o Pato Fu nesses 30 anos, ao mesmo tempo em que mostram que a gente est\u00e1 olhando pra frente\u201d, conta Fernanda Takai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Logo depois, veio \u201c<a href=\"https:\/\/onerpm.link\/PatoFuiluminaSonasterio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pato Fu Ilumina Sonast\u00e9rio<\/a>\u201d, EP gravado ao vivo no sensacional est\u00fadio belorizontino com cl\u00e1ssicos e a recente \u201cFique Onde Eu Possa Te Ver\u201d. Tamb\u00e9m teve o in\u00edcio de uma turn\u00ea que vai celebrar os 30 anos de carreira nos palcos, com um repert\u00f3rio em que hits e lados-B se encontram na mesma medida. E para os pr\u00f3ximos meses, al\u00e9m da turn\u00ea , v\u00eam a\u00ed um disco ao vivo resultado da colabora\u00e7\u00e3o com a Orquestra Ouro Preto e duas temporadas de uma s\u00e9rie de TV para a Nickelodeon, inspirada no universo do disco\/show \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d, com direito a bonecos de verdade e dire\u00e7\u00e3o de Fernando Gomes (o J\u00falio de \u201cCocoric\u00f3\u201d, o X do \u201cX-Tudo\u201d e o Gato Pintado do \u201cCastelo R\u00e1-Tim-Bum\u201d).<\/p>\n<figure id=\"attachment_76163\" aria-describedby=\"caption-attachment-76163\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-76163\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/pato_30.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/pato_30.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/pato_30-300x150.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-76163\" class=\"wp-caption-text\"><em>As capas dos \u00e1lbuns &#8220;30&#8221; e \u201cPato Fu Ilumina Sonast\u00e9rio\u201d<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cTodo mundo do Pato Fu \u00e9 muito f\u00e3 de \u2018Muppet Show\u2019, ter um programa desses \u00e9 uma esp\u00e9cie de plano maligno que a gente tem desde que a banda come\u00e7ou. Queremos fazer um neg\u00f3cio diferente, sempre. Acho que essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Pato Fu no mundo: n\u00e3o fazer a mesma coisa\u201d, diz John Ulhoa, em entrevista ao Scream &amp; Yell. O papo aconteceu em mar\u00e7o de 2023, quando o Pato Fu \u2013 John, Fernanda e os companheiros Ricardo Koctus (baixo), Xande Tamietti (bateria) e Richard Neves (teclado, piano e acorde\u00e3o) \u2013 estavam lan\u00e7ando as \u00faltimas tr\u00eas can\u00e7\u00f5es de \u201c30\u201d: a dupla de temas sobre a amizade \u201cDiga Sim\u201d e \u201cDias Incertos\u201d e uma curiosa vers\u00e3o de \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d, do italiano Sergio Endrigo, que ficou como \u201cAmo S\u00f3 Voc\u00ea\u201d na vers\u00e3o Fu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que apenas um punhado de novas can\u00e7\u00f5es ou mera galeria da hist\u00f3ria Fu em formato embaralhado, \u201c30\u201d tamb\u00e9m reflete de maneira sens\u00edvel dois temas que permearam a vida brasileira nos \u00faltimos anos: o isolamento social por conta da pandemia e o recrudescimento da extrema direita, n\u00e3o s\u00f3 no Pal\u00e1cio do Planalto, mas tamb\u00e9m nas esquinas cotidianas. \u201cS\u00e3o m\u00fasicas que mostram claramente de que lado a gente est\u00e1. Eu tenho me colocado para as pessoas desde a \u00e9poca do impeachment da Dilma. Tem f\u00e3 que n\u00e3o gosta mais de mim. Mas eu gosto da ideia de registrar nas m\u00fasicas as sensa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s vivemos como cidad\u00e3os, o Pato Fu fala tanto para dentro como pra fora\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E j\u00e1 que o assunto \u00e9 falar, nessa entrevista John e Fernanda falam pra caramba: al\u00e9m de contar mais sobre os novos projetos e debulhar as can\u00e7\u00f5es de \u201c<a href=\"https:\/\/linktr.ee\/patofu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30<\/a>\u201d, os dois disparam sobre m\u00faltiplos assuntos. \u00c9 uma conversa que fala de novela, gravadoras, MTV, Olimp\u00edadas, falta de interpreta\u00e7\u00e3o de texto, governo Collor, e claro, passa a limpo os 30 anos do Pato Fu \u2013 incluindo a experi\u00eancia da banda com produtores como Andr\u00e9 Abujamra e Dudu Marote, a carreira solo de Fernanda e o projeto \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d. \u00c9, sobretudo, um conjunto de li\u00e7\u00f5es de independ\u00eancia de uma das bandas mais criativas, an\u00e1rquicas e divertidas da hist\u00f3ria do Brasil \u2013 e que segue zunindo como um novo sed\u00e3. P\u00e9 na t\u00e1bua, John e Fernanda!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu ilumina Sonast\u00e9rio | Sonast\u00e9rio ilumina (Epis\u00f3dio 16)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ze9Pa19WGKg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em 2023, o Pato Fu completa 30 anos. E a\u00ed, a vida come\u00e7a agora?<\/strong><br \/>\nJohn: Acho que n\u00e3o, cara. Esse papo \u00e9 meio furado, tanto pro Pato Fu como pra vida. A vida tem suas fases, tem uma vida que \u00e9 legal pra caralho antes dos 30. Existe vida depois dos 30 tamb\u00e9m. T\u00f4 com 57, ent\u00e3o calma l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Tenho 51, vou fazer 52. Pro Pato Fu, o que d\u00e1 pra dizer \u00e9 que os 50 s\u00e3o os novos 30. A gente est\u00e1 meio na faixa dos 50, s\u00f3 o Richard que \u00e9 o mais novinho, tem 41.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Do fim de 2022 para c\u00e1, voc\u00eas lan\u00e7aram nove m\u00fasicas. Agora elas est\u00e3o reunidas num \u00e1lbum nos servi\u00e7os de streaming, \u201c30\u201d, mas originalmente elas foram lan\u00e7adas em lotes de tr\u00eas can\u00e7\u00f5es. O que essas m\u00fasicas novas representam? E por que voc\u00eas decidiram lan\u00e7\u00e1-las nesse formato?<\/strong><br \/>\nJohn: N\u00f3s lan\u00e7amos de tr\u00eas em tr\u00eas, verdade, e a \u00faltima leva delas teve as tr\u00eas mais lentas, mais introspectivas. Duas t\u00eam um tema parecido: amizade. A primeira, \u201cDiga Sim\u201d, \u00e9 uma que eu tinha lan\u00e7ado como single meu, na pandemia. \u00c9 uma m\u00fasica mais antiga que isso, mas que combina com aquele clima superestranho da pandemia, os amigos longe, muita gente morrendo, a gente ficando deprimido e sem poder estender a m\u00e3o direito. Dava para estender virtualmente, claro, mas havia um clima muito estranho no Pa\u00eds, uma conjun\u00e7\u00e3o de desgra\u00e7as em cima da outra. Nessa \u00e9poca, o Pato Fu estava fazendo algumas coisas online, umas grava\u00e7\u00f5es naquele estilo \u201ccada um da sua casa\u201d, mas eu resolvi pegar essa m\u00fasica, gravar toda sozinho e lan\u00e7ar como um single meu, uma esp\u00e9cie de presente de anivers\u00e1rio pros meus amigos. Quando as coisas acalmaram e o Pato Fu resolveu sentar para gravar um repert\u00f3rio novo, acabamos lembrando dela e achamos que ela ia ela ia ficar ainda mais legal com a vers\u00e3o da banda, com a Fernanda cantando e tudo mais, ent\u00e3o regravamos do zero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Tem algumas altera\u00e7\u00f5es na letra, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: S\u00e3o umas micro altera\u00e7\u00f5es, mas \u00e9 basicamente a mesma composi\u00e7\u00e3o. A outra m\u00fasica que fala de amizade \u00e9 \u201cDias Incertos\u201d, que tamb\u00e9m \u00e9 a m\u00fasica mais nova dessas nove que a gente lan\u00e7ou. Vejo \u201cDias Incertos\u201d como mais uma conversa de um amigo com o outro. N\u00e3o \u00e9 uma conversa no texto, mas ela soa como uma conversa. Tem um sujeito pessimista, achando que est\u00e1 tudo ruim e s\u00f3 vai piorar, e o outro sujeito querendo dar uma for\u00e7a. \u00c9 um abra\u00e7o musical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 um tema que tamb\u00e9m aparece em \u201cFique Onde Eu Possa Te Ver\u201d, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><br \/>\nJohn: \u00c9\u2026 p\u00f4, a gente est\u00e1 se repetindo! (risos). Mas \u00e9 o esp\u00edrito da \u00e9poca, cara. Esse tempo que a gente passou na pandemia e toda essa distopia brasileira, a gente \u00e9 perme\u00e1vel ao que a gente sente. Isso faz a m\u00fasica ser de verdade. \u00c0s vezes eu escrevo sobre situa\u00e7\u00f5es bem imagin\u00e1rias, malucas e tal. Mas numa \u00e9poca que nem essa, a gente vai ficando mais velho, come\u00e7a a ficar mais sens\u00edvel \u00e0s coisas est\u00e3o ali nos esbofeteando. Voc\u00ea acaba escrevendo uma, duas, tr\u00eas m\u00fasicas com um esp\u00edrito s\u00f3. \u00c9 parte da verdade da coisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Acho que, nesses blocos de can\u00e7\u00f5es que estamos lan\u00e7ando desde o ano passado, tentamos mostrar um pouquinho do que tem sido o Pato Fu nesses 30 anos. Na primeira leva tinha m\u00fasica com o Ricardo cantando, m\u00fasica comigo cantando e m\u00fasica com o John cantando, algo que a gente fez muito nos primeiros discos. Al\u00e9m disso, o fato de termos chamado o Dudu Marote para produzir duas faixas (\u201cNo Regresso\u201d e \u201cSil\u00eancio\u201d) mostra que ele foi um dos produtores mais importantes pra nossa carreira, marcou uma \u00e9poca. J\u00e1 nas outras faixas, foi o John quem produziu. Al\u00e9m disso, tem uma coisa que o Pato Fu sempre fez: vers\u00f5es. Geralmente, s\u00e3o escolhas raras, como \u201cS\u00edtio do Picapau Amarelo\u201d \u2013 que s\u00f3 o Pato Fu poderia ter feito do jeito que foi feita. Na minha carreira solo, eu costumo muito pegar coisas que escutava quando era crian\u00e7a e traduzir para um jeito mais atual. Fizemos isso agora: pegamos uma m\u00fasica do S\u00e9rgio Endrigo, \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d, que eu conhecia mais pela grava\u00e7\u00e3o da Rita Pavone. \u00c9 uma m\u00fasica que j\u00e1 tinha sido gravada em uma vers\u00e3o em portugu\u00eas h\u00e1 uns 15 anos, em samba, mas aquela vers\u00e3o tinha algumas coisas que a gente n\u00e3o concordava. A\u00ed o John resolveu propor uma nova vers\u00e3o para a editora e eles liberaram, depois que a fam\u00edlia do S\u00e9rgio Endrigo aprovou l\u00e1 na It\u00e1lia. Ou seja, n\u00f3s temos a nossa pr\u00f3pria vers\u00e3o de \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d, que ficou \u201cAmo S\u00f3 Voc\u00ea\u201d. Nela, a gente realizou um sonho que a gente tinha, de fazer alguma coisa com o [maestro] Ruri\u00e1 Duprat. Ele fez um arranjo de cordas muito bonito e os nossos amigos da Orquestra Ouro Preto gravaram aqui no Sonast\u00e9rio, um est\u00fadio maravilhoso aqui em Belo Horizonte. Acho que essa \u00e9 uma faixa bem diferente das outras, ela traz aquele Pato Fu bem pop, de \u201cDepois\u201d, sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Mas \u00e9 um Pato Fu de smoking, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9, de smoking, porque tem aquele arranjo bonito. \u00c9 uma m\u00fasica bem de amor. A gente j\u00e1 teve muita m\u00fasica em novela, mas essa a gente pensa assim, \u201cpoxa, essa cabia numa novela\u201d. Ou ent\u00e3o num film\u00e3o brasileiro bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Voc\u00ea \u00e9 muito novinho, a gente sabe\u2026 mas quem tem mais de 45, 50 anos, vai reconhecer a m\u00fasica na hora. Quando elas ouvirem o refr\u00e3o, vai rolar aquele \u201cahhh\u201d, porque era uma m\u00fasica que tocou em uma novela antiga, \u201cAnjo Mau\u201d. Na d\u00e9cada de 1970, ainda nos anos 1980, tinha um fen\u00f4meno que tocava muita m\u00fasica italiana no r\u00e1dio. Era aquela coisa do Festival de San Remo, aquelas m\u00fasicas dram\u00e1ticas, e isso meio que desapareceu. \u00c9 uma forma de arte perdida, a m\u00fasica pop italiana era muito popular no Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: De vez em quando volta, com Laura Pausini ou Eros Ramazzotti, mas n\u00e3o \u00e9 como era antigamente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu e Orquestra Ouro Preto - SulAm\u00e9rica Festival\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/P85ebhD1i0U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e9 como era, mesmo. Mas isso \u00e9 algo at\u00e9 que eu discuto muito com alguns amigos: n\u00e3o d\u00e1 pra entender Roberto Carlos pensando s\u00f3 no rock, tem que passar pelo pop italiano.<\/strong><br \/>\nJohn: Tem raz\u00e3o. E essa m\u00fasica \u00e9 dessa leva. A gente sabe que quem tem menos idade vai ouvir como uma m\u00fasica nova, super bonita, mas quem \u00e9 mais velho vai dar um clique, aquele \u201cpuuuutz\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Aqui no Brasil, a gente teve uma \u00e9poca que havia muitas vers\u00f5es, de m\u00fasicas em ingl\u00eas, em franc\u00eas, voc\u00ea at\u00e9 nem sabia que tal m\u00fasica era uma vers\u00e3o. Pela minha idade, eu ouvi muito r\u00e1dio e por isso eu sou contaminada por essas ideias, de trazer essas m\u00fasicas, de r\u00e1dio, de novela. Eu gravei \u201cPav\u00e3o Mysteriozo\u201d, porque tocava em \u201cSaramandaia\u201d na TV. Eu era criancinha, mas eu gostava muito da m\u00fasica. Acho que s\u00e3o escolhas para acentuar que a gente \u00e9 parte de uma gera\u00e7\u00e3o que ouviu muito r\u00e1dio e viu muita novela, viu muito programa de audit\u00f3rio, onde essas m\u00fasicas de todos os estilos eram tudo misturado, n\u00e3o tinha essa coisa de elite e tal\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o tinha bolha.<\/strong><br \/>\nFernanda: N\u00e3o, era Tit\u00e3s com Ovelha, junto com Odair Jos\u00e9 e Ultraje, tinha aquelas misturas todas!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"30\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mtZe8XhqutxoZQUVE-kJlMjmlZQODmgjE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por que lan\u00e7ar as m\u00fasicas em bloco e n\u00e3o lan\u00e7ar um disco-disco de uma vez s\u00f3?<\/strong><br \/>\nJohn: Confesso que \u00e9 uma escolha meio aleat\u00f3ria, n\u00e3o tem um sentido t\u00e3o pragm\u00e1tico assim. A banda est\u00e1 fazendo 30 anos, ent\u00e3o pensamos em lan\u00e7ar tr\u00eas m\u00fasicas. Essa era a ideia da primeira leva: uma m\u00fasica comigo cantando, bem doida, cheia de guitarras. Uma m\u00fasica bem Ricardo e outra bem Fernanda. Isso ia representar o Pato Fu 30 anos. S\u00f3 que a gente tinha mais m\u00fasicas, ent\u00e3o decidimos lan\u00e7ar mais tr\u00eas. N\u00e3o era um neg\u00f3cio assim de ter uma ideia de marketing maravilhosa, de lan\u00e7ar um n\u00famero cabal\u00edstico de m\u00fasicas. S\u00f3 olhamos e falamos: p\u00f4, ent\u00e3o vamos lan\u00e7ar nove, ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Ficamos meio na d\u00favida de como seria legal lan\u00e7ar: \u201cser\u00e1 que era melhor ser uma m\u00fasica por m\u00eas\u201d? Por outro lado, a gente est\u00e1 fazendo 30 anos, e sabia que quando a gente fosse para a turn\u00ea, as pessoas iam querer mesmo \u00e9 ouvir as m\u00fasicas velhas, n\u00e3o as novas. Ao mesmo tempo, outras bandas da nossa gera\u00e7\u00e3o est\u00e3o acabando aos 30 anos, outras acabaram mais cedo que a gente\u2026 e lan\u00e7ar nove m\u00fasicas, nesse momento, ainda mais com todo esse capricho, \u00e9 para mostrar que a gente est\u00e1 olhando para frente. N\u00e3o queremos s\u00f3 viver do que a gente j\u00e1 fez. Temos o desafio de conquistar novas gera\u00e7\u00f5es, de pegar as crian\u00e7as que ouviram o \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d e apresentar enfim o Pato Fu \u201cgrande\u201d. E quando a gente viu que hoje nove m\u00fasicas j\u00e1 configuram um \u00e1lbum, pronto. Afinal de contas, nessas premia\u00e7\u00f5es todas tem v\u00e1rios discos com nove m\u00fasicas, oito, dez\u2026 n\u00e3o tem mais essa coisa de \u201cquantas m\u00fasicas um disco tem que ter?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Ainda mais porque hoje tem toda essa coisa do disco, sabe? Os artistas adoram, alguns f\u00e3s adoram, mas se voc\u00ea faz o CD, acaba n\u00e3o vendendo nada. Tem a ideia de fazer vinil, mas \u00e9 super dif\u00edcil. Al\u00e9m disso, acho que esse formato de lan\u00e7ar lotes de tr\u00eas m\u00fasicas tem um pouco a ver com uma esp\u00e9cie de tortura que o Pato Fu sempre sofreu na hora de fazer singles. Nosso som \u00e9 muito variado, nossos discos tinham som de tudo quanto era jeito. Tem disco que come\u00e7a com m\u00fasica em japon\u00eas, a\u00ed vem uma balada de cortar os pulsos e depois tem um metal\u2026 e a gravadora sempre pedia pra gente escolher uma para virar single. \u00c9 inevit\u00e1vel, o jeito pop de se ouvir m\u00fasica \u00e9 achar que a banda \u00e9 aquilo que toca no r\u00e1dio. N\u00e3o \u00e9 maldade das pessoas, \u00e9 natureza humana, mas a gente achava que as pessoas nunca entenderiam o que o Pato Fu \u00e9, a menos que fossem f\u00e3s. Acho que todas as bandas tem um pouco disso, mas a gente tem mais, pelo fato da produ\u00e7\u00e3o ser muito variada. Como hoje em dia a gente n\u00e3o depende mais da gravadora para escolher um single que tem que tocar na r\u00e1dio, decidimos lan\u00e7ar tr\u00eas m\u00fasicas de uma vez mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem duas m\u00fasicas bem marcantes nessa cole\u00e7\u00e3o de nove can\u00e7\u00f5es, que falam de temas parecidos: \u201cA Besta\u201d e \u201cSilenciador\u201d, ambas refletindo como foi viver nos \u00faltimos quatro anos no Brasil. Como voc\u00eas est\u00e3o vendo o momento hoje? De um lado, a gente teve um respiro do fim de outubro para c\u00e1, mas do outro tem um monte de besteira acontecendo \u2013 e a besta est\u00e1 a\u00ed, acordada.<\/strong><br \/>\nFernanda: Quando a gente lan\u00e7ou \u201cA Besta\u201d e \u201cCurral Mal Assombrado\u201d, no final do ano passado, a gente n\u00e3o tinha certeza de nada, porque ainda pod\u00edamos estar naquele inferno, naquele lodo. Na \u00e9poca em que o Bolsonaro foi eleito, ningu\u00e9m acreditava que ele seria eleito \u2013 e a gente acabou passando quatro anos em posi\u00e7\u00e3o fetal, s\u00f3 virando uma ervilha seca. Foi muito pior do que a gente esperava. Acho que lan\u00e7amos essas m\u00fasicas de uma maneira corajosa. Sei que outros artistas fizeram m\u00fasicas bem expl\u00edcitas sobre a \u00e9poca que vivemos, mas tamb\u00e9m teve uma boa parte dos artistas que n\u00e3o quis comentar nada, que n\u00e3o quis se expor. Essas m\u00fasicas mostram claramente de que lado a gente est\u00e1. Eu, muito mais do que o Pato Fu, tenho me colocado claramente para as pessoas desde a \u00e9poca do impeachment da Dilma. Recebi muitas cr\u00edticas, tem f\u00e3 que n\u00e3o gosta mais de mim, mas a grande maioria, na real, se acompanha a nossa vida, j\u00e1 entendia que a gente n\u00e3o iria se omitir, sabe? Gosto dessa ideia de registrar nas m\u00fasicas essa sensa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s vivemos como cidad\u00e3os, elas marcam bem essa \u00e9poca e marcam uma vontade que a nossa banda tem de discutir. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as quest\u00f5es individuais, do cora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m as quest\u00f5es coletivas. O Pato Fu fala tanto pra dentro como para fora. Estamos aqui no mundo, sabe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Acho que o f\u00e3 que largou o Pato Fu de 2016 para c\u00e1 talvez n\u00e3o tenha ouvido o Pato Fu direito. N\u00e3o ouviu \u201cLicita\u00e7\u00e3o\u201d, pelo menos.<\/strong><br \/>\nFernanda: Pois \u00e9, exatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Isso \u00e9 que nem o cara que vai no show do Roger Waters e fica puto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9 o cara que nunca traduziu nada, nem abriu o dicion\u00e1rio pra entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois dessas nove m\u00fasicas, acabou? Quais s\u00e3o os planos pra seguir comemorando os 30 anos?<\/strong><br \/>\nJohn: Hoje em dia, podemos lan\u00e7ar m\u00fasica a qualquer momento. Temos est\u00fadio em casa, somos a nossa pr\u00f3pria gravadora, ent\u00e3o se a gente tiver uma ideia, a gente pode lan\u00e7ar sim. Mas n\u00e3o \u00e9 o plano para agora. A ideia era lan\u00e7ar essas nove. Gravar essas m\u00fasicas deu bastante trabalho. O plano agora \u00e9 fazer uma turn\u00ea que comemore esses 30 anos dignamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E que traga algumas das m\u00fasicas novas pro repert\u00f3rio\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Queremos fazer um neg\u00f3cio diferente de uma simples turn\u00ea de 30 anos, realmente criativo, que aponte pra frente. Sei l\u00e1, acho que essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do Pato Fu no mundo: n\u00e3o fazer a mesma coisa. Al\u00e9m disso, tem um produto do audiovisual que a gente est\u00e1 incubando tem alguns anos\u2026 e agora vai finalmente sair. A gente pode falar o que \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Pode falar! N\u00f3s vamos fazer uma s\u00e9rie do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d para a Nickelodeon. Tem duas temporadas gravadas, ent\u00e3o s\u00e3o 13 epis\u00f3dios do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d. N\u00f3s pegamos cada m\u00fasica e inserimos dentro de uma historinha que acontece num est\u00fadio monstro. O roadie \u00e9 monstro, o empres\u00e1rio \u00e9 monstro, a faxineira \u00e9 monstra, s\u00f3 a gente da banda que \u00e9 humano. Ainda n\u00e3o sa\u00edram cenas oficiais, o John est\u00e1 editando loucamente o design de som agora\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: N\u00f3s fizemos os roteiros, eu estou agora cuidando do design de som. Ter um programa assim \u00e9 uma esp\u00e9cie de plano maligno desde que a banda come\u00e7ou. Todo mundo \u00e9 do Pato Fu muito f\u00e3 de \u201cThe Muppet Show\u201d. Eu assistia quando era pequeno e achava a coisa mais incr\u00edvel do mundo, um humor meio adulto combinado com os bonecos, aquela pegada musical. A\u00ed fizemos o nosso pr\u00f3prio \u201cMuppet Show\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E a dire\u00e7\u00e3o \u00e9 do Fernando Gomes, sabe, do \u201cCocoric\u00f3\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que coisa incr\u00edvel! Sou f\u00e3 do Fernando.<\/strong><br \/>\nFernanda: Os roteiros s\u00e3o dele e do John e ele faz a dire\u00e7\u00e3o. Ele veio para c\u00e1 e ficou dois meses aqui. No come\u00e7o de 2023, n\u00f3s gravamos a segunda temporada. A primeira foi feita um ano antes da pandemia, mas a gente estava naquele momento que a Ancine ficou parada. Ficamos esperando o carimbo andar, mas agora finalmente as coisas est\u00e3o andando. Al\u00e9m disso, tem o \u00e1udio dos shows com a Orquestra Ouro Preto, que a gente fez aqui no Pal\u00e1cio das Artes de Belo Horizonte. \u00c9 algo que deve sair mais para o fim do ano nas plataformas, s\u00e3o aquelas m\u00fasicas que a gente fez com a Orquestra, com uma super qualidade. Tem muita coisa pra sair a partir do que a gente fez aqui nas nossas oficinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Corte e costura!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E quem acompanha o Pato Fu vai achar legal de ver o tanto que a banda est\u00e1 fazendo de coisa nova esse ano.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"John Ulhoa - A Hora da Estrela (Pato Fu) - 07\/03\/2012\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dxeuld5aN_Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Alguma chance de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/04\/19\/tres-perguntas-john-ulhoa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um show s\u00f3 com o John cantando<\/a>?<\/strong><br \/>\nFernanda: Ahaha!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Por que voc\u00ea quer uma coisa dessas? Olha a cantora que tem aqui do meu lado, cara! (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Pior que a gente j\u00e1 pensou de um dia pegar um teatro e tocar a semana toda, cada dia um disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Seria genial!<\/strong><br \/>\nJohn: Voc\u00eas s\u00e3o loucos, isso d\u00e1 um trabalho desgra\u00e7ado. Fizemos isso h\u00e1 uns 10 anos com o \u201cGol de Quem?\u201d, no Sesc Belenzinho. \u00c9 massa demais, mas d\u00e1 um trabalho desgra\u00e7ado. Na \u00e9poca desse show do \u201cGol de Quem?\u201d, pensamos em fazer em outras capitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Mas n\u00e3o fez, no fim a gente s\u00f3 fez l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: N\u00e3o rola, porque assim\u2026 fazer um show de um disco \u00e9 muito legal porque os f\u00e3s ficam loucos, mas n\u00e3o \u00e9 tanta gente assim [que veria o show] para voc\u00ea sair fazendo em Curitiba, Porto Alegre\u2026 \u00e9 super dif\u00edcil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Mas o John tem um f\u00e3-clube que sempre faz bastante barulho. A gente sempre escuta: \u201cp\u00f4, mas \u00e9 a Fernanda cantando de novo?\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Meus f\u00e3s s\u00e3o a minoria barulhenta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Quando a gente fez \u201cA Besta\u201d e o \u201cCurral\u201d, j\u00e1 tinha esse conte\u00fado pol\u00edtico desse tempo dif\u00edcil. A\u00ed o John apareceu com \u201cSilenciador\u201d. E a\u00ed o John mostrou a m\u00fasica pra gente, e ele mesmo disse: \u201cacho que t\u00e1 muito pesada para eu cantar\u201d. E a\u00ed eu pedi para cantar a m\u00fasica. Acho que a grande for\u00e7a dessa m\u00fasica \u00e9 que ela \u00e9 contundente, mas sou eu cantando. Eu dou uma suavizada para a pessoa come\u00e7ar a ouvir, mas quando ela v\u00ea, j\u00e1 pegou a mensagem e agora \u00e9 tarde. \u00c9 uma coisa que a gente faz, n\u00e9? A gente faz uma m\u00fasica que \u00e9 fofinha como uma bolinha de algod\u00e3o. S\u00f3 que no meio da bolinha de algod\u00e3o sai um monte de espinho. A\u00ed a pessoa chora, sangra, mas depois acaba gostando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 a ma\u00e7\u00e3 envenenada.<\/strong><br \/>\nFernanda: \u00c9 bem isso. Acho que \u201cSilenciador\u201d \u00e9 uma m\u00fasica que se eu n\u00e3o topasse cantar, talvez ela n\u00e3o entrasse. Mas eu pedi pra cantar, porque acho que \u00e9 uma m\u00fasica importante. \u00c9 como voc\u00ea falou: hoje parece que a gente est\u00e1 respirando aliviado mas n\u00e3o est\u00e1 n\u00e3o, est\u00e1 cheio de sementinha do mal por a\u00ed. O \u201cSilenciador\u201d pega em cheio justamente essa turma, a turma da bala e da B\u00edblia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vamos falar um pouco de assuntos mais abertos. O Pato Fu chegou aos 30 anos, enquanto outras bandas da gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o chegaram \u2013 o caso do Skank est\u00e1 a\u00ed e \u00e9 evidente. At\u00e9 mesmo bandas de outras gera\u00e7\u00f5es, como \u00e9 o caso do Moons, que voc\u00ea est\u00e1 usando a camiseta, que decidiu acabar ontem [no dia anterior \u00e0 entrevista]&#8230;<\/strong><br \/>\nJohn: Eles acabaram? S\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eles decidiram entrar em hiato.<\/strong><br \/>\nFernanda: Mas eles est\u00e3o sempre fazendo coisas juntos, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, mas a banda tava num momento muito legal depois do disco do ano passado. Enfim\u2026 mas o que eu ia perguntar \u00e9\u2026 qual \u00e9 o segredo do Pato Fu durar tanto tempo? \u00c9 por que voc\u00eas s\u00e3o um casal?<\/strong><br \/>\nJohn: A resposta tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito racional. \u00c9 uma f\u00f3rmula que n\u00e3o d\u00e1 pra ensinar as pessoas, n\u00e3o d\u00e1 pra aplicar a ningu\u00e9m. O fato da gente ser casado \u00e9 parte da equa\u00e7\u00e3o. Para algumas bandas, isso \u00e9 fatal: se o casal briga, j\u00e1 era, \u00e9 muito dif\u00edcil continuar ou um dos dois sai. Cada banda tem a sua equa\u00e7\u00e3o. O fato da gente ser um casal e a gente se dar bem, o fato da gente se completar musicalmente, a banda ter feito sucesso no in\u00edcio da carreira. Tudo isso s\u00e3o fatores. A gente \u00e9 uma banda nerd, tudo que a gente faz, a gente faz com cuidado. Se a gente fosse fazer uma foto, a foto tinha que ser muito legal. Se fosse lan\u00e7ar um disco, n\u00e3o ia ser qualquer disco. A gente cuida muito do ISO 9000, qualidade total.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Selo Fu de qualidade!<\/strong><br \/>\nJohn: N\u00f3s t\u00ednhamos esse neg\u00f3cio desde o come\u00e7o e ainda temos. Eu estou mixando aqui essa s\u00e9rie e cuidando de cada efeitinho, cada coisa. Al\u00e9m disso, a gente cuidou bastante do relacionamento com os outros membros da banda tamb\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: A gente tem o mesmo empres\u00e1rio h\u00e1 28 anos, que tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa rara. N\u00e3o d\u00e1 pra gente falar que a gente sabe como \u00e9 se fosse de outro jeito, porque a gente vive assim h\u00e1 tanto tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Mas acho que tem a ver tamb\u00e9m com sermos muito fi\u00e9is com o que acreditamos musicalmente, sem fazer grandes apostas. N\u00e3o decidimos fazer algo s\u00f3 porque \u00e9 o que est\u00e1 fazendo sucesso. Acho que tem bandas que fazem isso e d\u00e1 certo, bandas que fazem coisas legais. N\u00f3s n\u00e3o temos muito esse talento de surfar a onda que est\u00e1 a\u00ed. Tentamos criar a nossa onda, como o burrinho com a cenoura na frente que vai se autoalimentando. N\u00f3s colocamos o motor de popa num balde e tentamos fazer nossa pr\u00f3pria onda. E isso \u00e9 legal porque quando as coisas d\u00e3o certo ou n\u00e3o, \u00e9 com a gente mesmo. Fico imaginando: ali no come\u00e7o de carreira, teve um momento que tomamos a decis\u00e3o de n\u00e3o fazer playback em TV. Fizemos uma ou duas vezes e achamos muito ruim. Tem gente que faz playback com a maior alegria, com pureza de alma mesmo. Mas todas as vezes em que a gente fez, eu olhava depois para a minha cara [na TV] e estava \u00f3bvio que eu n\u00e3o estava feliz. Era algo que n\u00e3o vendia a banda, e porque eu ficava azedo, n\u00e3o aumentava o p\u00fablico. De uma certa maneira, pode ser uma escolha que atrapalhou a quantidade imediata de discos que a gente vendeu, mas tamb\u00e9m preservou a nossa energia, fazendo a gente durar mais tempo. No fim das contas, n\u00f3s tentamos ser fi\u00e9is ao que a gente acredita, seja musicalmente, esteticamente, socialmente\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E nesses 30 anos, s\u00f3 10 anos foram dentro de uma gravadora. Em 20 anos da nossa vida, somos uma banda independente, que se suporta. N\u00f3s \u00e9 que escolhemos para onde vai nosso investimento. Quando a gente erra, a gente \u00e9 que escolhe. E quando a gente ganha um Disco de Ouro como independentes\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: (interrompe) Ganhamos um Grammy Latino!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Tudo o que acontece \u00e9 por conta das nossas escolhas, lidando com todas as dificuldades. A \u00e9poca de gravadora foi uma \u00e9poca maravilhosa: o trabalho com o Dudu, por exemplo, s\u00f3 foi poss\u00edvel na \u00e9poca por conta da gravadora. Ele era um superprodutor, tinha cach\u00ea caro, mas a gravadora bancou. Foi algo muito positivo na nossa hist\u00f3ria, tanto que chamamos ele de novo para trabalhar agora. Ter estado numa gravadora foi maravilhoso: aprendemos muito, montamos nosso est\u00fadio, aprendemos a produzir m\u00fasica. Mas acho que dois ter\u00e7os dessa vida foram de escolhas completamente nossas, lidando com erros e acertos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: O pr\u00f3prio \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d, sabe? Foi um acerto muito grande, mas imagina propor isso para uma gravadora. Olhando agora, parece \u00f3bvio que ia ser um sucesso, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Claro, crian\u00e7a vende, crian\u00e7a se encanta, parece muito l\u00f3gico\u2026<\/strong><br \/>\nJohn: \u00c9 isso: tocar com instrumento de brinquedo, fazer um monte de cover? Os caras iam achar que a gente estava maluco, que quer\u00edamos acabar com a nossa carreira. Era a nossa chance de despontar para o anonimato, mas funcionou super bem. \u00c9 o tipo de escolha que a gente s\u00f3 fez por causa da independ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado voc\u00eas falarem disso, porque o Pato Fu \u00e9 uma banda muito interessante. Eu sou um f\u00e3 de Pato Fu que descobriu a banda por causa das novelas, mas ao mesmo tempo, depois de mergulhar na discografia, me causa at\u00e9 um estranhamento o quanto o Pato Fu \u00e9 uma banda popular. O Pato Fu \u00e9 as duas coisas: uma banda que toca na novela, mas que tamb\u00e9m tem muita m\u00fasica maluca. Acho que \u00e9 muito parte do esp\u00edrito de uma \u00e9poca da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica e do Brasil. Se o Pato Fu tivesse surgido dez anos depois, a banda teria o mesmo efeito?<\/strong><br \/>\nJohn: Acho que n\u00e3o teria dado certo. Essa coisa da banda fazer sucesso \u00e9 um tro\u00e7o t\u00e3o raro e depende de tantos microfatores, que acho que nenhuma banda faria sucesso [se tivesse surgido] 10 anos depois. N\u00e3o \u00e9 so o Pato Fu n\u00e3o. A gente aconteceu no in\u00edcio dos anos 1990\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E o John j\u00e1 tinha dez anos de carreira antes disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Esses dez primeiros anos de carreira foram fundamentais porque eu tive experi\u00eancias. Nos anos 1990, em BH havia uma cena com um monte de bandinha aparecendo. Tinha muita gente cantando em ingl\u00eas, as bandas eram muito novas, os meninos eram muito novinhos. Com a minha experi\u00eancia, quando \u00edamos fazer um show, um festivalzinho junto com outras bandas, a gente passava por cima de todo mundo. Eu j\u00e1 sabia montar um show: levava t\u00e9cnico de som, um cara de luz, e todo mundo s\u00f3 naquele esp\u00edrito \u201cvamos tocar\u201d. Era massa pra caralho, est\u00e1 valendo, mas a gente se dava bem, porque tinha luz, a gente tinha uma luz toda doida, que fica tudo acelerado. O nosso t\u00e9cnico de luz \u00e9 o mesmo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Com duas l\u00e2mpadas, uma sirene e uma strobo, ele fazia de tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Isso aconteceu naquela \u00e9poca, naquele momentinho dos anos 1990, que o rock dos anos 1990 estava vindo de volta depois de uma baixa no fim dos anos 1980. Entre 1989 e 1992, veio lambada\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veio o governo Collor.<\/strong><br \/>\nFernanda: Veio sertanejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: O que ficou de rock era s\u00f3 o que estava no mainstream mesmo, tipo Paralamas, Bar\u00e3o, Tit\u00e3s, as bandas que estavam estabelecidas. As bandas mais independentes? Foi todo mundo pro saco, inclusive o Sexo Expl\u00edcito, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2012\/07\/03\/download-os-dois-albuns-do-sexo-explicito\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a minha banda dos anos 1980<\/a>. Ent\u00e3o teve aquele momentinho, com aquele som que n\u00f3s faz\u00edamos na \u00e9poca\u2026 cara, se o Pato Fu aparecesse com aquele som 10 anos depois, n\u00e3o ia funcionar. E teve v\u00e1rios outros fatores, imponder\u00e1veis, que v\u00e3o acontecendo. O surgimento da MTV no in\u00edcio dos anos 1990, por exemplo. A MTV foi fundamental pra gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: A MTV foi a nossa r\u00e1dio, foi a r\u00e1dio do manguebeat, foi a r\u00e1dio do pessoal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: O Pato Fu n\u00e3o tocou muito bem em r\u00e1dio at\u00e9 a fase do Dudu Marote. Ok, \u201cSobre o Tempo\u201d at\u00e9 tocou, mas o r\u00e1dio era dif\u00edcil para caramba. Era uma coisa muito dif\u00edcil: voc\u00ea que tinha que convencer um sujeito, um programador, que ele tinha que ouvir e tocar a sua m\u00fasica. Era muito dif\u00edcil, mas a MTV era incr\u00edvel. A MTV brasileira era boa demais para ser verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Al\u00e9m disso, teve o lance que as gravadoras deram o clique de que elas tinham que ter uma banda nova. Isso aconteceu principalmente quando apareceu Chico Science e Na\u00e7\u00e3o Zumbi, o Skank, o Raimundos. A Sony tinha que ter uma banda nova, a Warner tinha que ter uma banda nova, e a\u00ed a BMG tinha o selo Plug, que a gente fez parte, ent\u00e3o v\u00e1rios bot\u00f5ezinhos foram ligados. Dez anos depois, talvez n\u00e3o houvesse isso do nosso lado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E a\u00ed isso culmina com as novelas, que \u00e9 um ponto importante.<\/strong><br \/>\nJohn: Nessa \u00e9poca, as gravadoras faziam uma for\u00e7a muito grande para ver se emplacavam as m\u00fasicas das bandas nas novelas, e especialmente na abertura da novela. Toda vez que entrava uma m\u00fasica nossa na novela, era um gol da gravadora \u2013 e nosso tamb\u00e9m. Hoje em dia ainda tem isso, mas \u00e9 um mais disperso. Antigamente, a m\u00fasica entrava na novela e todo mundo via, todo mundo ouvia. At\u00e9 na MTV a gente tinha essa sensa\u00e7\u00e3o. Se lan\u00e7asse um clipe novo, todo mundo falava que tinha visto. Hoje, a minha filha Nina, que tem 19 anos, n\u00e3o v\u00ea televis\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nem novela, \u00e9 televis\u00e3o como um todo. Para uma certa quantidade de pessoas, isso significa que n\u00e3o adianta colocar a m\u00fasica na novela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem que colocar no TikTok.<\/strong><br \/>\nJohn: \u00c9, totalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria falar um pouco dos produtores que caminharam com voc\u00eas ao longo desses 30 anos \u2013 o Carlos Savalla (\u201cGol de Quem?\u201d), o Andr\u00e9 Abujamra (\u201cTem Mas Acabou\u201d) e o Dudu Marote (\u201cTelevis\u00e3o de Cachorro\u201d, \u201cIsopor\u201d e \u201cRu\u00eddo Rosa\u201d, este \u00faltimo j\u00e1 em co-produ\u00e7\u00e3o com o John). Como \u00e9 que cada um deles contribuiu (ou contribuiu pelo negativo) para formatar o que o Pato Fu vai fazer como banda independente depois?<\/strong><br \/>\nJohn: Vamos l\u00e1. Tem que falar do nosso primeiro \u201cprodutor\u201d, que foi o Haroldo Ferreti, do Skank. Ele n\u00e3o foi exatamente produtor, ele era o dono do est\u00fadio, aquele sujeito que est\u00e1 meio ali. N\u00f3s gravamos o \u201cRotomusic de Liquidificapum\u201d, nosso primeiro disco, no est\u00fadio dele. A hist\u00f3ria mais legal \u00e9 que o disco custou US$ 500.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi mais barato que o \u201cBleach\u201d, do Nirvana.<\/strong><br \/>\nFernanda: Foram 10 sess\u00f5es de US$ 50, a gente pagava religiosamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: E depois ele deu mais uma sess\u00e3o de gra\u00e7a, para acabar uns \u00faltimos detalhes. No fim das contas, foram 11 sess\u00f5es por US$ 500.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E era em d\u00f3lar porque o cruzeiro era uma zona, certo?<\/strong><br \/>\nFernanda: Exatamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: O pre\u00e7o das coisas era \u201cincruzeir\u00e1vel\u201d, se \u00e9 que existe essa palavra. J\u00e1 no segundo disco foi o Savalla, que foi nosso primeiro produtor profissional. Ele tinha uma experi\u00eancia com os Paralamas, tinha at\u00e9 uma experi\u00eancia com os Mutantes, e foi demais trabalhar com ele. O Savalla foi uma escola pra gente, n\u00e3o s\u00f3 de como funciona um est\u00fadio, de como \u00e9 que se grava a sequ\u00eancia de coisas, mas at\u00e9 da experi\u00eancia dele como gravadora. Ele ensinou para n\u00f3s como funciona uma gravadora, a gente absorvia tudo atentamente. \u201c\u00d3, gravadora est\u00e1 gravando esse monte de banda pequena mas quem paga isso tudo aqui \u00e9 o Amado Batista, viu?\u201d. Era o Amado Batista que pagava o Pato Fu, o Professor Antena, n\u00e3o sei mais quem\u2026 o Amado Batista dava tanta grana para a gravadora que at\u00e9 sobra pra gravar esse monte de banda. \u201cSe alguma dessas bandas fizer algum sucesso, voc\u00eas v\u00e3o continuar na gravadora.\u201d Era esse tipo de dica, muito preciosa, que ele dava pra gente. Temos uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o legal com o Savalla que ele foi padrinho do nosso casamento, ele \u00e9 nosso amigo at\u00e9 hoje, de vez em quando trocamos umas figurinhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Antes de gravar o disco, n\u00f3s fomos pro est\u00fadio para fazer uma demo com o Savalla. No repert\u00f3rio, tinha \u201cSobre o Tempo\u201d, \u201cMam\u00e3e Ama \u00c9 o Meu Rev\u00f3lver\u201d, tinha mais um monte de m\u00fasica, mas ele sempre falava: \u201c\u00d3, gente, \u2018Sobre o Tempo\u2019, vamos fazer essa m\u00fasica porque a gravadora vai gostar e eles v\u00e3o deixar a gente trabalhar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u201cSe voc\u00eas est\u00e3o numa gravadora n\u00e3o precisa fazer 12 m\u00fasicas radiof\u00f4nicas, eles sabem o que \u00e9 o Pato Fu\u2026\u201d. Acho que o Pato Fu tinha uma sorte, tamb\u00e9m, de naturalmente gostar de coisa pop, sem ferir o nosso gosto. Quer dizer: a gente gosta de coisa pop e de coisa esquisita, de coisa pesada, de coisa eletr\u00f4nica e de coisa ac\u00fastica. A gente gosta de um monte de coisa e detesta uma porrada de coisa tamb\u00e9m. E o fato da gente ter uma verve pop, que tem muito a ver com a Fernanda, \u00e9 uma sorte. Temos esse lado que serve pras r\u00e1dios e para a gravadora, ent\u00e3o n\u00e3o tinha nenhum problema pra gente fazer o pop. A n\u00e3o ser aquela tortura interna que j\u00e1 falei, o fato de que as pessoas n\u00e3o entendem direito o que \u00e9 o Pato Fu. Mas tudo bem, est\u00e1 tocando no r\u00e1dio, est\u00e1 vendendo disco, seguimos a nossa carreira e quem for f\u00e3 vai entender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00eas j\u00e1 levaram isso pra terapia?<\/strong><br \/>\nJohn: Eu n\u00e3o fa\u00e7o terapia\u2026 (risos). Eu vou enlouquecer meu terapeuta!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Engra\u00e7ado, quando eu fiz terapia eu s\u00f3 falava de outras coisas, n\u00e3o profissionais (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Mas isso n\u00e3o \u00e9 um trauma, \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E \u00e9 uma aceita\u00e7\u00e3o, a gente sabe que a gente \u00e9 assim. Convivemos com isso h\u00e1 bastante tempo, sem nada de muito mais forte pra nossa vida.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Karnak - &quot;Rapaz Eu Vi&quot; (Universo Umbigo\/1997)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Za65_AErXgc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Depois do Carlos Savalla, veio o Andr\u00e9 Abujamra.<\/strong><br \/>\nFernanda: E o Abujamra veio por qu\u00ea? Porque a gente come\u00e7ou a frequentar as festas da MTV naquela \u00e9poca \u2013 e o disco que eu mais ouvia <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/01\/27\/ao-vivo-festejando-30-anos-karnak-toca-sua-obra-prima-quase-na-integra-juntando-musica-poesia-e-humor-em-doses-iguais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">era o primeiro disco do Karnak<\/a>. Para voc\u00ea ter uma ideia, descolei o telefone dele s\u00f3 pra ligar: \u201cOi, Andr\u00e9, eu sou a Fernanda, do Pato Fu, e o disco do Karnak \u00e9 o melhor disco brasileiro que eu ouvi nos \u00faltimos tempos\u2026\u201d. Ele ficou super feliz, ficamos amigos, fizemos shows juntos em Ouro Preto, toda vez que est\u00e1vamos em S\u00e3o Paulo eles apareciam. Quer\u00edamos muito que ele produzisse um disco nosso, porque a gente achava que \u00e9ramos (e somos at\u00e9 hoje!) irm\u00e3os de pensamento livre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica, de fazer projetos diferentes, de interagir, de chamar mais gente para participar. Ele apareceu assim. O problema \u00e9 que a gente mais se divertia do que trabalhava no est\u00fadio. Era tanto caso, tanta amizade, que a parte mais legal era ir almo\u00e7ar e voltar pro est\u00fadio contando os casos, coisa bem de banda irm\u00e3. Ele \u00e9 super amigo nosso at\u00e9 hoje. E o John aprendeu bastante com o Andr\u00e9 de usar programa\u00e7\u00e3o, os primeiros computadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u00c9, o Andr\u00e9 j\u00e1 tinha esse neg\u00f3cio e depois eu peguei a manha, tamb\u00e9m peguei isso com Dudu. Mas o Andr\u00e9 \u00e9 um cara incr\u00edvel. Acho que a coisa mais legal que ficou dessa produ\u00e7\u00e3o foi a amizade. Outra coisa que a gente fez com o Karnak que foi muito importante foi o MTV RockGol. N\u00f3s tomamos as maiores goleadas de todos os tempos do desporto nacional. O Abu \u00e9 foda. Eu tamb\u00e9m fiz um disco solo com o Abujamra, o \u201cABCY\u00c7W\u00d6K\u201d. \u00c9 um disco que levou 15 anos para ficar pronto. Na verdade, levou 15 anos e uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como \u00e9 que \u00e9?<\/strong><br \/>\nJohn: \u00c9 porque a gente fez metade do disco h\u00e1 uns 15 anos. A\u00ed, no meio da pandemia, eu e ele lembramos daquele disco, e em uma semana fizemos a outra metade toda. O disco que levou 15 anos e uma semana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Bom demais! E a\u00ed tem o Dudu.<\/strong><br \/>\nFernanda: O Dudu chega em 1998, e a\u00ed a gente trabalha junto de 1998 a 2001. Foi um choque. Fomos pra S\u00e3o Paulo gravar, com calma. O trabalho com o Savalla tinha sido no Rio, numa \u00e9poca de grava\u00e7\u00e3o muito corrida, com pouqu\u00edssimo tempo e or\u00e7amento. J\u00e1 com o Dudu n\u00e3o, gravamos em est\u00fadios como o Mega, o Bebop, o pr\u00f3prio est\u00fadio dele, que era um baita est\u00fadio. Ele tinha um equipamento incr\u00edvel e uma finaliza\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o muito diferente do que a gente j\u00e1 tinha feito. Ele tinha um esmero na timbragem, na busca de achar o take perfeito da voz. Era um cara que exigia muito da gente. Se voc\u00ea falava \u201cp\u00f4, acho que eu n\u00e3o sei cantar\u201d, ele ia l\u00e1 e fazia muscula\u00e7\u00e3o vocal com voc\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Dudu me ensinou, como produtor, esse esmero nerd de produ\u00e7\u00e3o, de buscar o melhor som, de saber achar que o som ainda n\u00e3o t\u00e1 pronto e tem que torcer um pouco mais. \u00c9 s\u00f3 voc\u00ea que vai fazer isso, as pessoas n\u00e3o v\u00e3o saber identificar, mas quando voc\u00ea chegar l\u00e1 as pessoas v\u00e3o achar que o som est\u00e1 foda. O Dudu tem esse esmero brutal. Ele me ensinou isso e isso n\u00e3o sai mais de mim. Meu jeito de produzir \u00e9 totalmente assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Ele tamb\u00e9m tinha uma coisa muito forte com sele\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio, batia muito na tecla de que tinha m\u00fasica faltando [no disco]. \u201cMe mostra mais\u201d, \u201cessa m\u00fasica que voc\u00ea fez ainda n\u00e3o est\u00e1 definida\u201d, \u201cfaz outra coisa, vai puxando outra coisa\u201d. Acho que essa insatisfa\u00e7\u00e3o que ele tinha era sempre para tirar o melhor da gente, bem professor exigente. Aprendemos bastante, tanto que nas \u00faltimas produ\u00e7\u00f5es, quando chegava a parte de repert\u00f3rio, n\u00f3s cheg\u00e1vamos, mostramos e ele adorava de primeira, \u00e9 o resultado do aprendizado. O \u201cRu\u00eddo Rosa\u201d j\u00e1 foi um disco de produ\u00e7\u00e3o bem dividida entre ele e o John, metade das bases a gente j\u00e1 tinha feito no nosso est\u00fadio, nessa casa que a gente est\u00e1 at\u00e9 hoje. E a\u00ed parte do disco foi finalizada em S\u00e3o Paulo, e a outra em Londres, no Strongroom, um sonho que a gente tinha. E faltou falar do Beto Villares, que gravou o \u201cMTV Ao Vivo 10 Anos\u201d com a gente, ele co-produziu com o John.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - Tribunal de Causas Realmente Pequenas \/ Licita\u00e7\u00e3o (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lpiwOeKB_ao?list=PLMvetUA37DYTEPQrNqAJ8F-vgZBGKEq9P\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 verdade.<\/strong><br \/>\nJohn: O Beto \u00e9 demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9 um super amigo nosso, todos s\u00e3o super amigos nossos. Acho que nessa carreira n\u00e3o tivemos nenhum super atrito, n\u00e3o tem ningu\u00e9m que era amigo e agora n\u00e3o \u00e9 mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: O Beto teve a fun\u00e7\u00e3o de controlar a banda no lance do ao vivo. Gravar ao vivo n\u00e3o \u00e9 muito a nossa especialidade, n\u00e3o somos uma banda de jam session. N\u00e3o \u00e9 o jeito que a gente acha um arranjo. Fizemos isso um pouco no \u201cTem Mas Acabou\u201d, porque era o m\u00e9todo do Andr\u00e9, que ele usa com o Karnak. Mas a gente n\u00e3o faz jam session: eu fa\u00e7o umas bases e todo mundo d\u00e1 palpite na frente da tela, e a\u00ed vamos gravando. Fazer um disco ao vivo \u00e9 outra coisa, tinha que ficar todo mundo tocando junto, e o Beto foi demais nesse disco, controlando a gente. Al\u00e9m disso, tinha dois convidados nesse disco, o Nico [Nicolaiewsky] e o Hique [Gomez] do Tangos e Trag\u00e9dias, e a intera\u00e7\u00e3o deles com o Beto foi realmente demais, os dois tamb\u00e9m viraram amigos para a vida. A gente s\u00f3 vai fazendo amigos, os caras s\u00e3o muito bons.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E o Beto veio tamb\u00e9m porque nesse nosso disco ao vivo, mais uma vez, o Pato Fu fez uma ideia que a gravadora n\u00e3o acha que \u00e9 normal. Em discos ao vivo, a gravadora normalmente quer registrar a m\u00fasica do jeito que ela \u00e9, bem conhecida, para todo mundo cantar junto com uma multid\u00e3o. J\u00e1 n\u00f3s resolvemos fazer um show num lugar para 150 pessoas, mudando todos os arranjos das m\u00fasicas. As m\u00fasicas todas tem arranjos diferentes, vers\u00f5es novas, at\u00e9 mesmo em m\u00fasicas bem conhecidas, como \u201cCan\u00e7\u00e3o Pra Voc\u00ea Viver Mais\u201d, \u201cPerdendo Dentes\u201d, \u201cSobre o Tempo\u201d. O Beto ajudou muito nessa reconstru\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, dos arranjos, junto com o John. Nunca vamos pelo caminho \u00f3bvio, o que faz com que a gente tenha que chamar as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o \u00f3bvias para ajudar a gente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>John, tem uma pergunta espec\u00edfica pra voc\u00ea. Uma das m\u00fasicas que eu mais gosto do Pato Fu \u00e9 \u201cEstudar Pra Qu\u00ea\u201d, que j\u00e1 falava que \u201cquem tem computador nem precisa de estudo\u201d. Voc\u00ea vai atualizar essa letra para o ChatGPT?<\/strong><br \/>\nJohn: Putz, cara\u2026 eu acho que ela est\u00e1 completamente atualizada, cara. \u201cEstudar Pra Qu\u00ea\u201d \u00e9 uma m\u00fasica muito massa. Ela era a abertura dos shows na turn\u00ea do \u201cToda Cura Para Todo Mal\u201d, era legal pra caralho. Aquele barulho de guitarra, era bem legal. N\u00e3o sei se a gente vai atualizar, mas \u00e9 uma boa m\u00fasica em se pensar para colocar numa turn\u00ea de 30 anos\u2026 apesar dela ser muito obscura, n\u00e9? Engra\u00e7ado, quando ela saiu, teve gente que chegou a falar que a gente estava falando mal da educa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9, eu brincava que o John tava errado mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: N\u00e3o tem como argumentar com uma pessoa assim. A pessoa \u00e9 a favor do estudo, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 tipo quem diz que \u00e9 contra a corrup\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nFernanda: Voc\u00ea \u00e9 contra ou a favor da educa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u201cP\u00f4, voc\u00ea \u00e9 contra o estudo das criancinhas?\u201d N\u00e3o, eu sou contra a falta de interpreta\u00e7\u00e3o de texto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Essa pergunta est\u00e1 boa de ser respondida pelo Fl\u00e1vio Dino, que \u00e9 o nosso her\u00f3i. \u00c9 muito bom. Ele t\u00e1 conseguindo lidar com esse povo bruto com muita ironia e muita intelig\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>L\u00e1 atr\u00e1s, a gente fez uma divis\u00e3o da carreira do Pato Fu em tr\u00eas d\u00e9cadas. Ao longo desse tempo, a Fernanda tamb\u00e9m se lan\u00e7ou em carreira solo. Confesso que eu tive um choque quando fui ouvir seu trabalho solo, porque o Pato Fu era minha banda doidinha do cora\u00e7\u00e3o e o trabalho solo da Fernanda j\u00e1 tinha uma pegada mais classuda, elegante. Queria saber um pouco da Fernanda como a sua carreira solo influencia e, ao mesmo tempo, se diferencia do Pato Fu?<\/strong><br \/>\nFernanda: Minha carreira solo, que j\u00e1 tem 15 anos, \u00e9 algo muito raro. N\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo. Durante todo esse tempo, o Pato Fu esteve tocando e produzindo. E eu me impus v\u00e1rios limites \u2013 n\u00e3o foi ningu\u00e9m da banda ou empres\u00e1rio que pediu, mas eu me impus um limite de separar o Pato Fu da Fernanda. No meu show solo atual, eu s\u00f3 toco uma m\u00fasica do Pato Fu, \u201cNada Pra Mim\u201d, que a gente j\u00e1 n\u00e3o toca h\u00e1 muito tempo. Eu busquei trilhar um caminho com composi\u00e7\u00f5es que eu fizesse sem o John. Fiz m\u00fasica com a Pitty, com o Clim\u00e9rio, com a Marina. Acho que minha carreira solo tem a ver com \u00e9tica: se eu fizesse carreira solo cantando as m\u00fasicas da Nara, mas no meio do show colocasse \u201cSobre o Tempo\u201d ou \u201cPerdendo Dentes\u201d, fatalmente a gente ia discutir. N\u00e3o foi o que aconteceu: todos entenderam muito bem que eu estava num momento diferente, que eu queria gravar um repert\u00f3rio precioso para mim e que n\u00e3o tinha esse espa\u00e7o no Pato Fu. Eu queria que as pessoas me vissem n\u00e3o s\u00f3 como uma vocalista de banda, mas como uma cantora \u2013 e foi o que aconteceu a partir desse disco. A partir do disco da Nara, [\u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2007\/12\/17\/inteligencia-a-favor-da-musica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Onde Brilhem Os Olhos Seus<\/a>\u201d, de 2007], eu recebi convites para gravar com outros artistas. \u00c9 quase como se, antes, as pessoas achassem que para eu estar num lugar, seria preciso chamar toda a banda. E quando eu sa\u00ed em carreira solo, isso ampliou o p\u00fablico que eu poderia ter. Foi bom para a banda: de repente, muita gente que n\u00e3o se deu a oportunidade de ouvir o Pato Fu, acabou me ouvindo solo e a\u00ed resolveu ouvir o Pato Fu, entendendo o que n\u00e3o estavam gostando antes. Sinto que [minha carreira solo] tem um p\u00fablico mais velho que veio do projeto da Nara, bem como um p\u00fablico novinho que descobriu Nara Le\u00e3o ou gosta de bossa nova. Mas tamb\u00e9m tem um p\u00fablico intermedi\u00e1rio que n\u00e3o gostava muito do Pato Fu, mas foi ouvir por conta da carreira solo e descobriu que gosta sim. Foi uma carreira solo que s\u00f3 agregou plateia, tanto pra banda como pra mim, e me possibilitou essa express\u00e3o. Sinto tamb\u00e9m que fui mais levada a s\u00e9rio depois da carreira solo. Tanto que ningu\u00e9m fica me pedindo para parar de fazer carreira solo, n\u00e3o tem isso na banda. Ao mesmo tempo, toda vez que eu fa\u00e7o show com o Pato Fu, com os m\u00fasicos que s\u00e3o, com essa hist\u00f3ria que a gente tem, \u00e9 muito forte. Fico t\u00e3o feliz quando estamos todos juntos no mesmo camarim. N\u00f3s envelhecemos juntos, n\u00e3o teve um momento em que cada um ficou na sua. A gente vai na pizzaria do Ricardo comer pizza com ele, n\u00e3o \u00e9 [uma amizade] contratual. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o super viva, que n\u00f3s queremos viver \u2013 e por isso estamos lan\u00e7ando m\u00fasicas novas. Mas \u00e9 isso, tem esses limites que s\u00e3o invis\u00edveis, limites \u00e9ticos, que levam a uma compreens\u00e3o maior. Os pr\u00f3prios jornalistas veem isso: Fernanda \u00e9 um show, Pato Fu \u00e9 outro show. N\u00e3o existe oportunismo, eu n\u00e3o me sinto uma cantora em carreira solo querendo ganhar mais grana, \u00e9 algo conceitual mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>John t\u00e1 com cara de pensativo.<\/strong><br \/>\nJohn: Eu t\u00f4 sempre com cara de pensativo! (risos). Mas \u00e9 verdade: a carreira solo deixou a Fernanda uma figura mais poderosa at\u00e9 para o pr\u00f3prio Pato Fu. \u00c9 verdade: ela passou a ser levada mais a s\u00e9rio quando interpretou coisas consagradas de modo bem-sucedido. Ela faz um neg\u00f3cio e as pessoas d\u00e3o valor. Quando ela volta pro Pato Fu, o Pato Fu t\u00e1 maior. E essa coisa dos limites \u00e9ticos, cara, \u00e9 muito simples: se ela come\u00e7ar a tocar as coisas do Pato Fu no show solo, as pessoas ficam plenas de Pato Fu ao ver aquele show \u2013 porque ela tocaria os hits, as m\u00fasicas de sucesso. E iria atrapalhar a agenda da banda. O que ela faz \u00e9 simples, \u00e9 \u00f3bvio, mas \u00e9 preciso enxergar isso.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - Nunca Diga (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/7HmJcBPcSzM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Outra coisa que sempre marcou a carreira do Pato Fu s\u00e3o as releituras, as regrava\u00e7\u00f5es. Muita gente descobriu bandas como Graforr\u00e9ia Xilarm\u00f4nica ou Mutantes por causa de voc\u00eas. Mas quero saber: o que faltou gravar?<\/strong><br \/>\nJohn: Putz, cara, n\u00f3s gravamos \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d, cara! N\u00e3o falta mais nada! Essa fechou o barraco, cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: A gente deu muita vaz\u00e3o a isso no \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d. \u201cEu\u201d, \u201cAndo Meio Desligado\u201d, \u201cS\u00edtio do Picapau Amarelo\u201d, \u201cNunca Diga\u201d, tamb\u00e9m da Graforr\u00e9ia, todas foram escolhas bem importantes. No caso da Graforr\u00e9ia, era uma banda contempor\u00e2nea que a gente tinha uma real admira\u00e7\u00e3o. A gente achava que as pessoas precisavam conhecer mais \u2013 e teve muita gente que ouviu essas m\u00fasicas e n\u00e3o sabia que era deles. Fez o caminho inverso, acho que isso \u00e9 maravilhoso. Quando chega o \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d, em que a gente precisa recorrer a grandes sucessos de todos os tempos, a\u00ed abriu a porteira. Mas a gente respeitou alguns par\u00e2metros: a m\u00fasica tinha de ter um arranjo conhecido, como \u201cFrevo Mulher\u201d ou \u201cI Saw You Saying\u201d. O \u201cM\u00f9sica de Brinquedo\u201d deu vaz\u00e3o a todas essas m\u00fasicas que a gente queria gravar, como \u201cLive and Let Die\u201d, ou \u201cSeverina Xique-Xique\u201d, \u201cRock and Roll Lullaby\u201d, s\u00e3o todas m\u00fasicas que se a gente n\u00e3o tivesse o \u201cBrinquedo\u201d, elas estariam a\u00ed flutuando e a gente ia pegar. Ou eu ia pegar pro meu show, da mesma forma que eu gravei Reginaldo Rossi na carreira solo. O \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d deu essa apaziguada na nossa vontade, e acho que depois do \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d n\u00e3o falta mais nada, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Mas cara, tem uma que faltou: a gente gravou pro \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d uma m\u00fasica do Led Zeppelin que n\u00e3o entrou. Como chama aquela m\u00fasica: \u201cah, ah ah ah\u2026\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 \u201cDy\u2019er Maker\u201d?<\/strong><br \/>\nJohn: Isso! E a gente gravou, mas n\u00e3o tivemos autoriza\u00e7\u00e3o para publicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Led Zeppelin \u00e9 conhecido por ser chato com autoriza\u00e7\u00e3o.<\/strong><br \/>\nJohn: O Led e o Jimi Hendrix.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: E o Roberto Carlos tamb\u00e9m, Roberto Carlos quase n\u00e3o me deixou gravar o \u201cDebaixo dos Carac\u00f3is dos Seus Cabelos\u201d no projeto da Nara. Mas a\u00ed o Nelson Motta interviu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Roberto Carlos tem umas curvas, voc\u00ea chega pelas curvas de Santos, algu\u00e9m que conhece o Roberto\u2026 o problema \u00e9 que ningu\u00e9m conhece o Led, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9. E a gente est\u00e1 brincando com o \u201cIo Che Amo Solo Te\u201d, mas fatalmente vai ter outra m\u00fasica no futuro que a gente vai querer regravar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: S\u00e3o coisas que v\u00eam da nossa mem\u00f3ria afetiva mesmo. \u00c9 muito raro a gente fazer uma vers\u00e3o de uma m\u00fasica de sucesso recente. \u201cEu Sei\u201d tinha 10 anos quando a gente gravou. E a Graforr\u00e9ia, que foi recente, n\u00e3o era um sucesso quando a gente gravou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Isso pode acontecer: conhecermos uma banda ou artista novo e colocar no nosso disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Mas no \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d a gente n\u00e3o toca m\u00fasicas com menos de 15, 20 anos. Tem de ser m\u00fasicas que os pais das crian\u00e7as ouviram, tem que ter essa pegada um pouco nost\u00e1lgica do arranjo feito com os brinquedos, das pessoas reconhecerem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d n\u00e3o \u00e9 um projeto s\u00f3 para crian\u00e7as, como voc\u00eas acabaram de falar, mas ele atinge em cheio essa audi\u00eancia. Como \u00e9 ter crian\u00e7a como p\u00fablico?<\/strong><br \/>\nJohn: Cara, eu adoro fazer o show do M\u00fasica de Brinquedo. \u00c9 legal pra caramba. Os instrumentos s\u00e3o dif\u00edceis de tocar, s\u00e3o meio desafinados, a gente erra pra caramba, mas n\u00e3o tem import\u00e2ncia, por causa do tipo de plateia. As pessoas sabem que a gente est\u00e1 tocando uns neg\u00f3cios pequenos, que o dedo nem cabe direito na guitarra ou nos tecladinhos, que sai um monte de nota torta, mas o conjunto de um monte de gente tocando aquilo tudo ao mesmo tempo vira uma \u00f3pera bufa que funciona. E as crian\u00e7as s\u00e3o muito engra\u00e7adas, \u00e9 aquele neg\u00f3cio do \u201ccome\u00e7a! come\u00e7a!\u201d. \u00c9 muito bom, \u00e9 uma espontaneidade que desaparece em algum momento da nossa vida, mas no \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d ela est\u00e1 sempre ali. Essa espontaneidade \u00e9 renovada sempre, j\u00e1 que as pessoas continuam produzindo crian\u00e7as, ent\u00e3o os shows s\u00e3o sempre muito frescos. Parece que \u00e9 um monte de gente assistindo a um show pela primeira vez, todos muito animados, e os pais tamb\u00e9m muito animados. A coisa mais louca do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d \u00e9 que mais da metade da plateia vai ao show sem crian\u00e7a, os caras v\u00e3o para ver a encrenca. Tem muito m\u00fasico que vai ver para sacar qual \u00e9. \u00c9 legal demais, \u00e9 um show que a gente sai com um sorriso no rosto e a plateia sai tamb\u00e9m, \u00e9 sempre um momento muito feliz. Ele \u00e9 dif\u00edcil tecnicamente, a passagem de som \u00e9 gigante, insuport\u00e1vel, porque os instrumentos s\u00e3o dif\u00edceis de microfonar, mas \u00e9 sempre muito legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Al\u00e9m disso, tem a coisa do Giramundo estar com a gente no palco, e eles s\u00e3o bem \u00e1cidos. N\u00e3o s\u00e3o monstros que falam coisas fofinhas, eles falam umas coisas que a gente \u00e0s vezes tem que lembrar que tem crian\u00e7a na plateia. \u00c9 bem legal. Apesar de ter setlist, o roteiro e as falas s\u00e3o imprevis\u00edveis, n\u00e3o d\u00e1 pra saber como o Ulisses e a Bia v\u00e3o reagir. Est\u00e1 todo mundo fazendo ao vivo, ent\u00e3o eles mandam coisas da cabe\u00e7a deles e a gente tem que responder. E as crian\u00e7as comentam coisas no intervalo das can\u00e7\u00f5es. No \u201cM\u00fasica de Brinquedo 1\u201d, eu usava um vestido azul, era uma coisa meio fadinha, mas no \u201cM\u00fasica de Brinquedo 2\u201d, eu usava um fraque, cartola e gravata, com cabelo mais curto. No primeiro show, acaba a primeira m\u00fasica e a\u00ed voc\u00ea s\u00f3 ouve uma vozinha: \u201cm\u00e3e, ela n\u00e3o era menina?\u201d. (risos). Eu estava com uma roupa \u201cde homem\u201d, ent\u00e3o a crian\u00e7a comenta mesmo, e a\u00ed cai todo mundo na risada. \u00c9 claro que eu vou comentar, tamb\u00e9m, e eu falei que era menina, mas que podia me vestir do jeito que eu quiser. Gravata n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 roupa de menino. At\u00e9 essas falas das crian\u00e7as geram reflex\u00e3o, temos que estar preparados para responder a elas, n\u00e3o pode deixar no v\u00e1cuo. Se a crian\u00e7a traz um cartaz, voc\u00ea tem que dar alguma coisa de volta, porque pode ser o primeiro show daquela pessoinha pequenininha. A gente aprende muito a lidar com rea\u00e7\u00f5es inesperadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u00c9 uma frase que a gente ouve direto no camarim: \u201cp\u00f4, esse \u00e9 o primeiro show do meu filho\u201d. \u00c9 demais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesses 30 anos, tem alguma coisa que voc\u00eas se arrependem de ter feito como Pato Fu? Ou \u00e9 uma vibe meio Edith Piaf, \u201cnon je ne regrette de rien\u201d?<\/strong><br \/>\nJohn: Cara, acho que a coisa mais mal sucedida que a gente fez foi o tema das Olimp\u00edadas de 2000 (nota do editor: presente em uma edi\u00e7\u00e3o especial do \u00e1lbum &#8220;Isopor&#8221;).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Olimpiada 2000\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/nLXG2qfkmNc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>P\u00f4, eu adoro essa m\u00fasica!<\/strong><br \/>\nJohn: P\u00f4, mas a gente n\u00e3o ganhou nenhuma medalha de ouro naquela Olimp\u00edada e eu tenho certeza que a culpa foi nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Eu adoro a m\u00fasica tamb\u00e9m. A culpa foi dos atletas l\u00e1, cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: N\u00e3o \u00e9 muito a nossa cara, n\u00e9? Imagina, o Pato Fu fazer uma m\u00fasica de Olimp\u00edada. Olha para a minha cara, sabe? Mas a hist\u00f3ria \u00e9 que tem uma galera da Globo, da parte de Esportes, que adora a gente. Eles usam muito o Pato Fu como trilha no \u201cEsporte Espetacular\u201d, \u00e0s vezes tocam umas coisas obscuras do Pato Fu. E de vez em quando eles chamavam a gente para fazer umas coisas, sempre eram uns convites legais. E a\u00ed eles chamaram a gente para fazer esse tema. Eu achei esquisito\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Eu gostei!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u00c9\u2026 \u00e9 legal, mas \u00e9 dif\u00edcil. P\u00f4, voc\u00ea precisa ser ufanista, fazer um tema do esporte ol\u00edmpico, voc\u00ea tem que evocar um clima que n\u00e3o \u00e9 a nossa cara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vou dizer que eu ouvi essa m\u00fasica ali por setembro de 2022 e ela bateu de um jeito muito esquisito. Mas eu continuo gostando!<\/strong><br \/>\nJohn: P\u00f4, \u201cvamos l\u00e1, ver o Brasil brilhar\u201d. \u00c9 um neg\u00f3cio assim, n\u00e9? Voc\u00ea recebe uma miss\u00e3o, at\u00e9 pode falar n\u00e3o, mas a outra alternativa \u00e9 fazer o melhor que voc\u00ea consegue. \u00c9 dif\u00edcil fazer isso sem ser trilheiro ao receber uma miss\u00e3o dessas. Agora, \u00e9 um neg\u00f3cio que tem a assinatura do Pato Fu, seria uma cilada dizer n\u00e3o. Mas a\u00ed a gente lembrou do New Order, que fez uma trilha para a Copa do Mundo e eu lembro de ter achado legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Eu fiquei convencendo os meninos, \u201cos caras do Esporte da Globo s\u00e3o super legais, a gente tem que levar em considera\u00e7\u00e3o essas coisas\u201d. Tem tanta gente legal que gosta da gente e eles t\u00e3o tentando inserir a gente ainda mais no neg\u00f3cio, p\u00f4, vamos fazer. E eu gosto muito da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Voc\u00ea v\u00ea que a m\u00fasica \u00e9 meio New Order, a gente pegou essa inspira\u00e7\u00e3o. Mas resultado? Nenhuma medalha de ouro! (risos). Desculpa, atletas, a culpa \u00e9 nossa!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - Rotomusic de Liquidificapum (ao vivo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/47_fuI6e1TU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se a gente fosse fazer de novo a c\u00e1psula da Voyager para mandar m\u00fasicas para o espa\u00e7o, quais seriam as cinco m\u00fasicas do Pato Fu que voc\u00eas mandariam?<\/strong><br \/>\nJohn: Putz\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Se fosse cinco discos era mais f\u00e1cil. Acho que eu mandaria uma do \u201cRotomusic\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Eu mandaria a pr\u00f3pria \u201cRotomusic de Liquidificapum\u201d, porque ela \u00e9 o come\u00e7o improv\u00e1vel de tudo. Apesar daquilo, a gente fez sucesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Eu mandaria \u201cSobre o Tempo\u201d. \u201cEu\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: \u201cCan\u00e7\u00e3o Pra Voc\u00ea Viver Mais\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u201cCan\u00e7\u00e3o\u201d. E eu mandaria uma do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d, porque acho que um marciano ia ficar assim \u201cwow\u201d, de olho arregalado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: A\u00ed a gente vai ter o mesmo trauma que a gente t\u00e1 falando o tempo todo, de \u201cque porra \u00e9 essa?\u201d. \u00c9 a mesma banda?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: Do \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d, eu mandaria o \u201cFrevo Mulher\u201d, porque eles iam passar a m\u00fasica no Google Tradutor e n\u00e3o iam entender nada da letra do mesmo jeito. Nem a gente entende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: Acho que t\u00e1 bom assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra gente fechar, como \u00e9 que zune um novo sed\u00e3? Que raios de barulho \u00e9 esse?<\/strong><br \/>\nJohn: Voc\u00ea sabe o que \u00e9 um sed\u00e3, n\u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sei.<\/strong><br \/>\nJohn: E sabe o que \u00e9 zunir, assim, quando o carro passa pela rua e faz \u201cuooon\u201d. \u00c9 isso. \u00c9 o efeito doppler!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9 efeito doppler e bem maciozinho, porque o carro \u00e9 novo, n\u00e3o est\u00e1 batendo o motor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">John: A sua vida vai passar um dia assim, macia e r\u00e1pida, como um carro novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 assim que passou at\u00e9 agora?<\/strong><br \/>\nJohn: U\u00e9, cara, ela ainda t\u00e1 passando! \u201cSobre o Tempo\u201d \u00e9 uma m\u00fasica bem legal nesse sentido. \u201cS\u00f3 me derrube no final\u201d? Voc\u00ea vai tentando fazer com que a coisa continue andando como um carro bem regulado, o melhor regulado o poss\u00edvel. Sabendo que vai ter um final, mas tentando adiar esse final o m\u00e1ximo poss\u00edvel. \u00c9 essa a ideia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernanda: \u00c9 sofrer menos, comemorar mais. \u00c9 por a\u00ed.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pato Fu - M\u00fasica de Brinquedo 2 Ao Vivo (completo)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j8xBoE8z2QI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Bruno Capelas (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/noacapelas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@noacapelas)<\/a>&nbsp;\u00e9 jornalista. Apresenta o&nbsp;<a href=\"https:\/\/twitter.com\/indieeldorado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Programa de Indie<\/a>, na Eldorado FM, e escreve a newsletter&nbsp;<a href=\"https:\/\/meusdiscosmeusdrinks.substack.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais<\/a>. Colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Banda enfileira nove can\u00e7\u00f5es in\u00e9ditas, turn\u00ea comemorativa de 30 anos e at\u00e9 mesmo uma s\u00e9rie para o Nickelodeon inspirada em \u201cM\u00fasica de Brinquedo\u201d; em entrevista, Fernanda Takai e John Ulhoa repassam os (muitos) acertos e (poucos) erros de uma das bandas mais legais do Brasil\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/08\/01\/entrevista-nao-queremos-so-viver-do-que-a-gente-ja-fez-temos-o-desafio-de-conquistar-novas-geracoes-dizem-john-e-fernanda-pato-fu\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":14,"featured_media":76152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[1816,207],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76150"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76150"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76150\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76611,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76150\/revisions\/76611"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76152"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}