{"id":73998,"date":"2023-04-14T02:25:42","date_gmt":"2023-04-14T05:25:42","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73998"},"modified":"2023-05-12T12:45:55","modified_gmt":"2023-05-12T15:45:55","slug":"este-voce-precisa-ver-cerejeiras-em-flor-de-doris-dorrie-um-filme-triste-e-maravilhoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/14\/este-voce-precisa-ver-cerejeiras-em-flor-de-doris-dorrie-um-filme-triste-e-maravilhoso\/","title":{"rendered":"Este voc\u00ea precisa ver: &#8220;Cerejeiras em Flor&#8221;, de Doris D\u00f6rrie, um filme triste e&#8230; belo"},"content":{"rendered":"<h2><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-73999 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras1.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras1-300x214.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras1-120x85.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCerejeiras em Flor\u201d (2008) se apresenta como um contundente retrato do qu\u00e3o ef\u00eamero pode ser um relacionamento. Mesmo aqueles de longa data, nos quais \u00f3bvias almas g\u00eameas se v\u00eaem perdidas sem a presen\u00e7a do outro e os filhos j\u00e1 crescidos tornam percept\u00edvel a longevidade daquela rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Refilmagem alem\u00e3 de \u201cEra uma vez em T\u00f3quio\u201d, filme de 1953, a vers\u00e3o da diretora alem\u00e3 Doris D\u00f6rrie conta, inicialmente, a hist\u00f3ria de Rudi e Trudi Angermeier, um casal inter-racial (ele \u00e9 alem\u00e3o, ela de origens orientais) pais de tr\u00eas filhos que, adultos, j\u00e1 deixaram a casa e a responsabilidade deles. Rudi (Wepper) \u00e9 um funcion\u00e1rio obstinado do setor de reciclagem de material descart\u00e1vel. Obstinado no sentido de manter a pr\u00f3pria rotina de modo linear, sem que nada possa alter\u00e1-la, ele pega o mesmo trem diariamente e come, sempre \u00e0s 13 horas, o sandu\u00edche preparado por Trudi (Elsner), que sempre acompanha uma ma\u00e7\u00e3. O bord\u00e3o de Rudy \u00e9 \u201cAn apple a day, keeps the doctor away\u201d (algo como \u201cuma ma\u00e7\u00e3 ao dia, a visita ao m\u00e9dico adia\u201d). O curioso \u00e9 que n\u00e3o o vemos degustar a fruta em momento nenhum do filme. Trudi vive seu dia a dia em detrimento ao conforto do esposo. Quando jovem, se interessava por bal\u00e9, mas renunciou a suas ambi\u00e7\u00f5es art\u00edsticas pela vida em fam\u00edlia. \u00c9 triste observar seu olhar melanc\u00f3lico ao ver estudantes de dan\u00e7a se dedicar \u00e0quela arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diagnosticado com uma doen\u00e7a degenerativa, Rudi tem o seu laudo m\u00e9dico escondido por Trudi, que n\u00e3o sabe como dizer ao seu marido que este morrer\u00e1 em breve. Como ela mesma afirma, n\u00e3o h\u00e1 nada que ela queira presenciar sem ele. At\u00e9 mesmo seu sonho de ver o Monte Fuji, no Jap\u00e3o, est\u00e1 atrelado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de estar junto ao seu amado. Sozinha, seria como se ela n\u00e3o estivesse l\u00e1. O modo como Trudi se dedica ao seu parceiro \u00e9 tocante. Abdicando de seus sonhos pela vontade de agradar Rudi, ela se deixa convencer do argumento ego\u00edsta, mas n\u00e3o intencional, dele de que o Fuji \u00e9 apenas mais uma montanha e que n\u00e3o valeria a pena dispensar todo aquele dinheiro em uma viagem ao Jap\u00e3o para visitar Karl, o filho que vive em T\u00f3quio. Para o pai, seria mais barato se Karl viesse at\u00e9 eles. \u201cTalvez no pr\u00f3ximo ano, quando eu me aposentar\u201d, afirma Rudi sobre a possibilidade da viagem. As l\u00e1grimas de tristeza de Trudi molham o len\u00e7o que esta passa a ferro antes de colocar na perfeitamente arrumada bagagem de Rudi, em uma rima visual que encontrar\u00e1 seu par no terceiro ato, quando veremos a mala arrumada pelo pr\u00f3prio dono e n\u00e3o por sua amada.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74003\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras5.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras5.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras5-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma viagem para Berlim, onde vivem dois dos filhos, \u00e9 planejada pela esposa sem que Rudi desconfie de seu car\u00e1ter de despedida. Ocupados em suas pr\u00f3prias vidas, os filhos Klaus e Karolin n\u00e3o sabem como entreter os pais na temporada que estes passam com eles e acabam por deixar transparecer certa insatisfa\u00e7\u00e3o. A casa onde vive Klaus, sua esposa e o casal de filhos pequenos parece receptiva, apesar de pequena, afinal, o casal de meia idade precisa ocupar o quarto dos netos. Nesta chegada a casa de Klaus percebe-se um contraste com a resid\u00eancia dos seus pais. Um ambiente mais dom\u00e9stico \u00e9 apresentado, com mais cores e vida em rela\u00e7\u00e3o ao lugar onde mora o casal. Um tapete vermelho chama a aten\u00e7\u00e3o e a imagem de crian\u00e7as se divertindo com jogos eletr\u00f4nicos contrasta com o sil\u00eancio da casa que vimos no come\u00e7o da proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quarto das crian\u00e7as merece uma aten\u00e7\u00e3o especial: as paredes pintadas de bege n\u00e3o representam a alegria que um quarto infantil deveria transmitir. De forma sutil, a dire\u00e7\u00e3o de arte demonstra uma tentativa dos pais para captar um ambiente habitado por crian\u00e7as ao pendurar desenhos feitos por elas nas paredes. Mas o verdadeiro ambiente daquele lar est\u00e1 ali, fixado naquele quarto. \u00c9 um lugar frio e sem cor, percebido tamb\u00e9m pelo modo como as crian\u00e7as recebem os av\u00f3s. N\u00e3o h\u00e1 aquela festa caracter\u00edstica de netos ao rever aqueles que representam doces, carinhos e dengos. H\u00e1 apenas um sorriso e a aten\u00e7\u00e3o retorna aos jogos eletr\u00f4nicos. Utilizando outro modo de demonstrar o apego que qualquer av\u00f3 tem para com os netos, h\u00e1 uma cena tocante onde vemos a garotinha massageando as costas do av\u00f4. Ao terminar, Trudi d\u00e1 algumas moedas para a neta e a abra\u00e7a de forma tenra. \u00c9 o m\u00e1ximo de intimidade que ela consegue com os netos que tanto deve amar. Sobre os filhos, Trudi afirma: \u201cEu consigo me lembrar perfeitamente deles quando eram crian\u00e7as. Agora eu j\u00e1 n\u00e3o sei quem s\u00e3o\u201d. Pragm\u00e1tico, Rudi replica dizendo que eles est\u00e3o bem. Est\u00e3o com sa\u00fade. Que ela n\u00e3o deve esperar mais do que isso \u2013 num perfeito sinal da personalidade racional do marido em contraste ao emocional da esposa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o dos dois com os filhos n\u00e3o \u00e9 muito diferente da aus\u00eancia percept\u00edvel dos netos, que ainda n\u00e3o t\u00eam a consci\u00eancia da import\u00e2ncia daquele parentesco. Diferente dos filhos, Karolin e Klaus, que se v\u00eaem sem saber como agrad\u00e1-los apenas por vaidade. O primeiro pede que sua namorada, Franzi, leve sua m\u00e3e em um passeio tur\u00edstico por Berlim, num ato de pura falta de compromisso. Ao se despedir dos pais, ela chora ao perceber que poderia ter feito mais, mas foi impedida por algum sentimento de nega\u00e7\u00e3o para com as pr\u00f3prias ra\u00edzes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cena em que Trudi presencia e se emociona com uma apresenta\u00e7\u00e3o do Bal\u00e9 Butoh, enquanto Rudi, avesso a representa\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, a aguarda do lado de fora do teatro, demonstra bem a rela\u00e7\u00e3o de ambos e a forma como os acontecimentos futuros transformar\u00e3o os dois de forma irremedi\u00e1vel. A ida para o litoral do Mar B\u00e1ltico, ap\u00f3s aquela desastrosa visita aos filhos em Berlim, perece ser mais proveitosa do que o tour pela capital alem\u00e3. A tranq\u00fcilidade do mar leva Rudi e Trudi \u00e0 calma que a terceira idade representa. Cativada pela beleza do bal\u00e9, Trudi convida seu esposo para uma dan\u00e7a onde encena junto a ele os passos que o bailarino fez no tablado e o faz esquecer-se do qu\u00e3o ausentes seus filhos demonstraram ser. A emo\u00e7\u00e3o da seq\u00fc\u00eancia \u00e9 arrepiante. Visivelmente abalada pela possibilidade de perder o marido em breve, Trudi demonstra-se emotiva e ofegante ao beij\u00e1-lo. Em mais uma rima visual, perceberemos o significado daquela dan\u00e7a para a rela\u00e7\u00e3o entre ambos em outro momento chave da pel\u00edcula. Observando o mar, Rudi comenta que gostaria de ter suas cinzas atiradas nele quando morresse. Assustada, a esposa pergunta o que o leva a pensar isso naquele momento. E a quest\u00e3o nos faz lembrar a real inten\u00e7\u00e3o daquela viagem.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-74004 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras6.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras6.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras6-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez por j\u00e1 estarmos nos acostumando \u00e0quela paz que a rela\u00e7\u00e3o do dois emana, sintamos um choque ao perceber a morte de Trudi e o grito de dor do seu marido ao acordar e perceber que a esposa partiu enquanto dormia. Na \u00faltima tarde juntos, eles voltaram a conversar sobre a rela\u00e7\u00e3o com os filhos e, em uma refer\u00eancia que saberemos em breve sobre o bal\u00e9 Butoh, a diretora D\u00f6rrie filma as sombras dos dois na areia da praia. Em um gesto de puro afeto, Trudi divide o calor de seu agasalho da forma que pode, para mant\u00ea-lo tamb\u00e9m aquecido. E, como numa despedida, dan\u00e7a os passos do Butoh com um desengon\u00e7ado Rudi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dor da perda \u00e9 representada de modo sutil pelo filme. Apesar de obviamente abalado pela morte de sua esposa, Rudi demonstra sua tristeza de forma calma, sem desespero. Um retrato do modo como sua rela\u00e7\u00e3o com Trudi foi calcada. \u00c9 percept\u00edvel a desesperan\u00e7a que o homem sente ao saber que nunca vai poder demonstrar o amor que sentia pela mulher com quem compartilhou uma vida. A atua\u00e7\u00e3o de Elmar Wepper \u00e9 magn\u00edfica. No seu olhar, nota-se uma inc\u00f3gnita sobre como ser\u00e3o os seus dias daqui pra frente. Ele observa o mar sem ondas, t\u00e3o incomum, que reflete justamente o modo pac\u00edfico como Trudi morreu. \u00c0 mesa com os filhos, observamos quadros com mares revoltos que fazem refer\u00eancia justamente ao ambiente desconfort\u00e1vel onde os \u00f3rf\u00e3os agora se re\u00fanem para honrar a morte da m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem a presen\u00e7a da esposa, Rudi perde o pr\u00f3prio rumo. Solit\u00e1rio em seu pr\u00f3prio lar, passa por constrangimento pela aus\u00eancia dos filhos \u00e0 cerim\u00f4nia e se v\u00ea perguntando pela esposa para as paredes da casa onde dorme ao lado do vestido da falecida. Decidido a viver sozinho os sonhos de viagem que ela teve, segue para o Jap\u00e3o no intuito de contemplar o t\u00e3o sonhado Monte Fuji e as cerejeiras em flor que a esta\u00e7\u00e3o do ano propicia.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74002\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras4.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras4-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir deste ponto, o filme remete em certo ponto a \u201cEncontros e Desencontros\u201d (2003), de Sofia Coppola. Em uma cidade onde nenhuma palavra ou dire\u00e7\u00e3o parece indicar a Rudi o caminho a seguir, a displic\u00eancia do filho Karl a, tamb\u00e9m, n\u00e3o dar a aten\u00e7\u00e3o que o pai merece como hospede, leva-o a vagar por uma T\u00f3quio ca\u00f3tica. De forma elegante, sem nos fazer esquecer a carga de tristeza que aquele drama traz, o roteiro insere algumas cenas em que se percebe como pode haver gra\u00e7a na situa\u00e7\u00e3o do protagonista em T\u00f3quio. Em um momento ele experimenta usar uma placa pendurada ao peito com as indica\u00e7\u00f5es de quem ele \u00e9 e como pode-se contatar algu\u00e9m respons\u00e1vel por ele; em outro, \u00e9 abordado por um jovem local que oferece \u201cabra\u00e7os de gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Met\u00f3dico como sempre, Rudi aplica seus conceitos de trabalho na casa do filho, ao separar o lixo para reciclagem e ao amarrar um len\u00e7o em um ponto comum da metr\u00f3pole com a inten\u00e7\u00e3o de poder achar a rota de volta para o apartamento. Em seus passeios e caminhos perdidos pela cidade e por entre as cerejeiras em flor, ele conhece Yu (Irizuki)), uma dan\u00e7arina do bal\u00e9 Butoh que se apresenta ao ar livre. Ela lhe explica os significados da dan\u00e7a e lhe traz novos conceitos sobre aquilo que Trudi sempre tentou faz\u00ea-lo crer a respeito da arte. Mas a tristeza pela morte dela ainda pesa em sua mente. Tanto que ele usa as roupas que pertenceram a ela nos locais que visita, na ilus\u00e3o de que Trudi tamb\u00e9m possa apreciar a viagem que sempre sonhara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rela\u00e7\u00e3o entre Rudi e Yu se estreita. Uma genu\u00edna amizade que somente pessoas que passaram por dores semelhantes surge. Ela, mesmo j\u00e1 tendo superado, diz que dan\u00e7a para a m\u00e3e que perdeu. Ela baila enquanto segura um telefone numa clara refer\u00eancia \u00e0 forma de comunica\u00e7\u00e3o que a arte pode apresentar entre os homens. Ele simboliza justamente essa comunica\u00e7\u00e3o que a jovem nunca teve com a m\u00e3e e isso, claro, cria uma paridade com a rela\u00e7\u00e3o entre o vi\u00favo e sua amada. \u201cMinha mulher sempre foi como uma fera presa em uma gaiola\u201d, afirma Rudi. \u201cA minha m\u00e3e era como um pato a mergulhar no rio em seus altos e baixos. Uma hora triste, outra hora feliz\u201d, replica Yu. Nada mais contundente.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-74001\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras3.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras3.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/cerejeiras3-300x176.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas visitas di\u00e1rias aos locais onde Yu se apresenta, uma cumplicidade cada vez maior se cria entre o senhor e a jovem. Ela segue explicando os conceitos do Butoh e sua rela\u00e7\u00e3o com as sombras, as mesmas sobre as quais tivemos um vislumbre no come\u00e7o do filme. Mesmo conversando em ingl\u00eas, a japonesa e o alem\u00e3o t\u00eam certa dificuldade para expressar certos pensamentos. Mas a simplicidade que a empatia entre os dois emana \u00e9 suficiente para que, atrav\u00e9s de simbolismos, seja poss\u00edvel compreender cada id\u00e9ia. Como, por exemplo, quando ela compara a rela\u00e7\u00e3o entre Rudi e sua esposa com a refei\u00e7\u00e3o feita com repolho e ilustra o que quer dizer se enrolando no pl\u00e1stico onde est\u00e1 sentada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar da sa\u00fade deteriorada, o que percebemos nas recorrentes cenas em que vemos Rudi tomando seus rem\u00e9dios, ele se esfor\u00e7a em ir ao sonhado Fuji. E n\u00e3o \u00e9 de se surpreender que Yu o acompanhe na viagem. A vista da montanha \u00e9 embriagante. Ap\u00f3s dias de espera para que a nevoa que cobre o monte se dissipe, numa refer\u00eancia perfeita feita por Yu a uma poss\u00edvel timidez do monumento natural, Rudi p\u00f4de vislumbrar toda a beleza que Trudi sonhou em contemplar. Em uma cena coreografada de forma emocionante, percebemos que o amargurado senhor p\u00f4de finalmente alcan\u00e7ar a paz ao apresentar o local a sua querida mulher. Sim, ela se faz presente \u00e0quele momento. Seu bal\u00e9 se fez presente do mesmo modo. E mesmo que os tr\u00eas filhos, t\u00e3o atarefados com os pr\u00f3prios umbigos, n\u00e3o percebam como fizeram falta para os pais e custem a entender as circunst\u00e2ncias de tudo aquilo que seu velho viveu, para Rudi n\u00e3o faz mais diferen\u00e7a. A pessoa que ele tanto amou voltou para seus bra\u00e7os. E, nesse intento, ele encontrou em uma estranha a figura de uma filha que nenhum dos tr\u00eas consang\u00fc\u00edneos conseguiu cumprir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, triste. Mas, ao mesmo tempo, maravilhoso&#8230;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Hanami - Cerejeiras em Flor (filme completo legendado)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/DlGEkKItOqg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100009655066720\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jo\u00e3o Paulo Barreto\u00a0<\/a>\u00e9 jornalista, cr\u00edtico de cinema e curador do\u00a0<a href=\"http:\/\/coisadecinema.com.br\/xiii-panorama\/apresentacao\/panorama-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Festival Panorama Internacional Coisa de Cinema<\/a>. Membro da Abraccine, colabora para o Jornal A Tarde e assina o blog\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/PeliculaVirtual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pel\u00edcula Virtual<\/a>.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cCerejeiras em Flor\u201d (2008) se apresenta como um contundente retrato do qu\u00e3o ef\u00eamero pode ser um relacionamento. 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