{"id":76038,"date":"2023-07-21T00:01:00","date_gmt":"2023-07-21T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=76038"},"modified":"2023-08-23T00:11:20","modified_gmt":"2023-08-23T03:11:20","slug":"literatura-o-inventor-do-franco-venezuelano-miguel-bonnefoy-e-um-mergulho-no-seculo-xix","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/21\/literatura-o-inventor-do-franco-venezuelano-miguel-bonnefoy-e-um-mergulho-no-seculo-xix\/","title":{"rendered":"Literatura: &#8220;O inventor&#8221;, do franco-venezuelano Miguel Bonnefoy, \u00e9 um mergulho no s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gabriel Pinheiro<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSeu rosto n\u00e3o aparece em nenhum quadro, em nenhuma gravura, em nenhum livro de hist\u00f3ria\u201d. Quantos g\u00eanios esquecidos atravessam d\u00e9cadas ou s\u00e9culos, sem que conhe\u00e7amos suas hist\u00f3rias? Quantas mentes inquietas parecem ter nascido \u00e0 frente de seus respectivos tempos, desenvolvendo teses, pesquisas e, quem sabe, artefatos que as sociedades da \u00e9poca t\u00e3o pouco valorizaram, n\u00e3o entendendo a for\u00e7a daquilo que estava sendo inventado? Augustin Mouchot nasceu na Fran\u00e7a em meados do s\u00e9culo XIX. O feliz encontro com uma biblioteca herdada levou-o \u00e0 uma surpreendente obsess\u00e3o: conquistar o sol. \u00c9 a hist\u00f3ria desse homem de apar\u00eancia comum que o romancista Miguel Bonnefoy nos entrega em &#8220;O inventor&#8221;, lan\u00e7amento da Editora Vest\u00edgio com tradu\u00e7\u00e3o de Julia da Rosa Sim\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o estamos diante de uma biografia padr\u00e3o. Numa estrutura mais pr\u00f3xima do romance, Miguel Bonnefoy narra de maneira instigante a trajet\u00f3ria do cientista, usando a liberdade da fabula\u00e7\u00e3o para permitir que adentramos o mais \u00edntimo do protagonista, seus pensamentos, ang\u00fastias e anseios. \u201cAugustin Mouchot \u00e9 um dos grandes esquecidos da ci\u00eancia n\u00e3o porque foi menos perseverante em suas explora\u00e7\u00f5es ou menos brilhante em suas descobertas, mas porque sua loucura criadora de pesquisador teimoso, frio e severo se voltou obstinadamente \u00e0 conquista do \u00fanico reino que nenhum homem jamais p\u00f4de ocupar: o sol.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que um homem comum, Augustin Mouchot foi um ser fr\u00e1gil. A morte e a doen\u00e7a sempre estiveram \u00e0 espreita, assombrando uma sa\u00fade delicada desde a inf\u00e2ncia. Chegou-se ao ponto de, assim que aprendeu a escrever, um jovem Augustin deixar, por vezes, a seguinte mensagem anotada na mesa de cabeceira enquanto dormia: &#8220;Embora pare\u00e7a, n\u00e3o estou morto&#8221;. Apesar disso, o inventor franc\u00eas viveu at\u00e9 os 87 anos, desafiando a morte e a ci\u00eancia, dedicando-se ao nosso astro maior e os limites de suas possibilidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inquieto inventor desenvolveu a m\u00e1quina movida a energia solar. Conquistando o interesse do imperador Napole\u00e3o III e do general Verch\u00e8re de Reffye, que via na inven\u00e7\u00e3o mais que uma inova\u00e7\u00e3o industrial, mas uma revolu\u00e7\u00e3o militar, Mouchot alcan\u00e7ou a gl\u00f3ria ao ser premiado na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris em 1878. Entre as muitas possibilidades, era um caminho poss\u00edvel para libertar a Fran\u00e7a da depend\u00eancia do carv\u00e3o, um recurso finito. Mas, at\u00e9 a efetiva constru\u00e7\u00e3o dessa m\u00e1quina fant\u00e1stica, muitos infort\u00fanios acompanharam os passos do franc\u00eas. Querendo dominar a for\u00e7a do sol, aquelas que o obliteravam eram justamente suas maiores inimigas: as nuvens, sobretudo quando carregadas, desabando em chuvas repentinas e torrenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fluidez da prosa de Miguel Bonnefoy, por vezes, nos pegamos sendo desviados da hist\u00f3ria principal para mergulhos breves em coadjuvantes especiais. H\u00e1, por exemplo, a entrada em cena de uma personagem interessant\u00edssima, que traz um v\u00ednculo especial com o romance anterior do autor, \u201cHeran\u00e7a\u201d, que parece levar ao limite o uso da fic\u00e7\u00e3o para reconstruir a hist\u00f3ria de Augustin. Nada mais justo que a inven\u00e7\u00e3o para dizer da hist\u00f3ria de um inventor: a fabula\u00e7\u00e3o como maneira de alcan\u00e7ar de maneira mais profunda um personagem singular.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas m\u00e3os de um habilidoso contador de hist\u00f3rias, &#8220;O inventor&#8221; \u00e9 um mergulho no s\u00e9culo XIX, per\u00edodo de f\u00e9rtil desenvolvimento da ci\u00eancia que viu surgir inven\u00e7\u00f5es que seguiram influenciando e revolucionando pensamentos futuros, na figura de um cativante filho de seu tempo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Rencontre avec Miguel Bonnefoy - L&#039;inventeur\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zIAS7-VQ24g?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Gabriel Pinheiro \u00e9 jornalista. Escreve sobre suas leituras tamb\u00e9m no Instagram:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tgpgabriel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@tgpgabriel<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na fluidez da prosa de Miguel Bonnefoy, por vezes, nos pegamos sendo desviados da hist\u00f3ria principal para mergulhos breves em coadjuvantes especiais.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/21\/literatura-o-inventor-do-franco-venezuelano-miguel-bonnefoy-e-um-mergulho-no-seculo-xix\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":112,"featured_media":76040,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[9],"tags":[6788],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76038"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76038"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76038\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":76041,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76038\/revisions\/76041"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76040"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}