{"id":75706,"date":"2023-06-25T01:18:26","date_gmt":"2023-06-25T04:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75706"},"modified":"2023-07-19T00:03:13","modified_gmt":"2023-07-19T03:03:13","slug":"entrevista-cleber-eduardo-fala-sobre-a-18a-mostra-de-cinema-de-ouro-preto-cineop-2023-e-o-tema-imagens-da-mpb-musica-preta-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/25\/entrevista-cleber-eduardo-fala-sobre-a-18a-mostra-de-cinema-de-ouro-preto-cineop-2023-e-o-tema-imagens-da-mpb-musica-preta-no-brasil\/","title":{"rendered":"Entrevista: Cleber Eduardo fala sobre a 18\u00aa Mostra de Cinema de Ouro Preto e o tema &#8220;Imagens da MPB \u2013 M\u00fasica Preta no Brasil&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista de <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na <a href=\"https:\/\/cineop.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">18\u00aa edi\u00e7\u00e3o CineOP \u2013 Mostra de Cinema de Ouro Preto<\/a>, a escolha da Tem\u00e1tica Hist\u00f3rica com foco &#8220;Imagens da MPB \u2013 M\u00fasica Preta no Brasil&#8221; demonstrou-se um desafio para a equipe de curadores. Um deles, Cleber Eduardo, que tamb\u00e9m atua como professor em disciplinas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas de Cinema com \u00eanfase em Document\u00e1rio e Cinema Brasileiro, em entrevista ao Scream &amp; Yell, explicou que a escolha do tema foi guiada por um norte que se relaciona com a ideia da m\u00fasica brasileira buscar ser atrelada a uma identidade do que \u00e9 ser brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Junto veio essa quest\u00e3o se ela era a &#8216;M\u00fasica Preta Brasileira&#8217; ou se ela era uma &#8216;M\u00fasica Preta no Brasil&#8217;. At\u00e9 mais do que &#8220;Do Brasil&#8221;. E o que me norteou nessa reflex\u00e3o? Eu acho que a quest\u00e3o do brasileiro, quando ela est\u00e1 atribu\u00edda \u00e0 cultura e \u00e0 arte, nunca \u00e9 s\u00f3, digamos assim, uma nacionalidade. Essa nacionalidade j\u00e1 vem acompanhada de uma certa identidade nacional. E essa identidade nacional, inevitavelmente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no caso do Brasil&#8221;, explica Eduardo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Eu acho que muita coisa do que n\u00e3o contempla os pressupostos dessa identidade brasileira acaba ficando um pouco de fora. No caso da m\u00fasica preta, tem um agravante na complexidade. Porque a m\u00fasica est\u00e1 muito no imagin\u00e1rio do que \u00e9 a nossa identidade. Mais do que o cinema, mais do que as outras artes do teatro ou a literatura. Quer dizer, a m\u00fasica \u00e9 o que puxa a nossa identidade. \u00c9 o que puxa essa brasilidade. E a M\u00fasica Preta \u00e9 muito forte nesse componente das nossas ra\u00edzes nacionais, das nossas ra\u00edzes brasileiras&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No papo abaixo, o curador desenvolve esse pensamento e aborda a feliz escolha de Tony Tornado como homenageado da CineOP 2023.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75709\" aria-describedby=\"caption-attachment-75709\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-75709\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Cleber-Eduardo_Credito-Leo-Fontes_Universo-Producao-copiar.jpg\" alt=\"Cleber-Eduardo_Credito-Leo-Fontes\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Cleber-Eduardo_Credito-Leo-Fontes_Universo-Producao-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Cleber-Eduardo_Credito-Leo-Fontes_Universo-Producao-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75709\" class=\"wp-caption-text\"><em>Cleber Eduardo &#8211; Foto de Leo Lara \/ Universo Produ\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A ideia de abordar como Tem\u00e1tica Hist\u00f3rica o recorte &#8220;Imagens da MPB \u2013 M\u00fasica Preta no Brasil&#8221; foi desenvolvida como? Como funcionou essa an\u00e1lise da diferencia\u00e7\u00e3o entre M\u00fasica Preta Brasileira (ou Do Brasil) e a M\u00fasica Preta no Brasil?<\/strong><br \/>\nQuando essa ideia surgiu como um primeiro pensamento, ela j\u00e1 veio como MPB. E isso, claro, \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 novo. Muita gente tem usado MPB como M\u00fasica Preta Brasileira. Mas veio aqui, em primeiro lugar, para afirmar essa outra MPB, que muitas vezes n\u00e3o est\u00e1 dentro da MPB tradicional, que \u00e9 mais predominantemente branca. E junto veio essa quest\u00e3o se ela era a &#8220;M\u00fasica Preta Brasileira&#8221; ou se ela era uma &#8220;M\u00fasica Preta no Brasil\u201d. At\u00e9 mais do que &#8220;Do Brasil&#8221;. E o que me norteou nessa reflex\u00e3o? Eu acho que a quest\u00e3o do brasileiro, quando ela est\u00e1 atribu\u00edda \u00e0 cultura e \u00e0 arte, nunca \u00e9 s\u00f3, digamos assim, uma nacionalidade. Essa nacionalidade j\u00e1 vem acompanhada de uma certa identidade nacional. E essa identidade nacional, inevitavelmente, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no caso do Brasil. \u00c9 que o Brasil, enfim, tem complexidades por sua pluralidade e forma\u00e7\u00e3o cultural. Outros pa\u00edses, tamb\u00e9m. Mas n\u00f3s somos uma sociedade historicamente, do s\u00e9culo XVIII pra c\u00e1, muito preocupada com essa identidade nacional. Isso \u00e9 sempre uma disputa interna, do que \u00e9 o brasileiro, do que s\u00e3o as caracter\u00edsticas da brasilidade. Eu acho que essa identidade deixa muita coisa de fora. Muita coisa do que n\u00e3o contempla os pressupostos dessa identidade brasileira acaba ficando um pouco de fora. E eu acho que no caso da m\u00fasica preta tem um agravante na complexidade. Porque a m\u00fasica est\u00e1 muito no imagin\u00e1rio do que \u00e9 a nossa identidade. Mais do que o cinema, mais do que as outras artes do teatro ou a literatura. Quer dizer, a m\u00fasica \u00e9 o que puxa a nossa identidade. \u00c9 o que puxa essa brasilidade. E a M\u00fasica Preta \u00e9 muito forte nesse componente das nossas ra\u00edzes nacionais, das nossas ra\u00edzes brasileiras. Ela \u00e9 muito presente nesse imagin\u00e1rio. S\u00f3 que, ao mesmo tempo, eu acho que quando a gente pensa por essa perspectiva, de uma certa forma reduzimos o que \u00e9 o brasileiro, o que \u00e9 a brasilidade, do que quiser chamar. Mas, tamb\u00e9m, reduzimos o que \u00e9 M\u00fasica Preta, entende? Se eu penso a M\u00fasica Preta por uma perspectiva de brasilidade, ent\u00e3o, eu j\u00e1 vou em um nicho dessa M\u00fasica Preta e vou ignorar estrategicamente outros nichos que n\u00e3o cabem aqui. Ent\u00e3o, tinha uma provoca\u00e7\u00e3o desde o nome. O primeiro nome que eu tinha pensado era &#8220;MP do B &#8211; M\u00fasica Preta do Brasil&#8221;. Mas isso me incomodava, porque ainda tinha uma propriedade do Brasil no nome. E a\u00ed a gente decidiu ficar com &#8220;No Brasil&#8221;. Destacamos a geografia. Mas sem tentar pressupor o que \u00e9 essa m\u00fasica preta feita aqui e, consequentemente, como ela estimulou, como ela virou tema, como ela se relacionou com o audiovisual brasileiro historicamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um dos pontos frisados na divulga\u00e7\u00e3o do evento \u00e9 justamente essa op\u00e7\u00e3o pelo &#8220;No Brasil&#8221; ao inv\u00e9s de &#8220;Do Brasil&#8221;. Como foi encontrar esse elo com o Tony Tornado e sua trajet\u00f3ria?<\/strong><br \/>\nA Tem\u00e1tica Hist\u00f3rica sendo &#8220;M\u00fasica Preta no Brasil&#8221; e n\u00e3o &#8220;Do Brasil&#8221;, \u00e9 porque todas as M\u00fasicas Pretas nos interessavam de largada. A gente n\u00e3o queria fechar apenas no samba carioca ou no samba baiano, por exemplo. Quer dizer, trabalhar ali em uma l\u00f3gica que seria predominantemente percussiva do ponto de vista da sonoridade, da musicalidade. Isso est\u00e1 presente, tamb\u00e9m. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Porque isso nos permite, por exemplo, ter na nossa programa\u00e7\u00e3o um document\u00e1rio sobre a banda Inocentes, que n\u00e3o tem diretamente nada a ver com as matrizes musicais africanas, que tem l\u00e1 um l\u00edder, um vocalista negro, mas ele est\u00e1 em uma outra onda. \u00c9 outra rela\u00e7\u00e3o que ele estabelece. Mesmo a do Tony Tornado. N\u00e3o \u00e9 com essa tradi\u00e7\u00e3o musical, negra e brasileira do samba e das suas imedia\u00e7\u00f5es todas. Ent\u00e3o, a ideia era quebrar um pouco essa no\u00e7\u00e3o j\u00e1 pressuposta. Nos abre para o funk, nos abre para o hip hop, nos abre para outros lugares que eu acho que s\u00e3o mais contempor\u00e2neos, inclusive, da M\u00fasica Preta que se faz hoje no Brasil. E ela tem muitas matrizes, ela tem muitas ra\u00edzes, e n\u00e3o apenas, digamos, uma raiz que a gente j\u00e1 definiu historicamente como a raiz da brasilidade afrobrasiliera e por a\u00ed vai. Realmente n\u00e3o \u00e9 coincid\u00eancia que seja ele o homenageado dessa edi\u00e7\u00e3o. Porque o Tony Tornado, e todo movimento de Soul Music, foram muito confrontados com a discuss\u00e3o se era ou n\u00e3o um movimento genuinamente brasileiro. No caso, primeiramente, carioca, mas de uma maneira urbana, do Brasil na d\u00e9cada de 1970. Era acusado de ser um movimento totalmente influenciado pelos Estados Unidos. Era acusado de trair as nossas ra\u00edzes afrobrasileiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O processo de escolha curatorial de longas foi dif\u00edcil?<\/strong><br \/>\nTeve um processo que, no CineOP, \u00e9 sempre mais ou menos parecido. Mas n\u00e3o chamaria de dif\u00edcil. A partir do momento em que temos um universo de filmes com um certo foco, iniciamos um amplo trabalho de pesquisa. A gente vai levantar filmes, vai levantar o estado de c\u00f3pias. Porque, quando estamos lidando com filmes mais antigos, tem que ver se tem c\u00f3pia. Por exemplo, tem uma busca por informa\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar. Se escreveu muito pouco sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a M\u00fasica Preta e o cinema. Ela existe, mas a gente precisou, realmente, levantar dados. Porque n\u00e3o tem pesquisas que j\u00e1 estejam prontas, dados que j\u00e1 estejam prontos ou listagens prontas. Foi tudo muito por aproxima\u00e7\u00e3o esse levantamento de t\u00edtulos, sabe? Foi pesquisa, mesmo. Sem um foco. Vamos ver se tem filme sobre fulano, vamos ver se tem artigo sobre siclano. Eu li uma tese sobre Jorge Ben para ver se eu conseguia encontrar informa\u00e7\u00f5es sobre esse filme do Fernando Cony Campos, Uma Nega Chamada Tereza. Porque eu n\u00e3o tinha informa\u00e7\u00e3o nenhuma sobre esse filme. Eu n\u00e3o conhecia o filme. N\u00e3o conhecia ningu\u00e9m que conhecia o filme. Liguei para v\u00e1rias pessoas que poderiam ter conhecido. Ningu\u00e9m conhecia. A\u00ed eu tive que ir \u00e0 Cinemateca Brasileira para assistir ao filme. Ver se havia c\u00f3pia dispon\u00edvel para, assim, saber se poderia ou n\u00e3o contar com essa c\u00f3pia antes de fazer um convite aos detentores de direitos. Os trabalhos na CineOP t\u00eam esse processo um pouco de garimpagem. Primeiro temos que fazer um grande levantamento, ver as alternativas. No caso da M\u00fasica Preta, quer\u00edamos uma diversidade de M\u00fasica Preta. Tentamos focar dentro do poss\u00edvel em realizadores e realizadoras pretos e pretas desses filmes. E isso, tamb\u00e9m, \u00e9 muito dif\u00edcil pela pr\u00f3pria conjuntura hist\u00f3rica. Ao mesmo tempo, um outro dado importante n\u00e3o \u00e9 da dificuldade do tema. N\u00e3o \u00e9 isso. \u00c9 que, assim, essa rela\u00e7\u00e3o da M\u00fasica Preta com o cinema e mais especificamente com o audiovisual de uma maneira mais ampla, se intensificou recentemente. Ela n\u00e3o \u00e9, assim, um fen\u00f4meno cultural que chame a aten\u00e7\u00e3o por si pr\u00f3pria at\u00e9 anos 2000, entendeu? \u00c9 nos anos 2000, sobretudo com o digital, com document\u00e1rios biogr\u00e1ficos, com filmes musicais, com document\u00e1rios sobre artistas da m\u00fasica brancos ou pretos, \u00e9 que isso veio mais \u00e0 tona. Mas se voc\u00ea pegar historicamente antes da d\u00e9cada de 1950, a presen\u00e7a de m\u00fasicos pretos na trilha sonora ou na frente das c\u00e2meras, \u00e9 muito pequena. Muito pequena. Na chanchada, isso \u00e9 muito raro, por exemplo. E mesmo nos filmes que tratam de carnaval, mesmo em filmes que lidam com a favela, \u00e9 uma favela branca, um carnaval branco. Os compositores que est\u00e3o na trilha sonora, 90% s\u00e3o brancos. Ent\u00e3o, \u00e9 a partir dali do Rio Zona Norte, do Rio 40 Graus, na d\u00e9cada de 1950, que come\u00e7a a se estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o. \u00c9 algo t\u00edmido ainda. \u00c9 no Cinema Novo? No nosso imagin\u00e1rio, pode at\u00e9 parecer, n\u00e9? Algo como &#8220;o Cinema Novo olhou para a Cultura Afro, para a Bahia. Deve ter surgido ali um monte de trilha sonora de pessoas pretas.&#8221; Mas, n\u00e3o! A maior parte da trilha sonora do Cinema Novo \u00e9 branca. Ent\u00e3o, dentro dessa pesquisa, tamb\u00e9m, a gente se d\u00e1 conta de que essa rela\u00e7\u00e3o entre a M\u00fasica Preta, que \u00e9 o nosso diamante cultural, e o cinema, ela, na maior parte do tempo, foi muito t\u00edmida e reproduz a t\u00edmida presen\u00e7a negra na hist\u00f3ria do cinema brasileiro. E reproduz, por exemplo, antes dos anos 1950, todas as estrat\u00e9gias de branqueamento da sociedade. Quer dizer, no cinema, teve isso na d\u00e9cada de 1930. Evitar filmar os pretos porque isso dava um signo de subdesenvolvimento, de pobreza. A pr\u00f3pria primeira fase do r\u00e1dio, no Brasil \u00e9 muito branca. Muito sambista preto tendo seu samba cantado por cantores brancos. \u00c0s vezes nem sendo pagos. Ent\u00e3o, quer dizer, o que a gente encontrou, na verdade, foi essa rela\u00e7\u00e3o de uma maneira muito rara, muito escassa. E s\u00f3 recentemente ela est\u00e1 ganhando uma maior intensidade \u00e0 ponto da gente se surpreender com o fato de n\u00e3o existir um document\u00e1rio sobre o Tony Tornado. N\u00e3o temos um estudo sobre o Tony Tornado. Eu n\u00e3o tenho onde consultar uma literatura de an\u00e1lise da import\u00e2ncia do Tony Tornado para a m\u00fasica brasileira, entendeu? O que a gente se depara \u00e9 que ligamos um disparador, mas um disparador de coisas para serem feitas. Porque elas n\u00e3o est\u00e3o organizadas, elas n\u00e3o est\u00e3o copiladas, tem muita coisa faltando, tem muito assunto que n\u00e3o foi tratado. Ent\u00e3o, eu acho que \u00e9 isso. Eu acho que a gente teve ali um insight, uma premissa, um interesse, mas o que n\u00f3s encontramos, na verdade, foi muita coisa para fazer, para ser pesquisada, para ser estudada. Porque n\u00e3o temos, n\u00e3o est\u00e1 organizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 curioso pensar nessa rela\u00e7\u00e3o do Tony Tornado com a Hist\u00f3ria da M\u00fasica Preta no Brasil e constatar isso que voc\u00ea falou sobre n\u00e3o encontrar um estudo sobre ele, uma vez que foi em um estudo do Jorge Bem Jor que voc\u00ea achou o filme \u201cUma N\u00eaga Chamada Tereza\u201d.<\/strong><br \/>\nExatamente. E o Tony Tornado \u00e9 muito complexo. Ele \u00e9 uma figura muito complexa. Para n\u00f3s, isso interessava. Mas mesmo como homenageado, ele \u00e9 uma figura complexa. Porque, para n\u00f3s, interessava porque ele tem esse in\u00edcio na m\u00fasica. Ele tem um percurso que \u00e9 super importante, mas existem alguns artistas que&#8230; e a hist\u00f3ria da arte \u00e9 cheia disso. Na hist\u00f3ria do cinema, na hist\u00f3ria da m\u00fasica, existem alguns artistas que t\u00eam uma explos\u00e3o em um determinado evento. Pode ser um filme, pode ser a conquista de um festival de cinema, pode ser uma m\u00fasica, um LP, e o Tony Tornado \u00e9 desses artistas Ele tem a BR-3, que \u00e9 uma explos\u00e3o no Festival da Can\u00e7\u00e3o em 1970. A m\u00fasica ganha o festival e o Tony Tornado n\u00e3o era conhecido ali. Ele ganha o festival e sua carreira se desdobra a partir desse momento. Seja na m\u00fasica, seja na televis\u00e3o, que \u00e9 quando ele vai estrear ali em novelas, no come\u00e7o dos anos 1970. E logo depois ele estreia no cinema. Mas onde ele, de fato, teve um protagonismo, foi na m\u00fasica. No cinema e na televis\u00e3o, n\u00e3o. Ele fez muitos filmes, muitas telenovelas, mas ele sempre foi coadjuvante. Esteve ali dentro da nossa cultura de como os negros entraram nas imagens produzidas na nossa hist\u00f3ria audiovisual. Ele \u00e9 fruto disso. Por mais destaque que ele tenha tido em sua carreira, na hora que voc\u00ea vai programar um filme do Tony Tornado para uma homenagem, por exemplo, \u00e9 uma dificuldade. \u00c9 uma dificuldade encontrar, primeiro, um filme que fa\u00e7a jus \u00e0 import\u00e2ncia dele. Porque ele, na m\u00e9dia, \u00e9 mais importante que a m\u00e9dia de import\u00e2ncia dos filmes que ele fez. N\u00e3o sei se faz sentido o que eu estou falando. Claro, ele tem filmes importantes, mas s\u00e3o trabalhos nos quais ele n\u00e3o foi t\u00e3o importante dentro desses filmes. Ele tem filmes em que ele tem uma certa import\u00e2ncia dentro dessas produ\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o s\u00e3o filmes t\u00e3o importantes. E n\u00e3o \u00e9 isso que a gente est\u00e1 homenageando, entendeu? Ent\u00e3o, \u00e9 uma dificuldade. Porque a carreira cinematogr\u00e1fica dele, ainda que tenha muito filme, ela \u00e9 muito irregular em termos de&#8230; (pausa) que personagem esse cara fez ali? Que import\u00e2ncia esse personagem tem na hist\u00f3ria do filme? E em muitos casos, em personagens cheios de reprodu\u00e7\u00f5es de estere\u00f3tipos do homem negro. Muitos personagens. Ent\u00e3o, n\u00e3o era uma figura, digamos assim, lisa. Aposta no certo, com garantias, com um monte de obras primas e que foi protagonista. N\u00e3o era. N\u00e3o \u00e9 o Pitanga, por exemplo. N\u00e3o \u00e9 o Milton Gon\u00e7alves. E, ao mesmo tempo, o que me impressiona muito no Tony Tornado \u00e9 que, mesmo ele n\u00e3o tendo sido, digamos assim, o ator protagonista, \u00e9 uma figura que quando eu vou falar seu nome, Tony Tornado, todo mundo lembra. Ele n\u00e3o \u00e9 aquela figura protagonista, mas aos 93 anos, est\u00e1 trabalhando. E quem, em qualquer profiss\u00e3o, hoje, pode dizer, pode mostrar isso, n\u00e9? &#8220;Tenho 93 anos e continuo trabalhando.&#8221; \u00c9 trabalhando, mesmo. \u00c9 fazendo novela. N\u00e3o \u00e9 fazendo pontinha em publicidade. E se voc\u00ea for ver a filmografia dele, tem quantidade. N\u00e3o tem espa\u00e7os longos de tempo sem trabalhar. Ent\u00e3o, eu vejo essa homenagem ao Tony Tornado como, realmente, uma homenagem a um oper\u00e1rio do Cinema. Ele foi um astro da m\u00fasica, mas que foi um oper\u00e1rio do Cinema. Algu\u00e9m que fez muito bem o seu trabalho mesmo quando o trabalho n\u00e3o era com personagens do mais interessantes para se fazer. Mas ele ia para l\u00e1 defender, com sua dignidade, aquilo que faz. Nem era t\u00e3o interessante nem para a imagem dele. L\u00f3gico que \u00e9 uma figura muito representativa dessa trajet\u00f3ria no cinema, mas, ao mesmo tempo ela \u00e9 muito singular, possuindo uma complexidade \u00fanica. \u00c9 isso. \u00c9 o cara que vai morar nos Estados Unidos. Sai de l\u00e1 deportado, volta, traz a cultura de um swing da soul music, do gospel, da parada novaiorquina para o Rio de Janeiro. Um cara que est\u00e1 dentro da cena do soul music, que foi amigo do Tim Maia, que ajudou o Tim Maia no come\u00e7o. Um \u00edcone dos bailes blacks da d\u00e9cada de 1970. Tem dois document\u00e1rios sobre os bailes blacks na d\u00e9cada de 1970 na programa\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, assim, \u00e9 uma figura muito particular. N\u00e3o \u00e9 Cartola. N\u00e3o tem aquele romantismo da gente falar do Cartola, do Nelson Cavaquinho, que \u00e9 algo que tem uma poesia ali, j\u00e1 colocada. Ele j\u00e1 \u00e9 um cara ali dos anos 1960, dos anos 1970. Tem um lado mundano na parada. Tem uma mistura de culturas. \u00c9 tudo mais complexo no percurso dele como representante dessa M\u00fasica Preta no Brasil. E ao mesmo tempo, musicalmente, ele n\u00e3o tem um reconhecimento de um Simonal, de um Jorge Ben, de um Tim Maia, mesmo de um Cassiano, que \u00e9 da gera\u00e7\u00e3o dele, ali. Quer dizer, ele ficou um pouco na s\u00e9rie B, dos astros da m\u00fasica preta carioca ali daquele momento. Ent\u00e3o, era uma forma da gente&#8230; n\u00e3o \u00e9 bem corrigir, mas, sim, enfatizar uma luz ali em cima do Tony Tornado. \u00c9 dar uma import\u00e2ncia, de fato, a essa figura t\u00e3o longeva e que teve na d\u00e9cada de 1970 um grande momento. Foi uma grande refer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a figura m\u00edtica do Tony Tornado lhe foi apresentada?<\/strong><br \/>\nEu acho que conheci o Tony Tornado primeiro por imagem. Mas, depois, eu tive um contato com suas m\u00fasicas sem ter muita clareza de que eram do Tony Tornado. Isso j\u00e1 na \u00e9poca de faculdade. E demorou um ou dois anos para eu fazer a montagem que aquele cara que cantava aquelas m\u00fasicas era aquele mesmo cara negro do tamanho de um arm\u00e1rio que aparecia nos filmes e nas telenovelas. &#8220;S\u00e9rio? Esse cara \u00e9 ele?&#8221;, eu pensava. A mesma coisa quando o via na novela \u201cRoque Santeiro\u201d, eu me perguntava: &#8220;Esse cara \u00e9 aquele vozeir\u00e3o?&#8221; Eu n\u00e3o montava as duas coisas, entende? E essa n\u00e3o montagem, para mim, tinha um pouco&#8230; (pausa) para mim, aquele cara que cantava era um astro. Para mim, ele era um astro da m\u00fasica negra. E quando eu via o Tony Tornado na imagem, a impress\u00e3o que eu tinha era que aquele astro n\u00e3o estava em seu devido lugar de import\u00e2ncia. Porque um cara daquele s\u00f3 podia ser protagonista, n\u00e3o podia ser um coadjuvante. Mais ou menos como voc\u00ea, na d\u00e9cada de 1970, escalar o Simonal para ser coadjuvante em filmes de fic\u00e7\u00e3o. Estamos falando de um cara que s\u00f3 perdia, em termos de fama, para o Roberto Carlos. Ent\u00e3o, \u00e9 isso. Para mim, o Tony Tornado era uma figura musicalmente top. E, para mim, tinha um desajuste v\u00ea-lo na imagem sem ser o top dessa imagem. A minha rela\u00e7\u00e3o com ele sempre foi um pouco por a\u00ed. E a\u00ed veio essa oportunidade com essa tem\u00e1tica de homenage\u00e1-lo. Na homenagem, a gente exibe um filme do Cac\u00e1 Diegues, o longa em que ele faz o papel do Ganga Zumba, que \u00e9 um personagem discutido, em um filme discutido. N\u00e3o \u00e9 um filme tamb\u00e9m de aceita\u00e7\u00e3o f\u00e1cil (N.E. \u201cQuilombo\u201d, filme de 1984). E no outro filme homenagem, \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o. Porque \u00e9 o filme de abertura, Baile Soul, document\u00e1rio do Cavi Borges. E \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 claro que, como toda provoca\u00e7\u00e3o curatorial, ela pode n\u00e3o ser percebida por ningu\u00e9m. Ela s\u00f3 faz sentido para a curadoria. Porque, diante de muitas contradi\u00e7\u00f5es que a gente encontrava em programar alguns filmes do Tony Tornado, ou os papeis dele eram muito pequenos ou n\u00e3o eram filmes que tinham a ver com a nossa tem\u00e1tica. Diante disso, optamos por esse document\u00e1rio do Cavi porque o Tony Tornado \u00e9 desse ambiente. Ele \u00e9 mencionado no filme como uma esp\u00e9cie de precursor do neg\u00f3cio. Ele \u00e9 o cara que foi para os Estados Unidos, que trouxe as dan\u00e7as, que chegou com as roupas, que veio com essa cultura dos bailes. E tinha tamb\u00e9m conjuntura pol\u00edtica dentro dos bailes. Uma vis\u00e3o afirmativa que ele trouxe da cultura negra dos Estados Unidos. Mas ele n\u00e3o aparece no filme. Ele \u00e9 uma aus\u00eancia ali. Ent\u00e3o, \u00e9 como se esses filmes de homenagem em que ele n\u00e3o est\u00e1 presente, de uma certa forma, tamb\u00e9m sintetizasse um pouco esse percurso. \u00c9 um filme que o trata como um mito da coisa da soul music brasileira, mas ele n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. \u00c9 isso. Era uma provoca\u00e7\u00e3o no sentido de vamos homenagear um cara passando um filme no qual ele \u00e9 visto como um mito, a cena \u00e9 a cena dele, mas ele n\u00e3o est\u00e1 no filme. Vamos assumir. Ele n\u00e3o est\u00e1 no filme. Ou isso ou ter\u00edamos que pegar um filme pequeno, um filme menor com um personagem muito pequeno. Porque no document\u00e1rio do Cavi, apesar dele n\u00e3o estar presente, sua aus\u00eancia \u00e9 a aus\u00eancia de algu\u00e9m que \u00e9 grande. \u00c9 a aus\u00eancia de algu\u00e9m que \u00e9 protagonista. O tratamento dado a ele na sua aus\u00eancia \u00e9 o de um protagonista. E ele n\u00e3o tem esse mesmo tratamento nos filmes que n\u00f3s poder\u00edamos ter como op\u00e7\u00e3o para programar. N\u00e3o sei se faz sentido o que eu estou falando. Porque ali \u00e9 isso. Claro, \u00e9 um document\u00e1rio de incensar a cena black carioca, musical, das dan\u00e7as e tudo mais. Mas dentro desse movimento, o cara \u00e9 tratado como um rei l\u00e1 dentro. E \u00e9 esse o tratamento que a gente queria. Mesmo que ele n\u00e3o apare\u00e7a, aqui ele \u00e9 tratado como um rei. Mas a\u00ed \u00e9 \u00f3bvio, pode n\u00e3o ser entendido. Pode ser acusado. &#8220;Como \u00e9 que pode? Um filme de homenagem n\u00e3o ter o homenageado?&#8221; Claro, eu sei de todas as possibilidades de recep\u00e7\u00e3o. Mas o que estava em jogo era justamente isso: um filme no qual o cara seja tratado no n\u00edvel da import\u00e2ncia que ele tem. E n\u00e3o um filme que o desabone pelo tamanho do personagem ou pela natureza do personagem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_75707\" aria-describedby=\"caption-attachment-75707\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-75707\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/52995892132_372a02a99e_k-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"479\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/52995892132_372a02a99e_k-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/52995892132_372a02a99e_k-copiar-300x192.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-75707\" class=\"wp-caption-text\"><em>Tony Tornado, o grande homenageado da 18\u00aa CineOP \/ Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"entry-content\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n<div data-wpusb-component=\"buttons-section\">\n<div id=\"wpusb-container-default\" class=\"wpusb wpusb-default  \" data-element-url=\"http%3A%2F%2Fscreamyell.com.br%2Fsite%2F2023%2F06%2F21%2Fespecial-10-anos-sem-james-gandolfini-e-o-podcast-talking-sopranos-enhanced%2F\" data-element-title=\"Especial%3A%2010%20anos%20sem%20James%20Gandolfini%20e%20o%20podcast%20%E2%80%9CTalking%20Sopranos%20Enhanced%E2%80%9D\" data-attr-reference=\"75632\" data-attr-nonce=\"10e4c6df61\" data-is-term=\"0\" data-wpusb-component=\"counter-social-share\">\n<div class=\"wpusb-item wpusb-share \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A m\u00fasica est\u00e1 muito no imagin\u00e1rio do que \u00e9 a nossa identidade. 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