{"id":75440,"date":"2023-06-16T17:25:45","date_gmt":"2023-06-16T20:25:45","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75440"},"modified":"2023-07-12T00:11:16","modified_gmt":"2023-07-12T03:11:16","slug":"entrevista-desbravando-a-atual-cena-hardcore-soteropolitana-e-interiorana-da-bahia-conheca-a-webserie-cena-morta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/16\/entrevista-desbravando-a-atual-cena-hardcore-soteropolitana-e-interiorana-da-bahia-conheca-a-webserie-cena-morta\/","title":{"rendered":"Entrevista: Desbravando a atual cena hardcore soteropolitana e interiorana da Bahia, conhe\u00e7a a webs\u00e9rie Cena Morta"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criada em 2017, a webs\u00e9rie Cena Morta tem como foco apresentar a cena hardcore\/punk de Salvador e sua regi\u00e3o metropolitana. Idealizada por Fabiano Passos, Mariana Martins, Rodrigo Gagliano e Eduardo Lima, a primeira temporada contou com 11 epis\u00f3dios e a participa\u00e7\u00e3o de 11 bandas de diferentes vertentes do hardcore\/punk. Seis anos depois chega e a segunda temporada em <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/cenamorta\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">youtube.com\/cenamorta<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O nome da webs\u00e9rie \u00e9 uma express\u00e3o ir\u00f4nica que faz alus\u00e3o a morte da cena hardcore local, mas ela est\u00e1 mais viva do que nunca. Trata-se de um potente registro que documenta parte da cena hardcore nordestina que, geralmente, n\u00e3o tem a cobertura devida da m\u00eddia tradicional e alternativa brasileira.\u00a0Para a segunda temporada, foram selecionadas seis bandas que representam as cidades de Salvador e Pojuca: Dalmatans X, Lasso, Biscoito Sem Gl\u00faten, Antiprofeta, Afago e Inj\u00faria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A produ\u00e7\u00e3o da segunda temporada \u00e9 realizada pela parceria Estopim Audiovisual e SDV Audiovisual, contando com o apoio do Est\u00fadio Ru\u00eddo Rosa, do espa\u00e7o de shows Bl\u00e1! Bl\u00e1! Bl\u00e1!, do fot\u00f3grafo Danilo Vieira, al\u00e9m da ajuda das pr\u00f3prias bandas participantes. Na conversa abaixo, os respons\u00e1veis falam sobre as motiva\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da webs\u00e9rie, tra\u00e7am um paralelo hist\u00f3rico da cena hardcore\/punk baiana, contam dos desafios para a produ\u00e7\u00e3o da segunda temporada, a falta de cobertura midi\u00e1tica, reacionarismo cultural, planos futuros e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cena Morta #1- Aphorism\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Ttnoq8wRkCg?list=PLUH9hWKBVu07G9TssWaXpqelC5YDYf-Ti\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Primeiramente, gostaria de saber quais foram as motiva\u00e7\u00f5es que levaram voc\u00eas a criar o Cena Morta?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s criamos o Cena Morta com o objetivo de registrar e documentar os momentos significativos da cena punk\/hardcore da Bahia, que muitas vezes n\u00e3o foram devidamente registrados no passado. Percebemos que v\u00e1rias bandas importantes n\u00e3o tiveram a oportunidade de gravar enquanto estavam ativas, e h\u00e1 uma escassez de v\u00eddeos e fotos dos eventos antigos. Sentimos a necessidade de evitar que essas mem\u00f3rias se perdessem com o tempo e decidimos documentar de forma independente o que estava acontecendo na nossa cena local. Inicialmente, pensamos em produzir um document\u00e1rio, mas percebemos que um formato de scene report seriado seria mais abrangente e tornaria o projeto mais duradouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Historicamente, a Bahia \u00e9 um importante celeiro do rock nacional, tanto no passado quanto no presente, abrangendo diversas vertentes e subg\u00eaneros. Falando especificamente sobre a cena hardcore, poderiam tra\u00e7ar um panorama hist\u00f3rico desse g\u00eanero e quando perceberam que essa rela\u00e7\u00e3o duradoura se estabeleceu?<\/strong><br \/>\nA cena hardcore na Bahia passou por diferentes realidades ao longo das d\u00e9cadas. Em uma an\u00e1lise r\u00e1pida, podemos observar o seguinte panorama: na d\u00e9cada de 1980, as bandas punks predominavam, especialmente aquelas oriundas das periferias de Salvador, com uma forte vertente pol\u00edtica. Nos anos 1990, surgiram bandas punk\/hardcore de diferentes partes da cidade, resultando em uma miscel\u00e2nea de estilos musicais tanto nas bandas quanto nos eventos, com um grande p\u00fablico abrangendo diversas vertentes do rock. De 2000 a 2010, a cena local foi bastante frut\u00edfera, com o surgimento de v\u00e1rias bandas importantes. Al\u00e9m disso, tivemos dois espa\u00e7os de shows dedicados ao punk\/hardcore, o Quilombo Cec\u00edlia e o Espa\u00e7o Insurgente. N\u00f3s, do Cena Morta, somos profundamente influenciados e motivados por esse per\u00edodo e pela atmosfera dessa cena. De 2010 a 2020, a nossa cena enfrentou dificuldades, o que foi um dos motivos que nos levou a iniciar o Cena Morta em 2016. A partir de 2020, enfrentamos o desafio inicial da pandemia, mas depois disso as coisas t\u00eam mostrado sinais promissores, com o surgimento de novas bandas e a abertura de um novo espa\u00e7o para nossos eventos, o Bl\u00e1Bl\u00e1Bl\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esta \u00e9 a segunda temporada da webs\u00e9rie. Em compara\u00e7\u00e3o com a primeira temporada, quais foram os maiores desafios e alegrias desta nova etapa?<\/strong><br \/>\nNa primeira temporada, tivemos uma equipe de produ\u00e7\u00e3o maior, o que nos permitiu criar 11 epis\u00f3dios, filmados ao longo de 3 dias, com v\u00e1rias c\u00e2meras e mais pessoas envolvidas na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o. Na segunda temporada, contamos com uma equipe de produ\u00e7\u00e3o bastante reduzida, gravando todas as bandas em um \u00fanico dia com apenas uma c\u00e2mera. Um dos maiores desafios foi produzir algo de tamanho significativo sem recursos financeiros substanciais e manter o \u00e2nimo durante todo o processo. A nossa maior alegria \u00e9 o projeto continuar existindo apesar de todas as dificuldades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por mais que a cena hardcore nordestina seja rica de bons exemplos s\u00e3o raras as bandas que chegam aos ouvidos de outras regi\u00f5es atrav\u00e9s da m\u00eddia tradicional. Por que voc\u00eas acham que h\u00e1 um tratamento, visivelmente, diferente com os artistas da regi\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPorque o Nordeste \u00e9 o gueto do gueto. Os olhos do eixo dificilmente se voltam para essa regi\u00e3o, e piora ainda mais quando se fala do Norte do pa\u00eds. H\u00e1 uma verdadeira segrega\u00e7\u00e3o e, infelizmente, a cena hardcore e a cena independente, no geral n\u00e3o fogem dessa l\u00f3gica. \u00c9 algo que est\u00e1 enraizado em nosso pa\u00eds, e que j\u00e1 deveria estar sendo mudado, ao menos dentro da cena hardcore. Se voc\u00ea analisar bem, qual outra cena se n\u00e3o a nossa (nordestina) produziu uma webs\u00e9rie, scene report, e com qualidade? Mas voc\u00ea dificilmente v\u00ea as pessoas de outras cenas, de outros estados apoiando ou comentando sobre, acaba ficando algo mais regional mesmo, porque se n\u00e3o for n\u00f3s por n\u00f3s mesmo n\u00e3o vira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em geral o rock, antes um instrumento revolucion\u00e1rio, foi nos \u00faltimos anos sendo cooptado pela \u00f3tica da extrema direita, fazendo com que o discurso reacion\u00e1rio e omiss\u00e3o pol\u00edtica fa\u00e7am parte da cena. Como voc\u00eas veem esse cen\u00e1rio e qual a alternativa para combater essa vis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nCara, na verdade a extrema direita sempre fez isso. Se infiltrou em sindicatos e no proletariado para incutir a ideia de que imigrantes tomavam empregos, aproveitou uma juventude cheia de \u00f3dio e rebeldia, como os skinheads tradicionais para cooptar, em 2013 foram \u00e0s ruas para puxar pessoas para seu lado, sempre com discursos sutis que a primeira vista nem s\u00e3o t\u00e3o escrotos. Ent\u00e3o, nem acho que esse processo de coopta\u00e7\u00e3o foi algo dos \u00faltimos anos. Dito isso, o erro n\u00e3o s\u00e3o dos rea\u00e7as. Eles fazem o que tem que ser feito, trabalho de base. Se o que se chama de esquerda n\u00e3o faz isso, deixa lacunas algu\u00e9m vai ocupar. Al\u00e9m disso, se esse tipo de pessoa tem ingressado, com livre acesso para inclusive despejar suas merdas ideol\u00f3gicas, \u00e9 porque algu\u00e9m est\u00e1 deixando. A alternativa para combater \u00e9 o pr\u00f3prio combate, aliado ao trabalho de base, a demonstrar que o nosso modo de ver o mundo \u00e9 o mais correto e menos escroto, mas se voc\u00ea ao inv\u00e9s disso propaga que hardcore n\u00e3o \u00e9 pol\u00edtica, se voc\u00ea s\u00f3 se preocupa em ter um style legal e\/ou est\u00e1 mais preocupado com riffs legais, cada vez mais a pol\u00edtica ir\u00e1 se afastar do hardcore e as lacunas v\u00e3o sendo deixadas para quem quer ocupar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Cena Morta \u00e9 exemplar, pois cumpre a nobre miss\u00e3o de trazer ao p\u00fablico iniciativas musicais do mercado independente. Para al\u00e9m do voc\u00eas quais outros trabalhos voc\u00eas recomendam para que possamos nos aprofundar ainda mais no que acontece por a\u00ed?<\/strong><br \/>\nFalando do Nordeste, temos diversas produ\u00e7\u00f5es organizadas ou co organizadas pelo selo Tocaia, de Itabuna, sul da Bahia; o coletivo Minas Que Fortalecem, que com o Tocaia produziu o lan\u00e7amento da colet\u00e2nea \u201cBaianas Para O Mundo Ouvir\u201d, juntamente com uma a\u00e7\u00e3o social para fam\u00edlias v\u00edtimas da chuva aqui na Bahia; o Oganpazan, que \u00e9 um site que produz mat\u00e9rias sobre m\u00fasica em geral, mas que d\u00e1 uma aten\u00e7\u00e3o bem acima da m\u00e9dia pro punk hardcore local e n\u00e3o local tamb\u00e9m. Em Recife tem a Rede Perif\u00e9rica Antifascista que t\u00e1 a todo vapor, produzindo bastante coisa, com sede pr\u00f3pria e tudo mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por fim, quais s\u00e3o os planos futuros do Cena Morta?<\/strong><br \/>\nA ideia \u00e9 se manter ativo, mas de forma espor\u00e1dica. Quando for conveniente, mas principalmente quando for preciso. Foi assim na segunda temporada da webs\u00e9rie. N\u00e3o era conveniente, mas era preciso. N\u00f3s pegamos 5 anos ap\u00f3s a primeira e nos demos conta de que era um bom intervalo para se fazer um novo recorte da cena. E assim foi feito. As id\u00e9ias, vontades e necessidades v\u00e3o surgindo e a gente busca formas de viabilizar o processo, seja de forma totalmente aut\u00f4noma e independente ou contando com ajuda de terceiros.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dissecando a segunda temporada do Cena Morta - Punk Hardcore Salvador -BA\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ULVDPe8w00Q?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Podcast Cena Morta 001 - Apresenta\u00e7\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j8lU8xXhx24?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dissecando o Cena Morta -  Um recorte sobre a cena Hardcore de Salvador e Regi\u00e3o\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/D3zfiIRYWQk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A primeira temporada, de 2017, contou com 11 epis\u00f3dios e a participa\u00e7\u00e3o de 11 bandas de diferentes vertentes do hardcore\/punk. 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