{"id":73875,"date":"2023-04-06T03:41:02","date_gmt":"2023-04-06T06:41:02","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73875"},"modified":"2023-07-20T00:10:47","modified_gmt":"2023-07-20T03:10:47","slug":"entrevista-mark-arm-fala-sobre-cachorros-e-o-novo-disco-do-mudhoney-relembra-shows-no-brasil-e-conta-como-foi-cantar-no-mc5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/06\/entrevista-mark-arm-fala-sobre-cachorros-e-o-novo-disco-do-mudhoney-relembra-shows-no-brasil-e-conta-como-foi-cantar-no-mc5\/","title":{"rendered":"Entrevista: Mark Arm fala sobre cachorros e o novo disco do Mudhoney, relembra shows no Brasil e conta como foi cantar no MC5"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Criado em 1988 em Seattle a partir das cinzas do Green River, cultuada banda local que tamb\u00e9m foi a semente de nomes como Mother Love Bone e Pearl Jam, o Mudhoney chega aos 35 anos de carreira mostrando porque continua a ser a banda mais emblem\u00e1tica \u2013 e confi\u00e1vel \u2013 <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2022\/02\/24\/entrevista-jack-endino-fala-sobre-novo-disco-solo-e-relembra-trabalhos-com-nirvana-bruce-dickinson-e-titas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">da cena de Seattle dos anos 1980 e 1990<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu 11\u00ba disco de est\u00fadio, \u201c<a href=\"https:\/\/ffm.to\/mudhoney_plastic-eternity\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Plastic Eternity<\/a>\u201d, lan\u00e7ado pela mesma Sub Pop que lan\u00e7ou o primeiro single da banda, \u201cTouch Me I\u2019m Sick\u201d, h\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, o quarteto formado por Mark Arm (vocal\/guitarra), Steve Turner (guitarra), Guy Maddison (baixo) e Dan Peters (bateria) n\u00e3o decepciona e entrega mais um disco perfeito para agradar aos ouvidos dos seus f\u00e3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o quer dizer, no entanto, que \u00e9 mais do mesmo. Longe disso, ali\u00e1s, j\u00e1 que estamos falando de um dos melhores trabalhos da banda neste ca\u00f3tico s\u00e9culo XXI. H\u00e1 espa\u00e7o para tudo aqui, desde o som mais cl\u00e1ssico do quarteto, com os singles \u201cAlmost Everything\u201d e \u201cMove Under\u201d, m\u00fasicas mais diretas, como \u201cHuman Stock Capital\u201d e \u201cCry Me an Atmospheric River\u201d, sons mais psicod\u00e9licos, \u201cTom Herman\u2019s Hermits\u201d e \u201cOne or Two\u201d, e letras mais pol\u00edticas, como \u201cFlush the Fascists\u201d e \u201cCascades of Crap\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na entrevista abaixo, feita por videochamada h\u00e1 algumas semanas, o divertido e sempre simp\u00e1tico Mark Arm fala sobre o <a href=\"https:\/\/ffm.to\/mudhoney_plastic-eternity\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disco novo<\/a>, que teve uma grava\u00e7\u00e3o um pouco diferente dos outros trabalhos da banda por conta pandemia, relembra um Carnaval em Recife em 2001, conta como foi cantar com o MC5 em uma de suas reuni\u00f5es, revela os discos que mudaram a sua vida e explica por que desistiram de lan\u00e7ar um disco de covers punk nos anos 1990 por causa do Guns N\u2019Roses.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Little Dogs (Official Video)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SxM_Bh5lIPk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tenho escutado bastante o disco novo, \u201cPlastic Eternity\u201d (2023), nos \u00faltimos dias e ele \u00e9 muito intenso, tem uma \u00f3tima mistura de peso com psicodelia, com uma vibra\u00e7\u00e3o meio de fim dos tempos. Queria saber se o resultado te surpreendeu, j\u00e1 que voc\u00eas trabalharam de uma forma diferente neste \u00e1lbum, entrando em est\u00fadio sem ter todas as m\u00fasicas totalmente prontas e ensaiadas \u00e0 exaust\u00e3o por causa das restri\u00e7\u00f5es da pandemia. Pergunto isso porque o disco soa muito intenso e vivo. Voc\u00eas mudaram muitas coisas ou criaram muito logo antes de gravar as m\u00fasicas?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s t\u00ednhamos a maior parte das m\u00fasicas, havia apenas algumas coisas (a serem decididas na hora). Quando estamos trabalhando em algo no est\u00fadio e estamos tentando colocar na estrutura de uma m\u00fasica, (sempre surge algo) como \u201cO que fazemos agora? Precisa de outra parte, seja um refr\u00e3o ou apenas outra parte\u201d. Ent\u00e3o houve coisas desse tipo que foram feitas no est\u00fadio, mas de maneira bem r\u00e1pida. N\u00f3s geralmente chegamos a uma decis\u00e3o&#8230; mas o nosso sentimento \u2013 quando estamos falando de um processo criativo \u2013 \u00e9 que o primeiro impulso geralmente \u00e9 o melhor. Tivemos apenas nove dias, o que pareceu que era meio que um luxo em termos de tempo, e acabamos gravando 20 m\u00fasicas. Algumas delas j\u00e1 tinham letras na \u00e9poca, outras n\u00f3s meio que arranjamos como se j\u00e1 tivessem letras e fizemos as letras depois. Eu achava que \u201cLittle Dogs\u201d seria uma m\u00fasica instrumental, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a m\u00fasica sobre o seu cachorro, o Russell, certo?<\/strong><br \/>\n\u00c9 sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea costuma cantar para ele? Porque eu tenho um cachorro tamb\u00e9m e costumo sempre cantar essas m\u00fasicas e letras talvez n\u00e3o muito boas que crio na hora para ele (risos).<\/strong><br \/>\n(Risos) Na verdade, a letra surgiu quando eu estava ouvindo essa m\u00fasica no carro enquanto voltava para casa. E eu apenas comecei a cantarolar. Era quase como uma piada no come\u00e7o, cantar sobre cachorros pequenos. E ent\u00e3o eu meio que decidi \u201cAh n\u00e3o, isso ficou bem legal\u201d (risos). \u00c9 uma letra que me deixa feliz, n\u00e3o sei se vai deixar qualquer outra pessoa feliz (risos) \u2013 (Nota: nesse momento Mark mostra uma foto do cachorro, um simp\u00e1tico Spitz Alem\u00e3o, em seu celular).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E ele j\u00e1 ouviu a m\u00fasica?<\/strong><br \/>\nSe ele j\u00e1 escutou a m\u00fasica? Sim, mas n\u00e3o acho que ele tenha gostado tanto quanto deveria (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda sobre o disco. Apesar de suas letras e t\u00edtulos de m\u00fasicas sempre terem muito senso de humor, senti que voc\u00eas est\u00e3o talvez um pouco mais \u201cputos\u201d do que o normal neste \u00e1lbum. Essas letras j\u00e1 estavam na sua cabe\u00e7a durante a pandemia com todas essas coisas incr\u00edveis acontecendo no mundo, como o Trump e Bolsonaro no poder, entre outros, o movimento anti vacina, teorias da conspira\u00e7\u00e3o absurdas, o aquecimento global? Eram coisas em que voc\u00ea j\u00e1 estava pensando nesses \u00faltimos anos?<\/strong><br \/>\nCom certeza. O nosso disco anterior, \u201cDigital Garbage\u201d (2018), \u00e9 um disco nervoso e voltado para problemas. Eu tenho 61 anos de idade e sou casado h\u00e1 quase 30. N\u00e3o \u00e9 como se eu ainda tivesse muitos problemas amorosos, ang\u00fastias adolescentes. Ent\u00e3o n\u00e3o sei, n\u00e3o sou mais autocentrado ou envolvido comigo mesmo como voc\u00ea costuma ser quando est\u00e1 na faixa dos 20 anos de idade. Os assuntos abordados em faixas como \u201cCascades of Crap\u201d e \u201cPlasticity\u201d s\u00e3o coisas que j\u00e1 acontecem h\u00e1 algum tempo. O consumismo j\u00e1 \u00e9 um problema h\u00e1&#8230; penso que \u00e9 algo que realmente aumentou no s\u00e9culo XX e mais recentemente tamb\u00e9m, com coisas como fast-fashion ou colocar tudo em pl\u00e1stico, mesmo n\u00e3o sendo necess\u00e1rio. O fascismo parece ser algo que continua tentando colocar sua cabe\u00e7a feia para fora vez ou outra. Algumas dessas m\u00fasicas s\u00e3o apenas can\u00e7\u00f5es psicod\u00e9licas ou sobre pequenos cachorros e n\u00e3o tem nada a ver com essas coisas (risos). H\u00e1 tamb\u00e9m uma m\u00fasica chamada \u201cTom Herman\u2019s Hermits\u201d, sobre um dos nossos guitarristas favoritos (nota: ex-guitarrista da cultuada banda de punk\/m\u00fasica experimental Pere Ubu). N\u00e3o \u00e9 tudo sobre desgra\u00e7a e melancolia (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Almost Everything (Official Video)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ykhkMd02uhc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Desde o \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2008\/10\/14\/disco-da-semana-duas-vezes-mudhoney\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Lucky Ones<\/a>\u201d (2008), se n\u00e3o me engano, voc\u00eas est\u00e3o levando um pouco mais de tempo entre seus discos, cerca de cinco anos entre cada \u00e1lbum.<\/strong><br \/>\n\u00c9, acho que desde que o Guy (Maddison, baixista) entrou para a banda (nota: isso aconteceu em 2001). Talvez entre.. .eu n\u00e3o me lembro quanto tempo foi entre o \u201cSince We\u2019Ve Become Translucent\u201d (2002) e o \u201cUnder a Billion Suns\u201d (2006), mas provavelmente foi algo pr\u00f3ximo de cinco anos (nota: foram quatro anos entre esses dois discos e dois anos entre \u201cUnder a Billion Suns\u201d e o seguinte, \u201cThe Lucky Ones\u201d, de 2008, a partir do qual come\u00e7a o intervalo de cinco anos entre os tr\u00eas discos seguintes). N\u00e3o h\u00e1 como saber quanto tempo teria levado se n\u00e3o tivesse tido uma pandemia que durasse tanto tempo quanto durou \u2013 quer dizer, eu imagino que n\u00e3o teria levado tanto tempo (para fazer o disco). E a pandemia n\u00e3o tinha terminado de nenhuma maneira quando come\u00e7amos a nos reunir para compor, mas todos j\u00e1 t\u00ednhamos tomados as duas primeiras doses das vacinas, ent\u00e3o nos sentimos seguros o bastante para nos encontrar. O Guy estava trabalhando na \u00e9poca no Harborview, que \u00e9 algo como o centro de traumas na cidade (em Seattle), o hospital que precisa receber todas as pessoas. Por um tempo, ele foi o coordenador do departamento de COVID por l\u00e1. Acho que o restante de n\u00f3s tinha um pouco de medo, do tipo \u201cEle estava bem no meio daquela coisa toda. \u00c9 melhor ficar longe do Guy\u201d (risos). Mas ele nunca pegou COVID. E n\u00f3s todos pegamos na nossa primeira tour nos EUA p\u00f3s-pandemia (risos). Porque de repente est\u00e1vamos tocando na frente de pessoas que n\u00e3o estavam usando m\u00e1scaras e que estavam respirando a uns 50 cent\u00edmetros da gente. Felizmente j\u00e1 est\u00e1vamos todos vacinados. Foi meio terr\u00edvel, mas n\u00e3o foi nada que amea\u00e7asse as nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 veio v\u00e1rias vezes ao Brasil com o Mudhoney, e tamb\u00e9m com o MC5, nos \u00faltimos 20 anos. Por isso, queria saber quais as suas lembran\u00e7as dessas viagens, houve algo que tenha te chamado a aten\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea j\u00e1 sabia algo sobre o Brasil antes de vir pra c\u00e1?<\/strong><br \/>\nEu sabia algo sobre o Brasil, mas n\u00e3o t\u00ednhamos nenhuma experi\u00eancia t\u00e3o pr\u00f3xima. N\u00f3s sab\u00edamos que o idioma era meio que escrito de forma parecida com o espanhol, mas n\u00e3o sab\u00edamos o quanto soava diferente at\u00e9 irmos para a\u00ed (risos). Onde eu vivo, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m que fale portugu\u00eas, por exemplo (risos). Acho que da primeira vez que fomos (em 2001), ficamos positivamente surpresos em como o p\u00fablico brasileiro \u00e9 incr\u00edvel e entusiasmado. \u00c9 um dos nossos lugares favoritos para tocar. N\u00e3o \u00e9 (f\u00e1cil ir pra\u00ed)&#8230; Por exemplo, n\u00e3o conseguimos fazer tantos shows no Brasil quanto conseguimos na Europa ou nos Estados Unidos. Nosso amigo Andr\u00e9 Barcinski (nota: que montou a produtora MAR e <a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\/status\/1630236788257173505\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 trazendo ao pa\u00eds o Brian Jonestown Massacre<\/a>) est\u00e1 tentando nos levar de volta para o Brasil e estamos tentando entender a melhor maneira de fazer isso. Apenas temos algumas coisas que precisamos fazer antes. Mas n\u00f3s vamos voltar. Na primeira vez que tocamos em S\u00e3o Paulo, lembro que tocamos em um teatro que era lindo (nota: a banda se apresentou no Olympia).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney  @ Ballroom - Rio de Janeiro, Brazil - 02.18.2001 (Full Concert)\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/luAJAl2-OQA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-73877 size-full\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/mudhoney_2001.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/mudhoney_2001.jpg 750w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/mudhoney_2001-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/mudhoney_2001-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que achou de quando tocaram fora de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, em lugares como Recife, por exemplo?<\/strong><br \/>\nS\u00f3 estivemos uma vez em Recife, se n\u00e3o me engano, da primeira vez que fomos para o Brasil (nota: a banda tocou na cidade em 2001 no festival Rec-Beat). N\u00f3s nos divertimos muito l\u00e1, foi o \u00faltimo show da turn\u00ea, ent\u00e3o ficamos alguns dias a mais para o Carnaval. N\u00f3s nunca t\u00ednhamos visto um Carnaval no Brasil antes. Isso foi antes do Guy entrar para a banda, o nosso amigo Steve Dukich fez a tour conosco. Lembro dele no primeiro dia do Carnaval dizendo: \u201cIsso \u00e9 incr\u00edvel, todo mundo \u00e9 t\u00e3o amig\u00e1vel, eles est\u00e3o b\u00eabados e felizes e amig\u00e1veis. Se fosse nos EUA, j\u00e1 teria um monte de brigas e tudo mais\u201d e eu falei: \u201c\u00c9, mas \u00e9 apenas a primeira tarde\u201d (risos). E uns dois ou tr\u00eas dias depois, voc\u00ea podia ver que algumas das pessoas que claramente estavam viradas dos \u00faltimos dias com uns olhares do tipo \u201cN\u00e3o fode com a gente\u201d, um tanto imprevis\u00edveis (risos). E lembro de falar \u201cSteve!\u201d (risos). \u00c9 algo universal (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 alguns anos, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/10\/21\/entrevista-dale-crover-e-o-novo-disco-acustico-do-melvins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevistei o Dale Crover, do Melvins<\/a>, e falamos sobre o Black Flag por conta do cover de \u201cMy War\u201d que voc\u00eas fizeram juntos. Ele me disse que na \u00e9poca desse disco (de 1984), voc\u00ea os entrevistou e perguntou o que eles estavam escutando na \u00e9poca e eles responderam Dio, mas voc\u00ea ficou sem realmente entender se eles estavam falando s\u00e9rio ou estavam brincando. Voc\u00ea se lembra disso? E acabou descobrindo se eles estavam realmente curtindo Dio.<\/strong><br \/>\n(Risos) Bom, eu n\u00e3o esperava que eles (dissessem isso)&#8230; Eles apenas disseram Dio. E eu n\u00e3o esperava, naquele momento, que eles estivessem falando sobre Ronnie James Dio. Foi algo que meio que passou por mim e eu fiquei meio \u201cO que? Como assim? Que palavra foi essa que voc\u00ea disse?\u201d, tentando me certificar que tinha entendido corretamente. E o Greg Ginn (guitarrista e l\u00edder do Black Flag) fala \u201cDio, significa Deus em italiano\u201d (risos). Eu fiquei meio \u201cOh, Ok\u201d. E eles claramente estavam curtindo (Dio). H\u00e1 algumas m\u00fasicas no \u201cSlip it In\u201d (1984) em que quase parece que eles estavam tentando emular o \u201cHoly Diver\u201d (disco do Dio de 1983) ou algo assim, esse tipo de som. E eu acho que voc\u00ea precisa ter uma voz melhor do que a do Henry (Rollins, vocalista da banda na \u00e9poca) para conseguir fazer isso (risos).<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Fix Me\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/M8KyPCAGOVk?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea curtia algo do Dio na \u00e9poca, seja o Rainbow, o Black Sabbath ou a carreira solo dele?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o muito na \u00e9poca. Isso \u00e9 um pouco estranho. Apenas por causa da minha idade, e por eu n\u00e3o ter irm\u00e3os e irm\u00e3s mais velhos, eu n\u00e3o curtia&#8230; O auge do Black Sabbath meio que aconteceu quando eu tinha uns 10 anos de idade ou menos. Eu s\u00f3 fui gostar de Black Sabbath depois de gostar de hardcore. E ent\u00e3o eu realmente passei a curtir Black Sabbath, porque era algo novo para mim. E tamb\u00e9m bandas como Saint Vitus e Trouble, que estavam passeando pelo mesmo territ\u00f3rio naquela \u00e9poca. Achava isso realmente incr\u00edvel. Penso que o Dio \u00e9 um vocalista realmente incr\u00edvel, mas para o Black Sabbath eu prefiro o Ozzy. O Ozzy \u00e9 um vocalista bom, mas est\u00fapido, se isso faz algum sentido. Tipo, \u00e0s vezes voc\u00ea apenas segue a melodia da m\u00fasica. E penso que essa \u00e9 uma das coisas que torna a banda t\u00e3o acess\u00edvel. \u00c9 quase algo como \u201cEu posso fazer isso\u201d, da mesma maneira que o punk, ainda que os riffs do Sabbath sejam muito mais complexos (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falamos sobre o Black Flag, e al\u00e9m de \u201cMy War\u201d, que voc\u00eas gravaram com o Melvins, voc\u00eas tocavam outro cover deles, \u201cFix Me\u201d, al\u00e9m de m\u00fasicas de outras bandas como <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2020\/07\/17\/entrevista-gary-floyd-dicks-sister-double-happiness-black-kali-ma\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">The Dicks<\/a> (\u201cHate the Police\u201d). Por isso, gostaria de saber se voc\u00eas j\u00e1 pensaram em fazer um disco apenas de covers?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s j\u00e1 gravamos muito covers. Durante a pandemia, na fase de lockdown, quando n\u00e3o est\u00e1vamos nos reunindo e n\u00e3o sab\u00edamos quanto tempo aquilo tudo ia durar, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/07\/05\/entrevista-steve-turne-mudhoney-fala-sobre-os-30-anos-de-every-good-boy-deserves-fudge\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma das ideias que surgiram para comemorar os 30 anos de \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d (1991)<\/a> foi reunir todos os covers que fizemos ao longo dos anos \u2013 mas provavelmente mais focado no lado mais punk. Originalmente, n\u00f3s t\u00ednhamos planejado fazer um disco de covers de punk durante a \u00e9poca do \u201cEvery Good Boy Deserves Fudge\u201d. N\u00f3s j\u00e1 chegamos a ir para o est\u00fadio do Conrad (Uno, engenheiro de som que trabalhou no disco) e gravamos v\u00e1rios covers de punk e hardcore. Isso foi principalmente para testar o est\u00fadio, ver se gost\u00e1vamos e tudo mais. E sempre fazemos isso desde ent\u00e3o. Mas o lance \u00e9 que n\u00e3o fizemos um disco de covers porque o Guns N\u2019Roses anunciou na \u00e9poca que ia fazer um disco de covers de punk (\u201cThe Spaghetti Incident\u201d, de 1993, que traz a banda fazendo vers\u00f5es de New York Dolls, Stooges, The Damned, Dead Boys, Misfit e Sex Pistols, entre outros). E n\u00f3s pensamos \u201cBom, n\u00e3o podemos fazer isso agora. Isso j\u00e1 foi tomado\u201d. E obviamente a nossa lista de covers de punk era bem diferente da sele\u00e7\u00e3o feita pelo Guns N\u2019Roses.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Hate The Police - Virada Cultural Paulista @ Mogi Das Cruzes, Sao Paulo 23.05.2010\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cMg9quMONRA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, mas eles t\u00eam algumas boas m\u00fasicas naquele disco.<\/strong><br \/>\nSim, sim! Mas nossas escolhas seriam diferentes. E n\u00f3s soamos muito diferentes deles (risos). Mas o mais engra\u00e7ado para mim \u00e9 que na \u00e9poca n\u00f3s est\u00e1vamos com medo de fazer a mesma coisa que o Guns N\u2019Roses, como se algu\u00e9m fosse conectar as duas coisas de alguma forma (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E h\u00e1 algum tempo, em 2015, voc\u00ea fez um show em tributo ao Stooges com o Duff (McKagan, baixista do Guns N\u2019Roses, mas originalmente de Seattle, onde tocou em v\u00e1rias bandas punks locais nos anos 1980), com uma banda chamada Raw Power, que tamb\u00e9m tinha o Mike McCready (Pearl Jam) na guitarra e o Barrett Martin (Screaming Trees e Mad Season) na bateria.<\/strong><br \/>\nEu conhe\u00e7o o Duff h\u00e1 muito, muito tempo, antes de ele se mudar para Los Angeles. Eu n\u00e3o o conhecia bem, mas o conhecia. Ele tocou em uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos, 10 Minute Warning.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"RAW POWER KEXP - Full Performance  (Live on KEXP)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/GKWhiPZVcLE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Falando em covers, alguma vez voc\u00eas chegaram a gravar um cover do Wipers? Porque sei que eles eram uma banda muito importante para voc\u00eas.<\/strong><br \/>\nN\u00e3o, nunca gravamos. Os Wipers s\u00e3o t\u00e3o bons que s\u00e3o quase intoc\u00e1veis (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sim, o Melvins e o Nirvana e algumas outras bandas fizeram cover deles.<\/strong><br \/>\nSim, o Melvins <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=hJ0aSjOMHZ0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">faz um cover incr\u00edvel de \u201cYouth of America\u201d<\/a> (do disco de mesmo t\u00edtulo lan\u00e7ado em 1981). Eu me lembro da primeira vez que escutei essa m\u00fasica. Estava em uma loja de discos e esse \u00e1lbum estava tocando. Me lembro de pensar \u2018Que porra \u00e9 essa? \u00c9 punk e psicod\u00e9lico, ao mesmo tempo?\u2019 Antes de come\u00e7ar a curtir punk, eu era muito f\u00e3 do Jimi Hendrix. E nunca dei as costas para o Jimi Hendrix (risos). Era apenas essa uni\u00e3o incr\u00edvel dos meus estilos favoritos de m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E \u00e9 verdade que voc\u00eas chegaram a tentar ter o Greg Sage produzindo um dos primeiros discos do Mudhoney?<\/strong><br \/>\nSim, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2013\/10\/21\/entrevista-bruce-pavitt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruce Pavitt (da Sub Pop)<\/a> estava em contato com ele e n\u00f3s achamos que seria realmente incr\u00edvel poder ter ele produzindo. Porque ele gravou algumas bandas de Portland.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ah sim, o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/12\/06\/entrevista-sam-henry-wipers-napalm-beach-the-rats-jenny-dont-and-the-spurs\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Napalm Beach<\/a> e algumas outras coisas!<\/strong><br \/>\nSim! Os Neo Boys tamb\u00e9m e acho que muitas outras coisas. Ent\u00e3o pensamos que seria super legal poder ter ele gravando o nosso primeiro single. Mas ele recusou educadamente. Acho que naquele momento, por volta de 1988, ele n\u00e3o estava mais fazendo isso tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sempre gosto de fazer essa pergunta. Gostaria que voc\u00ea me dissesse tr\u00eas discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso. N\u00e3o precisam ser os \u00fanicos tr\u00eas, mas tr\u00eas dos discos que mudaram a sua vida.<\/strong><br \/>\nOk. Vou come\u00e7ar com o \u201cDesolation Boulevard\u201d (1974), do Sweet. Esse foi o primeiro disco que comprei com o meu pr\u00f3prio dinheiro. Quando estava crescendo, ouvir rock n\u00e3o era algo realmente permitido na minha casa. N\u00e3o era nada crist\u00e3o ou relacionado a moralismo, mas porque a minha m\u00e3e era uma cantora de \u00f3pera e ela apenas pensava que era uma m\u00fasica de merda. Eventualmente, as regras foram um pouco relaxadas e pude comprar um disco. E, nesse ponto, eu j\u00e1 vinha comprando discos de 7 polegadas de 45RPM, porque eles eram pequenos o bastante para entrar com eles em casa e esconder na gaveta, para escut\u00e1-los quando os meus pais tivessem sa\u00eddo. Eu tinha o \u201cFox on the Run\u201d (1974), que era um sucesso na r\u00e1dio. Ent\u00e3o o \u201cThe Ballroom Blitz\u201d (outro single de 1974) saiu e eu fiquei pensando \u201cPorra, j\u00e1 s\u00e3o duas m\u00fasicas muito boas, aposto que o resto do disco tamb\u00e9m \u00e9\u201d (risos). E, felizmente, esse era o caso (risos). N\u00e3o sei o quanto voc\u00ea est\u00e1 familiarizado com esse disco, mas a vers\u00e3o do Reino Unido tem algumas m\u00fasicas diferentes. H\u00e1 um outro disco da mesma \u00e9poca (\u201cSweet Fanny Adams\u201d, tamb\u00e9m de 1974) e esses dois \u00e1lbuns foram combinados para a vers\u00e3o de \u201cDesolation Boulevard\u201d nos EUA. O disco original (no Reino Unido) tinha um cover do The Who (de \u201cMy Generation\u201d), mas a vers\u00e3o dos EUA meio que condensa tudo, e acho que eles fizeram realmente uma \u00f3tima escolha em escolher as melhores m\u00fasicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quantos anos voc\u00ea tinha quando comprou esse disco?<\/strong><br \/>\nUns 12, 13 anos de idade, por a\u00ed. Foi uma longa batalha (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E voc\u00ea j\u00e1 vivia em Seattle na \u00e9poca?<\/strong><br \/>\nNo sub\u00farbio. Mas naquela \u00e9poca eu j\u00e1 tinha aprendido que voc\u00ea podia pegar um \u00f4nibus para ir at\u00e9 (o centro de) Seattle, que levava cerca de uma hora. Tamb\u00e9m era um pouco de liberdade, porque eu podia levar meu skate e andar pelo centro da cidade. De qualquer modo, isso \u00e9 algo totalmente diferente. Hmm, pensando em outro disco, acho que iria com o \u201cQ: Are We Not Men? A: We Are Devo\u201d (1978), do Devo. Eu os perdi nas primeiras turn\u00eas, mas os vi na tour do \u201cFreedom of Choice\u201d (1980). Isso foi na \u00e9poca que eu estava come\u00e7ando a curtir punk e descobrindo algumas coisas mais underground. Eu j\u00e1 tinha ido a alguns shows em arenas, que eram esses eventos gigantes em que voc\u00ea se sentia uma formiga em um mar de gente. E as bandas ficavam no palco l\u00e1 longe. O que parecia Ok at\u00e9 eu assistir ao show do Devo em uma casa de shows pequena, que era um antigo sal\u00e3o de bailes que tinha uma pista de dan\u00e7a de madeira que tinha um pouco de ressalto. Todo mundo estava pulando, e n\u00e3o tinha como n\u00e3o pular porque o lugar estava muito cheio. De alguma forma, eu consegui ir passando em meio ao p\u00fablico at\u00e9 chegar a um ponto em que s\u00f3 tinha uma pessoa na minha frente antes do palco. A banda estava logo ali e eles regressam (\u201cdevolve\u201d), eles come\u00e7aram com as roupas da turn\u00ea do \u201cFreedom of Choice\u201d, tocando as m\u00fasicas desse disco, e depois de alguma forma as coisas foram saindo e eles estavam vestidos como na turn\u00ea do \u201cDuty Now for the Future\u201d (1979), para tocar as m\u00fasicas desse \u00e1lbum. E, por fim, eles terminaram com os macac\u00f5es amarelos do \u201cQ: Are We Not Men? A: We Are Devo\u201d. Lembro que, em um determinado momento do show, o Bob 1 (Bob Mothersbaugh) estava fazendo um solo de guitarra e eu meio que subi no p\u00fablico e acabei chegando perto dele e toquei no bra\u00e7o da guitarra e ele me acertou na cabe\u00e7a e eu fiquei \u201cPorra, \u00e9 isso a\u00ed!\u201d (risos). Eu pensei \u201cN\u00e3o vou mais ferrar com a sua guitarra, mas isso n\u00e3o \u00e9 algo que acontece no show de arena\u201d. Para mim, a partir daquele momento, passei a preferir sempre shows pequenos, em casas de shows, tanto para tocar quanto para ir assistir algum artista. H\u00e1 algo meio selvagem e louco em tocar em est\u00e1dios de futebol gigantes, como quando tocamos com o <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2007\/11\/30\/top-ten-os-meus-dez-melhores-shows-internacionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pearl Jam no Brasil<\/a> (no Pacaembu em 2005), com dezenas de milhares de pessoas em sincronia, h\u00e1 algo incr\u00edvel sobre isso. Mas eu sinto que se eu fosse uma dessas pessoas, eu preferiria n\u00e3o&#8230;Quer dizer, \u00e9 claustrof\u00f3bico, voc\u00ea sente que pode ser pisoteado (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, para terminar, acho que tenho que ir com o \u201cFunhouse\u201d (1970), do Stooges. Acho que escutar o Stooges foi o que me colocou na trajet\u00f3ria que eu acabei seguindo desde ent\u00e3o. O primeiro disco deles que eu escutei, na verdade, foi o \u201c<a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2017\/07\/05\/dicas-scream-yell-raw-power\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Raw Power<\/a>\u201d (1973), porque estava dispon\u00edvel em alguma promo\u00e7\u00e3o. Basicamente n\u00e3o estava vendendo, por isso eles baixaram o pre\u00e7o. E eu pensei \u201cIsso \u00e9 legal, \u00e9 estranho\u201d, eu n\u00e3o sabia exatamente o que pensar da mixagem na \u00e9poca, porque soava muito diferente do que voc\u00ea ouvia no r\u00e1dio com bandas como Boston ou Journey, essas merdas. Ent\u00e3o foi algo meio desnorteante. E ouvir o primeiro disco deles (autointitulado, de 1969) foi meio que um choque. Tinha uma loja que tinha os dois primeiros discos em vers\u00f5es canadenses. Comprei o primeiro disco e a \u00fanica coisa que eu conseguia comparar, que eu entendia na \u00e9poca, era um pouco como o The Doors, um pouco como o Jimi Hendrix, mas claramente o jeito de tocar n\u00e3o era como o Jimi Hendrix, de maneira alguma. \u00c9 mais algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o talentoso, mas surgindo com o seu pr\u00f3prio lance (risos). E n\u00e3o tinha a pretens\u00e3o do The Doors, o aspecto po\u00e9tico ou qualquer coisa do tipo. Era algo meio direto e simples, mais relacion\u00e1vel. Eu comecei a curtir os Stooges porque quando estava come\u00e7ando a curtir punk, eles eram um nome que sempre surgia, algo como \u201cEssa \u00e9 a base, a funda\u00e7\u00e3o desse novo movimento\u201d. E sinto que o \u201cFunhouse\u201d realmente \u00e9 o seu pr\u00f3prio lance. Voc\u00ea consegue ouvir influ\u00eancias de James Brown, do Pharoah Sanders, especialmente no labo B. A constru\u00e7\u00e3o de m\u00fasicas como \u201cTV Eye\u201d e \u201cDown on the Street\u201d, elas s\u00e3o muito diferentes do que era feito na \u00e9poca. E elas s\u00e3o muito agressivas, o que eu gostava muito. Nos 1970, a fus\u00e3o de rock e jazz era algo, mas no final dos anos 1970 j\u00e1 estava soando um pouco fraco, n\u00e3o era mais o Miles Davis ali no canto. Era algo que voc\u00ea acha que \u00e9 rock, acha que \u00e9 jazz. Mas se voc\u00ea escutar o \u201cFunhouse\u201d, essa \u00e9 a fus\u00e3o entre rock e jazz que deveria ter acontecido. \u00c9 um disco pesado e h\u00e1 ali um componente de liberdade, h\u00e1 barulhos por todos os lugares. Acho que foi uma oportunidade perdida para todos os outros proponentes da fus\u00e3o entre jazz e rock (risos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Essa \u00e9 a \u00faltima pergunta. O Mudhoney completa 35 anos de carreira neste ano, voc\u00eas j\u00e1 tocaram em boa parte do mundo. Al\u00e9m disso, voc\u00ea j\u00e1 tocou em diversas outras bandas e projetos e colabora\u00e7\u00f5es, incluindo ter participado do MC5 no come\u00e7o dos anos 2000. Por isso, gostaria de saber do que voc\u00ea tem mais orgulho na sua carreira?<\/strong><br \/>\nAh, eu n\u00e3o sei. N\u00e3o passo realmente muito tempo pensando e lembrando da minha carreira (risos). N\u00e3o sou uma pessoa muito nost\u00e1lgica. Mais frequentemente, acho que quando penso em coisas assim, fico apenas impressionado que elas tenham acontecido. Houve uma \u00e9poca em que nunca pensei que fosse poder ver os Stooges, os Scientists ou os Flesh Eaters, com a forma\u00e7\u00e3o do \u201cA Minute to Pray, A Second to Die\u201d (1981), muito menos dividir o palco com eles. E a ideia de ser convidado pelo Wayne Kramer para participar de uma vers\u00e3o do MC5 com os tr\u00eas integrantes originais remanescentes na \u00e9poca, isso foi algo t\u00e3o louco. Eu tive tanto medo de foder tudo. Porque essa \u00e9 uma banda que muita gente tem um sentimento especial, eu inclusive. O Rob Tyner era um vocalista incr\u00edvel. E, felizmente o Wayne disse \u201cN\u00f3s n\u00e3o estamos pedindo para voc\u00ea preencher o espa\u00e7o do Rob\u201d. N\u00e3o era uma banda tributo em que colocaria uma peruca para tentar fingir que eu era o Rob Tyner. Isso foi algo realmente impressionante.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"DKT-MC5 ft Mark Arm (Mudhoney) in Brasil - 2005\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OXtlreJADWs?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - The Money Will Roll Right In - Sao Paulo, Brazil 2008\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_1UYJ105Cw0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Suck You Dry - Sao Paulo, Brazil, 2014\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/qRq5EMUIPu0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney - Touch Me I&#039;m Sick - Live in Berlin DVD - 20.10.1988\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5FKYp-F_Mwc?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mat\u00e9ria da MTV no show do Mudhoney no Brasil fala sobre o grunge (2001)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/aZPNNSrhvY4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney no Brasil - 2001\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VIwnPS8IJSg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney Interview - Sao Paulo, Brazil - May 2010 - Part 1\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ywMjlpKQFnA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney Interview - Sao Paulo, Brasil - May 2010 - Part 2\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/m53IhTznskE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Mudhoney Interview - Sao Paulo, Brasil - May 2010 - Part 3\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/O5c1wIBHeXE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LuizMazetto1986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Luiz Mazetto<\/a>\u00a0\u00e9 autor dos livros \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885339\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA<\/a>\u201d e \u201c<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Somos-Tempestade-Conversas-Sobre-Alternativo\/dp\/8562885649\/ref=pd_lpo_14_t_0\/145-6204651-9007215?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_i=8562885649&amp;pd_rd_r=0e02080e-01a3-422c-9e95-933a79ef9d17&amp;pd_rd_w=qJ5vJ&amp;pd_rd_wg=0obt1&amp;pf_rd_p=6102dabe-0e19-4db6-8e11-875a53ad30be&amp;pf_rd_r=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH&amp;psc=1&amp;refRID=K14PYCR8ZPPETTCCKYMH\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">N\u00f3s Somos a Tempestade, Vol 2 \u2013 Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo<\/a>\u201d, ambos pela Edi\u00e7\u00f5es Ideal. Tamb\u00e9m colabora coma a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vice.com\/pt_br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vice Brasil<\/a>, o\u00a0<a href=\"https:\/\/cvltnation.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">CVLT Nation<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.loudmagazine.net\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Loud!<\/a><\/em>\u00a0<em>A foto que abre o texto \u00e9 de Emily Rieman.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ic\u00f4nica banda de Seattle chega aos 35 anos de carreira com um dos seus melhores trabalhos, o intenso \u201cPlastic Eternity\u201d (Sub Pop). Em conversa, vocalista tamb\u00e9m revela quais discos mudaram a sua vida e explica por que o Stooges \u00e9 a fus\u00e3o perfeita entre jazz e rock.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/06\/entrevista-mark-arm-fala-sobre-cachorros-e-o-novo-disco-do-mudhoney-relembra-shows-no-brasil-e-conta-como-foi-cantar-no-mc5\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":88,"featured_media":73879,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[315],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73875"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73875"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73875\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74327,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73875\/revisions\/74327"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73879"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73875"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73875"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73875"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}