{"id":73808,"date":"2005-01-19T13:14:00","date_gmt":"2005-01-19T15:14:00","guid":{"rendered":"http:\/\/screamyell.com.br\/site\/?p=73808"},"modified":"2023-04-03T13:25:55","modified_gmt":"2023-04-03T16:25:55","slug":"tres-discos-cris-braun-suzana-flag-lou-reed","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/01\/19\/tres-discos-cris-braun-suzana-flag-lou-reed\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas discos: Cris Braun, Suzana Flag, Lou Reed"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>texto por\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Marcelo Costa<\/a><\/strong><\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-73810 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/atemporal.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"442\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/atemporal.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/atemporal-300x295.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAtemporal\u201d, Cris Braun (Psicotr\u00f4nica)<\/strong><br \/>\nPraticamente oito anos ap\u00f3s sua estreia solo com \u201cCuidado Com Pessoas Como Eu\u201d (1997), Cris Braun retorna com um novo disco, \u201cAtemporal\u201d (2005), em tom leve e tranq\u00fcilo. Egressa dos Sex Beatles, que tamb\u00e9m revelou Alvin L. (excelente letrista e dono de um dos melhores discos desconhecidos dos anos noventa, \u201cAlvin\u201d, 1997), Cris Braun abandonou a metr\u00f3pole Rio de Janeiro em 2000, mudando-se para a n\u00e3o t\u00e3o afastada Teres\u00f3polis, mas distante do barulho e da loucura da &#8220;cidade grande&#8221;. <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/musicadois\/crisbraun.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A op\u00e7\u00e3o pelo afastamento<\/a> refletiu no som calmo deste \u201cAtemporal\u201d. Se em \u201cCuidados Com Pessoas Como Eu\u201d, Cris misturava MPB com eletr\u00f4nica em vers\u00f5es pessoais para can\u00e7\u00f5es como \u201cBrigas\u201d \u2013 de Jair Amorim e Evaldo Gouveia e famosa na voz de \u00c2ngela Maria \u2013, \u201cBom Conselho\u201d (de Chico Buarque) e \u201cConforto\u201d (parceria in\u00e9dita de Frejat e Cazuza), agora a cantora opta por arranjos delicados que destacam sua bela voz. \u201cAtemporal\u201d compila nove faixas que destacam o lado compositora da artista. Pela primeira vez ela assina can\u00e7\u00f5es sozinha, tr\u00eas ao todo, entre estas a bonita faixa de abertura, \u201cEntre o C\u00e9u e a Terra\u201d (&#8220;Tudo \u00e9 t\u00e3o lindo \/ \u00c9 s\u00f3 olhar que n\u00e3o h\u00e1 met\u00e1fora \/ E olha que a met\u00e1fora \u00e9 a coisa mais linda \/ Que h\u00e1 na l\u00edngua&#8221;) e a provocativa \u201cDrum And Bass Is Past\u201d. Duas boas covers marcam presen\u00e7a no \u00e1lbum \u2013 \u201cFalso Amor\u201d, de Jair de Oliveira e \u201cNenhuma Dor\u201d, de Caetano Veloso \u2013 enquanto Paula Toller divide vocais na linda \u201cBom Dia\u201d, e assina com Billy Brand\u00e3o e Cris a faixa que fecha o disco, \u201cMagda\u201d. Produzido por Gustavo Corsi, Billy Brand\u00e3o e Beni Borja, \u201cAtemporal\u201d chega ao mercado pelo selo independente Psicotr\u00f4nica, o mesmo que colocou nas lojas o bom retorno dos Picassos Falsos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-73811 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/suzana.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/suzana.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/suzana-300x300.jpg 300w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/suzana-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cFanzine\u201d, Suzana Flag (Independente)<\/strong><br \/>\nA m\u00fasica pop tem o dom de transformar as coisas mais abjetas em sucesso de massa ao mesmo tempo em que renega coisas geniais que correm o risco de passar desapercebidas do grande p\u00fablico. Como disse sabiamente Jos\u00e9 Emilio Rondeau um dia, &#8220;um bilh\u00e3o de Robertos e Erasmos para cada Arnaldo Baptista&#8221;. Esse foi o primeiro pensamento que surgiu ap\u00f3s uma audi\u00e7\u00e3o de \u201cFanzine\u201d, primeiro \u00e1lbum da banda paraense Suzana Flag. O combo de Bel\u00e9m faz um (pop) rock de extrema qualidade, em que guitarras comportadas e eficientes fazem a cama para as vozes de Elder (tamb\u00e9m baixista) e Susanne. \u00c9 o tipo de som que deveria estar ocupando um lugar de destaque nas r\u00e1dios brasileiras. \u201cFanzine\u201d foi lan\u00e7ado originalmente em 2002, como CDR. Esgotou rapidamente as 500 c\u00f3pias e a banda decidiu fazer uma nova prensagem mais profissional (mas ainda artesanal), que viu a luz do laser em 2004. O encarte caprichado traz as boas letras enquanto a contracapa conta detalhes da aventura: o disco foi gravado no quintal da casa do guitarrista, com dois aparelhos de mini-disc, uma mesa de oito canais, uma pedaleira, um gravador de rolo e um teclado simulando bateria eletr\u00f4nica. Parece tosco? Parece, mas n\u00e3o \u00e9. A banda passou quase um ano no processo de grava\u00e7\u00e3o caseira, o que acabou dando um punch maior aos arranjos. No final, o disco saiu redondinho e cheio de m\u00fasicas perfeitas para se tocar em r\u00e1dios, botecos e acampamentos, melodias juvenis como a brisa antes de se transformar em vento. A unidade do repert\u00f3rio \u00e9 t\u00e3o grande que \u00e9 imposs\u00edvel indicar apenas uma faixa de \u201c\u201d. D\u00e1 para dizer que entre \u201cLudo\u201d (a m\u00fasica que abre o disco) e a vers\u00e3o ao vivo de \u201cEu Vou Lembrar de Voc\u00ea\u201d (faixa b\u00f4nus gravada ao vivo no est\u00fadio da R\u00e1dio Cultura da cidade), o rock nacional tem onze motivos para olhar com admira\u00e7\u00e3o para o Par\u00e1 e se render ao som do Suzana Flag.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-73809 aligncenter\" src=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/animalserenade.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"458\" srcset=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/animalserenade.jpg 450w, https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/animalserenade-295x300.jpg 295w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cAnimal Serenade\u201d, Lou Reed (Reprise)<\/strong><br \/>\nQuem precisa de mais um disco ao vivo de Lou Reed? \u201cAnimal Serenade\u201d \u00e9 o sexto \u00e1lbum ao vivo da carreira do m\u00fasico, sem contar uma centena de bootlegs solo e de registros com o Velvet Underground. Por\u00e9m, \u201cAnimal Serenade\u201d j\u00e1 valeria o registro: Lou entra em cena, a plateia urra. O guitarrista pega seu instrumento e, sozinho, preenche o ambiente com a batida inconfund\u00edvel de \u201cSweet Jane\u201d. N\u00e3o dura nem vinte segundos. Lou para tudo e diz: &#8220;Bem, eu gostaria de explicar como eu crio uma can\u00e7\u00e3o de tr\u00eas acordes&#8221;. O p\u00fablico ri. &#8220;Eu quero que os integrantes das novas bandas prestem aten\u00e7\u00e3o, essa \u00e9 a li\u00e7\u00e3o 1&#8221;. Tr\u00eas acordes depois, com o p\u00fablico rindo, ele termina a aula. E n\u00e3o toca \u201cSweet Jane\u201d. No entanto, diverte ao parar tudo, novamente, em \u201cSmalltown\u201d e conversar com a plateia \u201cMen Of Good Fortune\u201d e \u201cHow Do You Think It Feels\u201d, <a href=\"http:\/\/www.screamyell.com.br\/blog\/2008\/07\/22\/lou-reed-em-malaga-2\/\">ambas de \u201cBerlin\u201d<\/a> (1973), ganham vers\u00f5es matadoras ao lado de can\u00e7\u00f5es mais novas como \u201cSet The Twilight Reeling\u201d (1996), \u201cEcstasy\u201d (2000) e faixas do \u00faltimo \u00e1lbum de est\u00fadio do m\u00fasico, \u201cThe Raven\u201d, como \u201cVanishing Act\u201d, \u201cCall On Me\u201d e a faixa t\u00edtulo. Os arranjos s\u00e3o simples, bonitos e funcionais. No palco, Lou e sua guitarra s\u00e3o acompanhados apenas por Mike Rathke (que se alterna entre a guitarra e o ztar), Fernando Saunders (baixo e bateria eletr\u00f4nica) e Jane Scarpantoni (violoncelo), com ocasionais acr\u00e9scimos de backing vocals. \u201cStreet Hassle\u201d (1978) e \u201cDirty Boulveard\u201d (1989) ganham vers\u00f5es acachapantes, mas nenhuma delas chega ao \u00e1pice emocional das velhas e cl\u00e1ssicas can\u00e7\u00f5es do Velvet Underground. \u201cVenus in Furs\u201d\u201dSunday Morning\u201d surge delicada, com um dedilhado de piano conduzindo a m\u00fasica. \u201cAll Tomorrow&#8217;s Parties\u201d ganha velocidade, mas perde charme, enquanto \u201cHeroin\u201d fecha o show de forma brilhante, matadora e inesquec\u00edvel, com Lou enxertando trechos de \u201cIll Be Your Mirror\u201d no meio. \u201c\u201d flagra um Lou Reed inspirado e animado brincando com p\u00e9rolas de seu repert\u00f3rio. Gravado em Los Angeles, em 2003, o \u00e1lbum foi lan\u00e7ado em mar\u00e7o do ano passado em quase todo o mundo, inclusive na Argentina, mas n\u00e3o chegou \u00e0s prateleiras brasileiras. Uma pena. \u201cAnimal Serenade\u201d \u00e9 uma \u00f3tima maneira de se aprender como ser cr\u00edtico e contemplativo com seu pr\u00f3prio repert\u00f3rio sem tender a ser um babaca convencido. Mais do que ensinar tr\u00eas acordes, Lou Reed demonstra, na pr\u00e1tica, como continuar criativo ap\u00f3s os 60 anos. Como n\u00e3o descansar sobre os elogios da cr\u00edtica. Como continuar vivo e tocando. Como fazer de um show um momento inesquec\u00edvel para o p\u00fablico. Quem precisa de mais um disco ao vivo de Lou Reed? Todos n\u00f3s.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cris Braun - Entre o C\u00e9u e a Terra\" width=\"747\" height=\"560\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QscGvNMtA-4?list=PL54931E37A6F0304A\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Fanzine\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mN96fX_ndGM_eS-YCnurojZliTPMsp4XQ\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Animal Serenade\" width=\"747\" height=\"420\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/videoseries?list=OLAK5uy_mTvHMvAr8DyXFqg3c8IUfHpEW8KNOIHbE\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><em>\u2013 Marcelo Costa (<a href=\"https:\/\/twitter.com\/screamyell\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">@screamyell<\/a>) \u00e9 editor do Scream &amp; Yell e assina a\u00a0<a href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Calmantes com Champagne<\/a>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Cris Braun lan\u00e7a um \u00e1lbum leve e tranq\u00fcilo.; Suzana Flag \u00e9 uma banda paraense que merece ser ouvida por todos: Lou Reed d\u00e1 aula no disco ao vivo &#8220;Animal Serenade&#8221;\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/2005\/01\/19\/tres-discos-cris-braun-suzana-flag-lou-reed\/\"> [...]<\/a>","protected":false},"author":2,"featured_media":73814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[2151,244,5151],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73808"}],"collection":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73808"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":73815,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73808\/revisions\/73815"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/screamyell.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}