{"id":73929,"date":"2023-04-11T00:24:38","date_gmt":"2023-04-11T03:24:38","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73929"},"modified":"2023-05-10T08:52:42","modified_gmt":"2023-05-10T11:52:42","slug":"musica-depeche-mode-retorna-com-memento-mori-um-disco-que-tateia-temas-como-morte-dor-perdas-e-angustias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/11\/musica-depeche-mode-retorna-com-memento-mori-um-disco-que-tateia-temas-como-morte-dor-perdas-e-angustias\/","title":{"rendered":"M\u00fasica: Depeche Mode retorna com &#8220;Memento Mori&#8221;, um disco que tateia temas como morte, dor, perdas e ang\u00fastias"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100016802896941\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luciano Ferreira<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ciclo da vida: nascimento e morte. Envelhecer \u00e9 acumular, inexoravelmente, alegria e dor. A express\u00e3o latina Memento Mori (algo como &#8220;lembre-se de que voc\u00ea \u00e9 mortal&#8221;, &#8220;lembre-se de que voc\u00ea vai morrer&#8221; ou traduzido literalmente como &#8220;lembre-se da morte&#8221;) \u00e9 pra nos lembrar da nossa finitude, de quanto estamos mais perto dela, ou ela de n\u00f3s, do que imaginamos. A pandemia amplificou as ansiedades, colocou muitos na posi\u00e7\u00e3o de Max Von Sydow em \u201cO S\u00e9timo Selo\u201d (1957) &#8211; cuja cena do jogo de xadrez \u00e9 reprisada no clipe do primeiro single do\u00a0 15\u00ba \u00e1lbum do Depeche Mode, \u201cMemento Mori\u201d (2023), que se por um lado soa sombrio, por outro \u00e9 uma ode \u00e0 vida. Se a certeza da finitude \u00e9 a \u00fanica que temos, o que estamos fazendo com nossas vidas? S\u00e3o esses os caminhos que gostar\u00edamos de percorrer ou estamos apenas &#8220;jogando&#8221; nosso melhor com as pe\u00e7as que temos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo chegado aos 60 anos, Dave Gahan (nascido em 1962) e Martin Gore (de 1961), assim como qualquer humano e mortal, experimentaram o ciclo dos ganhos e tamb\u00e9m das perdas. A mais recente delas foi a partida de Andrew Fletcher (1961\/2022), um dos membros fundadores do Depeche, mas o pr\u00f3prio Gahan esteve muito perto; e Gore passou pela perda do padrasto.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Depeche Mode - Ghosts Again (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iIyrLRixMs8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso est\u00e1 refletido no novo disco do Depeche Mode, o primeiro sem Fletcher e, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, o primeiro em que Gore (principal respons\u00e1vel pelas composi\u00e7\u00f5es da banda \u2013 e os maiores hits do Depeche \u2013 a partir do segundo \u00e1lbum, \u201cA Broken Frame\u201d, de 1982) trabalha em parceria com Richard Butler, tecladista do Psychedelic Furs \u2013 eles assinam juntos quatro das dozes faixas do \u00e1lbum, incluindo o single &#8220;Ghosts Again&#8221; (Gore escreveu sozinho cinco can\u00e7\u00f5es enquanto as tr\u00eas restantes s\u00e3o parcerias de Gahan ora com Gore \u2013 &#8220;Wagging Tongue&#8221;; ora com Peter Gordeno e Christian Eigner; e com Marta Salogni, Eigner e James Ford na faixa de encerramento, \u201cSpeak To Me\u201d. Ali\u00e1s, a adi\u00e7\u00e3o de Salogni aos trabalhos de produ\u00e7\u00e3o e programa\u00e7\u00e3o em parceria com Ford (colaborador costumaz do Arctic Monkeys e Florence and The Machine que produziu o \u00e1lbum anterior do Depeche, \u201cSp\u00edrit\u201d, de 2017), acrescenta novas camadas e possibilidades ao disco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e0 toa, \u201cMemento Mori\u201d soa como uma continua\u00e7\u00e3o de \u201cSpirit\u201d na similaridade das estruturas dos arranjos, pois muitas das can\u00e7\u00f5es s\u00e3o constru\u00eddas a partir das batidas secas e graves, enquanto os arranjos v\u00e3o agregando uma s\u00e9rie de sons atrav\u00e9s de melodias curtas e simples, riffs distorcidos, camadas de teclado, novas camadas percussivas sintetizadas, vozes e barulhos diversos que conectam a m\u00fasica do grupo com a sonoridade da m\u00fasica industrial, elemento presente na m\u00fasica do Depeche desde os anos 80. H\u00e1 tamb\u00e9m momentos em que timbres e batidas remetem a \u201cViolator\u201d, de 1990 (especialmente &#8220;My Cosmos is Mine&#8221;) e \u201cSongs of Faith and Devotion\u201d, de 1993 (tanto &#8220;My Favourite Stranger&#8221; quanto &#8220;Always You&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a sonoridade de \u201cMemento Mori\u201d remete a trabalhos anteriores, a tem\u00e1tica mudou de foco. Enquanto o disco anterior trazia um discurso politizado, de letras que se debru\u00e7avam sobre os caminhos que a sociedade estava tomando e o que est\u00e1vamos fazendo em rela\u00e7\u00e3o a isso (&#8220;Onde est\u00e1 a Revolu\u00e7\u00e3o?&#8221; perguntava Gahan em &#8220;Where&#8217;s Revolution&#8221;), aqui a pergunta \u00e9 para o eu interior. E apesar de n\u00e3o ser somente sobre isso que as letras discorrem, vide a bel\u00edssima &#8220;Don&#8217;t Say You Love Me&#8221; e suas passagens orquestradas, muitos dos temas tratam sobre morte, dor, perdas e ang\u00fastias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora desde sempre o Kraftwerk seja uma refer\u00eancia na m\u00fasica do grupo, de quem s\u00e3o &#8220;descendentes&#8221; diretos, \u00e9 somente aqui que a conex\u00e3o do ingleses com os alem\u00e3es soa totalmente evidente, seja no uso de timbres e efeitos de associa\u00e7\u00e3o imediata (&#8220;Wagging Tongue&#8221;) ou chegando at\u00e9 a soar como uma homenagem aos pais da m\u00fasica eletr\u00f4nica em &#8220;People are Good&#8221;, can\u00e7\u00e3o de versos marcados pela ambiguidade, n\u00e3o permitindo de imediato concluir se Gahan discorda de Nick Cave, que certa vez escreveu que &#8220;as pessoas n\u00e3o s\u00e3o boas&#8221;. Considerando a abertura da dupla para novas parcerias, n\u00e3o deixa de ser interessante pra um futuro pr\u00f3ximo pensar uma colabora\u00e7\u00e3o com o ex-Kraftwerk Karl Bartos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_73932\" aria-describedby=\"caption-attachment-73932\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-73932 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/memento.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"488\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/memento.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/memento-300x195.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-73932\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;Memento Mori&#8221; ganhou edi\u00e7\u00e3o digital, em vinil duplo, CD e cassete<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da parceria com Butler surgem as can\u00e7\u00f5es mais inusitadas do disco: &#8220;My Favourite Stranger&#8221; (a que mais carrega em barulhos intermitentes) e na profus\u00e3o de synths de &#8220;Caroline&#8217;s Monkey&#8221;. Mas o fruto mais saboroso dessa &#8220;uni\u00e3o&#8221; \u00e9 a \u00f3tima &#8220;Ghosts Again&#8221;, can\u00e7\u00e3o com for\u00e7a de hit instant\u00e2neo \u2013 que quase disfar\u00e7a uma letra pesada \u2013, algo que a banda n\u00e3o conseguia desde &#8220;Precious&#8221;, do \u00e1lbum \u201cPlaying the Angel\u201d (2005).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A conex\u00e3o com \u201cViolator\u201d e com a fase oitentista do Depeche percorre quase todo o disco, mas n\u00e3o de forma direta e, provavelmente, n\u00e3o intencional \u2013 Gahan canta hoje de uma forma bem diferente daquela \u00e9poca e a forma de compor de Gore j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, influenciado, inclusive, pelo uso da guitarra. Mas, ainda assim, faixas como &#8220;Always You&#8221; e &#8220;Never Let me Go&#8221; (a batida remete a &#8220;She&#8217;s Lost Control&#8221;, do Joy Division) carregam elementos que permitem algumas associa\u00e7\u00f5es. E isso n\u00e3o \u00e9 ruim, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 um dos elementos que permite que \u201cMemento Mori\u201d seja um \u00e1lbum mais &#8220;solto&#8221; que seu antecessor, se n\u00e3o nos temas, ao menos na sonoridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Speak to Me&#8221; fecha o \u00e1lbum quase da mesma forma com que &#8220;My Cosmos is Mine\u201d abre: a voz profunda de Gahan pairando quase et\u00e9rea sobre um instrumental cheio de camadas sonoras atordoantes e envolventes. Ao mesmo tempo, a letra retoma o tema da busca do eu interior \u2013 se &#8220;My Cosmos is Mine&#8221; reivindica a manuten\u00e7\u00e3o da ordem do seu pr\u00f3prio mundo\/cosmo, em &#8220;Speak to Me\u201d h\u00e1 a vontade relutante de &#8220;estar&#8221; (com algu\u00e9m ou algo) ainda que correndo o risco do desapontamento. \u00c9 um fechamento que se conecta de forma perfeita encerrando a narrativa de um disco que assume um tom um tanto sombrio, tanto nas letras quanto na densidade quase sufocante do instrumental (inclusive na arte da capa), fala de muito mais coisas, e nos remete a outro termo latim que poderia ser tomado como um complemento: &#8220;Carpe Diem&#8221;.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Depeche Mode - My Cosmos Is Mine (Official Audio)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/S698DWXhu5I?list=OLAK5uy_mrRBnob7rrQZKQNW6wPYcUZuqlf6loKAk\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>\u2013<em>\u00a0Luciano Ferreira \u00e9 editor e redator na empresa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.urgesite.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Urge :: A Arte nos conforta<\/a>\u00a0e colabora com o Scream &amp; Yell.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Se a sonoridade de \u201cMemento Mori\u201d remete a trabalhos anteriores, a tem\u00e1tica mudou de foco. 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