{"id":74087,"date":"2023-04-19T01:22:03","date_gmt":"2023-04-19T04:22:03","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=74087"},"modified":"2023-06-21T02:49:09","modified_gmt":"2023-06-21T05:49:09","slug":"entrevista-birds-are-indie-surgem-mais-pesados-em-ones-zeros-o-novo-disco-que-tateia-a-ambiguidade-entre-mundo-real-e-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/19\/entrevista-birds-are-indie-surgem-mais-pesados-em-ones-zeros-o-novo-disco-que-tateia-a-ambiguidade-entre-mundo-real-e-virtual\/","title":{"rendered":"Entrevista: Em \u201cOnes &#038; Zeros\u201d, seu disco mais intenso e pesado, Birds Are Indie tateia a ambiguidade entre mundo real e virtual"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pedro.m.salgado.5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pedro Salgado<\/a>, especial de Lisboa<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEst\u00e1 quase\u201d, diz-me Ricardo Jer\u00f3nimo, esbo\u00e7ando um leve sorriso enquanto aguardo que os Birds Are Indie acabem de transportar o seu equipamento de som para o interior da sala de espet\u00e1culos onde iriam tocar dali cinco horas. Encontramo-nos no Bota (Base Organizada da Toca das Artes), um espa\u00e7o cultural com atividades art\u00edsticas multidisciplinares situado na freguesia lisboeta dos Anjos, que \u00e9 igualmente o local combinado para a minha entrevista com o grupo de Coimbra. \u201cEste lugar tem carisma e se vivesse em Lisboa vinha aqui mais vezes\u201d, confessa-me Jer\u00f3nimo, \u00e0 medida que contemplamos o look anos 70 do recinto do show na companhia de Joana Corker e de Henrique Toscano e por fim ocupamos uma mesa numa acolhedora sala cont\u00edgua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos por recordar o per\u00edodo que sucedeu \u00e0 edi\u00e7\u00e3o de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/09\/tres-discos-portugueses-birds-are-indie-cla-filipe-sambado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Migrations\u201d<\/a>. O \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em Abril de 2020 (um m\u00eas ap\u00f3s o eclodir da pandemia), numa \u00e9poca em que muitas bandas optavam por adiar o lan\u00e7amento dos discos e cancelar shows, mas os Birds Are Indie n\u00e3o sofreram um grande transtorno, fizeram profiss\u00e3o de f\u00e9 e durante dois anos realizaram v\u00e1rias apresenta\u00e7\u00f5es em Portugal e Espanha e o trabalho foi bem recebido ao n\u00edvel de vendas e de cr\u00edtica. \u201cClaro que nos espet\u00e1culos as pessoas estavam com m\u00e1scaras e havia esse lado de anormalidade, mas em termos do funcionamento da banda, lan\u00e7amos o disco, tocamos, demos entrevistas e tudo decorreu normalmente\u201d, conta o vocalista Ricardo Jer\u00f3nimo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74088\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/birds-Copia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"749\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/birds-Copia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/birds-Copia-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/birds-Copia-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Avan\u00e7amos para o \u00e1lbum \u201cOnes &amp; Zeros\u201d (editado em 14 de Abril pelo selo Lux Records) que revela uma banda apostada numa maior intensidade r\u00edtmica e vocal, adicionando caixas de ritmos e sintetizadores anal\u00f3gicos a uma base sonora anteriormente mais minimal. A tem\u00e1tica do grupo centrou-se agora nas inquieta\u00e7\u00f5es dist\u00f3picas, na rela\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial e na ambiguidade entre o mundo real e virtual, dando corpo a um trabalho conceitual habitado por diferentes personagens e por v\u00e1rios estados de esp\u00edrito. O prineiro single do disco, o impetuoso \u201c21st Century Heroes\u201d, \u00e9 significativo da nova postura do grupo, tal como o magn\u00edfico exerc\u00edcio de blues rock \u201cIt Doesn\u00b4t Sound Real\u201d, enquanto \u201cNo Show\u201d aborda um territ\u00f3rio mais complexo do que a maioria das can\u00e7\u00f5es do \u00e1lbum e \u201cEmpty Screen\u201d simboliza o indie pop que define o trio de Coimbra. \u201cProcuramos desafiar-nos, algo que era estranho para n\u00f3s, fizemos um trabalho diferente e julgamos que resultou bem\u201d, explica o baixista Henrique Toscano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Globalmente, existe um car\u00e1ter eminentemente transversal na m\u00fasica dos Birds Are Indie que faz com que mais pessoas sigam os passos da banda. No fundo, as boas vibra\u00e7\u00f5es que a m\u00fasica e os shows provocam no p\u00fablico n\u00e3o s\u00e3o alheias \u00e0 sensibilidade do conjunto, mas prevalece um des\u00edgnio criador coletivo e objetivo. \u201cGostamos que as pessoas v\u00e3o aos nossos concertos e que comprem os nossos discos, mas n\u00e3o pode ser isso que nos conduz a fazer alguma coisa. Tem de ser uma consequ\u00eancia de estarmos satisfeitos com o que produzimos e com a forma como nos entregamos ao trabalho\u201d, refere Ricardo Jer\u00f3nimo e a multi-instrumentista Joana Corker conclui o racioc\u00ednio: \u201cEm primeiro lugar, temos de fazer o que nos apetece no momento e neste \u00e1lbum est\u00e1vamos inclinados a ter um som mais pesado, usar novos instrumentos e empreender esse investimento pessoal. Depois, a rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico seria a que iria suceder se lan\u00e7assemos mais um disco t\u00edpico dos Birds Are Indie. Fizemos apenas o que servia ao trabalho e depois aguard\u00e1mos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Lisboa para o Brasil, os Birds Are Indie conversaram com o Scream &amp; Yell. Confira:<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BIRDS ARE INDIE - 21st Century heroes\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cEHhU_gL-XY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O novo \u00e1lbum (&#8220;Ones &amp; Zeros&#8221;) percorre novas tem\u00e1ticas como a distopia, a intelig\u00eancia artificial ou a aliena\u00e7\u00e3o e prop\u00f5e uma reflex\u00e3o sobre os poss\u00edveis equil\u00edbrios entre o mundo real e virtual. Qual foi o fator determinante para avan\u00e7arem com um trabalho conceitual sobre estas tem\u00e1ticas?<\/strong><br \/>\nQuando editamos o \u00e1lbum \u201cMigrations\u201d (2020), a banda comemorava 10 anos de exist\u00eancia e decidimos que ia ser um fim de ciclo. Portanto, desejavamos que o trabalho seguinte fosse diferente e representasse um desafio para n\u00f3s pr\u00f3prios. Seria, eventualmente, uma esp\u00e9cie de Birds Are Indie 2.0. Ainda n\u00e3o sab\u00edamos onde ir\u00edamos porque acima de tudo quer\u00edamos tocar aquelas can\u00e7\u00f5es e tratar bem o disco. N\u00f3s come\u00e7amos a compor as m\u00fasicas novas em junho e julho de 2021 e estavamos expectantes relativamente ao que viria a acontecer em termos musicais. Fomos para a nossa sala de ensaios, que \u00e9 uma garagem, muito bem isolada acusticamente (risos), e desta vez compusemos os tr\u00eas em conjunto (normalmente, o processo de composi\u00e7\u00e3o dos Birds Are Indie come\u00e7a em Jer\u00f3nimo e Henrique e Joana contribuem com pequenas partes, ideias ou arranjos) e foi muito bom. Isso talvez tenha influenciado a mudan\u00e7a geral. Na parte das letras, e se calhar um pouco no \u2018art work\u2019 e na imagem, pendemos para o lado conceitual que voc\u00ea refere. A pandemia pode ter tido efeito, porque acentuou algumas coisas. Um desses exemplos \u00e9 a nossa rela\u00e7\u00e3o com a virtualidade. Ela j\u00e1 vinha de tr\u00e1s, mas aumentou exponencialmente e come\u00e7aram-se a normalizar as videoconfer\u00eancias ou o teletrabalho. H\u00e1 coisas \u00f3timas, claro, mas quase que se extremou a dualidade sobre o que \u00e9 real ou virtual, o que \u00e9 estar com uma pessoa ou v\u00ea-la num ecr\u00e3. Ent\u00e3o, come\u00e7ou a construir-se uma ideia de pretos e brancos, de \u2018ones and zeros\u2019 e de coisas bin\u00e1rias. Depois h\u00e1 a l\u00f3gica atual em que est\u00e1s de um lado ou do outro e se n\u00e3o est\u00e1s comigo est\u00e1s contra mim. O cinzento, o interm\u00e9dio e o senso comum parece que desapareceram e esse patamar fica dif\u00edcil de alcan\u00e7ar. Como eram temas mais pesados e diferentes do nosso normal, pensamos nas letras e na interpreta\u00e7\u00e3o enquanto personagens e os clipes que gravamos v\u00e3o ao encontro dessa ideia. N\u00e3o o fizemos numa base em que a m\u00fasica conta uma hist\u00f3ria da Maria e do Jo\u00e3o narrativamente. As figuras que criamos n\u00e3o t\u00eam nome. \u00c9 quase como estar nos seus olhos, por isso vemos o que elas v\u00eam, pensamos o que elas pensam e sentimos o que elas sentem. Foi esse o processo que desenvolvemos nas letras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c9 certo que no disco anterior, \u201cMigrations\u201d (2020), j\u00e1 haviam pistas relativamente ao endurecimento do vosso som, como foi o caso da faixa \u201cBlack (Or The Art Of Letting Go)\u201d, mas o incremento r\u00edtmico e a urg\u00eancia l\u00edrica que voc\u00eas desenvolveram agora resultou de uma tentativa de adequar a vossa sonoridade a este conturbado per\u00edodo p\u00f3s-pand\u00e9mico ou a novas refer\u00eancias musicais e liter\u00e1rias da banda?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s sentimos necessidade de tocar m\u00fasicas mais pesadas, porque estivemos v\u00e1rios anos num registo pop. Quem nos conhece, sabe que gostamos do lado roqueiro e de utilizar sintetizadores. Sentimo-nos bem a tocar com pujan\u00e7a e a tem\u00e1tica do novo \u00e1lbum deu sentido a essa inten\u00e7\u00e3o. Foi uma progress\u00e3o natural relativamente ao que estavamos fazendo ao vivo. Em disco, as m\u00fasicas est\u00e3o gravadas de uma forma relativamente calma mas, nos shows, elas t\u00eam outra roupagem e podem adquirir intensidade. Isto j\u00e1 acontecia nos \u00e1lbuns anteriores. Na parte da grava\u00e7\u00e3o e da composi\u00e7\u00e3o deste trabalho, assumimos que ir\u00edamos ter um som mais forte. Por isso, compramos uns sintetizadores, umas caixas de ritmos e v\u00e1rios pedais para as guitarras com o objetivo de chegar a esse ponto. Est\u00e1vamos cansados de tocar as mesmas coisas e de forma id\u00eantica, por isso avan\u00e7amos com determina\u00e7\u00e3o para este trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O \u00e1lbum \u00e9 composto por v\u00e1rias hist\u00f3rias e diversos personagens. Verifico que existe uma aparente resigna\u00e7\u00e3o na figura central de \u201cEmpty Screen\u201d, mas em \u201cLiving In The Trenches\u201d o protagonista exibe uma faceta mais afirmativa. Como foi conciliar estas duas ideias?<\/strong><br \/>\n\u00c9 mesmo isso. Para cada uma das m\u00fasicas existe um sentimento diferente. Mas \u00e9 algo transit\u00f3rio, como acontece com as pessoas habitualmente. Enquanto atravessamos estes tempos reais, porque o disco \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, temos dias na nossa vida em que nos sentimos mais esperan\u00e7osos com a tecnologia e noutros momentos imaginamos que no futuro seremos comidos por robots. \u00c9 natural que ocorram fases de maior resigna\u00e7\u00e3o ou de maior combatividade. Isso tem a ver conosco e, nesse caso, a l\u00f3gica \u00e9 haver algu\u00e9m que atravesse as 10 m\u00fasicas e que v\u00e1 passando por situa\u00e7\u00f5es ou assistindo a coisas e transmite-as nas can\u00e7\u00f5es. O disco n\u00e3o tem uma narrativa sequencial. No entanto, a primeira m\u00fasica, \u201cEmpty Screen\u201d, tem um car\u00e1ter humano, de algu\u00e9m que instala a d\u00favida: \u201cEu estou aqui ou n\u00e3o estou? O que fa\u00e7o aqui? Isto \u00e9 real ou n\u00e3o?\u201d, numa perspectiva de questionar a sua humanidade para algo a que n\u00e3o est\u00e1 habituado na vida. Depois, can\u00e7\u00e3o ap\u00f3s can\u00e7\u00e3o, a personagem entra num portal com v\u00e1rios mundos imagin\u00e1rios e na \u00faltima m\u00fasica (\u201cBehind The Sun\u201d), parece que o pesadelo acabou e h\u00e1 um respirar fundo e ela percebe que voltou a ser humana. Este \u00e9 o fio condutor do \u00e1lbum e em cada can\u00e7\u00e3o h\u00e1 diversas inquieta\u00e7\u00f5es e emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2019\/04\/23\/entrevista-birds-are-indie\/\">Na \u00faltima vez que vos entrevistei<\/a>, voc\u00eas referiram que o papel do Est\u00fadio Blue House e da editora Lux Records estava a ser decisivo para dinamizar a cena musical de Coimbra e que brevemente ir\u00edamos ver os frutos da colabora\u00e7\u00e3o entre os diversos artistas da cidade. Pelo meio eclodiu a pandemia mas, posteriormente, j\u00e1 se podem vislumbrar alguns frutos desse trabalho conjunto?<\/strong><br \/>\nS\u00e3o duas estruturas importantes. A Lux Records tem 25 anos e o Est\u00fadio Blue House, formalmente, leva quase cinco anos de exist\u00eancia. Ambas s\u00e3o muito ativas e complementam-se, porque o Blue House tem um est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o e a Lux Records edita discos. Tamb\u00e9m desenvolvem um trabalho de promo\u00e7\u00e3o de shows e festivais e t\u00eam existido frutos dessa complementaridade. Desde a \u00faltima vez que falamos consigo aconteceram muitas coisas interessantes em Coimbra. Relativamente ao Est\u00fadio Blue House, recordamo-nos dos From Atomic (um trio que faz uma ponte entre o pop vanguardista dos anos 80 e o indie-noise dos anos 90), dos Eigreen (um projeto musical que contempla o registo ac\u00fastico, o dreampop, passando pelo trip-hop e o downtempo) e do Filipe Furtado (um m\u00fasico natural dos A\u00e7ores que percorre a bossa nova, o jazz e o cancioneiro portugu\u00eas). O Filipe Furtado lan\u00e7ou o seu disco de estreia, \u201cPrel\u00fadio\u201d (2022) pela editora a\u00e7oriana Marca Pistola, mas tanto ele como os Eigreen e os From Atomic gravaram os seus discos no Est\u00fadio Blue House. O John Mercy (vocalista da banda blues-folk A Jigsaw) tamb\u00e9m tem feito colabora\u00e7\u00f5es muito interessantes. N\u00f3s estamos um pouco no meio, mas o pessoal da velha guarda continua bastante ativo e as parcerias tamb\u00e9m t\u00eam acontecido nas gera\u00e7\u00f5es mais novas de Coimbra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O tour que voc\u00eas iniciaram a 6 de Abril \u00e9 bastante extenso e vai percorrer 11 cidades portuguesas e seis cidades espanholas. O que esperam destes espect\u00e1culos?<\/strong><br \/>\nO show da Guarda (cidade do norte de Portugal onde come\u00e7aram o tour) correu bastante bem ao n\u00edvel da performance do grupo e da rea\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. Por isso, estamos com boas expectativas relativamente \u00e0s pr\u00f3ximas atua\u00e7\u00f5es. Para al\u00e9m dos concertos que j\u00e1 est\u00e3o marcados vamos fazer mais. Temos datas que est\u00e3o em processo de marca\u00e7\u00e3o ou ainda n\u00e3o se podem divulgar e h\u00e1 outras que pretendemos anunciar em conjunto por outros motivos. Ao longo dos anos tocamos com regularidade e em Lisboa devemos ter se apresentado cerca de 15 vezes. Nos arquivos da banda, onde registramos os nossos shows, Lisboa \u00e9 a cidade onde devemos ter feito mais concertos. Passamos por locais que j\u00e1 n\u00e3o existem e noutros repetimos a presen\u00e7a. O Bota \u00e9 um s\u00edtio legal porque entre 2011 e 2013 tocamos em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds em lugares deste g\u00eanero, promovidos por associa\u00e7\u00f5es e grupos de pessoas que tinham gosto pela m\u00fasica ou pensaram juntar as pessoas e fazer algo pela sua cidade a n\u00edvel musical. Estamos curiosos para ver este espa\u00e7o funcionando como sala de espet\u00e1culos durante a noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ao fim de 13 anos de atividade, os Birds Are Indie contam com seis \u00e1lbuns, v\u00e1rios singles e EPs editados e muita estrada percorrida. Gostaria de saber como avaliam a rela\u00e7\u00e3o com as pessoas que seguem a banda e se acham que os vossos melhores dias de cria\u00e7\u00e3o ainda est\u00e3o para vir?<\/strong><br \/>\nFelizmente, nunca tivemos um pico enorme com uma m\u00fasica ou uma situa\u00e7\u00e3o que nos fizesse ganhar notoriedade. O que acontece \u00e9 que h\u00e1 mais pessoas a gostarem de n\u00f3s, a seguir-nos, a ver o que fazemos e a comprar os discos. Mas sempre foi uma coisa gradual e espont\u00e2nea. Muitas das pessoas que nos acompanham e v\u00eam ver o show de Lisboa j\u00e1 nos conhecem e viram outros concertos e at\u00e9 falamos com elas pelas redes sociais de v\u00e1rias formas. Portanto, tamb\u00e9m h\u00e1 esse lado que nos mant\u00e9m ligados \u00e0s pessoas reais e ao que elas s\u00e3o. H\u00e1 bandas que t\u00eam f\u00e3s e quando eles as v\u00eam entram numa esp\u00e9cie de estado paranormal, mas n\u00f3s n\u00e3o nos sentimos numa redoma. O nosso objetivo \u00e9 que o p\u00fablico leve mem\u00f3rias do show e pontos de contato de pequenas hist\u00f3rias ou coisas que aconteceram e n\u00e3o s\u00f3 a sensa\u00e7\u00e3o de que gostaram apenas da m\u00fasica ou que foi um grande espet\u00e1culo. Temos casos de espectadores que viram as nossas apresenta\u00e7\u00f5es, conheceram novas pessoas e aquilo mudou as suas vidas. E inclusivamente j\u00e1 nos convidaram para tomar um ch\u00e1 na casa deles. Houve uma vez em Viana do Castelo (cidade do norte de Portugal) uma garota que disse para a Joana Corker autografar o disco em nome da Leonor (a filha que ia nascer), porque ela ia oferec\u00ea-lo a uma pessoa e seria assim que lhe ia contar que estava gr\u00e1vida. Deve ter sido um momento incr\u00edvel quando ela entregou o CD. H\u00e1 muitas hist\u00f3rias dessas com os Birds Are Indie. Gostamos de falar de diversas coisas, dissec\u00e1-las e p\u00f4r-nos em v\u00e1rias perspectivas porque isso at\u00e9 ajuda a escrever can\u00e7\u00f5es. Mas, a inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 uma coisa estranha. Parece que o criador \u00e9 um ve\u00edculo de algo divino e n\u00f3s somos os escolhidos. A nossa posi\u00e7\u00e3o \u00e9 outra. No entanto, desconhecemos de onde ela vem. Como n\u00e3o \u00e9 um aspecto trabalhado a n\u00edvel t\u00e9cnico, preferimos que a inspira\u00e7\u00e3o fa\u00e7a o seu trabalho como fizer. Esperamos que os nossos melhores dias criativos sejam \u00e0 frente porque n\u00e3o somos nost\u00e1lgicos.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Empty screen\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/dUdF5LA7Rjs?list=OLAK5uy_m0nZefKfbuYy3tgBDnF0NfbqMM0V550SE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Birds Are Indie | \u201cOnes &amp; Zeros\u201d no est\u00fadio da esectv\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wz-G8oGQX7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"BIRDS ARE INDIE - Our Last Waltz\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kHGyRqlPSQo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Pedro Salgado (siga\u00a0<a href=\"http:\/\/twitter.com\/woorman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@woorman<\/a>) \u00e9 jornalista, reside em Lisboa e colabora com o Scream &amp; Yell desde 2010 contando novidades da m\u00fasica de Portugal. Veja outras entrevistas de Pedro Salgado\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/author\/pedro-salgado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. A foto que abre o texto \u00e9 de Tiago Cerveira \/ Divulga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A tem\u00e1tica do grupo centrou-se agora nas inquieta\u00e7\u00f5es dist\u00f3picas, na rela\u00e7\u00e3o com a intelig\u00eancia artificial e na ambiguidade entre o mundo real e virtual, dando corpo a um trabalho conceitual.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/19\/entrevista-birds-are-indie-surgem-mais-pesados-em-ones-zeros-o-novo-disco-que-tateia-a-ambiguidade-entre-mundo-real-e-virtual\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":7,"featured_media":74089,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[3676,47],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74087"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74087"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74087\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74100,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74087\/revisions\/74100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74089"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74087"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}