{"id":75516,"date":"2023-06-18T11:29:28","date_gmt":"2023-06-18T14:29:28","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75516"},"modified":"2023-07-05T21:32:15","modified_gmt":"2023-07-06T00:32:15","slug":"15o-in-edit-brasil-importante-chiquinha-gonzaga-musica-substantivo-feminino-resgata-raizes-negras-da-compositora-carioca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/18\/15o-in-edit-brasil-importante-chiquinha-gonzaga-musica-substantivo-feminino-resgata-raizes-negras-da-compositora-carioca\/","title":{"rendered":"15\u00ba In-Edit Brasil: Importante, \u201cChiquinha Gonzaga &#8211; M\u00fasica Substantivo Feminino\u201d resgata ra\u00edzes negras da compositora"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para uma gera\u00e7\u00e3o, a primeira imagem que vem \u00e0 mente quando se fala em Chiquinha Gonzaga \u00e9 a figura de Regina Duarte na miniss\u00e9rie produzida pela Rede Globo no final dos anos 90, uma imagem que, hoje em dia, \u00e9 bem question\u00e1vel \u2013 e nem estamos falando do que a triste figura de Regina se transformou nesse pa\u00eds, mas sim que durante o s\u00e9culo XX, a figura da compositora e maestrina carioca Chiquinha Gonzaga passou por um processo de embranquecimento, como foi usual com outras figuras hist\u00f3ricas tal qual Machado de Assis e M\u00e1rio de Andrade. Chiquinha era filha de pai branco e filha de m\u00e3e negra forra, bem como era neta de uma mulher negra escravizada. Todas essas nuances formam a g\u00eanese do trabalho art\u00edstico de Chiquinha Gonzaga e \u00e9 isso que \u00e9 analisado e debatido no document\u00e1rio \u201cChiquinha Gonzaga \u2013 M\u00fasica Substantivo Feminino\u201d (2023), de Juliana Bara\u00fana e Igor Miguel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 importante pontuar aqui que quando se fala em embranquecimento de uma figura hist\u00f3rica, n\u00e3o estamos falando de algo deliberado, n\u00e3o \u00e9 como se algu\u00e9m em determinado momento decidisse \u201cvamos embranquecer essa figura e tentar apagar as suas origens\u201d. Estamos falando de algo sist\u00eamico que colabora pouco a pouco para esse apagamento. Um ponto crucial nisso est\u00e1 na fotografia e como ela registra as pessoas a partir do final do s\u00e9culo XIX. Todo o processo de revela\u00e7\u00e3o sempre levou em conta padr\u00f5es brancos e todas as outras tonalidades de peles perdiam suas nuances nas fotos, e a\u00ed estamos falando tanto em fotos em preto e branco l\u00e1 nos primeiros formatos rudimentares de fotografia at\u00e9 as modernas revela\u00e7\u00f5es da Kodak na segunda metade do s\u00e9culo XX. Outro fator que leva a esse apagamento est\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias: fam\u00edlias brancas e nobres sempre tiveram uma grande memorab\u00edlia de seus antepassados, enquanto pessoas negras que vieram escravizadas para o Brasil tiveram suas narrativas vilipendiadas e esquecidas. Esse \u00e9 o caso do lado negro da fam\u00edlia de Chiquinha Gonzaga: muitas pesquisas se atentam muito mais a cronologia familiar paterna de Chiquinha e deixam de lado as hist\u00f3rias que vem dessa genealogia materna negra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o document\u00e1rio de Juliana Bara\u00fana e Igor Miguel \u00e9 como uma primeira porta aberta para essa discuss\u00e3o. Nos \u00faltimos anos tivemos pesquisas e exposi\u00e7\u00f5es que atentaram para essa outra narrativa da hist\u00f3ria da maestrina, mas \u00e9 interessante que isso v\u00e1 para a tela do cinema e suscite outros debates. De formato bem cl\u00e1ssico, \u201cChiquinha Gonzaga \u2013 M\u00fasica Substantivo Feminino\u201d ganha for\u00e7a pela sua narrativa bem alinhavada e bastante envolvente. Os diretores utilizam esses padr\u00f5es do document\u00e1rio para criar um desenvolvimento que consegue costurar tanto a hist\u00f3ria de Chiquinha como os debates em torno de sua import\u00e2ncia e de seu legado para a cultura popular brasileira. E para isso eles se valem de uma gama de entrevistadas que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o a tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando se fala de uma figura hist\u00f3rica l\u00e1 do s\u00e9culo XIX, n\u00e3o temos entrevistados que podem trazer essa narrativa afetiva sobre a personagem, ent\u00e3o o que surge aqui s\u00e3o pesquisadoras e bi\u00f3grafas que podem trazer um olhar mais atento para a hist\u00f3ria dessa protagonista. O interessante nesse document\u00e1rio \u00e9 a inser\u00e7\u00e3o de outras figuras femininas que s\u00e3o proeminentes em suas \u00e1reas e que veem em Chiquinha essa figura primordial. Pianistas, fil\u00f3sofas e historiadoras aparecem tra\u00e7ando um panorama muito rico sobre a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria de Chiquinha para a m\u00fasica popular brasileira, para o Carnaval de rua e at\u00e9 mesmo para a legisla\u00e7\u00e3o em torno dos diretos autorais dos artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Produzido em parceria com o Canal Curta!, logo o filme dever\u00e1 ir para as telas de TV e isso \u00e9 bastante enriquecedor, pois Chiquinha Gonzaga \u00e9 uma figura central para pensarmos em uma arte brasileira m\u00faltipla e diversa e, nesse sentido, \u201cChiquinha Gonzaga \u2013 M\u00fasica Substantivo Feminino\u201d \u00e9 um interessante pontap\u00e9 inicial para revisarmos essa hist\u00f3ria a partir de outros olhares.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/tag\/festival-inedit\/\"><strong>MAIS SOBRE O IN-EDIT BRASIL NO SCREAM &amp; YELL<\/strong><\/a><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Chiquinha Gonzaga: M\u00f9sica Substantivo Feminino (trailer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3QTm5eBMpac?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/renan.machadoguerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Renan Guerra<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista<\/em>\u00a0e<em>\u00a0escreve para o Scream &amp; Yell desde 2014. Faz parte do\u00a0<a href=\"http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/vamosfalarsobremusica.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNGttyQx5OWOAKRyi7iGq8E4oacvuw\">Podcast Vamos Falar Sobre M\u00fasica<\/a>\u00a0e colabora com o\u00a0<a href=\"https:\/\/monkeybuzz.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/monkeybuzz.com.br\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFjG1FOw9vBGrawiUhocH4mshwTtw\">Monkeybuzz<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/revistabalaclava.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/revistabalaclava.com\/&amp;source=gmail&amp;ust=1630729890879000&amp;usg=AFQjCNFqHswo4qEcyg8fw9VPM8IWsRH5oQ\">Revista Balaclava<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cChiquinha Gonzaga \u2013 M\u00fasica Substantivo Feminino\u201d \u00e9 um interessante pontap\u00e9 inicial para revisarmos tanto a hist\u00f3ria da maestrina quando do embranquecimento de figuras hist\u00f3ricas\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/18\/15o-in-edit-brasil-importante-chiquinha-gonzaga-musica-substantivo-feminino-resgata-raizes-negras-da-compositora-carioca\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":3,"featured_media":75518,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4,3],"tags":[6745,3052],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75516"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75684,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75516\/revisions\/75684"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75518"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}