{"id":75864,"date":"2023-07-10T00:01:13","date_gmt":"2023-07-10T03:01:13","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75864"},"modified":"2023-10-27T13:46:48","modified_gmt":"2023-10-27T16:46:48","slug":"faixa-a-faixa-larissa-conforto-fala-de-transes-novo-disco-de-seu-projeto-aiye-e-diz-que-o-reggaeton-e-o-novo-punk-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/10\/faixa-a-faixa-larissa-conforto-fala-de-transes-novo-disco-de-seu-projeto-aiye-e-diz-que-o-reggaeton-e-o-novo-punk-rock\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: Larissa Conforto fala de &#8220;Transes&#8221;, novo disco de seu projeto \u00c0IY\u00c9, e diz que REGGAETON \u00c9 O NOVO PUNK ROCK"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>introdu\u00e7\u00e3o por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><br \/>\nFaixa a faixa por <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/aiyemusic\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c0IY\u00c9<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na semana seguinte em que a pandemia foi decretada em 2020, Larissa Conforto apresentava \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/07\/entrevista-larissa-conforto-lanca-seu-projeto-solo-aiye\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gratitrevas<\/a>\u201d, EP de estreia de seu projeto \u00c0IY\u00c9 ao mundo, um disco que trazia impresso em seu \u00e2mago marcas de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/04\/07\/entrevista-larissa-conforto-lanca-seu-projeto-solo-aiye\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201ctodas as cat\u00e1strofes [sociais, ecol\u00f3gicas, pol\u00edticas]<\/a>\u201d que nos perpassavam naquele momento. Tr\u00eas anos depois ela ressurge mais feliz e colorida com \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/aiye-transes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transes<\/a>\u201d (Balaclava Records, 2023), um disco ensolarado e empolgante \u201centre a pista e o terreiro\u201d, como adianta o texto do release, que ainda fala que \u201csynths e santos ocupam um lugar de igual import\u00e2ncia na narrativa contada pela artista\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais do que isso, \u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/aiye-transes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transes<\/a>\u201d, cuja capa criada num processo de colagem traz, ao centro, Larissa como uma Carmen Miranda moderna, \u00e9 um disco pop genu\u00edno com refr\u00e3os fortes para se cantar junto, o tradicional trabalho ex\u00edmio de percuss\u00e3o que marca a trajet\u00f3ria de Larissa e, ainda, um avan\u00e7o natural tanto no territ\u00f3rio das composi\u00e7\u00f5es quanto de coloca\u00e7\u00e3o da voz, que surge aqui mais \u00e0 frente, cristalina, verbalizando amor, espiritualidade e futurismo enquanto funda o AXINDIE \u2013 \u201cuma piada interna s\u00e9ria, dedicada \u00e0 mam\u00e3e Yemanj\u00e1 e \u00e0 uma paix\u00e3o de ver\u00e3o na Bahia\u201d, ela se apressa em avisar em certo momento do delicioso faixa a faixa abaixo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c<a href=\"https:\/\/ditto.fm\/aiye-transes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Transes<\/a>\u201d combina refer\u00eancias da deusa eterna Clara Nunes com a deusa moderna Rosal\u00eda (\u201c\u2019<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/04\/28\/musica-motomami-de-rosalia-firma-a-artista-espanhola-como-um-dos-grandes-nomes-do-pop-atual\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Motomami<\/a>\u2019, avisa Larissa, \u201canuncia algo que eu j\u00e1 sabia: O REGGAETON \u00c9 O NOVO PUNK ROCK\u201d) passando por nomes como o galego Rodrigo Cuevas, Flying Lotus, Alcione, Djavan e \u00c9 O Tchan (ali\u00e1s, seria viagem demais fazer uma conex\u00e3o de \u201cA Dan\u00e7a do Ventre\u201d com Ventre, a banda que apresentou Larissa ao mundo?). \u00c9 um disco de encruzilhada, de viv\u00eancia umbandista, de despertar, de se reconhecer no movimento dos quadris, de celebrar as coisas boas: \u201cINELEGIVEL PORRAAAA\u201d, ela grita feliz no faixa a faixa abaixo, revelando muitas mais coisas. Vem com a gente.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Faixa a faixa de &#8220;Transes&#8221;, por \u00c0IY\u00c9<\/strong><\/h2>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"TRANSES\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kMXQjD_hzsPZQyy7uxwtDRx_at65d_mwY\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>(intro) \u2013<\/strong> Autoexplicativo, n\u00e9? Pra quem n\u00e3o pegou a ref, \u00e9 s\u00f3 botar no navegador: &#8220;Essa \u00e9 a mistura do Brasil com o Egito, tem que ter charme pra dan\u00e7ar bonito!!&#8221; Essa intro pintou de \u00faltima hora, pra apresentar o clima descontra\u00eddo dessa encruzilhada (e eu digo isso de uma forma boa, voc\u00eas j\u00e1 sabem n\u00e9!) que eu chamei de disco!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) Onda \u2013<\/strong> Funda\u00e7\u00e3o do AXINDIE, essa m\u00fasica \u00e9 um xod\u00f3 &lt;3 \u2013 uma piada interna s\u00e9ria, dedicada \u00e0 mam\u00e3e Yemanj\u00e1 e \u00e0 uma paix\u00e3o de ver\u00e3o na Bahia, que embalou os pedidos do 2 de fevereiro na urg\u00eancia profunda de amar mais leve, sem jogos de amor. \u00c9 louco que essa faixa abra o disco porque ela come\u00e7ou como uma brincadeira sobre multi afetos, poli amorosidade e responsabilidade afetiva \u2013 afinal, desligar o projetor significa perceber quando estamos nos projetando na pessoa amada, e desejando que ela seja como n\u00f3s. Proje\u00e7\u00f5es amorosas s\u00e3o aqueles castelinhos que a gente cria na cabe\u00e7a, caraminholas que n\u00e3o necessariamente abra\u00e7am a causa do amor tranquilo \u2013 pauta nobre no minist\u00e9rio do namoro, inclusive. Como pessoa panssexual e n\u00e3o monog\u00e2mica, sinto que esse \u00e9 um assunto que me atravessa o tempo todo, e n\u00e3o podia deixar de estar presente dentre os pedidos e oferendas \u00e0 mam\u00e3e Yemanj\u00e1, nesse clima de ver\u00e3o del\u00edcia de Brasil democr\u00e1tico (e com algu\u00e9m ineleg\u00edvellll). Que seja leve! Odociaba!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c0IY\u00c9 | Onda (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/B0fnOKkmr7s?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) Oxumar\u00e9 (Que Meus Venenos Sejam Mel) \u2013<\/strong> Oxumar\u00e9 \u00e9 Orix\u00e1, patrono da beleza na terra, rainhe dos ciclos, transforma\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as. Nem homem nem mulher, oxumar\u00e9 \u00e9 representade por uma serpente bela que conhece os segredos do c\u00e9u e da terra. Nos ensina a renovar atrav\u00e9s dos ciclos, e ver beleza naquilo que parece doloroso. Essa m\u00fasica celebra o tempo em que estive me acercando dessa energia, desse ax\u00e9, pra questionar meu lugar de desejo, meu corpo, minha sexualidade e formas perceber e desconstruir as ideias de g\u00eanero que moravam em mim. As vezes o vil\u00e3o mora dentro da nossa cabe\u00e7a, e pra mim essa m\u00fasica \u00e9 um rezo pra que \u2013 atrav\u00e9s do ax\u00e9 de Oxumar\u00e9 \u2013 eu aprenda a transformar veneno em mel, morte em vida, dor em amor. Foi (e \u00e9 um processo intenso, mas sigo celebrando e honrando essa for\u00e7a!) o beat foi feito pensando nos movimentos dessa cobra, e eu queria que tivesse um teor amb\u00edguo, sexual \u2013 embora sagrado, um espa\u00e7o pra misturar sagrado e profano de forma leve. Em junho ela ganhou um remix feito pela Viridiana (RS), artista trans que sou f\u00e3, e as percuss\u00f5es foram gravadas por 4rt, ume grande amigue e mestre, pessoa n\u00e3o bin\u00e1rie e macumbeire que me ensina e acompanha nessa vida. Arroboboi!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c0IY\u00c9 - OXUMAR\u00c9 (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/x_LYnNTSn04?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) Diablo XV \u2013<\/strong> Eu n\u00e3o sei se amo ou odeio essa m\u00fasica! HAHAHA Acho que ela fala por si pr\u00f3pria, \u00e9 uma fogueira pra queimar relacionamentos t\u00f3xicos, lugar de extravazar a raiva brincando, me permitindo ser vil\u00e3 e mocinha de mim mesma, saindo dos padr\u00f5es de bem e mal \u2013 tal qual o arcano XV (O Diabo do Tarot) nos prop\u00f5e. \u00c9 claro que ela \u00e9 inspirada no \u201cMotomami\u201d, da Rosalia, que lan\u00e7ou bem na \u00e9poca em que eu estava em imers\u00e3o com o Poloni l\u00e1 em casa. \u00c9 um disco impactante, que anuncia algo que eu j\u00e1 sabia: O REGGAETON \u00c9 O NOVO PUNK ROCK \u2013 assim como o brega, o funk, a c\u00fambia, a bomba\u2026 e toda m\u00fasica de periferia latino-americana. O esp\u00edrito punk se mudou, e agora mora nesses ritmos, s\u00f3 n\u00e3o v\u00ea quem n\u00e3o quer. E a\u00ed brincando um pouco com o fato da Rosalia ter posto um sample de tamborim de samba em uma de suas m\u00fasicas, eu resolvi botar o reggaeton num bloco de carnaval, pra celebrar esse fim de relacionamento brab\u00edssimo. Claro que a letra tinha que ser em espanhol, isso \u00e9 algo que eu tinha vontade faz tempo, por conta da minha rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua, de tantos anos que passei viajando e pesquisando nossos ritmos dentro da constru\u00e7\u00e3o de identidade latina. \u00c9 pra dan\u00e7ar, \u00e9 pra queimar, \u00e9 pra brincar, e \u00e9 pra romper padr\u00f5es e ressignificar s\u00edmbolos, sim senhores!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"\u00c0IY\u00c9 | DIABLO XV (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xoR9gedoJaY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) Flui \u2013<\/strong> Sobre abra\u00e7ar as pedras no caminho e reconhecer o poder da queda. Sobre entender os medos como um sintoma dos desejos mais profundos. Durante um processo mega intenso de medita\u00e7\u00e3o na floresta (por 8 horas) em jejum de \u00e1gua, comida e palavra, eu me vi sentada em uma pedra, observando um pequeno riacho desaguar. Quanto mais a \u00e1gua corria, mais eu percebia seus movimentos por entre as pedras. Fui me dando conta de que, se n\u00e3o fossem essas pedras, os rios seriam \u00e1gua sobre terra, n\u00e3o haveria fluxo. Esse rio me disse: &#8220;FLUI, minha filha&#8221;, e me mostrou que sua grande for\u00e7a e beleza, est\u00e1 na queda. A natureza ensina nas suas entrelinhas, tudo, at\u00e9 mesmo o movimento mais simples &lt;3 como diria a rainha Gal, tudo \u00e9 divino e maravilhoso! Ora i\u00ea i\u00ea<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) Cores de Oxum \u2013<\/strong> Mam\u00e3e Oxum rege o reino do amor, representa a cachoeira, a abund\u00e2ncia, e o ouro. Est\u00e1 associada \u00e0 cor amarelo ou dourado, mas pra mim o amor \u00e9 da cor do arco \u00edris, e \u00e9 sobre isso que essa m\u00fasica fala. Oxum \u00e9 a fundadora da vida, porque o amor \u00e9 o ax\u00e9 maior, fundamento de tudo que existe. Nessa m\u00fasica eu evoco suas for\u00e7as pra que todo o preconceito e a hostilidade se dissolvam, pra que a gente possa se reunir sob os termos da simplicidade do amor. &#8220;Omi tutu&#8221; \u00e9 um ritual de jogar \u00e1gua nas cal\u00e7adas quentes, pra apaziguar as situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Ent\u00e3o eu pe\u00e7o que essa m\u00e3e nos regue, e regue toda a terra seca, pra que toda situa\u00e7\u00e3o de \u00f3dio e conflito encontre seu fim. Tudo que \u00e9 fruto m\u00e3e inicia e logo findar\u00e1 (INELEGIVEL PORRAAAA). \u00c9 um Ijex\u00e1 solar, dan\u00e7ante e esperan\u00e7oso, pra gente se abra\u00e7ar e cantar junto :}<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) Saci \u2013<\/strong> Originalmente essa track abriria o disco. Justamente por ter sido a m\u00fasica que abriu os caminhos pra essa nova fase, pra que eu pudesse receber o chamado e entender o que precisava ser feito. Durante a quarentena em S\u00e3o Paulo, um Saci come\u00e7ou a me visitar. Eu achei que tava ficando louca! Logo procurei o lider espiritual do espa\u00e7o que eu frequentava, que me orientou a buscar um terreiro que trabalhasse com sacis, embora essa fosse uma pr\u00e1tica rara. Depois de muito buscar, me encontrei no Quilombo da V\u00f3 Mironga, um espacinho em Cotia que me abrigou e guiou nessa jornada, pra entender que Saci \u00e9 sim uma entidade sagrada e que pode ser evocada pra trabalhar dentro da linha de exu mirim. Fui amparada pela av\u00f3 Uni, tamb\u00e9m conhecida como ayahuasca, e pela minha yalorix\u00e1 na \u00e9poca, a cantar pro Saci. Desde que comecei, passei a receber muitos cantos pra outros santos, em sonho. Se abriu um canal de muita luz na minha estrada. Sarav\u00e1 seu saci! Salve suas for\u00e7as! Viva os er\u00eas, os exus, os ex\u00fas mirins! Saci \u00e9 cria dos tr\u00eas mundos. \u00c9 encantaria, \u00e9 pajelan\u00e7a, \u00e9 \u00c1frica, \u00e9 Brasil, \u00e9 origin\u00e1rio, \u00e9 popular, \u00e9 tudo de bom. Saci \u00e9 despertar!<\/p>\n<figure id=\"attachment_75867\" aria-describedby=\"caption-attachment-75867\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-75867 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/AIYE_TRANSES_CAPA-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/AIYE_TRANSES_CAPA-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/AIYE_TRANSES_CAPA-copiar-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/AIYE_TRANSES_CAPA-copiar-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75867\" class=\"wp-caption-text\"><em>Capa de &#8220;Transes&#8221;, de \u00c0IY\u00c9<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) Xang\u00f4 \u2013<\/strong> Xang\u00f4 \u00e9 a justi\u00e7a divina. \u00c9 a lei sobre todas as leis, \u00e9 como o divino se expressa na mat\u00e9ria. Pai xang\u00f4 mora nas pedreiras, e \u00e9 representado pela for\u00e7a dos raios e trov\u00f5es, e tamb\u00e9m pelos vulc\u00f5es -d\u00e1 pra visualizar essa for\u00e7a? \u00c9 o raio que anuncia a chuva (de mam\u00e3e Ians\u00e3). Essa melodia &#8220;Clari\u00f4 clari\u00f4 clari\u00f4, raio de xang\u00f4&#8221; veio num sonho, em que eu via toda a mata iluminada por esse raio, e assim achava o caminho de casa. Era uma vis\u00e3o muito forte, uma luz muito poderosa, majestosa! Por isso eu fui buscar esses metais apote\u00f3ticos, que se reuniram perfeitamente com o baixo ac\u00fastico do Fabinho S\u00e1, baixista incr\u00edvel que tocou muitos anos com a Gal, e trouxe o peso e a leveza desse instrumento, nos arcos e no dedo. A gente brincou com o som de raios, e usou sons de atabaques distorcidos, com pitch alterado (gravados pela pessoa genial 4rt, do ATABLOCO). Tamb\u00e9m reciclei beats que havia feito pra Ju Strassacapa, no projeto Lazuli. Reutilizei as palmas que gravamos, e alguns outros timbres que j\u00e1 tinha criado naquela ocasi\u00e3o, pensando nessa for\u00e7a. Tamb\u00e9m gravei bateria ac\u00fastica, uma alfaia e caxixis. Tudo isso pra trazer o peso e a leveza, o claro e escuro, os dois lados que se equilibram e s\u00e3o em si a pr\u00f3pria lei divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) Pomba Gira \u2013<\/strong> Essa foi a \u00faltima m\u00fasica que fiz, do disco. Ela veio quase psicografada, \u00e9 uma homenagem \u00e0 Dona 7 e a todas as mo\u00e7as, as marias que trabalham nos terreiros, encantarias e outras mirongas Brasil afora. Laroy\u00ea as pombogiras! Salve vossas for\u00e7as! Apesar de ser uma melodia bem brasileira (de terreiro, quase que feita pra um congo ou congo de ouro), eu usei uma base de festejo peruano pro beat, e fui adicionando c\u00e9dulas de congo no atabaque. Deixei-a bem simples, pra ter esse feeling do ritual, da voz e tambor, da evoca\u00e7\u00e3o mesmo. Acho que \u00e9 uma das minhas faixas favoritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) Exu \u2013<\/strong> Essa faixa foi a primeira de todas a ser lan\u00e7ada, porque tudo come\u00e7a e termina em Ex\u00fa. Ex\u00fa \u00e9 boca que tudo come e tudo devolve, \u00e9 o nada que tudo conhece. Essa m\u00fasica foi inspirada num velho it\u00e3 da cria\u00e7\u00e3o, que descreve ex\u00fa assim, uma boca insaci\u00e1vel que, de tanta fome, comeu o mundo \u2013 e depois de digerir e conhecer a ess\u00eancia de tudo, devolveu o mundo pro lugar. Assim, passou a governar os &#8220;entres&#8221;: tudo que vive e morre, as encruzilhadas, entradas e sa\u00eddas. Pra al\u00e9m da simbologia e mitologia desse orix\u00e1 t\u00e3o fundamental, tamb\u00e9m sinto que essa boca que tem fome de tudo e nunca est\u00e1 satisfeita, aqui no mundo dos homens, tamb\u00e9m \u00e9 uma alegoria do pr\u00f3prio sistema capital-patriarcalista em que vivemos. Ent\u00e3o no fundo essa m\u00fasica tem um teor de cr\u00edtica e de rezor, de alguma forma eu clamo pra que Ele, aquele que \u00e9 dono do mist\u00e9rio do insaci\u00e1vel na esfera do divino, o \u00fanico capaz de cortar\/quebrar e reverter tudo que nos consome, possa reverter esse cen\u00e1rio. Laroy\u00ea Ex\u00fa! Ex\u00fa \u00e9 for\u00e7a primordial, \u00e9 o que havia antes do verbo, e que sempre haver\u00e1 quando nada sobrar. Ex\u00fa \u00e9 mojub\u00e1!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>11) Ora\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong> \u00c9 uma ora\u00e7\u00e3o pro meu cora\u00e7\u00e3o. Sobre as paix\u00f5es, as dores, e as del\u00edcias. Ela original \u00e9 um canto tambor e voz e se chama cora\u00e7\u00e3o, mas pro disco ganhou um arranjo de autoria do meu parceiro Diego Poloni, geni\u00e3o dos beats, ent\u00e3o virou outra m\u00fasica, \u201cOra\u00e7\u00e3o\u201d, e ganhou mais um verso, feito pela minha amiga querida S\u00daS, Susana Nunes, artista portuguesa, com quem eu tive uma troca super intensa e acabei criando bastante junto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>12) Bad Omen \u2013<\/strong> \u00c9 em ingl\u00eas porque \u00e9 sobre xenofobia. Foram muitos epis\u00f3dios de xenofobia quando eu estive vivendo em Lisboa, e quando eu pisei outra vez no Brasil a ficha caiu severamente. Essa m\u00fasica veio nesse momento, e a guitarra base que eu gravei na guia est\u00e1 na track, no fundinho, com o pitch bem alterado, umas 3 oitavas pra baixo\u2026 a base dela \u00e9 toda com umas vozes no reverse, que pra mim s\u00e3o as vozes da minha cabe\u00e7a, e aquelas vozes que a gente escuta nas entrelinhas do nosso entorno, em cada gesto, cada palavra. Tamb\u00e9m gravei bateria nessa, e sinto que ela tem algo da Ventre, que talvez tenha a ver com o compasso composto, que \u00e9 um cl\u00e1ssico do Gabriel :}<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>13) Ori \u2013<\/strong> Eu recebi essas palavras em yorub\u00e1 num transe, e depois ela veio com mais for\u00e7a em sonho. Ori \u00e9 o orix\u00e1 que vive na nossa cabe\u00e7a. \u00c9 a nossa conex\u00e3o com o divino, nossa coroa! Devemos saud\u00e1-la diariamente e rezar pra que ela esteja sempre saud\u00e1vel. Que Ori nos proteja e esteja atenta, que ela esteja sempre conectada com o que h\u00e1 de melhor para mim. \u00c9 dif\u00edcil cantar em Yorub\u00e1, ent\u00e3o eu fiquei um tempo pra entender a m\u00e9trica e a melodia, por isso ela tem esse compasso doido. Por fim, fiz a tradu\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas, depois que a base j\u00e1 tava pronta, s\u00f3 porque achei que valia \u00e0 pena explicar o que t\u00e1 sendo dito \u2013 depois de uma turn\u00ea europeia traduzindo todas as letras e explicando tudo em ingl\u00eas, a tecla sap come\u00e7ou a se fazer presente no meu processo criativo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-75866\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Aiye-2022-por-Hannah-Carvalho-64-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"1125\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Aiye-2022-por-Hannah-Carvalho-64-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/Aiye-2022-por-Hannah-Carvalho-64-copiar-200x300.jpg 200w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>. As fotos que ilustram o texto s\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/hnnhcrvlhfotografia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Hannah Carvalho \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cTranses\u201d \u00e9 um disco pop genu\u00edno com refr\u00e3os fortes para se cantar junto, o tradicional trabalho ex\u00edmio de percuss\u00e3o que marca a trajet\u00f3ria de Larissa, verbalizando amor, espiritualidade e futurismo enquanto funda o AXINDIE\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/07\/10\/faixa-a-faixa-larissa-conforto-fala-de-transes-novo-disco-de-seu-projeto-aiye-e-diz-que-o-reggaeton-e-o-novo-punk-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":75865,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[4083],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75864"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75864"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75872,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75864\/revisions\/75872"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}