{"id":74051,"date":"2023-04-26T01:04:45","date_gmt":"2023-04-26T04:04:45","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=74051"},"modified":"2025-03-11T23:20:48","modified_gmt":"2025-03-12T02:20:48","slug":"filmografia-todo-o-cinema-de-woody-allen","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/26\/filmografia-todo-o-cinema-de-woody-allen\/","title":{"rendered":"Filmografia: Todo o cinema de Woody Allen"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos cineastas mais prol\u00edficos da hist\u00f3ria do cinema, Woody Allen \u00e9 um exemplo perfeito de como entrar numa determinada profiss\u00e3o n\u00e3o sabendo absolutamente nada sobre as t\u00e9cnicas necess\u00e1rias e ir crescendo trabalho a trabalho at\u00e9 se tornar um grande mestre naquela fun\u00e7\u00e3o. No caso de Woody, ele come\u00e7ou sua vida art\u00edstica ainda menor de idade escrevendo piadas para escritores na Broadway quando tinha 16 anos (em 1951), o que lhe rendeu um convite para se juntar ao Programa de Desenvolvimento de Escritores da NBC em 1955, aos 19 anos. Nessa \u00e9poca, Woody j\u00e1 escrevia para o The Ed Sullivan Show e o The Tonight Show, entre outros programas, mas sua primeira tentativa de um projeto solo, uma s\u00e9rie c\u00f4mica chamada \u201cThe Laughmakers\u201d cujo piloto foi feito em 1962, n\u00e3o foi aprovada. Woody, ent\u00e3o, migrou para o stand-up com direito a indica\u00e7\u00e3o ao Grammy por seu \u00e1lbum de com\u00e9dia de 1964, \u201c<a href=\"https:\/\/www.discogs.com\/pt_BR\/release\/4560785-Woody-Allen-Woody-Allen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Woody Allen<\/a>\u201d), at\u00e9 pousar de paraquedas no territ\u00f3rio do cinema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na s\u00e9tima arte, Woody Allen mostrou-se um apaixonado devoto do cinema italiano (com a obra de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Federico Fellini<\/a> o influenciando decididamente) tanto quanto das gags dos Irm\u00e3os Marx, uma jun\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou 99.5% piada e 0,5% seriedade nos primeiros filmes at\u00e9 inverter totalmente a narrativa com \u201cInteriores\u201d, de 1978, seu primeiro drama totalmente bergmaniano (ainda que ele j\u00e1 tivesse \u201cdan\u00e7ado com a morte\u201d em \u201cLove and Death\u201d, de 1975). Da\u00ed pra frente, em sua fase madura, Woody Allen nunca ir\u00e1 desperdi\u00e7ar uma piada, mas far\u00e1 cada vez mais filmes s\u00e9rios (para desespero dos alien\u00edgenas de \u201cMem\u00f3rias\u201d, que durante anos foi seu filme favorito, posto hoje ocupado pela obra-prima \u201cMatch Point\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seus filmes j\u00e1 foram indicados 53 vezes ao Oscar tendo levado pra casa 12 estatuetas, muitas delas com o nome de atrizes como Cate Blanchett (&#8220;Blue Jasmine&#8221;), Penelope Cruz (&#8220;Vicky Cristina Barcelona&#8221;), Mira Sorvino (&#8220;Poderosa Afrodite&#8221;), Diane Keaton (&#8220;Annie Hall&#8221;) e Dianne Wiest \u2013 duas vezes (&#8220;Hannah e Suas Irm\u00e3s&#8221; e &#8220;Tiros na Broadway&#8221;). Woody ainda \u00e9 recordista em indica\u00e7\u00f5es na categoria de Melhor Roteiro Original: s\u00e3o 16 e tr\u00eas vit\u00f3rias (\u201cAnnie Hall\u201d, \u201cHannah e suas Irm\u00e3s\u201d e \u201cMeia Noite em Paris\u201d). A essas 16 indica\u00e7\u00f5es somam-se mais oito, sete delas como Melhor Diretor (venceu com \u201cAnnie Hall\u201d) e uma como Melhor Ator. Ele ainda ganhou 10 pr\u00eamios BAFTA e dois Globos de Ouro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o \u201ccancelamento\u201d promovido na segunda metade dos anos 10 da pessoa e, por conseguinte, da obra, algu\u00e9m pode perguntar: por que Woody Allen? Porque \u00e9 um cineasta com uma obra extensa que merece ser explorada; porque essa obra dialoga com o cinema cl\u00e1ssico (e com a vida) como poucas, permitindo conex\u00f5es e aprofundamentos; porque Woody faz rir e faz pensar, \u00e0s vezes numa mesma frase, e isso \u00e9 cada vez mais raro na arte. E porque a ind\u00fastria do cancelamento n\u00e3o \u00e9 Justi\u00e7a, mas Justi\u00e7amento, podendo frequentemente se equivocar por pressa, desinforma\u00e7\u00e3o ou sadismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer que Woody seja inocente da acusa\u00e7\u00e3o que sofre (<a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/colunas\/andre-barcinski\/2020\/05\/05\/woody-allen.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">o tema \u00e9 grav\u00edssimo<\/a>), mas que ele tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/24.sapo.pt\/opiniao\/artigos\/eu-acredito-em-woody-allen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pode n\u00e3o ser culpado<\/a>. \u00c9 uma premissa b\u00e1sica muitas vezes esquecida e constantemente atropelada, ainda mais em um tempo de ca\u00e7a a bruxos cru\u00e9is, homens que vilanizaram de forma criminosa a vida de milhares de pessoas (a grande maioria, mulheres), o que faz com que acusa\u00e7\u00f5es \u2013 amplificadas em tempos de internet \u2013 tomem propor\u00e7\u00f5es gigantes, e como algu\u00e9m descreve em \u201cT\u00e1r\u201d, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/02\/16\/cinema-cate-blanchett-surge-esplendorosa-de-novo-em-tar-um-filme-que-mostra-que-a-musica-e-belissima-ja-os-musicistas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um dos grandes filmes de 2022:<\/a> \u201cHoje em dia ser acusado \u00e9 o mesmo de ser culpado\u201d &#8211; o que rende uma discuss\u00e3o intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s esse preambulo necess\u00e1rio, voltemos ao cinema: a sele\u00e7\u00e3o abaixo abarca 70 obras entre filmes pr\u00f3prios, participa\u00e7\u00f5es em filmes de outros diretores e document\u00e1rios, praticamente toda a carreira cinematogr\u00e1fica de Woody Allen seja atuando, roteirizando e \/ ou dirigindo.\u00a0S\u00e3o sete d\u00e9cadas dedicadas ao cinema, e ainda que o ritmo alucinante de um filme por ano possa ter vitimado esta ou aquela obra, o n\u00famero de filmes arrebatadores \u00e9 elevado, de filmes bons tamb\u00e9m, e mesmo aqueles que ficam aqu\u00e9m da expectativa merecem uma olhadela descompromissada. Bora olhar?<\/p>\n<hr \/>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Laughmakers\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-nJ9jvLRz7I?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo original: \u201cThe Laughmakers\u201d (1962)<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro<\/em><br \/>\nEm 1962, a ABC encomendou 28 pilotos de s\u00e9ries inspiradas em Nova York. Woody Allen apresentou \u201cThe Laughmakers\u201d, epis\u00f3dio piloto de uma s\u00e9rie sua cujo elenco conta com Sandy Baron, David Burns, (sua futura esposa) Louise Lasser e Alan Alda (10 anos antes de &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2002\/02\/02\/esse-voce-precisa-ver-m-a-s-h-1970-de-robert-altman\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">M*A*S*H<\/a>&#8221; e 27 antes de &#8220;Crimes e Pecados&#8221;, colabora\u00e7\u00e3o com Woody que lhe renderia uma indica\u00e7\u00e3o ao Oscar). A sitcom apresenta um grupo de atores c\u00f4micos em uma improvisa\u00e7\u00e3o, e al\u00e9m da trilha sonora jazz\u00edstica caracter\u00edstica de toda a carreira de Woody, as familiaridades com textos futuros do cineasta demonstram que, ainda que a s\u00e9rie n\u00e3o tenha sido aprovada, ele j\u00e1 estava afiado, inclusive com piadas que usuaria futuramente (uma cena de assalto foi parar, melhor desenvolvida, em &#8220;Um Assaltante Bem Trapalh\u00e3o&#8221;, uma outra piada em &#8220;Annie Hall&#8221;&#8230;). H\u00e1 momentos hil\u00e1rios como quando o grupo pede para que o p\u00fablico diga temas para um improviso c\u00f4mico, e as sugest\u00f5es que surgem s\u00e3o &#8220;Khrushchev&#8221;, &#8220;guerra psicol\u00f3gica&#8221;, &#8220;invas\u00e3o de uma ilha&#8221; e &#8220;soldados&#8221;. Ap\u00f3s o n\u00famero, o dono da casa Freudian Slip comenta com um dos atores: &#8220;Tinha mais gente jogando paci\u00eancia (do que rindo)&#8221;. A s\u00e9rie segue com a entrada da personagem de Louise Lasser, extremamente alleniana, cujo auge em cena ser\u00e1 a declama\u00e7\u00e3o de um poema numa competi\u00e7\u00e3o beatnick no Greenwich Village que terminar\u00e1 com &#8220;Deus aben\u00e7oe Ingmar Bergman&#8221;, no que algu\u00e9m da plateia &#8220;tenta&#8221; corrigir: &#8220;Ingrid Bergman&#8221; (risos). Impressiona a atualidade dos temas como, tamb\u00e9m, o tom avan\u00e7ado do roteiro para a \u00e9poca (que encontra paralelo com o que Billy Wilder estava fazendo <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/07\/27\/cinematografia-comentada-billy-wilder\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">no per\u00edodo)<\/a>, assim como a identifica\u00e7\u00e3o f\u00e1cil da personalidade de Woody como roteirista. \u201cThe Laughmakers\u201d nunca foi exibido e comercializado (um piloto de Mel Brooks tamb\u00e9m n\u00e3o foi aproveitado no mesmo ano &#8211; mas chegou a sair em um box comemorativo de sua carreira). Est\u00e1 nos arquivos do Paley Center for Media, museu que se dedica \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria da televis\u00e3o e do r\u00e1dio dos Estados Unidos, e s\u00f3 pode ser visto l\u00e1, mas tal qual aconteceu com outra obra in\u00e9dita de Woody, &#8220;Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story&#8221;, de 1971 (voc\u00ea l\u00ea sobre mais abaixo), caiu na web (em 2025) e, 63 anos depois de sua produ\u00e7\u00e3o, pode ser vista no Youtube (sabe-se l\u00e1 at\u00e9 quando). Seja r\u00e1pido e clique no play acima.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-74053 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/gatinha1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/gatinha1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/gatinha1-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: What&#8217;s New, Pussycat? (1965)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: O Que \u00e9 Que H\u00e1, Gatinha?<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e atua<\/em><br \/>\nO primeiro roteiro de \u201cO que \u00e9 que H\u00e1, Gatinha?\u201d, projeto idealizado para ter Warren Beatty como ator principal (o t\u00edtulo do filme era uma frase que o ator dizia ao atender ao telefone), n\u00e3o agradou o est\u00fadio, que saiu a ca\u00e7a de algum roteirista que pudesse \u201cconsert\u00e1-lo\u201d. Woody Allen foi o escolhido e reescreveu toda a hist\u00f3ria (aproveitando para escrever um papel para si mesmo), mas o resultado final n\u00e3o agradou Warren Beatty, que pulou fora do projeto \u2013 a vaga foi ocupada por Peter O&#8217;Toole. A primeira cena oficial de Woody Allen no cinema foi gravada no dia de seu anivers\u00e1rio de 29 anos: n\u00e3o \u00e0 toa, seu personagem est\u00e1 \u201ccomemorando\u201d o pr\u00f3prio anivers\u00e1rio de 29 anos com um jantar solit\u00e1rio \u00e0 beira do Rio Sena, em Paris, quando outro personagem planeja se suicidar, duas sensa\u00e7\u00f5es que resumem a frustra\u00e7\u00e3o de Woody ao ver diretor (Clive Donner) e produtor (Charles K. Feldman) mutilarem seu roteiro. Ainda assim, \u201cO Que \u00e9 Que H\u00e1, Gatinha?\u201d fez enorme sucesso de bilheteria, o que n\u00e3o amenizou a frustra\u00e7\u00e3o de Woody: \u201cO pessoal do est\u00fadio dizia que o sucesso se devia \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de Sellers e O&#8217;Toole, n\u00e3o ao roteiro\u201d, desabafou para o biografo Eric Lax (no livro \u201cConversas com Woody Allen\u201d), completando que, se seguissem o que ele tinha escrito, \u201co filme teria sido duas vezes mais engra\u00e7ado&#8230; e feito metade do sucesso\u201d. A trama c\u00f4mico-rom\u00e2ntica \u00e9 simples: o editor de uma revista de moda (O&#8217;Toole, excelente) est\u00e1 apaixonado por uma professora (a cativante Romy Schneider)&#8230; e tamb\u00e9m por todas as outras mulheres do mundo. Por isso procura um psic\u00f3logo buscando tratamento para sua infidelidade, mas o tal doutor (Peter Sellers) apenas o confunde mais. Com boas piadas, trilha de Burt Bacharah, final feliz \u00e0 l\u00e1 Billy Wilder e ponta de Ursula Andress (j\u00e1 uma Bond Girl) e Fran\u00e7oise Hardy, \u201cO Que \u00e9 Que H\u00e1, Gatinha?\u201d \u00e9 divertidinho e ainda conta com uma homenagem de Woody \u00e0 Fellini, com Peter O&#8217;Toole recriando uma cena cl\u00e1ssica de Marcelo Mastroianni em \u201cOito e Meio\u201d (1962).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74054\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody2-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: What&#8217;s Up Tiger Lily? (1966)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: O Que \u00e9 Que H\u00e1, Tigresa?<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e \u201catua\u201d<\/em><br \/>\nA grande fun\u00e7\u00e3o do segundo filme de Woody Allen, o primeiro em que ele assume a posi\u00e7\u00e3o de \u201cdiretor\u201d, ainda que de maneira torta, \u00e9 ensin\u00e1-lo a lidar com as artimanhas mequetrefes de Hollywood. A primeira delas vem no t\u00edtulo, que tenta pegar carona no sucesso de \u201cO Que \u00e9 Que H\u00e1, Gatinha?\u201d, ainda que os filmes n\u00e3o tenham rela\u00e7\u00e3o. A segunda diz respeito sobre o pr\u00f3prio filme, um thriller japon\u00eas chamado \u201cl Secret Police: Key of Keys\u201d, de Senkichi Taniguchi, que, ap\u00f3s frustrar seus compradores norte-americanos na dublagem, foi entregue para Woody, que deveria remont\u00e1-lo como quisesse inserindo suas piadas. Terceiro: ap\u00f3s \u201cterminado\u201d o novo filme, Woody foi surpreendido na edi\u00e7\u00e3o final, que incluiu dois n\u00fameros musicais do The Lovin&#8217; Spoonful inseridos pelos produtores (a sua revelia) para aumentar a minutagem, sem nenhum nexo com a hist\u00f3ria, que, afinal, n\u00e3o tem l\u00e1 muito nexo mesmo: na trama recriada por Woody, um agente precisa recuperar a receita secreta de uma famosa salada de ovos. Arrependido com o resultado (\u201cFoi uma coisa idiota e imatura\u201d), Woody tentou impedir que o filme fosse lan\u00e7ado, mas \u201cO Que \u00e9 Que H\u00e1, Tigresa?\u201d acabou (surpreendentemente) recebendo boas cr\u00edticas, e ele desistiu da a\u00e7\u00e3o. \u201cMas sempre achei o filme um exerc\u00edcio pueril\u201d, afirma, corretamente. Ainda que seja uma grande bobagem que pode interessar a f\u00e3s de Hermes &amp; Renato (e s\u00f3 a eles), \u201cO Que \u00e9 Que H\u00e1, Tigresa?\u201d tem como m\u00e9rito ensinar a Woody o que ele precisava para sobreviver em Hollywood: controle total sobre suas obras.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74056\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody3-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: Casino Royale (1966)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Cassino Royale<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nA terceira investida de Woody foi nesta par\u00f3dia inspirada no livro de Ian Fleming lan\u00e7ado em 1953, mas que n\u00e3o \u00e9 da s\u00e9rie oficial dos filmes de 007, pois foi rodado por outra equipe e est\u00fadio estando fora de padr\u00f5es e contratos. Em 2006 foi lan\u00e7ada a refilmagem com o mesmo nome, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/25\/tres-filmes-007-cassino-royale-quantum-of-solace-e-skyfall\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">marcando o rein\u00edcio da s\u00e9rie oficial<\/a> de James Bond. Em 1966, por\u00e9m, Woody relutou em aceitar o papel (duplo que tem no filme), mas seu empres\u00e1rio ordenou (\u201cacertadamente\u201d, ele conta em \u201cConversas com Woody Allen\u201d): \u201cCala a boca e faz o filme. Vai ser cheio de estrelas e vai ajudar a te lan\u00e7ar no cinema\u201d. O resultado, por\u00e9m, ele j\u00e1 sabia: \u201cN\u00e3o precisava ser um grande observador para saber que o filme \u00e9 um caos idiota\u201d. Parte da confus\u00e3o surge do roteiro, dividido oficialmente por tr\u00eas pessoas, mas com outras seis (Billy Wilder incluso) colocando as m\u00e3os. Na dire\u00e7\u00e3o, o filme foi dividido entre cinco diretores (!), o que transformou o resultado final em uma salada bastante indigesta. O elenco era espetacular (David Niven, Deborah Kerr, Orson Welles, John Houston, Peter Sellers, Ursula Andress, Jacqueline Bisset, William Holden, Peter O&#8217;Toole e Jean-Paul Belmondo), o que garantiu uma boa bilheteria (custou US$ 12 mi e arrecadou US$ 42 mi), mas n\u00e3o salvou o filme de ser uma imensa bobagem. Woody faz uma primeira apari\u00e7\u00e3o curta no meio do filme e retorna no final improvisando piadas (ele n\u00e3o tocou no roteiro), apagado diante de um grande elenco. Ainda assim, ele diria depois: \u201cFoi uma experi\u00eancia absolutamente aula pra mim\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74057\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody4-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Don\u2019t Drink The Water (1969)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Que Sequestro A\u00e9reo!<\/strong><br \/>\n<em>Baseado no roteiro da pe\u00e7a de Woody Allen<\/em><br \/>\nEm 1966, Woody Allen escreveu o roteiro para uma pe\u00e7a de teatro que foi dirigida por Stanley Prager e teve 598 exibi\u00e7\u00f5es, passando por tr\u00eas teatros da Broadway e transformando-se em um grande sucesso (hoje em dia \u00e9 encenada constantemente por alunos do High School estadunidense \u2013 d\u00ea uma busca no Youtube). Em 1969, a Avco Embassy Pictures comprou os direitos da pe\u00e7a para o cinema, escalou o comediante Jackie Gleason para o papel principal, Howard Morris para a dire\u00e7\u00e3o, dois roteiristas de sitcom para o texto (RS Allen e Harvey Bullock) e o resultado, segundo o pr\u00f3prio autor em \u201cConversas com Woody Allen\u201d, \u00e9 \u201cum manual de como comprar uma pe\u00e7a e transform\u00e1-la em ruinas. N\u00e3o \u00e9 nem uma boa pe\u00e7a, mas \u00e9 um ve\u00edculo para o riso f\u00e1cil\u201d, explica Woody. Relan\u00e7ada em bluray em 2020, \u201cDon\u2019t Drink The Water\u201d \u00e9, realmente, uma grande bobagem que n\u00e3o funciona, mas, quer saber: em alguns momentos se sai melhor do que a vers\u00e3o que o pr\u00f3prio Woody Allen dirigiu nos anos 90. Nessa primeira vers\u00e3o, a abertura \u00e9 longu\u00edssima, oito minutos entediantes. Da\u00ed pra frente, os espectadores acompanham a saga de uma fam\u00edlia de f\u00e9rias na Europa, cujo avi\u00e3o foi sequestrado e levado para a fict\u00edcia Vulgaria, atr\u00e1s da Cortina de Ferro. L\u00e1, a fam\u00edlia turista desce do avi\u00e3o para fazer fotos e \u00e9 tratada como espi\u00e3: a sa\u00edda? Se esconder na embaixada dos Estados Unidos, que nesse momento \u00e9 comandada pelo atrapalhado filho do embaixador. \u00c9 piada besta atr\u00e1s de piada besta. Algumas envelheceram bem, mas, no geral, \u201cDon\u2019t Drink The Water\u201d \u00e9 um pastel\u00e3o em que absolutamente nada se salva.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74060\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody5-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: Take The Money and Run (1969)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Um Assaltante Bem Trapalh\u00e3o<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nAp\u00f3s tr\u00eas experi\u00eancias ruins no cinema (ainda que duas tenham sido sucesso de bilheteria), Woody Allen tinha como meta n\u00e3o deixar ningu\u00e9m estragar seu pr\u00f3ximo filme. O roteiro (dividido com Mickey Rose) ficou pulando de mesa em mesa em Hollywood (a United Artists convidou Jerry Lewis para dirigir, mas ele recusou) at\u00e9 que Woody decidiu assumir a dire\u00e7\u00e3o e lan\u00e7\u00e1-lo pela novata Palomar Pictures. Com controle total sobre a obra (dirigindo, escrevendo e atuando), Woody finalmente conseguiu imprimir uma hist\u00f3ria que unia um texto divertido e inteligente com uma atua\u00e7\u00e3o c\u00f4mica que declara sua paix\u00e3o pelos Irm\u00e3os Marx. Primeiro mockument\u00e1rio (falso document\u00e1rio) a ser distribu\u00eddo em grande circuito (estilo que ele elevaria a perfei\u00e7\u00e3o com a obra-prima \u201cZelig\u201d, de 1983), \u201cUm Assaltante Bem Trapalh\u00e3o\u201d conta a hist\u00f3ria de Virgil Starkwell (Woody), um ladr\u00e3o que nunca frequentou a lista dos 10 bandidos mais procurados dos Estados Unidos (\u201c\u00c9 uma vota\u00e7\u00e3o injusta, feita por influ\u00eancia\u201d, declararia sua esposa), mas que, ainda assim, n\u00e3o desiste da \u00fanica coisa que (n\u00e3o) saber fazer: assaltar. Filmado em S\u00e3o Francisco e na pris\u00e3o de San Quentin (Johnny Cash, lembra?), \u201cUm Assaltante Bem Trapalh\u00e3o\u201d conta com boas piadas (como quando conhece sua futura esposa: \u201cEm 15 minutos queria casar com ela; em 30 desisti de roubar sua bolsa\u201d) e fez um sucesso relativo (custou um milh\u00e3o e meio de d\u00f3lares e arrecadou US$ 3 milh\u00f5es), garantindo a Woody um contrato de tr\u00eas filmes com a United Artists, a mesma que havia desistido deste roteiro.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74062\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody6-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: Bananas (1971)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Bananas<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nO contrato com a United Artists n\u00e3o garantia facilidades, como Woody logo descobriria: os novos chefes recusaram \u201cThe Jazz Baby\u201d (que ele s\u00f3 iria filmar no final dos anos 90 com o nome de \u201cSweet and Lowdown\u201d \u2013 \u201cPoucas e Boas\u201d) e um segundo roteiro, \u201cThe Filmmaker\u201d, n\u00e3o passou de seus produtores. O terceiro roteiro que Woody estava trabalhando (novamente com Mickey Rose) era baseado em um livro sobre as ditaduras da Am\u00e9rica do Sul, mas a dupla achou o livro ruim e decidiu escrever a sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria seguindo o modelo elogiado de \u201cTake The Money and Run\u201d: piada atr\u00e1s de piada. Nascia \u201cBananas\u201d, uma comedia escrachada (filmada em Nova York e Porto Rico) que sacaneia tanto as revolu\u00e7\u00f5es latino-americanas como a pol\u00edtica externa dos Estados Unidos tendo como pano de fundo uma hist\u00f3ria de amor: Fielding Mellish (Woody) est\u00e1 apaixonado pela jovem ativista Nancy (Louise Lasser) e, ap\u00f3s ela romper o namoro, decide viajar para S\u00e3o Marcos, um pequeno pa\u00eds dominado por militares na Am\u00e9rica Central, para impression\u00e1-la. A cena de abertura mostra o assassinato do presidente de San Marcos e \u00e9 (perdoe o trocadilho) matadora, e h\u00e1 mais um incont\u00e1vel n\u00famero de boas piadas num filme que n\u00e3o s\u00f3 mostra a evolu\u00e7\u00e3o de Woody (atuando, escrevendo e dirigindo) como ainda traz Sylvester Stallone numa ponta como um arruaceiro no metr\u00f4. Genial e pol\u00eamico, \u201cBananas\u201d s\u00f3 foi liberado no Brasil (por militares e igreja) quatro anos ap\u00f3s sua estreia (1975), e com uma cena cortada: a do sensacional comercial do cigarro <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LvZJp1ddYXM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Novo Testamento<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74063\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody7.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody7.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody7-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story (1971)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Nunca exibido no Brasil<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\n\u201cMen of Crisis\u201d nunca foi exibido. Woody escreveu o curta (de 25 minutos) a pedido da rede de televis\u00e3o p\u00fablica PBS, de Nova York, e entregou o filme sem cobrar nada, mas a dire\u00e7\u00e3o da emissora, ap\u00f3s assistir ao \u00e1cido mockument\u00e1rio, decidiu engavetar o projeto, que ficou esquecido por d\u00e9cadas. Woody ficou furioso, e prometeu nunca mais fazer nada para TV (promessa que ele quebraria com \u201cDon&#8217;t Drink the Water\u201d, de 1994). Em 1997, o ent\u00e3o diretor da emissora encontrou a fita, e sinalizou o desejo de exibi-la, sem sucesso. Na d\u00e9cada seguinte, o rolo apareceu no Paley Center for Media (ex-The Museum of Television &amp; Radio) de Nova York e, em 2011, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=DMuxQUepteA\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caiu na web<\/a>. Ap\u00f3s fazer piadas com Igreja, ditaduras latino-americanas e a pol\u00edtica externa dos Estados Unidos em \u201cBananas\u201d (tamb\u00e9m de 1971), Woody desanca Richard Nixon \u00e0s v\u00e9speras do ent\u00e3o presidente anunciar sua candidatura \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. \u201cMen of Crisis\u201d conta a hist\u00f3ria de Harvey Wallinger (Woody), bra\u00e7o direito do presidente, respons\u00e1vel por fazer a Casa Branca funcionar (e que recebe liga\u00e7\u00f5es da primeira-dama Pat quando o presidente est\u00e1 viajando: \u201cDick n\u00e3o est\u00e1 em casa. Venha para c\u00e1&#8221;, conta Harvey, que diz desencoraj\u00e1-la por n\u00e3o achar esse tipo de coisa certo). O filme ca\u00e7oa pesadamente de toda c\u00fapula do governo Nixon, e sobra at\u00e9 para a Igreja (uma freira relembra seu passado com Harvey: \u201cSexy\u201d, ela diz). H\u00e1 participa\u00e7\u00f5es de Louise Lasser, Diane Keaton e de um famoso s\u00f3sia de Nixon num filme deliciosamente politicamente incorreto.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-74065 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody8.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody8.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody8-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo Original: Play It Again, Sam (1972)<\/strong><br \/>\n<em><strong>T\u00edtulo Nacional: Sonhos de Um Sedutor<\/strong><\/em><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e atua<\/em><br \/>\nLogo ap\u00f3s sua estreia com \u201cWhat&#8217;s New, Pussycat?\u201d (1965), Woody escreveria seu primeiro roteiro para a Broadway, \u201cDon&#8217;t Drink the Water\u201d (1966), que seria adaptado para o cinema tr\u00eas anos depois (sem seu envolvimento; ele o refilmaria em 1994 a pedido de um canal de TV). Em 1969, Woody estrearia sua segunda pe\u00e7a, \u201cPlay It Again, Sam\u201d, desta vez assinando o roteiro e atuando (pela primeira vez) ao lado de Diane Keaton e Tony Roberts. O sucesso da pe\u00e7a fez com que a Paramount comprasse o roteiro, escalasse Herbert Ross para a dire\u00e7\u00e3o e mantivesse (acertadamente) o n\u00facleo original de atores da pe\u00e7a no filme. Rodado em S\u00e3o Francisco, \u201cPlay It Again, Sam\u201d traz o embri\u00e3o de v\u00e1rias ideias que Woody elevaria a perfei\u00e7\u00e3o posteriormente. Na trama, Allan (Woody) \u00e9 um jornalista de cinema abandonado pela esposa que recebe ajuda de um casal amigo, Dick (Tony) e Linda (Diane), que tenta anim\u00e1-lo apresentando-o a novas mulheres num embate divertido: desejo x timidez. Allan, por\u00e9m, se apaixona pela mulher do amigo, e o fat\u00eddico tri\u00e2ngulo amoroso \u2013 inspirado em \u201cCasablanca\u201d (1942) \u2013 permite a Woody testar recursos que se tornariam refer\u00eancia em sua obra, como dialogar com personagens fora do tempo\/espa\u00e7o do filme (no caso, Humphrey Bogart, que o aconselha romanticamente; o personagem inspiraria Quentin Tarantino em \u201cTrue Romance\u201d, de 1993). Com\u00e9dia rom\u00e2ntica fofa e descompromissada, \u201cPlay It Again, Sam\u201d ampliou o universo tem\u00e1tico de Woody acrescentando seriedade onde antes s\u00f3 havia escracho.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74067\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody9.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody9.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody9-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Everything You Always Wanted to Know About Sex But Were Afraid To Ask (1972)<\/strong><br \/>\n<strong>Nacional: Tudo o que Voc\u00ea Sempre Quis Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nSequ\u00eancia natural de carreira, o quarto filme de Woody como diretor se destaca por mostr\u00e1-lo sacaneando material alheio, no caso, o best-seller que d\u00e1 nome ao filme (um dos raros livros que ele \u201cadaptou\u201d em sua carreira) e que vendeu mais de 100 milh\u00f5es de exemplares no mundo todo no come\u00e7o dos anos 1970. A United Artists comprou os direitos do livro, mas Woody usou apenas as perguntas de alguns cap\u00edtulos, criando uma nova tem\u00e1tica (deliciosamente absurda) para cada tema. S\u00e3o sete esquetes que seguem um crescendo sat\u00edrico: no primeiro, \u201cOs Afrodis\u00edacos Funcionam?\u201d, um bobo da corte sem gra\u00e7a (Woody) tenta seduzir uma bela rainha (Lynn Redgrave), mas acaba se deparando com um obst\u00e1culo. No segundo, e um dos melhores, \u201cO que \u00e9 Sodomia?\u201d, um m\u00e9dico conceituado (Gene Kelly absolutamente sensacional) se apaixona por uma ovelha (menor de 18 anos). O terceiro, sobre orgasmo feminino, se passa na It\u00e1lia, enquanto o quarto foca homens que gostam de usar roupas femininas. \u201cO Que S\u00e3o Pervers\u00f5es Sexuais?\u201d, o quinto epis\u00f3dio, \u00e9 outro ponto alto enquanto o sexto bloco, sobre pesquisas sexuais, tem tons de terror: um peito gigante aterroriza uma cidade. O melhor momento ficou para o final: \u201cO Que Acontece Durante a Ejacula\u00e7\u00e3o?\u201d mostra o \u201cfuncionamento\u201d do corpo masculino desde o momento da sedu\u00e7\u00e3o at\u00e9 o orgasmo, e \u00e9 um dos melhores momentos de Woody em sua fase c\u00f4mica. Com custo total de US$ 2 milh\u00f5es e faturamento de US$ 18 milh\u00f5es, \u201cTudo o que Voc\u00ea Sempre Quis\u201d deu autonomia para Woody, cada vez mais \u00e0 vontade no cinema.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74069\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody10.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody10.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody10-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Sleeper (1973)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Dorminhoco<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nO ponto de partida \u00e9 o livro \u201cThe Sleeper Awakes\u201d, mas Woody usa apenas a premissa de H. G. Wells \u2013 sobre o homem que dorme 200 anos e acorda num mundo completamente diferente \u2013 como escada para uma s\u00e9rie de piadas (visuais e faladas). Ele interpreta Miles Monroe, um clarinetista nova-iorquino que \u00e9 dono de um restaurante vegetariano (A Cenoura Feliz) e vai ao hospital (em 1973) para uma cirurgia simples, mas, ap\u00f3s problemas na opera\u00e7\u00e3o, \u00e9 congelado, sendo descongelado somente 200 anos depois (2173) por um grupo de rebeldes oposto ao regime vigente, que o coloca numa posi\u00e7\u00e3o parecida com a de Fielding Mellish, de \u201cBananas\u201d: a de lutar ao lado de revolucion\u00e1rios contra ditadores. A trama \u201cempresta\u201d ideias de \u201c1984\u201d, de George Orwell, e \u201cFahrenheit 451\u201d, de Ray Bradbury, mostrando um regime totalit\u00e1rio dominando um povo (emburrecido) com press\u00e3o policial e v\u00edcios hedonistas (a adapta\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cFahrenheit 451\u201d por Fran\u00e7ois Truffaut<\/a>, de 1966, parece ter influenciado o visual futurista), e permite a Woody \u00f3timas alfinetadas (\u201cSolu\u00e7\u00f5es pol\u00edticas n\u00e3o funcionam. N\u00e3o importa quem esteja no poder. S\u00e3o terr\u00edveis\u201d, Miles diz para sua amada Luna, interpretada por Diane Keaton, dizendo que em alguns meses o povo se revoltar\u00e1 contra os revolucion\u00e1rios que tomaram o poder) em meio a piadas divertidas. Ainda que pare\u00e7a uma grande bobagem (na maior parte do tempo), h\u00e1 uma ideia interessante e muito bem executada que valoriza \u201cDorminhoco\u201d, um filme que busca a gargalhada, mas consegue um pouco mais.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74070\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody11.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody11.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody11-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Love &amp; Death (1975)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: A \u00daltima Noite de Boris Grushenko<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nNesta fase inicial de sua carreira, cada novo filme parece um degrau criativo para Woody Allen, que n\u00e3o deixa as piadas de lado, mas come\u00e7a a acrescentar elementos que n\u00e3o s\u00f3 ajudam a sustentar a narrativa como tornam o roteiro homog\u00eaneo. Isso come\u00e7a a aparecer em \u201cSonhos de um Sedutor\u201d, se amplia em \u201cTudo o que Voc\u00ea Sempre Quis Saber sobre Sexo\u201d e \u201cDorminhoco\u201d, e segue ganhando corpo neste \u00f3timo \u201cA \u00daltima Noite de Boris Grushenko\u201d, talvez o primeiro de seus roteiros a colocar a trama no mesmo patamar das piadas. O filme narra a hist\u00f3ria do personagem que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o nacional (que ir\u00e1 viver muito mais do que a \u201c\u00faltima noite\u201d descrita ali), Boris Grushenko (Woody, cada vez melhor na tela), o mais jovem de tr\u00eas irm\u00e3os russos, apaixonado pela prima Sonja (Diane Keaton excelente num papel que, finalmente, n\u00e3o funciona apenas como escada para Woody), que, no entanto, quer se casar com um irm\u00e3o de Boris, que opta por outra prima (a \u201cQuadrilha\u201d, de Drummond, ser\u00e1 encenada mais vezes na trama). Assim que o ex\u00e9rcito de Napole\u00e3o invade a R\u00fassia, os irm\u00e3os Grushenko s\u00e3o enviados para a guerra, mas apenas o covarde Boris volta, condecorado com medalhas. Ele consegue conquistar Sonja, e o casal vive feliz at\u00e9 ela ter uma \u201cgrande ideia\u201d: assassinar Napole\u00e3o. \u00c1gil, inteligente e divertido, \u201cA \u00daltima Noite de Boris Grushenko\u201d flagra Woody dan\u00e7ando com a Morte (de Ingmar Bergman), traz boas piadas filos\u00f3ficas e fez sucesso: custou US$ 3 milh\u00f5es e faturou R$ 20 milh\u00f5es (isso em 1975!).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74072\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody12.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody12.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody12-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: The Front, de Martin Ritt (1975)<\/strong><br \/>\n<strong>Nacional: Testa de Ferro por Acaso<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nLogo ap\u00f3s \u201cA \u00daltima Noite de Boris Grushenko\u201d (1975), Woody Allen foi escalado para o papel principal deste drama s\u00e9rio (com dispens\u00e1veis momentos c\u00f4micos) sobre a terr\u00edvel Lista Negra promovida pelo senador Joseph McCarthy buscando ca\u00e7ar comunistas em Hollywood. Diretor (Martin Ritt), roteirista (Walter Bernstein) e quatro atores do filme (Zero Mostel, Herschel Bernardi, LLoyd Gough e Joshua Shelley) s\u00e3o profissionais que estiveram na Lista Negra, e foram prejudicados pela ca\u00e7a \u00e0s bruxas que se instalou nos Estados Unidos do final dos anos 40 at\u00e9 meados dos 60. A trama conta a hist\u00f3ria de Howard Prince (Woody), um homem que trabalha como caixa num restaurante e vive de pequenos bicos (alguns il\u00edcitos). A vida de Howard come\u00e7a a mudar quando um amigo de inf\u00e2ncia, o escritor Alfred Miller (Michael Murphy), o procura pedindo um favor: Alfred est\u00e1 na Lista Negra e seus roteiros est\u00e3o sendo negados por programas de TV, ent\u00e3o ele prop\u00f5e que Howard apresente os roteiros como se fossem seus em troca de 10% de comiss\u00e3o. Howard inicia uma escalada na profiss\u00e3o, e, conforme recebe reconhecimento, busca outros roteiristas da Lista Negra para abastec\u00ea-lo de material. A curva do personagem de Woody mostra inicialmente um homem interessado apenas no dinheiro para, no final, se envolver com os dramas dos perseguidos pelo governo. O personagem mais emblem\u00e1tico, no entanto, \u00e9 Hecky Brown (Zero Mostel), ator idolatrado que \u00e9 humilhado ap\u00f3s aparecer na Lista Negra num drama real de final tr\u00e1gico. Um filme importante, ainda que mediano.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74075\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody14.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody14.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody14-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Annie Hall (1977)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Noivo Neur\u00f3tico, Noiva Nervosa<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nA primeira obra-prima de Woody abre a segunda fase de sua carreira com ele sozinho encarando a c\u00e2mera: &#8220;\u00c9 uma antiga piada: duas velhinhas em um hotel fazenda. Uma diz: &#8216;A comida aqui \u00e9 um horror&#8217;. A outra diz: &#8216;Eu sei, por\u00e7\u00f5es min\u00fasculas&#8217;. \u00c9 assim que eu vejo a vida: cheia de solid\u00e3o, mis\u00e9ria, sofrimento e tristeza, e acaba r\u00e1pido demais&#8221;. Com essa entrada c\u00f4mica, l\u00edrica e primorosa, o humorista Alvy Singer (Allen) conta que seu romance com Annie Hall (Diane Keaton) est\u00e1 caindo aos peda\u00e7os, e ele n\u00e3o sabe como isso aconteceu. O filme \u00e9 uma reconstru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do casal. Primeiro ponto importante: n\u00e3o h\u00e1 noivo nem noiva em \u201cAnnie Hall\u201d. Ao se conhecerem, Alvy est\u00e1 saindo do segundo casamento, e opta (por press\u00e3o de Annie) por um apartamento maior, para dividir com a namorada. O roteiro \u00e9 mais s\u00e9rio e adulto, n\u00e3o se rendendo \u00e0s piadas gratuitas dos primeiros filmes, ainda que \u201cAnnie Hall\u201d crave algumas das melhores cenas c\u00f4micas n\u00e3o s\u00f3 de Woody, mas de todos os tempos, e todas elas inseridas com genialidade na trama. S\u00f3 mesmo Woody para resgatar o pensador Marshall McLuhan (interpretando a si mesmo) para desmascarar um falastr\u00e3o numa fila de cinema. Paul Simon e Truman Capote tamb\u00e9m fazem pontas num filme que analisa com sublime olhar o relacionamento, do flerte \u00e0 paix\u00e3o, do casamento (no filme, simplificado por um &#8220;vamos morar juntos&#8221;) \u00e0 desilus\u00e3o rom\u00e2ntica amparada em Groucho Marx e Freud: &#8220;N\u00e3o quero ser s\u00f3cio de nenhum clube que aceite algu\u00e9m como eu de s\u00f3cio&#8221;. Indicado a cinco Oscars, \u201cAnnie Hall\u201d levou quatro pra casa (batendo \u201cStar Wars\u201d!): Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz (Diane Keaton) e Melhor Roteiro Original. \u201cAnnie Hall\u201d tamb\u00e9m marca a primeira colabora\u00e7\u00e3o de Woody com o diretor de fotografia Gordon Willis, que vinha de dois \u201cPoderoso Chef\u00e3o\u201d (1972 e 1974) e \u201cTodos os Homens do Presidente\u201d (1976). \u201cMinha maturidade em termos de cinema come\u00e7ou com minha parceria com Gordon Willis\u201d, disse Woody em 1993. Os dois v\u00e3o trabalhar juntos nos pr\u00f3ximos sete filmes do diretor. \u201cAnnie Hall\u201d custou US$ 4 milh\u00f5es e faturou US$ 38 mi&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74077\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody15.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody15.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody15-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Interiors (1978)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Interiores<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nOlhando com aten\u00e7\u00e3o, a guinada de Woody da com\u00e9dia pastel\u00e3o ao drama s\u00e9rio foi bastante suave, pois demorou nada menos que sete filmes pr\u00f3prios, saindo de \u201cUm Assaltante Bem Trapalh\u00e3o\u201d (1969) at\u00e9 chegar a este \u201cInteriores\u201d (1978). \u00c9 poss\u00edvel v\u00ea-lo amadurecendo aos poucos em cada filme, mas o p\u00fablico (e a cr\u00edtica) n\u00e3o entendeu muito bem quando ele surgiu com este drama bergmaniano, que envelheceu dignamente. Nas palavras do diretor, \u201cas pessoas ficaram bastante decepcionadas comigo porque rompi um acordo impl\u00edcito (de faz\u00ea-las rir com com\u00e9dias como as do come\u00e7o de minha carreira)\u201d. O motivo (exagerado) da decep\u00e7\u00e3o foi um filme tematicamente pesado que narra os dramas da fam\u00edlia de Arthur (EG Marshall) e Eve (Geraldine Page), e suas filhas Renata (Diane Keaton), Joey (Mary Beth Hurt) e Flyn (Kristin Griffith) sem nenhum refresco c\u00f4mico. Woody parece ter listado tudo que um filme dram\u00e1tico \u201cprecisa ter\u201d montando um quebra-cabe\u00e7as (e almas) com div\u00f3rcio, aborto, doen\u00e7a terminal, suic\u00eddio, tentativa de estupro e inveja, entre outras coisas. No centro, a fachada de uma fam\u00edlia desmoronando. Woody queria Ingrid Bergman para o papel de Eve (a m\u00e3e), mas ela estava filmando \u201cSonata de Outono\u201d, com Ingmar, e optou por Geraldine Page, excelente no papel (Ingrid e Geraldine foram indicadas ao Oscar de Melhor Atriz, perdendo a estatueta para Jane Fonda, por sua atua\u00e7\u00e3o em \u201cO Amargo Regresso\u201d). \u201cInteriores\u201d, no entanto, n\u00e3o \u00e9 perfeito (o retrato da fam\u00edlia pequeno burguesa soa, por vezes, caricato), mas \u00e9 um \u00f3timo filme. Custou US$ 10 milh\u00f5es. Faturou US$ 10.400 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74079\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody16.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody16.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody16-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Manhattan (1979)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Manhattan<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nSe fosse dado a Woody o direito de apagar de sua filmografia tr\u00eas filmes, \u201cManhattan\u201d seria o primeiro, e esse sentimento, tal qual uma depress\u00e3o p\u00f3s-parto, acometeu o diretor assim que o filme foi entregue (ele cogitou oferecer a United Artists um novo filme, sem nenhum custo para a produtora, caso eles arquivassem \u201cManhattan\u201d). Todo o drama do diretor em torno de outra de suas obras primas reside tanto no peso de um relacionamento entre um homem mais velho e uma garota menor de idade (algo que se voltaria contra ele no futuro) quanto no sugestionamento de um \u00e1pice criativo, ao qual ele ficaria amarrado por toda carreira (e ele foi o primeiro a perceber isso). \u00c9 consenso entre f\u00e3s e boa parte de cr\u00edticos que o auge da carreira de Woody acontece entre \u201cAnnie Hall\u201d (1977) e \u201cHannah e Suas Irm\u00e3s\u201d (1986), e o que um diretor pode fazer quando sabe que vai ter mais de 20 filmes pela frente (alguns deles, cl\u00e1ssicos) que sempre ser\u00e3o comparados com os da fase cl\u00e1ssica no velho clich\u00ea: \u201c\u00e9 um bom novo filme, mas n\u00e3o \u00e9 um \u2018Annie Hall\u2019&#8230;\u201d. Mesmo que se entenda o drama \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o admirar \u201cManhattan\u201d, que aprofunda a parceria de Woody com Gordon Willis, agora filmando em preto e branco (eles repetiram a experi\u00eancia em outros tr\u00eas longas) e dando um show de enquadramentos. A trama conta a hist\u00f3ria de Isaac (Woody), um roteirista de televis\u00e3o (de 42 anos) que namora Tracy, (a encantadora Mariel Hemingway) uma garota de 17 (\u201cEm algum lugar, Nabukov sorri\u201d, comenta uma personagem em certo momento), e tem que lidar com a ex-mulher (Meryl Streep, absolutamente sensacional), que o trocou por outra mulher e est\u00e1 escrevendo um livro sobre sua vida ao lado do ex-marido, e com a paix\u00e3o por Mary (Diane Keaton), uma jornalista metida a intelectual (redund\u00e2ncia?) atolada em crises existenciais e que se envolve com um homem casado (Yale, o melhor amigo de Isaac). Ao fundo, a trilha sonora embalada por can\u00e7\u00f5es de George Gershwin e a cidade de Nova York no final dos anos 70, po\u00e9tica e decadente (e apaixonante), molduram o retrato de um homem perdido, mas querendo acreditar nas pessoas (a cena final \u00e9 de partir o cora\u00e7\u00e3o). Custou US$ 9 mi, faturou US$ 39 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74080\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody17.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody17.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody17-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Stardust Memories (1980)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Mem\u00f3rias<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nAmadurecer cinematograficamente diante do p\u00fablico n\u00e3o foi nada f\u00e1cil para Woody, e, mesmo com dois &#8220;sucessos&#8221; recentes (\u201cAnnie Hall\u201d e \u201cManhattan\u201d), a recep\u00e7\u00e3o fria de \u201cInteriores\u201d e a cobran\u00e7a da cr\u00edtica por filmes mais humor\u00edsticos o incomodavam: \u201cUm cr\u00edtico disse que \u2018Interiores\u2019 foi um ato de m\u00e1 f\u00e9, o que achei exagerado. Tentei fazer um filme espec\u00edfico e se n\u00e3o funcionou, n\u00e3o funcionou. Mas n\u00e3o foi um ato de m\u00e1 f\u00e9\u201d, ele comentou. O resultado \u00e9 \u201cMem\u00f3rias\u201d, sua tentativa em atualizar e homenagear \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Oito e Meio<\/a>\u201d (1962), de Fellini. A hist\u00f3ria come\u00e7a com a cena final do novo filme do diretor Sandy Bates (Woody), que o mostra trancafiado num vag\u00e3o de trem repleto de pessoas entediadas enquanto num trem paralelo, uma festa acontece (Sharon Stone, aos 22 anos, manda um beijo). Na sequ\u00eancia, Sandy \u00e9 homenageado num festival de cinema em que ele responde a perguntas do p\u00fablico e precisa lidar com f\u00e3s, bajuladores, atores, roteiristas e amante enquanto relembra momentos da inf\u00e2ncia (de modo felliniano). Muito criticado e pouco rent\u00e1vel (custou US$ 10 mi e arrecadou US$ 10.300 mi), \u201cMem\u00f3rias\u201d foi o filme favorito do cineasta durante muito tempo, ainda que Woody seja categ\u00f3rico em dizer que o filme n\u00e3o \u00e9 sobre ele. Bobagem. \u00c9 imposs\u00edvel dissociar sua hist\u00f3ria da trama, principalmente em cenas (sensacionais) como a dos extraterrestres que pedem a Sandy que esque\u00e7a os dramas: \u201cQuer fazer um servi\u00e7o \u00e0 humanidade? Conte piadas mais engra\u00e7adas\u201d. Grande parte do p\u00fablico n\u00e3o entendeu \u201cMem\u00f3rias&#8221; (o que torna ainda mais genial o di\u00e1logo de um casal de velhinhos ap\u00f3s a exibi\u00e7\u00e3o do filme mais recente de Sandy: \u201c\u00c9 muito chato, n\u00e3o \u00e9?\u201d, ela diz. \u201c\u00c9! Com isso ele ganha a vida?\u201d), que exibe uma bela fotografia P&amp;B de Gordon Willis, boas atua\u00e7\u00f5es de Charlotte Rampling e Marie-Christine Barrault al\u00e9m da \u201cencena\u00e7\u00e3o\u201d do assassinato de John Lennon, dois meses antes (no filme, o diretor Sandy Bates \u00e9 baleado por um f\u00e3). Um filme excelente.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74081\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody18.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody18.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody18-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: A Midsummer Night&#8217;s Sex Comedy (1982)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Sonhos Er\u00f3ticos de Uma Noite de Ver\u00e3o<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nEm 1981, Woody decidiu se juntar a alguns executivos que haviam deixado a United Artists (respons\u00e1vel por todos os seus filmes entre 1971 e 1980) para formar a Orion Pictures, e a troca da companhia atrasou seu pr\u00f3ximo filme, sendo este o pen\u00faltimo ano antes da virada do mil\u00eanio que ele deixou passar em branco, sem um filme novo. Sua estreia na Orion deveria ser com \u201cZelig\u201d, que atrasou por problemas t\u00e9cnicos e s\u00f3 seria finalizado em 1983, e para atender aos pedidos da chefia da nova companhia, que queria material novo, Woody escreveu em duas semanas esta com\u00e9dia descompromissada inspirada num grande sucesso de Ingmar Bergman (\u201cSorrisos de Uma Noite de Amor\u201d, de 1955) e numa pe\u00e7a cl\u00e1ssica de Shakespeare (\u201cSonho de uma Noite de Ver\u00e3o\u201d, de 1590) sobre um professor e fil\u00f3sofo que vai passar o fim de semana com a noiva (Mia Farrow na primeira de 13 colabora\u00e7\u00f5es suas com Woody) no s\u00edtio de um inventor e sua esposa, que tamb\u00e9m recebem um m\u00e9dico e sua amante, o que rende uma atrapalhada troca de casais. Primeiro dos filmes notadamente bobinhos de Woody (estilo que ele ir\u00e1 retomar nos anos 2000 com \u201cO Escorpi\u00e3o de Jade\u201d, de 2002; \u201cScoop\u201d, de 2006; e \u201cMagia ao Luar\u201d, de 2014), \u201cSonhos Er\u00f3ticos\u201d tamb\u00e9m foi o primeiro grande fracasso do diretor nas bilheterias. N\u00e3o bastasse, o filme rendeu a Woody sua \u00fanica men\u00e7\u00e3o (at\u00e9 hoje) no Framboesa de Ouro com a indica\u00e7\u00e3o de Mia Farrow na categoria de Pior Atriz (num papel que havia sido escrito para Diane Keaton, mas ela j\u00e1 estava comprometida com outros dois filmes). Vale como Sess\u00e3o da Tarde.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74082\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody19.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody19.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody19-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Zelig (1983)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Zelig<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nWoody acelerou a produ\u00e7\u00e3o de \u201cSonhos\u201d (que perdeu impacto) enquanto acertava detalhes de \u201cZelig\u201d, seu terceiro (e melhor) mockument\u00e1rio, que conta a hist\u00f3ria de um homem dos anos 1920, Leonard Zelig (Woody), que se transformava em outra pessoa de acordo com o grupo em que estava, tal qual um camale\u00e3o, buscando aceita\u00e7\u00e3o. Desta forma, \u201cconta\u201d F. Scott Fitzgerald, \u201cse estava entre rica\u00e7os, ele se portava como um rica\u00e7o; se estava entre a criadagem, se portava como uma pessoa mais simples\u201d. Para tentar simular filmes antigos, Woody, Gordon e o colaborador de longa data Santo Loquasto (figurino) usaram lentes, c\u00e2meras, equipamentos de som e roupas dos anos 20. Gordon chegou a pisotear negativos expostos no chuveiro para conseguir um efeito \u201cantigo\u201d, o que acabou lhe rendendo sua primeira indica\u00e7\u00e3o ao Oscar (Loquasto tamb\u00e9m foi indicado) num filme em que Woody assina um roteiro genial e inspirado, que empresa passagens de \u201cUm Assaltante Bem Trapalh\u00e3o\u201d (1969), mas se mostra mais bem resolvido e delicadamente mais profundo ao discutir fama e m\u00eddia \u2013 a passagem de Zelig por Berlim \u00e9 magistral. Susan Sontag e Saul Bellow participam do filme, que recebeu um excelente p\u00fablico: segundo a atualiza\u00e7\u00e3o de renda do Box Office Mojo, \u201cZelig\u201d \u00e9 a 13\u00ba melhor bilheteria de Woody nos EUA, ficando a frente de grandes sucessos dos anos 2000 como \u201cMatch Point\u201d (2005) e \u201cVicky Cristina Barcelona\u201d (2008) \u2013 dois filmes que tiveram uma carreira excelente no mercado exterior. Das obras primas do cineasta.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74083\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody20.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody20.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody20-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Broadway Danny Rose (1984)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Broadway Danny Rose<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nO come\u00e7o dos anos 80 foi t\u00e3o complicado para Woody que ele chegou a produzir tr\u00eas filmes ao mesmo tempo: \u201cSonho Er\u00f3ticos\u201d, \u201cZelig\u201d e \u201cBroadway Danny Rose\u201d, e algumas vezes Mia Farrow trabalhou nos tr\u00eas filmes no mesmo dia. Felizmente, \u201cBroadway Danny Rose\u201d n\u00e3o saiu prejudicado (como \u201cSonhos\u201d, que foi o primeiro a chegar aos cinemas) resultando em um dos melhores filmes do segundo escal\u00e3o da obra do cineasta, que \u00e9 interessante n\u00e3o s\u00f3 por soar como um distanciamento da influ\u00eancia europeia que havia marcado os filmes anteriores (ainda que a fotografia P&amp;B, quarta em sete colabora\u00e7\u00f5es com Gordon Willis, fosse inspirada nos filmes italianos dos anos 50), mas por partir de um vi\u00e9s c\u00f4mico para alcan\u00e7ar um resultado delicado. A trama come\u00e7a na mesa do lend\u00e1rio Carnegie Deli, onde humoristas relembram velhas hist\u00f3rias, dentre elas uma que envolve Danny Rose (Woody), um agente de talentos ing\u00eanuo, mas ador\u00e1vel, que batalhava por seus contratados (a maioria sem talento). A coisa toda parece que vai melhorar quanto um contratado seu, o cantor decante Lou Canova (Nick Apollo Forte), parece ter uma nova chance at\u00e9 entrar em cena a m\u00e1fia italiana de Nova Jersey e um mulher\u00e3o, Tina Vitale \u2013 Mia Farrow, e ela brilha em seu primeiro grande papel num filme de Woody (eles v\u00e3o fazer outros 10 juntos), que foi indicado ao Oscar por Roteiro Original e Dire\u00e7\u00e3o, e teve um lucrinho: custou US$ 8 mi e faturou US$ 10.600 mi. Um filme menor, mas ador\u00e1vel.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74085\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody21.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody21.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody21-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: The Purple Rose of Cairo (1985)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: A Rosa P\u00farpura do Cairo<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nNo \u00faltimo filme com Gordon Willis comandando a fotografia, Woody retorna aos anos 1930 flagrando uma Am\u00e9rica p\u00f3s-Grande Depress\u00e3o para contar a hist\u00f3ria de Cec\u00edlia (Mia Farrow), uma mulher sonhadora que vive uma vida triste com um marido canalha. Seu passatempo \u00e9 o cinema, e ap\u00f3s brigar mais uma vez com o marido Monk (Danny Aiello), ela se enfurna numa sala para assistir ao filme \u201cA Rosa P\u00farpura do Cairo\u201d, e chama a aten\u00e7\u00e3o de um personagem que, ao observar que ela est\u00e1 assistindo ao filme pela quinta vez, desce da tela e declara seu amor. Encantada, Cec\u00edlia se v\u00ea dividida entre a fic\u00e7\u00e3o (o personagem que deixou a tela) e a realidade (o ator real que interpreta o personagem, que tamb\u00e9m se apaixona por ela) e tem que escolher com quem ficar. A trama remete a Pirandello (em \u201cSeis Personagens \u00e0 Procura de um Autor\u201d, de 1921, seis personagens chegam para ensaiar querendo fazer parte da hist\u00f3ria sem que o autor se lembre de t\u00ea-los escrito) e explora com delicado olhar o universo cativante do cinema, onde tudo \u00e9 poss\u00edvel e perfeito, mas \u00e9 bem diferente da vida real. \u00c9 um dos filmes favoritos de Woody at\u00e9 hoje, que ao explicar o final de \u201cA Rosa P\u00farpura do Cairo\u201d (contr\u00e1rio ao que desejavam os produtores) cravou a famosa frase: \u201cMinha vis\u00e3o da realidade \u00e9 que ela sempre foi um lugar triste para estar, mas \u00e9 o \u00fanico lugar onde voc\u00ea consegue comida chinesa\u201d. Lucrou os US$ 10 milh\u00f5es tradicionais de Woody, mas est\u00e1 entre seus melhores filmes. \u00b4<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74181\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_hanna.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_hanna.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_hanna-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Hannah and Her Sisters (1986)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Hannah e Suas Irm\u00e3s<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nAqui se inicia a terceira fase da carreira de Woody, marcada pelo fim da parceria com Gordon Willis (\u201cEle estava fazendo outro filme e n\u00e3o pude esperar\u201d, explica Woody) e a chegada do fot\u00f3grafo italiano Carlo Di Palma, parceiro de Antonioni em dois filma\u00e7os: \u201cDeserto Vermelho\u201d (1964) e \u201cBlow-up\u201d (1966). Juntos, Allen e Di Palma v\u00e3o fazer 12 filmes, e o come\u00e7o n\u00e3o poderia ter sido melhor. A estrutura do roteiro junta \u201cFanny &amp; Alexander\u201d (1982), de Ingmar Bergman, com \u201cRocco e Seus Irm\u00e3os\u201d (1960), de Luchino Visconti: do primeiro veio a inspira\u00e7\u00e3o para a divis\u00e3o da hist\u00f3ria em tr\u00eas grandes blocos (simbolizados aqui pelo Dia de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as) que resumem os personagens at\u00e9 aquele momento; do segundo, o arco narrativo dividido em se\u00e7\u00f5es para cada irm\u00e3 (e Mickey, personagem de Woody, que come\u00e7a fora da trama, mas logo \u00e9 envolvido). A rigor, \u201cHannah\u201d \u00e9 uma vers\u00e3o Woody Allen do bergmaniano \u201cInteriores\u201d, ou seja, mais leve e um tiquinho c\u00f4mico, mas n\u00e3o menos dram\u00e1tico. O estereotipo das tr\u00eas irm\u00e3s em \u201cInteriores\u201d \u00e9, por vezes, exagerado, enquanto aqui soa natural, ainda que sejam praticamente as mesmas personagens. O que mudou foi Woody, que alcan\u00e7ou o \u00e1pice como roteirista (f\u00e3s, na \u00e9poca, fizeram lobby para que o roteiro fosse indicado ao Pulitzer) num filme provocativo (a Igreja n\u00e3o deve ter ficado muito feliz com algumas piadas) que mostra na pr\u00e1tica como o cinema (mais propriamente \u201cDiabo a Quatro\u201d, filme de 1933 dos Irm\u00e3os Marx) pode salvar vidas. Com sete indica\u00e7\u00f5es ao Oscar, levou pra casa tr\u00eas: Roteiro Original, Ator Coadjuvante (Michael Caine, estupendo) e Atriz Coadjuvante (Dianne Wiest, maravilhosa, mas ela ainda se sair\u00e1 melhor em um filme futuro de Woody) e faturou uma bolada (no padr\u00e3o Woody): custou US$ 6.400 mi e arrecadou US$ 59 mi, sendo at\u00e9 \u201cMeia Noite em Paris\u201d (2011) o filme mais lucrativo do diretor. Ainda assim, Woody (que queria um final tr\u00e1gico, mas cedeu aos pedidos dos produtores) n\u00e3o ficou satisfeito: \u201c\u00c9, como \u2018Manhattan\u2019, um filme que sinto que errei muito feio, e que as pessoas nem ligaram (para os erros)\u201d. Bobagem: \u00e9 outra obra prima do diretor &#8211; para ver um vez ao ano.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74183\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wa.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wa.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wa-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Meetin&#8217; WA (1986)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: N\u00e3o foi lan\u00e7ado no Brasil<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nLogo ap\u00f3s finalizar \u201cHannah E Suas Irm\u00e3s\u201d, Woody Allen se envolveu em dois projetos com o cineasta <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jean-Luc Godard<\/a>: o primeiro, \u201cRei Lear\u201d, acabou atrasando (devido a um bloqueio criativo do franc\u00eas) e sendo lan\u00e7ado apenas no ano seguinte. No meio do processo, por\u00e9m, surgiu a ideia de fazer um curta-metragem sobre o pr\u00f3prio Woody para ser apresentado na tradicional confer\u00eancia de imprensa com o diretor ap\u00f3s a estreia de \u201cHannah e Suas Irm\u00e3s\u201d em Cannes (j\u00e1 que Woody n\u00e3o iria ao festival). Desta forma, \u201cMeetin\u2019 WA\u201d \u00e9 uma entrevista com Woody Allen conduzida (e tolamente editada) por Godard, que manipula imagens, sobrep\u00f5e fotos e \u00e9 um rep\u00f3rter fraco, mas consegue tirar de Woody algumas opini\u00f5es interessantes e exteriorizar suas diferen\u00e7as. Woody acredita que o momento m\u00e1gico do cinema \u00e9 a ideia, e que depois (com roteiro, escala\u00e7\u00e3o de atores, filmagem, edi\u00e7\u00e3o, mixagem) a obra vai perdendo for\u00e7a a ponto de, no final, ter sobrado um mero rascunho daquela brilhante ideia original. Godard opina: \u201cAinda h\u00e1 salva\u00e7\u00e3o na sala de edi\u00e7\u00e3o\u201d, mas para Woody o filme j\u00e1 est\u00e1 condenado, \u201ce nunca mais vou rev\u00ea-lo porque vou me decepcionar\u201d. Em outro trecho, Woody explica a inspira\u00e7\u00e3o dos intert\u00edtulos (liter\u00e1rios) em \u201cHannah\u201d, fala sobre as diferen\u00e7as da fotografia de Gordon Willis e Carlo Di Palma, e ambos reclamam do poder da TV: \u201c\u00c9 um crime para mim algu\u00e9m assistir \u2018Cidad\u00e3o Kane, \u20182001\u2019 ou \u2018Diabo a Quatro\u2019 pela primeira vez na televis\u00e3o\u201d, desabafa Woody em um bate papo repleto de momentos interessantes. <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2015\/05\/05\/jean-luc-godard-entrevista-woody-alen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assista<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74185\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_king.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_king.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_king-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: King Lear (1987)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Rei Lear<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nPara encerrar sua trilogia de personagens m\u00edticos \u2013 ap\u00f3s \u201cCarmen\u201d (de 1983, que abordava o terrorismo inspirado em Bizet) e \u201cJe Vous Salue Marie\u201d (de 1985, que questionava a f\u00e9 crist\u00e3 com foco em Maria e na B\u00edblia), Jean-Luc Godard escolheu Shakespeare. Iniciada em 1985, a produ\u00e7\u00e3o se arrastou at\u00e9 o fim de 1987. N\u00e3o \u00e0 toa, os primeiros di\u00e1logos da obra s\u00e3o do produtor cobrando o diretor: \u201cAs pessoas n\u00e3o acreditam que esse filme ser\u00e1 feito\u201d. No corte surge Norman Mailer, que deveria assinar o roteiro e participar da trama, mas desistiu quando Godard insinuou que seu personagem iria praticar incesto com a pr\u00f3pria filha (Kate Mailer). O filme dentro de um filme dentro de outro filme segue com William Shakespeare Jr. V (Peter Sellars), que explica: ap\u00f3s o desastre nuclear de Chernobyl, todo tipo de arte existente foi destru\u00eddo e sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 recriar as obras do ente famoso. William ent\u00e3o se envolve com os personagens da pe\u00e7a que est\u00e1 reescrevendo, Cordelia (Molly Ringwald logo ap\u00f3s \u201cClube dos Cinco\u201d e \u201cA Garota de Rosa Shocking\u201d) e seu pai, o mafioso Don Learo (Burgess Meredith). Ainda v\u00e3o surgir em cena Julie Delpy (com meros 16 anos) e o pr\u00f3prio Godard como o Professor Pluggy (um \u201cg\u00eanio\u201d maluco) numa trama que questiona a arte de forma niilista sem muita f\u00e9 no subproduto (feito nas costas) que ir\u00e1 resultar \u201cdo filme\u201d. Quem dever\u00e1 juntar as pe\u00e7as insanas desta loucura p\u00f3s-apocal\u00edptica na sala de edi\u00e7\u00e3o e salvar o cinema? Sim, ele mesmo, Mr. Alien (Woody) \u2013 citando \u201cMeetin\u2019 WA\u201d ao inverso. H\u00e1 consenso que \u201cKing Lear\u201d \u00e9 um dos filmes mais fracos de Godard (o texto de Robert Koehler no Los Angeles Times, em 1988, <a href=\"https:\/\/www.latimes.com\/archives\/la-xpm-1988-03-13-ca-1535-story.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00e9 imperd\u00edvel<\/a>), mas h\u00e1 cr\u00edticos, como Richard Brody, da New Yorker (autor do livro \u201cEverything is Cinema: The Working Life of Jean-Luc Godard\u201d, 2008), que o acham \u201co melhor filme de todos os tempos\u201d (ele colocou \u201cKing Lear\u201d no n\u00famero 1 em sua vota\u00e7\u00e3o na <a href=\"https:\/\/www.bfi.org.uk\/sight-and-sound\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sight &amp; Sound<\/a>, de 2012). Na d\u00favida, assista (e tente imaginar se estilha\u00e7os desta experi\u00eancia ir\u00e3o afetar os pr\u00f3ximos filmes de Woody).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74186\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_radio.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_radio.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_radio-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Radio Days (1987)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: A Era do R\u00e1dio<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e narra<\/em><br \/>\nSe \u201cMem\u00f3rias\u201d \u00e9 a homenagem de Woody Allen a \u201cOito e Meio\u201d (1962), \u201cA Era do R\u00e1dio\u201d \u00e9 a vers\u00e3o Nova York de \u201cAmarcord\u201d (1973). Ou melhor, a vers\u00e3o conto de fadas do Brooklyn, um bairro decadente que, na virada dos anos 30 para os 40, era habitado por judeus pobres. A trama surgiu para Woody de forma bastante particular: \u201cEu estava preparando uma colet\u00e2nea de m\u00fasicas que significavam algo pra mim e essa ideia evoluiu para o qu\u00e3o significativo o r\u00e1dio havia sido na minha inf\u00e2ncia\u201d, comentou. O roteiro \u00e9 armado em esquetes que contam hist\u00f3rias da \u00e9poca (muitas delas, reais) e a trama \u00e9 narrada por Joe (Woody), que apresenta sua fam\u00edlia e fala de sua fixa\u00e7\u00e3o pelo Vingador Mascarado. Na tela, o \u201cWoody mirim\u201d \u00e9 interpretado por Seth Green, um garoto que observa a obsess\u00e3o de uma tia solteirona procurando marido (Dianne Wiest), um tio que todo santo dia traz peixe pra casa (Josh Mostel), um pai que ele n\u00e3o sabe a profiss\u00e3o (Michael Tucker) e uma m\u00e3e realista (Julie Kavner). H\u00e1 ainda o vizinho comunista (Larry David), a vendedora de cigarros que sonha ser cantora (Mia Farrow) e muito mais num filme encantador que conta com participa\u00e7\u00f5es de Diane Keaton e da brasileira Denise Dumont, emulando Carmen Miranda. A trilha sonora \u00e9 impec\u00e1vel e, entre os fatos reais, vale citar o epis\u00f3dio da \u201cGuerra dos Mundos\u201d, de Orson Welles, e do jogador de beisebol Kirby Kyle (inspirada montypythoniamente em Monty Stratton). Ficou elas por elas na bilheteria (custou US$ 16 mi e faturou US$ 15), mas vale muito ir atr\u00e1s.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74187\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_setembro.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_setembro.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_setembro-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Setembro (1987)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Setembro<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nSegundo filme de Woody em 1987 (\u201cA Era do R\u00e1dio\u201d saiu em janeiro e \u201cSetembro\u201d foi lan\u00e7ado em dezembro), o maior fracasso de toda a carreira do cineasta (custou US$ 10 milh\u00f5es e faturou US$ 500 mil) \u00e9 praticamente uma pe\u00e7a de teatro filmada, com Carlo Di Palma fotografando longas tomadas sem interrup\u00e7\u00e3o em um cen\u00e1rio reduzido: uma casa no campo (Woody queria filmar na casa campestre de Mia Farrow, mas desistiu e acabou construindo um cen\u00e1rio em Nova York) com apenas seis personagens, o que acabou facilitando a paranoia de Allen: segundo Mia em sua autobiografia, \u201cWoody filmou duas ou tr\u00eas vers\u00f5es de cada cena, levou todo o material para a sala de edi\u00e7\u00e3o, montou o filme e resolveu que odiava. Reescreveu o roteiro, demitiu e escalou de novo todos os papeis principais e refilmou a coisa toda\u201d. A \u201cextravagancia\u201d (que, se poss\u00edvel, Woody j\u00e1 teria cometido antes: lembre-se que ele queria arquivar \u201cManhattan\u201d) dobrou os custos de produ\u00e7\u00e3o (e, se pudesse, ele teria filmado uma terceira vez), mas n\u00e3o salvou o roteiro, que apresenta os personagens de forma convincente, mas escorrega para um dramalh\u00e3o \u00f3bvio na segunda metade (fulano \u201cama\u201d cicrana que est\u00e1 a fim de beltrano que se apaixonou por Dianne Wiest, que \u00e9 linda, casada e tem dois filhos), com homens e mulheres separados agindo como adolescentes em f\u00e9rias de ver\u00e3o. Isso sem contar a sensa\u00e7\u00e3o de que Woody est\u00e1 repetindo personagens e dramas de \u201cInteriores\u201d e \u201cHannah\u201d: a m\u00e3e \u201cproblem\u00e1tica\u201d, a filha que n\u00e3o consegue descobrir seu dom&#8230; Ainda hoje \u00e9 um filme problem\u00e1tico.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74188\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_aoutra.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_aoutra.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_aoutra-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Another Woman (1988)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: A Outra<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nDe todos os dramas bergmanianos de Woody, \u201cA Outra\u201d \u00e9 que o mais se aproxima do sueco, n\u00e3o apenas por ter o estiloso Sven Nykvist (colaborador regular de Bergman) assinando a fotografia, mas por Woody recriar diversas cenas do cl\u00e1ssico \u201cMorangos Silvestres\u201d (1957). Essa \u201chomenagem\u201d \u00e9 percebida j\u00e1 na abertura, em que Marion (Gena Rowlands), uma professora universit\u00e1ria em licen\u00e7a sab\u00e1tica para escrever um livro, apresenta (em off) sua fam\u00edlia atrav\u00e9s de porta-retratos, tal qual faz o professor Isak, em \u201cMorangos Silvestres\u201d. Assim como Isak, Marion descobrir\u00e1 que sua fam\u00edlia (no caso, o irm\u00e3o) a odeia, e que viveu uma vida t\u00e3o racional que se privou de emo\u00e7\u00f5es. A descoberta \u00e9 feita atrav\u00e9s de uma viagem metaf\u00f3rica (enquanto a de Isak, que viaja para receber um pr\u00eamio, \u00e9 literal) movida por sonhos (momento em que Sven, de forma soberba, alcan\u00e7a a melhor fotografia da carreira de Woody at\u00e9 aqui), encontros ao acaso, lembran\u00e7as e pela conversa de uma paciente, Hope (Mia Farrow) com seu psicanalista, que Marion acaba ouvindo atrav\u00e9s do sistema de ventila\u00e7\u00e3o, e se reconhecendo no desespero daquela outra mulher. Discutindo o vazio da culta classe m\u00e9dia alta de Nova York (que havia inspirado \u201cInteriores\u201d e \u201cHannah\u201d), Woody alcan\u00e7a seu melhor resultado dram\u00e1tico num filme que termina de modo esperan\u00e7oso. O p\u00fablico n\u00e3o se rendeu (o custo estimado foi de US$ 10 milh\u00f5es e o filme arrecadou menos de US$ 2 milh\u00f5es), mas se h\u00e1 um filme de Woody que mere\u00e7a uma segunda chance \u00e9 \u201cA Outra\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74189\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_contos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_contos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_contos-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: New York Stories \u2013 Oedipus Wreck (1989)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Contos de Nova York \u2013 \u00c9dipo Arrasado<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nApaixonado pelo cinema italiano, era natural que em algum momento Woody quisesse fazer um \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">L\u2019Amore in Citt\u00e0<\/a>\u201d (1953) vers\u00e3o Nova York. A primeira ideia, no entanto, era reunir Fellini e Bergman filmando hist\u00f3rias sobre suas cidades enquanto ele contaria a de Nova York, mas o projeto soou arriscado (tr\u00eas idiomas diferentes). O filme ficou ent\u00e3o centrado na Big Apple e Scorsese aceitou de pronto (sua hist\u00f3ria, \u201cLi\u00e7\u00f5es de Vida\u201d, traz um Nick Nolte canastr\u00e3o e uma Rosanna Arquette lolita \u2013 em inacredit\u00e1veis 30 anos \u2013 sob uma trama obsessiva e de trilha brega) enquanto Spilberg cogitou, e desistiu, abrindo espa\u00e7o para Francis Coppola (que deixou a filha Sofia, ent\u00e3o com 18 anos, auxili\u00e1-lo no roteiro de \u201cA Vida Sem Zoe\u201d, que soa a inf\u00e2ncia em fam\u00edlia vers\u00e3o conto de fadas). Woody comparece com \u201c\u00c9dipo Arrasado\u201d, hist\u00f3ria de um advogado, Sheldon (Woody), que tem s\u00e9rios problemas com a m\u00e3e judia excessivamente cr\u00edtica. Ele se v\u00ea oprimido pela m\u00e3e, que n\u00e3o aprova seu relacionamento com uma mulher casada, protestante e com tr\u00eas filhos (Mia). Em uma das melhores cenas, a m\u00e3e participa de um truque de m\u00e1gica entrando numa caixa enquanto o m\u00e1gico, para satisfa\u00e7\u00e3o de Sheldon, atravessa diversas espadas. Por\u00e9m, ao abrir a caixa, a m\u00e3e desaparece, e reaparece dias depois no c\u00e9u de Nova York, constrangendo o filho ainda mais. Woody estica a piada mais do que o necess\u00e1rio, e parece n\u00e3o ter encontrado um final perfeito, optando por um desfecho dispens\u00e1vel. Ainda assim \u00e9 o melhor dos tr\u00eas curtas.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74190\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pcecados.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pcecados.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pcecados-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Crimes and Misdemeanors (1989)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Crimes e Pecados<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nPrimeira das obras s\u00e9rias irretoc\u00e1veis do diretor, em \u201cCrimes e Pecados\u201d Woody acerta tudo o que errou em \u201cInteriores\u201d, \u201cSetembro\u201d e \u201cA Outra\u201d \u2013 Sven continua comandando a c\u00e2mera. A grande sacada \u00e9 a divis\u00e3o do roteiro em duas hist\u00f3rias paralelas (uma dram\u00e1tica, a outra c\u00f4mica): na primeira, um oftalmologista respeitado e moralmente correto (Alan Alda, indicado ao Oscar pelo papel) vive um dilema com a amante, que amea\u00e7a acabar com seu casamento; na segunda, um documentarista idealista (Woody Allen) \u00e9 escalado para filmar o perfil de um produtor de TV que ele abomina. Se a primeira hist\u00f3ria \u00e9 repleta de quest\u00f5es filos\u00f3ficas (muito interessantes), a segunda aposta na leveza, com \u00f3timas piadas. O caminho de cada uma \u00e9, no entanto, perversamente inverso: no lado dram\u00e1tico, Judah (Alan) opta por tomar uma decis\u00e3o abomin\u00e1vel, mas, ap\u00f3s ser quase derrotado pela culpa, aprende a viver com o pecado, e segue sua vida de grandes conquistas; do lado c\u00f4mico, Cliff (Woody) v\u00ea sua vida desmoronar. Ele se separa da esposa, perde sua grande paix\u00e3o para quem ele mais despreza e \u00e9 demitido do filme que estava dirigindo. Como trag\u00e9dia pouca \u00e9 bobagem, seu biografado comete suic\u00eddio. Mordaz e excelente, \u201cCrimes e Pecados\u201d foi indicado a tr\u00eas Oscars (al\u00e9m de Alan Alda, Woody foi nomeado nas categorias Melhor Diretor e Roteiro Original) e ficou no zero a zero nas bilheterias: faturou os US$ 19 milh\u00f5es que custou. Woody ir\u00e1 revisitar alguns temas deste excelente filme (alcan\u00e7ando um resultado ainda melhor) no sensacional \u201cMatch Point\u201d (2005).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74191\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_alice.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_alice.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_alice-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Alice (1990)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Simplesmente Alice<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nAp\u00f3s ter feito um de seus melhores filmes no ano anterior, Woody parte para uma com\u00e9dia de costumes aparentemente leve, mas repleta de significados, inspirada em \u201cJulieta dos Esp\u00edritos\u201d (1965), de Fellini. Se a vers\u00e3o do mestre italiano mostra Julieta (Giulietta Masina) vivendo uma vida vazia ao lado de um marido machista e mulherengo e assombrada por esp\u00edritos, que ir\u00e3o faz\u00ea-la enlouquecer, a vers\u00e3o de Woody traz Alice (Mia Farrow) vivendo uma vida vazia ao lado de um marido machista e mulherengo, mas aqui os esp\u00edritos est\u00e3o do seu lado. Se a vers\u00e3o sombria de Fellini n\u00e3o permitiu que sua Julieta consumasse seus desejos, Woody se sai melhor, e a balan\u00e7a final tende mais ao norte-americano do que ao italiano. Na trama de Woody, Mia interpreta uma rica\u00e7a que gasta fortunas em itens f\u00fateis enquanto vive um casamento sem amor com o marido (William Hurt). Ela acaba se apaixonando por um saxofonista no mesmo momento em que come\u00e7a a se consultar com um m\u00e9dico especializado em po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas. A premissa interessante se justifica no final, mas n\u00e3o causa empatia. A trama se arrasta, e o filme acaba sofrendo do mal que tenta combater: a superficialidade. Woody crava ao menos duas boas piadas na trama (a dos taxistas de Nova York voc\u00ea s\u00f3 vai entender assistindo ao filme), mas, ainda que descompromissada, \u201cAlice\u201d est\u00e1 condenada a ficar no terceiro escal\u00e3o de obras do cineasta nova-iorquino. O roteiro foi indicado ao Oscar (sinta-se indicado por tabela, Fellini), mas o filme fracassou nas bilheterias, custando US$ 12 mi e arrecadando US$ 7 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74192\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cenas.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cenas.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cenas-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Scenes From a Mall (1991)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Cenas em Um Shopping<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nUma trama \u00f3bvia e abarrotada de clich\u00eas marca essa com\u00e9dia familiar estrelada por Woody (interpretando um personagem totalmente o seu inverso) e Bette Midler, \u00f3timos em cena, mas n\u00e3o a ponto de salvar uma produ\u00e7\u00e3o mediana dirigida por Paul Mazursky. O ponto de partida: um casal despacha os filhos pruma viagem e, sozinhos, decidem aproveitar o anivers\u00e1rio de 16 anos de casamento num grande shopping center de Beverly Hills. \u00c9 per\u00edodo natalino, o shopping est\u00e1 lotado, mas ainda assim o marido decide confessar, no meio da pra\u00e7a de alimenta\u00e7\u00e3o abarrotada, que traiu a esposa por sete meses&#8230; \u201cmas terminei ontem, \u00e0s 16h30\u201d. Come\u00e7a a confus\u00e3o e, sim, o marido ter\u00e1 o troco na mesma moeda. Enquanto est\u00e3o conversando, brigando, se espetando ou se provocando, Woody e Bette conseguem distrair o espectador, mas os v\u00e1cuos entre as piadas deixam uma enorme sensa\u00e7\u00e3o de t\u00e9dio, quebrada, entre bocejos, por uma boa gag aqui, outra acol\u00e1. Cr\u00edticas sutis \u00e0 classe m\u00e9dia, que funcionam como se um elefante entrasse numa loja de cristais, superlotam as entrelinhas, sem conseguir destaque. Nem tudo \u00e9 perda de tempo, por\u00e9m: a piada com o flagra do come\u00e7o da hiper conectividade (telefones em carros), a gag com o personagem de Woody criticando Nova York e louvando Los Angeles, e o sexo do casal no meio da sess\u00e3o de um filme filipino inspirando outro casal a enfrentar a mesma sess\u00e3o est\u00e3o entre os raros momentos interessantes deste fraco \u201cCenas Em Um Shopping\u201d. Ironia: custou US$ 3 milh\u00f5es, faturou US$ 9 milh\u00f5es&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74193\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_neblina.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_neblina.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_neblina-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Shadows and Fog (1992)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Neblina e Sombras<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nNo primeiro filme dos dois que Woody ir\u00e1 dirigir no prov\u00e1vel ano mais conturbado de sua vida, que marca seu traum\u00e1tico rompimento com Mia Farrow (fato que ir\u00e1 se desencadear durante a produ\u00e7\u00e3o do filme seguinte), o diretor desperdi\u00e7a um elenco estelar numa trama que soa um pastiche do cinema expressionista alem\u00e3o dos anos 20. Uma das poucas coisas que se salva aqui \u00e9 o estupendo trabalho fotogr\u00e1fico de Carlo di Palma. De resto, Kathy Bates, John Cusack, Mia Farrow, Jodie Foster, Madonna, John Malkovich e muitos outros atores flutuam numa trama farsesca que n\u00e3o consegue fisgar o p\u00fablico em momento algum. Woody interpreta o medroso Kleinman, homem que \u00e9 acordado por um grupo de justiceiros no meio da madrugada a fim de se juntar na busca por um serial killer que est\u00e1 aterrorizando a cidade. Toda a parte da ca\u00e7ada se revela uma grande bobagem, e o mesmo pode ser dito do dispens\u00e1vel trecho do circo, mas o n\u00facleo do bordel at\u00e9 merece absolvi\u00e7\u00e3o por um belo plano-sequ\u00eancia e por uma s\u00e9rie de piadas e esquetes interessantes, uma delas afirmando que todos t\u00eam um pre\u00e7o enquanto outra, sagaz, rende o seguinte di\u00e1logo: \u201cEu nunca paguei por sexo na minha vida\u201d, diz Kleinman, no que a prostituta (interpretada por Jodie Foster) responde rindo: \u201cVoc\u00ea apenas pensa que nunca pagou\u201d. O roteiro, por\u00e9m, se perde conforme a fita avan\u00e7a, e o final vazio \u00e9 um dos piores de toda a carreira do cineasta. Belo por fora, \u201cNeblinas e Sombras\u201d \u00e9 absolutamente oco por dentro. Custou US$ 14 mi e faturou apenas US$ 2 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74194\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_maridos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_maridos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_maridos-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Husbands and Wives (1992)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Maridos e Esposas<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\n\u201cEu queria que esse filme fosse feio. N\u00e3o queria que nada combinasse, ou fosse refinado, ou bem montado. Queria um filme desagrad\u00e1vel de assistir\u201d, ele confessou pra Eric Lax. Por\u00e9m, Woody tamb\u00e9m inclui \u201cMaridos e Esposas\u201d num Top 5 pessoal (ao lado de \u201cA Rosa P\u00farpura do Cairo\u201d, \u201cMatch Point\u201d, \u201cTiros na Broadway\u201d e \u201cZelig\u201d) renegando \u201cAnnie Hall\u201d e \u201cManhattan\u201d (que marcaram sua persona para 90% do p\u00fablico \u2013 algo que ele parece odiar). Ainda assim n\u00e3o \u00e9 correto usar o termo desagrad\u00e1vel para definir \u201cMaridos e Esposas\u201d, melhor incomodador. A c\u00e2mera comandada por Carlo di Palma desta vez est\u00e1 na m\u00e3o e em constante movimento tentando flagrar conversas e situa\u00e7\u00f5es que se sobrep\u00f5e, cortando personagens e jogando o espectador \u00e0 for\u00e7a numa trama t\u00edpica de Woody: um casal (Sydney Pollack e Judy Davis, ela indicada merecidamente ao Oscar) decide se separar amigavelmente, e acaba influenciando o casal amigo (Woody e Mia), que tamb\u00e9m se separa. Um dos casais volta, o outro&#8230; A inspira\u00e7\u00e3o \u00e9 John Cassavetes (que filmou \u201cHusbands\u201d em 1970 e era adepto da c\u00e2mera na m\u00e3o), mas o que marcou o filme foi o fim do relacionamento de Woody com Mia durante as filmagens, com ela descobrindo que ele estava tendo um caso com sua filha adotiva (com quem Allen viria a se casar em 1997 e permanece at\u00e9 hoje). Mia cumpriu sua agenda de filmagem e nunca mais eles voltaram a fazer um filme juntos. Dramas pessoais \u00e0 parte, eis um grande filme que merece ser revisto. Dif\u00edcil, custou US$ 20 mi e faturou a metade.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74196\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_misterioso.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_misterioso.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_misterioso-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Manhattan Murder Mistery (1993)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Um Misterioso Assassinato em Manhattan<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nFindo o casamento e a parceria com Mia Farrow, Woody Allen retira da gaveta uma ideia que, originalmente, ele havia escrito para \u201cAnnie Hall\u201d (1977), que deveria ter uma hist\u00f3ria paralela sobre um assassinato, mas, felizmente, foi centrada no romance do casal. O cineasta ent\u00e3o resgata a inspira\u00e7\u00e3o, convoca Diane Keaton (ainda que o papel de Carol tivesse sido reescrito para Mia) e o resultado \u00e9 um pastiche eficiente de suspense c\u00f4mico que busca homenagear Alfred Hitchcock. Na trama, um casal (Woody e Diane) conhece o casal vizinho no elevador. No dia seguinte, a esposa do casal vizinho \u00e9 encontrada morta, e Carol (Diane) acha estranho como o marido lida com a perda de sua parceira. Nos dias consecutivos, Carol passa a investigar a vida do vizinho, e uma s\u00e9rie de acontecimentos misteriosos se sucede. Ainda que excessivamente hist\u00e9rico e com uns 10 minutos a mais do que deveria ser (tem 104 minutos, e com 90 ficaria muito melhor), \u201cUm Misterioso Assassinato em Manhattan\u201d reacende a qu\u00edmica de Allen e Keaton tanto quanto brilham os atores coadjuvantes: Alan Alda est\u00e1 \u00f3timo como o escritor maleta Ted, Anjelica Huston transpira sex-appeal como a escritora devoradora de homens Marcia e o excelente Jerry Adler cumpre bem o papel do vil\u00e3o Paul House num filme que, 20 anos depois, perdeu um pouco do vi\u00e7o da \u00e9poca transformando-se em um concorrente digno para integrar a programa\u00e7\u00e3o da Sess\u00e3o da Tarde. Custou US$ 13.5 milh\u00f5es e praticamente fechou as contas com US$ 11.2 milh\u00f5es de bilheterias locais.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74197\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tiros.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tiros.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tiros-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Bullets Over Broadway (1994)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Tiros na Broadway<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nEm sua resenha na Rolling Stone a \u00e9poca da estreia do filme, Peter Travers matou a charada: \u201c\u00c9 uma das melhores e mais reveladoras com\u00e9dias de Allen sendo tanto uma medita\u00e7\u00e3o moral quando \u00e9 deslumbrantemente engra\u00e7ada\u201d. Se chegamos at\u00e9 aqui j\u00e1 sabemos que Woody tira o melhor de seu humor justamente dessas medita\u00e7\u00f5es morais, mas em \u201cTiros na Broadway\u201d ele alcan\u00e7a alguns de seus mais brilhantes momentos ao contar a hist\u00f3ria de um roteirista que se mostra um artista extremamente preocupado com sua arte para, depois, colocar essa paix\u00e3o art\u00edstica em discuss\u00e3o numa pensata que remete a deliciosa frase de um personagem de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Noite Americana<\/a>\u201d (1973), de Truffaut: \u201cEu abandonaria um cara por um filme, mas nunca abandonaria um filme por um cara\u201d. Claro, em \u201cTiros na Broadway\u201d temos a m\u00e1fia dos anos 20 em a\u00e7\u00e3o, e um gangster mais talentoso do que o roteirista digladiando em seu \u00e2mago a destrui\u00e7\u00e3o da obra que est\u00e1 criando. Em certo momento, algu\u00e9m pergunta: \u201cUma casa est\u00e1 pegando fogo e voc\u00ea s\u00f3 pode salvar uma coisa: a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as de Shakespeare ou um ser humano an\u00f4nimo. O que voc\u00ea faz?\u201d. Essa quest\u00e3o move o filme que, indicado a 7 Oscars, acabou eclipsado por \u201cForrest Gump\u201d que de 13 indica\u00e7\u00f5es levou 6 \u2013 Woody ainda foi preterido em roteiro, vencido por Quentin Tarantino e Roger Avary por \u201cPulp Fiction\u201d, e Melhor Figurino, vencido por \u201cPriscila, a Rainha do Deserto\u201d. Mas Dianne Wiest foi premiada como Atriz Coadjuvante (em seu segundo Oscar com Woody \u2013 o primeiro foi por \u201cHannah e Suas Irm\u00e3s\u201d) por seu desempenho arrasador num filme que ainda conta com John Cusack, Mary-Louise Parker, Joe Viterelli e Rob Reiner, al\u00e9m de Chazz Palminteri, que faz o gangster genial e foi merecidamente indicado ao Oscar junto com Jennifer Tilly, a namorada do chef\u00e3o mafioso do peda\u00e7o, que investe na pe\u00e7a para atender o desejo dela de atuar. Toda badala\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o resultou em uma bilheteria rent\u00e1vel: o filme custou US$ 20 mi e faturou US$ 13.300. Mas \u00e9 uma obra prima! V\u00e1 atr\u00e1s j\u00e1!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74198\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_water.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_water.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_water-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Don\u2019t Drink The Water (1994)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Quase um Sequestro<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nPe\u00e7a teatral escrita por Woody que estreou com sucesso na Broadway em 1966, \u201cDon\u2019t Drink The Water\u201d j\u00e1 havia ganhado uma fracassada adapta\u00e7\u00e3o para o cinema em 1969, com dire\u00e7\u00e3o de Howard Morris e nenhum envolvimento de Allen. Em 1994, Woody topou um desafio da rede de televis\u00e3o ABC, que prop\u00f4s a ele refilmar \u201cDon\u2019t Drink The Water\u201d em tr\u00eas semanas, o que resultou nesta com\u00e9dia t\u00edpica da primeira fase de Woody Allen (o tradicional varal de piadas) filmada num momento de maturidade cinematogr\u00e1fica. Na trama, um embaixador norte-americano em um pa\u00eds da Cortina de Ferro precisa viajar aos Estados Unidos e deixa a embaixada sob o comando de seu filho trapalh\u00e3o (Michael J. Fox), o que resulta em diversas confus\u00f5es, que aumentam proporcionalmente assim que uma fam\u00edlia se instala na embaixada acusada de espionagem. Pouca coisa se salva nessa bobagenzinha de Sess\u00e3o da Tarde, que fazia sentido durante a Guerra Fria, quando foi escrita, e aqui soa apenas razo\u00e1vel (ainda mais se comparado ao filme anterior, \u201cTiros na Broadway\u201d, e ao posterior, \u201cPoderosa Afrodite\u201d). Woody \u00e9 o pai de fam\u00edlia, sua tradicional colaboradora Julie Kavner \u00e9 sua esposa e uma jovem Mayim Bialik, aos 19 anos, interpreta a filha do casal que se apaixona pelo diplomata desastrado (a partir de 2010, Mayim iria integrar o elenco da s\u00e9rie The Big Bang Theory \u2013 o que lhe render\u00e1 quatro indica\u00e7\u00f5es ao Emmy de Atriz Coadjuvante em S\u00e9rie de Com\u00e9dia). Indicado apenas para completistas.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74199\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_mira.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_mira.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_mira-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Mighty Aphrodite (1995)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Poderosa Afrodite<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\n\u201cCerta vez, brincando com minha filha adotiva, que na \u00e9poca tinha 4 anos, pensei: os pais biol\u00f3gicos dela t\u00eam de ser fabulosos, porque ela \u00e9 t\u00e3o encantadora e inteligente\u201d, contou Woody em 1996. \u201cEnt\u00e3o resolvi escrever uma com\u00e9dia em que quanto mais o pai adotivo procura saber sobre os pais biol\u00f3gicos, mais sujeira encontra\u201d. O mote impag\u00e1vel rendeu outro grande filme do diretor, que ganhou em impacto com duas escolhas acertadas: o uso de um (divertido) coro grego e a escala\u00e7\u00e3o de Mira Sorvino para o papel de atriz coadjuvante (que lhe renderia um merecid\u00edssimo Oscar). No roteiro, Lenny (Woody) e Amanda (Helena Bonham Carter) adotam um beb\u00ea que, conforme cresce, demonstra uma intelig\u00eancia acima da m\u00e9dia, o que faz o pai adotivo ir atr\u00e1s dos pais biol\u00f3gicos. Lenny ent\u00e3o se depara com a m\u00e3e do garoto, Linda Ash (Mira), uma histri\u00f4nica (e am\u00e1vel) prostituta que sonha ser atriz ap\u00f3s descobrir seu dom de atua\u00e7\u00e3o num set de filme porn\u00f4, \u201ccom um cara me fodendo por tr\u00e1s e dois caras enormes vestidos de policiais dentro da minha boca ao mesmo tempo. Pensei: Gostei de ser atriz. Vou estudar\u201d. Lenny e Linda se aproximam e Woody assina um de seus roteiros mais delicados, em que o carregado humor sexual \u00e9 usado para valorizar a inoc\u00eancia comovente da personagem da prostituta (oi Cabiria) \u2013 o encontro de Linda com um jovem simpl\u00f3rio que sonha ser boxeador \u00e9 de um lirismo c\u00f4mico comovente. A badala\u00e7\u00e3o do Oscar dessa vez surtiu efeito, e o filme, que custou US$ 15 milh\u00f5es (e envelheceu bem), faturou US$ 26 milh\u00f5es nas bilheterias.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74200\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_todos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_todos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_todos-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Everyone Says I Love Yoy (1996)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Todo Mundo Diz Eu Te Amo<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nEnfim, Woody se aventura no territ\u00f3rio dos musicais, e ele s\u00f3 contou ao elenco que seria um musical (e que todos os atores deveriam cantar com suas pr\u00f3prias vozes sem produ\u00e7\u00e3o ou \u201cmaquiagem\u201d de est\u00fadio) depois que todo mundo assinou o contrato. O resultado \u00e9 um filme \u00f3timo e fofo que envelheceu muito bem. Esta obra ainda marca a primeira vez que Woody filma fora de Nova York em 21 anos \u2013 mais propriamente desde \u201cA \u00daltima Noite de Boris Grushenko\u201d, em 1975. Filmado em Nova York, Paris e Veneza, &#8220;Todos Dizem Eu Te Amo&#8221; conta com um elenco caprichado que subaproveita Edward Norton e ainda conta com Natalie Portman aos 15 anos (no mesmo ano em que ela filmou o \u00f3timo &#8220;Brincando de Seduzir&#8221;, de Ted Demme), um Tim Roth divertid\u00edssimo (na vibe de seu personagem mafioso de \u201cC\u00e3es de Aluguel\u201d, de Quentin Tarantino) mais Julia Roberts sedutora e Alan Alda sempre competente. Algumas curiosidades: Woody precisou pedir para Goldie Hawn n\u00e3o cantar t\u00e3o bem, j\u00e1 que ela destoava do elenco desafinado; Drew Barrymore, que chegou ao set de cabelo roxo, precisou usar uma peruca e ainda convenceu Woody de que sua voz era muito ruim, por isso precisaria ser dublada (\u00e9 a \u00fanica dublada em cena); a personagem que narra a hist\u00f3ria \u00e9 uma jovem Natasha Lyonne, que anos depois faria sucesso como Nicky, da s\u00e9rie &#8220;Orange Is the New Black&#8221;. Por fim, a cena final em Paris \u00e9 no mesmo lugar em que, em 1965, Woody filmou sua primeira cena no cinema, em &#8220;O que \u00e9 que H\u00e1, Gatinha?&#8221;. Custou US$ 20 milh\u00f5es, faturou a metade, mas vale muito (re)ver.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74201\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_harry.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_harry.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_harry-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Deconstructing Harr y (1997)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Descontruindo Harry<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nA fofura rom\u00e2ntica do filme anterior n\u00e3o poderia ter sido seguida por uma obra t\u00e3o diferente: &#8220;Desconstruindo Harry&#8221; (1997) \u00e9 um dos filmes mais desesperan\u00e7ados do cineasta, que foca em um personagem que n\u00e3o funciona no mundo real (onde torna a vida de outras pessoas um caos), apenas na arte (e precisa descer ao inferno \u2013 literalmente \u2013 para perceber isso). O drama, como de costume na obra de Woody, surge travestido em \u00f3tima com\u00e9dia (as esquetes da Morte e do Robin Williams desfocado s\u00e3o absolutamente geniais), mas deixa um gosto bem amargo na alma, muito porque Harry Block (Woody), o personagem central, passa 99% do filme fodendo a vida das pessoas (99% mulheres) \u2013 n\u00e3o \u00e0 toa, uma cr\u00edtica do New York Times escreveu: &#8220;H\u00e1 mais pessoas destru\u00eddas neste filme do que nas tr\u00eas horas de Titanic&#8221;. Harry \u00e9 um escritor que mais do que se inspirar em fatos de sua vida, os descreve em seus romances (alterando nomes, mas n\u00e3o os fatos), para desespero da irm\u00e3, de namoradas e ex-esposas. O m\u00e9todo desagrad\u00e1vel d\u00e1 certo na arte transformando-o em um escritor de sucesso, mas torna sua vida um imenso fardo. O roteiro (indicado ao Oscar) trabalha muito bem essa dicotomia, e ainda que a misoginia de Harry ultrapasse os n\u00edveis aceit\u00e1veis, a desconstru\u00e7\u00e3o do personagem rende um grande filme, que destaca outro elenco estelar (Billy Crystal, Judy Davis, Julia Louis-Dreyfus, Tobey Maguire, Demi Moore, Elisabeth Shue). Como de praxe, custou US$ 20 milh\u00f5es e faturou a metade (mas \u00e9 um grande filme).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74202\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wild.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wild.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_wild-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Wild Man Blues (1997)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Um Retrato de Woody Allen<\/strong><br \/>\n<em>Document\u00e1rio de Barbara Kopple<\/em><br \/>\nWoody Allen costuma rejeitar compara\u00e7\u00f5es com seus personagens, mas basta colocar Jerry, personagem que ele encenar\u00e1 em \u201cPara Roma com Amor\u201d, em 2012 (que rememora muitos outros personagens desta filmografia), ao lado do Woody Allen deste document\u00e1rio para percebermos que a linha que os separa \u00e9 praticamente invis\u00edvel. E isso \u00e9 um dos v\u00e1rios pontos interessantes de \u201cWild Man Blues\u201d, filme de Barbara Kopple que flagra a turn\u00ea europeia da banda de jazz de Woody Allen em 1996, passando por 18 cidades em 23 dias: \u201c\u00c9 t\u00edpico de mim\u201d, comenta ele em certo momento. \u201cEu sonhava com essa turn\u00ea, e agora que estou nela n\u00e3o vejo a hora de acabar\u201d \u2013 Woody toca clarinete com esta banda h\u00e1 mais de 25 anos. O humor afiado do diretor avan\u00e7a sobre prefeitos, f\u00e3s e paparazzos, mas o retrato que Barbara Kopple faz do cineasta \u00e9 t\u00e3o honesto que comove. Filmado logo ap\u00f3s o longo processo que Mia Farrow e Woody Allen enfrentaram pela guarda dos filhos, e da uni\u00e3o do diretor com a filha adotiva de Mia, Soo-Yi, \u201cWild Man Blues\u201d expande seu territ\u00f3rio avan\u00e7ando al\u00e9m da banda (sem perder a boa m\u00fasica de foco) para o novo casamento e at\u00e9 para a rela\u00e7\u00e3o do cineasta com sua fam\u00edlia. Nettie, a m\u00e3e, por exemplo, responde na frente da nora que preferia uma filha judia a uma oriental enquanto o pai, j\u00e1 bastante idoso, parece ainda n\u00e3o aceitar a carreira (!?) escolhida pelo filho, passagens que mitificam (e explicam) um grande cineasta.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74204\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_celebrity.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_celebrity.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_celebrity-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Celebrity (1998)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Celebridades<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nSem abandonar a veia c\u00f4mica (menos escancarada, mais c\u00ednica), Woody aprofunda ainda mais a desesperan\u00e7a do filme autoral anterior em \u201cCelebridades\u201d, que busca vasculhar o vazio do universo dos famosos, como se estivesse remexendo lixo na rua. Para isso, ele recorre ao parceiro Sven Nykvist, que faz a bel\u00edssima fotografia em preto e branco (a \u00faltima colabora\u00e7\u00e3o havia sido em \u201cCrimes e Pecados\u201d, de 1989, e esta ser\u00e1 a derradeira), e a Federico Fellini (mais uma vez): Kenneth Branagh (interpretando Woody em cena, o que lhe rendeu diversas cr\u00edticas) \u00e9 um rep\u00f3rter que se envolve com os famosos que entrevista a ponto de parecer um deles. Woody mira o vazio de &#8220;A Doce Vida&#8221; (1960) e acerta o clima de &#8220;Ginger e Fred&#8221; (1986) numa s\u00e9rie de esquetes (o de Charlize Theron \u00e9 impag\u00e1vel) detonando tanto famosos (Donald Trump, inclusive, faz uma ponta dizendo planejar derrubar a St Paul&#8217;s Cathedral, em Londres, para construir um enorme edif\u00edcio) quanto quem os mitifica. Em certo momento, uma rep\u00f3rter conta: \u201cFizemos um programa com tal atriz e ela est\u00e1 em coma. Ela est\u00e1 deitada em coma, mas \u00e9 uma celebridade\u201d. O elenco, novamente estelar, conta com Melanie Griffith, Winona Ryder, Leonardo DiCaprio, Judy Davis (praticamente como personagem principal numa trama bem interessante), mas a hist\u00f3ria, pesada (n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o filme come\u00e7a e termina com a palavra \u201chelp\u201d no c\u00e9u de Nova York), n\u00e3o surtiu efeito nas bilheterias: o filme custou US$ 12 milh\u00f5es e faturou a metade. Uma pena: quase 20 anos depois, \u201cCelebridades\u201d continua atual\u00edssimo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74205\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_poucas.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_poucas.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_poucas-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Sweet and Lowdown (1999)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Poucas e Boas<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nAp\u00f3s dois filmes desesperan\u00e7ados (\u201cDescontruindo Harry\u201d, mais c\u00f4mico; e \u201cCelebridades\u201d, mais c\u00ednico), Woody realiza seu filme mais triste do per\u00edodo, que nasceu do resgate de uma ideia que ele havia oferecido para a United Artists em 1971 (chamada \u201cJazz Baby\u201d) e fora recusada, a \u201ccinebiografia\u201d do segundo melhor guitarrista de jazz da hist\u00f3ria, Emmeth Ray (a saber, o primeiro \u00e9 o franc\u00eas Django Reinhardt), m\u00fasico problem\u00e1tico (\u00e1lcool, mulheres, jogatina) que fez fama nos anos 20 e 30 e que era famoso por alternar momentos de genialidade musical com um egocentrismo tosco. Historiadores e cr\u00edticos de jazz como Nat Hentoff e Douglas McGrath, ao lado pr\u00f3prio Woody, rememoram causos da triste vida de Emmeth, que prestes a se tornar sucesso, desaparece em circunst\u00e2ncias misteriosas. Woody est\u00e1 afiad\u00edssimo neste que \u00e9 seu quarto mockument\u00e1rio (precedido por &#8220;Um Assaltante Bem Trapalh\u00e3o&#8221;, &#8220;Men of Crisis&#8221; e &#8220;Zelig&#8221;) e, mais uma vez, exibe uma inspira\u00e7\u00e3o devota de Fellini, desta vez de \u201cLa Strada\u201d (1954). \u201cPoucas e Boas\u201d conta com atua\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas de Sean Penn (como Emmeth Ray) e Samantha Morton (como Hattie, a namorada muda do m\u00fasico) \u2013 os dois merecidamente indicados ao Oscar \u2013 al\u00e9m de Umma Thurman em um papel divertid\u00edssimo (entre os melhores personagens escritos por Woody na d\u00e9cada) e ponta de John Waters. Este filme tamb\u00e9m marca a estreia da parceria de Woody com o fot\u00f3grafo chin\u00eas Zhao Fei (que necessitou de um tradutor no set, j\u00e1 que n\u00e3o falava nada de ingl\u00eas, e inspirou um personagem futuro de Woody no filme \u201cDirigindo no Escuro\u201d). Um filme que s\u00f3 melhorou com o tempo.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74206\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_trapaceiros.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_trapaceiros.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_trapaceiros-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Small Time Crooks (2000)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Trapaceiros<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nNa virada do mil\u00eanio, Woody decidiu mexer em sua gaveta (literal) de ideias, local em que ele diz guardar anota\u00e7\u00f5es diversas para usar eventualmente, e tirar de l\u00e1 o que ele chamou de tr\u00eas \u201ccom\u00e9dias ligeiras\u201d, triviais \u2013 ele havia acabado de assinar um contrato de cinco filmes com a Dreamworks. \u201cTrapaceiros\u201d foi a primeira dessas com\u00e9dias, e a melhor, ainda que esteja longe, muito longe das obras primas c\u00f4micas do cineasta. A trama conta a hist\u00f3ria do casal Ray e Frenchy. Ray (Woody), assaltante tosco que passou uns bons anos na cadeia, arquiteta um plano para assaltar um banco. Para isso precisa do dinheiro que sua esposa Frenchy (Tracey Ullman) economizou como manicure para alugar uma loja ao lado de um banco e fazer um t\u00fanel que sa\u00edsse direto dentro do cofre. Para que ningu\u00e9m percebesse os \u201chomens trabalhando\u201d no por\u00e3o, eles montam, de fachada, uma loja de cookies. Por\u00e9m, a loja torna-se um sucesso t\u00e3o grande que Ray acaba abandonando a ideia do roubo para se dedicar aos biscoitos. Os cookies enriquecem o casal, mas de que adianta ter dinheiro se n\u00e3o se sabe como usufrui-lo com eleg\u00e2ncia? H\u00e1 um grande n\u00famero de gags imperd\u00edveis neste filme, que ainda traz Hugh Grant e um elenco de bandidos divertid\u00edssimo. Nada disso, por\u00e9m, salvou o filme da cr\u00edtica, que detonou a obra na \u00e9poca por sua aparente simplicidade. 20 anos depois, \u201cTrapaceiros\u201d continua simples e ligeira, e ainda diverte e entret\u00eam enquanto segue afiando temas caros dos filmes anteriores, como a dif\u00edcil equa\u00e7\u00e3o \u201cdinheiro + poder + amor = felicidade?\u201d. Um passatempo menor, mas bastante divertido.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74208\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pieces.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pieces.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_pieces-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Picking Up the Pieces (2000)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Juntando os Peda\u00e7os<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nNono filme ele que Woody Allen apenas atua (incluindo os dois filmados por Godard e o document\u00e1rio &#8220;Wild Man Blues&#8221;, de 1997), n\u00e3o se envolvendo com roteiro e dire\u00e7\u00e3o, \u201cJuntando os Peda\u00e7os\u201d, do ator e diretor mexicano Alfonso Arau, \u00e9 uma com\u00e9dia B curiosa com desejo de ser trash e alguns momentos de novela mexicana. Com um elenco estelar que conta com o pr\u00f3prio Arau, Cheech Marin, David \u201cRoss\u201d Schwimmer, Kiefer Sutherland, Sharon Stone e Woody Allen, que interpreta um a\u00e7ougueiro kosher que ao descobrir que a esposa sempre lhe foi infiel, a esquarteja em sete peda\u00e7os, deixando, por\u00e9m, um deles pelo caminho (justamente uma m\u00e3o com o dedo em riste). Uma mulher cega trope\u00e7a na m\u00e3o em uma estrada e&#8230; volta a enxergar. Da\u00ed pra frente, uma s\u00e9rie de milagres acontecem na pequena vila de El Nino, no M\u00e9xico. As coisas se confundem no roteiro ap\u00f3s a primeira metade (e a boa premissa inicial) tendendo excessivamente ao realismo fant\u00e1stico (quando a pegada trash estava mais funcionando) e desperdi\u00e7ando um bom elo de liga\u00e7\u00e3o com a cena final, totalmente Woody. No fim das contas, ainda que mediano, soa melhor que as \u201ccom\u00e9dias ligeiras\u201d (como o pr\u00f3prio Allen as define) que Woody come\u00e7ou a filmar no per\u00edodo \u2013 e que muitos dos filmes que ele apenas atuou no come\u00e7o de carreira.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74211\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_escorpiao.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_escorpiao.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_escorpiao-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: The Curse of The Jade Scorpion (2001)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: O Escorpi\u00e3o de Jade<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nNo come\u00e7o dos anos 2000, os filmes de Woody Allen chegavam com a diferen\u00e7a de um ano de atraso no Brasil, o que quer dizer que quando um estreava aqui, outro j\u00e1 estava dispon\u00edvel no mercado internacional. Por isso, as cr\u00edticas dessa fase de com\u00e9dias ligeiras geralmente replicavam a seguinte frase: \u201cEsse s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 o pior filme de Allen porque outro, ainda pior, j\u00e1 estreou nos EUA\u201d. E, bem, ainda que \u201cTrapaceiros\u201d exibisse certa divers\u00e3o e frescor, o mesmo n\u00e3o pode ser dito deste \u201cO Escorpi\u00e3o de Jade\u201d (2001). Com a palavra, o pr\u00f3prio Woody: \u201cDecepcionei um elenco excepcionalmente talentoso. Helen Hunt, Dan Aykroyd, Elizabeth Berkeley&#8230; Do ponto de vista pessoal, sinto que pode ser o pior filme que j\u00e1 fiz\u201d, comentou em 2006&#8230; E ele nem citou Charlize Theron, que faz um papel menor numa cena que teria tudo para ser divertid\u00edssima, mas a sensa\u00e7\u00e3o clara \u00e9 de que h\u00e1 uma grande piada ali, mas ela n\u00e3o funciona. A trama conta a hist\u00f3ria de um investigador de fraudes de uma companhia de seguros especializado em resolver golpes, C.W. Briggs (Woody), que \u00e9 hipnotizado por um m\u00e1gico vigarista e levado a cometer crimes que ele mesmo ir\u00e1 investigar. Essa boa premissa \u00e9 envolvida num clima noir (fotografia de Zhao Fei) com di\u00e1logos espertos, mas tudo soa frouxo e desengon\u00e7ado na trama. Woody se culpa dizendo que o personagem dele destr\u00f3i o filme (\u201cTentei encontrar outro ator para o papel, mas n\u00e3o consegui\u201d, se desculpa), mas n\u00e3o \u00e9 isso: simplesmente falta magia ao filme \u2013 que custou US$ 33 milh\u00f5es e faturou US$ 18 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74212\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sounds.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sounds.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sounds-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Sounds from a Town I Love (2001)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Sons da Cidade Que Eu Amo<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nAp\u00f3s os violentos atentados terroristas que derrubaram as Torres G\u00eameas em Nova York, no fat\u00eddico 11 de setembro de 2001, artistas, m\u00fasicos, cineastas e produtores se mobilizaram promovendo uma s\u00e9rie de eventos para ajudar a cidade. Um desses eventos foi o \u201cConcert for New York City: Live (2001)\u201d, que contou com a presen\u00e7a de alguns dos maiores nomes da m\u00fasica pop (David Bowie, The Who, Paul McCartney, Elton John, Mick Jagger e Keith Richards, entre outros) al\u00e9m de exibir, nos intervalos dos n\u00fameros musicais, curtas encomendados a grandes diretores do pa\u00eds que sempre tiveram liga\u00e7\u00e3o com a cidade, dentre eles Martin Scorsese, Spike Lee, Jerry Seinfeld e, claro, Woody Allen, que mandou \u201cSons da Cidade Que Eu Amo\u201d, um curta impag\u00e1vel que parece compilar uma sele\u00e7\u00e3o de personagens neur\u00f3ticos, tal qual o cineasta, caminhando pelas ruas da Big Apple enquanto falam ao telefone coisas como:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; \u201cEsta \u00e9 a melhor cidade do mundo. Onde mais voc\u00ea pode ser paranoico e estar correto t\u00e3o frequentemente?\u201d<\/em><br \/>\n<em>&#8211; \u201cPor um milh\u00e3o de d\u00f3lares. Hum, hum&#8230; E com um quarto?\u201d<\/em><br \/>\n<em>&#8211; \u201cE eu \u00e9 que sou fraca? Acabei de ver meu nutricionista saindo de um fast food\u201d<\/em><br \/>\n<em>&#8211; \u201cEu fui assaltado! Eu estava vindo da \u00f3pera, para casa, eles pegaram minha m\u00e1scara de g\u00e1s, minha lanterna, e todos os meus analg\u00e9sicos\u201d<\/em><br \/>\n<em>&#8211; \u201c\u00c9 o melhor cirurgi\u00e3o em Park Avenue. Vai fazer os seus olhos, pesco\u00e7o, as bochechas&#8230; Sua bunda? Eu n\u00e3o sei se ele trabalha com um guindaste.\u201d<\/em><br \/>\n<em>&#8211; \u201cEla n\u00e3o entrou na pr\u00e9-escola certa. O que significa que ela n\u00e3o poder\u00e1 entrar numa boa escola privada. O que significa que ela n\u00e3o entrar\u00e1 em uma boa faculdade. E ela n\u00e3o ter\u00e1 um bom emprego. Quero dizer, ela tem tr\u00eas anos&#8230; e a sua vida est\u00e1 acabada.\u201d<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o s\u00f3 3 minutos de dura\u00e7\u00e3o&#8230; divertid\u00edssimos\u00a0 (<a href=\"https:\/\/vimeo.com\/26855028\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assista<\/a>). Woody voltaria a falar sobre a cidade no document\u00e1rio \u201cHome\u201d (2006), da diretora Dawn Scibilia, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=jqXQU_HatbQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">que voc\u00ea pode assistir aqui<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74214\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/wody_dirigindo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/wody_dirigindo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/wody_dirigindo-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Hollywood Ending (2002)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Dirigindo no Escuro<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nSem arredar o p\u00e9 de seu desejo de filmar com\u00e9dias simples, Woody chega a sua terceira obra do novo mil\u00eanio com uma proposta bastante interessante: a de contar a hist\u00f3ria de um diretor de cinema decadente que consegue um grande contrato \u2013 atrav\u00e9s de sua esposa \u2013 para dirigir a refilmagem de um filme noir dos anos 40, que a companhia aposta ser um imenso sucesso nas bilheterias, mas, devido a sua paranoia extrema, desenvolve uma cegueira tempor\u00e1ria, e n\u00e3o desiste de filmar! N\u00e3o bastasse o caos de dirigir um filme cego, para sua \u201csorte\u201d, o diretor de fotografia \u00e9 oriental e n\u00e3o fala absolutamente nada de ingl\u00eas (e n\u00e3o, o fot\u00f3grafo n\u00e3o \u00e9 Zhao Fei, ainda que as piadas sejam inspiradas nele, mas sim o alem\u00e3o Wedigo von Schultzendorff). Com essa trama nas m\u00e3os, Allen faz aquilo que sabe melhor: adaptar suas obsess\u00f5es a suas hist\u00f3rias. E d\u00e1-lhe piada sobre judeus, Hollywood, casamentos, fam\u00edlia e a sua pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o de cineasta: \u201cVoc\u00ea recomendaria esse filme a um amigo?\u201d, questiona algu\u00e9m. \u201cS\u00f3 se eu fosse amigo do Hitler\u201d, \u00e9 a resposta. No geral, o filme soa mais engra\u00e7adinho que interessante, e tanto Val Waxman (Woody) quanto o pr\u00f3prio Woody levam seus filmes como d\u00e1 at\u00e9 um final simplesmente apote\u00f3tico, que (quase) compensa os 111 minutos medianos que passaram antes. Ou seja, 90% de piadinhas divertidas t\u00edpicas de Allen com uma grande piada matadora, que fecha o filme. Isso n\u00e3o faz de \u201cDirigindo no Escuro\u201d um grande filme, ainda que Woody discorde: \u00e9 uma de suas com\u00e9dias favoritas. Praticamente empatou na bilheteria: custou US$ 16 mi e arrecadou US$ 15 mi&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74216\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_life.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_life.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_life-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Woody Allen \u2013 A Life in Film (2002)<\/strong><br \/>\n<strong>Nunca exibido no Brasil<\/strong><br \/>\n<em>Document\u00e1rio de Richard Schickel<\/em><br \/>\nDocumentarista e cr\u00edtico de cinema da revista Time entre 1965 e 2010, Richard Schickel sentou para conversar com Woody meses depois de \u201cDirigindo no Escuro\u201d ter estreado. A conversa de quatro horas rendeu um livro (excelente), com a integra do bate papo, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=psyn31Nmxww\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">e um especial de 90 minutos<\/a> que foi exibido num canal de televis\u00e3o. Diferente de \u201cWild Man Blues\u201d (1997), que come\u00e7ou focado na tour do grupo de jazz de Woody, e depois enveredou para temas pessoais, \u201cWoody Allen \u2013 A Life in Film\u201d \u00e9 apenas sobre cinema (e, claro, todas as obsess\u00f5es de Woody que est\u00e3o retratadas em seus filmes). A cena cl\u00e1ssica de \u201cMem\u00f3rias\u201d (aquela em que ETs dizem preferir os filmes c\u00f4micos do come\u00e7o da carreira de Sandy, o diretor interpretado por Allen) abre a conversa e Woody conta que queria fazer \u201cas pessoas rirem tanto quanto aguentassem\u201d nos primeiros filmes. Nesse come\u00e7o ele conta que copiou descaradamente Bob Hope (\u201cE n\u00e3o sou nem metade bom comparado a ele\u201d), que Manhattan \u00e9 \u201ca cidade mais espetacular e encantadora da face da terra\u201d e que \u201cAnnie Hall\u201d s\u00f3 faturou dinheiro depois do Oscar (\u201ce ainda assim deve ser o vencedor do Oscar que arrecadou menos em todos os tempos\u201d, diminui-se). Woody utiliza quase toda a conversa para desmistificar-se: \u201cCom minhas limita\u00e7\u00f5es como ator s\u00f3 posso interpretar dois personagens: o intelectual, devido aos meus \u00f3culos e meu corpo franzino, e o vagabundo, que \u00e9 realmente o que eu sou\u201d. Filmes como \u201cMem\u00f3rias\u201d, \u201cZelig\u201d, \u201cMaridos e Esposas\u201d, \u201cTiros na Broadway\u201d e \u201cInteriores\u201d s\u00e3o decupados em detalhes. Ao falar de \u201cCrimes e Pecados\u201d, ele explica: \u201cHavia duas coisas simples que eu queria dizer neste filme, e acho que fui bem claro. A primeira hist\u00f3ria, comigo, Mia e Alan Alda, \u00e9 sobre como as boas inten\u00e7\u00f5es n\u00e3o significam nada na vida se voc\u00ea n\u00e3o tiver sucesso. Ali\u00e1s, se voc\u00ea tiver sucesso, as pessoas v\u00e3o considerar voc\u00ea inteligente e at\u00e9 perdoar os seus erros (&#8230;). Na outra hist\u00f3ria, com Martin Landau, eu s\u00f3 queria ilustrar, de uma forma divertida, que Deus n\u00e3o existe\u201d. Um document\u00e1rio imperd\u00edvel e excelente. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=psyn31Nmxww\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assista<\/a>!<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74218\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_anithing.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_anithing.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_anithing-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Anything Else (2003)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Igual a Tudo na Vida<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nSe voc\u00ea veio desde o come\u00e7o e chegou at\u00e9 aqui deve ter percebido que n\u00e3o uso a primeira pessoa em nenhum dos textos sobre os quase 50 filmes anteriores. L\u00f3gico, s\u00e3o an\u00e1lises pessoais, cr\u00edticas, que permitem concord\u00e2ncias e discord\u00e2ncias em diversos n\u00edveis, mas em nenhum momento coloquei o meu eu como colocarei agora: &#8220;Igual a Tudo na Vida&#8221; foi durante anos o &#8220;pior filme de Woody Allen para mim&#8221;. Simples assim. Por\u00e9m, nesta revis\u00e3o da filmografia em sequ\u00eancia, ele salta \u00e0 frente de &#8220;O Que H\u00e1, Tigresa?&#8221; (1966) e &#8220;Quase um Sequestro&#8221; (1994), mas mesmo brigando com &#8220;Neblina e Sombras&#8221;, que tem a fotografia a favor, n\u00e3o consegue fugir do Z4 dos rebaixados. Ainda assim, rever n\u00e3o foi a tortura que eu imaginava que iria ser. Os equ\u00edvocos das duas com\u00e9dias leves anteriores (\u201cO Escorpi\u00e3o de Jade\u201d e \u201cDirigindo no Escuro\u201d) se repetem fazendo com que, novamente, as piadas n\u00e3o se encaixem no ritmo lento da trama. Mas o personagem de Woody (escondido no trailer \u2013 a Dreamworks n\u00e3o deveria estar muito feliz) \u00e9 \u00f3timo: \u201c\u00c9 um cara mais velho que \u00e9 realmente maluco, psicopata (interpretado pelo pr\u00f3prio Woody), que aconselha um jovem (Jason Biggs) sobre a vida, e o rapaz o idolatra\u201d, explicou o cineasta. A trama \u00e9 sobre relacionamentos: o do mentor psicopata com o rapaz, que \u00e9 um jovem escritor, o do jovem com sua namorada, Amanda (Christina Ricci absolutamente maravilhosa e sexy no papel), e com seu agente, e o de Amanda com sua m\u00e3e. Na \u00e9poca, dividiu a cr\u00edtica, ainda que mesmo os elogiosos soubessem que era um filme mediano. Custou US$ 18 mi e faturou US$ 14 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74219\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_melinda.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_melinda.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_melinda-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Melinda and Melinda (2004)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Melinda e Melinda<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\n\u00daltimo filme de cinco do diretor para a Dreamworks (a diretoria deve ter arrancado os cabelos nesse contrato &#8211; e se arrependido de n\u00e3o renovar a partir do pr\u00f3ximo), \u201cMelinda e Melinda\u201d d\u00e1 um salto de qualidade frente a obra recente do cineasta. A trama parte do pensamento de que &#8220;a vida pode ser uma trag\u00e9dia ou uma com\u00e9dia, depende de como se olha para ela\u201d. Para exemplificar, dois diretores de teatro numa mesa de bar imaginam a hist\u00f3ria de uma pessoa que chega na casa de amigos, sem avisar, no meio de um jantar (de neg\u00f3cios, n\u00e3o oficialmente). &#8220;Isto seria um \u00f3timo gancho para uma com\u00e9dia&#8221;, diz um. &#8220;Que nada, isso seria triste. J\u00e1 estou vendo a trag\u00e9dia&#8221;, diz o outro. Com esse mote nas m\u00e3os, Woody conta a hist\u00f3ria de duas Melindas. Radha Mitchell encarna os dois papeis com sublime desenvoltura, afinal as duas s\u00e3o depressivas, mas uma delas ainda consegue ver sinais de coisas boas no mundo (apesar de insistir em digerir 28 calmantes com v\u00f3dega) enquanto a outra vive aguardando o momento em que a vida v\u00e1 lhe passar uma rasteira novamente (embora tenha acabado de conhecer um pianista galante). De certo modo, \u201cMelinda &amp; Meinda\u201d exibe uma estrutura pr\u00f3xima a de \u201cCrimes e Pecados\u201d (1989), ainda que l\u00e1 exista uma quest\u00e3o moral mais afiada. Aqui, para Woody, a parte c\u00f4mica \u00e9 dispens\u00e1vel: \u201cQueria ter feito um filme apenas com a parte dram\u00e1tica\u201d, diria depois. O resultado final \u00e9 mediano, mas um mediano melhor do que as quatro obras anteriores juntas. Faturou US$ 20 milh\u00f5es nas bilheterias e melhorou com o tempo, mas continua ali no meio do segundo escal\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74221\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_match.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_match.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_match-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Match Point (2005)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Match Point \u2013 Ponto Final<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nAp\u00f3s o fim do contrato com a Dreamworks, Woody conseguiu financiamento na Inglaterra, e foi de mala, \u00f3culos, cuia e c\u00e2mera filmar pela primeira vez em Londres. E tudo mudou: sai a Nova York do dia a dia e entra a glamorosa Londres de Banksy, Norman Foster, do Parlamento e da Tate Modern. Sai o jazz antigo e entram \u00e1rias de \u00f3peras. Sai a com\u00e9dia e entra um drama. Saem os longos di\u00e1logos que se atropelam. O pr\u00f3prio Allen sai da tela, deixando brilhar Jonathan Rhys-Meyers. E entra Scarlett Johansson transbordando sensualidade. O roteiro, impec\u00e1vel (que rendeu a Woody sua 14\u00aa indica\u00e7\u00e3o ao Oscar na categoria \u2013 ele perdeu inaceitavelmente para \u201cCrash\u201d), revisita a ideia central da parte dram\u00e1tica de &#8220;Crimes e Pecados&#8221; (1989), a de que Deus n\u00e3o existe, e a une com outra premissa que perpassa v\u00e1rios de seus filmes, a de que sorte \u00e9 mais importante do que talento. Na hist\u00f3ria, um rapaz irland\u00eas pobre (Meyers) que conseguiu certo destaque na vida jogando t\u00eanis se envolve com a filha de uma fam\u00edlia rica da alta casta brit\u00e2nica. Seu problema, no entanto, \u00e9 que aparece no seu caminho Nola Rice, a noiva do seu futuro cunhado, uma Scarlett de tirar o folego (sua primeira apari\u00e7\u00e3o em cena \u00e9 absolutamente majestosa). Woody \u00e9 extremamente delicado no cuidado de gestos dos atores, e o filme \u00e9 uma aula cinematogr\u00e1fica cujo resultado \u00e9 frio, denso, tenso, cruel, depressivo e maravilhoso. Filme favorito de toda sua carreira, \u201cMatch Point\u201d \u00e9 definido por Woody \u201ccomo um filme em que tudo deu certo\u201d. Ao contr\u00e1rio de outros que ele adora, mas diz que mexeria aqui e ali, em \u201cMatch Point\u201d, para ele, \u201ctudo se encaixou\u201d. A cr\u00edtica louvou e os espectadores bateram ponto no cinema: com custo de US$ 15 milh\u00f5es, \u201cMatch Point\u201d faturou US$ 85 milh\u00f5es sendo o primeiro filme de Woody a dar lucro nos EUA em 22 anos (desde \u201cHannah e Suas Irm\u00e3s\u201d). E permanece, ainda, uma obra prima sobre a falta de justi\u00e7a no mundo. Seu melhor filme neste s\u00e9culo e um dos melhores de toda sua carreira, \u201cMatch Point\u201d \u00e9 um cl\u00e1ssico moderno e, provavelmente, seu mais amargo final feliz.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74222\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_scoop.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_scoop.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_scoop-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Scoop (2006)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Scoop \u2013 O Grande Furo<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nNos bastidores de &#8220;Match Point&#8221;, Woody diz ter percebido uma veia c\u00f4mica em Scarlett que ainda n\u00e3o havia sido explorada, e adaptou uma ideia que tinha de um jornalista famoso rec\u00e9m-falecido (Ian McShane, \u00f3timo) que consegue uma grande reportagem de bandeja, o que no jarg\u00e3o da profiss\u00e3o \u00e9 conhecido como furo, mas est\u00e1 na barca da morte. Ele d\u00e1 um jeito de escapar e contar a hist\u00f3ria a primeira (estudante) jornalista que encontra, Sondra (Scarlett). Ela usa roupas largas, \u00f3culos, se enrola toda na hora de falar e n\u00e3o tem um pingo de sex-appeal (exceto na cena da piscina). O tal furo \u00e9 sobre um rica\u00e7o que est\u00e1 matando prostitutas na noite de Londres (assim como Jack, o estripador, o mais famoso serial-killer das Ilhas). O singelo rapaz manda suas v\u00edtimas para o al\u00e9m deixando sua marca sobre o corpo frio da morta: uma carta de tar\u00f4. Inexperiente, Sondra pede ajuda ao m\u00e1gico Splendini (Woody), um nova-iorquino que odeia a cidade inglesa, n\u00e3o entende como as pessoas podem se acostumar dirigindo do lado direito do carro, e que adora fazer piadas sobre judeus e o sistema de classes brit\u00e2nico. Em uma intensa procura por pistas, Velma (Scarlett) e Salsicha (Woody) se metem em confus\u00f5es enquanto tentam montar o quebra-cabe\u00e7a criminoso. O resultado \u00e9 um filme leve e simp\u00e1tico, que n\u00e3o ofende, mas tamb\u00e9m n\u00e3o conquista, ficando no rol das com\u00e9dias tolas que Woody ir\u00e1 abusar de fazer neste s\u00e9culo. O pr\u00f3prio Woody a define como \u201cuma com\u00e9dia ligeira que peca por falta de ambi\u00e7\u00e3o\u201d, e n\u00e3o poderia estar mais correto. Por\u00e9m, no embalo do grande sucesso de \u201cMatch Point\u201d, o custo de US$ 4 milh\u00f5es viu um faturamento de US$ 40 milh\u00f5es no final. Isso sim foi um belo passe de m\u00e1gica.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74223\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cassandra.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cassandra.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_cassandra-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Cassandra\u2019s Dream (2007)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: O Sonho de Cassandra<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nTerceiro filme consecutivo do cineasta no Reino Unido, o segundo sem refresco c\u00f4mico, e o primeiro apenas com atores brit\u00e2nicos no elenco, \u201cO Sonho de Cassandra\u201d dividiu as aten\u00e7\u00f5es com \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/06\/14\/cinema-antes-que-o-diabo-saiba-que-voce-esta-morto\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Antes que o Diabo Saiba que Voc\u00ea est\u00e1 Morto<\/a>\u201d (2007), de Sidney Lumet, pois ambos chegaram aos cinemas quase ao mesmo tempo com o mesmo ponto de partida: dois irm\u00e3os em meio a uma enrascada financeira cometem um crime que envolve diretamente toda a fam\u00edlia. Com resultados equilibrados, o filme de Lumet soava mais forte, ainda que as atua\u00e7\u00f5es de \u201cO Sonho de Cassandra\u201d fossem melhores. Mais de 10 anos depois, e isolado, o filme de Allen parece ter envelhecido como um bom vinho. Pra variar, aqui ele revisita temas caros de \u201cCrimes e Pecados\u201d e \u201cMatch Point\u201d, mas os personagens n\u00e3o s\u00e3o da alta casta inglesa, e sim dois pobret\u00f5es. Ian (Ewan McGregor \u00f3timo) \u00e9 o irm\u00e3o mais esperto, aquele que a fam\u00edlia acreditava que iria se dar bem na vida, e que est\u00e1 sempre planejando algo para dar um salto de classe social. Terry (Colin Farrell absolutamente excelente), por sua vez, trabalha numa borracharia, \u00e9 viciado em jogos de apostas (cavalos, p\u00f4quer, o que for) e usa mais a cabe\u00e7a para sustentar os cabelos do que para pensar. A coisa entorna quando Terry perde uma fortuna no p\u00f4quer, e pede a seu tio rica\u00e7o uma ajuda (Ian tamb\u00e9m quer uma ajuda financeira para empreender): \u201cEnt\u00e3o me ocorreu: e se o tio vem e se antecipa, e \u00e9 ele quem precisa de ajuda? \u00c9 ele quem est\u00e1 enrascado?\u201d, diz Woody revelando o ponto de partida do bom roteiro. Uma m\u00e3o lava a outra, certo? \u201cA \u00fanica coisa que importa \u00e9 a fam\u00edlia. O mesmo sangue\u201d, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Neste drama denso (que custou US$ 15 mi e faturou US$ 22 mi), Woody desenha com sabedoria a derrocada de um ser-humano consumido pela culpa. O final, um tiquinho mais acelerado do que deveria ser, remete ao antol\u00f3gico conto \u201c<a href=\"http:\/\/screamyell.com.br\/pms_cnts\/lygia_fagundes_telles.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Venha Ver o P\u00f4r-do-sol<\/a>\u201d, de Lygia Fagundes Telles, com as namoradas dos irm\u00e3os fazendo um papel semelhante ao das crian\u00e7as pulando corda. Triste e absolutamente genial.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74224\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_barcelona.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_barcelona.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_barcelona-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Vicky Cristina Barcelona (2008)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Vicky Cristina Barcelona<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nSeguindo em sua mar\u00e9 de grandes filmes, Allen abandonou Londres e aceitou o convite da prefeitura de Barcelona, que decidiu investir numa pe\u00e7a de turismo filmada pelo cineasta \u2013 2 milh\u00f5es de euros sa\u00edram dos cofres p\u00fablicos. \u201cEu j\u00e1 tinha essa ideia de duas mulheres saindo de f\u00e9rias\u201d, conta Woody. \u201cEnt\u00e3o eu tinha o financiamento, e duas semanas depois Penelope Cruz me ligou \u2013 eu tinha a visto em \u2018Volver\u2019 e ela estava genial. O nome de Scarlett estava me rondando e eu soube que Javier Bardem estava interessado. Tudo gradativamente tomou forma. Quando percebi, estava escrevendo para eles\u201d, explica. A grande quest\u00e3o (e genialidade do filme), por\u00e9m, \u00e9 que Woody tinha tr\u00eas estrelas hollywoodianas de m\u00e1xima grandeza em suas m\u00e3os (Penelope saiu com um Oscar de Atriz Coadjuvante por sua atua\u00e7\u00e3o), mas a chave do filme \u00e9 o personagem de Rebecca Hall, Vicky, que, assim como Newland, o personagem de Daniel Day-Lewis em \u201cA \u00c9poca da Inoc\u00eancia\u201d, de Martin Scorsese, ou Francesca (Meryl Streep) de \u201cAs Pontes de Madison\u201d, de Clint Eastwood, est\u00e3o condenados a amar em sil\u00eancio enquanto vivem uma vida de fachada para satisfazer os anseios da sociedade (e seus pr\u00f3prios medos). Mas voltemos ao come\u00e7o: duas amigas v\u00e3o passar suas f\u00e9rias de ver\u00e3o na Espanha, e se apaixonam por um pintor sedutor, que tem um caso conturbado com uma pintora intensamente intensa. Vicky (Hall) \u00e9 centrada, segura e est\u00e1 prestes a se casar; Cristina (Scarlett) n\u00e3o tem a m\u00ednima ideia do que quer da vida, s\u00f3 sabe o que n\u00e3o quer (as escolhas de Vicky). O personagem de Javier Bardem atropela o caminho das duas, e a deusa Penelope transborda paix\u00e3o latina num filme que, apesar de filmado em Barcelona, \u00e9 totalmente franc\u00eas em ess\u00eancia, pagando tributo a Eric Rohmer e Truffaut. Com di\u00e1logos incr\u00edveis, bela m\u00fasica e cart\u00f5es postais maravilhosos, \u201cVicky Cristina Barcelona\u201d tornou-se a maior bilheteria de Woody Allen at\u00e9 ent\u00e3o (custou US$ 15 milh\u00f5es, faturou US$ 96 milh\u00f5es), e \u00e9 um filme que merece aten\u00e7\u00e3o delicada e muito respeito, porque \u00e9 absolutamente sublime.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74225\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tudo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tudo.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_tudo-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Whatever Works (2009)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Tudo Pode Dar Certo<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nNa tentativa de rodar um filme antes de uma iminente greve de atores, Woody recuperou um roteiro que havia escrito nos anos 70 pensando em Zero Mostel, ator perseguido pelo Macarthismo, e que ele decidiu engavetar ap\u00f3s a morte do ator em 1977. Ou seja, \u201cTudo Pode Dar Certo\u201d \u00e9 da \u00e9poca das com\u00e9dias rasgadas pr\u00e9 \u201cAnnie Hall\u201d (1977), e por mais que essa hist\u00f3ria \u201cn\u00e3o seja o cen\u00e1rio para uma com\u00e9dia, mas sim para um delito penal\u201d, como escreveu sagazmente o cr\u00edtico da Time Magazine na \u00e9poca, se voc\u00ea ultrapassar o \u201cdetalhe\u201d de uma garota de 20 anos (Evan Rachel Wood \/ Melodie) que se apaixona por um velho rabugento de 60 (Lary David \/ Boris), ir\u00e1 encontrar um dos filmes mais divertidos de Woody no per\u00edodo. \u201cSe tivesse que comer nove por\u00e7\u00f5es de frutas e vegetais para viver, eu n\u00e3o ia querer viver\u201d, confessa Boris no brilhante monologo inicial em que ainda defende que Jesus e Karl Marx tinham boas ideias, mas erraram porque \u201cse baseavam na ideia falaciosa de que as pessoas s\u00e3o, essencialmente, decentes\u201d. Boris \u00e9 um mal-humorado f\u00edsico aposentado e suicida fracassado que abriga Melodie, uma garota que fugiu de casa (na Carolina do Norte) para Nova York. Com o tempo, ela se apaixona por ele, eles se casam, e tudo segue bem (ranzinza) at\u00e9 a m\u00e3e encontr\u00e1-la, e tudo virar de cabe\u00e7a pra baixo (ou voltar ao eixo, como queiram). H\u00e1 uma s\u00e9rie de tiradas deliciosas (voc\u00ea sabia, caro leitor, que Deus, al\u00e9m de gay, \u00e9 decorador? E que se n\u00e3o fosse a incapacidade sexual de muitos homens, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias de Armas iria \u00e0 fal\u00eancia?) e um tipicamente fechamento alleniano: \u201cA maior parte de sua exist\u00eancia \u00e9 sorte, mais do que voc\u00ea gostaria de admitir\u201d, crava Boris. O resultado \u00e9 um bom filme que custou US$15 milh\u00f5es e faturou US$ 35 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74227\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sonhos.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sonhos.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_sonhos-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: You Will Meet a Tall Dark Stranger (2010)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Voc\u00ea Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nEm seu quarto filme em Londres em seis anos, Woody Allen est\u00e1 acompanhado por um elenco estelar que traz Antonio Banderas, Josh Brolin, Anthony Hopkins, Gemma Jones, Freida Pinto (em seu segundo filme \u2013 o primeiro foi o estrondoso sucesso &#8220;<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2009\/02\/22\/quem-quer-ser-um-milionario\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Slumdog Millionare<\/a>&#8220;) e Naomi Watts (por problemas de agenda, Nicole Kidman desistiu do papel de prostituta que se casa com um homem mais velho, que ficou com Lucy Punch) tentando contar quatro hist\u00f3rias em 100 minutos: a do casal Roy e Sally (Josh e Naomi), ele o escritor de um livro de sucesso que n\u00e3o consegue escrever um romance a altura do primeiro e se apaixona pela garota da janela em frente, e ela uma galerista frustrada com o casamento e com a perspectiva de n\u00e3o ter filhos; e a hist\u00f3ria dos pais dela, Alfie (Hopkins, \u00f3timo) e Helena (Gemma, insuport\u00e1vel n\u00e3o por sua culpa, mas por seu personagem intensamente presente), que acabaram de se separar. Os demais giram em torno desses quatro, e a sensa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca de seu lan\u00e7amento era de que esse era um dos piores filmes de toda a carreira de Woody Allen, mas, visto 10 anos depois, \u00e9 percept\u00edvel que h\u00e1 bastante potencial no roteiro, s\u00f3 que ele ficou no papel. Woody perdeu o tes\u00e3o, aparentemente, no decorrer das filmagens, e deixou-o seguir frouxo sem ter animo ou pique para consert\u00e1-lo. O resultado \u00e9 um filme fraco (principalmente frente aos antecessores imediatos) que desperdi\u00e7a um elenco de sonhos, mas, ainda assim, carrega certa gra\u00e7a. Custou USR 22 mi e faturou US$ 34 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74228\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_paris.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_paris.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_paris-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Midnight in Paris (2011)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Meia Noite em Paris<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nO ponto de partida de Woody em \u201cMidnight in Paris\u201d foi o t\u00edtulo, e ele tinha o t\u00edtulo e nada mais, e come\u00e7ou a pensar no que poderia acontecer \u00e0 meia noite em Paris. Outra ideia surgiu: e se uma pessoa entrasse num carro e fosse parar em outra \u00e9poca? Bum! Mas havia um entrave: filmes de \u00e9poca s\u00e3o car\u00edssimos e os or\u00e7amentos de Allen, baix\u00edssimos. Por\u00e9m, em 2009, a Fran\u00e7a introduziu um desconto de impostos para produ\u00e7\u00f5es internacionais, e com financiamento espanhol, a produ\u00e7\u00e3o deslanchou. Nesta deliciosa f\u00e1bula fantasiosa, um roteirista de Hollywood (Owen Wilson, perfeito) que deseja largar seu trabalho milion\u00e1rio para escrever romances (o personagem de Josh Brolin no filme anterior felizmente ganhou um filme seu) desembarca em Paris com a noiva (Rachel McAdams), e se perde sozinho e b\u00eabado na noite da Cidade Luz sendo resgatado por um carro antigo que o leva para uma festa&#8230; nos anos 20, em que conhece Zelda e F. Scott Fitzgerald, Cole Porter, Gertrude Stein, Hemingway, Picasso, Bu\u00f1uel e Dali, entre outros. Todos os dias \u00e0 meia-noite, ele passa a \u201cvisitar\u201d seus novos amigos, e se apaixona por Adriana (Marion Cotillard), musa de Modigliani, Brake e Picasso, que n\u00e3o est\u00e1 satisfeita com essa Paris e sonha com a cidade da Belle \u00c9poque, em 1890. De maneira genial (e com refor\u00e7o de Degas, Gaughin e Toulouse-Lautrec), Woody defende que, na tentativa de fugir de um presente desagrad\u00e1vel, toda gera\u00e7\u00e3o projeta outra \u00e9poca como sendo perfeita por pura nostalgia e ilus\u00e3o, pois a vida, em que \u00e9poca for, nunca ser\u00e1 perfeita. Com um roteiro esperto, piadas deliciosas, atua\u00e7\u00f5es envolventes e a Cidade Luz cumprindo seu papel de personagem principal e encantando, \u201cMeia Noite em Paris\u201d se transformou na maior bilheteria de toda carreira de Allen, faturando US$ 154 milh\u00f5es (os valores atualizados de \u201cAnnie Hall\u201d batem nos US$ 143 milh\u00f5es), e rendendo a ele sua 16\u00aa indica\u00e7\u00e3o ao Oscar de Melhor Roteiro Original, e sua terceira vit\u00f3ria na Academia (que se junta a \u201cAnnie Hall\u201d e \u201cHannah\u201d), reconhecimento por um filme leve, inteligente, divertido, bonito e extremamente po\u00e9tico.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74561\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/paris1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/paris1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/paris1-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Paris-Manhattan (2012)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Paris-Manhattan<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen inspira o filme e faz uma r\u00e1pida participa\u00e7\u00e3o<\/em><br \/>\nEm seu filme de estreia, a diretora e roteirista francesa Sophie Lellouche decidiu mostrar seu amor pelo cinema de Woody Allen. Em \u201cParis Manhattan\u201d, Alice (Alice Taglioni) \u00e9 daquelas mulheres bonitas, ricas e solteiras que s\u00f3 existem em filmes. Al\u00e9m de tudo isso, ela \u00e9 uma farmac\u00eautica apaixonada pelos filmes de Woody Allen (que muitas vezes receita filmes do diretor ao inv\u00e9s de rem\u00e9dios). Lellouche brinca com Allen numa divertida recria\u00e7\u00e3o de \u201cSonhos de Um Sedutor\u201d, em que o personagem do cineasta recebia conselhos de um Humphrey Bogart imagin\u00e1rio. Em \u201cParis Manhattan\u201d \u00e9 Alice que recebe conselhos imagin\u00e1rios de Woody, muitos deles as melhores tiradas do filme. Apesar da boa ideia, Sophie Lellouche transforma sua com\u00e9dia rom\u00e2ntica francesa em um filmezinho \u00f3bvio cujo final est\u00e1 escrito na testa de todos os personagens (principalmente daquele que age e fala coisas como se fosse Woody). Assim como sua personagem principal, que amava Woody Allen, mas parecia n\u00e3o transpor as coisas que via na tela para a vida real (e poucos cineastas s\u00e3o t\u00e3o reais quanto Woody), Lellouche mostra como tamb\u00e9m n\u00e3o aprendeu nada com o cineasta novaiorquino. Uma pena.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74230\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roma.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roma.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roma-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: To Rome With Love (2012)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Para Roma Com Amor<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, atua e dirige<\/em><br \/>\nNa <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/10\/11\/os-filmes-prediletos-de-woody-allen\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lista dos 16 melhores filmes de todos os tempos para Woody Allen<\/a>, a It\u00e1lia \u00e9 representada com cinco t\u00edtulos, o que levanta a quest\u00e3o: amando tanto o cinema italiano, como Woody nunca tinha filmado no Pa\u00eds? Ok, teve uma parte de \u201cTodos Dizem Eu Te Amo\u201d em Veneza, mas era pouco. Ap\u00f3s passar por Londres, Barcelona e Paris, ele finalmente desembarca em Roma, assumindo: \u201cFoi estritamente financeiro\u201d. O \u2018cinema de turismo\u2019 que Woody vinha praticando desde que pisou em Londres em 2005 deu folego novo ao cineasta, e se \u201cPara Roma Com Amor\u201d n\u00e3o alcan\u00e7a o brilho de \u201cMatch Point\u201d, \u201cVicky Cristina Barcelona\u201d e \u201cMeia Noite em Paris\u201d, ao menos faz rir, o que, em se tratando de Allen, \u00e9 sempre bem-vindo. S\u00e3o quatro hist\u00f3rias que t\u00eam a cidade como \u00fanica forma de liga\u00e7\u00e3o. Na melhor delas, Woody brilha como Jerry, um produtor musical aposentado que descobre um tenor talentoso, com apenas um detalhe: ele s\u00f3 canta bem debaixo do chuveiro. Deliciosamente c\u00f4mico. Um pouco abaixo, mas com \u00f3timos momentos, temos a (quase) refilmagem de \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Abismo de Um Sonho<\/a>\u201d, segundo filme de Fellini, que mostra um casal do interior chegando a Roma rec\u00e9m-casado: a esposa deixa o hotel, e quando v\u00ea est\u00e1 nos bra\u00e7os de seu ator favorito enquanto o marido lida com a fam\u00edlia. Woody acrescenta um elemento substancial \u00e0 trama (\u201capenas\u201d Penelope Cruz), e a hist\u00f3ria diverte. O terceiro conto \u00e9 estrelado muito bem por Roberto Benigni, e defende que entre ser pobre e desconhecido ou rico e famoso, a segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor (voc\u00ea tinha d\u00favida, leitor?). Um pouco abaixo das tr\u00eas, h\u00e1 o romance que une Juno a Mark Zuckerberg, ou melhor, Ellen Page (Monica) e Jesse Eisenberg (Jack), com Frances Ha (Greta Gerwig) de coadjuvante, e vale mais pelas imagens do Trastevere, um dos lugares mais aconchegantes de Roma, do Coliseu e do Parco della Musica. Alec Baldwin \u2013 como o coro grego que avisa Jack da poss\u00edvel trag\u00e9dia \u2013 acaba esvaziando a hist\u00f3ria, mas ainda assim h\u00e1 certo charme que mant\u00e9m na m\u00e9dia um filme menor que diverte, faz pensar, admirar Roma e que envelheceu bem. Custou US$ 17 milh\u00f5es e faturou US$ 73 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74231\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_documentario.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_documentario.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_documentario-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Woody Allen \u2013 A Documentary (2012)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Woody Allen \u2013 Um Document\u00e1rio<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nEscrito e dirigido por Robert B. Weide, \u201cWoody Allen \u2013 Um Document\u00e1rio\u201d (2012) perpassa quase todos os filmes do diretor com jornalistas, cr\u00edticos, atores, familiares, produtores, profissionais de sua equipe e at\u00e9 um te\u00f3logo al\u00e9m de alguns convidados de luxo (como Martin Scorsese) comentando sobre Woody e seus filmes. Produzido para a 25\u00aa Temporada da s\u00e9rie American Masters, em 2011, este document\u00e1rio pode ser encontrado em sua vers\u00e3o comercial editada, com 113 minutos (que foi lan\u00e7ada em DVD no Brasil e est\u00e1 dispon\u00edvel na Amazon Prime) ou em sua vers\u00e3o integral, com 195 minutos, dispon\u00edvel em DVD duplo no mercado estrangeiro (e na Amazon Prime gringa). \u00c9 uma diferen\u00e7a consider\u00e1vel, praticamente um filme inteiro (82 minutos) que ficou de fora da vers\u00e3o editada, e os coment\u00e1rios que voc\u00ea l\u00ea aqui s\u00e3o da imperd\u00edvel vers\u00e3o estendida. A primeira parte conta da inf\u00e2ncia do cineasta, fala como ele come\u00e7ou a escrever e vender piadas ainda adolescente e enveredou para o stand-up at\u00e9 que se transformasse em um dos comediantes mais famosos dos Estados Unidos. Envereda para o cinema, com \u201cO Que Que H\u00e1, Gatinha?\u201d (1965) e o roteiro (b\u00e1sico, sem nenhuma invencionice) segue contando filme ap\u00f3s filme at\u00e9 \u201cMem\u00f3rias\u201d (1980). N\u00e3o h\u00e1 quase novidades aqui, principalmente se voc\u00ea j\u00e1 conhece um pouco da hist\u00f3ria de Woody, mas n\u00e3o deixa de ser interessante. O tesouro, por\u00e9m, surge na segunda parte, mais bagun\u00e7ada cronologicamente, mas muito mais interessante pelas declara\u00e7\u00f5es de atores como Pen\u00e9lope Cruz, Scarlett Johnasson, John Cusack, Dianne Wiest (num trecho imperd\u00edvel), Mira Sorvino, Josh Brolin, Sean Penn e Owen Wilson, entre outros, contando como \u00e9 trabalhar com Woody, e seus m\u00e9todos, tornando mais t\u00e1til entender como ele constr\u00f3i seus filmes, e permitindo observar com mais profundidade a obra do cara que se viu \u201cnuma posi\u00e7\u00e3o estranha\u201d de ser influenciado por \u201cGroucho Marx, Bob Hope e Ingmar Bergman\u201d, concluindo: \u201cN\u00e3o h\u00e1 o menor sentido nisso\u201d. C\u00e1 est\u00e3o tr\u00eas horas que d\u00e3o muito sentido ao cinema de Woody Allen.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74232\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_jasmine.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_jasmine.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_jasmine-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Blue Jasmine (2013)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Blue Jasmine<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nDe volta aos Estados Unidos, Woody Allen dividiu seu novo filme entre filmagens em Nova York e a S\u00e3o Francisco que ele n\u00e3o encontrava (cinematograficamente) desde \u201cSonhos de um Sedutor\u201d, em 1972. O roteiro original (que rendeu a Woody sua 16\u00aa indica\u00e7\u00e3o ao Oscar na categoria) beliscava a trama de \u201cUm Bonde Chamado Desejo\u201d (1951), de Tennessee Williams, ao contar a hist\u00f3ria de uma mulher (Jasmine \/ Blanche) que quer recome\u00e7ar a vida e apagar todo seu passado, mas protege-se (esconde-se) em uma redoma de fantasia e virtudes \u2013 o Stanley Kowalski da vez se chama Chilli e \u00e9 interpretado magnificamente por Bobby Cannavale. Jasmine (Cate Blanchett) vivia em Nova York com um rica\u00e7o (Alec Baldwin, melhor aproveitado do que em \u201cPara Roma Com Amor\u201d) que fraudava impostos, foi pego e levou a fam\u00edlia \u00e0 bancarrota. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso, h\u00e1 mais pe\u00e7as que Allen ir\u00e1 distribuindo durante o filme. Ela est\u00e1 falida (mas voa de primeira classe e carrega uma bolsa Louis Vuitton) e procura ref\u00fagio na casa da irm\u00e3, a simpl\u00f3ria Ginger (Sally Hawkins, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), em S\u00e3o Francisco. Amparada por um personagem movido \u00e0 vodka, Martini e Xanax, Cate Blanchett brilha (o uso constante do \u201cpresente \/ flashback\u201d valoriza a atua\u00e7\u00e3o) em um filme delicado e sutilmente profundo que fotografa com suave ironia a triste decad\u00eancia de uma mulher (rica), que come\u00e7a o filme sentada na 1\u00aa classe de um voo e termina sozinha em um banco de parque, tal qual um Forrest Gump contando hist\u00f3rias (no caso dela, sempre a mesma), mas sem uma caixa de bombons, apenas lembran\u00e7as de um tempo bom que se foi. Blanchett levou a estatueta de Melhor Atriz para casa (o segundo Oscar de sua carreira \u2013 o primeiro foi por \u201cO Aviador\u201d, de Martin Scorsese) e o melhor filme (at\u00e9 o momento) de Woody Allen nos EUA neste s\u00e9culo, que custou US$ 19 mi, faturou US$ 99 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74233\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_amante.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_amante.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_amante-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Fading Gigolo (2013)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Amante a Domic\u00edlio<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen atua<\/em><br \/>\nComo ator, John Turturro esteve envolvido em v\u00e1rios grandes filmes: \u201cTouro Indom\u00e1vel\u201d (1980), \u201cProcura-se Susan Desesperadamente\u201d (1985), \u201cHannah e suas Irm\u00e3s\u201d (1986), \u201cA Cor do Dinheiro\u201d (1986), \u201cFa\u00e7a a Coisa Certa\u201d (1989), \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/04\/tres-filmes-irmaos-coen-84-87-e-91\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barton Fink<\/a>\u201d (1991) \u201cO Grande Lebowski\u201d (1998) e \u201cE A\u00ed, Meu Irm\u00e3o, Cad\u00ea Voc\u00ea?\u201d (2000), entre outros. Como diretor, assinou cinco longas, sendo \u201cFading Gigolo\u201d seu \u00faltimo trabalho \u2013 e, curiosamente, o \u00faltimo de Woody Allen como ator de cinema (descontando a s\u00e9rie \u201cCrise em Seis Cenas\u201d, de 2016). O ponto de partida \u00e9 inveros\u00edmil: Murray (Woody) conta ao amigo Fioravante (Turturro) que sua m\u00e9dica lhe confessou o desejo de fazer um m\u00e9nage a trois com uma amiga, mas que precisa de um homem, e perguntou a Murray se ele n\u00e3o conhecia ningu\u00e9m. Murray tinha pensado no amigo, que, inicialmente, se nega ao papel de gigolo, mas acaba aceitando o trabalho. Dra. Parker \u00e9 Sharon Stone e sua amiga, Selima, \u00e9 Sofia Vergara (suspiros), e as duas s\u00e3o apenas as primeiras clientes da dupla (Murray cafetina, Fioravante executa). O problema surge quando a vi\u00fava de um rabino, Avigal (uma Vanessa Paradis deliciosamente contida), atravessa o caminho do rapaz, e come\u00e7a a dificultar a tarefa de separar trabalho de amor. Escrito assim, \u201cFading Gigolo\u201d soa simpl\u00f3rio e piegazinho, e \u00e9 exatamente o que ele \u00e9. Turturro dispensa alegorias cinematogr\u00e1ficas e vai direto ao ponto de tal maneira que acaba tanto matando o potencial c\u00f4mico de seu personagem (que \u00e9 puro t\u00e9dio) quanto expondo a falta de profundidade dele e dos demais. Sem enfrentamento, Woody Allen brilha sendo o Woody Allen de sempre, Sharon Stone diverte, mas s\u00e3o Sofia Vergara (sendo Sofia Vergara) e Vanessa Paradis os grandes destaques de um filme que soa bonitinho, mas tremendamente ordin\u00e1rio e esquec\u00edvel. Um passatempo para ver sem compromisso, rir aqui e ali, e esquecer (como, ali\u00e1s, muitos filmes de Woody Allen no novo s\u00e9culo.).<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74234\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_magia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_magia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_magia-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Magic In The Moonlight (2014)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Magia ao Luar<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nDos EUA para Nice, Menton e Antibes na Riviera Francesa (Woody tolera divulgar seus filmes em Cannes porque esposa e filhos amam a regi\u00e3o) para uma vers\u00e3o local (passada nos anos 1920) de \u201cScoop\u201d batida no liquidificador com \u201cTudo Pode Dar Certo\u201d: o m\u00e1gico chin\u00eas Wei Ling Soo \u00e9 o disfarce de Stanley, com Colin Firth fazendo aqui o papel de m\u00e1gico de Hugh Jackman e do velho mal-humorado letrado de Larry David com a graciosa jovem Emma Stone tomando o lugar de Scarlett Johansson e Evan Rachel Wood. Tal qual \u201cScoop\u201d, Woody utiliza o ilusionismo como escape para uma historinha de amor banal, um passatempo c\u00f4mico rom\u00e2ntico que choca o desespero da finitude com a improbabilidade do amor (a Hollywood dos anos de ouro amaria). \u201cA gente nasce, n\u00e3o comete nenhum crime, e \u00e9 condenado \u00e0 morte\u201d, lamenta Stanley genialmente corroborando a decep\u00e7\u00e3o do cineasta com a finitude do ser, algo que sempre o assombrou, ainda que antes essa tristeza surgisse embalada em sarcasmo fino. Em \u201cMagia ao Luar\u201d, por\u00e9m, a afirma\u00e7\u00e3o vem acompanhada da antipatia e do egocentrismo do personagem de Colin Firth, um velho chato, culto, convencido e incorrig\u00edvel, cujo fato de uma pedra se interessar por ele j\u00e1 seria uma surpresa, quanto mais a jovem Sophie (Emma). Woody \u00e9 cruel com a mediunidade, mas se dobra ao amor, um dos poucos rem\u00e9dios que podem aliviar o fardo do fim inevit\u00e1vel. Simpl\u00f3rio, \u201cMagia ao Luar\u201d se destaca como ve\u00edculo de toda descren\u00e7a do cineasta com a exist\u00eancia, mas atende \u00e0s necessidades de um final feliz, como se o mundo ainda acreditasse nisso (acredita?). Eis uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica repleta de mau-humor, desencanto e cita\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas que, no final, sorri de forma inocente e apaixonada justificando a principal premissa do filme: a vida \u00e9 indiscutivelmente um fardo, e cada pessoa necessita (tanto) de distra\u00e7\u00e3o (quanto de mentiras) para seguir em frente. Neste caso, o amor basta, mas o filme poderia ser melhor. A vida tamb\u00e9m\u2026 Custou US$ 16.8 milh\u00f5es e faturou US$ 51 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74236\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_irracional.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_irracional.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_irracional-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Irrational Man (2015)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Homem Irracional<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nSe o filme anterior deixava explicito que Woody estava explorando material que ele mesmo j\u00e1 tinha usado, no campo da com\u00e9dia, \u201cHomem Irracional\u201d repete o expediente, no quesito drama. Aqui, Woody (filmando em Newport, Rhode Island) bate no liquidificador dois dos seus grandes dramas londrinos do novo s\u00e9culo, \u201cMatch Point\u201d e \u201cO Sonho de Cassandra\u201d, mas n\u00e3o consegue alcan\u00e7ar o brilho de nenhum deles. Do primeiro, ele resgata o romance inapropriado que pode terminar em trag\u00e9dia (e uma pequena lanterna se iguala ao golpe de sorte de uma alian\u00e7a roubada); do segundo, o sentimento de culpa que corr\u00f3i seus personagens, impedindo-os de seguir em frente sem que a verdade seja revelada, custe o que custar. Na trama de \u201cHomem Irracional\u201d, o pol\u00eamico professor de filosofia Abe Lucas (Joaquin Phoenix), vivendo uma crise existencial, come\u00e7a a dar aulas numa nova faculdade, onde precisa lidar com a impetuosidade sexual de uma professora (Parker Posey) e a jovialidade apaixonante de uma inteligente aluna, Jill (Emma Stone belamente fotografada por Darius Khondji). Nada anima Abe, at\u00e9 que ele ouve atrocidades sobre um juiz aparentemente corrupto, e promete para si mesmo que ir\u00e1 mat\u00e1-lo. Sua vida ganha um sentido. Ao som de \u201cThe \u2018In\u2019 Crowd\u201d, de Ramsey Lewis Trio, que acaba por dar mais leveza ao filme do que deveria, quest\u00f5es filos\u00f3ficas s\u00e3o despejadas aos montes ao lado do nome de Dostoievski (\u201cCrime e Castigo\u201d) e Hannah Arendt (\u201cA Banalidade do Mal\u201d). Para Abe, eliminar a vida de um homem corrupto ser\u00e1 o principal gesto de sua vida, pois ajudar pobres e ensinar alunos que, futuramente, v\u00e3o manter as coisas exatamente do jeito que est\u00e3o, n\u00e3o muda nada. \u00c9 preciso a\u00e7\u00e3o, e, para isso, ele tenta criar regras morais que o conven\u00e7am do ato (e conven\u00e7am Jill). Se em \u201cMatch Point\u201d e \u201cO Sonho de Cassandra\u201d, o roteiro discutia culpa, aqui o tema \u00e9 moralidade, mas tanto o final apressado quanto a trilha n\u00e3o colaboram: h\u00e1 um bom filme em algum lugar aqui, mas o resultado final \u00e9 mediano. Custou US$ 11 milh\u00f5es e faturou US$ 27.4 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74238\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_societu.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_societu.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_societu-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Caf\u00e9 Society (2016)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Caf\u00e9 Society<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e narra a hist\u00f3ria em off<\/em><br \/>\nA essa altura da carreira, Woody Allen chegou aos 80 anos tendo escrito mais de 50 filmes, e a sensa\u00e7\u00e3o de autocopia dos dois filmes anteriores volta a bater ponto na trama de \u201cCaf\u00e9 Society\u201d, que narra a vida de um rapaz nova-iorquino, o jovem judeu Bobby (Jesse Eisenberg), que decide mudar-se para Los Angeles sonhando trabalhar com cinema (e com o tio famoso vivido por Steve Carell). L\u00e1 ele se apaixona pela bela Veronica (Kristen Stewart), que ama um homem mais velho (e casado). No meio de tudo isso h\u00e1 resqu\u00edcios de \u201cA Era do R\u00e1dio\u201d na fam\u00edlia nova-iorquina de Bobby (com direito at\u00e9 a um tio comunista), dos gangsteres de \u201cTiros na Broadway\u201d, de um encontro com uma prostituta aos moldes de \u201cDesconstruindo Harry\u201d, de um caminh\u00e3o de piadas de judeus que remete a \u201cAnnie Hall\u201d, do marido que odeia o irm\u00e3o rico da esposa de \u201cUm Sonho de Cassandra\u201d, do ar intelectual de \u201cMeia Noite em Paris\u201d, sem contar mais uma hist\u00f3ria de uma garota de 20 e tantos anos se apaixonando por algu\u00e9m com o dobro de sua idade. Em seu terceiro filme de \u00e9poca em cinco anos (\u201cCaf\u00e9 Society\u201d se passa nos anos 30 com um show do mago da luz Vittorio Storaro, que ganhou o Oscar de Melhor Fotografia por \u201cApocalipse Now\u201d, \u201cReds\u201d e \u201cO \u00daltimo Imperador\u201d), Woody volta a bater na tecla de que vivemos sobre um castelo de cartas de apar\u00eancias, fama e glamour, e que por tr\u00e1s da beleza das grandes cidades h\u00e1 muita desilus\u00e3o, sujeira e cora\u00e7\u00f5es partidos, temas que refor\u00e7am sua desilus\u00e3o com o mundo. Apesar das autocita\u00e7\u00f5es e da trilha sonora que novamente distrai o espectador ao inv\u00e9s de servir a trama, \u201cCaf\u00e9 Society\u201d \u00e9 um pequeno bom filme, que soa melhor hoje do que quando foi lan\u00e7ado, porque \u00e9 permitido agora v\u00ea-lo sem cobran\u00e7as e compara\u00e7\u00f5es, pois a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que cada vez que vamos ver um novo filme de Woody Allen, nos frustramos porque ele raramente est\u00e1 no n\u00edvel de seus pr\u00f3prios cl\u00e1ssicos. Observado de maneira mais leve, a filmografia recente de Woody at\u00e9 que surpreende. Custou US$ 30 milh\u00f5es e faturou US$ 43.800 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74240\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_crisis.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_crisis.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_crisis-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Crisis in Six Scenes (2016)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Crise em Seis Cenas<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro, dirige e atua<\/em><br \/>\nWoody Allen e a televis\u00e3o \u00e9 um relacionamento que nunca dar\u00e1 certo. Nunca. Ap\u00f3s \u201cThe Laughmakers\u201d (1962), piloto de s\u00e9rie que ele roterizou e nunca foi lan\u00e7ado (recentemente apareceram na web <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5wGy7bKYWIs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pouco mais de tr\u00eas minutos dos 27 do programa<\/a>), \u201cMen of Crisis: Harvey Wallinger History\u201d (1971) e \u201cQuase um Sequestro\u201d (1994), ele aceitou o convite da Amazon Studios (embalada pelo reconhecimento que a produtora teve com\u00a0 \u201cTransparent\u201d) para se aventurar em uma s\u00e9rie, a galinha dos ovos de ouro do entretenimento atual. O resultado foi \u201cCrise em Seis Cenas\u201d, que se n\u00e3o \u00e9 um fracasso completo, est\u00e1 longe de ser boa e mais longe ainda das grandes s\u00e9ries que pululam nas TVs aqui e ali. Primeiro porque o formato \u00e9 todo equivocado: Woody n\u00e3o fez uma s\u00e9rie, mas sim um filme que ele picotou em seis partes (e que ficou sem conclus\u00e3o, ou ent\u00e3o seu final \u00e9 um dos mais sem gra\u00e7a de toda carreira do cineasta). Segundo porque o elenco n\u00e3o ajuda, e olha que Miley Cirus se esfor\u00e7a, mas o personagem n\u00e3o funciona. Mesmo Woody, de volta \u00e0s telas pela primeira vez em quatro anos (sua \u00faltima apari\u00e7\u00e3o em um filme seu foi em \u201cPara Roma com Amor\u201d, de 2012), soa muito menos engra\u00e7ado do que outrora (mas ele consegue ainda cravar umas boas piadas aqui e ali). Terceiro porque a hist\u00f3ria, que se passa nos anos 60, tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda (apesar de ter potencial): um escritor neur\u00f3tico (Woody) que vive uma vida mon\u00f3tona com a esposa (Elaine May) recebe, a revelia, a sobrinha em casa (Miley Cirus), e ela \u00e9 uma ativista que fugiu da pris\u00e3o ap\u00f3s atirar em um policial e pretende fugir para Cuba (nos anos 60!). Os seis epis\u00f3dios exibem o embate simpl\u00f3rio do escritor com a ativista enquanto ela est\u00e1 em sua casa \u2013 as reuni\u00f5es da esposa no clube do livro s\u00e3o muito, mas muito mais divertidas \u2013 e o balan\u00e7o final \u00e9 um filme simp\u00e1tico picotado em seis epis\u00f3dios que s\u00f3 foi pra frente porque era de Woody Allen: qualquer novato que entregasse essas duas horas e meia de proje\u00e7\u00e3o iria levar o projeto debaixo do bra\u00e7o pra casa. N\u00e3o ofende, mas tamb\u00e9m n\u00e3o conquista.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74241\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roda.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roda.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_roda-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Wonder Whell (2017)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Roda Gigante<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\n40 anos depois, \u201cRoda Gigante\u201d se conecta com \u201cAnnie Hall\u201d numa cita\u00e7\u00e3o deliciosa que rememora Alvin Singer, o personagem que se apaixona por Annie e cresceu em uma casa no meio do parque de divers\u00f5es de Coney Island, nos anos 50. De forma semelhante, \u00e9 numa casa sobre o estande de tiro ao alvo com a roda gigante tampando a vis\u00e3o do oceano que vive Ginny (a esplendorosa Kate Winslet), uma mulher que se apaixonou por outro homem e viu seu casamento ruir, mas se juntou a Humpty (Jim Belushi, excelente), o operador do carrossel do parque que \u00e9 pai de Carolina (Juno Temple), uma mo\u00e7a sonhadora que se casou com um gangster, o entregou em um acordo de dela\u00e7\u00e3o e agora est\u00e1 jurada de morte. A eles se junta Mickey (um tedioso Justin Timberlake), o rom\u00e2ntico escritor que trabalha como salva-vidas na praia, e narra a hist\u00f3ria tentando distrair o espectador como Scarlett Johansson e Pen\u00e9lope Cruz fizeram em \u201cVicky Cristina Barcelona\u201d. Se l\u00e1 a alma do filme est\u00e1 em Rebeca Hall, em \u201cRoda Gigante\u201d, Mickey narra o drama de ver\u00e3o, mas o filme \u00e9 todo sobre Ginny, e Kate entrega uma atua\u00e7\u00e3o digna das estatuetas de Oscar, Grammy e Emmy que mant\u00e9m na estante de sua casa. N\u00e3o bastou. Falta densidade e tens\u00e3o ao drama excessivamente teatralizado, e ainda que Winslet se esforce sozinha para carregar o filme nas costas (e em muitos momentos consiga), o embara\u00e7o de um ator escada fraco (Timberlake) e as luzes exageradas de Vittorio Storaro, que j\u00e1 havia iluminado de dourado \u201cCaf\u00e9 Society\u201d e trouxe pra c\u00e1 o excesso de cores de um dos maiores fracassos de sua carreira e da de Francis Coppola, o cult kitsch \u201cO Fundo do Cora\u00e7\u00e3o\u201d (1982), n\u00e3o colaboram. O resultado, por\u00e9m, est\u00e1 longe de ser um desastre, e assim como os tr\u00eas filmes imediatamente anteriores, melhorou sensivelmente distante da estreia na sala de cinema, o que n\u00e3o tira o filme do terceiro escal\u00e3o de obras do cineasta. Ap\u00f3s 12 anos seguidos lucrando nas bilheterias, Woody volta a fracassar com \u201cRoda Gigante\u201d, que custou US$ 25 milh\u00f5es e faturou apenas US$ 15,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74242\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_umdia.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_umdia.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_umdia-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: A Rainy Day In New York (2019)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Um Dia de Chuva em Nova York<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nFinalizado e pronto para ser lan\u00e7ado em 2018, mas com lan\u00e7amento cancelado pela Amazon Studios devido a desdobramentos do movimento #MeToo \u2013 que, ainda que a s\u00e9ria acusa\u00e7\u00e3o de Dylan Farrow repouse no meio de uma intensa rede de intrigas entre Allen e Mia Farrow, resultou numa declara\u00e7\u00e3o absolutamente inaceit\u00e1vel do cineasta em defesa de Harvey Weinstein \u2013, \u201cA Rainy Day In New York\u201d (no original) s\u00f3 estreou oficialmente em julho de 2019 (na Pol\u00f4nia) chegando ao Brasil no final de novembro marcando o primeiro ano (2018) desde 1981 em que Woody n\u00e3o teve um filme seu nos cinemas. \u00c0 parte de toda pol\u00eamica que cercou a produ\u00e7\u00e3o, \u201cA Rainy Day In New York\u201d \u00e9 mais uma com\u00e9dia rom\u00e2ntica (datada, tal qual \u201cCaf\u00e9 Society\u201d, ainda que ali houvesse mais agilidade) de terceiro escal\u00e3o na extensa obra do cineasta \u2013 o que \u00e9 um pouco pior no caso de Woody, afinal, uma coisa \u00e9 ser uma obra menor numa filmografia de 10 filmes, outra \u00e9 numa carreira de mais de 50. Na trama, Gatsby (Timoth\u00e9e Chalamet) \u00e9 um daqueles jovens bon vivant que, hoje em dia, voc\u00ea s\u00f3 v\u00ea nos filmes de Woody (elegantemente deselegante, que toca Chet Baker no piano e prefere ligar a mandar mensagens no celular). Ele est\u00e1 em Nova York com sua namorada de faculdade, a bela jovem caipira e inocente Ashleigh (Elle Fanning, que entrega o que o papel repleto de tristes clich\u00eas pede), que ir\u00e1 entrevistar um famoso diretor de cinema, Robert Pollard (Liev Schreiber), que est\u00e1 em crise com seu \u00faltimo filme. E enquanto a namorada \u00e9 cortejada por diretor, roteirista (Jude Law, excelente) e ator (Diego Luna, o melhor em cena), Gatsby se descobre apaixonado por Manhattan e por&#8230; Chan (Selena Gomez, que, escondida, n\u00e3o diz muito a que veio). Inevitavelmente h\u00e1 piadas que funcionam (ainda \u00e9 um filme de Woody Allen), mas a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 que tudo aqui foi feito no piloto autom\u00e1tico. Funciona para a Sess\u00e3o da Tarde, mas se espera mais de Woody Allen. Custou US$ 25 mi e faturou USS 22 mi.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74243\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_festival.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_festival.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woody_festival-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Rifkin&#8217;s Festival (2020)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: O Festival do Amor<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nEm seu segundo filme sem apoio nos EUA (que s\u00f3 estreou \u201cem casa\u201d em 2022), Woody teve investimento espanhol e italiano, e partiu para a Europa para filmar uma hist\u00f3ria leve e divertida que provoca \u201ccin\u00e9filos\u201d. De novo, ele recicla ideias de outros filmes seus (\u201cMeia Noite em Paris\u201d no comando), e ainda que perca impacto com a escolha do \u00f3timo Wallace Shawn para o papel principal (ele \u00e9 um baita coadjuvante, mas sem o humor e o sex appeal necess\u00e1rios ao personagem), se sai bem porque as piadas e as sacadas cinematogr\u00e1ficas, mesmo recicladas (ou talvez por isso), s\u00e3o \u00f3timas e funcionam como a muito n\u00e3o funcionavam. Esque\u00e7a o t\u00edtulo bestinha nacional: na trama, o ex-professor de cinema Mort Rifkin (Shawn) vai com a esposa (Gina Gershon, \u00f3tima) ao Festival de Cinema de San Sebastian, na Espanha. Ela est\u00e1 assessorando o jovem diretor (eg\u00f3latra e galanteador) Philippe (Louis Garrel, excelente), e Mort cr\u00ea que h\u00e1 algo a mais entre eles. Desencantado com o casamento e com o cinema, Mort come\u00e7a a ter vis\u00f5es que o inserem em cenas de cl\u00e1ssicos como \u201cCidad\u00e3o Kane\u201d, \u201cAcossado\u201d, \u201cO Anjo Exterminador\u201d e \u201cO S\u00e9timo Selo\u201d, entre outros, com Woody parodiando de maneira deliciosa seus \u00eddolos e distribuindo piadas afiadas sobre holocausto, novas manias da ind\u00fastria (&#8220;Hoje \u00e0 noite vai rolar exibi\u00e7\u00e3o da directors cut de \u2018Os tr\u00eas Patetas\u2019\u201d) e religi\u00e3o (\u201cLi a B\u00edblia inteira. Me apaixonei por Eva, a mulher de J\u00f3 e Dalila. Meu psiquiatra me disse que me sinto atra\u00eddo por mulheres que v\u00e3o me magoar\u201d). Em certo momento, Mort descobre que sua paix\u00e3o de adolesc\u00eancia o trocou pelo irm\u00e3o depois dele ter tido a primeira chance e t\u00ea-la desperdi\u00e7ado levando-a para ver &#8220;Deserto Vermelho&#8221;, &#8220;Ano Passado em Marienbad&#8221; e &#8220;O Joelho de Claire&#8221; e conclui: &#8220;Acho que fui um imbecil pedante e esnobe que desmotiva as pessoas com seu gosto intelectual&#8221;. Com grandes atua\u00e7\u00f5es de Elena Anaya (de \u201cL\u00facia e o Sexo\u201d), do brilhante Sergi Lopez (de \u201cUma Rela\u00e7\u00e3o Pornogr\u00e1fica\u201d) e de Christoph Waltz (como a Morte), \u201cRifkin&#8217;s Festival\u201d \u00e9 derivativo, mas delicioso e provocante.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-80676\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/golpedesorte.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"342\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/golpedesorte.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/golpedesorte-300x137.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>T\u00edtulo: Coup de Chance (2023)<\/strong><br \/>\n<strong>T\u00edtulo Nacional: Golpe de Sorte em Paris<\/strong><br \/>\n<em>Woody Allen assina o roteiro e dirige<\/em><br \/>\nFilmado na capital francesa (doze anos ap\u00f3s o maior sucesso de toda sua filmografia, o brilhante \u201cMeia-Noite em Paris\u201d), \u201cCoup de Chance\u201d (no original) \u00e9 o primeiro filme de toda a carreira de Woody Allen falado em franc\u00eas com um elenco totalmente local. Mas, n\u00e3o se engane, tudo aqui \u00e9 o mais Woody Allen poss\u00edvel (da safra mais s\u00e9ria do diretor), com reminisc\u00eancias de cl\u00e1ssicos como \u201cCrimes e Pecados\u201d (1989) e \u201cMatch Point\u201d (2005), ainda que soe mais leve que ambos. Na trama, Fanny (Lou de Laage) vive uma vidinha agrad\u00e1vel, ainda que tolamente superficial, com um marido milion\u00e1rio que ela ama por in\u00e9rcia, Jean (Melvil Poupaud), amigos dele que a apelidam de \u201cesposa trof\u00e9u\u201d, e um trabalho numa casa de leil\u00f5es. A vida segue sem gra\u00e7a at\u00e9 ela cruzar, por acaso (o acaso \u00e9 uma paix\u00e3o de Woody, voc\u00ea sabe), Alain (Niels Schneider), um colega de faculdade que ela n\u00e3o via h\u00e1 muito tempo, que agora \u00e9 escritor e que revelar\u00e1 que sempre foi apaixonado por ela. A vidinha mon\u00f3tona de Fanny ganhar\u00e1 contornos dram\u00e1ticos com nossa garota sonhadora alternando baguetes com o rapaz no almo\u00e7o com encontros apaixonados no meio da tarde no apartamento alugado dele, algo que deixar\u00e1 Jean (que tem um passado \u201cnebuloso\u201d) desconfiado. Desta forma, o espectador acompanha o desenrolar desse triangulo amoroso aguardando a trag\u00e9dia t\u00edpica que o cinema franc\u00eas transformou em arte, e \u00e9 aqui que Woody Allen brilha ao desvelar a trama como uma irresist\u00edvel piada de sogra&#8230; de 96 minutos de dura\u00e7\u00e3o \u2013 algo que aproxima esse filme de \u201cDirigindo no Escuro\u201d, que tamb\u00e9m guarda uma grande piada com os franceses para o ato final. Ainda assim, a decantada obra derradeira (ser\u00e1?) de um dos maiores cineastas da hist\u00f3ria soa feita no piloto autom\u00e1tico, sem muita profundidade&#8230; nem paix\u00e3o. Se for realmente seu adeus, \u00e9 uma pena, pois Woody pode mais do que oferece em \u201cCoup de Chance\u201d, que n\u00e3o mancha o curr\u00edculo, mas soa p\u00e1lido e pouco sedutor.<\/p>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74247\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>A LISTA DE FAVORITOS DE MARCELO COSTA<br \/>\nO CINEMA DE WOODY ALLEN<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">01) Match Point (2005)<br \/>\n02) Manhattan (1979)<br \/>\n03) Annie Hall (1977)<br \/>\n04) Hannah e Suas Irm\u00e3s (1986)<br \/>\n05) Tiros na Broadway (1994)<br \/>\n06) Zelig (1983)<br \/>\n07) Crimes e Pecados (1989)<br \/>\n08) Vicky Cristina Barcelona (2008)<br \/>\n09) Meia Noite em Paris (2011)<br \/>\n10) Rosa Purpura do Cairo (1985)<br \/>\n11) Poucas e Boas (1999)<br \/>\n12) Maridos e Esposas (1992)<br \/>\n13) A Outra (1988)<br \/>\n14) Desconstruindo Harry (1997)<br \/>\n15) Celebridades (1998)<br \/>\n16) Broadway Danny Rose (1984)<br \/>\n17) Interiores (1978)<br \/>\n18) Mem\u00f3rias (1980)<br \/>\n19) A Era do R\u00e1dio (1987)<br \/>\n20) Poderosa Afrodite (1995)<br \/>\n21) O Sonho de Cassandra (2007)<br \/>\n22) Tudo Pode Dar Certo (2009)<br \/>\n23) Blue Jasmine (2013)<br \/>\n24) A \u00daltima Noite de Boris Grushenko (1975)<br \/>\n25) Para Roma com Amor (2012)<br \/>\n26) Melinda e Melinda (2004)<br \/>\n27) Todo Mundo Diz Eu Te Amo (1996)<br \/>\n28) Dorminhoco (1973)<br \/>\n29) Trapaceiros (2000)<br \/>\n30) Alice (1990)<br \/>\n31) Tudo o que Voc\u00ea Sempre Quis Saber sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar (1972)<br \/>\n32) Bananas (1971)<br \/>\n33) Sounds from a Town I Love (2001)<br \/>\n34) Um Assaltante Bem Trapalh\u00e3o (1969)<br \/>\n35) Misterioso Assassinato em Manhattan (1993)<br \/>\n36) \u00c9dipo Arrasado (1989)<br \/>\n37) Men of Crisis: The Harvey Wallinger Story (1971)<br \/>\n38) O Festival do Amor (2020)<br \/>\n39) Caf\u00e9 Society (2016)<br \/>\n40) Homem Irracional (2015)<br \/>\n41) Golpe de Sorte (2023)<br \/>\n42) Magia ao Luar (2014)<br \/>\n43) Scoop (2006)<br \/>\n44) Roda Gigante (2017)<br \/>\n45) Sonhos Er\u00f3ticos de uma Noite de Ver\u00e3o (1982)<br \/>\n46) Um Dia de Chuva em Nova York (2019)<br \/>\n47) Dirigindo no Escuro (2002)<br \/>\n48) Setembro (1987)<br \/>\n49) Igual a Tudo na Vida (2003)<br \/>\n50) Neblina e Sombras (1992)<br \/>\n51) O Escorpi\u00e3o de Jade (2001)<br \/>\n52) Voc\u00ea Vai Conhecer o Homem de Seus Sonhos (2010)<br \/>\n53) Crime em Seis Cenas (2016)<br \/>\n54) Quase um Sequestro (1994)<br \/>\n55) O Que H\u00e1, Tigresa? (1966)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74257\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>WOODY ALLEN NOS FILMES DOS OUTROS<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">01) Sonhos de um Sedutor (1972)<br \/>\n02) O Que H\u00e1, Gatinha? (1965)<br \/>\n03) Amante a Domic\u00edlio (2013)<br \/>\n04) Testa de Ferro Por Acaso (1976)<br \/>\n05) Juntando os Peda\u00e7os (2000)<br \/>\n06) Cassino Royale (1966)<br \/>\n07) Cenas de Um Shopping (1990)<br \/>\n08) Meetin WA (1986)<br \/>\n09) Paris-Manhattan (2012)<br \/>\n10) King Lear (1987)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74246\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen2.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen2.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/woodyallen2-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a Calmantes com Champagne.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 10 filmes de Wong Kar-Wai (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/06\/25\/especial-os-10-filmes-de-wong-kar-wai\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 26 filmes de Billy Wilder (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 25 filmes de Fran\u00e7ois Truffaut (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/06\/filmografia-comentada-francois-truffaut\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 24 filmes de Federico Fellini (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/01\/01\/filmografia-comentada-federico-fellini\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Filmografia comentada: os 10 primeiros filmes de Godard(<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2017\/04\/17\/os-10-primeiros-filmes-de-godard\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Domingos de Oliveira 1966, 2002, 2011 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/30\/domingos-oliveira-1966-2002-2011\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Domingos de Oliveira 1971, 1998, 2005 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2016\/11\/09\/domingos-oliveira-1971-1998-2005\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Irm\u00e3os Coen 1984, 1987, 1991 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2015\/05\/04\/tres-filmes-irmaos-coen-84-87-e-91\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Martin Scorsese 1977, 1981, 1993 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2014\/12\/20\/tres-filmes-scorsese-1977-1981-1993\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Audrey Hepburn 1953, 1956, 1964 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/11\/08\/cinema-audrey-1953-1956-e-1964\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Jean Renoir 1937, 1938, 1939 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/13\/cinema-jean-renoir-1937-1938-1939\/\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Howard Hawks 1938, 1941, 1944 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/09\/26\/tres-filmes-howard-hawks-1938\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<br \/>\n\u2013 Tr\u00eas filmes: Howard Hawks 1940, 1952, 1953 (<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/03\/25\/tres-filmes-hawks-1940-1952-e-1953\/\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"12 Questions for Woody Allen\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hpniYxRjX3o?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Woody Allen A Life In Film (2002 Documentary)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/psyn31Nmxww?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seus filmes j\u00e1 foram indicados 53 vezes ao Oscar tendo levado pra casa 12 estatuetas. Woody ainda \u00e9 recordista em indica\u00e7\u00f5es na categoria de Melhor Roteiro Original: s\u00e3o 16 e tr\u00eas vit\u00f3rias&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/26\/filmografia-todo-o-cinema-de-woody-allen\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":74245,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[264],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74051"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=74051"}],"version-history":[{"count":68,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74051\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":88069,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/74051\/revisions\/88069"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=74051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=74051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=74051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}