{"id":76075,"date":"2003-05-12T22:53:00","date_gmt":"2003-05-13T01:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76075"},"modified":"2023-07-23T23:01:16","modified_gmt":"2023-07-24T02:01:16","slug":"faixa-a-faixa-think-tank-do-blur-um-disco-preguicoso-desleixado-distante-e-cansativo-que-pode-viciar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2003\/05\/12\/faixa-a-faixa-think-tank-do-blur-um-disco-preguicoso-desleixado-distante-e-cansativo-que-pode-viciar\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: &#8220;Think Tank&#8221;, do Blur, um disco pregui\u00e7oso, desleixado, distante e cansativo&#8230; que pode viciar"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>por <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser Damon Albarn n\u00e3o deve l\u00e1 ser muito f\u00e1cil, pelo menos nos \u00faltimos dois anos. O vocalista carregou por quase 10 anos a posi\u00e7\u00e3o de frontman de uma das principais bandas inglesas (e, talvez, representante de 40% do britpop inteligente) em seis \u00e1lbuns que culminaram no bom (e multifacetado) &#8220;13&#8221;, de 1999.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1 para c\u00e1, Albarn encarnou o projeto Gorillaz que, sozinho, vendeu mais que todos os \u00e1lbuns do Blur juntos. O Gorillaz virou febre mundial e \u00edcone pop trazendo fama e fortuna para Albarn, mas criando s\u00e9rios pontos de atrito no Blur. Em sess\u00f5es de est\u00fadio em Londres e no Marrocos, o bicho pegou. Pior baixa: o guitarrista Graham Coxon, membro fundador e m\u00fasico influente no som do quarteto, pediu as contas e distribuiu farpas contra Albarn. Tudo prenunciava o pior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de um m\u00eas e meio antes de seu lan\u00e7amento oficial, &#8220;Think Tank&#8221; caiu na internet. A banda, por sua vez, aprovou a divulga\u00e7\u00e3o extra via web. O primeiro single do \u00e1lbum, &#8220;Out Of Time&#8221;, uma baladinha bonitinha (mas ordin\u00e1ria) com um toque de latinidade entrou e sumiu das r\u00e1dios sem dizer a que veio. O segundo single, &#8220;Crazy Beat&#8221; (com m\u00e3o do Fatboy Slim Norman Cook e grau de parentesco elevado com o mega-hit &#8220;Song Two&#8221;) anda tocando at\u00e9 em r\u00e1dios paulistanas. E &#8220;Think Tank&#8221; pulou direto para o primeiro lugar da parada inglesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rigor, s\u00e3o quatro can\u00e7\u00f5es muito boas (&#8220;Ambulance&#8221;, &#8220;Out of Time&#8221;, &#8220;Caravan&#8221; e &#8220;Sweet Song&#8221;) e v\u00e1rias outras medianas. Bobagem bobagem mesmo apenas umas duas faixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o &#8216;presente&#8217;. Yep, isso mesmo. Como o disco vazou inteiro, a banda resolveu presentear o p\u00fablico colocando uma faixa a mais em &#8220;Think Tank&#8221;. Mas da\u00ed voc\u00ea vai, olha no encarte, na capa (ali\u00e1s, a arte do CD \u00e9 genial) e n\u00e3o encontra, certo? Certo. E errado. A faixa escondida est\u00e1 antes da primeira m\u00fasica e n\u00e3o aparece no contador do cd player. Voc\u00ea precisa colocar o CD no aparelho e voltar menos 5m46s. Pena que o trabalho n\u00e3o valha a pena. A faixa \u00e9 fraquinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pergunta que fica \u00e9: o que significa &#8220;Think Tank&#8221; para o Blur?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com 14 anos de exist\u00eancia e mudan\u00e7as sonoras percept\u00edveis desde o \u00e1lbum amarelo (o &#8220;Blur&#8221; de 1997), o Blur de &#8220;Think Tank&#8221; n\u00e3o passa na primeira audi\u00e7\u00e3o, nem com muita boa vontade, principalmemte de f\u00e3. Soa pregui\u00e7oso, desleixado, distante, cansativo. E, principalmente, n\u00e3o soa Blur. Mas se voc\u00ea tomar coragem e ouvir mais umas duas ou tr\u00eas vezes, o risco de v\u00edcio \u00e9 bastante alto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que qualquer coisa, a influ\u00eancia p\u00f3s Gorillaz no &#8216;novo&#8217; Blur \u00e9 clara. E a falta de Graham, com Albarn asssumindo timidamente todas as guitarras no \u00e1lbum, faz com que o baixo de Alex James venha a frente, sinuoso, e os teclados ganhem mais espa\u00e7o nos arranjos (imposs\u00edvel imaginar &#8220;Ambulance&#8221;, a faixa 1 do CD, sem eles). Assim, &#8220;Think Tank&#8221; seria a seq\u00fc\u00eancia natural de &#8220;13&#8221; influenciado pelo Gorillaz (como opinou o vocalista da Bid\u00ea ou Balde, Carlinhos, no Cabra Cega para este site).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquela banda britpop que todo mundo conhecia como Blur acabou. Viva o novo Blur. Viva?<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-76078 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/blurthink2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"996\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/blurthink2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/blurthink2-226x300.jpg 226w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) Ambulance \u2013<\/strong> Baixo e bateria abrem &#8220;Think Tank&#8221;. A introdu\u00e7\u00e3o deixa escapar algo de africano (e de Kraftwerk) at\u00e9 surgir a voz de Albarn, muito acima dos instrumentos. Teclados fazem a cama para o vocalista declamar uma letra esperan\u00e7osa. Guitarras surgem s\u00f3 como efeitos. Um break no meio alterna vocais com um baixo marcante at\u00e9 seu t\u00e9rmino. Psicod\u00e9lica at\u00e9 n\u00e3o poder mais, &#8220;Ambulance&#8221; abre o CD com estilo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) Out of Time \u2013<\/strong> Primeiro single do \u00e1lbum. Uma baladinha ritmada com toques de ritmos latinos, ou seriam marroquinos? Sim, \u00e9 essa a can\u00e7\u00e3o que conta com a participa\u00e7\u00e3o de um grupo regional de Marrakesh. Melodiosa. Vocal imponente de Albarn. O solo de viol\u00e3o \u00e9 algo que, anos atr\u00e1s, talvez fosse imposs\u00edvel imaginar no Blur, com um cravo fazendo a marca\u00e7\u00e3o por baixo. Lindinha.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blur - Out Of Time (Official Music VIdeo)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SRkX1Up1vnc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) Crazy Beat \u2013<\/strong> Segundo single. Com produ\u00e7\u00e3o de Norman \u201cFatboy Slim\u201d Cook, mistura um vocoder com um riff de guitarra fort\u00edssimo. N\u00e3o \u00e0 toa, o baixo carrega a can\u00e7\u00e3o, mais que as guitarras (imagina esse formato em &#8220;Song Two&#8221;? Sim, \u00e9 isso ai). Guitarra com wah wah e refr\u00e3o cool com v\u00e1rios &#8220;yeah yeah yeah&#8221;. Roqueira e para a pista (o que dizer de &#8220;I love my brothers on a Saturday night&#8221;?), mas o vocoder torra o saco, principalmente na parte final.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blur - Crazy Beat (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ohyqek7fj6Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) Good Song \u2013<\/strong> Duas guitarras pregui\u00e7osas abrem essa can\u00e7\u00e3o rancheira (espacial) cheia de efeitos. Bonitinha e perfeita para se ouvir no fim de tarde.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Blur - Good Song (Official Music Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VRrJugyk1Yw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) On The Way Club \u2013<\/strong> Sabe o Blur? Aquela banda &#8216;das antigas&#8217; come\u00e7a a dar o ar de sua gra\u00e7a aqui. Bateria eletr\u00f4nica repetida ao infinito e uma linha de baixo matadora. Efeitos e um vocal pregui\u00e7oso. Poderia estar em &#8220;13&#8221; ou em &#8220;Blur&#8221;, f\u00e1cil f\u00e1cil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) Brothers and Sisters \u2013<\/strong> Com abertura bluesy e vocal dobrado, \u00e9 outra que lembra um Blur mais Blur. \u00c9 ouvir o coro e reconhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) Caravan \u2013<\/strong> Uma das grandes can\u00e7\u00f5es de &#8220;Think Tank&#8221; e nem \u00e9 porque o vocal de Albarn est\u00e1 meio desfigurado. Constru\u00edda em cima da linha de baixo e efeitos, segue arrastada, desconstru\u00edda. Uma guitarrinha safada bate cart\u00e3o no canal esquerdo do fone de ouvido. A letra (muito boa) conclui: &#8220;Sometimes everything is easy&#8221;. Se o blues tivesse nascido nos anos 2000 seria assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) We\u2019ve Got a File On You \u2013<\/strong> Bobagem de menos de um minuto. O t\u00edtulo da can\u00e7\u00e3o \u00e9 repetido ao infinito tendo como pano de fundo uma base punk rock. Tolinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) Morrocan Peoples Revolutionary Bowls Club \u2013<\/strong> Baixo mandando novamente. Com bateria quebrada (influ\u00eancia africana clara) e o t\u00edpico vocal em dobro a l\u00e1 Blur, &#8220;Morrocan&#8221; \u00e9 outra das grandes can\u00e7\u00f5es do CD, ainda que pare\u00e7a mais uma jam session do que m\u00fasica finalizada. O solo de baixo no meio da can\u00e7\u00e3o \u00e9 de matar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) Sweet Song \u2013<\/strong> Outra baladinha (prima de &#8220;Caravan&#8221;) inspirada. Essa faz jus ao seu t\u00edtulo. Piano e efeito e a voz de Albarn e backings docinhos. Para se ouvir vendo neve cair. \ud83d\ude42<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11) Jets \u2013<\/strong> Durante seis minutos de (d)efeitos voc\u00ea s\u00f3 ir\u00e1 ouvir a frase &#8220;Jets are like comets at sunset&#8221;. Quando surgem uns &#8220;yeah&#8221; ao fim de cada riff de guitarra voc\u00ea descobre que eles n\u00e3o est\u00e3o levando a can\u00e7\u00e3o a s\u00e9rio. Faixa menor, para preencher espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12) Gene By Gene \u2013<\/strong> A outra can\u00e7\u00e3o produzida por Fatboy Slim em &#8220;Think Tank&#8221;, Repeti\u00e7\u00f5es, vocoders, efeitos, desconstru\u00e7\u00e3o, e bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13) Battery In Your Leg \u2013<\/strong> Vocal perdido no meio da mixagem. Baixo e bateria a frente, ritmo pesado e reto. Deve ganhar uns bons remixes. E ponto final. (ou seriam retic\u00eancias?)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Think Tank\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_nSZx3hE_GeKlHEHuiieD5WnVkJ317fia8\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u00a0Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 jornalista e editor do Scream &amp; Yell. Assina a <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A influ\u00eancia p\u00f3s Gorillaz no &#8216;novo&#8217; Blur \u00e9 clara. 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