{"id":75311,"date":"2023-06-09T00:01:00","date_gmt":"2023-06-09T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=75311"},"modified":"2023-07-10T00:05:40","modified_gmt":"2023-07-10T03:05:40","slug":"entrevista-o-futuro-do-rock-n-roll-e-escandinavo-ou-latino-americano-diz-raul-signorini-vocal-da-banda-paulistana-sick-dogs-in-trouble","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/09\/entrevista-o-futuro-do-rock-n-roll-e-escandinavo-ou-latino-americano-diz-raul-signorini-vocal-da-banda-paulistana-sick-dogs-in-trouble\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cO futuro do rock \u00e9 escandinavo ou latino-americano\u201d, diz Raul Signorini, vocal da banda Sick Dogs In Trouble"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guilherme Lage<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO futuro do rock n\u2019 roll \u00e9 escandinavo ou latino-americano\u201d, declara Raul Signorini, vocalista, guitarrista e principal compositor da banda paulistana Sick Dogs In Trouble, que lan\u00e7ou seu primeiro disco, \u201cDead Lovers\u201d, no \u00faltimo 31 de maio. A declara\u00e7\u00e3o corajosa faz sentido quando o play \u00e9 apertado e, em \u201cDead Lovers\u201d, \u00e9 poss\u00edvel notar a influ\u00eancia dos Backyard Babies, uma das mais c\u00e9lebres bandas das paragens suecas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta inspira\u00e7\u00e3o, no entanto, \u00e9 raspada com as unhas, apenas uma pitada, feita para incrementar o som da banda, n\u00e3o tolhendo sua originalidade. Nota-se tamb\u00e9m as influ\u00eancias de gente como Social Distortion, Hardcore Superstar e New York Dolls. A ess\u00eancia do Sick Dogs In Trouble \u00e9 mesmo essa: um passeio em meio \u00e0 agressividade punk permeado por melodias palat\u00e1veis do hard rock, tal como fizeram Johnny Thunders e David Johansen 50 anos antes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As letras caminham por quest\u00f5es atemporais, por\u00e9m mais vivas do que nunca no s\u00e9culo XXI: o isolamento, os mil e um questionamentos da exist\u00eancia, os amores mortos. Nada menos do que o esperado para algu\u00e9m que, como Signorini, dedicou a vida \u00e0 filosofia. Em entrevista ao Scream &amp; Yell, o vocalista contou sobre as influ\u00eancias, sua experi\u00eancia e expectativas no mercado independente e quem o fez querer empunhar uma guitarra pela primeira vez. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SICK DOGS IN TROUBLE - Better Be Alone (OFFICIAL VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GsThnuUoSq4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V<strong>ou come\u00e7ar com uma pergunta um pouco boba, mas \u00e9 algo que me chamou muita a aten\u00e7\u00e3o: Sick Dogs In Trouble \u00e9 um nome muito legal! Como voc\u00eas chegaram nesse nome?<\/strong><br \/>\nNem existe uma grande hist\u00f3ria por tr\u00e1s, na verdade (risos). Lembra daquela \u00e9poca que existiam uns blogs que disponibilizavam links para a gente baixar MP3, os discos das bandas e tal? Tinha um blog gringo que, se n\u00e3o me engano, se chamava Sweet Cats In Trouble, ou algo assim, e eles disponibilizavam s\u00f3 banda de protopunk, glam rock, glam metal, essas coisas e eu baixava muita coisa dali. Fiquei com esse nome na cabe\u00e7a durante muitos anos e quando eu formar a banda pensei: \u201cVou dar uma roubada nesse nome\u201d, s\u00f3 que o Sweet Cats n\u00e3o combinava muito, ent\u00e3o pensei: \u201cSick Dogs tem mais a ver.\u201d Foi mais ou menos por a\u00ed, \u00e9 bem simples mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cBetter Be Alone\u201d \u00e9 a primeira faixa de trabalho e ela fala sobre isolamento. Voc\u00ea se considera uma pessoa mais propensa a se isolar, ficar sozinho, ou foi algo que voc\u00ea aprendeu a curtir na pandemia?<\/strong><br \/>\nSempre fui assim. Sempre tive essa tend\u00eancia ao isolamento desde a adolesc\u00eancia. E encaro, na maior parte do tempo, isso como um defeito. J\u00e1 alimentei paranoias e magoei pessoas por essa caracter\u00edstica. Mas os anos v\u00e3o passando e vamos compreendendo as coisas de outro modo. Da\u00ed que no contexto da m\u00fasica percebi que o isolamento tamb\u00e9m era um mecanismo de defesa importante. N\u00e3o era mais uma tend\u00eancia a me isolar, mas uma necessidade. Afastar. Cortar la\u00e7os. Se curar. Ressignificar coisas e seguir em frente. Assim, autocuidado n\u00e3o \u00e9 exatamente uma coisa que voc\u00ea consegue fazer cercado por pessoas o tempo todo. Hoje vejo dessa forma: o isolamento tem que ser encarado com equil\u00edbrio. Quero dizer, n\u00e3o d\u00e1 pra gente pensar &#8220;sou eu contra o mundo&#8221;, temos parceiros, camaradas, gente que se apoia, gente que t\u00e1 ali se fortalecendo. E isso \u00e9 fundamental. Mas tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio compreendermos a nossa solitude, seguir nosso pr\u00f3prio caminho. Se permitir ser eremita em alguns momentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Esse lance de juntar punk rock e hard\/glam \u00e9 uma coisa que me remete demais ao Backyard Babies. Esse rock sueco dos anos 90 \/ virada do mil\u00eanio, como eles pr\u00f3prios ou Hellacopters, foi uma influ\u00eancia?<\/strong><br \/>\nCom certeza absoluta! Backyard Babies e Hellacopters, pra gente, no contexto dos \u00faltimos 30 anos, s\u00e3o as nossas maiores influ\u00eancias, refer\u00eancias. S\u00e3o duas bandas que todo mundo \u00e9 apaixonado e super f\u00e3. Essas duas bandas n\u00f3s somos f\u00e3s, mesmo! Declarados! Mas para mim todo o rock sueco dos \u00faltimos 30 anos, da Escandin\u00e1via como um todo, \u00e9 a coisa mais pr\u00f3spera que a gente tem no mundo em rela\u00e7\u00e3o ao rock n\u2019 roll. Hardcore Superstar \u00e9 fant\u00e1stico, The Hives \u00e9 fant\u00e1stico, Crashdiet \u00e9 super legal, Ghost \u00e9 super legal, s\u00e3o bandas mais novas que n\u00e3o s\u00e3o dos anos 90 ou 2000. Acho sensacional at\u00e9 o Him que \u00e9 dos anos 90, mas \u00e9 da Finl\u00e2ndia, mas fazem um rock g\u00f3tico, e a gente adora. Acho que os Estados Unidos e a Inglaterra, que dominaram o rol\u00ea do rock n\u2019 roll durante a vida toda, est\u00e3o bem ca\u00eddos, acho que o futuro do rock n\u2019 roll ou \u00e9 latino-americano ou escandinavo, n\u00e3o tenho d\u00favidas disso. (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vi que voc\u00eas tamb\u00e9m s\u00e3o f\u00e3s de Social Distortion e isso me leva a duas perguntas! A primeira: Mike Ness sempre foi conhecido por ser um verdadeiro contador de hist\u00f3rias nas m\u00fasicas dele. Notei isso na primeira faixa de voc\u00eas, h\u00e1 muito storytelling ali. \u00c9 algo que voc\u00ea preza bastante? Contar uma hist\u00f3ria? E o Mike Ness foi uma influ\u00eancia nesse sentido?<\/strong><br \/>\n\u00c9 algo que prezo bastante, sim. Mas \u00e9 algo para mim muito natural e o Mike Ness n\u00e3o foi uma influ\u00eancia nesse sentido e j\u00e1 te explico o porqu\u00ea. Acho que isso est\u00e1 muito vinculado \u00e0 minha forma\u00e7\u00e3o, porque eu venho da \u00e1rea acad\u00eamica, da filosofia, e nas minhas pesquisas eu sempre tentei fazer uma interlocu\u00e7\u00e3o entre filosofia e literatura, que \u00e9 outra paix\u00e3o gigantesca que tenho. Ent\u00e3o essa forma de compor que vem meio roteirizada, vamos dizer assim, para mim \u00e9 muito natural e ela vem dessa minha forma\u00e7\u00e3o. O Mike Ness me influencia muito, mas em outros aspectos. Talvez vai ter gente que vai querer me matar depois que ler isso, mas eu acho que o Social Distortion \u00e9 uma banda de punk rock por acidente: o que vejo ali s\u00e3o caras, principalmente o Mike Ness, apaixonados por rock n\u2019 roll, por rhtyhm &amp; blues e rock n\u2019 roll. \u00c9 um cara apaixonado por Stones, Chuck Berry, Jerry Lee Lewis e acho que o som do Social Distortion se tornou o que se tornou, talvez muito mais por uma inefici\u00eancia t\u00e9cnica. Se fosse uma banda que todo mundo tocasse pra caralho, possivelmente seria uma banda tipo o Black Crowes. Por exemplo, Black Crowes e Social Distortion, muito embora pare\u00e7am bandas muito diferentes, consigo perceber que s\u00e3o bandas que bebem da mesma fonte e v\u00e3o para caminhos diferentes. Acho que os \u00faltimos dois \u00e1lbuns do Social Distortion mostram isso, eles v\u00eam muito mais como uma banda de rock n\u2019 roll mesmo do que exatamente uma banda punk. E o Social Distortion nos influencia nesse sentido, de fazer um rock n\u2019 roll, punk, com backing vocals de soul e piano, tudo mais o que tem direito, que \u00e9 a verdadeira banda de rock n\u2019 roll. \u00c9 mais por a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o Social Distortion tamb\u00e9m \u00e9 bem conhecido como \u2018americana\u2019, n\u00e9? Essa jun\u00e7\u00e3o de m\u00fasica tradicional e folk&#8230; ser\u00e1 que vamos ver os Dogs com viol\u00f5es em algum momento?<\/strong><br \/>\nPelo menos em tr\u00eas ou quatro faixas usamos viol\u00e3o, mas de fundo e base, n\u00e3o tem nenhuma m\u00fasica conduzida pelo viol\u00e3o ou ac\u00fastica. Mas \u00e9 algo que, com certeza, a gente quer explorar nos nossos pr\u00f3ximos trabalhos, porque principalmente eu e o Felipe, o outro guitarrista, a gente gosta muito da onda country. Acho que todo mundo que \u00e9 f\u00e3 de rock n\u2019 roll e hard rock, gosta. Isso foi muito explorado no hard rock tamb\u00e9m por bandas como Cinderella, por exemplo, e no rock como um todo. A matriz do rock n\u2019 roll t\u00e1 muito fincada ali na m\u00fasica country tamb\u00e9m. A fase dos Stones com Mick Taylor nada mais \u00e9 do que uma banda inglesa tentando fazer rock americano. A gente tamb\u00e9m quer se enveredar por esses caminhos de trazer uma sonoridade country rock em algumas can\u00e7\u00f5es, mas isso \u00e9 para um futuro n\u00e3o t\u00e3o distante da banda, pode esperar isso nos nossos pr\u00f3ximos trabalhos, com certeza.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"SICK DOGS IN TROUBLE - Outta Control (OFFICIAL LYRIC VIDEO)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/YcAjlXvD1yg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea falou sobre a carreira acad\u00eamica: como fil\u00f3sofo voc\u00ea deve enxergar a arte, n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica, de uma maneira muito mais profunda. A arte \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o da vida em si, n\u00e3o \u00e9? Vida e morte, luz e escurid\u00e3o. \u00c9 esse tipo de coisa que te atrai em projetos art\u00edsticos e musicais?<\/strong><br \/>\nCara, eu penso que sim. O primeiro registro hist\u00f3rico que n\u00f3s temos enquanto civiliza\u00e7\u00e3o, enquanto cultura, ele n\u00e3o \u00e9 pela escrita. A gente demorou muito tempo para dominar a escrita, essa habilidade de nos expressar atrav\u00e9s da escrita. Antes a gente j\u00e1 fazia isso atrav\u00e9s da arte: pintura, escultura. Eu acho que esse \u00e9 o papel fundamental da arte, n\u00famero 0, sabe. \u00c9 fazer uma captura, um retrato do momento que a gente vive. Por isso tenho bastante dificuldade com a coisa do realismo fant\u00e1stico, para mim n\u00e3o faria sentido nenhum falar sobre espada, duende, arco-\u00edris, drag\u00e3o, acho que isso n\u00e3o diz nada. Acho que a arte tem esse papel, ela precisa ter esse papel engajado no mundo. Da gente falar sobre a nossa realidade, seja ela social ou pessoal. Muito embora o pessoal tamb\u00e9m seja social, afinal a condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 universal ou universalizante. Isso pra mim \u00e9 o fundamental, eu me atraio e busco fazer uma arte que vai nos lan\u00e7ar no mundo com os problemas reais do mundo, seja no sentido mais \u00edntimo ou no sentido social. E nesse mesmo sentido tamb\u00e9m tenho muita dificuldade com aquelas express\u00f5es que soam muito revival, como uma c\u00f3pia de uma f\u00f3rmula que j\u00e1 foi explorada 1 milh\u00e3o de vezes. \u00c9 \u00f3bvio que a gente n\u00e3o vai reinventar a roda, n\u00e3o \u00e9 sobre isso, mas acho que a gente tamb\u00e9m tem que ser fiel aos nossos tempos. Acho que o rock precisa se modernizar, em v\u00e1rios aspectos. \u00c9 interessante, \u00e9 importante, porque diz respeito ao momento que a gente est\u00e1 vivendo. S\u00f3 fazendo a captura do momento que a gente vive, a gente vai ser capaz de refletir sobre ele e de encontrar respostas pra ele. Se a gente ficar falando do passado ou do fant\u00e1stico, ou remetendo a ele, o que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 em quest\u00e3o das letras, \u00e9 tamb\u00e9m em quest\u00e3o de instrumenta\u00e7\u00e3o, arranjo, acho que isso n\u00e3o vai nos levar a lugar nenhum. A gente vai cair muito mais na coisa do entretenimento do que da arte mesmo. A arte tem que ser provocativa, te fazer escutar uma can\u00e7\u00e3o e pensar \u2018putz, eu t\u00f4 passando por isso tamb\u00e9m, e qual \u00e9 o caminho?\u2019 A arte tem que apontar caminhos para o futuro, seja no aspecto pessoal ou no aspecto moral, pois existe uma responsabilidade moral muito grande, no sentido social. Pensar o que queremos da ind\u00fastria fonogr\u00e1fica, do nosso cen\u00e1rio cultural como um todo, a arte tem que nos lan\u00e7ar pra frente. N\u00e3o acho que a gente tem que ser cabe\u00e7udo e super reflexivo o tempo todo, escrever m\u00fasicas sempre super elaboradas, n\u00e3o \u00e9 por a\u00ed. A gente precisa fazer \u201crock n\u2019 roll all night and party everyday\u2019, tamb\u00e9m \u00e9 importante o entretenimento, faz parte. S\u00f3 n\u00e3o acho que a gente deva se enebriar nisso, a gente precisa ter outras preocupa\u00e7\u00f5es que s\u00e3o mais s\u00e9rias. A gente tem que expressar isso, sen\u00e3o, sinceramente, acho que a gente n\u00e3o est\u00e1 fazendo arte, est\u00e1 reproduzindo. \u201cEstamos fazendo a Monalisa 10 vezes\u201d. A primeira \u00e9 foda, a segunda j\u00e1 tem menos impacto, a terceira, menos. Na d\u00e9cima, ningu\u00e9m t\u00e1 nem a\u00ed. Acho que um dos problemas da falta de popularidade do rock, claro que existem milhares, mas um \u00e9 isso. Tudo soa sempre como uma grande repeti\u00e7\u00e3o em todos os sentidos poss\u00edveis. \u00c9 um desafio tentar fugir disso, mas se voc\u00ea n\u00e3o se colocar o desafio, n\u00e3o vai fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E falando de guitarra, Raul, quem foram as pessoas que te inspiraram no instrumento? Que voc\u00ea olhou e pensou: quero aprender a tocar essa porra!<\/strong><br \/>\nCom certeza, o sujeito que me fez falar essa frase foi o Johnny Thunders, que era o guitarrista do New York Dolls, que depois fez uma carreira solo fant\u00e1stica. Mas depois, claro, fui agregando outras influ\u00eancias, ent\u00e3o um guitarrista americano que eu sou apaixonado \u00e9 o Johnny Winter, amo, \u00e9 um guitarrista de blues, mas que toca o blues com uma agressividade fant\u00e1stica. O blues do Johnny Winter \u00e0s vezes soa at\u00e9 hard rock em determinada fase da carreira dele, \u00e9 um guitarrista muito agressivo, que eu acho incr\u00edvel. E os guitarristas ingleses do final dos anos 60, in\u00edcio dos 70. Eric Clapton, o pr\u00f3prio Keith Richards, esses caras eu amo, todos que levaram a guitarra blues pro rock n\u2019 roll e fizeram isso com bastante autenticidade me influenciam muito. De maneira geral gosto muito dos guitarristas que s\u00e3o pr\u00e9-Eddie Van Halen, que s\u00e3o guitarristas que estavam muito amarrados \u00e0 forma blues de se tocar guitarra. Do Eddie Van Halen pra frente, muito embora eu ache fant\u00e1stico, tem umas coisas maravilhosas, j\u00e1 n\u00e3o curto tanto. Vai numa onda de guitarra com ponte Floyd Rose, aquela t\u00e9cnicas de taping, two hands, essa onda eu j\u00e1 n\u00e3o sou muito f\u00e3. J\u00e1 vai mais para a guitarra metal. Na minha opini\u00e3o existem duas escolas de guitarra: existe a escola blues e a heavy metal, e eu t\u00f4 muito mais pr\u00f3ximo da escola blues. Para mim, meu top 3 \u00e9 Johnny Winter, Eric Clapton e Keith Richards, mas tudo come\u00e7a l\u00e1 com o Johnny Thunders.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu tamb\u00e9m adoro New York Dolls, d\u00e1 pra notar a influ\u00eancia at\u00e9 na est\u00e9tica de voc\u00eas&#8230;<\/strong><br \/>\nTem uma galera que acha a gente com um visual hard rock farofento (risos)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 porque n\u00e3o conhecem New York Dolls&#8230;<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 curioso voc\u00ea falar isso, porque a gente sofre um pouco com o deslocamento, muito embora a gente n\u00e3o se importe com isso, a gente acaba se divertindo. A galera que \u00e9 mais punk acha a gente muito glam, muito hard rock, muito farofa. E a galera que realmente \u00e9 hard rock, farofa, acha a gente muito agressivo, muito punk. E isempre que a gente foi defrontado com isso, a primeira coisa que passava pela minha cabe\u00e7a era \u201cvoc\u00eas n\u00e3o conhecem New York Dolls, caralho! Voc\u00eas n\u00e3o conhecem Hanoi Rocks!?\u201d (risos), Mas \u00e9 s\u00f3 uma tira\u00e7\u00e3o de sarro, uma zoeira que a gente gosta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E para finalizar, Raul, o que voc\u00ea acha que as bandas e o p\u00fablico podem fazer para manter a cena independente viva?<\/strong><br \/>\nExistem diversas respostas, mas de cara penso em duas. Primeiro para as bandas: elas precisam se profissionalizar. A gente precisa subir o n\u00edvel de qualidade, a gente precisa subir a r\u00e9gua. Acho que as bandas precisam de muito ensaio, nunca \u00e9 demais. Ensaia pra valer, grava um material de qualidade, prezar por uma boa produ\u00e7\u00e3o. Tenta guardar uma graninha, vai economizando de pouquinho em pouquinho, \u00e9 foda para todo mundo, \u00e9 dif\u00edcil, mas \u00e9 para voc\u00ea conseguir comprar um equipamento mais legal, ter seu equipamento bom. E por que eu digo isso? Porque eu acho que o que levou as pessoas, o p\u00fablico geral, ao afastamento da cena independente, foi a baixa qualidade que as produ\u00e7\u00f5es se tornaram. Ent\u00e3o \u00e0s vezes voc\u00ea ia assistir um show e a metade da banda tocando b\u00eabada, a outra tocando drogada, num lugar meio insalubre com microfone apitando, um amplificador com som de abelha do caralho, a banda tocando tudo meio que no foda-se. A\u00ed voc\u00ea ia ouvir a banda em casa e a grava\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o era aquelas coisas, e isso foi afastando o p\u00fablico. Agora \u00e9 o momento que a gente precisa se profissionalizar, se levar mais a s\u00e9rio. Acho que as bandas precisam disso! Sei das dificuldades, mas vai tentando fazer de pouquinho em pouquinho. Entender um pouco da din\u00e2mica do que \u00e9 o music business, do que \u00e9 o marketing musical, dar a import\u00e2ncia que isso merece. E o p\u00fablico precisa pagar por isso, essa \u00e9 a verdade. Isso precisa ser financiado e o financiamento disso passa pelo p\u00fablico. Ent\u00e3o assim, a galera precisa colocar a m\u00e3o no bolso pra comprar uma camiseta, o merch de uma banda, ir no show. N\u00e3o ter medo, se a banda for lan\u00e7ar um \u00e1lbum exclusivo no Bandcamp, ir l\u00e1 e pagar 5 d\u00f3lares, 3 d\u00f3lares pra ouvir o \u00e1lbum novo da banda, porque a coisa se retroalimenta. A banda est\u00e1 profissionalizada, o cara vai no show e se sente mais \u00e0 vontade de pagar o merch de uma banda que t\u00e1 mandando bem. Com a grana desse merch a banda vai conseguir usar esse dinheiro para fazer uma grava\u00e7\u00e3o de maior qualidade, comprar um equipamento novo. A coisa precisa se fomentar financeiramente e acho que isso \u00e9 dever do p\u00fablico. Come\u00e7ar a financiar isso melhor, de cora\u00e7\u00e3o e m\u00e3o mais aberta. Quando falo das bandas se profissionalizarem, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 no sentido de qualidade. A galera precisa come\u00e7ar a viver disso ou ter um complemento de renda significativo com a banda e s\u00f3 o p\u00fablico que pode fazer isso. \u00c9 s\u00f3 a galera entender que m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, pra banda chegar aqui e tocar n\u00e3o \u00e9 de gra\u00e7a, tudo isso custa e eu vou fazer minha parte e pagar. Claro que guardado as devidas propor\u00e7\u00f5es e diferen\u00e7as, o Guns N\u2019 Roses s\u00f3 se tornou o que \u00e9 porque a galera ia l\u00e1 e comprava o disco. Tem que fazer isso. Bandas, se profissionalizem! E p\u00fablico, consuma, pague, porque \u00e9 importante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Dead Lovers\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_lpgw1C-__zGjJgFXKB1vw0k0qQbb_JbtE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Guilherme Lage (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/lage.guilherme66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fb.com\/lage.guilherme66<\/a>)\u00a0\u00e9 jornalista e mora em Vila Velha, ES.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A declara\u00e7\u00e3o corajosa faz sentido quando o play \u00e9 apertado e, em \u201cDead Lovers\u201d, \u00e9 poss\u00edvel notar a influ\u00eancia dos Backyard Babies, uma das bandas mais c\u00e9lebres bandas das paragens suecas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/06\/09\/entrevista-o-futuro-do-rock-n-roll-e-escandinavo-ou-latino-americano-diz-raul-signorini-vocal-da-banda-paulistana-sick-dogs-in-trouble\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":58,"featured_media":75312,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[6735],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75311"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/58"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=75311"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75311\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":75717,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/75311\/revisions\/75717"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/75312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=75311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=75311"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=75311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}