{"id":74132,"date":"2023-04-20T12:17:28","date_gmt":"2023-04-20T15:17:28","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=74132"},"modified":"2023-06-09T09:14:12","modified_gmt":"2023-06-09T12:14:12","slug":"faixa-a-faixa-conheca-os-detalhes-de-canto-coral-afrobrasileiro-disco-de-1983-dos-tincoas-que-enfim-e-lancado-oficialmente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/20\/faixa-a-faixa-conheca-os-detalhes-de-canto-coral-afrobrasileiro-disco-de-1983-dos-tincoas-que-enfim-e-lancado-oficialmente\/","title":{"rendered":"Faixa a faixa: Conhe\u00e7a o \u00e1lbum \u201cCanto Coral Afrobrasileiro\u201d, disco de 1983 d&#8217;Os Tinco\u00e3s que, enfim, ganha lan\u00e7amento oficial"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">faixa a faixa por <a href=\"https:\/\/editoraurutau.com\/autor\/zezao-castro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zez\u00e3o Castro<\/a><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O precioso legado d&#8217;Os Tinco\u00e3s est\u00e1 prestes a alcan\u00e7ar mais ouvidos e almas com o lan\u00e7amento do \u00e1lbum in\u00e9dito \u201c<a href=\"https:\/\/links.altafonte.com\/cantocoralafrobrasileiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Canto Coral Afrobrasileiro<\/a>\u201d (Sanzala Cultural) pela Natura Musical. O registro realizado em 1983, semanas antes de o trio vocal formado por Dadinho, Mateus Aleluia e Badu, em Cachoeira (BA), partir para Angola, j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel nas plataformas digitais. No disco, o grupo combina a complexidade r\u00edtmica e mel\u00f3dica de temas do candombl\u00e9 \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o barroca da cultura cat\u00f3lica, e encontra-se com o Coral dos Correios e Tel\u00e9grafos do Rio de Janeiro em seis m\u00fasicas. Nas outras quatro faixas prevalece o som d&#8217;Os Tinco\u00e3s no formato que os consagrou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano em que a obra completa 40 anos de sua grava\u00e7\u00e3o, Mateus Aleluia, o remanescente vivo que integrou o lend\u00e1rio trio baiano por mais tempo, desejou disponibilizar as dez faixas, quatro delas nunca gravadas antes. Com o viol\u00e3o de Dadinho, os atabaques de Mateus e o agog\u00f4 e ganz\u00e1 de Badu, todas as m\u00fasicas do \u00e1lbum foram compostas e adaptadas pela dupla Mateus e Dadinho e tamb\u00e9m ser\u00e3o lan\u00e7adas em vinil. A idealiza\u00e7\u00e3o do projeto \u00e9 do produtor do trio na \u00e9poca, Adelzon Alves. Com Os Tinco\u00e3s desde 1973, ano de lan\u00e7amento do disco de estreia hom\u00f4nimo, que trazia a cultuada \u201cDeixa a Gira Girar\u201d, o produtor identificava no grupo, segundo Mateus Aleluia, \u201cuma proje\u00e7\u00e3o para um coral de cantos indefinidos, o verdadeiro canto coral afrobrasileiro\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gra\u00e7as aos conhecimentos musicais fruto de sua atua\u00e7\u00e3o como radialista, ouvido em todo Brasil na d\u00e9cada de 1970, Alves aproximou o g\u00eanero musical spirituals \u2013 c\u00e2nticos religiosos entoados por corais de pessoas pretas do Sul dos Estados Unidos \u2013 do trio. \u201cEu queria fazer algo assim com Os Tinco\u00e3s: um gospel afrobrasileiro, mas com as m\u00fasicas que eles cantam em iorub\u00e1 e banto, cuja origem tem mais de 2500 anos, segundo especialistas, um repert\u00f3rio de grande import\u00e2ncia antropol\u00f3gica e hist\u00f3rica para o Brasil e o mundo\u201d, explica o carioca de 83 anos, que produziu e lan\u00e7ou nomes como Clara Nunes, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Martinho da Vila, Alcione e Jo\u00e3o Nogueira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gravado nos Est\u00fadios Transam\u00e9rica (RJ) e remasterizado por Tadeu Mascarenhas, no Est\u00fadio Casa das M\u00e1quinas, em 2022, os registros foram realizados semanas antes de o trio vocal originado em Cachoeira partir para Angola, em excurs\u00e3o com Martinho da Vila. As bases dos tr\u00eas integrantes, gravadas em separado, ficaram prontas no Brasil aguardando apenas os prometidos complementos vocais. No per\u00edodo das grava\u00e7\u00f5es, o trio batizado com nome de p\u00e1ssaro planava num voo indeciso. J\u00e1 tinha quatro LPs e cinco compactos gravados, al\u00e9m de ter alcan\u00e7ado o reconhecimento entre colegas e p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Angola, os africantos ecoavam mais longe do que nunca. Os b\u00fazios ainda estavam sendo movimentados nas m\u00e3os do destino e antes de completar um m\u00eas de chegada em Luanda, Badu informou a Dadinho e a Mateus que voltaria para o Rio de Janeiro. A decis\u00e3o precipitou o fim do trio j\u00e1 que a dupla remanescente continuou em Angola. Mateus passou a atuar com publicidade (voltou \u00e0 m\u00fasica em 2002) e Dadinho, no com\u00e9rcio, tendo falecido de derrame em Angola, em 2000. A dupla ainda gravaria um LP, em 1986. Badu \u00e9, atualmente, cantor, produtor musical e vive nas Ilhas Can\u00e1rias (Espanha).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto os Tinco\u00e3s ganhavam o Velho Continente, no Brasil, Adelzon dedicava-se \u00e0 miss\u00e3o de completar o projeto afro-coral\u00edstico. Para escrever os arranjos vocais, escolheu o maestro Leonardo Bruno, ent\u00e3o colaborador de Gilberto Gil, Golden Boys, Clara Nunes, Erlon Chaves e do pr\u00f3prio trio baiano, para o qual arranjou a faixa \u201cChapeuzinho Vermelho\u201d no LP de 1977. A pr\u00f3xima etapa seria eleger um coral apto para a empreitada e seu regente. A incumb\u00eancia coube ao maestro Armando Prazeres que regia o Coral dos Correios e Tel\u00e9grafos &#8211; al\u00e9m do pr\u00f3prio Leonardo Bruno, que tamb\u00e9m assinou a batuta. Para refor\u00e7ar as bases r\u00edtmicas nas faixas com coral, foi arregimentado o n\u00e3o menos lend\u00e1rio percussionista brasileiro, Pedro Sorongo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No meio do processo, a institui\u00e7\u00e3o que custeava o disco cortou as verbas. Tempos depois, as fitas de rolo foram enviadas ao produtor do grupo, faltando algumas das orquestra\u00e7\u00f5es planejadas. Adelzon Alves pr\u00e9-mixou o material, ainda no Rio de Janeiro, e o entregou j\u00e1 digitalizado em CD para Mateus Aleluia, ap\u00f3s seu retorno de Angola, em 2002. Neste mesmo ano, Seo Mateus, como \u00e9 carinhosamente chamado, j\u00e1 morando na capital baiana, leu no jornal local que o jovem produtor Tadeu Mascarenhas inaugurava seu est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o e sonhava trabalhar com o veterano ou qualquer material relacionado ao trio Os Tinco\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dias depois, Seo Mateus vai ao est\u00fadio no Rio Vermelho, para surpresa e deleite de Mascarenhas. J\u00e1 amigo e parceiro do produtor, Aleluia confiou a ele o registro para um poss\u00edvel lan\u00e7amento futuro. O resgate de fato aconteceu por meio da parceria com a cineasta e produtora Tenille Bezerra, diretora do document\u00e1rio \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ArLYJEsoUlw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aleluia, O Canto Infinito do Tinco\u00e3<\/a>\u201d (2020). Entusiasta do grupo e do lan\u00e7amento da obra in\u00e9dita, abra\u00e7ou a produ\u00e7\u00e3o executiva e, enfim, toda esta magia est\u00e1 dispon\u00edvel para todo o p\u00fablico, 40 anos ap\u00f3s as grava\u00e7\u00f5es originais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que seria uma defici\u00eancia financeira acabou por tornar-se um toque singular de \u201dCanto Coral Afrobrasileiro\u201d. Uma parte do \u00e1lbum ficou orfe\u00f4nica, como queria o produtor, e a outra, \u201ctinco\u00e3s-raiz\u201d, apenas com as tr\u00eas vozes e seus respectivos instrumentos (viol\u00e3o, atabaques, agog\u00f4 e ganz\u00e1). Assim, o p\u00fablico \u00e9 contemplado com a rara oportunidade de apreciar os on\u00edricos vocais de Dadinho, o mais agudo; Badu, o m\u00e9dio; e Mateus, o bar\u00edtono; em ambos formatos: trio vocal e trio vocal com coral. No lado A, est\u00e3o as faixas orquestradas (com exce\u00e7\u00e3o da 1\u00aa). No B, as \u201ccruas\u201d (com exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima e da pen\u00faltima). Um diamante musical devidamente lapidado com duas concep\u00e7\u00f5es de m\u00fasica magistrais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto tem patroc\u00ednio da Natura Musical e do Governo do Estado, pelo Fazcultura, da Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda. \u201cCanto Coral Afrobrasileiro\u201d foi selecionado pelo edital Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo \u00e0 cultura da Bahia (FazCultura), ao lado de Casa do Hip-Hop Bahia, Cronista do Morro, Festival Pagode Por Elas e Marujos Patax\u00f3. Abaixo, Zez\u00e3o Castro, mestre em Cultura e Identidade, jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), diretor, roteirista de cinema, produtor fonogr\u00e1fico e cordelista, comenta o disco faixa a faixa!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Salmo\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/71iMk8qwAGw?list=OLAK5uy_kwA7OB0CHK3AOo1pMZqjw0TtIk4vzHvwE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>Faixa a Faixa \u201cCanto Coral Afrobrasileiro\u201d<\/strong><br \/>\nPor Zez\u00e3o Castro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>01) \u201dAjagun\u00e3\u201d:<\/strong> O Lado A abre com a faixa \u201dAjagun\u00e3\u201d. Lan\u00e7ada em compacto no ano de 1982 (RCA), \u00e9 um canto de louva\u00e7\u00e3o a Oxaguian, (avatar de Oxal\u00e1 quando jovem). \u00c9, tamb\u00e9m, a \u00fanica faixa n\u00e3o-orquestrada nesta face do disco. Trata-se de um orik\u00ed, palavra iorubana originada da jun\u00e7\u00e3o de or\u00ed (cabe\u00e7a) e ki (sauda\u00e7\u00e3o), ou seja, um canto de sauda\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0 cabe\u00e7a\u201d ou ao guia que rege a cabe\u00e7a de algu\u00e9m. \u201cTudo come\u00e7a na cabe\u00e7a\u201d, relembra Mateus Aleluia. Esta m\u00fasica era o sucesso da \u00e9poca do grupo, que a defendeu no Festival MPB Shell no ano em que foi lan\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>02) \u201cOi\u00e1 Pep\u00ea Oi\u00e1 B\u00e1\u201d:<\/strong> A segunda faixa abre o grupo das in\u00e9ditas em disco. Cantada em idioma iorubano, \u00e9 outro oriki, dessa vez em louva\u00e7\u00e3o a orix\u00e1 Ians\u00e3 (Oy\u00e1), identificada na mitologia afrobrasileira como a rainha dos raios, senhora das tempestades, rainha guerreira. Foi esposa de outros orix\u00e1s, destacando-se Ogum e Xang\u00f4. Numerosos terreiros do Rec\u00f4ncavo e da capital baiana tem essa divindade como figura maior de suas casas de culto ancestral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>03) \u201cMiseric\u00f3rdia\u201d:<\/strong> Na sequ\u00eancia vem \u201dMiseric\u00f3rdia\u201d, pin\u00e7ada de um compacto lan\u00e7ado em 1974 (Odeon). A m\u00fasica reflete a osm\u00f3tica forma\u00e7\u00e3o art\u00edstico-musical dos habitantes do Vale do Paraguassu. Naquelas paragens, dorme-se ninado pelos toques da ritualidade africana e acorda-se com o dobrar dos sinos da Matriz. Mateus participava do Coral da Igreja de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio, em Cachoeira, na adolesc\u00eancia, e seu tio Clar\u00edcio era instrutor musical na Filarm\u00f4nica Lira Ceciliana. Nas d\u00e9cadas de 40 e 50, os cultos cat\u00f3licos eram celebrados em latim e sempre havia a parte do Miserere Nobis (Tende Piedade de N\u00f3s). Com o brilhantismo de sempre, Os Tinco\u00e3s, harmonizam a lit\u00fargica mea culpa, revezando suas vozes com os contracantos do Coral dos Correios e Tel\u00e9grafos, africanizando a missa ib\u00e9rica, como s\u00f3 eles sabiam fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>04) \u201cKey Iemanj\u00e1\u201d:<\/strong> Outro oriki in\u00e9dito em disco que, s\u00f3 agora, ganhou seu registro definitivo. Cantado em Iorub\u00e1 em louva\u00e7\u00e3o \u00e0 rainha das \u00e1guas, \u00e0 m\u00e3e de todas as cabe\u00e7as, inclui tamb\u00e9m preces a Oxumar\u00e9. Em Cachoeira, na beira do Rio Paraguassu, os filhos de Iemanj\u00e1 esperam at\u00e9 a mar\u00e9 cheia tornar a \u00e1gua do rio mais salobra, a fim de que se torne prop\u00edcia para as oferendas \u00e0 rainha do mar. Na mar\u00e9 baixa, as \u00e1guas, menos salgadas, tornam o rio mais prop\u00edcio \u00e0s oferendas para a orix\u00e1 Oxum, rainha das \u00e1guas doces.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>05) \u201cObalua\u00ea\u201d<\/strong> \u00e9 o n\u00famero que fecha o lado A do vinil. Nesta releitura, mais lenta que a original, lan\u00e7ada no disco hom\u00f4nimo de estreia da fase afro (Odeon, 1973), o ouvinte \u00e9 induzido a pensar que o canto gregoriano surgiu n\u00b4algum quilombo do massap\u00ea canavieiro do Rec\u00f4ncavo. A divindade da sa\u00fade e da cura \u00e9 reverenciada, aqui, em canto bilingue (portugu\u00eas e Iorub\u00e1). Protetor dos pobres contra as doen\u00e7as, ele rege as quest\u00f5es de vida e morte. Carrega sempre sua lan\u00e7a de madeira para espantar energias ruins e esp\u00edritos errantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>06) \u201cCequec\u00ea\u201d:<\/strong> O Lado B abre com \u201dCequec\u00ea\u201d, uma rever\u00eancia aos candombl\u00e9s da linha Banto \/ Congo \/ Angola. Sa\u00fada os inquices (orix\u00e1s), e, ao mesmo tempo, relembra a acolhida que Os Tinco\u00e3s tiveram em sua estada angolana, de 1983 at\u00e9 os anos 2000. Com versos adaptados por Dadinho e Mateus, o c\u00e2ntico chama a aten\u00e7\u00e3o pelo entrosamento entre as vozes e o trip\u00e9 viol\u00e3o, atabaques e ganz\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>07) \u201cOgund\u00ea\u201d<\/strong> \u00e9 uma faixa que revela uma mescla de mist\u00e9rio e solenidade espiritual, consagrados ao orix\u00e1 Ogum. Ogun-d\u00ea, em iorub\u00e1, significa Ogun \u201cchegou\u2019. Gravada pela 1\u00ba vez em 1973, \u00e9 a s\u00e9tima faixa deste novo LP. Sete \u00e9, tamb\u00e9m, o n\u00famero desta divindade. J\u00e1 no in\u00edcio, com o viol\u00e3o dedilhado de Dadinho e o arranjo das tr\u00eas vozes, a m\u00fasica passa a sensa\u00e7\u00e3o de que a senzala, a aldeia e o monast\u00e9rio se confundem na g\u00eanese dessas harmonias vocais. Os atabaques, tocados por Mateus, e o agog\u00f4, tocado por Badu completam, com maestria, a vestimenta da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>08) \u201cPeleb\u00e9 Nitob\u00e9\u201d<\/strong> \u00e9 outra faixa tamb\u00e9m in\u00e9dita na discografia do grupo. \u00c9 dedicada ao orix\u00e1 Ossanha (ou Oss\u00e3e), aquele que sabe o segredo medicinal das folhas. O t\u00edtulo, por sinal, tamb\u00e9m vindo do iorub\u00e1, significa que as folhas, (Ewe) \u201ctem duas faces\u201d. A primeira frase da faixa, \u201cax\u00e9, bab\u00e1\u201d, significa \u201cfor\u00e7a, pai\u201d. \u00c9 uma interpreta\u00e7\u00e3o, como as demais, repleta de espiritualidade, onde se pede \u00e0 divindade reverenciada que as doen\u00e7as n\u00e3o encostem, se afastem, salientando que as folhas, por ele manipuladas, tem o poder da cura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>09) \u201cSalmo\u201d<\/strong> \u00e9 uma ora\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada, originalmente, no LP \u201cO Africanto dos Tinco\u00e3s\u201d (RCA, 1975). Real\u00e7a a influ\u00eancia da religi\u00e3o cat\u00f3lica na forma\u00e7\u00e3o do grupo. As vozes do coro, regidas pelos maestros Leonardo Bruno e Armando Prazeres, em conjunto com a l\u00edrica empregada, tornam a can\u00e7\u00e3o perfeitamente adequada para qualquer culto crist\u00e3o. O eu l\u00edrico suplica interven\u00e7\u00e3o de Jesus para que acabe com a seca que queima as pastagens e pede compaix\u00e3o para com os contritos romeiros. O instrumental tinco\u00e3, como sempre, fornece a atmosfera de terreiro, dotando de ritmo afro-caboclo a espiritual melodia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>10) \u201cLamento \u00e0s \u00c1guas\u201d<\/strong> fecha o trabalho. Assim como a anterior, tem a presen\u00e7a do coral. Gravada originalmente no outro LP hom\u00f4nimo (RCA, 1977), a faixa rende homenagens aos orix\u00e1s e caboclos. O coral, mais uma vez, empresta um car\u00e1ter divinal, com sua divis\u00e3o de vozes. \u00c9 destinada tamb\u00e9m aos caboclos Onymboi\u00e1 e Eru, tamb\u00e9m citados antes do encerramento do c\u00e2ntico. Ax\u00e9.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74134\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tincoas1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tincoas1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tincoas1-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/tincoas1-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><a href=\"https:\/\/editoraurutau.com\/autor\/zezao-castro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zez\u00e3o Castro<\/a> \u00e9 mestre em Cultura e Identidade, jornalista formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), diretor, roteirista de cinema, produtor fonogr\u00e1fico e cordelista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Grupo combina a complexidade r\u00edtmica e mel\u00f3dica de temas do candombl\u00e9 \u00e0 sofistica\u00e7\u00e3o barroca da cultura cat\u00f3lica, e encontra-se com o Coral dos Correios e Tel\u00e9grafos do RJ em seis m\u00fasicas.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/20\/faixa-a-faixa-conheca-os-detalhes-de-canto-coral-afrobrasileiro-disco-de-1983-dos-tincoas-que-enfim-e-lancado-oficialmente\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":74135,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[5020,6636],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74132"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74132"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74140,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74132\/revisions\/74140"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}