{"id":73850,"date":"2023-04-05T02:19:17","date_gmt":"2023-04-05T05:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73850"},"modified":"2023-06-07T00:12:49","modified_gmt":"2023-06-07T03:12:49","slug":"entrevista-gabriel-thomaz-se-lanca-solo-no-projeto-multi-homem-e-avisa-estou-fazendo-as-coisas-sem-pudor-e-sem-medo-de-ser-feliz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/05\/entrevista-gabriel-thomaz-se-lanca-solo-no-projeto-multi-homem-e-avisa-estou-fazendo-as-coisas-sem-pudor-e-sem-medo-de-ser-feliz\/","title":{"rendered":"Entrevista &#8211; Gabriel Thomaz se lan\u00e7a solo no projeto Multi-Homem e avisa: &#8220;Estou fazendo as coisas sem medo de ser feliz&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>entrevista por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bruno Lisboa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar sobre Gabriel Thomaz \u00e9 falar sobre o cen\u00e1rio de rock independente em terras brasileiras. Desde o per\u00edodo em que capitaneou o essencial Little Quail and The Mad Birds nos anos 90, Gabriel estabeleceu uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com o mercado independente, ajudando a formatar e consolidar f\u00f3rmulas que hoje s\u00e3o comuns. Depois, tanto como guitarrista e vocalista do Autoramas (que celebra 25 anos de estrada em 2023!) quanto como coordenador \/<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/21\/entrevista-gabriel-thomaz-fala-sobre-o-selo-maxilar\/\"> idealizador do selo Maxilar Records<\/a>, o m\u00fasico fez de sua carreira um instrumento de milit\u00e2ncia em defesa da m\u00fasica underground. Das mais variadas facetas que assumiu ao longo de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 m\u00fasica, Gabriel decidiu (finalmente) se lan\u00e7ar me formato solo. O resultado pode ser conferido no \u00e1lbum \u201cMulti-Homem\u201d, lan\u00e7ado em janeiro, em que ele opta por explorar texturas sonoras que, segundo o pr\u00f3prio, n\u00e3o cabiam na sua banda principal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o letras minimalistas, simples e refr\u00f5es pegajosos acamados por sonoridades dispares que v\u00e3o desde os tradicionais punk e garage rock a cumbia peruana, o tecnobrega, frevo e o ax\u00e9. Produzido no est\u00fadio Vegetal, de Jairo Fajer (baixista do Autoramas), \u201cMulti-Homem\u201d conta com diversas participa\u00e7\u00f5es especiais como M\u00e1rcia Castro (no single \u201cCaramabola\u201d), Felipe Bueno (na nova vers\u00e3o para \u201cA Hist\u00f3ria da Vida de Cada Um\u201d, do repert\u00f3rio do Autoramas) e o baterista Fernando Fonseca, m\u00fasico que o tem acompanhado nas turn\u00eas. Na entrevista abaixo, Gabriel fala sobre a nova fase, refer\u00eancias, a m\u00fasica na era do streaming, seu lado curioso e a busca insaci\u00e1vel por novos sons, as nuances de se apresentar em formato solo, o modus operandi do selo Maxilar, o legado dos Autoramas, planos futuros e muito mais. Confira!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Multi-Homem\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_kEvKOT369Uak9ctQ6Y6d8Ww325sLprpD4\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>H\u00e1 tempos muitos esperavam o lan\u00e7amento de um disco solo seu e s\u00f3 agora em 2023 rolou de fato. Como se deu o processo de composi\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o do \u00e1lbum?<\/strong><br \/>\nEstou fazendo finalmente o meu trabalho solo porque tem muitas coisas que eu j\u00e1 queria ter lan\u00e7ado, muitas m\u00fasicas que estou gravando, e outras que eu j\u00e1 ofereci para outras pessoas, para outros artistas. Sempre tive essa coisa do compositor. Muita gente gravou m\u00fasica minha, algumas delas ficaram bem famosas nas vozes de outros artistas. Sempre fiquei muito feliz em entregar essas m\u00fasicas. Mas tem coisas que eu realmente tamb\u00e9m gostaria de lan\u00e7ar. A \u201cCarambola\u201d, por exemplo, a Roberta de Raz\u00e3o j\u00e1 tinha gravado, mas tinha transformado num punk rock e eu sempre achei que ela tivesse uma coisa mais ax\u00e9. Gravei ela com a M\u00e1rcia Castro, e ficou bem legal, ficou um Garage Ax\u00e9 (risos). E \u00e9 isso, eu sempre quis fazer determinadas coisas e n\u00e3o tinha oportunidade. Ent\u00e3o com o projeto solo \u00e9 uma mistura de v\u00e1rias coisas que eu n\u00e3o conseguia botar na rua e que est\u00e1 a\u00ed. Desde at\u00e9 mesmo regrava\u00e7\u00f5es do Autoramas, coisas que era dif\u00edcil colocar em show, que era dif\u00edcil de tocar, ou que eu queria tocar de outro jeito. E tem as coisas novas, as vers\u00f5es de outros artistas tamb\u00e9m, coisas que eu sempre quis gravar, e n\u00e3o tinha tido oportunidade. Acho que \u00e9 o momento certo. Gravei o disco todo sozinho. Noventa por cento das m\u00fasicas eu gravei no est\u00fadio do Jairo, o Vegetal, em Itatiba, interior de S\u00e3o Paulo. Morei l\u00e1 com ele por um tempo, terminei os arranjos e gravei essas m\u00fasicas todas. Eu n\u00e3o sei tocar bateria e para algumas delas eu chamei o Fernando Fonseca, que \u00e9 quem toca a bateria comigo ao vivo, para gravar. S\u00e3o s\u00f3 umas tr\u00eas ou quatro m\u00fasicas. E teve umas percuss\u00f5es que eu chamei a B\u00e1rbara Nega, de Jundia\u00ed, que me ajudou principalmente em \u201cCarambola\u201d \u2013 em \u201cPeru Par\u00e1\u201d e \u201cQue Del\u00edcia, Que Loucura\u201d o Edu K fez as percuss\u00f5es eletr\u00f4nicas. Ele \u00e9 mestre nisso e me ajudou muito. Agora j\u00e1 estou j\u00e1 marcando data para come\u00e7ar o segundo (disco). J\u00e1 tenho at\u00e9 repert\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em &#8220;Multi-homem&#8221; voc\u00ea promove uma aproxima\u00e7\u00e3o com ritmos diversos, como o j\u00e1 citado ax\u00e9, mas sem perder a sua identidade ligada ao punk\/garage e adjac\u00eancias. Como se deu a constru\u00e7\u00e3o dessa miscel\u00e2nea de sons?<\/strong><br \/>\nA primeira refer\u00eancia, que acho que \u00e9 mais b\u00e1sica, \u00e9 a coisa da cumbia psicod\u00e9lica peruana. Que tamb\u00e9m se chama Chicha. Sempre tive essa pilha de compor para outros artistas. Sempre pesquisei outros ritmos. As estruturas de outros estilos, outros g\u00eaneros. Ent\u00e3o comecei a abrir a cabe\u00e7a pra essas possibilidades at\u00e9 que as ideias foram pintando. Estou fazendo as coisas sem pudor e sem medo de ser feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem te acompanhada pelas redes sociais e palcos da vida sabe dessa sua verve pesquisador e \u00e9 interessante pensar como essa busca eterna acaba por refletir no seu fazer musical. Nesse sentido tem algum campo ou \u00e1rea que voc\u00ea, musicalmente, n\u00e3o tenha explorado e deseje faz\u00ea-lo?<\/strong><br \/>\nCara, eu n\u00e3o me considero um pesquisador. Eu me considero uma pessoa interessada, sabe? E em tudo que rola. Sonoridades tem muitas pelo mundo e \u00e9 sempre um prazer ter descobertas sonoras. \u00c9 um barato, cara. \u00c9 uma del\u00edcia. E \u00e9 dif\u00edcil de falar alguma coisa que eu n\u00e3o tenha explorado. Talvez eu venha a descobrir. A Chicha peruana foi isso. Conheci o g\u00eanero quando fui fazer um show no Peru, e voltei com 110 discos na sacola, todos desse g\u00eanero. (Chicha) \u00c9 uma loucura. Sem contar dentro do pr\u00f3prio rock and roll, sabe? Do pr\u00f3prio g\u00eanero que a gente est\u00e1 acostumado. P\u00f4, tem tanta coisa que que eu gostaria de explorar que \u00e0s vezes falta informa\u00e7\u00e3o, falta dinheiro, falta recurso para ir atr\u00e1s. Estou sempre atento \u00e0s dicas dos amigos, das revistas, dos sites. Acho que a palavra mais certa n\u00e3o \u00e9 pesquisador, acho que \u00e9 curioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Curiosidade \u00e9 algo que deveria mover todo e qualquer entusiasta da m\u00fasica, por\u00e9m a maneira como o p\u00fablico lida com ela tem mudado drasticamente desde o advento do streaming. Como colecionista de discos f\u00edsicos, como voc\u00ea v\u00ea essa mudan\u00e7a?<\/strong><br \/>\nEu vejo uma mudan\u00e7a que \u00e9 incr\u00edvel, que \u00e9 uma loucura e que eu tento explor\u00e1-la de todas as maneiras: eu passei a minha vida inteira procurando por um determinado disco, anos, d\u00e9cadas, e agora em um clique eu acho. Sou do tipo que ainda festeja quando isso acontece, por estar l\u00e1 no streaming para que eu possa ouvir no momento que eu quero. Por exemplo, tinha uma banda da antiga Iugosl\u00e1via que eu passei a vida inteira procurando. E a\u00ed eu esqueci dela. Um belo dia lembrei de simplesmente procurar no YouTube. E na hora que escrevi o nome dela na busca, ela estava l\u00e1. Olha que beleza! De gra\u00e7a, bicho. P\u00f4, que maravilha. Mas cada pessoa \u00e9 diferente. Acho que todas as engenhosidades foram engendradas para serem bem ou mal-usadas, sabe? Se a pessoa quer s\u00f3 usar as coisas pra ouvir a mesma coisa de sempre \u00e9 ok. Mas eu gosto muito de acompanhar lan\u00e7amentos, gosto muito de acompanhar coisas novas. E acho que nunca foi t\u00e3o bom, t\u00e3o pr\u00e1tico, sabe? Sei l\u00e1, eu tenho o h\u00e1bito de ouvir m\u00fasica, de ser curioso com a m\u00fasica desde que comecei a ouvir m\u00fasica. N\u00e3o sei se isso (do streaming) est\u00e1 errado, sabe? Apenas s\u00e3o maneiras muito diferentes (de ouvir m\u00fasica). Cada um na sua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recentemente vi uma apresenta\u00e7\u00e3o solo sua, junto ao baterista Fernando Fonseca na Audio Rebel (RJ). O formato m\u00ednimo da apresenta\u00e7\u00e3o, o set diversificado (com material solo, repert\u00f3rio do Autoramas e covers) e a crueza impressa foram coisas que se destacaram. Como tem sido para voc\u00ea essas apresenta\u00e7\u00f5es? Quais s\u00e3o os desafios de se &#8220;desnudar&#8221; ao vivo?<\/strong><br \/>\nNa realidade, o show solo tem um aspecto bem mais complicado do que as coisas que eu j\u00e1 fiz anteriormente, mesmo com o Autoramas. Uso duas pedaleiras e muitos recursos eletr\u00f4nicos, tanto pra guitarra quanto pra voz. E pra controlar tudo isso, tocar e estar ali, conversar e levar as coisas com naturalidade, \u00e9 bem dif\u00edcil e complicado. Para mim \u00e9 uma evolu\u00e7\u00e3o muito grande (tocar em formato solo). Comecei fazendo esse show s\u00f3, mas a\u00ed veio a ideia de fazer um show solo e eu sentia falta da bateria. Ent\u00e3o chamei o Fernando (Fonseca), que gravou comigo. Ele mora aqui em Jundia\u00ed. Eu j\u00e1 tinha feito shows com ele e lancei a banda dele, o Vel\u00f3dicos, pelo Maxilar, n\u00f3s ficamos muito amigos e rolou isso legal. Eu acho que tocar instrumentos n\u00e3o tem regra. N\u00e3o existe uma maneira determinada de se tocar. \u00c9 meio tipo Bombril. Existem mil e uma maneiras de usar os instrumentos e eu estou tentando inventar a minha maneira, como eu sempre fiz. O Autoramas tem uma f\u00f3rmula que \u00e9 muito particular, do baixo com distor\u00e7\u00e3o, a guitarra com muitos recursos, com efeitos bem diferentes, fora do comum, do padr\u00e3o de que voc\u00ea v\u00ea os guitarristas usando. As baterias dan\u00e7antes, (Autoramas) \u00e9 um rock dan\u00e7ante. Agora estou buscando uma outra f\u00f3rmula de fazer as coisas sozinho. Muitas vezes ao fazer um solo, que seria feito na guitarra, eu fa\u00e7o na voz enquanto a guitarra est\u00e1 fazendo um som de baixo ou de synth. E acho tem uma riqueza nisso. No meu \u00e1lbum (solo) regravei m\u00fasicas do Autoramas que eu n\u00e3o conseguia tocar ao vivo. Elas nunca entravam no repert\u00f3rio. Isso me deixava um pouco frustrado, porque filho a gente ama tudo com o mesmo amor. Ent\u00e3o a m\u00fasica n\u00e3o entra no show e eu n\u00e3o me conformo e acabou que agora eu toco v\u00e1rias coisas que eu n\u00e3o conseguia tocar no show do Autoramas. Aproveito e tamb\u00e9m fa\u00e7o homenagens para alguns amigos como Erasmo Carlos, o J\u00fapiter (Ma\u00e7\u00e3)&#8230; m\u00fasicas que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o sendo mais tocadas. Acho interessante fazer isso. Lancei o single de \u201cEu Tenho Febre\u201d e o Leno faleceu uma semana depois. E \u00e9 era uma m\u00fasica que eu queria tocar h\u00e1 muitos anos, desde que eu a ouvi a primeira vez, mas eu nunca conseguia ter espa\u00e7o. O Autoramas \u00e9 uma banda com nove \u00e1lbuns ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil enfiar uma m\u00fasica num show de 22\/23 m\u00fasicas. E olha que a gente varia sempre. O projeto todo, o show, o \u00e1lbum s\u00e3o todos calcados em coisas que eu tenho vontade de fazer, tocar, que eu quero botar na rua. \u00c9 isso. Voc\u00ea me perguntou do desafio, e o desafio pra mim \u00e9 exatamente controlar ainda mais coisas no palco sem errar. Sem perder a concentra\u00e7\u00e3o, continuando ali, interagindo com a galera, conversando com as pessoas. O desafio \u00e9 tornar tudo isso o mais natural poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Durante essa conversa voc\u00ea citou contribui\u00e7\u00f5es de diversos m\u00fasicos. Queria que voc\u00ea falasse mais sobre isso, citando como se deu a sele\u00e7\u00e3o de quem iria somar e quais foram as contribui\u00e7\u00f5es que eles trouxeram pro disco.<\/strong><br \/>\nO \u00e1lbum foi feito de pouco a pouco. M\u00fasica por m\u00fasica. Eu pedi ajuda do que eu precisava pra outros m\u00fasicos. N\u00e3o tem nenhum mist\u00e9rio. Tudo foi feito numa tranquilidade muito grande. O \u00e1lbum foi gravado no est\u00fadio do Jairo, que \u00e9 baixista da Autoramas. Ele ajudou muito, sabe? Eu, Jairo e o Al\u00ea, que \u00e9 o t\u00e9cnico de som do Autoramas, gravamos juntos as m\u00fasicas. Ele (Al\u00ea) mixou e foi tudo muito tranquilo.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Parall\u00e8les - Ferme La Bouche (Clipe Oficial)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/0-gDhytZ8X4?list=PLmgJIHHyVutqrL-ER61RcmtEYVjhtqdea\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O selo Maxilar foi fundado a dois anos e \u00e9 interessante e louv\u00e1vel observar o qu\u00e3o amplo \u00e9 o cat\u00e1logo de artistas lan\u00e7ados. Olhando em retrospecto, voc\u00ea est\u00e1 feliz com os resultados alcan\u00e7ados? E ainda: quais s\u00e3o os planos futuros para essa iniciativa?<\/strong><br \/>\nComecei o Maxilar um pouquinho antes da pandemia. Durante a pandemia, <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2021\/05\/21\/entrevista-gabriel-thomaz-fala-sobre-o-selo-maxilar\/\">depois que eu fui internado<\/a>, consegui organizar bastante coisa porque eu tinha tempo pra fazer isso. Rolou legal, cara. Realmente tem um espectro muito amplo de estilos. Mas ao mesmo tempo s\u00e3o todas coisas que eu tenho alguma familiaridade. Estou gostando muito de fazer. A gente est\u00e1 indo devagar porque a gente n\u00e3o tem bala na agulha pra fazer muito investimento. Mas a gente faz tudo direitinho e est\u00e1 rolando bem. Algumas das bandas est\u00e3o come\u00e7ando a se destacar. A gente tem feito festa, tem feito festival, al\u00e9m dos lan\u00e7amentos e est\u00e1 muito bom. Estou gostando. Sobre os planos futuros&#8230; eu gostaria muito de ter algum apoio. Acho que todo mundo tem esse objetivo. Mas enquanto isso seguimos fazendo. Sempre tive o sonho de fazer um selo e, finalmente, consegui. Eu j\u00e1 tinha tido um selo antes que era a Gravadora Discos, pra lan\u00e7ar coisas em formatos esquisitos. Na \u00e9poca os formatos esquisitos eram vinil e cassete. Hoje n\u00e3o s\u00e3o mais esquisitos e tem gente fazendo isso muito melhor do que eu (risos). O pr\u00f3prio conceito do selo ficou ultrapassado. Mas adoro fazer essas coisas, lan\u00e7amentos. Gosto de ajudar as bandas e quero que elas se destaquem. Estou trabalhando pra isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ainda falando do selo, como se d\u00e1 o processo de sele\u00e7\u00e3o do que voc\u00eas v\u00e3o lan\u00e7ar? Quais caracter\u00edsticas o artista deve ter para fazer parte do Maxilar?<\/strong><br \/>\nCara, existem g\u00eaneros que a gente se identifica mais tipo surf (music), garage. Eu gosto muito de coisas assim, eletr\u00f4nicas, sabe? Curto muito, e acho que tem muita gente boa fazendo isso. O crit\u00e9rio, cara, \u00e9 a gente gostar. A gente achar que rola. \u00c9 principalmente isso, mas vou te falar, bandas que a gente v\u00ea que est\u00e1 tocando, trabalhando, que querem fazer o lance (tamb\u00e9m chamam a nossa aten\u00e7\u00e3o). \u00c9 por esse caminho que a gente quer seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Queria falar dos planos futuros \u00e9 falar do Autoramas, que em 2023 celebra 25 anos de hist\u00f3ria! Qual o principal legado da banda que voc\u00ea percebe na cena atual?<\/strong><br \/>\nMuita gente me fala que ouviu muito o Autoramas, gente de bandas mais novas, gente que veio depois, ou at\u00e9 mesmo gente da nossa gera\u00e7\u00e3o, que curtiu muito, que entendeu muita coisa do funcionamento da m\u00fasica, com o jeito que a gente fazia as coisas. Toda a (parte) pr\u00e1tica, as turn\u00eas, as grava\u00e7\u00f5es e a busca por uma identidade pr\u00f3pria. E a pr\u00f3pria influ\u00eancia musical&#8230; J\u00e1 houve um tributo ao Autoramas que saiu h\u00e1 alguns anos. Por um outro aspecto \u00e9 o lance da m\u00fasica independente. Quando a gente come\u00e7ou o independente era um sin\u00f4nimo de amador, sabe? \u00c9 claro que j\u00e1 existia o independente, mas eu acho que a nossa gera\u00e7\u00e3o conseguiu transformar a m\u00fasica independente em algo que tamb\u00e9m d\u00e1 pra ser profissional. Nem todos conseguiram, mas acho que a gente conseguiu fazer com que a m\u00fasica independente se tornasse profissional no Brasil. A gente e outros artistas. O Autoramas \u00e9 um personagem muito importante nisso. Um dos mais importantes. A gente come\u00e7ou numa \u00e9poca que os festivais eram apenas de rock e hoje est\u00e3o abrangendo outros estilos, artistas que s\u00e3o da nossa gera\u00e7\u00e3o, s\u00e3o da parte da cena, daquilo que o Autoramas ajudou a construir. A gente tem uma hist\u00f3ria nesse sentido de n\u00e3o ter seguido determinadas regras que eram obrigat\u00f3rias at\u00e9 isso acontecer, sabe? Fizemos de outro jeito e incrivelmente deu certo, com muito trabalho, com muita dedica\u00e7\u00e3o. A gente nunca quis esconder os contatos, pegar as coisas s\u00f3 para n\u00f3s. A gente sempre deu dicas, sempre ajudou, sempre esteve a\u00ed, sempre foi parceiro. At\u00e9 pela vontade de que a cena inteira crescesse. Com isso n\u00f3s tiv\u00e9ssemos resultados e foi o que aconteceu. Hoje vejo que o cen\u00e1rio independente, que antes era um cen\u00e1rio de rock, hoje tem uma infinidade de g\u00eaneros. \u00c9 natural que isso aconte\u00e7a com um pa\u00eds como o Brasil, que \u00e9 muito musical. Fico feliz com isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Apesar da longa trajet\u00f3ria marcada por turn\u00eas pelo mundo e grandes discos, h\u00e1 algo que o Autoramas ainda n\u00e3o fez, mas que voc\u00ea gostaria de fazer?<\/strong><br \/>\nMuitas coisas! A gente nunca fez um disco ao vivo (nota: a banda tem um registro ac\u00fastico chamado \u201c<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2010\/01\/13\/entrevista-autoramas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MTV Apresenta Autoramas Desplugado<\/a>\u201d)! A gente nunca fez um disco infantil (Gabriel participa da vers\u00e3o de \u201c1, 2, 3, 4\u201d, do Little Quail, regravada para o projeto infantil <a href=\"https:\/\/open.spotify.com\/album\/6jYPYyiBCQLU3ZgMPqUOOI\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Espoleta Blues<\/a>, de <a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/03\/entrevista-um-mariachi-romantico-urbano-elder-effe-abraca-o-power-pop-em-o-ciclo-das-flores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Elder Effe<\/a>). A gente nunca tocou na Oceania. A gente nunca tocou em Nova York. Tem muita coisa que eu quero fazer. Queria relan\u00e7ar toda a discografia do Autoramas em vinil. Queria lan\u00e7ar os b-sides e extras em algum formato f\u00edsico. \u00c9 tanta coisa&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pra fechar: como ser inquieto que atua em v\u00e1rias linhas de frente, quais s\u00e3o as perspectivas para o ano de 2023? Ap\u00f3s quatro anos de recess\u00e3o maldita na \u00e1rea cultural, voc\u00ea acredita que \u00e9 poss\u00edvel pensar num recrudescimento na \u00e1rea art\u00edstica daqui pra frente?<\/strong><br \/>\nAposto nisso porque preciso disso. E espero mesmo que aconte\u00e7a. A gente n\u00e3o conseguiu ainda retomar o pique que a gente tinha antes da pandemia. Estou considerando essa fase do ano como uma fase no sentido de plantar novamente. Vamos ver quando \u00e9 que a gente vai colher. Enquanto tudo estava parado, coloquei todas as ideias que eu tinha em pr\u00e1tica. Mas eu estava num pique muito grande. A gente ia fazer show, fazer turn\u00eas, gravar, eu voltava pra casa exausto, dormia e recome\u00e7ava. Espero que que as coisas venham novamente. E a vida do artista, da pessoa envolvida com isso, \u00e9 assim: todo dia voc\u00ea tem que acelerar, tem que focar, se concentrar e mandar brasa. Vamos nessa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tem algum assunto que n\u00e3o tocamos e que voc\u00ea queria citar?<\/strong><br \/>\nAhhh, meu velho, tem muitos (risos). Se voc\u00ea deixar eu falar eu n\u00e3o paro mais!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Multi-Homem ao vivo Rio com Ki Del\u00edcia - Jan\/23 (Gabriel Thomaz)\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/uEX6MOfzmmE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Multi Homem Gabriel Thomaz - Aquela\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/crTONIgkfTo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Multi Homem Gabriel Thomaz - O Som do Par\u00e1, O Som do Peru\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/I3njHmbPnW8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Multi Homem Gabriel Thomaz - 300 km\/h\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/VnAG6_mxiVo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/brunorplisboa\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Bruno Lisboa<\/a>\u00a0 escreve no Scream &amp; Yell desde 2014.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Gabriel fala sobre a nova fase, refer\u00eancias, a m\u00fasica na era do streaming, seu lado curioso e a busca insaci\u00e1vel por novos sons, as nuances de se apresentar em formato solo, o modus operandi do selo Maxilar, o legado dos Autoramas&#8230;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2023\/04\/05\/entrevista-gabriel-thomaz-se-lanca-solo-no-projeto-multi-homem-e-avisa-estou-fazendo-as-coisas-sem-pudor-e-sem-medo-de-ser-feliz\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":4,"featured_media":73851,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2351,6614,3996,5190],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73850"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73850"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73850\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73855,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73850\/revisions\/73855"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73850"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73850"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73850"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}