{"id":75382,"date":"2023-06-12T00:02:05","date_gmt":"2023-06-12T03:02:05","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75382"},"modified":"2023-10-11T11:49:09","modified_gmt":"2023-10-11T14:49:09","slug":"entrevista-a-faceta-dark-pop-de-jairo-guedz-uma-referencia-do-metal-no-projeto-the-darkness-foundation","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/12\/entrevista-a-faceta-dark-pop-de-jairo-guedz-uma-referencia-do-metal-no-projeto-the-darkness-foundation\/","title":{"rendered":"Entrevista: A faceta dark pop de Jairo Guedz, uma refer\u00eancia do metal, no novo projeto The Darkness Foundation"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homero Pivotto Jr.<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mineiro Jairo Guedz \u00e9 devoto convicto do metal extremo, daqueles que coloca death e thrash para dormir \u2014 algo que, segundo o pr\u00f3prio artista, o acalma. Contudo, o guitarrista que gravou os dois primeiros lan\u00e7amentos do Sepultura (\u201cBestial Devastation\u201d, de 1985, e \u201cMorbid Visions\u201d, de 1986) nunca seguiu o mandamento exclusivista da b\u00edblia met\u00e1lica de adorar s\u00f3 um tipo de som. Tanto que, agora, deu in\u00edcio a uma nova empreitada musical que mant\u00e9m o peso, mas agrega melodia e bateria eletr\u00f4nica numa musicalidade envolta em atmosfera obscura: o <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100092392839711\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Darkness Foundation<\/a>, em que \u00e9 respons\u00e1vel pela guitarra, baixo e viol\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo final dos anos 1980 eu j\u00e1 era f\u00e3 de U2, The Mission, Midnight Oil e Sisters of Mercy. Tinha o Depeche Mode tamb\u00e9m&#8230; A partir disso comecei a evoluir nesse meio e pesquisar essa linha de som \u2014 junto com o death metal, que n\u00e3o apenas foi a minha escola, como eu, o Max, o Iggor e o Paulo est\u00e1vamos ali no movimento e somos considerados at\u00e9 fundadores desse death metal. Mas no final dos anos 1980 e in\u00edcio dos anos 1990, eu j\u00e1 estava muito apaixonado por esse outro lado, do pop dark que eu chamo, o p\u00f3s-punk. Chegou um momento no qual eu hoje, talvez pela minha idade, talvez por achar que tenho pouco tempo, falei: &#8216;cara, preciso colocar tudo que eu sei fazer, que eu gosto, para fora.&#8217; Botar a cara \u00e0 tapa, nem que receba cr\u00edticas negativas\u201d, confessa o jovem senhor, respons\u00e1vel ainda pelos riffs na banda <a href=\"https:\/\/www.thetroopsofdoom.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Troops of Doom<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos grupos j\u00e1 citados, o m\u00fasico tamb\u00e9m teve passagens pelo Overdose e Eminence, al\u00e9m de tocar em um tributo ao Metallica. Jairo ainda integrou o The Mist, onde conheceu os companheiros com quem montou o The Darkness Foundation, F\u00e1bio Andrey (voz, guitarra, baixo e programa\u00e7\u00e3o\/samplers) e Chris Salles (bateria e percuss\u00e3o). Como se percebe, ele nunca perdeu a f\u00e9 na m\u00fasica. E se a religi\u00e3o \u00e9 tema recorrente em boa parte de suas bandas, o novo projeto amplia o escopo, contemplando assuntos como os dramas humanos. Ainda assim, o diabo da escolha \u00e9 ardiloso, e o primeiro single, \u2018Pray\u2019 \u2014 com uma pegada industrial, que remete a nomes como Ministry e Paradise Lost circa segunda metade dos 1990 \u2014, esbarra na quest\u00e3o sobre a exist\u00eancia de uma divindade, um \u00fanico ser superior.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE DARKNESS FOUNDATION -  PRAY (official audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/AFvMB6fC0As?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c\u00c9 at\u00e9 uma autoconfid\u00eancia nessa m\u00fasica que comecei a escrever junto com os caras da banda pensando na minha pr\u00f3pria realidade. Porque sou ateu desde a juventude. Sempre falo que sou um ateu inconformado, estou todos os dias em busca de Deus. S\u00f3 n\u00e3o encontro, mas estou sempre procurando. Tem quem n\u00e3o seja ateu, que \u00e9 evang\u00e9lico, por exemplo, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o encontra Deus. Ou pelo menos faz uma for\u00e7a danada para ser o contr\u00e1rio do que prega. Na \u2018Pray\u2019 falamos sobre isso. A letra diz: &#8216;eu rezo todo dia antes de morrer \u2014 o que significa que eu oro todos os dias em que estou vivo \u2014, mas eu n\u00e3o te encontro, voc\u00ea n\u00e3o esta l\u00e1. Eu fico olhando a escurid\u00e3o e n\u00e3o vejo sua luz aparecer.&#8217; Mas as outras m\u00fasicas nossas, que pretendemos lan\u00e7ar at\u00e9 o final do ano, depois gravar um CD, tem assuntos como amor, perda de algu\u00e9m que se amava e muitos outros temas que nos interessam\u201d, pontua Jairo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista a seguir, Jairo \u201cTormentor\u201d fala sobre sonoridades dark, literatura, leitura, fam\u00edlia, forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, escolhas e autosabotagem. Ele tamb\u00e9m comenta o relan\u00e7amento dos dois primeiros registros do Sepultura, que ganharam regrava\u00e7\u00e3o dos irm\u00e3os Cavalera \u2014 trampo com o qual ele garante n\u00e3o ter envolvimento. O papo \u00e9 longo, mas bom demais. Se preferir ver\/ouvir a conversa na integra, s\u00f3 dar play aqui no v\u00eddeo abaixo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"O LADO DARK POP DE UM \u00cdCONE METAL: JAIRO GUEDZ FALA SOBRE NOVA BANDA, LITERATURA E SEPULTURA\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Wz7cVxdB3vY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Dark \u00e9 uma express\u00e3o meio guarda-chuva que contempla esse peso que vai al\u00e9m do som no universo musical. Algo que remete muito ao p\u00f3s-punk, \u00e0 est\u00e9tica sonora e visual dos 1980, que depois foi ganhando novas roupagens com o passar do tempo. Como esse estilo ganhou a aten\u00e7\u00e3o daquele Jairo metaleiro do Sepultura?<\/strong><br \/>\n\u00c9 louco isso, porque as pessoas esperam que a gente esteja dentro de uma caixa mesmo. Meus f\u00e3s devem achar: \u201cp\u00f4, o Jairo s\u00f3 gosta de metal, n\u00e9?\u201d N\u00e3o \u00e9 verdade! Antes de eu gostar de metal, do pr\u00f3prio death metal ou do heavy metal, eu j\u00e1 era um f\u00e3 ass\u00edduo do blues, principalmente daquela linha mais do negro americano do in\u00edcio do s\u00e9culo passado. Aquela coisa mais tosca mesmo. N\u00e3o digo blues do Eric Clapton, que eu gosto tamb\u00e9m, que \u00e9 blues de branco que a gente fala. Me refiro ao blues negro americano, que \u00e9 um lamento, uma hist\u00f3ria, uma revolu\u00e7\u00e3o mesmo. Isso veio antes do que o pr\u00f3prio heavy metal, que apareceu quando conheci o Kiss, por volta de 1979\/1980. A\u00ed eu comecei a curtir esse tipo de rock e fui gostando das coisas mais pesadas. Mas \u00e9 claro que no meio desse caminho, dessa busca por novos tipos de sonoridades dentro do estilo do heavy metal, a gente esbarrava num caldeir\u00e3o que estava fervilhando junto com heavy metal, que era o da m\u00fasica punk. Dos punks de Londres e de Manchester, na Inglaterra. Ent\u00e3o, do mesmo caldeir\u00e3o que veio o Black Sabbath e o Led Zeppelin, vieram os punks. E a partir dali a gente come\u00e7ou a ouvir. Quando falo a gente, sou eu e alguns amigos daquela \u00e9poca dos anos 1980, inclusive o Max e o Iggor Cavalera \u2014 que gostavam muito de Discharge, GBH e The Clash. E muita coisa eu aproveitei para mim. Dentre elas, Ramones (uma banda punk que j\u00e1 tem um pouco de rock and roll e que \u00e9 mais comercial perto dos outros) e nomes do p\u00f3s-punk, que \u00e9 uma m\u00fasica dark misturada com pop. \u00c9 um lance mais depressivo, obscuro e melanc\u00f3lico. No final dos anos 1980 eu j\u00e1 era f\u00e3 de bandas assim, escutava U2, The Mission, Midnight Oil e Sisters of Mercy. Tinha o Depeche Mode tamb\u00e9m&#8230; A partir disso comecei a evoluir nesse meio e pesquisar essa linha de som que gosto pra caramba, sempre gostei \u2014 junto com o death metal, que n\u00e3o apenas foi a minha escola, como eu, o Max, o Iggor e o Paulo est\u00e1vamos ali no movimento e somos considerados at\u00e9 fundadores desse death metal. A gente ajudou na cria\u00e7\u00e3o desse novo estilo por 1984\/85. Mas no final dos anos 1980 e in\u00edcio dos anos 1990, eu j\u00e1 estava muito apaixonado por esse outro lado, do pop dark que eu chamo, de m\u00fasica dark, o p\u00f3s-punk. Comecei a gostar de Sisters of Mercy e artistas do g\u00eanero. Logo conheci David Bowie e me apaixonei pela obra dele, bem como do Ministry \u2014 que vem daquela hist\u00f3ria do eletr\u00f4nico e do sampler \u2014, que tamb\u00e9m aprecio at\u00e9 hoje. Chegou um momento no qual eu hoje, talvez pela minha idade, por achar que tenho pouco tempo, falei: \u201ccara, preciso colocar tudo que eu sei fazer, que eu gosto, para fora.\u201d Botar a cara \u00e0 tapa mesmo, nem que receba cr\u00edticas at\u00e9 negativas. Apesar de que, por enquanto, isso n\u00e3o aconteceu em rela\u00e7\u00e3o ao The Darkness Foundation. Tirei do papel, da gaveta, coisas que eu j\u00e1 gostava junto com dois outros amigos que tamb\u00e9m sempre curtiram esse mesmo estilo. Pensamos: vamos fazer algo que a gente possa brincar um pouco com essa coisa do dark pop, do Depeche Mode e etc, ao mesmo tempo em que a gente possa ter um pouco de peso tamb\u00e9m. E acho que conseguimos isso nesse primeiro single.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quero falar um pouco mais sobre essa quest\u00e3o do dark, do p\u00f3s-punk. Antes, aproveito a deixa de um lance que tu falaste sobre te colocarem numa caixinha. Eu, como jovenzinho dos anos 1990, sempre tive essa predile\u00e7\u00e3o por v\u00e1rios estilos dentro do rock. S\u00f3 que, quando se \u00e9 muito novo, a gente meio que tenta seguir a cartilha, e a do metal era um tanto herm\u00e9tica, cheia de regras. Esse lado mais xiita do metal te incomodava?<\/strong><br \/>\nSim, sempre. Nunca curti isso. Sou metal 24 horas por dia. Minha esposa, que \u00e9 do sertanejo, n\u00e3o tem nada a ver com metal, e quando a gente casou, ela n\u00e3o conhecia nem Sepultura. J\u00e1 tinha ouvido falar, mas nem sabia do que se tratava. Eu sempre coloco fone e escuto m\u00fasica muito extrema pra dormir, me acalma. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, gosto de escutar death, thrash e metal industrial. Mas isso mais para relaxar. Nunca fui f\u00e3 dessa ideia fechada. \u00c9 muito retr\u00f3grada essa coisa de estar dentro de uma caixinha, de \u201cvoc\u00ea precisa ser assim&#8221;. A vida n\u00e3o \u00e9 desse jeito. Muito da riqueza e das coisas que a gente coloca no death metal vem de outras fontes, de outros estilos. Ele s\u00f3 tem uma pitada diferente, uma entortada. Tudo se transforma. \u00c9 aquela famosa frase: nada se cria, tudo se transforma, se copia. O death metal n\u00e3o foge a essa regra. \u00c9 engra\u00e7ado porque sempre olhei para os meus \u00eddolos, tipo James Hetfield, do Metallica, e pensava: \u201cesse cara n\u00e3o escuta porrada o dia inteiro\u201d. Tipo, ele faz m\u00fasica pesada, mas isso n\u00e3o quer dizer que ele s\u00f3 ouve som pesado. Sempre me interessei saber o que ele gostava e descobri que ele \u00e9 f\u00e3 de Willie Nelson, que ele gosta daquele famoso country americano. Tamb\u00e9m \u00e9 uma m\u00fasica um pouco machista, careta, que tem suas regrinhas ali. Mas assim: eu sempre estive aberto a outros estilos para escutar, entender e estudar. Para ver se \u00e9 bom, e ent\u00e3o dar minha opini\u00e3o depois. Acho que isso s\u00f3 me ajudou, pois consegui trazer muitos elementos para mim desde a m\u00fasica cl\u00e1ssica, o blues e passando pelo heavy metal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tu mencionaste o Sisters of Mercy. <a href=\"https:\/\/www.brooklynvegan.com\/bv-interview-the-sisters-of-mercys-andrew-eldritch-talks-us-tour-system-of-a-down-new-music-more\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Andrew Eldritch, vocal da banda, disse em entrevistas recentes<\/a> que tem notado receptividade do p\u00fablico metaleiro. Pego o exemplo pontual do Sisters, mas, de maneira geral, por que acredita que rola esse a identifica\u00e7\u00e3o da turma do metal com bandas dessa pegada mais dark? E pensa que o povo que aprecia metal est\u00e1 mais aberto atualmente?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 uns 20 ou 30 anos, tudo isso pertencia a nichos que eram muito impenetr\u00e1veis. Se voc\u00ea era de um, naturalmente nem conheceria outros ou teria outras amizades, tampouco frequentaria os bares noturnos em que aquela galera do outro nicho frequentava. Tudo era muito separado. Tinha a casa de show onde se fazia show de heavy metal, o bar do pop e o bar do n\u00e3o sei o que. A Rua Augusta, em S\u00e3o Paulo, era da galera alternativa, n\u00e3o ia metaleiro. Com o advento da internet, dessa abertura, a nossa vida est\u00e1 aberta e \u00e9 um livro para todo mundo ver. A gente pode se expor cada vez mais, tudo se conectou com muito mais facilidade. Muitas pessoas que est\u00e3o descobrindo Sisters of Mercy hoje n\u00e3o os conheciam naquela \u00e9poca. Uma turma que at\u00e9 nasceu bem depois que eles j\u00e1 tinham parado as atividades e, ao descobrir, \u00e9 mais do que natural que goste. Vejo isso acontecer at\u00e9 na minha fam\u00edlia, de eu botar Michael Jackson, por exemplo, e meu filho mais novo perguntar se era lan\u00e7amento de agora. E eu digo: \u201cLan\u00e7ou agora n\u00e3o, filho\u201d. Na m\u00fasica, na literatura e na pintura, as coisas eram muito boas. N\u00e3o estou sendo saudosista ou querendo dizer que tudo era melhor naquela \u00e9poca. Tem muita coisa boa hoje. Mesmo com a tecnologia, temos surpresas agrad\u00e1veis e outras desagrad\u00e1veis. A arte em geral, desde que o homem descobriu a forma de se expressar, ela \u00e9 absurdamente bela. E a m\u00fasica dos anos 1980 est\u00e1 nessa r\u00e9gua nivelada por cima. Posso at\u00e9 ser cancelado, mas a m\u00fasica dos anos 2000 para c\u00e1, a m\u00e9dia dela \u00e9 baixa. Viemos de uma riqueza dos anos 1950, 1960 e 1970. Ent\u00e3o, tem o rock do Brasil, por exemplo, que hoje praticamente n\u00e3o existe. Tinha Tit\u00e3s, Ira!, Blitz e Bar\u00e3o Vermelho e outros tantos. \u00c9 claro que hoje tem, mas est\u00e3o a\u00ed fazendo um showzinho aqui outro ali, n\u00e3o \u00e9 mais o que era. O mercado n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. O rock era muito rico, muito bacana. Quem nasceu depois disso ou n\u00e3o prestou aten\u00e7\u00e3o enquanto estava l\u00e1, hoje est\u00e1 dando mais valor. Os anos 1980 e 1990 t\u00eam sido uma boa op\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o est\u00e1 satisfeito com o que est\u00e1 vendo agora. O pessoal do metal se identifica muito com bandas como Sisters of Mercy, porque tem essa coisa da obscuridade, melanc\u00f3lica. O metal j\u00e1 tem isso, mas \u00e9 muito teatral, tipo: \u201cah, aqui \u00f3, dem\u00f4nio, capeta\u201d. O Sisters of Mercy, o The Mission, o Midnight Oil e at\u00e9 o U2 no come\u00e7o de carreira, t\u00eam uma poesia para contar essa hist\u00f3ria. Eles t\u00eam uma leveza, algo que fica mais obscuro ainda. At\u00e9 a roupa, o show que \u00e9 bem escuro, tudo \u00e9 menos exposto. Isso \u00e9 muito legal. Ent\u00e3o sim, acho que ele (Andrew Eldritch) tem raz\u00e3o, o pessoal do metal est\u00e1 abra\u00e7ando mais eles hoje. Tamb\u00e9m tem uma galera, e eu tenho visto isso com o The Troops of Doom, com crian\u00e7a nos shows de death metal e de metal, nos festivais. Crian\u00e7a de 8\/9 anos no ombro do pai, com camisa do Iron Maiden, do Metallica, do Ozzy. Isso \u00e9 muito bom porque a gente v\u00ea que est\u00e1 renovando, n\u00e3o s\u00e3o os velhos caciques que est\u00e3o ali curtindo seu som em todos os shows. Deve ser mais ou menos isso que est\u00e1 acontecendo com o pessoal do Sisters of Mercy e eles podem estar espantados.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE TROOPS OF DOOM - 1666 (Official Music Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DE2Jnk8yl-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tocaste num ponto interessante que \u00e9 a forma de contar a hist\u00f3ria, liricamente. Isso \u00e9 forte no p\u00f3s-punk, esse cuidado que remete \u00e0 literatura. Pega The Mission e Bauhaus, por exemplo, que s\u00e3o bandas que d\u00e3o uma enfeitada legal nas letras, que carregam, mesmo que indiretamente, refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas. Tu costumas ler bastante?<\/strong><br \/>\nSou apaixonado por leitura. Tenho mania de dar meus livros para os outros quando acabo ou leio duas vezes. Primeiro anivers\u00e1rio que aparece eu dou para pessoa livro, acredito que \u00e9 o presente mais foda do mundo. \u00c9 meio que a mesma coisa que a gente faz no Instagram quando v\u00ea algo legal, que \u00e9 marcar amigo porque ele merece ver aquilo. Com livro, voc\u00ea entrega para a pessoa uma coisa que voc\u00ea acredita, que mudou de alguma forma sua vida, acrescentou algo. Eu leio muito, s\u00f3 tenho uma mania: sou meio TDH, ent\u00e3o n\u00e3o consigo ler um livro s\u00f3 de cabo a rabo. Eu leio dois ou tr\u00eas ao mesmo tempo. Estou lendo um numa noite, a\u00ed na outra pego outro e deixo aquele anterior fechado, daqui a tr\u00eas dias eu volto. Geralmente, escolho tr\u00eas assuntos bem diferentes. \u00c0s vezes no meio de livros muito complexos ou muito densos, que me levam pensar demais a ponto de eu n\u00e3o consegui dormir direito, coloco um livro bobinho no meio. Uma hist\u00f3ria nada a ver, uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas estou sempre lendo. Agora estou mais agarrado nesse livro aqui da minha cabeceira: \u201cA Guerra das Salamandras\u201d, de Karel Capek. \u00c9 fant\u00e1stico! \u00c9 uma obra antiga, acho que de 1938 (na verdade \u00e9 de 1936), que \u00e9 um tapa na cara dos colonizadores dos nossos dois \u00faltimos s\u00e9culos. Tanto Fran\u00e7a, Inglaterra, Portugal etc\u2026. Toda aquela hist\u00f3ria sobre coloniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o dos livros de hist\u00f3ria, mas da verdade. Sobre como esses colonizadores agem em rela\u00e7\u00e3o a continentes como \u00c1frica e pa\u00edses pequenos do Oriente. E n\u00e3o \u00e9 chato, \u00e9 uma historinha de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica onde o cara est\u00e1 ali nas entrelinhas jogando essa merda no ventilador da coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como pai, e como artista que lida constantemente com o p\u00fablico mais jovem, tem a percep\u00e7\u00e3o de que as novas gera\u00e7\u00f5es leem menos?<\/strong><br \/>\nAl\u00e9m de pai, sou av\u00f4. Meu neto Francisco tem seis anos, meu filho Igor, mais velho, tem 34, e o outro mais novo tem 28. Tenho ainda filhos tortos do meu atual casamento, que ganhei de presente da vida, um com 21 anos e uma filha com 14. Nenhum dos meus dois filhos naturais foram para m\u00fasica, ambos foram para o futebol. Eu odeio futebol. E posso dizer que essa gera\u00e7\u00e3o dos meus filhos para baixo n\u00e3o tem costume de literatura de jeito nenhum, cara. Nem o interesse de aproveitar a tecnologia, tipo comprar livro no Kindle, n\u00e3o vejo nessa galera. Nem ler mat\u00e9ria. E tem ainda gente da minha gera\u00e7\u00e3o que s\u00f3 l\u00ea t\u00edtulo (de reportagem) e j\u00e1 sai tirando conclus\u00e3o. Depois dos dois pontos do t\u00edtulo ningu\u00e9m sabe nada. O povo l\u00ea at\u00e9 a p\u00e1gina dois do livro e j\u00e1 fala se \u00e9 ruim ou bom. Infelizmente isso n\u00e3o \u00e9 algo que est\u00e1 atrelado s\u00f3 a literatura. Essa caracter\u00edstica est\u00e1 em tudo, nos estudos em geral, nas not\u00edcias de televis\u00e3o e at\u00e9 na forma como as pessoas est\u00e3o interagindo entre elas. \u00c9 t\u00e3o f\u00e1cil hoje as pessoas falarem que amam um amigo que conheceram quinta-feira passada. Eu vejo meninada a\u00ed de 16\/18 anos dizendo que o melhor amiga(o) \u00e9 algu\u00e9m que tiveram o primeiro contato h\u00e1 15 dias. Existe uma pressa em resumir a experi\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comentaste que, nessa altura da vida, quer mais \u00e9 materializar tuas ideias sem se preocupar com aprova\u00e7\u00e3o. Por que colocar em pr\u00e1tica neste momento um projeto como o The Darkness Foundation, com dois m\u00fasicos amigos que j\u00e1 tocaram no The Mist (banda da qual Jairo fez parte de 1989 a 1996 e entre 2018 e 2020)?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o v\u00e1rias coisas. Partiu de mim essa coisa de querer fazer, do convite de chamar a galera. O F\u00e1bio, nosso vocal, mora em Paris. Eu j\u00e1 passo essa dificuldade com o The Troops of Doom, pois cada integrante mora em um lugar do Brasil. Mas tudo bem, pois hoje com a tecnologia se consegue dar um jeito pra ensaiar, produzir tudo online. Com o The Darkness Foundation fizemos m\u00fasica, videoclipe e at\u00e9 foto de banda juntos sem nunca termos nos encontrado. Eu n\u00e3o faria isso em outros tempos. O que aconteceu foi que juntou essa coisa da idade mesmo com outros fatores. N\u00e3o falo como fatalidade, porque todo dia tenho exemplos que me levam a pensar ao contr\u00e1rio, vendo m\u00fasicos maravilhosos de bandas de punk\/hardcore, rock, metal e blues tocando com mais de 70 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Charlie Harper, do UK Subs, fez 79 anos recentemente.<\/strong><br \/>\n\u00c9 lindo isso, n\u00e9? N\u00e3o posso achar que \u00e9 o fim. Mas cheguei num ponto da minha vida, n\u00e3o \u00e9 nem da minha idade, mas da maturidade, em que j\u00e1 consigo agora talvez acreditar mais naquilo que eu fa\u00e7o. Tenho mais tranquilidade em expor minhas ideias, minhas cria\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00f3 na m\u00fasica. Tenho escrito bastante, anotado muita coisa, pois tenho muita vontade de entrar na literatura tamb\u00e9m \u2014 at\u00e9 por ser uma paix\u00e3o minha. Eu sempre falava isso com a minha m\u00e3e nos anos 1980, na \u00e9poca em que peguei essa mania de ler dela. Ela dizia que eu escrevia bem desde novo. Acho que, das artes, a literatura \u00e9 a mais dif\u00edcil pra mim. \u00c9 onde, eu acho, o criador ou artista se exp\u00f5e mais. Na m\u00fasica consigo me colocar de uma forma metaf\u00f3rica, posso me esconder atr\u00e1s de algum personagem de uma forma tranquila. Subo no palco, visto a minha roupa, encarno o personagem e est\u00e1 de boa. Se for fazer um videoclipe, um filme, tamb\u00e9m. Pintura da mesma forma. S\u00f3 que a literatura, para mim, sempre pegou pesado nesse sentido. Sempre pensei que n\u00e3o conseguiria me esconder atr\u00e1s de um livro meu. Creio que, agora, que estou tomando coragem, pretendo um dia entrar nessa \u00e1rea da literatura sem muita expectativa. \u00c9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de querer tamb\u00e9m colocar isso para fora. O The Darkness Foundation foi assim. Eu j\u00e1 estava com o The Troops of Doom engatilhado, trabalhando para caramba, me ocupando grande parte dos dias com viagens e outros afazeres, trabalhando com a galera da Europa e dos Estados Unidos para trilhar um caminho, um futuro bacana. A\u00ed surgiu, no meio disso, a ideia de fazer The Darkness Foundation com dois amigos m\u00fasicos que j\u00e1 tocaram comigo, que sei terem as mesmas influ\u00eancias do pop, do dark e do p\u00f3s-punk. Eles toparam, e eu falei pra gente fazer e curtir de uma forma leve, gostosa e sem muita neura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Disseste que hoje te sentes mais \u00e0 vontade com as pr\u00f3prias cria\u00e7\u00f5es, em se expressar de diferentes maneiras art\u00edsticas. Consideras, em algum momento, ter se autossabotado?<\/strong><br \/>\nEm muitos, n\u00e3o foram em poucos! Esse fantasma do autossabotador sempre esteve comigo. Na verdade, at\u00e9 hoje eu tenho que trabalhar com ele, ou trabalhar sabendo que ele est\u00e1 comigo. Tento manter ele sempre adormecido, porque \u00e9 muito mais f\u00e1cil voc\u00ea n\u00e3o desenvolver nada. O ser humano meio que evoluiu para ficar deitado no sof\u00e1, \u00e9 pregui\u00e7oso. Raras cabe\u00e7as que pensam v\u00e3o correr atr\u00e1s, fazer as coisas. A maioria das pessoas querem deixar pra depois. O homem, figura masculina, \u00e9 ainda pior. A mulher \u00e9 mais el\u00e9trica, quer resolver para ontem. Vejo isso pela minha esposa, m\u00e3e e irm\u00e3s, por irm\u00e3s de amigos tamb\u00e9m. Elas querem resolver as coisas, e a gente n\u00e3o. A\u00ed \u00e9 normal essa autossabotagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O nome The Darkness Foundation surgiu de onde?<\/strong><br \/>\nEu tinha essa ideia de fazer alguma coisa obscura, de funda\u00e7\u00e3o. Os caras sugeriram v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es, tipo quando voc\u00ea vai abrir uma empresa. Eu queria mesmo esse lance da funda\u00e7\u00e3o, principalmente por causa da Funda\u00e7\u00e3o Wayne (Batman), da City Corp (Robocop). Um lance meio de empresa que tem estrat\u00e9gia e poder que est\u00e1 acima da pol\u00edtica, do bem ou do mal. Falei pra fazermos um nome que fosse meio funda\u00e7\u00e3o da escurid\u00e3o, que \u00e9 base, que traz ideia de melancolia, da coisa do sofrimento, da d\u00favida. Eu queria sair do tema deus e o diabo, religi\u00e3o. Deus j\u00e1 tem esse papel que \u00e9 muito bem fundado, muita gente estuda para falar sobre isso. Toda met\u00e1fora que se usa em torno disso, para falar da igreja, nessa banda quer\u00edamos fugir totalmente. A ideia foi trabalhar mais com o sofrimento humano mesmo, que \u00e9 mais real. Mais da filosofia humana tamb\u00e9m. O primeiro single, \u2018Pray\u2019, esbarra na religi\u00e3o. \u00c9 at\u00e9 uma autoconfid\u00eancia nessa m\u00fasica que comecei a escrever junto com os caras da banda pensando muito na minha pr\u00f3pria realidade. Porque sou ateu desde a juventude. E sempre falo que sou um ateu inconformado, estou todos os dias em busca de Deus. S\u00f3 n\u00e3o encontro, mas estou sempre procurando. Tem quem n\u00e3o seja ateu, que \u00e9 evang\u00e9lico, por exemplo, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o encontra Deus. Ou pelo menos faz uma for\u00e7a danada para ser o contr\u00e1rio do que prega. Na \u2018Pray\u2019 falamos sobre isso. A letra diz: \u201ceu rezo todo dia antes de morrer \u2014 o que significa que eu oro todos os dias em que estou vivo \u2014, mas eu n\u00e3o te encontro, voc\u00ea n\u00e3o esta l\u00e1. Eu fico olhando a escurid\u00e3o e n\u00e3o vejo sua luz aparecer\u201d. Mas as outras m\u00fasicas nossas, que pretendemos lan\u00e7ar at\u00e9 o final do ano, depois gravar um CD, tem assuntos como amor, perda de algu\u00e9m que se amava e muitos outros temas que nos interessam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A \u2018Pray\u2019 tem uma pegada industrial, \u00e9 pesada. Lembrou algo de Paradise Lost do fim dos anos 1990, que tem esse vi\u00e9s melanc\u00f3lico e mel\u00f3dico. \u00c9 um som que tem obscuridade, mas que soa como feito por quem gosta de m\u00fasica pesada. Tem uma esp\u00e9cie de assinatura banger. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wGlaHoO0nN8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">E isso me lembra tua entrevista para o Amplifica, do Rafael Bittencourt<\/a> (Angra), em que tu disseste que pra fazer riff de metal \u00e9 preciso \u201cmaldade\u201d. Como isso se aplica na cria\u00e7\u00e3o de um som do The Darkness Foundation?<\/strong><br \/>\nPosso falar por mim: quando eu componho, n\u00e3o me for\u00e7o a nada, no sentido de sair da minha concep\u00e7\u00e3o das coisas, da m\u00fasica e das minhas influ\u00eancias. Tipo: fazer uma coisa que nunca fiz e que n\u00e3o conhe\u00e7o. Eu n\u00e3o conseguiria compor um chorinho, por exemplo, nem uma valsa ou um funk. Falo desse funk atual, o funk dos anos 70 eu at\u00e9 consigo. Gosto muito de James Brown, e sei que eu conseguiria fazer alguma coisa parecida, mas muito longe dele. No caso do The Darkness Foundation eu n\u00e3o estou fugindo totalmente das minhas ra\u00edzes. Estou simplesmente pegando uma parte delas que ainda n\u00e3o veio \u00e0 tona nas minhas obras ou nas bandas em que eu toquei. Muito porque o mote dessas bandas era outro, era thrash metal ou death metal. Por exemplo, no The Troops of Doom \u00e9 muito bem definida nossa linha de composi\u00e7\u00e3o: \u00e9 um death com pouco de thrash dos anos 1980. A gente nunca vai querer soar moderno demais. Gostamos de fazer o que nos propomos e aquilo sai naturalmente f\u00e1cil. Para o The Darkness Foundation tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 esfor\u00e7o, de n\u00e3o saber o que fazer, de querer soar de um jeito e n\u00e3o conseguir. O que fazemos no The Darkness Foundation que \u00e9 engra\u00e7ado \u00e9 colocar todas as nossas influ\u00eancias, tudo que a gente quer. \u201cVamos fazer uma m\u00fasica com esse piano, com uma pegada meio Depeche Mode\u201d. A\u00ed o outro diz, \u201cah, sei como \u00e9\u201d. A gente comp\u00f5e os sintetizadores, a bateria e eu coloco uma guitarra. No momento de p\u00f4r a guitarra, ela vem do metal. Eu n\u00e3o consigo pensar como o guitarrista do Depeche Mode, eu penso como o do Slayer. Preciso tomar cuidado com isso tamb\u00e9m para n\u00e3o ficar uma coisa feia. Ent\u00e3o, eu simplesmente giro uma chavinha na minha cabe\u00e7a em que eu consigo fazer aquilo com peso, mas ao mesmo tempo sem copiar o que eu j\u00e1 fa\u00e7o naturalmente, que \u00e9 o death metal. Eu exijo um pouco mais de mim para compor com o The Darkness Foundation, assim como o F\u00e1bio e o Cristiano. O peso ali tamb\u00e9m tem a ver com o fato de todos termos feito parte do The Mist no final da d\u00e9cada de 1990. Foi eu e o Chris que compomos o \u201cGottverlassen\u201d (1995), que \u00e9 o \u00faltimo full The Mist, e ele j\u00e1 tem uma pegada industrial. N\u00e3o tanto quanto o \u201cAshes to Ashes, Dust to Dust\u201d (1993), mas tem, tamb\u00e9m \u00e9 um trio, muito mais arrastado e pesado. O F\u00e1bio fez turn\u00ea com a gente desse disco, como segundo guitarrista. A gente fez muita coisa juntos e chegou a compor \u2014 n\u00e3o para o The Mist, pois o grupo acabou naquela \u00e9poca, por 1997\/1998. Logo, \u00e9 natural pra n\u00f3s fazermos algo que pegue um pouco desse lado pop do dark, do p\u00f3s-punk, e que tenha tamb\u00e9m um pouco de peso que at\u00e9 tinha no The Mist e em outras influ\u00eancias. Um pouco de Paradise Lost, pode ter at\u00e9 um pouco de Metallica. Estamos fazendo um single novo agora que deve sair em julho, que \u00e9 uma pegada um pouco mais pop e menos pesada que \u2018Pray\u2019. Ent\u00e3o, temos liberdade de criar material com menos peso tamb\u00e9m. Vamos fazer mescla disso, de m\u00fasica com menos peso e m\u00fasicas com peso de guitarra tamb\u00e9m. Mas a gente n\u00e3o quer soar como um Paradise Lost no final dos anos 1990 no disco todo. Temos tantas refer\u00eancias boas que gostamos. Queremos fazer algo que nos remeta a um David Bowie, por exemplo, e a\u00ed eu n\u00e3o vou meter uma guitarra superpesada para estragar aquilo, no bom sentido. Eu vou trabalhar da melhor forma que eu souber. O que \u00e9 legal no The Darkness Foundation \u00e9 a gama de influ\u00eancia dos anos 1980, do pop, do dark, do p\u00f3s-punk e do metal tamb\u00e9m dos anos 1990, que nos d\u00e1 essa liberdade de fazermos o que quiser dentro desse caldeir\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pode-se dizer que o The Darkness Foundation \u00e9 uma banda, que vai lan\u00e7ar discos e fazer shows, ou est\u00e1 mais para projeto que trabalha conforme as possibilidades?<\/strong><br \/>\nAs duas coisas. Primeiro, \u00e9 uma banda que vai lan\u00e7ar \u00e1lbum, que a gente pretende assinar com uma gravadora. E \u00e9 um projeto que vai trabalhando dentro das possibilidades, pois tem a quest\u00e3o da dist\u00e2ncia. Hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que antigamente, mas temos esse lance de morar longe. O fato de ter um integrante residindo na Europa j\u00e1 facilita muito a ida da banda para l\u00e1 pra uma poss\u00edvel turn\u00ea. Talvez seja mais f\u00e1cil tocarmos fora do Brasil do que fazer uma gira nacional em raz\u00e3o disso. Para uma ag\u00eancia ou produtor de l\u00e1, \u00e9 menos uma passagem daqui para pagar. A banda se encontra em Paris, pega a van e vai tocar. Facilita ainda o fato de ser um trio, uma forma\u00e7\u00e3o mais enxuta que a maioria das outras bandas. Respondendo sua pergunta, nossa ideia \u00e9 que seja uma banda com todas as letras, fazendo tudo que \u00e9 poss\u00edvel, dentro das nossas possibilidades reais por causa da dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Comentaste que est\u00e3o trabalhando em um novo single. O processo de voc\u00eas \u00e9 ir fazendo uma m\u00fasica de cada vez, j\u00e1 que saiu um som e agora o grupo se dedica a outro?<\/strong><br \/>\nTemos 11 m\u00fasicas. Na verdade 10, pois j\u00e1 saiu &#8216;Pray&#8217;. Essas 10 est\u00e3o encaminhadas. Temos nosso arquivo que a gente abre e fala: vamos trabalhar nessa aqui agora, porque cada uma tem uma pegada, uma caracter\u00edstica. Sabemos exatamente o que precisamos trabalhar e em qual momento. Agora, estamos lapidando o segundo single, mas tem um terceiro e quarto sendo encaminhados. Queremos lan\u00e7ar um single por m\u00eas daqui at\u00e9 agosto ou setembro, mais ou menos, e at\u00e9 dezembro gravar o nosso \u00e1lbum. E nesse intervalo queremos lan\u00e7ar videoclipe e tudo que uma banda lan\u00e7a para manter um padr\u00e3o bacana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tirando foco do The Darkness Foundation, mas seguindo na m\u00fasica: tu \u00e9s um cara que est\u00e1 na lida musical desde os 1980. Consegue viver s\u00f3 da m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nVivo s\u00f3 da m\u00fasica sim. Agora, s\u00f3 vivo, n\u00e9. N\u00e3o estou dizendo que sou rico. Eu optei por isso e abri m\u00e3o de muita coisa. Sou formado em faculdade e poderia trabalhar com o que me graduei, mas resolvi n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9s formado em que?<\/strong><br \/>\nPr\u00f3tese dent\u00e1ria e ocular, que \u00e9 fazer olho de vidro e trabalhar a parte de porcelana dos dentes etc. Cheguei a montar um laborat\u00f3rio, depois parei. \u00c9 uma quest\u00e3o muito minha. Eu n\u00e3o consigo ter um emprego, nem trabalhar em algo que n\u00e3o seja a m\u00fasica. Claro, dentro dessa coisa da arte, tem v\u00e1rias nuances e, dentro delas, eu fa\u00e7o algumas outras atividades. Fa\u00e7o arte gr\u00e1fica para casas de shows ou festivais, como p\u00f4ster f\u00edsico ou mesmo para redes sociais. Isso me ajuda muito, \u00e9 uma grana que entra. Por\u00e9m, n\u00e3o considero que seja minha profiss\u00e3o. Em qualquer lugar que eu vou no mundo, quando preciso fazer check-in nem hotel, por exemplo, minha profiss\u00e3o \u00e9 m\u00fasico. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/minimundojg\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Trabalho tamb\u00e9m com miniaturas<\/a> h\u00e1 mais de 30 anos. J\u00e1 fiz muito para museus, exposi\u00e7\u00f5es e galerias de arte. Isso tamb\u00e9m, quando consigo me dedicar, d\u00e1 uma grana. Mas geralmente no meu dia a dia \u00e9 m\u00fasica 24 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pressupondo que para trabalhar com miniaturas seja preciso ter paci\u00eancia, gostaria de saber se tu \u00e9s um cara calmo?<\/strong><br \/>\nMuito. Se algu\u00e9m tentar me tirar a paci\u00eancia vai perder tempo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Iggor Cavalera &quot;Beneath The Drums&quot; Episode 6 - Antichrist\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wN4DSnk0ctU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para n\u00e3o dizer que n\u00e3o falei de flores: os irm\u00e3os Cavalera anunciaram recentemente que gravaram e ir\u00e3o relan\u00e7ar o \u201cBestial Devastation\u201d e o \u201cMorbid Vision\u201d. Teve algum envolvimento com esse trabalho?<\/strong><br \/>\nA n\u00e3o ser a inspira\u00e7\u00e3o que eu possa ter passado, n\u00e3o. Fizemos um trabalho juntos, que foi tocar \u2018Antichrist\u2019 para o canal Beneath the Drums, do Iggor. Ele pediu isso faz um tempo, na pandemia, de regravar algo da antiga com ele e o Max. Ele perguntou se eu queria escolher a faixa, e eu disse que j\u00e1 tinha \u2018Antichrist\u2019 \u00e0 m\u00e3o e que o The Troops of Doom ia regravar ela. Ent\u00e3o, j\u00e1 tinha ela toda esquematizada, no clique, com bateria programada pra depois o batera fazer a parte dele valendo. S\u00f3 n\u00e3o tinha voz, at\u00e9 baixo j\u00e1 estava gravado. Avisei pra ele que poderia enviar, ele tirava a bateria e gravava em cima e depois eu colocava guitarra de novo, e o Max fazia parte dele em Phoenix. Depois disso, os coment\u00e1rios deles e meus foram bacanas, efusivos. Tipo: \u201cfoda escutar uma m\u00fasica nossa l\u00e1 de 1984\u201d. \u2018Antichrist\u2019 nem \u00e9 minha, pois eu n\u00e3o era do Sepultura na \u00e9poca. Quando entrei, eles j\u00e1 tinham essa m\u00fasica em portugu\u00eas, chamava \u2018Anticristo\u2019. Depois passamos para o ingl\u00eas e eu gravei ela, mas j\u00e1 estava composta antes da minha entrada, quando era s\u00f3 os dois moleques. Depois, em 2022, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/08\/09\/ao-vivo-max-e-iggor-cavalera-reunem-o-verdadeiro-sepultura-com-jairo-guedz-no-rio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fizemos turn\u00ea com os Cavalera no Brasil e o The Troops of Doom abriu dois shows deles<\/a>, em Curitiba e no Rio de Janeiro. Eles nos viram tocar, e o Iggor principalmente, falou: \u201ccara, que foda! Voc\u00eas tocam \u2018Morbid Visions\u2019, \u2018Bestial Devastation\u2019, \u2018Troops of Doom\u2019 e \u2018Antichrist\u2019 ao vivo e ficou do caralho! Antigamente era tudo mal gravado. Hoje t\u00e1 maior peso, d\u00e1 pra ver que a m\u00fasica \u00e9 foda.\u201d Ent\u00e3o, acho que isso tudo deve ter acendido um fa\u00edsca, um gatilho para que eles pensassem nessa ideia de regravar os dois \u00e1lbuns. O que eu sei \u00e9 o mesmo que todo mundo, que \u00e9 o que foi divulgado. N\u00e3o sou parte dessa forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o participo, n\u00e3o fui convidado a participar, como alguns cogitam. Eles est\u00e3o come\u00e7ando a divulgar agora, mas a grava\u00e7\u00e3o rolou antes. Se rolasse convite, eu n\u00e3o aceitaria porque a \u00e9poca em que eles devem ter gravado eu estava no auge da turn\u00ea com o The Troops of Doom e mexendo com composi\u00e7\u00f5es do The Darkness Foundation. Foi um ano bem atribulado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Para finalizar, quais alegrias e as agruras de ser um ex-Sepultura?<\/strong><br \/>\nAlegria, todas. Eu sou reconhecido no mundo inteiro e respeitado por isso. N\u00e3o tenho nada a reclamar. A \u00fanica parte ruim \u00e9 que depois que eles se separaram, eu sem querer estou sempre no meio de uma trincheira. Sou um ingl\u00eas ali entre uma trincheira francesa e outra alem\u00e3 na Primeira Guerra. N\u00e3o que eu tome tiro deles, isso n\u00e3o porque a gente se respeita e se gosta muito. Sou muito querido pelo Andreas, pelo Paulo e pelo Derick, assim como pelo Max e Iggor. E respeito todos eles da mesma forma. A \u00fanica coisa ruim, mas que eu tamb\u00e9m j\u00e1 cortei h\u00e1 algum tempo, numa das rar\u00edssimas vezes em que perdi a paci\u00eancia, \u00e9 que todo mundo chega para mim querendo falar alguma coisa dos dois lados. Seja para falar que o Sepultura t\u00e1 ruim ou que o Max copiou n\u00e3o sei o que ou que o Iggor n\u00e3o sei o que. Ou ainda pra dizer que o Soulfly \u00e9 uma bosta. S\u00f3 lamenta\u00e7\u00f5es. N\u00f3s temos uma amizade, um respeito grande. N\u00e3o fa\u00e7o parte da hist\u00f3ria do Soulfly e do Max depois que eu sa\u00ed do Sepultura. \u00c0s vezes \u00e9 chato, tive que realmente ser incisivo em resposta nas redes sociais para alguns colegas meus e seguidores que come\u00e7aram a meter pau no Sepultura. N\u00e3o lembro o que falei exatamente, mas alguma coisa do tipo: \u201ccara, desculpa, mas voc\u00ea \u00e9 o famoso quem mesmo? Conta a sua hist\u00f3ria ao inv\u00e9s de ficar falando da hist\u00f3ria do Sepultura.\u201d Toda banda que tem uma carreira de sucesso, longeva, tem discos ruins e bons, tem obras primas e coisas muito ruins. Tudo bem voc\u00ea n\u00e3o gostar, mas eu acho que denegrir as pessoas, a banda, por causa disso \u00e9 errado. Pior ainda em rede social. \u00c0s vezes querem me colocar num papel de dizer o que eu acho, querendo levar para um lado de criar celeuma. Respeito ambos, acho tudo bacana. Se voc\u00ea procurar, tem discos que eu n\u00e3o gosto, mas muitas pessoas gostam. O \u00faltimo do Sepultura, \u201cQuadra\u201d (2020), \u00e9 uma obra prima, prova de que eles se reinventaram. Eles sempre tiveram esse poder de se reinventar, nenhum disco dos caras \u00e9 igual. Isso \u00e9 uma coisa que a gente tem que aplaudir o Max tamb\u00e9m, \u00e9 um cara que tem a cabe\u00e7a a mil por hora e cria muitas coisas, faz o trabalho dele. Voc\u00ea pode gostar de um, n\u00e3o gostar de outro, mas ele tem o direito. Essa regrava\u00e7\u00e3o dos dois primeiros que ele fez agora \u00e9 um direito dele. Legalmente eles t\u00eam esse direito, como eu tamb\u00e9m tenho, como Paulo tem e o Iggor tamb\u00e9m. Eu n\u00e3o faria porque n\u00e3o tenho essa vontade, mas eles fizeram e vamos aguardar para ver.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"THE TROOPS OF DOOM - 1666 (Official Music Visualizer)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DE2Jnk8yl-M?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Mist   Gottverlassen 1995\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vCR1HLro2Us?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>11 m\u00fasicas dark escolhidas por Jairo Guedz que, de alguma forma, influenciaram o The Darkness Foundation:<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Depeche Mode \u2014 Personal Jesus<br \/>\nSisters of Mercy \u2014 More<br \/>\nMinistry \u2014 Isle of man<br \/>\nThe Cult \u2014 She Sells Sanctuary<br \/>\nThe Mission \u2014 Serpents Kiss<br \/>\nNine Inch Nails \u2014 Dead Souls (Joy Division cover)<br \/>\nType O Negative \u2014 Black No.1<br \/>\nSisters of Mercy \u2014 Temple of Love<br \/>\nThe Cult \u2014 Vendetta X<br \/>\nRosetta Stone \u2014 Adrenaline<br \/>\nDavid Bowie \u2014 I&#8217;m Afraid of Americans<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"The Darkness Foundation: Influ\u00eancias\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=PL3M6mGqCRZBOkhNAZZXm6vzwB31LPAkzX\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100001755294131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Homero Pivotto Jr.<\/a>\u00a0\u00e9 jornalista, vocalista da\u00a0<a href=\"https:\/\/diokane.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Diokane<\/a>\u00a0e respons\u00e1vel pelo videocast\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCY71eKJzuBUXpyDV2IFeP8Q\/videos?view_as=subscriber\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">O Ben Para Todo Mal<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jairo \u201cTormentor\u201d fala sobre sonoridades dark, literatura, leitura, fam\u00edlia, forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, escolhas e autosabotagem. Ele tamb\u00e9m comenta o relan\u00e7amento dos dois primeiros registros do Sepultura&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/12\/entrevista-a-faceta-dark-pop-de-jairo-guedz-uma-referencia-do-metal-no-projeto-the-darkness-foundation\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":52,"featured_media":75402,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[974,6738,5991],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75382"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75382"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75382\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75406,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75382\/revisions\/75406"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75402"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75382"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75382"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75382"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}