{"id":74846,"date":"2023-05-21T01:40:54","date_gmt":"2023-05-21T04:40:54","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=74846"},"modified":"2023-06-18T11:36:09","modified_gmt":"2023-06-18T14:36:09","slug":"c6-fest-rio-2023-noite-2-o-jazz-classudo-de-samara-joy-o-virtuosismo-de-domi-jd-back-e-a-exuberancia-de-jon-batiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/21\/c6-fest-rio-2023-noite-2-o-jazz-classudo-de-samara-joy-o-virtuosismo-de-domi-jd-back-e-a-exuberancia-de-jon-batiste\/","title":{"rendered":"C6 Fest Rio 2023 \u2013 Noite 2: O jazz classudo de Samara Joy, o virtuosismo de DOMi &amp; JD BACK e a exuber\u00e2ncia de Jon Batiste"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto de\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/BartBarbosa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marco Antonio Barbosa<\/a><\/strong><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Saiba como foi o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/19\/c6-fest-rio-2023-noite-1-kraftwerk-e-underworld-ofereceram-um-curso-relampago-na-historia-da-musica-eletronica\/\">Dia 1<\/a> e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/22\/c6-fest-rio-2023-noite-3-os-limites-do-rock-foram-testados-e-o-black-country-new-road-fez-o-melhor-show-do-sabado\/\">Dia 3<\/a><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o perd\u00e3o do clich\u00ea, o jazz est\u00e1 no DNA do C6 Fest. Ainda que, com o passar dos anos, o gene do estilo tenha se tornado cada vez menos dominante. A encarna\u00e7\u00e3o original do evento trazia \u201cJazz\u201d no nome, colado a uma marca de cigarro; o TIM Festival manteve palcos dedicados ao g\u00eanero em todas as suas edi\u00e7\u00f5es. A atual vers\u00e3o do festival dedicou sua segunda noite no Vivo Rio, na sexta-feira (19\/05), ao jazz&#8230; ou quase. Entre ortodoxias, fus\u00f5es e irrever\u00eancias, salvaram-se todos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74853\" aria-describedby=\"caption-attachment-74853\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-74853\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU7868-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU7868-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU7868-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74853\" class=\"wp-caption-text\"><em>DOMi &amp; JD BACK<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A abertura coube \u00e0 dupla DOMi &amp; JD BACK. Chegam ao Brasil com o referendo de nomes como Herbie Hancock e Thundercat, que participaram de seu primeiro \u00e1lbum \u2013 \u201cNot Tight\u201d, que alcan\u00e7ou o 1\u00ba lugar na parada de jazz contempor\u00e2neo da Billboard no ano passado. O som \u00e9 sem d\u00favida jazz, e sem d\u00favida contempor\u00e2neo. Prod\u00edgios revelados por meio de v\u00eddeos no YouTube, DOMi (tecladista, francesa, enormes cabelos louros, usa palavr\u00f5es como v\u00edrgulas) e JD (baterista, americano, cabeleira desgrenhada) t\u00eam respectivamente 23 e 20 anos, mas parecem ainda mais jovens. V\u00ea-los desdobrando-se sobre composi\u00e7\u00f5es de estruturas complexas e velozes improvisa\u00e7\u00f5es \u00e9 um espet\u00e1culo desconcertante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O duo aplica um intenso virtuosismo para reinterpretar os chav\u00f5es do jazz fusion setentista. Por vezes, a simbiose entre os dois parece a ponto de desmoronar. O baterista ultraveloz e EXTREMAMENTE t\u00e9cnico parece desafiar a parceira a acompanhar seus tempos mutantes; ela responde soltando complicadas linhas de synth bass (com a m\u00e3o esquerda) e usando toda a extens\u00e3o do teclado do piano el\u00e9trico (com a direita). Mas o \u201cenfrentamento\u201d dos dois \u00e9 sempre l\u00fadico, sem agressividade gratuita.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74854\" aria-describedby=\"caption-attachment-74854\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-74854 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU8106-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU8106-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU8106-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74854\" class=\"wp-caption-text\"><em>DOMi &amp; JD BACK.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m do repert\u00f3rio de \u201cNot Tight\u201d, que inclui m\u00fasicas com vocal (\u201cOdiamos cantar, mas na porra do disco n\u00f3s cantamos \u2013 ent\u00e3o vamos cantar\u201d, anuncia Domi antes de \u201cTWO SHRiMPS\u201d), a dupla repassa covers de Wayne Shorter (\u201cEndangered Species\u201d) e do Weather Report (\u201cHavona\u201d). Os muitos f\u00e3s de jazz na plateia \u2013 reconhec\u00edveis pelos cabelos grisalhos e os pul\u00f4veres atirados sobre os ombros \u2013 bateram cabe\u00e7a de leve, em aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No show seguinte, retornamos a um territ\u00f3rio bem mais familiar, guiados por Samara Joy. Sim, a cantora americana que provocou a ira dos f\u00e3s de Anitta ao derrotar a popstar no Grammy de artista revela\u00e7\u00e3o, em fevereiro \u00faltimo. Samara tem a mesma idade de DOMi, mas parece ter o dobro&#8230; no melhor dos sentidos. Ela faz jazz adulto e classudo, sem espa\u00e7o para fus\u00f5es ou pirotecnias. Canta muito bem, evocando antecessoras como Ella Fitzgerald ou Sarah Vaughan; sua vasta amplitude vocal \u00e9 temperada por claras influ\u00eancias de canto l\u00edrico e gospel. Acompanhada de um trio cl\u00e1ssico (baixo ac\u00fastico, piano e bateria), ela entrega exatamente o que o p\u00fablico mais conservador espera.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74857\" aria-describedby=\"caption-attachment-74857\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-74857\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU9006-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU9006-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU9006-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74857\" class=\"wp-caption-text\"><em>Samara Joy<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">No repert\u00f3rio, previs\u00edveis concess\u00f5es \u00e0 m\u00fasica brasileira, \u201cChega de Saudade\u201d e \u201cFlor de Lis\u201d, cantadas em portugu\u00eas quase perfeito e standards, bases perfeitas para a cantora esbanjar capacidade vocal e afina\u00e7\u00e3o. Neste quesito, os pontos altos foram a recria\u00e7\u00e3o de \u201cStardust\u201d, com vertiginosas subidas e descidas de tom, e a longa intro \u00e0 capela para \u201cWorry Later\u201d (Thelonious Monk). Mas o melhor mesmo foi o medley entre \u201cGuess Who I Saw Today\u201d (June Carroll) e \u201cLately\u201d (Stevie Wonder), no qual Samara demonstra sua capacidade de imprimir ironia e dramaticidade \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fechar a noite, a exuber\u00e2ncia de Jon Batiste. O cara \u00e9 um daqueles artistas aos quais o termo \u201cfen\u00f4meno\u201d pode ser aplicado sem restri\u00e7\u00f5es. Encaixada na noite jazz\u00edstica do C6, sua m\u00fasica vai al\u00e9m e incorpora funk, blues, latinidade, influ\u00eancias afro e r\u2019n\u2019b cl\u00e1ssico. Ele dan\u00e7a, canta pra cacete, toca guitarra e piano e lidera uma banda gigante na base da telepatia. Sempre sorrindo, bra\u00e7\u00f5es musculosos \u00e0 mostra, provoca suspiros no p\u00fablico feminino&#8230; e no masculino tamb\u00e9m. Se n\u00e3o fosse heresia, a \u00fanica compara\u00e7\u00e3o poss\u00edvel seria com Prince.<\/p>\n<figure id=\"attachment_74850\" aria-describedby=\"caption-attachment-74850\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-74850 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU0593-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU0593-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU0593-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74850\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jon Batiste<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">O show \u00e9 uma colagem non-stop de can\u00e7\u00f5es que parecem jam sessions e jam em formato de can\u00e7\u00e3o, com breves pausas dram\u00e1ticas. Em meio ao salad\u00e3o polirr\u00edtmico, h\u00e1 espa\u00e7o para JB mandar longos e virtuos\u00edsticos improvisos ao piano, ou citar \u201cMinnie the Moocher\u201d brevemente. \u201cDe onde venho, as pessoas n\u00e3o ficam paradas quando toco esse som!\u201d, ralha ele com a plateia, em tom de galhofa. Definitivamente hipnotizante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No bis, o que deveria ser um momento de celebra\u00e7\u00e3o e homenagem \u00e0 m\u00fasica brasileira acaba se tornando quase um anticl\u00edmax. Jon Batiste convoca Dona Lia de Itamarac\u00e1 para o palco, e conduz a banda em uma extensa jam cirandeira. Terminam todos descendo para a plateia, o bandleader se converte em coadjuvante, se virando na escaleta para acompanhar o ritmo pernambucano. Legal, todo mundo aplaudiu, mas talvez \u2013 apenas TALVEZ \u2013 tenha sido um pouco longo demais. Se n\u00e3o fosse heresia dizer isso.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\">Saiba como foi o\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/19\/c6-fest-rio-2023-noite-1-kraftwerk-e-underworld-ofereceram-um-curso-relampago-na-historia-da-musica-eletronica\/\">Dia 1<\/a>\u00a0e o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/05\/22\/c6-fest-rio-2023-noite-3-os-limites-do-rock-foram-testados-e-o-black-country-new-road-fez-o-melhor-show-do-sabado\/\">Dia 3<\/a><\/h2>\n<figure id=\"attachment_74851\" aria-describedby=\"caption-attachment-74851\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-74851 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU1680-copiar.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU1680-copiar.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/FSOU1680-copiar-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-74851\" class=\"wp-caption-text\"><em>Jon Batiste e Lia de Itamarac\u00e1<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u2013 Marco Antonio Barbosa \u00e9 jornalista (<a href=\"http:\/\/medium.com\/telhado-de-vidro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">medium.com\/telhado-de-vidro<\/a>) e m\u00fasico (<a href=\"http:\/\/borealis.art.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/borealis.art.br<\/a>).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A atual vers\u00e3o do festival dedicou sua segunda noite no Vivo Rio, na sexta-feira (19\/05), ao jazz&#8230; ou quase. 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