{"id":75743,"date":"2023-06-29T00:42:24","date_gmt":"2023-06-29T03:42:24","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75743"},"modified":"2023-10-20T01:56:41","modified_gmt":"2023-10-20T04:56:41","slug":"entrevista-duo-chipa-subverte-musica-caipira-e-romantica-com-tragos-de-dreampop-e-indie-rock","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/29\/entrevista-duo-chipa-subverte-musica-caipira-e-romantica-com-tragos-de-dreampop-e-indie-rock\/","title":{"rendered":"Entrevista: Na contram\u00e3o do agro, Duo Chipa subverte m\u00fasica caipira e rom\u00e2ntica com tragos de dreampop, indie rock e diy"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Alexandre Lopes<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tr\u00eas pessoas surgem no palco. Uma delas ostenta um vestido de renda e uma m\u00e1scara de bode, que em seguida \u00e9 removida do rosto para soprar um berrante, daqueles usados por boiadeiros para atrair o gado no campo. Uma bateria eletr\u00f4nica \u00e9 acionada, enquanto tem in\u00edcio uma esp\u00e9cie de ritmo de moda de viola caipira improvisada em guitarra e baixo. O guitarrista, uma figura alta de \u00f3culos, mullets e cal\u00e7a flare, empunha uma Giannini Supersonic dos anos 80 na altura do peito, alternando em seu instrumento ru\u00eddos nervosos com linhas tortas e andamentos calmos, enquanto prov\u00e9m vocais de apoio. O baixista se mant\u00e9m mais reservado, de cabe\u00e7a baixa usando um gorro, concentrado em tocar suas partes, mas tamb\u00e9m arrisca mudan\u00e7as ocasionais para a guitarra principal. A tocadora do berrante segue operando a bateria eletr\u00f4nica, revelando-se a voz protagonista ao entoar letras apaixonadas modernas (\u201cn\u00f3is tamo bem distante mas mesmo assim mando figurinha do whatsapp s\u00f3 pra voc\u00ea\u201d) e momentos de deboche (\u201cacordei com c\u00f3lica no hotel das puta\u201d), intercalando dan\u00e7as entusiasmadas com express\u00f5es sofridas no rosto e uma das m\u00e3os no peito. A m\u00fasica soa como uma mistura improv\u00e1vel de Inezita Barroso com Velvet Underground e Odair Jos\u00e9 buscando ser um Beach House r\u00fastico. Mas esse cen\u00e1rio pitoresco cativa e empolga \u2013 e muito \u2013 em um show do <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Duo Chipa<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Formado em 2020 por Audria Lucas (vocalista) e Cleozinhu (guitarrista e vocalista), o Duo Chipa come\u00e7ou com a proposta de fazer uma banda de \u201crock caipira\u201d, misturando a influ\u00eancia de cancioneiros das regi\u00f5es sudeste e centro-oeste com estilos musicais da cultura latino-americana. A dupla come\u00e7ou a registrar suas composi\u00e7\u00f5es em fita cassete, utilizando um gravador Tascam Porta 07 de quatro pistas e samples \u2013 uma t\u00e9cnica quase artesanal de combinar materiais anal\u00f3gicos e digitais. Essa maneira caseira de registrar suas composi\u00e7\u00f5es \u00e9 fruto da cultura gringa do \u201cDo It Yourself\u201d? N\u00e3o somente. \u201cN\u00f3s vemos a m\u00fasica caipira e seus int\u00e9rpretes com uma atitude muito punk, um estilo de vida muito \u2018rockeiro\u2019\u201d, afirma o duo. E como uma sonoridade tradicional\u00edssima desse mundo matuto pode influenciar jovens t\u00e3o inquietos? Segundo eles, existem muitas similaridades entre a m\u00fasica caipira e o punk: \u201ctanto no jeito de tocar, com as levadas de m\u00e3o direita na viola\/viol\u00e3o, como no estilo autodidata de aprender a cantar e tocar\u201d.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa - Toada Audaciosa \/\/\/ \u00c1lbum Completo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RCXi0JsAESk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E justamente com essa mentalidade, o disco de estreia \u201cToada Audaciosa\u201d (2020) mostrou uma faceta mais crua da dupla, contando hist\u00f3rias sobre causos contempor\u00e2neos com duas vozes, guitarras, viol\u00f5es, samples e drum machines tocadas \u00e0 m\u00e3o e um teclado Casio CTK. Por mais r\u00edspido que fosse, o trabalho foi interessante o suficiente para chamar aten\u00e7\u00e3o e render um convite para uma apresenta\u00e7\u00e3o online no Festival Volume Morto em 2020, junto de nomes mais conhecidos e com mais tempo de estrada como Lucinha Turnbull, Kassin, Sophia Chablau, entre outros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa ao vivo no Festival Volume Morto\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/agFK71CZ46Y?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embalados por seus experimentos curiosos, o Duo Chipa soltou o EP \u201c<a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/dura\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DURA<\/a>\u201d (2021) e o segundo \u00e1lbum, \u201c<a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/causos-de-matuta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Causos de Matuta<\/a>\u201d (2022), adicionando \u00e0 mistura trechos de influ\u00eancias d\u00edspares como The Shaggs, Conde S\u00f3 Brega, Helena Meirelles, Ovelha, Tit\u00e3s, El Kinto, Paulo Diniz, al\u00e9m de partes de \u00f3rg\u00e3o gravadas nos anos 80 em fita cassete pelo av\u00f4 de Cleozinhu. O ano encerrou com algumas apresenta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-pand\u00eamicas em formato de banda completa, contando com o refor\u00e7o de Rafael Omar na bateria e Lucas Monch no baixo. E a cultura do \u201cfa\u00e7a voc\u00ea mesmo\u201d era tamb\u00e9m refor\u00e7ada no merch da dupla: camisetas e outras pe\u00e7as adquiridas em brech\u00f3s estampadas por eles mesmos, al\u00e9m de fitas cassetes e adesivos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora em 2023 o Duo Chipa volta com um novo EP, \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Z7lj_4k6jyw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Doses da Paix\u00e3o<\/a>\u201d, cuja arte da capa \u00e9 uma boa representa\u00e7\u00e3o conceitual das faixas; uma pintura quase infantil de um cora\u00e7\u00e3o an\u00eamico de express\u00e3o vazia, com sangue escorrendo de um buraco no canto esquerdo da testa, dando o tom tragic\u00f4mico de letras sobre saudades, desventuras amorosas e amores n\u00e3o correspondidos embebidos em doses alco\u00f3licas. Masterizado por Guilherme Chiappetta, o lan\u00e7amento traz a dupla com uma musicalidade polida, mergulhada no brega-rom\u00e2ntico com uma roupagem atual e mais acess\u00edvel.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75745\" aria-describedby=\"caption-attachment-75745\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-75745 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/duochipa1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/duochipa1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/duochipa1-300x100.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75745\" class=\"wp-caption-text\"><em>As capas do EP &#8220;Dura&#8221;, do \u00e1lbum &#8220;Causos de Matuta&#8221; e do EP &#8220;Doses da Paix\u00e3o&#8221;<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEpocler Baby\u201d, lan\u00e7ada como m\u00fasica de trabalho (assista ao clipe mais abaixo), traz em seu arranjo uma fus\u00e3o bem fiel do brega com o dreampop, agraciada por uma interpreta\u00e7\u00e3o bebum de Audria Lucas a la Angela Ro Ro e backing vocals de doo wop. O single ganhou um clipe onde o balc\u00e3o do bar vira um apoio emocional para uma personagem solit\u00e1ria com f\u00edgado de ferro. Tanto \u201cEpocler Baby\u201d quanto a jovem-guardiana \u201cLinda Proje\u00e7\u00e3o\u201d s\u00e3o composi\u00e7\u00f5es do sul-mato-grossense Bo Loro, baterista da banda Os Alquimistas \u2013 amigo de longa data e tamb\u00e9m considerado \u201cpadrinho\u201d da Duo Chipa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cRom\u00e2ntica\u201d \u00e9 uma can\u00e7\u00e3o com versos e refr\u00e3os ressaltados por um arranjo de metais feito pelo trompetista Bruno Ras. Al\u00e9m da clara refer\u00eancia \u00e0 m\u00fasica brega, a faixa traz guitarras que prestam tributo a nomes do indie como Pixies, Ween e Meat Puppets. O curto EP termina com \u201cFigurinha do Zap\u201d, um rock \u2018n\u2019 roll com vozes e harmonias inspiradas nas toadas caipiras, mas com levada r\u00edtmica que chega a lembrar \u201cI\u2019m Waiting For The Man\u201d do j\u00e1 citado Velvet Underground.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em papo por e-mail com o Scream &amp; Yell, Audria e Cleo contam mais sobre o <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/0tdVAycB4jYAqFrVTyb0uB\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Duo Chipa<\/a>, o EP \u201cDoses da Paix\u00e3o\u201d, como o projeto pretende desmistificar o conservadorismo na m\u00fasica caipira e outros trabalhos relacionados (como o curioso <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/album\/3BxkaL2UTratzSpqCCLbU3?si=YgQVopf1S5qQoBT6hG3i6A&amp;nd=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manobra Feroz<\/a>, que promete uma fus\u00e3o entre hip-hop e emo). Confira a entrevista na \u00edntegra abaixo:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa \u2013 Epocler Baby [Clipe Oficial]\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/lMhuAK8QmFI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De onde vem o nome Duo Chipa? Por acaso \u00e9 uma brincadeira com a Dualipa?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o (risos). Vem de \u201cChipa Paraguaia\u201d [um alimento similar a p\u00e3es assados com sabor de queijo], que tem bastante na regi\u00e3o centro-oeste e claramente no Paraguai. \u201cDuo\u201d vem da dupla: Audria Lucas e Cleo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como voc\u00eas se conheceram e come\u00e7aram a banda?<\/strong><br \/>\nNos conhecemos em Campo Grande (MS) com o interesse em comum de pesquisar a m\u00fasica caipira e a m\u00fasica latina\/paraguaia. Desde ent\u00e3o, em 2020, come\u00e7amos a compor e gravar nossas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A proposta de voc\u00eas \u00e9 misturar moda de viola caipira com sintetizador, bateria eletr\u00f4nica, samples e guitarra numa pegada indie rock, algo que parece bem singular. Como voc\u00eas pensaram nisso? O que faz parte do caldeir\u00e3o de influ\u00eancias?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s vemos a m\u00fasica caipira e seus int\u00e9rpretes com uma atitude muito punk, um estilo de vida muito \u201crockeiro\u201d. Tanto no jeito de tocar, com as levadas de m\u00e3o direita na viola\/viol\u00e3o, como no estilo autodidata de aprender a cantar e tocar. Se voc\u00ea pegar o exemplo da violeira Helena Meirelles: ela tem uma faixa chamada \u201cParteira de Si Pr\u00f3pria\u201d, ou\u00e7a essa faixa e me diga se tem algo mais punk do que isso&#8230; Da mesma forma olhamos para duplas como Alvarenga e Ranchinho, Cascatinha e Inhana, Ti\u00e3o Carreiro e Pardinho, Milion\u00e1rio e Jos\u00e9 Rico ou Inezita Barroso. Nos EUA, \u00e9 n\u00edtida a transi\u00e7\u00e3o do folk e country para o que conhecemos como rock. Nossa pesquisa \u00e9 entender uma possibilidade onde o rock nasce da m\u00fasica caipira. Coisa que artistas brasileiros j\u00e1 fizeram, ainda que de maneira t\u00edmida. Podemos citar Raul Seixas, S\u00e1 e Guarabyra (no contexto do Rock Rural com ra\u00edzes nordestinas, um pouco diferente do nosso contexto centro-oestino), Matuto Moderno, Charme Chulo, Geraldo Rocca, a m\u00fasica \u201c2001\u201d dos Mutantes, entre outras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pela hist\u00f3ria toda do agroneg\u00f3cio e os \u00faltimos resultados das elei\u00e7\u00f5es (Jair Bolsonaro ganhou em 66 cidades das 79 do estado e obteve a prefer\u00eancia de 59,49% do eleitorado sul-mato-grossense) e o apoio todo a ele por parte do mainstream sertanejo, o Mato Grosso do Sul parece um estado mais conservador, algo bem distante do que \u00e9 o experimentalismo do Duo Chipa. Como surgiu esse interesse de voc\u00eas pela cultura caipira? Faz parte da ideia desmistificar esse conservadorismo?<\/strong><br \/>\nCom certeza. \u00c9 justamente pela desmistifica\u00e7\u00e3o da ideia de conservadorismo que optamos pelo nome \u201ccaipira\u201d ao inv\u00e9s de \u201csertanejo\u201d. Existe um contraste enorme entre o que a mu\u0301sica caipira representa ate\u0301 a metade do s\u00e9culo XX com o que o sertanejo representa hoje. [O pesquisador] Marcos Queiroz afirma que existiu \u201cuma experi\u00eancia marcadamente ind\u00edgena e africana\u201d no passado da ruralidade sertaneja. Al\u00e9m de que a m\u00fasica caipira sempre foi feita por trabalhadores rurais, diferente da imagem pu\u0301blica da mu\u0301sica sertaneja que existe hoje, tomada por cantores(as) brancos(as) com narrativas embranquecidas, elitistas e conservadoras. \u00c9 triste ver movimentos como o \u201cAgronejo\u201d, por exemplo, que representa a extrema direita e consequentemente um extremo elitismo. \u00c9 onde o monop\u00f3lio, a monocultura, os agrot\u00f3xicos, o nepotismo, a grilagem, est\u00e3o acima da agricultura familiar, do livre direito \u00e0 terra, dos povos ind\u00edgenas, etc. Mas ao mesmo tempo voc\u00ea v\u00ea movimentos como o \u201cPocnejo\u201d [vertente do sertanejo batizada com a express\u00e3o \u201cpoc\u201d, g\u00edria usada para se referir a gays], ou por exemplo o aumento na procura por aulas de viola, estudos s\u00e9rios sobre a m\u00fasica de raiz, artistas surgindo com propostas inovadoras nesse campo de pesquisa\u2026 Ent\u00e3o sempre h\u00e1 um equil\u00edbrio de for\u00e7as, pessoas que v\u00eam pot\u00eancia na m\u00fasica tradicional para trabalhar novas ideias, explorar caminhos sonoros e criar outras narrativas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 engra\u00e7ado como voc\u00eas misturam uma m\u00fasica de raiz caipira com sintetizadores, mas ao mesmo tempo tem essa quest\u00e3o de grava\u00e7\u00e3o com fitas de forma caseira e independente, mesclando processos anal\u00f3gicos e digitais. Essa \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o est\u00e9tica ou somente de conveni\u00eancia?<\/strong><br \/>\nEm cada \u00e1lbum a gente procurou trabalhar uma sonoridade diferente, tanto nos arranjos como no modo de produ\u00e7\u00e3o. A mistura entre o processo anal\u00f3gico e digital foi uma experi\u00eancia muito positiva. Isso ampliou a possibilidade de trabalhar com qualquer equipamento que tiv\u00e9ssemos em m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem ouve o primeiro disco, \u201cToada Audaciosa\u201d, o EP \u201cDura\u201d, o \u201cCausos de Matuta\u201d e agora o EP, percebe que voc\u00eas est\u00e3o refinando mais o som e a qualidade das grava\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 um reflexo da entrada do Rafael Omar na qu\u00edmica do Duo? Como ele passou a tocar com voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nAcho que n\u00e3o (risos). N\u00f3s aprendemos a mixar e produzir fazendo esses discos, ent\u00e3o eles fizeram parte de uma experimenta\u00e7\u00e3o nossa, de descobrir possibilidades de capta\u00e7\u00e3o, mixagem, etc. Mas atualmente n\u00f3s vivemos juntos, Audria, Omar e Cleo, ent\u00e3o a gente sempre conversa sobre produ\u00e7\u00e3o e mostramos o que estamos fazendo no momento, isso com certeza impulsiona a qualidade das grava\u00e7\u00f5es. Ele [Omar] come\u00e7ou a tocar bateria com a gente em 2022, e na \u00e9poca o <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/monch_monch_\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MONCHMONCH<\/a> tocava baixo. Quando o Monch saiu, Omar passou para o baixo e voltamos a tocar com a drum machine ao vivo. A colabora\u00e7\u00e3o do Bruno Ras na m\u00fasica \u201cRom\u00e2ntica\u201d, por exemplo, tamb\u00e9m foi algo que nos impulsionou bastante. Tivemos que aprender como gravar e mixar um trompete. Al\u00e9m disso, chegamos a fazer dois ou tr\u00eas shows juntos, com ele tocando outras m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pelo que pesquisei, at\u00e9 o momento voc\u00eas tocaram em S\u00e3o Paulo e Ribeir\u00e3o Pires (SP), al\u00e9m de Campo Grande (MS), que por sinal deu origem ao mini doc Chipa de Ouro. Esqueci de alguma localidade? Tem planos concretos ou convites para shows em outros estados?<\/strong><br \/>\nFoi isso mesmo. Infelizmente ainda n\u00e3o nos organizamos para tocar nos interiores, mas \u00e9 nossa maior inten\u00e7\u00e3o. Por enquanto a agenda est\u00e1 aberta. Temos convites para tocar na capital e interior do RJ, e novamente em Campo Grande (MS), mas nada fechado.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"CHIPA DE OURO - DOC \/\/ Duo Chipa &amp; Os Alquimistas\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YtfNMcYholE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>As faixas \u201cLinda Proje\u00e7\u00e3o\u201d e \u201cEpocler Baby\u201d s\u00e3o de autoria do Bo Loro, m\u00fasico campo-grandense que toca bateria na banda <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/intl-pt\/artist\/4lN1onoREYMS6HWABACdlV\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Alquimistas<\/a>. Voc\u00eas j\u00e1 tinham gravado uma faixa dele antes, \u201cTremenda Baixaria\u201d, presente no primeiro disco. Como come\u00e7ou essa parceria entre voc\u00eas?<\/strong><br \/>\nO Bo Loro \u00e9 praticamente o padrinho da banda (risos). A Audria conhece ele desde os 15 anos. O Cleo conheceu os dois em 2019, e todos temos interesses em comum pela m\u00fasica caipira, brega, jovem guarda, entre outros. Nossa conversa de whatsapp \u00e9 cheia de \u00e1udios com algumas composi\u00e7\u00f5es e outras refer\u00eancias (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Al\u00e9m de lan\u00e7ar os discos como Duo Chipa, <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no bandcamp<\/a> voc\u00eas se definem como um \u201cest\u00fadio\u201d e postam grava\u00e7\u00f5es de outros trabalhos, como o <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/manobra-feroz-vol-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Manobra Feroz<\/a>, o <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/2017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Maleta<\/a> e os discos solo da <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/segredo-autot-lico-2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Audria<\/a> e <a href=\"https:\/\/duochipa.bandcamp.com\/album\/rancho-mandelinhu-estoradasso\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cleozinhu<\/a>. Gostaria que voc\u00eas falassem um pouco sobre esses projetos e como eles diferem do que voc\u00eas fazem como Duo Chipa.<\/strong><br \/>\nA gente j\u00e1 quis ser um selo, j\u00e1 quis ser uma produtora, mas acho que um \u201cest\u00fadio\u201d resume bem o nosso trabalho. \u201cEst\u00fadio Duo Chipa\u201d \u00e9 como um leque de pesquisa sonora mais ampla e a Duo Chipa \u00e9 especificamente os trabalhos da banda. Em 2022 lan\u00e7amos pelo Est\u00fadio o \u00e1lbum \u201cManobra Feroz Vol. 1\u201d, reunindo tr\u00eas artistas solo: cleozinhu, omar e akaStefani (outro pseud\u00f4nimo de Audria Lucas). Apesar de serem as mesmas pessoas da Duo Chipa, o estilo \u00e9 bem diferente, j\u00e1 que neste caso as influ\u00eancias v\u00eam do hip-hop e do emo. Assim, cada um de n\u00f3s tamb\u00e9m busca sua sonoridade individual, numa esp\u00e9cie de carreira solo coletiva (risos). Ainda dentro do leque do Est\u00fadio, a gente posta alguns discos de vinil de outras pessoas <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/@duochipa\/videos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no nosso canal do YouTube<\/a>. Raridades que encontramos em sebos e afins, coisas que ainda n\u00e3o foram disponibilizadas na internet e que s\u00e3o importantes para nossa pesquisa, fazem parte do nosso imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, quais os pr\u00f3ximos planos do Duo Chipa?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s estamos com uma pesquisa muito intensa sobre a Viola de Cocho [instrumento musical comum nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, sendo uma viola feita em um tronco de \u00e1rvore, esculpido da mesma maneira como se faz um cocho, usado para colocar alimentos para animais na zona rural] e o cururu [ritmo musical similar ao repente ou combate po\u00e9tico ao som de violas caipiras]. Estamos entrando numa pegada de punk caipira, com uma pesquisa profunda sobre a m\u00fasica tradicional mato-grossense. At\u00e9 escrevemos um projeto de edital sobre isso. E o Manobra Feroz tamb\u00e9m vai lan\u00e7ar os volumes 2 e 3, talvez at\u00e9 o 4 esse ano!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa \u2013 Rom\u00e2ntica (Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/BE5-MEbLghA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa \u2013 Tremenda Baixaria (Clipe Anima\u00e7\u00e3o)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TIByV2HHQcw?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Duo Chipa \u2013 Sr. Salim (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zmmKUWs-r8U?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Alexandre Lopes (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/ociocretino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">@ociocretino<\/a>) \u00e9 jornalista e assina o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ociocretino.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">www.ociocretino.blogspot.com.br<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Julia Amorim \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Duo Chipa come\u00e7ou com a proposta de fazer uma banda de \u201crock caipira\u201d, misturando a influ\u00eancia de cancioneiros das regi\u00f5es sudeste e centro-oeste com estilos musicais da cultura latino-americana. \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/29\/entrevista-duo-chipa-subverte-musica-caipira-e-romantica-com-tragos-de-dreampop-e-indie-rock\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":101,"featured_media":75749,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6761],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75743"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/101"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75743"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75755,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75743\/revisions\/75755"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}